sábado, 19 de setembro de 2026

Verão - depois do vivo.

 Toco-te com uma pétala.

Respondes na nota certa

Faço-te um gracejo

Será um ensejo?

Não, dobra as sobrancelhas para pensar.

Emite um som, que pode ser desejar?

Fico na escuta.

Contigo e mais a minha luta.

Mordo, ouço e despedaço,

o meu abraço!

Que é forte, ou de desejo?

É potente, ou virtuoso?

Desejo? De novo?

É poder de amar, porque nada pode parar,

o que sinto de vez

aquela vez, uma vez,

acha que tudo te fez

em duas ou três vezes

mas não, uma ou duas são más

as que trás, satanás

ou amarás?

Mas no entanto, o pranto

tem o encanto de uma flor

a do amor que nunca nos dá dor, 

mas tem o sabor

do puro e doce amor

que nos tolda e dar vontade

na ansiedade da virtude de ser

desaparece o ser!

Viva o não-vivo

que nos por séculos de frio

torna o calor em cio

o cio em amor e o calor

em frio,

Morto-vivo, lindo e carente

que nos quer sempre

Vivo? Não quer saber... 

só quero sentir!

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Noites de Verão

 A tela está... branca. Porquê? Nada?

Não sei... alguém sabe? Sabe? Deixar ver se consigo aqui penetrar um pouco deste lado... não... demasiado duro. E ... aqui? Vou demorar tanto tempo, que mais vale ir buscar uma ferramenta! Mas afinal, o que falta? Sol? Há sol... água? Não tem faltado... amor? Carinho? Mas quem não tem isso? Os buracos são absolutamente gigantes, encher com tudo o que temos, seria uma operação quase megalómana! Como é que vamos fazer? Há alguém que tenha um curso como o fazer? Deverá ser feito com um curso? Ou com alguém que já passou por isto tudo e saiba como o fazer, sem temer nada? Pela minha experiência, que é pouca, devias dar de beber ao touro. Ele parece enervado e com pouca vontade e colaborar. Mas... como é que chegamos a ele? Feitos lagartas, sem que ele note? Ou cheios de confiança e ele não desconfia? Se calhar vamos pela 3ª... não, não é a ilha... é mesmo, aproveitar que há uma deformação na ligação e ele não vai notar. Dai, quando estivermos mesmo à beira dele, damos o néctar/água e ele vai-se deliciar. Agora... quando ele notar que foi só uma forma de lá chegarmos, será que ele fica bem e não nos dá uma cornada? Ou faz uma fogueira e bebemos todos um copo de Rioja? 

 

 

Às noites de Verão, às estrelas, com as nossas pessoas, sabem sempre o melhor. Saudades... Obrigado!

sábado, 25 de julho de 2026

As rimas perfeitas...

 As rimas perfeitas...


As rimas perfeitas são feitas de ceitas?

De partes perfeitas, ou que não aproveitas?


Quem as faz, sente o ar...


Respiro o ar sem ar, que o trás errar

Ar? De mar, que me faz sonhar

Num bom olhar, que me faz

de novo sonhar

Sem ter algo para dar, senão amor

lá vem a rima do amor

... calor, Senhor?

Não... sonhar sem querer

e a rima do "sofrer", que quer ter

menos e mais desejar, sem sonhar?

isso não pode ser

mas é o ser

que nos fazer ter

ou, é sonhar que nos 

faz desejar?

é sempre algo que nos faz

sentir, sem dormir

horas sem sono

porque estamos no Outono

profundo mono

uma, duas vezes a querer,

querer? de novo?

Não, isso não

porque o irmão é mais feliz

porque tem uma directriz

mas não tem uma cicatriz

e é ... ?

Actiz?

Actor? Lá está o amor,

De sentir... isso... calor

Mas isso é algo que se sinta?

Não minta!

Porque eu sinto a verdade do amar,

que não é verdade, quando é falso, 

verdade!

Mas que verdade é esta? 

Falso, não é verdade?

E ansiedade é mentira?

Amor é verdade!


Sim, tudo, somos nada, mas e a pessoa amada? Está sempre lá

quando ama, mesmo quando se sente anulada?

Ou porque quando sente, ainda mente?

Não.

Só amada!

domingo, 31 de maio de 2026

Mais! Ou mais?

 Isolada força de esperança

Que sofre uma matança

não é por ser mau

mas sim por ser um calhau

sem noção

de que com amor se faz

uma relação

e não com decisões más

más, por ser verdadeiro

ou porreiro?

Não, só porque somos estúpidos

entupidos

brutos

encharcados de valores

sem amores

ficamos

somos

vamos

não queremos

mas nos tornamos

acobardados pela noção que podemos mais

não queremos sentir

preferimos mentir

e o amor?

Fica frio, sem calor

a criação morre

sofre?

Sim, sempre mais e mais

fica desolada, apagada

na procura do que mais?

Nada! Começa a ser a palavra de ordem

numa rima parva, com desordem

que os ódios mordem

cobrem os amores

mais os reais dissabores

ou ... não?

Tudo é uma ilusão e 

de facto, há tato, no acto, amor de facto

só que ... preso de novo, sente-se amorfo

Quer voar, amar, pairar...

Não gosto nada de mandar!

Mas precisamos de amar.


mais...

sábado, 2 de maio de 2026

Teste de acesso ao ensino!

 Regras:

1 - não vale copiar

2 - se copiarem, serão copiões

3 - ao copiar, estão a infringir a primeira regra

4 - caso a copia seja notada, será assinalada

5 - no fim, caso copiarem, podem sempre reclamar


O teste não é consulta e não podem ser usadas cabulas, ou similares, como robots tipo R2D2, ou máquinas de calcular números parvos.


Q1 - Quantos pontos tem o ponto cruz?

1 - 1

2 - 3

3 - não sei

4 - 0


Q2 - A minha vizinha anda sempre despida em casa, o que devo fazer?

1 - chamar a policia

2 - nada

3 - comprar uma máquina fotográfica melhor

4 - convida-la para um gelado


Q3 - Duas linhas paralelas cruzam-se no infinito?

1 - não

2 - sim

3 - desde que consigam

4 - depende do nível de alcoolémia


Q4 - Os pavões são parvos?

1 - sim

2 - sim

3 - não sei

4 - são aves


Q5 - Os ovos mexidos levam porrada?

1 - sim

2 - deverão permanecer imoveis

3 - não sei fazer ovos mexidos

4 - a minha mãe é que os faz e como levo muita porrada dela, se calhar...


Q6 - Os carros de bois podem ser puxados por carros eléctricos?

1 - Nunca!

2 - Acho que sim...

3 - Ai se o meu avô saber...

4 - Sim!


