sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Viva ao que eu chamo de: grito do fundo do poço

Certezas:

*No movimento das teorias, a estática dos teoremas.
*A dúvida do pensamento, a certeza da pergunta.
*A auto-estrada das estrelas, o atalho dos mares.
*A luta das forças, contra as forças da luta.
*Matéria negra, branca é a luz.

Dúvidas:

!Se há líquidos e gasosos, porque não inspirar cerveja?
!Em que data foi criado o calendário?
!Qual a forma da roda, antes de existir?
!A matéria é feita de algo que existe, ou se ensina?
!Haverá forma de quantificar a quantidade de quantidade?
!Qual a razão da espuma no liquido para lavar as sanitas?

Incertezas:

>Duvido que um Sr. na Irlanda consiga dançar depois de beber Licor Beirão.
>Não sei se alguém sabe de que cor é a cor...
>Mesmo que de certa forma eu possa vir a ser um individuo, será que poderei ser mais alto por isso?.
>Uma sardinha no mar, pode percorrer uma grande distância, mas na grelha tenho as minhas dúvidas...
>Estou incerto quanto ao futuro, mas também é normal, estou morto.
>Uma carruagem de passageiros do comboio da linha do Tua, vai a uma velocidade X. Está uma senhora à janela. Será que trás soutien?


Conclusão: Há mais dúvidas que tudo o resto.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A simplicidade do complicado

Simples é algo que se entende sem se ver, é algo que se sente sem serem necessárias palavras.
São os momentos que fazem a vida, sempre. São esses momentos que guardamos em sítios na nossa memória para sempre. Mesmo que queiramos deitar fora, esquecer, eles estão lá, para mais tarde, quando tivermos coragem, na nossa solidão, os recordar e pensar o que podíamos ter feito de diferente. Só que nada seria diferente, pois será sempre como é, mesmo que queiramos alterar, só pelo simples facto de sabermos como podia ter sido.
Se aconteceu, é sempre porque não podia ter sido de outra forma.
Vivemos a vida num misto de desejo, de liberdade e de prisão, pois a consciência manda em quase tudo o que fazemos e quando isso não acontece, somos quase felizes, ou totalmente felizes.
Não há que forçar algo que não pode ser, há que continuar e ver para crer.
Se um dia for pior que o outro, haverá outro que será melhor que o primeiro, seja em que situação for.
Viver é difícil, mas saber viver é tão fácil. Ouvir o nosso coração e saber que bate porque tem de bater, até que morramos, pois nada somos, e tudo desejamos. Querer, não é poder, mas tem uma força tremenda.
Ouvir, sentir, cheirar e saborear, tudo o que nos envolve, duma forma lúcida e embriagada. Com controlo? Sim, pois a vida assim nos ensinou.
Amar não é sofrer, mas sim sentir amando e amar porque se sente.
Choro porque amo e sorriu porque amo.
Desde sempre disse e já há quem mais o pensou: os extremos tocam-se. Mas digo mais, quando isso acontece, é porque estamos bem, pois a vida é feita disso e é o que nos impele a continuar.
Não acredito em algo que não nos dê “pica”, pois nada é garantido e por isso sofro, pois seria bem mais fácil ir pelo caminho mais fácil, mas e se isso for chato? Chato é mau? Não é, mas é um tremendo aborrecimento.
Cada vez mais tudo será igual e ao mesmo tempo, diferente, até ao ponto de haver um constante conflito chato.
Quanto mais tempo passa, mais a paciência se esgota, ou se quer mais? Mais do que se nunca teve? A paz é um momento, a guerra também, e o meio é equilibrado. Mas o meio não existe, pois é chato, daí que nos leve a pensar que mais vale um equilíbrio sentido, que um ponderado.
A racionalidade é boa? Sim, é óptima! Não nos deixa sentir e deixa-nos continuar sem nos magoar. Mas quando bate a porta, é terrível, pois não sabemos lidar com ela. No entanto sabemos lidar com sentimentos de hipocrisia e cinismos, pois são fruto do racional, de algo que não nos faz sofrer. Tudo tem base no sofrimento, na dor, pois não a suportamos e fugimos dela. Quem não tem dor é insensível ou racional? Ou pura e simplesmente sabe lidar com isso...? Não é necessário sofrer para saber. Aprendemos com os erros e temos decisões com base na nossa experiência, mas uma criança sabe quando quer e não quer fazer algo, mesmo que isso implique magoar-se. Na pureza da decisão, não há tabus, nem senso comum, há a natureza humana, que sempre nos faz optar por algo que o nosso eu diz. Para quê esconder e ter medo, se vamos todos morrer. O que é hoje, amanhã não será, já o que foi ontem, nada podemos alterar.
Viver e deixar viver, morrer e viver.
É simples.
A minha mãe diz: A vida é bela, o Homem é que dá cabo dela.
Tento todos os dias não o fazer, não destruir a vida bela. Mas é complicado.

