terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ia conseguir

O caminho era de difícil acesso e as cabras que passeavam no topo do monte, já há muito que por lá pastavam. Queria lhes chegar, mas não sabia se iria ter forças para palmilhar os quilómetros que me separavam delas. Por entre o canavial, avistava-se o pôr do sol e a neblina que subia a serra. O vento mudara e agora soprava na sua direcção, sabia que não tinha muito tempo até que sentissem o meu cheiro. Furei por entre a folhagem mais grossa, sem me preocupar, no entanto sem fazer muito barulho. Vi que uma das cabras estava bem mais perto que as outras. Fixei-me nela. Parei, descansei um pouco e pensei nos tempos em que era jovem e por aquelas paragens vagueava sem ter com que me preocupar com todos os problemas que neste momento me afectam. Como a vida era maravilhosa naquele tempo. Corria, sentia-me feliz, saltava, rebolava. Envolto nestes pensamentos, senti uma paz maravilhosa. De repente, vindo do nada, ouvi um barulho que vinha de trás, como que algo me perseguisse, pelo pisar no chão e o quebrar os galhos, parecia de grande porte. Deitei-me e procurei passar despercebido. De novo o ruído, mas desta feita muito mais próximo. Ao longe ouviam-se guinchos e outros sons que não conseguia distinguir. Tal como aparecera, desaparecera o barulho. Fiquei muito incomodado, mas no entanto determinado. Não podia ficar ali muito mais tempo, porque se deixasse passar o tempo, a luz do dia não me iria ajudar a encontrar o que eu tanto procurava e com o cair da noite as cabras escondem-se, sem deixar rasto. A cabra mais próxima estava agora a uns escassos metros. Sem fazer qualquer tipo de barulho, cheguei-me muito perto. Estava tranquila a comer a pastagem rasteira. Era a altura ideal! Dei um salto e saltei para cima dela, agarrei-a, deitei-a no chão e por fim, de olhos nos olhos… ia por fim conseguir!
Perguntei: Tens lume?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pensamentos auspiciosos

Sempre que pensar em nada, lembra-se que há sempre alguém a pensar em si.

Quantas pessoas são necessárias para levantar uma ideia que não existe?

Se o mundo é deste forma, como seria se fosse da forma que muitos pensaram que fosse?

Hoje vou ver a lua do alto do sol. Espero que ainda chegue a tempo.

O mar é vasto e a minha lista também.

Quem engana, mete-se em trabalhos. Quem trabalhos engana, não lhe acontece nada.

Vou subir ao alto daquela montanha e de lá vou gritar bem alto: 1.

Tenho a impressão que se não encontrar a razão de ser para o que se passa, bem como em tudo o que faço, que lá para o fim da tarde tenho de ir para casa.

Obras em casa, casa em obras.

Estado em mau via.

Quem muito come, tudo irá cagar, ou um dia prejudica-se.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Resumo

Lista de compras duma família que habita na cidade conservadora de Vladfrunstad:

– Um nabo
– Uma carrada de pregos do mar
- ½ Sapateira em nogueira
- 4 kg the chá de Prússia
- 3 Garrafas de sumo de marmelo
- 1 Coelho de pelo tipo albatroz, mas comprido
- 1 Galinha virada do avesso, quando está a por ovos à noite
- 1 Barril de mostrada chata
- Vários temperos para guisados tardios
- 1 Ramo de coisa alguma
- 121 Litros de azeite de beterraba
- 1 Vison
- 7 Pessoas para jantar

*************************************************************

“O Mendes, que já me andava a chatear há pelo menos duas semanas, resolveu então fazer um barracão na horta dele.”

Tendo em conta este mote, desenvolva o texto, com base na matéria dada nos últimos 3 anos.

************************************************************

Questionamos 20 pessoas com as seguintes perguntas:

1- Qual a sua maior qualidade quando está dentro dum jarro de sangria?

2- Se fosse uma cobra, como gostava que fosse chamado/a?

3- Quem foi o primeiro individuo a obter a graduação mais elevada na escala de Richter?

4- Quantos paus são necessários para fazer uma vitrina de produtos por acabar?

5- Quem foi Alves Mendes Borges e porquê.

6- Desenvolva um texto que faça referência a questões que não têm resposta.

7- Baseado na pergunta anterior, quantas perguntas tem o manual da vida, sabendo que um talher nunca deve ser servido pela esquerda?

8- Faça a seguinte conta: 2 + Eterno = ?

9- Agora faça esta conta: 1, 2, 3…

10- Utilizando alguns utensílios que colocámos à sua disposição em cima daquela mesa de vidro, faça um bolo sem usar a parte de dentro das tigelas.


Após obtermos a resposta das 20 pessoas, elaborámos um relatório, que definiu a personalidade duma classe social muito à parte: Os Avelinos.


*******************************************************

“Uma sombra de céu fechou o meu coração, encheu-o de turvas áureas, de melancólicas surpresas, em que o cheiro da madrugada, se envolveu na minha paixão, com os rasgos de lua, que azulavam o doirar da minha insaciada tristeza …”

Textos como este, são a representação pitagórica duma vida vivida cheia de altos e baixos, levando indivíduos altos e robustos, a chorarem compulsivamente, durante horas, depois de provar a sopa da minha avó e ao mesmo tempo serem acompanhados ao piano por um conhecido músico da nossa praça, o qual toca música Eslava, mas muito alto e por fim, mas não só, os ditos textos, do qual existe só este trecho, por ser a parte mais alegre, são declamados em tom de pregador duma religião pateta.
NOTA: Não é uma tortura, é só uma forma de ficar mais magro.