Q7 - Façam os cálculos e digam se está correcto:

1 - x.y.7/123 = 0,0569xy

2 - 1/3 de 9 é 2,999999999

3 - Fórmula: \(V_{bala} = \frac{m_{bala} + m_{bloco}}{m_{bala}} \X \sqrt{2 \cdot g \cdot h}\)

4 - A minha prima foi comprar água, ao vir para casa, deu um copo de água a um mendigo, com quantos hectolitros ficou?


Nasce sol!

 Nasce sol desgraçado

és amado,

és forte e poderoso!

Porque te sentes receoso?

Se nos fazes sentir vivos,

cheio de sentidos!

Horrores e amores.

Trespassa a couraça,

que ameaça,

que faz medo,

quando nasce cedo.

Cedo demais!

No entanto, quer mais

Mais calor,

fervor!

Amor?!

Não está...

Saiu para um passeio.

Carrega no seu seio,

paixão.

Paixão no seu coração.

Vai feliz!

Diria mesmo que se sente imperatriz!

Os olhos sorriem,

os dedos anseiam,

por um toque do moço,

Um beijo, no pescoço!

Um mimo na alma!

Uma hora de calma...

Um sonho impossível,

um amor incrível.

Vejo ao longe que já nasceu,

Mas ninguém ainda percebeu.

Que quando estiver no alto,

vais queimar de assalto!

E quando se esconder,

damos tudo para ainda o ter.

Sabendo que o outro dia chegará,

e, com ele de novo amor trará.

domingo, 12 de abril de 2026

D e sonhos

 Maltrato a minha vontade de estar, porque não consigo sentir com as pontas dos dedos, que estão cobertas de cinismo, de vontades absurdas, quase surdas, no meio de tanta lucidez, sinto-me opaco, cheio de riscos; a visão está ofuscada pelo sentido pouco real do sentir. Mas como podemos acreditar e sentir em Deuses e que nos fazem amar, sem os vermos, ou podermos tocar neles? Ou seja, Deuses? Tudo bem... podemos sentir de uma forma extrassensorial, agora uma pessoa que amamos, mas que está longe... isso é estranho e pouco compreendido. Bem, a bem dizer, digo que se acredito nesse tipo de amor, também devia acreditar em Deuses.


De que forma se mistura o amar, com o abstracto? Temos de nos cortar, para sentir? Temos de elevar o sentimos ao ponto de achar que estamos a sentir algo de facto? Será o sentir abastracto cínico? Se temos sentidos pecaminosos com uma pessoa e dizemos que sentimos o que se passou com essa/s pessoa/s, porque razão não podemos acreditar numa entidade que na verdade não nos tocou com a mão, ou nos atirou com uma pedra com uma fisga? Ou seja, se for uma mulher/homem que não conhecemos, mas que tivemos pensamentos e, só pensamentos, está tudo bem, mas se for um Deus... pára! Isso é estranho... agora como é que vou acreditar num tipo que fala um conjunto de balelas e que até fazem sentido, mas que como não me deu um "hi-five" não vou acreditar nele! 


Mas a coisa começa a ficar estranha quando há pessoas casadas com essas entidades que nunca lhe deu uma palmada no rabo, ou um beliscão... uma coisa é eu sonhar que a Charlize Theron é a minha namorada, durante 4 meses, outra é casar-me com ela em sonhos e reclamar tudo, por ela não me ligar um cu!


Tendo em conta estes aspectos, julgo que são ambos válidos, mas uns são dotados de pureza e os outros de ... cenas coiso... mas na verdade: durante meio segundo deram que pensar, ou não?

domingo, 15 de fevereiro de 2026

14-02-2026

 As veias cheias de letras azuis, que nos moldam, essas ideias, vazias por vezes, mesmo cheias de ideias. Ideias? Não, sentimentos, mesmo os garantidos sentidos amorfos, sem coisas palpáveis, mas na necessidade de garantias, procuram tacto, sentimento com na ponta dos dedos, pois não conseguem no âmago do sentir. Sentir? Mentir? A verdade escondida, por detrás de seres fictícios, que nos dão força, não dando, só esperando, que dão, mas que são, forças amarguradas, ou pensadas? São só as que nos dão força. Porque nos sentimos alados? Desesperados? Isolados? Ou... amados? Não é um consenso, há só senso, que nos faz amar, porque pouco mais há para dar, receber? Perder? Sofrer? A palavra da ordem... sofrer. Morrer por sofrer? Amar, por estar a cagar? Ou estar-me a cagar para o amar? Bem... as questões são ar que não se vê, respostas que não são tidas como resposta, mas sim como pergunta, absoluta junta, porque nada tem muito mais para dar, se não expirar... o amar. Mas quando o amar é sentido, tudo tende a ser efectivo, mesmo o que não tem explicação, coisas do coração…. Que São? Pu... que o pariu!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Fátima

O sol raia

Sinto um nervoso miudinho

Como se ainda fosse pequenino

Não sei explicar

Mas sei que ficará

Não sei hesitar

Nem como parará

Porque me sinto pequeno?

Porque me sinto bebé?

Não sei quem sou

Sei que estou

Fico nervoso só de pensar

Fico exaltado só de respirar

É hoje!

Não pensei que fosse verdade

Mas é a realidade

Porque já estou a caminho

Umas vezes de pressa

Outras devagarinho

A certeza é essa

Que se faz torna certa

Pois de estou de mão aberta

Sem conseguir parar

De coração a acelerar

Ansioso pelo contacto

Menino de não entender

Porque estou a tremer

Só sinto o que poderá ser

E nada me faz parar

Só acelerar

Seguir em frente

Às vezes temente

De perder

Porque irei sofrer

Sei de coração

Sem conseguir antever

Que esta emoção

Não é natural

Mas é normal

Porque nada fez prever

Que iria algum dia acontecer

Fico feliz por me teres escolhido

E não hesito em correr

Pois vou ser colhido

Pelo teu coração

Como se fosse o nosso coração.

  

Na colina apareceste... com o sol por detrás, uma visão de Fátima, que em Fátima se fez.

 

Resolvi escrever, mas não é porque vou esquecer, é para meter e compreender, se o sentimento ainda existe. E como seria de esperar, é igual ao primeiro dia.

 

Não sei o que dizer... mas nunca irei esquecer.

Rima da noite

Porque suspiro?

Porque me atiro?

Faz sentido?

É real o perigo?


Se consigo responder

Ficarás a saber

Se me esconder

Não vais compreender


É natural

É sentimental

Não é viral

É fundamental


Vou alternar

Como vou falar

Ora amar

Ora matar


O calor

Do amor

Tem sabor

Tem ardor


Certeiro

É o arqueiro

Que acerta no meio

É o primeiro


Não se sabe como termia

Só se sabe que é uma menina

Podia ser uma assassina

Mas é uma heroína


Amo

Chamo

Surdo

Mudo


É o que sinto

E não minto

É um mito

Mas eu sinto


Se te quero?