Bom dia e até já, para todos, um bom raiar do dia, sempre na esperança de chegar ao pôr-do-sol e dizer sentido: Amo-te.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A concha

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Ao cair da tarde conheci uma concha, era normal, tinha cores normais, vistosas mas muito normais. Como que do nada encontrei-a, estava na praia, ali, junto à água. Peguei nela, limpei a areia, olhei-a e ela olhou para mim, tímida. Sabia que o lugar dela era ali, naquela praia, mas de qualquer forma tomei-a comigo. Não tive coragem de a tirar da praia e depois do por do sol, ali fiquei, nada disse, só a olhava. Não sabia o que dizer. Já sem luz do sol, olhei o céu estrelado e vi a lua. Brilhava como nunca, iluminava toda a praia, não havia mais nada, só eu a praia, o mar, a areia, as estrelas, a lua e a pequena concha. Com a luz da lua, outras cores foram surgindo da normal concha, tornando-se numa concha maior, com luz e vida próprias. Vislumbrei algo que me deixou boquiaberto. A face duma donzela, que me olhava. Olhos doces e escuros como a noite, meigos e ternos como a sua brisa que me tocava na minha face, querendo acariciar-me. A sua face era como a própria concha, normal, mas tão bela, mais bela entra as mais belas. Os meus olhos brilharam quando um sorriso da sua boca, imaculada, surgiu. Quase chorei e vindo das entranhas da pequena concha, uma pequena, mas gigante mão, tocou a minha face e amparou uma gota de lágrima, deixada cair pela felicidade do momento. Sorriu de novo. Eu sorri de volta. A concha agigantava-se em forma de mulher, bela e normal, mas de uma sensualidade sem igual, tal como a concha que peguei. Longos cabelos castanhos escuros, tapavam-lhe parte da face, de contornos suaves, duma tez clara, celestial, pele como seda, perfeitamente normal, nariz pequeno que só apetecia tocar, as maçãs do rosto em perfeita harmonia com os contornos nos maxilares e queixo, incrivelmente belo. A luz da lua não podia iluminar tanto aquele corpo, a luz que brotava era dum branco e azul que aquecia o coração, que enchia o espaço onde estávamos e formava uma barreira, nada nem ninguém conseguia lá chegar, mesmo que houvesse quem quer que fosse ali por perto. Senti um puxão, puxava-me para junto dela, mas não sentia a sua mão, só o magnetismo do seu corpo, que me puxava para junta dela. Estava já na plena forma duma mulher e eu ali estava, sem entender como podia ser, como duma normal concha, pode brotar tal normal mulher, do mais belo do universo. Estava agora à minha frente de joelhos e eu em frente a ela, de joelhos também. Tinha-me arrastado alguns centímetros na areia e cada vez mais próximo estava, mais ela me olhava e puxava. Estava tão próximo que ouvia o seu coração bater, como se estivesse dentro de água, num som grave e suave, que vibrava o meu corpo e batia em simultâneo com o meu, num embalo de fazer crescer ondas no mar. Continuava fixo na sua face, o seu corpo estava coberto por algas marinhas, dum verde profundo e brilhante como que se o sol ainda lhe brilhasse. Não pude evitar de ver as sua formas, belas e de tão normais que eram, faziam tudo parecer ainda mais belo. Estava muito próximo dela, quase lhe conseguia ver a alma, linda, bela, fabulosa, incrivelmente bela e normal. Aproximou a sua boca da minha e disse:
- Para me teres, terás de morrer. – Numa voz profunda, meiga, doce, melódica e envolvente.
Olhei nos olhos e disse:
- Mata-me com o teu amor.
Estas palavras ecoaram pelas falésias da praia, pelo céu, pelo mar, pela ar, por debaixo da areia, e ressoavam de novo na sua face nos seus lábios e seios. Estendeu os braços e apertou-me junto do seu peito. Senti o meu corpo a fraquejar, senti os meus membros a perderem força, num desespero de querer viver e não conseguir, se respirar sem puder. Definhava ali, o meu corpo deixava de existir. Senti um pavor tremendo, não sabia se queria e resisti. Tarde demais... Estava já dentro do que se pudesse chamar corpo, no dela. Ela, ainda mais se agigantava a brilhava, na praia deserta. Despedia-me do meu pobre corpo, que para nada servia, jazia, ali, morto, sem vida. Eu? Estava onde sempre quis estar, no seu seio, dentro dela, vivo, mais vivo que nunca. Olhei o mundo pela ultima vez e zarpei rumo ao mar. A concha caiu no chão, sem vida, normal, com cores vistosas e normais, para o nascer do sol, mais lindo de sempre, numa explosão de viva e cor. Rumamos ao único sítio onde nunca devíamos ter saído, o mar, o vasto e longo mar. As nossas almas por lá navegam ainda hoje. Por vezes venho à praia e vejo a concha, que ainda por lá anda, na esperança de colher mais uma alegre alma.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A praia

Photobucket

A tua face, que a lua ilumina,
Celebra a alegria em mim,
A tua cheirosa pele de menina
E tua doçura sem fim.