**********************************************************


E por fim, as famosas receitas de Verão:

Sapo à bordalesa, em vinha d’alhos verdes, na tigela de papel pardo.

Ingredientes:
– 1 Sapo (se tiver menos que 1 kg, não presta)
- 1 Litro Sangue de vespa alada
– 1 Punhado de anão, de arroz do fundo
- ½ kg de ovas de laranja
- 120g de bacon submetido a uma pressão de 2343Nm
- 50g de manteiga de melancia da beira da estrada
- 1 ou 2 garrafões de vinha branco do mais caro que encontrar na sua drogaria
- 5 Dentes de alho verde
- 2 Cebolas gigantes (se tiver menos que 1 kg, não presta)
- Sal fumado
- Pimenta assustada

Preparo:

Unte uma forma de alumínio, com a manteiga da outra receita e reserve.

Durante 5 minutos, meta todos os ingredientes, previamente limpos de nada, dentro da máquina de centrifugar ananases. Depois, passe largas horas a tentar separar tudo em porções ínfimas. Quando terminar esta tarefa e do que restar do vinho, coloque tudo dentro da bacia do lava loiças (se não tiver, compre uma) e com uma colher de pau, envolva o preparo. Há que ter muito atenção nesta tarefa, pois deve mesmo envolver, não bater. Misture tudo, até se deixar de ver o fundo da bacia do lava loiças. Depois, e com muito cuidado e delicadeza, volte a separar tudo, mas desta vez em porções originais. Enquanto recupera, faça um avião de papel e um filho. Se ainda não tentou, não é agora que o vai fazer, pois tem 20 pessoas à espera na sala e estão já com muita fome. Faça agora a tigela de papel pardo. Se já a tinha comprado feita, queime-a e volta a fazer, mas desta vez com a mão que menos usa e nunca deve usar a outra. Quando tiver terminado e se os convidados ainda não o mataram, coloque pela seguinte ordem os ingredientes:
- Cebola, Sal fumado, 1 ou 2 garrafões de vinho branco do mais caro que encontrar na sua drogaria, etc, etc…
Vai ao forno e serve-se morno.

Bom apetite.
Acompanhe com água, ou sumo de frutas raras, com um cheirinho de ervas do bosque perdido.

domingo, 4 de setembro de 2011

Estranhei, mas...