Só espero

E desespero

Ser sincero


Anseio pelo dia

Que no nada

Que não venhas fria

Mas sim amada


Há palavras como: quero-te

Que rimam com: desfaço-te

Mas quando te quero

Soa sempre como: te amo...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Sonho

 O dedo na pele

Sente, o quente

Que nunca sentiu

Fugiu? Nem pensar

Porque quer ficar

Sentir mais e mais

Quente, porque nunca sentiu

Porque é isso

que faz o sentir

Sem ser submisso

Mas é nisso

que o faz acordar

Sem partir, sente

de novo

O seio nu

O beijo cru

O sentimento de perder

Perder o momento

Por isso, tem de ser junto

Um, dois, quatro vezes

contorno a aureola do mamilo

procurando nunca me esquecer

daquele toque

se me faz falta

reter na memória

e dar enfoque

à gloria

ao que exalta.

Sinto um sinal na ponta do dedo...

nas costas.

Fixo-me dele, como se de uma memória

nunca mais vivida

partida

para evitar ficar vazia

sentia-a

uma

duas, três vezes

e rodei... senti

um sinal.

O calor do corpo junto ao meu,

Nús, sem uma única palavra,

sem sexo, ali... no cheiro, 

no colo de sentir e estar,

tudo morreu ali e tudo

viveu para sempre,

porque se sente.

Obrigado amor!

sábado, 24 de janeiro de 2026

Hoj'é nada! Amanhã?

 Nada


nada é a espada que amada, trespassa

a carapaça, dura de lama, quente

que não sente, mas está presente, estará?

Sim, está, morta, viva?

ou só adormecida, sem vida, ou privada

de vida viva, morta por dentro, mas viva

por

fora da casa que está pintada de branco, com 

um

dois

mantos de cor branca, pura de pureza, cínica, quase

cinéfila, com uma grande tela branca de amor, branco

mas ao mesmo tempo vermelho, negro, para não dar a notar que é negro,

porque calha mal no verso, maroto, arroto

aberto, sem pudor, porque não é assim que se quer,

mas é assim que se pode ser, ter, amar, estar

por favor, sem valor, com amor, estar, SIM!

NÃO!? Mas assim a mão não pode ter, mas pode ouvir

sentir, não ir, mas parir, amor... sentido, porque foi assim que

foi concebido.

Parabéns! O ar está para ti!

Estamos todos aqui!

Nada pode existir, se nada existe, por isso, nada persiste,

Mentiste? Não! Só não sentiste... pena, poderia ser algo

soberbo... agora? É só medo.

domingo, 23 de novembro de 2025

Achas mesmo?

Liberta o azedume que sentes

mentes? faz de ti o teu poder de seres

mentes? de novo? não, sentes, mas de dentes fechados

abres os achados, perdidos juntos que se juntam, 

unidos, pelo ser absurdos, surdo, sem rumo

mas junto, pela unidade de estar repetida, unida,

amada, achada, não achada, mas inanimada,

como uma pedra, fria, humida pela noite, fria,

que se torna remota, morta,

nunca viva, que se torna extinta,

morta de vida, mas viva de pelota,

espera por algo, vivo, transpiro, anseio...

Mas mesmo assim, sinto a pedrada, certa de vida,

que nos acerta, de uma só vez, ou duas, ou três,

sem nos dizer, é desta vez?

Não, é sempre, que a vês, ou quando a sentes, 

que achas perdido, mas não és ouvido, mesmo que berres,

mesmo que não digas nada, porque nada podes dizer, 

só ouvir e sentir, nem que seja sem prazer,

por isso a vida é mesmo assim, 

uma forma de algo que não tem resumo, 

só uma laranja sem sumo, um café sem açucar,

porque não tens noção do que dizes, mas tem noção do que sentes, 

e mentes? Sim. Mas porque não tenho dinheiro para pagar um jantar no Sublimotion

e achei que até podia ir lá ... evacuar!

sábado, 8 de novembro de 2025

Que estrela é aquela?

 

Duas da manhã, perdido numa praia no meio do nada… procuro desesperado aquelas palavras que nunca ouvi: “…aquelas estrelas ali levam-te a Norte.”
Rebusco nos bolsos algo que me endireite, que me dê seguimento, mas sem qualquer tipo de resultado. Do nada, oiço uma voz: “Aqui, aqui…!” - e um feixe de luz!
Eu só me pergunto: “Que gente será aquela…?” - Para além do feixe, há uma espécie de festa, de jubilo, como que no meio do nada, a paz estivesse garantida e ao mesmo tempo, em êxtase. Assolo-me de uma forma cautelosa, (não, a Filo está longe, a fazer panqueca…), só porque oiço cânticos em transe, que gosto, mas com a quantidade de carapaus que comi, desconfio. Quem serão? Não reconheço nem um… quando chego à beira, metade estão de máscara… ainda pior. Só penso…: “…terei estado durante dias, talvez meses, dentro de um mundo fechado que se assemelha agora a algo com um rito?” - Mas não… são só tipos com os copos, de volta de uma fogueira a tocar o costume… nem vou dizer o que é… mas no mesmo álbum há um elevador…

Fico estasiado com a forma como tudo se move… em compasso bêbado, com o ritmo blues encadeado, como se de uma roda dentada manca se tratasse. Como se uma roda gigante falhasse o dente. “Eish…. Pum” e mais um acorde.

Dentro do que estava a viver, continuei sem rumo, e deixei os mancos, como que se procurasse pelo fim do nada. Não o encontrei, mas deparei-me com algo que me fez regressar à minha infância. Um sapo… um sapo na praia? De noite? Podia ter 3 conotações, mas eu só me lembrei de uma, “alguém não deve gostar de sapos”, pois eram muitos… e eu na verdade não sou muito fã… mais uma vez, tentei procurar algo que me desse paz…

 

Na bruma da noite estrelada, encontrei um sítio onde pequenos espinhos secos, ostentavam formações amo fraditas com casca. Estremeci! “NUM CAMPO DE CARACÓIS E CENAS AFINS!?!? QUE NOJO!!!” Mas não, eram só alguns caracóis listados… estava só perdido, “Calma parvo!”

Daí que pensei…:  “não, isto não vai fazer com que eu encontre a civilização!”

Vou continuar a tentar encontrar algo que me faça sentir em casa… por favor!

A floresta adensa-se, sem ter em conta, tenebrosa, defunta, e com pelos nas costas! Sem saber o que lá vem (ou o que vem lá), berro em desespero: “PASQUIM!!!”