Silêncio quebrado pelo mar,
Que revolto endiabrado e poderoso!
Acalma o espírito exaltado pelo amar,
E liberta sem amarras, o teu olhar gracioso.

Toque suave de mão aberta,
Na tua face de pele sedosa,
Que todo o carinho liberta,
Soltando a tua expressão graciosa.

Olhos, nos olhos brilhantes,
Em que a alma forte se toca,
Com o desejo de dois amantes,
O beijo doce e meigo se troca.

As lágrimas surdas que correm pela alma,
Os desejos mudos das nossas bocas gritam,
Os lábios húmidos que se fundem com a calma,
E a palavra quente e forte que rompe o silêncio quando duas almas se amam.

- Amo-te! – essa é a palavra que fica esquecida no tempo, que parou, que ficou esquecido, que é sentida, mas não correspondida.
Acordo do sonho e sorriu.

Foi bom demais e verdadeiro,
Foi sentido e perfeito.

Até já.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Já faltou mais

Ondas em vagas,
que fazem chagas,
enchem a praia deserta,
coberta de rocha,
posta e deposta,
por anos de tanto o mar bater,
sem se ver,
em fúria,
sem injuria,
inunda, a areia imunda,
por depósito de restos humanos,
profanos, sem alma,
com a palma da mão inchada
de tanto conspurcar,
mesmo sujar,
sem dó, sem pensar,
sem amar, sem parar.
Oh saudade!
Oh felicidade!
Por dias bonitos,
cheios de calor
e gritos,
com candor das crianças,
felizes e com esperanças,
de brincar,
de correr e saltar,
de viver e pular.
Ai o cheiro! Ai o desejo!
De respirar, sentir o ar,
o sol e o mar,
a praia não mais deserta,
mas coberta,
por humanos, profanos,
que enchem-na de corpos imundos,
cheios de cheiros estranhos,
em rebanhos, amassam a areias
outrora sem gloria
e agora
porca.

Já faltou mais.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sem nome

- O que podemos fazer Grace?
- Talvez o Andrew possa nos ajudar.
- Não me parece. Ele tem sempre muita coisa para fazer. Dizes isso porque não falas com ele já há muito tempo. Qual foi a ultima vez que falaste com ele?
- Há cerca de dois meses.
- Isso é muito tempo para o Adrew. Ele agora lida com assuntos bem mais vantajoso.
- Ai sim?
- Sim... De tal forma que já não faz serviços de pequena monta.
- Mas ele mesmo assim é excelente para aquilo que queremos.
- Eu sei, mas não o fará para nós...
- Mas e se te disser que tenho uma quantia bastante avultada de dinheiro para esta tarefa?
- De que quantia estás a falar?
- Só a direi se conseguir falar com o Andrew.
- Pois mas isso é impossível.
- Então não podemos contar com ele... Mas olha que é uma quantia bastante simpática.
- Anda, diz-me quanto.
- Nada feito.
- Não vamos chegar a um consenso.
- Desta forma não, mas se tu ou eu cedermos algo, talvez consigamos chegar a algum lado.
- Não me parece, pois somos muito parecidos e ambos sabemos que não vamos ceder.
- Não te tinha como pouco inteligente.
- Como assim? Estás-me a chamar estúpido?
- Sabes bem que não te considero estúpido, mas acho que neste momento não estás a entender o que te estou a dizer, ou a fazer entender.
- Bem. Eu já entendi que estás a tentar jogar comigo de alguma forma.
- Chama-lhe o que quiseres.
- Olhas-me com esse ar e eu não estou a gostar.
- Estou a tentar perceber o que se passa contigo.
- Não faças isso que eu não gosto.
- Eu sei, mas é mais forte que eu.
- Pára Grace!
- Tudo bem Matt.

- Vou falar com o Andrew.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A responder do estrangeiro:

Na inevitabilidade de algo acontecer, acontece quase sempre como menos esperamos e mais prevemos.

Não digo a palavra, pois não a sinto e dai ficará o meu eterno: até logo...

Estou por ai...



Te sakam...

BD.