Apanhei um avião qualquer, mesmo sem bilhete, ninguém se iria importar. Passei pelo controlo de entradas, utilizando o meu disfarce de Polícia Húngaro. Raramente falha. Para trás ficava a confusão do costume. Encurralei-me na casa de banho do avião, até que a hospedeira viesse bater na porta, para que todos possam ocuparem os seus lugares e assim é garantida a segurança de todos. São muito profissionais! Estranhamente desta vez o avião levantou voo sem que isso acontecesse. Senti tudo, o deslizar pela pista, o deslocar, o levantar voo e famoso barulho do trem de aterragem a recolher. Mais parece o desintegrar do avião, mas não, é só o trem de aterragem a recolher. Como já estava habituado a situações estranhas, tentei ignorar. Não ouvia mais nenhum ruído, senão os motores do aparelho, bem como os balanços habituais do voo comercial. Passados alguns minutos, não consigo precisar quantos, abri a porta e… O avião estava vazio. Não havia vivalma. Percorri todo o avião e nada, ninguém. Eu sei que é estranho, mas mais uma vez não dei grande importância, no entanto… um pensamento gritante saltou-me à memória: será que está alguém a pilotar o avião?
Fui até ao outro extremo e bati à porta, não obtendo qualquer tipo de resposta. Tentei abrir a porta e tive um abafado sobressalto! A porta estava aberta… abri muito devagar, encontrando o cockpit vazio. Dei uma cabeçada com toda a força na porta e doeu. Ou seja, não estava a dormir, nem muito menos a sonhar. Uma calma estranha encheu-me a alma. Que bom estar sozinho num avião só para mim. Respirei fundo e sentei-me no lugar do comandante. A vista era incrível. Voava sobre o mar e o céu parecia infinito. A tranquila calma não durou muito tempo, pois deixei de ouvir os motores, mas no entanto o avião continuava no ar e tudo continuava normal. Pânico? Para quê? Posso dizer que estranhei nesse momento o facto de estar acordado. Como poderia eu ter a certeza que tudo aquilo não seria um sonho? Se fosse um sonho, podia fazer aparecer alguém naquele momento. Pensei na mulher dos meus sonhos e… para meu espanto, não apareceu. Podia ser uma ratoeira do meu subconsciente. Relaxei e tentei dormir um pouco. A cadeira do piloto pareceu-me ser o local ideal. O único ruído que existia era o vento que percorria a fuselagem do avião. Adormeci em dois tempos.
Sonhei que andava de triciclo com o meu tetravô.
Quando acordei, estava tudo na mesma, só a única coisa que tinha mudado era a paisagem. Encontrava-me dentro de água e a velocidade era praticamente a mesma. Não havia dúvidas, estava a sonhar. Mas que raio é que eu vou fazer para acordar?! De facto não sei se o avião já levantou voo, ou se ainda estou em terra, dentro da casa de banho do avião, ou se me levaram para fora do avião e agora estou numa sala qualquer. Se calhar é isso, visto que não há barulho. Mas… e esta sensação de que estou debaixo de água? Deve ser alguma coisa que tenho por resolver, ou talvez um medo qualquer… Tenho de consultar o meu dicionário de sonhos. Tenho é de me deixar disso e tentar acordar! O avião continuava alegremente dentro de água, nada o fazia parar, nem os desgraçados dos peixes que eram literalmente esmagados de encontro à fuselagem do avião devido à velocidade. Por vezes ouvia-se um embate maior, que seria um ser marinho de maiores proporções. Lembrei-me: se o avião está dentro de água, o que o faria propulsionar? Os motores não podiam estar a funcionar, visto que dentro de água não iriam funcionar. Tentei ver até que ponto a minha mente podia ir. Espreitei pela janela do lado direito e de facto tenho uma mente muito fértil. Um conjunto infinito de seres marinhos minúsculos, puxavam literalmente o aparelho. Uns agarrados aos outros, puxavam-no numa velocidade impossível; pelo menos dentro de água. Na outra asa o mesmo cenário. Claro está que para adensar a coisa, os tais seres marinhos minúsculos, estavam a sorrir e cumprimentavam-me quando espreitava pela janela, Que mais podia acontecer, certo? Achei tão estúpido! Lembrei-me como podia acabar com aquela palhaçada de sonho. Se me matar, isto acaba já! Sem pensar duas vezes, peguei num extintor que se encontrava dentro do cockpit, mais concretamente do lado direito da porta, ficando perfeitamente ao alcance de qualquer um, de tal forma que até era ridículo. Bem, sem mais demoras, retirei o dito do suporte e com uma força atordoante, atirei-o na direcção da janela em frente, mais à esquerda. Será que é preciso dizer o que aconteceu? Claro que não… mas eu conto. O extintor não partiu janela alguma! A única coisa que fez foi ressaltar nos comandos do avião, de seguida batendo caprichosamente na minha testa, atirando-me de imediato para o chão. Teve ainda tempo para bater na parede lateral, partir um conjunto de indicadores, mais ou menos importantes e de novo, como que por magia, aterrou com toda a força no meu estômago, seguindo-se o típico bater na base do meu órgão reprodutor, sendo mais concreto, nos testículos. A dor foi de tal forma agoniante que me fez lembrar que se calhar não estava a sonhar. Mas por outro lado, podia estar a ser espancado e continuar a dormir. Achei estranho, mas ao mesmo tempo normal, visto que já por mais que uma vez que tinha sentido dores deste tipo. Uma pessoa como eu, do mundo dos agentes falsos, está mais que habituado a este tipo de situação. Senti uma frustração galopante, mas ao mesmo tempo deu-me fome… Abandonei a ideia de me tentar matar e fui comer, ou pelo menos tentar encontrar alguma coisa que me fizesse tirar aquela dor. Mal sai da sala de pilotagem (não me apetece usar a outra palavra, pois acho-a demasiado absurda), comecei a ouvir de novo o som dos motores. Senti um peso incrível nas pernas, mas que me puxava para baixo, mas ao mesmo tempo para os lados, não consegui aguentar força e quase esmaguei-as, parecendo que tinha perdido pelo menos quinze centímetros de altura. Olhei pelas janelas e vi que o avião subia, mas claro está que não duma forma normal. Ao mesmo tempo que subia, deslocava-se agora ao contrário. Ou seja, o nariz do avião, estava para baixo. Eu estou mesmo em apuros dentro deste sonho terrível. Um pesadelo diria mesmo! Cheguei a pensar isso. Encolhi os ombros e continuei a minha buscar por comida. Se alguma vez viajaram de avião, sabem que os armários e os carrinhos onde está a comida para dar aos passageiros, está presa com uma espécie de ferrolho, para que não saltem com as subidas e descidas do avião. Pois é… e o que se passava com este normalíssimo avião? Não tinha os ditos carrinhos e toda a comida estava literalmente a voar pelo compartimento, a que vou dar o nome de cozinha, ou copa, ou outra coisa qualquer desde que se perceba que é o local onde a comida está. O que ia eu fazer com cento e cinquenta doses de bifes de peru com molho ostras e puré? O que ia fazer a litros e litros de café, sumos e outros derivados líquidos que flutuavam, pairavam, estavam suspensos e quanto mais o avião voava, mais tudo se misturava? Era de tal forma caótico que perdi a fome. Mas ainda consegui alcançar uma tosta e uma raspa de patê de fígado de ganso. Bebi algo que ia a passar e fui de novo para a sala de pilotagem (não peçam, por favor! Obrigado). Era perturbador ver o avião a voar ao contrário. Pensei: Mais um orgasmo da minha mente. Estou mesmo mal!
Sentei-me agora no lugar do engenheiro de voo. Retirei um dos muitos manuais que se encontravam numa prateleira por cima dos meus olhos. Abri e procurei se existia algum capítulo com situações ridículas, ou até mesmo caricatas. Encontrei. No entanto só tinha um ponto, que dizia: Consulte o manual “Instruções de Voo Vol. II”, Pag. 345, 346 e 956.
Fiquei tão curioso, que procurei pelo dito manual. Quando olhei para a prateleira onde estavam os outros manuais, as letras nas lombadas tinha desaparecido. Mais estúpido que isto não pode haver, até dei uma gargalhada. Por certo que se encontrasse o dito manual, iria encaminhar-me para outro e por ai a fora. Sorri e coloquei o manual no seu sítio. Olhei de novo lá para fora e o avião continuava a voar ao contrário. Aproximei-me da janela e vi que não era o único a voar assim, mais três aviões, mas mais pequenos acompanhavam-me. Tentei ver se traziam alguém dentro. Vislumbrei um vulto no avião que estava mais perto. Procurei uns binóculos, ou algo parecido que pudesse ver melhor quem poderia estar aos comandos dos outros aviões. Encontrei uma espécie de monóculo. Quando consegui a focagem ideal, não consegui abafar um grito de espanto. Em todos eles a única pessoa que estava no cockpit (sim sim… ok…) era eu, ou seja, outros iguais a mim, que faziam exactamente a mesma coisa que eu. Tentávamos ver o que se passava nos outros aviões e que vulto seria aquele. Uma vez li um artigo, que falava de algo parecido com este fenómeno e tinha a ver com realidades paralelas, mas neste caso não compreendia porque os outros eram mais pequenos, ou o meu maior. Seria o meu ego? Caros leitores, nesse momento, estranhei, pois senti que não estava a sonhar. E porquê? Porque…. Arghhhhhhh…