 

Alguém responde: “HERMITA!!!”

 

Para além disso, nada… nem um arroto… num peido, nada…

 

No fim, muito no fim, uma sombra, um movimento e um vulto enorme. Pensei que não ia sentir a luz do sol por muito tempo, pois sentia a sombra do vulto, senti a falta da ajuda de todos, mesmo os que juntos cobram sobre outros, como que a de uma montanha ao fim do dia de Outono, que tenta ser uma planície de uma praia paradisíaca… olhei, pensei e disse: ZÉ!!!!

Estava salvo! O Zé há uns 3 dias a trás, neste momento mostrava-se seguro e de cajado na mão, tranquilizava metade do povo. A outra lia Platão e o resto achava que o Big Brother era algo que podiam ter na varanda!

Fiquei muito mais tranquilo e dei comigo a cantar: “Always look on the bright side of life!”, ou o “Espinosa”… (IN O INCESTO), alternadamente.

domingo, 26 de outubro de 2025

Kadayif Frito! Mas em lume brando

 O ar pesado do túnel, trazia-me não só memórias, como novidades. Não sei explicar... as sensações de claustrofobia e liberdade conscrita ao espaço, tornam-se notórias, no entanto, sinto como que há seres que se escondem nesta bruma positiva, que nos torna neutros, mas ao mesmo tempo, isolados, seres altivos, com poderes estranhos, que controlam outros. Já aconteceu; e pesquisando nos meus apontamentos revejo muito do que se passa. Sinto uma sensação de "déjà-vu", mas com contornos de repetição. Adoro repetições! São fabulosas! Uma, duas, três vezes? Muito bom! Mudar para quê?! Não entendo... Para mim quando temos a perfeição, é de facto anómalo tentar de alguma forma mudar! Os meus ancestrais já diziam: Não se mexe no que é antigo e bom!!!

Claro que estamos no "Formiga Assassina!", onde, tudo o que é tido como garantido, pode muito bem ser como morto! Daí que, a perfeição, só é tida como garantida, quando aceite por seres estúpidos, que se regem por entidades estipulantes e garantidas. Vejamos... todo o pensamento sobre um determinado assunto, é tipo como válido, até ser provado. CERTO!? E é assim que deverá ser para todo o sempre. Mesmo o cocó, por mais que haja biólogos, esses seres fabulosos, vão concordar que é melhor não provar cocó, porque pode saber a cocó. Ou seja, quando uma entidade te valoriza, mesmo que acredite que não é fixe para eles, se calhar é melhor desconfiar. Por isso mesmo, a cena dos chocolates lá do "Dubai"... esquece! Come pistácios com e bebe uma boa cerveja!

domingo, 4 de maio de 2025

Sobe e desce

 Desço as escadas do arco iris

Procuro por partes de alma

Perdia no ar

Encontrada na vitória do amar

Silêncio surdo do grito

Viril, sem sexo

ou amor

Só Puro de conquistar

Ao encontrar

Os viris assombros, são

não são

Mas serão?

Volto a subir e quem encontro?

Nada... o ar, a alma que me viu descer

A que me viu tremer

A que agora me vê descer, de novo, mas... não estava a subir?

Mas?

Não... a ilusão que podes, mas não queres

Queres, porque podes, queres e afins...

Sins e nãos, sem mãos e com amor

Porque rima com algo que podemos continuar

A par de sentir, só posso vergar

Estar em uníssono com o sol nascente

E em concordância com o sol poente

posso sempre não acreditar

Manter a mente, sempre

assente, em tudo que mente

Ou que nada sente, no entanto, far-me-á sentir?

Sim, vai-me fazer continuar a subir, até chegar

Ao topo, onde estará tudo na mesma

Sem sentido e parvo e profundo

Com preguiça continuo, de encontrar o que me rege

Mas com a vontade de seguir em sítios que não são procurados

Por ocupados do nada

Por seres vis...

sábado, 15 de março de 2025

Peixe à caloiro

 

Ingredientes:

-          634g de peixe variado

-          1 cebola, ou várias

-          7,1 dentes de alho

-          153kg de batata

-          Azeite; a quantidade que conseguir suportar

-          Uma quantidade de leite

-          Um xicara

-          Louro, não um individuo, a folha da árvore, ou várias, depende da vontade

-          Soluços

-          Um martelo

-          Um punhado de salsa

-          Outro punhado de salsa, mas a fingir

-          Vários condimentos de mostrada

-          Uma colher de mel de vespa

-          Sal e pimenta q.b. (querida borrei-me)

 

Preparação:
Esqueça as batatas e faça com massa tipo cotovelos.

Num tacho, profundo, como os livros “O rapaz que prendeu o vento” e o “Gente pobre”, coloque o azeite que conseguir suportar.
Descasque as cebolas, mas não as pique, ou parta, coloque inteiras no tacho. Faz o mesmo com os alhos. Ligue o fogão (gás, eléctrico, o que lhe der mais vontade e até mesmo carvão, ou lenha, desde que não seja a gabaço). Quando começar a fazer fumo, coloque os peixes, mas sem espinhas e sem a cauda, dentro do tacho. Quando estiver muito fumo, ou chame os bombeiros, ou então abra as janelas e ligue o exaustor. Mas nunca, repito, NUNCA, ligue à mamã e dizer: e agora?!?
Neste momento, a essência deste vibrante prato começa a ganhar forma: pegue no martelo e desfaça tudo o que estiver dentro do tacho, com o vigor de um Viking! Se sentir que não é ainda vigoroso, quebre a xicara com o martelo, usando toda a força que tem e depois continue o seu caminho, a transformação de ingredientes em papa, chama por si!

Se está cansado, use o soluço.

Quando tudo estiver bem esmigalhado, junte a quantidade de leite e o resto dos ingredientes. NÃO MISTURE! Nunca! Deixe só estar…

Rectifique os temperos.

Deixei cozinhar em lume quase sem calor, durante o tempo suficiente para dizer: mas a merda do comer não ficar pronto?!?

Por fim, antes de servir, deite nas bordas dos pratos dos conviveres, o mel.

Se não fez acompanhamento, eu avisei…

 

Servir à temperatura mais parva que conseguir sentir e bom apetite!

quinta-feira, 18 de julho de 2024

A Prima (texto corrigido)

O mote.

(...) Depois os que riam passaram a chamar-nos namorados. Às vezes atiravam-nos uma pedra que nunca acertava e fugiam. Começámos a sair da escola durante o intervalo grande, que era de trinta minutos, acho eu, e desfrutávamos o facto de àquela hora o baloiço do parque estar sempre livre. Às vezes a meia hora passava a uma, ou mais, até que a professora chamou os nossos pais por mau comportamento. O que é que eu andava a fazer com a Helena, perguntou-me a minha mãe à noite. Andamos de baloiço, respondi. (...) Lembras-te Helena? Helena? Não me ouves? Tinha que ser nesta noite fria, que

 

O texto:

 

A Prima

 

 

A família

Os ossos doem-me, o frio, a humidade, esta maldita, mas bem vivida velhice, que me atormenta à anos. Mas graças a Deus tenho alguém com quem posso compartilhar estes dias de hoje, porque houve dias em que nada tinha, ninguém, só o vazio das paredes, o som do vento, que fustigava as janelas do piso de cima. A do quarto do André e da pequena, que há muito estava partida, era o que mais me arrepiava. Tenho que ir buscar mais lenha, comentei. O fogo brando, quase sumido, que quase não aquece, na lareira monstruosa, as sombras na parede, que mais fazem lembrar os mantos negros, como abutres, que esvoaçam pela sala, na noite. Levantei-me, ao lado da lareira um cesto de verga, envelhecido pelo fumo e pelo calor, estava meio de lanha. Retirei dois troncos grossos e coloquei-os na lareira. Peguei no livro que lia, já há duas semanas. Aquela passagem em particular fez-me lembrar a minha infância. Os dias em que corria pela casa fora com a minha prima, na altura má como as cobras, matreira, dela nada se podia prever, mas o amor que sentia por ela, superava qualquer coisa. Um dia de inverno, como este, andávamos a correr pela sala numa gritaria pegada. A minha prima tinha-me tirado do meu quarto um pequeno cavalinho de pau, que o meu tio tinha feito, com a sua navalha, sempre impecavelmente afiada, mas com todo o carinho. E lá andava ela com o cavalinho na mão a, a troçar de mim e quando passava por esta lareira, fingia que atirava o cavalinho. Eu em pânico, gritava e chorava. A maldade era tanta que nem um leve, suave, materno, doce, tão doce, parem com isso, da minha querida mãe, a fazia parar. Eu nunca consegui compreender porquê. O que a levou a atirar o cavalinho para a lareira. Tenho cá as minhas suspeitas, mas é muito difícil compreender. Com tamanha gritaria, e choradeira, foi inevitável que o meu bem-dito papa não ouvisse. Austero, severo, com voz de trovão, as mãos do tamanho de panelas de sopa, os olhos azuis, mais azuis que o céu, o bigode grisalho, de pontas reviradas para baixo. Era muito alto, tão alto, que não se conseguia ver a alma, mas era tão doce, tão amigo, afável, mas tão cruelmente justo, mesmo muito justo! Ao chegar à sala, soltou um, gostava de saber o que me perturbou o sono? Eu não consegui soltar uma palavra que fosse, tudo se gelou dentro de mim. O cavalinho deixou imediatamente de existir, a única coisa que me ocorreu foi o destino da minha pobre prima, mas nem uma palavra, nada. Não conseguia salvá-la. Quando me lembrava do que ela tinha feito, o ódio percorria o meu coração. O que se passou, Júlia? Perguntou à minha mãe. Nada Sr., nada se passou. Não achei justo. Mas seria melhor assim, que aplicar a justiça do meu papa sobre a minha pobre prima. Ela, que era sempre muito irrequieta, sempre que o meu papa estava por perto, tornava-se na moça mais sossegada, angélica, mais doce que alguma vez havia existido. Eu que padecia da mesma justiça do meu pai, suportei mal todo aquele clima obscuro de traição. Ele, que estava ainda de maus modos, sentou-se no seu grande cadeirão, e pôs-se a olhar. Júlia, o seu filho está com um olhar muito rancoroso, algo se passou. Seria melhor contar-me o que se passou. A minha mãe insistia, Sr. nada se passou. Eu nada podia fazer. O meu papa era contra a covardia que assolava a maioria das crianças e sabendo disso, insurgi-me. Prima, gostava que visses brincar comigo para o meu quarto. Não me apercebi do que tinha dito. O meu pai não quando estava a sala não queria que ninguém a abandonasse enquanto ele lá estivesse. Fiquei muito nervoso. A enorme e volumosa cabeça, voltou-se na minha direcção e de um só sopro, trovejou: O menino sabe que não pode fazer isso, não sabe? Mais uma vez o meu corpo gelava, era como que todo o meu sangue quente nas minhas veias me abandonasse e no seu lugar corriam torrentes de gelo. Sim Sr.. Respondia com o coração na mão à espera da facada fatal. A minha adorada prima, que de feia sempre teve muito pouco, olhou para mim e da sua boca, linda, saiu a língua vermelha como uma cereja. O ódio foi superior ao meu pai. Nada me podia travar naquele instante. Saltei de um só impulso para cima dela e bati-lhe tanto com as mãos fechadas, nem as mãos vigorosas do meu papa conseguiram me arrancar. Estava louco de raiva! A muito custo conseguiu separa-nos. A mãe que sempre a vira com a calma de uma leve brisa, salta do enorme sofá, deixando cair a sua primorosa renda, tentando também nos separar. Eu fiquei nas mãos do meu pai, ainda esperneava. Pela cara da minha prima escorria um fino fio de sangue, que lhe vinha cabeça. A minha querida mãe, em pânico, olhou-me nos olhos e perfurou-me! O meu pai, de imediato afastou-me dali, levou-me para o quarto e trancou-me a sete chaves. Fiquei quatro semanas a pão e água, de janela fechada, tapada por fora. O caseiro, o Sr. Antunes, enquanto pregava as tábuas na janela, escorriam-lhe lagrimas grossas, pela face seca do pó do campo, enquanto eu ficava ali encarcerado. Tinha uma vela que tinha que racionar, pois era a única, para me fazer companhia. Todos os meus pensamentos estavam voltados num só sentido, a vingança. As quatro semanas transformaram-se em anos, num colégio interno. Cresci rancoroso, fechado, triste, com pensamentos pecaminosos, sem vida interior. Nunca mais vi a minha amada mãe. E ela, a prima, linda, que não me saia da cabeça... Quando soube da morte da minha mãezinha, abateu-se uma tristeza e uma dor tão grande, que a única esperança tornou-se obvia, tinha que me vingar.