Meus caros, depois de consultar vários peritos em arquitectura relacional e psicologia avançada para pessoas altamente espertas, resolvi que a história tinha de continuar.
Desta feita seguindo uma linha de pensamento muito avançada. Vou pegar nas últimas palavras do último parágrafo, para que haja alguma coerência, não parecendo que isto tudo é um caos desorganizado, onde as palavras vão aparecendo sem ordem alguma. Não meus caros! Enganem-se, tudo isto faz para parte duma avançadíssima linha de pensamento e tem uma ordem! Ora!

…Porque…. Arghhhhhhh…. Maldita espinha de anfíbio! Nunca mais lhe toco! A justificação para tal façanha estaria guardada nos confins da terra, ou então nos universos intrincados da ciência avançada. Avançada por uns e retraída por outros tantos. De qualquer forma o que se passava era muito real, já há muito tinha ultrapassado a sensação de sonho, ou se quer de estar a dormir, pois o cansaço agora era efectivo e começava-se a apoderar de mim por inteiro. Mesmo assim ainda tive força para libertar uma flatulência. Resisti e tentei ver o que se passava no mundo. Liguei todas as televisões do avião, ou pelo menos tentei. Como é que se ligam as televisões dum avião? Tive ainda outra ideia mais brilhante e procurei pelos telefones a bordo, para que pudesse ligar para a minha querida tia. Encontrei e… qual era o número? O único número que me lembrava de cor era o do meu contabilista. Marquei à mesma. Atendeu e insultou-me em Búlgaro. Fiquei mais tranquilo, pois sabia agora que era tudo real. Estranhei só o facto da voz estar um pouco afeminada, mas tudo era possível naquela casa de doidos. Tive um estremecimento. Há quantas horas é que o raio do avião estava no ar? E o combustível? Devia estar-se a acabar, por certo que sim! Fui ao cockpit (à muito que ultrapassei a vergonha), procurei algo que fizesse referência a combustível e vi algo que me deixou ainda mais perturbado. Ao entrar, olhei por um mero a caso lá para fora e quando tudo começa a fazer sentido, vejo o topo duma cabeça gigante e na continuação desse gigante corpo, um enorme braço que agarrava o avião, bem como os outros aviões estava nas mesmas condições. Naquele momento toda a minha existência foi posta em causa, ou quase… o que se passaria? Não era possível… eu, eu… estava no mundo de gigantes? Como eu poderia fazer parte duma história de crianças? De novo a minha existência estava em risco, bem como o meu sonho, o facto de estar acordado, os universos paralelos, as unhas dos pés, o macarrão com espinafres, os cães de pelo curto…? O que fazia sentido? Uns miúdos que brincavam na rua, nos campos verdejantes, com aviões, que os metiam dentro de água, fora de água, que lhes pegavam, que os levavam a voar ao contrário, ou eu, a minha história? Achei até que a minha versão dos acontecimentos tinha algum fundamento, parecia uma história com um bom suporte… bem, tirando o facto de estar sempre sozinho, até parece bem verosímil, não acham? Estou confuso! E logo agora que eu ia pedir um prego no prato…
No fim destas palavras ouve-se o grito da mãe: Avelino, anda já para casa almoçar!!!