 

A cidade

Com 19 anos, acabei todos os estudos, era agora médico. Não tinha um único amigo. A igreja ia-me dando algum apoio, mas até aquele dia nada nem ninguém sabia o que me trouxera aquele colégio. A única coisa que sabiam no colégio, era da existência de uma família que nada dizia, nem uma visita, nem uma carta, só um mensageiro com a morte da minha mãe e a mensalidade. Sai para a cidade com os meus 20 anos. O Padre Zacarias aconselhou-me um cirurgião muito famoso. Fiz-me ao caminho. Tinha crédito para um dia, não mais. Ao chegar à grande cidade, pressenti algo nefasto, nada iria ser como até ai, iria ser bem pior. A agitação, o barulho, os olhares, os risos, as falas, os trajes, o cheiro, tudo era novo e distinto, nada igual ao que alguma vez tinha sentido. Mas além disso, senti um frio de medo a percorrer as costas. Bem que o Padre me avisou. Tal como o Padre me ensinara, perguntei a uma velhota que vendia fruta, como fazer chegar à morada do famoso cirurgião. Não sei quanto tempo andei a pé, mas perguntei indicações a sete velhotas que vendiam alimentos na rua. No final bati à porta, exausto. Ninguém... Esperei quatro dias. Ao final dos mesmo quatro dias, apareceu uma senhora de meia-idade, que com muita ternura me perguntou se eu estava perdido. Expliquei-lhe a razão pela qual estava ali e prontamente se ocupou de mim. Convidou-me a entrar, esperar pelo médico que tinha saído por uns dias. Estava a morrer de fome. Só trazia uma mala e a roupa que tinha comigo e umas coroas para dormir, que guardei. Em quatro dias, tinha comido quatro maçãs. Estava mesmo com fome. O médico chegou passados alguns minutos. Muito elegante, muito aprumado, de chapéu alto, bengala, de cara muito lavada, sem uma única ruga, como se a pele fosse de cetim, olhos pequenos. Prontamente a senhora justificou a minha presença. O médico ficou muito impressionado, tão novo e já médico?! Expliquei em poucas palavras o meu passado e o médico, compreendeu. Esticou a sua mão, muito macia e fria. Dr. Ernesto de Vasques, às suas ordens. Eu nem sabia o que dizer, estendi a minha mão e apresentei-me, Afonso Biscaia, um seu criado. Foi a primeira vez em 15 anos que disse o meu nome a um estranho. De certa forma não me suou bem, nem a mim nem ao Dr. Ernesto. Biscaia? De onde? Perguntou de sobrolho levantado. De Vandins de Cima, Sr. Dr., disse eu a medo. Não acredito! E dizendo isto o Dr. dá um passo a trás, com o olhar raiado de espanto. Tens a certeza? Perguntou ainda incrédulo. Sim Sr. Dr., tenho. Eu não compreendia o que se passava. Pega no meu braço com toda a força e atira comigo para fora da sua casa, com a mala que trazia e aconselha-me a sair da cidade o mais rápido possível. Algo se tinha passado e era com a minha família, algo de muito grave. Não podia ser mero acaso, o Dr. Ernesto não podia conhecer a minha família, seria um verdadeiro acaso. Peguei na mala. Estava desesperado. Não sabia para onde ir. Já era noite. Pernoitei num vão de escada ali perto. De manhã resolvi procurar algo para fazer. Se ia ficar na cidade, teria de arranjar sustento, pelo menos até decidir o que fazer. Procurei durante dois dias trabalho, ninguém me queria, era demasiado franzino para fazer trabalhos pesados e eram os únicos que encontrava. Por fim consegui um emprego numa fábrica de peles. Trabalhava-se do nascer ao por do sol, sete dias por semana e dormia-se dentro da fábrica, juntamente com mais centenas de operários. Durante anos a fio trabalhei, naquela fábrica. Via muito poucas vezes a luz do dia. Mais uma vez, o isolamento era profundo, os pensamentos cada vez mais densos. Nada nem ninguém sabia quem eu era. De três em três meses tinha folga. Um dia, numa dessas folgas, sai e nunca mais voltei. Dentro da fábrica tinha-me informado como teria que fazer para chegar à estação de comboios. Assim fiz, com o pouco dinheiro que me pagavam, juntei o suficiente, para sair daquele inferno e meti-me no comboio, ruma a casa.

 

A casa

Na viagem, pensava em várias coisas. A primeira, e a mais antiga, a vingança, a segunda, era saber o que se tinha passado, para aquele Médico ter aquela reacção e a terceira era se o meu papa ainda estava vivo. A viagem demorou cerca de seis dias. Estava realmente muito longe. Depois de um dia no comboio, dois dias de diligência, mais dois a pé e um pelo meio para descansar. Quanto mais me aproximava da região, maior era o aperto no coração, não sabia se estava a fazer bem. Por um lado só pensava numa coisa, o reencontro com o passado e a saudade, por outro lado o rancor, o ódio. Estava agora com 29 anos, deformado, muito envelhecido, pálido. No entanto quando mais me aproximava, sentia-me a rejuvenescer. Lembrava-me dos momentos que passei com todos, a mãezinha, o papa e até mesmo a prima, a pobre prima. Órfã. Era filha do irmão do meu pai, que morreu juntamente com a minha tia, num incêndio. As circunstâncias do incêndio sempre foram muito dúbias, mas não seria muito difícil adivinhar o que se tinha passado. Comecei a lembrar-me dos tempos da escola primária. A minha prima, Helena, (há quanto tempo não digo este nome...?), que andava na mesma classe que eu, gostava muito de andar de baloiço, ela e eu. Ali ficávamos, horas. O intervalo, que era de apenas meia hora, transformava-se, no entanto para nós parecia só dois minutos. Andávamos sempre juntos, até havia quem dizia que éramos namorados, mas isso não podia ser! Mas era de facto e, por isso por vezes, só para nos chatear atiravam-nos uma pedra ou outra, mas não nos acertavam. Helena ficava muito irritada com isso, corria atrás deles e batia-lhes, com tudo o que tinha à mão. Por vezes era eu que tinha de acatar com a culpas, pois uma menina não tem comportamentos daqueles. O comportamento na escola, levou a chamar a mãezinha, que perguntou nesse dia à noite, longe dos ouvidos do papa, o que estava eu a afazer com a Helena. Eu com um brilho nos olhos, respondia, a andar de baloiço com a Helena. A mãezinha abraçava-me e pedia para ter mais cuidado, se o papa soubesse seria muito grave. No meio destes pensamentos lamechas, vinham as ondas de ódio. Um simples episódio tinha transformado a minha vida, repleta de prosperidade, como podia ter acontecido, pensava eu lavado em lágrimas. E o que teria acontecido a Helena, matreira como era e cínica, pensei que devia ter feito as coisas de forma a ser perfilhada pelos meus pais. Ai que dor! Continuei o meu caminho, estava quase a chegar, já sentia o cheiro. Ao longe, por entre os cedros altos, avisto as chaminés do casarão, imponentes como sempre. Parei, achei aquilo absurdo. O que estava eu a afazer ali? Não tinha sentido. Passaram muitos anos, eu para esta gente estaria morto, mesmo se não estivesse, devia estar. E eu também devia enterrar este meu passado horrendo e sair daqui. Com este pensamento voltei para trás. Mal iniciei a minha caminhada para trás, parei de novo. O ódio apoderou-se dos meus punhos, cerrei-os e fiz-me ao caminho, tinha que me vingar! O casarão estava com muito bom aspecto, todo pintado de branco, de um branco angelical. O jardim estava impecável, cheio de cores do arco-íris, lindo. Apetecia morrer naquele lugar, seria uma benção. Limpei as vestes sujas de pó, arranjei o cabelo, o pouco que tinha, limpei um pouco os sapatos, cheios de lama e peguei na grande maçaneta da porta principal. Como tudo aquilo me parecia bem mais pequeno, quase normal. Enquanto esperava que alguém abrisse a porta, olhei mais uma vez o jardim e como estava bonito. Acho que nunca tinha reparado, ou será que me tinha esquecido? Envolto nestes pensamentos, sinto a porta a abrir-se. Voltei-me e lá estava, como imaginei, o Sr. Antunes, o fiei caseiro, não me reconheceu. Não estamos a dar nada, nem se quer temos trabalho para si, vá-se embora! Fiquei calado. Olhei nos olhos dele. O Sr. Antunes teve um estremecimento e tombou um passo a trás. Menino Afonso...? Ficou sem qualquer tipo de expressão, nada, estava gelado, petrificado. Não é possível, era as únicas palavras que dizia. Posso entrar Antunes? Perguntei com um leve sorriso nos lábios, o primeiro dos últimos 22 anos. Não sei, respondeu. O que se passara? Primeiro o Médico, depois isto? O que se tinha passado? Fiquei transtornado. O menino não sabe? Perguntou-me o Sr. Antunes. Não sei de nada Antunes, nada! Desde que cheguei à cidade que tudo se tornou muito estranho, sem explicação. Eu não mereço isto! Diga-me Antunes, o que foi? O que se passou? Estava cada vez mais desesperado, confuso, sem rumo, tinha chegado ali com tanto esforço, com tanta dor acumulada, com todo o rancor do mundo, com o ódio que me consumia o coração e alguém está ali especado na porta da minha casa, que me faz perguntas, que me transtorna ainda mais, que me faz preocupar com esta gente, que me abandonou, que me deixou, como um reles cão da rua. Isto não podia ser justo, isto era demais. Antunes de uma vez por todas diga-me o que se passou. O seu pai assassinou uma pessoa, por causa da menina Helena e neste momento está preso. Não me espantei, tudo seria possível, vindo da prima. Já nada tinha importância-

 

A prima

E porque razão não me deixa entrar Antunes? Isso não é razão. Empurrei-o e precipitei-me para dentro da casa. O já velho, Antunes nada pode fazer, estava já sem força para me travar. A casa estava linda! Nova, como eu nunca a tinha visto. Mas como? Se o meu papa estava preso, quem tinha posses para sustentar a casa e tudo aquilo? O Sr. Antunes ordenou que saísse, mas eu não o ouvia, não queria saber, estava muito intrigado. Ouvi vozes que vinham da sala. Pareciam vozes de criança. Fui entrando. No sofá grande uma mulher, de costas, falava com duas crianças, que a escutavam com muita atenção. Não deram pela minha entrada. Um arrepio percorreu-me as costas. Uma das crianças era a prima, a Helena. Não podia ser! Gritei de espanto: HELENA!! Ao mesmo tempo entra o Sr. Antunes. As crianças assustam-se com o grito e gritam ainda mais alto, a mulher também assustada levanta-se e volta-se. Helena? És tu? A mulher era a prima. O Sr. Antunes agarra-me e tenta tirar-me dali. Sacudi-o com tamanha força que foi embater na mesa com a cabeça. Ficou inconsciente. Afonso? És tu? Estás vivo? O que estás aqui a fazer? Não sabes que não podes estar aqui? Crianças corram lá para cima. Disse Helena. Eu não as deixei passar e agarrei em ambas. A miúda era igual, igual à prima, impressionante. Então quem são estes, Helena? Os teus filhos, é? Que lindos! Vai se uma pena... Helena viu os meus olhos e começou a implorar. Não, por favor, mais tristeza não! Não consigo suportar mais. Dizia Helena, já com uma lágrima no olho. Achas que iria fazer isso minha rica prima? Dizia eu com um tom maléfico. Enquanto isso, as crianças não paravam de gritar, mandei-as calar, depois levei-as para a cave e deixei-as lá, fechadas à chave. Helena implorava e puxava-me, mas eu estava cego de raiva. Não conseguia ver mais nada, a vingança, o ódio, tudo, tudo! Os anos que tinha perdido, a felicidade, o afecto, tinha perdido tudo e tudo culpa da prima, a maravilhosa prima. Estava mais linda que nunca. Fui pacientemente para a sala. Ela tentava desesperadamente abrir a porta da cave. Ali fiquei na sala, até que ela com um machado na mão corre na minha direcção, para me tentar matar. Consegui evitá-la a muito custo, a loucura estava espelhada na cara dela, a todo o custo tinha que me matar. Corremos pela casa fora, parecia que tínhamos voltado à infância. Que giro! Por fim consegui tirar-lhe o maçado da mão e pedi que se acalmasse. Necessitava falar com ela. A princípio nada que eu dissesse fazia diferença, ela só queria soltar as crianças. Mas com o passar das horas, lá se acalmou e sentou-se comigo na sala. Minha prima, minha linda e amada prima, como estás? Vejo que estás mais bonita que nunca... Os dias correm-te bem? Estás com muito bom aspecto. Casas-te? Filhos, muito bem! Gosto do que estou a ver. Dizia-o com um misto de rancor e saudade. Não havia qualquer tipo de dúvida, eu amava-a. Mas não conseguia dizê-lo. Ouve Afonso, eu não sei o que se passou contigo, não sei mesmo, mas eu não sou culpada dos teus horrores. Como seria possível ela ter a coragem de dizer aquilo. Eu não estava a acreditar. Desde o dia em que te bati, aqui neste sofá, que tudo para mim mudou. Não compreendes. E não compreendia mesmo. Afonso, julgas que foste o único? E eu? Sabes o quanto sofri? Sabes o que me aconteceu depois desse dia? O teu querido papa mandou-me para um colégio de freiras, pedido no tempo e no espaço, só sai de lá aos 20 anos e foi porque fugi. Como se isso não bastasse, perseguiu-me até aos confins da terra, fez-me passar pelas piores situações da minha vida, só para lhe escapar. Ainda me vens com o discurso de coitadinho? Não te conhecia assim Afonso. Mas olha que pensava que ele também te tinha matado. Fiquei muito triste, mesmo muito. Tu eras a minha única esperança de alguma vez ser feliz na vida. Não aparecestes, nada, ninguém sabia de ti. Sabes quem foi o teu pai? Sabes do que ele é capaz? Ele mata com as próprias mãos, é um assassino! È um louco! Matou o meu marido! O meu marido era um cirurgião que conheci na cidade e numa discussão à cerca de doenças que podem ser combatidas com cirurgia, em que o teu querido papa acreditava que as doenças só podem ser combatidas com mesinhas, parvas e muita reza, matou de um só golpe no pescoço. Aquelas palavras perfuravam-me o coração. Pareciam tão absurdas, era um cenário tão surrealista. Tudo o que eu acreditava estava ali a ser ultrajado, transformado em barbaridades e dito pela única pessoa que alguma vez podia pensar em matar, torturar, fazer mal e o que oiço eu? Que o mau da fita é o meu pai. Achei aquilo muito descabido. Como pode ser isso verdade? Quem pagava a minha mensalidade no colégio? Quem me enviou a mensagem da morte da minha mãe? Para todas estas perguntas Helena respondeu, O Sr. Antunes... Não podia ser, era demasiado incrível, não podia ser. E julgas que a tua mãe morreu de morte natural? Foi assassinada pelo teu papa, que aliás, não o era. Era demais aquela foi a gota de água. Cala-te! E dei-lhe um estalo, com toda a força. Isso é demais, estás a tentar que eu te poupe a vida e a dos teus filhos! Acorda! Já não tens 7 anos, eu também não, eu já não acredito em ti! Helena, tu és a pessoa mais má que eu conheço, mas reles, mais cínica, pior que conheço. Deixa a minha casa e já! Esta é a minha casa, põe-te na rua e já!! Peguei-lhe no braço, mas ela não se moveu. Ela só olhava para mim e dizia que estava que eu estava errado e pedia que lhe deixasse contar tudo. Eu louco de desejo de lhe dar um beijo, ali junto a ela, mas ao mesmo tempo só lhe queria esperar uma faca, grande, muito grande no coração, para acabar com tudo aquilo. Nem pensei duas vezes, dei-lhe o beijo mais louco, apaixonado, cheio de amor e no final cravei-lhe o maçado no peito.