Caso tenho alguma coisa a acrescentar, digam. Obrigado.

domingo, 1 de maio de 2011

As pedras

Ontem conheci um rapaz que viajava com duas pedras no bolso. Só percebi o que trazia no bolso, quando no meio da pergunta: para onde vais? Ele responde tirando as pedras do bolso e atira-as para cima da mesa do café, com um gesto assertivo e ao mesmo tempo mágico. As pedras formam um padrão que nem a mim, nem a qualquer outra pessoa poderiam identificar. Responde de imediato que iria viajar para Noroeste, apontando em seguida para uma montanha que se vislumbrava pela janela. Pensei tratar-se duma alma doente, que viajava para tudo esquecer. Perguntei desta feita se sabia porque o fazia. Abanou a cabeça com toda a firmeza que não. Mas a sua assertividade continuava-me a apaixonar. Como podia um rapaz de vinte e poucos anos, não saber o que procurava. Explicou-se de seguida sem eu nada perguntar, puxando dum bloco de notas e mostrou-me o padrão da sua viagem. Continuava a não fazer muito sentido. Demonstrava que o que o trazia a esta vida, era o simples facto de puder encontrar a mãe de todas as palavras. Denotei alguma loucura naquelas palavras, mas que ao mesmo tempo faziam sentido. Comentei com ele que a grande demanda dele, era igual a tantas outras e que de facto seria uma pessoa fútil, que nada quer alcançar e o que faz não tem sentido, senão na sua cabeça. Perguntou-me se eu trazia algum tipo de referência do sentido da minha vida comigo. Claro que lhe demonstrei que isso do sentido da vida é sempre um bom tema para um livro, um poema, ou até mesmo um filme, mas que de facto a razão leva-me a pensar que é um tema que não faz sentido, visto que o “Tal” sentido da vida, é a própria vida e os objectivos são a vida, não havendo o verdadeiro sentido da vida. Sorriu e olhou-me com loucura, dando depois um risinho nervoso, de quem vai explodir. Ainda de bloco na mão, olhando para mim, desenhou-me, duma forma quase real, como que me tirasse uma fotografia, sem nunca olhar para o bloco e com uma velocidade que me fez pensar se se trataria dum humano. A questão seria, teria eu coragem para lhe perguntar? Não perguntei e dei-lhe os meus parabéns por tamanha façanha. Ele agradeceu e começou-me a explicar que o sentido da vida são os movimentos erráticos do cosmos, que num caos organizado mantêm todos ocupados com a sua própria vida e o facto de trazer as pedras e o objectivo da sua viagem, são diferentes de todas as pessoas que vivem neste mundo. Nesse momento achei-o ainda mais fútil e que a conversa dele vem em qualquer manual. Continua a dizer que o facto de nos termos encontrado, não fez parte desse caos, sendo um movimento propositado e que nada influência a vida de ninguém, nem se quer a nossa, minha e dele. Tentei interromper, mas calou-me de imediato, utilizando um gesto que nunca tinha visto. Um movimento místico, altivo, profanador, enervante, humilde e assertivo. De novo o assertivo. Olhou-me nos olhos e perguntou: se não tens a certeza, porque me perguntas? Lógico seria dizer que se pergunto, é porque não tenho a certeza, mas o que ele quis dizer foi: sendo eu a pessoa que tu não acreditas, porque perguntas? Peguei nas pedras e sem pensar, atirei-as para a mesa e dizendo de seguida: Sudoeste.

Natura

Simples, simples o bater de asas dum pardal, que na complexidade do seu voar, ensina quem curtos passos dá. A sua simplicidade magoa o complexo sentido de quem vê e não entende. Tão simples, batem-se as asas, o movimento é contínuo, ergue-se no ar, como que de magia se falasse, como que uma entidade profundo, que não se vê, o percorresse, fazendo-o graciosamente passar, voar, deslocar. Quero, voo, preciso vou, tenho fome, ergo-me. Tão pequeno e tão grande no seu gesto, simples. O movimento mete raiva, por ser tão belo. E é tão belo porque não tem raiva. Simples, simples… diz-me bela criatura: porque razão deixaste um cagada na minha camisola?

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Igreja e o Messenger 2009.

Jiacomo diz: Bronswick Hellioddor Cummings Appleton?
Famoso capelão da casa Real da Pomerânea?
Bronswick diz: Jiacomo Pupilino Fancesco di Marinaldio Salazar?
Eu sou, sou com muito gosto e presenteio
Jiacomo diz: Também sou eu!
Belos tempos os nossos
Bronswick diz: Famoso Diácono?
Jiacomo diz: Na escola de Capelões
Amém
Bronswick diz: sim
Jiacomo diz: Diácona?
Isso sim
Bronswick diz: Recordo com memória fresca.
Está boa sim e recomenda-se.
Jiacomo diz: Bem visto caro amigo
Bem visto!
Bronswick diz: Tem tido alguns problemas com estas mudanças de tempo, mas está bem melhor que amanhã
Jiacomo diz: Parece-me bem!
É uma questão de humidades
Bronswick diz: Sim
Os dedos tortos não a deixam tocar-se como dantes e então tem sido um Valha-me Deus!
Coitadinha…
Mas mais de resto, mantém a figura costumeira que sempre a acompanhou
Jiacomo diz: Temos que ter paciência
Bronswick diz: Falo portanto do magnífico pilão que herdou de seu pai, o Padre de Malpaços
Que como todos sabemos era casto
Uma divindade nunca vem só, não é verdade?
Jiacomo diz: Sim... é de facto uma realidade insofismável...
A castidade de um padre nunca se pode medir pela quantidade de filhos que tem!
É falacioso e até maldoso!