 

Epilogo

Este dia de inverno frio, em que o quarto do pequeno André e da pequena, Helena, a janela bate, com o vento enquanto eles descansam na cave. O Sr. Antunes, à muito que está ali inconsciente, junto à mesa. O meu querido paizinho, que jaze no cemitério de uma qualquer prisão e tu minha querida, que estiveste a ouvir a história que se repete todos os dias, com a tua inconsolada paciência, que estás aqui, ao meu lado a fazer-me companhia há anos, no teu preciso silêncio. Linda, linda, prima!

(Fala para o cadáver no cadeirão ao lado).

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Sente, mas mente.

 Nuvem densa, densa com carga feia, nojenta, cheia de vida morta, de volta, morta, que de tão viva não morre, cospe para o ar e apanha. Apanha? Sim, mas não. Morre só. Porque vive, só.

Carrega a árdua tarefa de ser, ou não ser, mas se é, será viva, a morta causa de tentar viver, numa total loucura, pura e dura, vive morta, ao passar a porta, alta, da ribalta, desce até ao mar, com um ar de satisfação, ignora, não chora, ou se chora, na hora, não vê, mas sê, o desprezo, a alienação, a tortura da futura, em brochuras de Verão, com sentido de Inverno, frio, gelado, mal amado, assassinado, morto e vivo ao mesmo tempo, sento?

Sente, mas mente.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

2 + 2 não é 7?

 - Rita?

- Sim...

- Porque tens ao lume duas panelas?

- Porque nunca sei qual delas é a mais vantajosa...

 

Este era o tema de conversa na Segunda-feira.

Qual a vantagem de ter duas hipóteses, quando podemos ter 1001?

 

Na verdade, a esperança de vida encarrega-se de responder a isso, por outro lado, há um ditado antigo que diz: Eu estou muito velho (mas muito novo). *

      *Procurei durante duas horas pelo ditado mais parvo do mundo e foi esse o eleito.

 

Quando pensamos em toda a latitude, ambígua escondida neste ditado antigo, sabemos que somos só um grão de pó, numa imensa latrina. O nosso âmago deixa-nos privados de sabedoria e a nossa razão inundada de certezas incertas.

 

No vislumbre de uma hipótese correcta, enchemo-nos de hipóteses, num emaranhado de questões analisadas por outros, que pensam e pensam, sabendo sempre que por mais que pensem, irão sempre tirar a conclusão incerta, certa para a altura em que é tomada, mas que pode muito bem ser incerta, por não ter sido introduzida mais uma hipótese.

 

Na mente humana só há uma hipótese: sobreviver.

 

Porque razão é que tentamos que outros sobrevivam? Porque nos fazem companhia? Mas a companhia mantém a sobrevivência? Estranho... pois entre dois (ou mais, não é há aqui a cena do casalinho, ok?) seres que querem-se manter vivos, deviam aniquilar o outro, para que consigam sobreviver em paz, sem ter de partilhar, fazer guerra, ter menos, ou mais que o outro, etc, etc... um sem fim de coisas sem sentido.

 

Será que a sobrevivência terá de ser sempre encarada como uma coisa colectiva? Porquê? Para quê duas penelas, duas hipóteses? Quando sabemos sempre à partida que uma delas é melhor...

 

Depois há o problema dos descentes, a prolongação da prolongação, de descendência, que nos descende das nossas dúvidas, incertezas, amores, desamores, vitórias, anarquias e por fim, a relação impensável com um ser, que nos pode levar à morte, mas isso é absolutamente irrelevante! Nesse caso há a “cena” dos dois tachos? Não… é que nem se pensa, o tacho que é a continuação, será sempre para manter cheio, ligado e ventajoso. Então será por isso que numa das religiões dizem que somos todos filhos de um só? Assim é mais fácil não ter dúvidas? Mas isso leva-nos a pensar que sou irmão da minha mãe… será normal? Ou não é para levar de uma forma literal? Não?! Então? É a brincar?! É um faz da conta, para que eu não me sinta mais, do que ela/e? Ou seja, voltamos ao mesmo: mais vale ter dois tachos ao mesmo tempo…

 

Gostava de terminar este orgasmo banal, com uma conclusão, mas o meu signo não o deixa. Logo... ponham sempre duas panelas ao lume, não vá o diabo tecê-las...

… por outro lado: na verdade isto tudo deixa de ter sentido, quando tens só uma boca do fogão…