Bronswick diz: É vero, é vero
Digo mais…
Quantos mais filhos, menos os devotos terão a capacidade da dita falácia
Jiacomo diz: Concordo
Mas também lhe digo meu bom amigo...
Quanto mas a batina arrebita
Mais se lhe arreganha a tripa
É o povo que o diz
e se o diz…
Bronswick diz: A maldade esconde-se por entre os folhos das cortinas das capelas belas, que ao vento oscilam como que embaladas por entes passados que no veneram e protegem - Amém
Jiacomo diz: É porque é verdade
Bronswick diz: O povo tem muita razão no que diz, em especial depois duma boa matança
Jiacomo diz: Mas disso sei pouco
Já que a minha batina sacerdotal está em arrebite constante
Bronswick diz: Belas as oferendas, que me dão. Por exemplo, as belas couves que a Dona Albertina tem e como a sempre conhecemos, é casta também e partilha o que de melhor tem, dando-se-mas de bom agrado e depois da magnifica matança que benzi há atrasado, que tem mas dado também as linguiças e que belas são!
Jiacomo diz: Já acolhi tanta devota nessa tenda divina...
Bronswick diz: Por norma não me faço rogado e deixo que essas preces divinas me entrem pela igreja adentro e dentro de confessionários castos, os seus deveres cumpram, concorda?
Jiacomo diz: Sim
Concordo…
Bronswick diz: No entanto, um bom, e devoto castro padre, nunca deve usar por debaixo da batina qualquer tipo de apetrechos que prendam o que Deus nos deu
E assim faço…
Tal como o meu prezado diácono, a tenda minha também se iça, qual badalo do sino da capela Sistina! - Amém
Atenção! Disse Sistina, não Cristina... essa... já não está entre nós, mas que cumpria, cumpria.
Oremos…
Jiacomo diz: Assim seja, meu bom frade Capristano, Assim seja!
Bronswick diz: Sempre pronta para abençoar o velho e túmido badalo
Jiacomo diz: Amém!
túmido?
Bronswick diz: E com esta me despeço, para mais tarde voltar, e quiçá penetrar na igreja
Jiacomo diz: Tipo túrgido e húmido numa só palavra?
Bronswick diz: Túmido sim
Sempre, tal qual se veio ao mundo
Jiacomo diz: Assim seja, meu bom frade!
Mas conte-me...
Tem ido ao convento das Bernardinas Saloias?
Bronswick diz: Ainda à atrasado lá fui
Quem perguntou muito por si, foi a Madre Cisalpina
Está boa
Pelo menos como sempre a conheci, casta como tudo!
Até aflige os Santos da capela de São Teotónio!
Jiacomo diz: Constou-me que há noviças roliças de úberes fartos e rijos
Confirma, meu bom frade?
Bronswick diz: Não confirmo, nem desminto, terá o meu bom e velho Diácono que se fazendo acompanhar de da minha pessoa, para que juntos possamos confirmar as roliças noviças
Que me tem a dizer? Amanhã pelas primeiras horas do dia, partiremos e por lá pernoitaremos.
Será um belo repasto e pasto, concorda? Traga os objectos castos, para que juntos possamos melhor apreciar o quão noviças são.
Jiacomo diz: Que ideia peregrina, meu bom e velho e casto amigo!
Bronswick diz: Saberia que iria concordar.
Bem, meu caro, tenho de preparar a missa do meio-dia
Tenho de me por nas putas! Ficai bem meu velho.
Jiacomo diz: Assim seja...
Eu tenho aqui duas pré-nubentes que se me querem confessar
Modernices…
Bronswick diz: Confessai em conjunto, é algo que em comunhão saberá melhor.
Bronswick diz: Mandarei o meu burro busca-lo por volta da alvorada de manhã.
Jiacomo diz: Esperarei
…seu burro
Pelas primeiras horas da alvorada
Bronswick diz: Sempre a considera-lo

Jiacomo diz: Desejo-lhe apenas
Uma boa continuação
Bronswick diz: Um bom e santo dia para si, Diácono amigo.
Jiacomo diz: Ide em paz, meu bom e velho e casto e douto e Santo amigo!
Bronswick diz: Em paz de com Deus nas costas daquela que ali vai... que belo par de almas tem!
Tenho de ir, tenho de ir! Chama por mim!
Jiacomo diz: Acredito na sua palavra!
Assim seja!
E que volumosas continuem
Bronswick diz: Fui-me com Deus
Jiacomo diz: Ide ide!


(Com a participação especial de anómimo amigo)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Harry Luciano James Alves (z) Potter Fonseca (ea).doc

Quem é o de facto o Harry Potter?


A escritora podia até ter sido acusada de plágio, ou de se ter baseado em factos reais, pois o que vão conhecer nestes dois minutos é a pura da realidade. Preparem-se para o pior, ou o melhor, visto que a história do pequeno Luciano Alves Fonseca, é de facto a realidade e dava vários livros.

Harry James Potter, de facto na vida real chama-se, Luciano Alves Fonseca, descende directamente da família Alvez, mas por ser tido um apelido perigoso para as classes mais abastadas no reino, em 1865 o nome Alvez, foi substituído por Alves e toda a família teve de mudar de nome e forma de andar. Esta família que se mudou para uma pequena aldeia no centro do pais (falamos de Portugal), de seu nome Aigra Nova, no seio da serra da Lousã. O jovem Luciano é tido desde muito cedo como um profeta, visto que adivinhava o futuro por meio de charadas complexas, que envolviam pedras cruas de xisto e construções de Lego. Não se sabe onde o pequeno encontrava as pedras de Lego, mas tendo em conta os amigos que tinha, por ventura teriam sido emprestadas, para no futuro serem devolvidas. O xisto era muito comum na casa onde vivia, junto ao rio Trancão. Lembrava sempre o avô, típico camponês que vivia naquela altura encurralado entre 4 paredes suburbanas, que tinha sempre a braguilha aberta, mas não duma forma simples, usando formas dissimuladas para o fazer, como por exemplo usando linguagem de árbitro de futebol de segunda. Com 5 anos formava castelos e inventava palavras, que mais pareciam jogos de faz-de-conta. Dizem vós: “…é normal, o meu filho faz o mesmo!” Não, não faz, pelo menos não na dimensão das que ele fazia, visto que conseguia demover pelo menos sempre cinco a seis indivíduos especializados da construção civil para construir o que ele carinhosamente chamava de: “O nosso castelo Humbertino”. Ainda está em construção. Será uma obra Gótica, mas vista de Norte para Sul, é um cubo com os cantos arredondados.
De facto a história é tão semelhante que aos 11 anos também recebeu uma carta dum director de circo, porque precisava de um rapaz pequeno para mexer nos aparatos do mágico. Hesitou no início, pois não sabia como o individuo tinha conseguido a morada dele, mas depois seguiu o seu instinto e sem dizer nada aos pais adoptivos, foi ao supermercado e comprou seis rolos de papel higiénico. Durante duas semanas preparou tudo e no dia combinado, fugiu. A vida no circo era dura, mas sabia que ia ter a resposta à marca de nascença que tinha no glúteo esquerdo. Sentia-se propriamente bem quando estava dentro das caixas e ouvia os Huuu e Ahhh de surpresa, depois dum bom truque. Quando cresceu e já não cabia nas caixas, o mágico prescindiu dele e passou a tratar dos elefantes. Foi aí que tudo fez sentido. Numa noite de lua, teve uma epifania e viu que o elefante com quem travava grandes diálogos a fazer o maior monte de esterco, de que há memória. No meio do esterco, uma luz chamava-o e foi ai que viu A luz. O elefante mirou-o e disse: “Sabes a marca que tens no glúteo? É a marca dum grande mágico!”. Fez um ar de espanto, pois o elefante falava. De facto assim era, o verdadeiro pai, oriundo por empréstimo do Zimbabué, não sendo de origem africana, tinha um semblante muito parecido com um gorila das mesmas partes de África. O pai era também ele um grande mágico, todos os que viviam com ele eram mágicos, era tudo mágico. Mas um dia foi assassinado por um crocodilo, ele e a mãe, que o ajudava em tudo, até na lida da casa. Família habituada a fazer tudo com as mãos, usando a mente, criaram o pequeno rebento, o herói da nossa história, até à idade de um ano, sendo depois raptado por dois elefantes de grande porte. Nunca mais foi visto, até que naquele dia, o elefante lhe contou tudo. Ficou a principio muito zangado, mas depois limpou o esterco. Tudo mudou para ele naquela dia. Mudou-se para uma dimensão diferente, ali junto à Trofa. Parecia tudo diferente e sabendo agora as suas origens, trabalhou desde esse dia em formas de conseguir alterar os alimentos em seres humanos voadores. A semelhança é atroz. Nada do que está nos livros da escritora é fantástico, é tudo real, só que traduzindo para um nível mais místico, visto que vende mais. Mas na realidade, o Harry, é o Luciano, que neste momento é conhecido como o Luciano da Trofa. Ninguém o vê, depois de entrar na casa do amigo Carlitos e durante dias ali ficam, juntos com outros tantos, fazendo as delicias de milhares de pessoas que também não são vistas, pois para entrar ali, é necessário passar pelo preenchimento duma série de impressos, que mais parecem ser dum filme que todos conhecemos.

Assim fica aqui desmistificada a verdadeira história do “Harry James Potter”, moço humilde descendente de famílias místicas e verdadeiras. E ainda não vos falei da família Fonseca… por isso podem imaginar o quão fantástico é o Luciano Alves(z) Fonseca(ea).

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Há dias assim

Descia agora no elevador, forrado a veludo vermelho e amarelo. Dum lado, um espelho enorme preenchia a parede toda e do outro botões muito grandes assinalavam os andares. A toda a volta, excepto na porta, no meio das paredes, por altura da cintura, um varão dourado, flutuava a toda à volta, visto que não estava assente em lugar algum. O chão negro como a noite, mais parecia que não tinha fundo. Senti que descia com uma enorme velocidade. Tentei pará-lo. Olhei para os enormes botões. O sinal de paragem era uma enorme alavanca, que se escondia dentro da parede lateral, como se que estivesse embutida. O número 5 piscava, como se tratasse duma emergência, enquanto os outros, tinha pequenas bocas e que cantavam desafinados o hino da alegria. De certa forma não sabia para onde ia, visto que não me lembro como entrei. Ao tentar lembrar-me, olhei para cima e vi que o dito elevador não tinha cobertura e que se viam perfeitamente as estrelas, como se estivesse no espaço. Parou no 5º andar e as portas abriram-se. Uma luz ofuscante e um barulho semelhante a uma bola de ténis a saltitar, eram a única coisa que se ouviam. Ouvia-se também ao fundo uma voz, mas não se entendia o que dizia. Hesitei, tive medo e não sai. Por entre a luz forte, senti um puxão, parecia vislumbrar-se um braço, com uma mão, que me agarrava, me puxava para fora, mas não sabia de onde vinha a força, visto que sentia o puxão, mas a mão não me tocava. A voz agora era nítida e dizia primeiro bem baixo: “Tens de sair… tens de sair….” Era cada vez mais intensa, até que aos gritos me dizia, para sair:
- “SAI!!! SAI!!!”.
Acordei com a minha mulher a chamar-me para sair da cama. Estes sonhos dão-me vertigens e sede. A minha mulher, de olhos vermelhos, já vestida, pronta para sair, dizia para eu sair da cama e enquanto saía, resmungava que mais uma vez tinha sido ela que tinha levado o cão à rua, etc, etc…
- Tem um dia simpático amor. – Disse eu.
Nem respondeu, fechou a porta com toda a força e saiu. Voltei-me para o outro lado e voltei a dormir.
Depois de muitas voltas na cama, sem conseguir voltar a pregar olho, levantei-me. Uma sensação estranha envolvia-me. Uma sensação de que me tinha esquecido de fazer alguma coisa no dia anterior. Não sabia o que era, mas sabia que essa sensação me perseguia, como um leão persegue a sua presa. Levantei-me de testa franzida, com a ideia na minha cabeça. Como todos os dias, fui até à cozinha e abri o frigorifico. Olhei lá para dentro e nada do que lá estava fazia sentido, era como que se aquele frigorífico não fosse o meu, como que as coisas que lá estavam dentro não fossem minhas. Tive um estremecimento e fechei a porta assustado. Olhei em volta e tudo apontava para que estivesse na minha casa. Enchi-me de coragem e voltei a abrir o frigorífico. Tudo tinha ocupado o seu devido lugar. Desta feita tinha sido ainda mais estranho e repeti a operação mais umas quantas vezes, mas nunca me aparecera como da primeira vez. Por fim, abri, tirei o sumo de ananás e bebi o pacote quase todo. De seguida o café da manhã e uma ida prolongada à casa de banho, para ler as últimas notícias e ficar mais quinze minutos com as pernas dormentes depois de me levantar. No fundo da minha mente a sensação persistia. Do que é que eu me teria esquecido de fazer?
Tomei banho, vesti-me, arranjei-me todo e saí.
No meu automóvel, a caminho do trabalho, no trânsito infernal da cidade, ouvia o meu grupo favorito. Estava tão alto que até eu próprio tinha de por tampões nos ouvidos para não ferir os tímpanos. Gosto da sensação de ouvir música ao vivo, num estádio, ou num local onde toquem a música bem alta. Tão alta que tinha de estar de boca aberta para aliviar a pressão criada no peito. Parecia que a caixa torácica ia explodir. Que sensação agradável! Sorri! Algo que adoro, isso e sentir os pés molhados. O meu psicólogo não consegue entender porquê, mas mesmo com regressões e tudo e mais alguma coisa, ele entende, nem consegue entender, ou se quer dar-me uma pista para o porquê. Acho que tenho de mudar de psicólogo.
Estava já muito próximo do meu trabalho, a avenida que ladeia o estacionamento onde por norma eu estaciono o carro, estava fechada. Uma manifestação anti-qualquer coisa. Abri o vidro para falar com o agente da autoridade que estava a direccionar o trânsito, mas não baixei a música, visto que como estava com os tampões, não me apercebi que estava assim tão alta. O agente não achou muita piada e mandou-me encostar. Ainda pensei que seria por causa de alguma irregularidade que teria cometido ao chegar junto dele, mas não, era mesmo a música. Discurso de agente da autoridade:
- Bom dia Sr. condutor. Os seus documentos e os documentos da viatura. – fazendo continência.
Nota de rodapé: Será um truque para quebrar o gelo da primeira conversa? Imaginem um agente no engate na discoteca: “Então, Sra. condutora, mostre-me lá os documentos da viatura e já agora, fofa, os seus.” E na frase a seguir: “Vou ter de a autuar!” - com ar malandreco.
Baixei a música, tirei os tampões dos ouvidos, retirei os documentos da carteira e passeio-os suavemente para as mãos tronchudas do agente. De documentos na mão, deu uma volta ao carro, verificou tudo e assomou-se à minha janela, dizendo a típica segunda frase:
- Sr. condutor, vou ter de o autuar.
Quando estão chateados de ali estar, porque lhes mandaram fazer aquele serviço e obrigados, é escusado dizer seja o que for para os demover. Olhei em volta em busca duma salvação e no crachá vi a salvação. O nome, mas em especial o apelido. Era o igual ao meu. Julgo que ele também já tinha dado conta dessa ocorrência, quando verificou os meus documentos, mas não quis dar parte fraca. Balbuciou as palavras da praxe, para que não desse azo a conversas fora do círculo condutor-agente agente-condutor. Há muitas pessoas com o mesmo apelido e que não têm parentesco, todos sabemos disso, mas Salpicos por certo que haverão poucos. Olhei-o nos olhos e reconheci-o. Era o meu primo das férias de Verão! Já não o via há pelo menos dez anos, mas os olhos e a expressão de zangado, nunca as deixaria de ter. Sim, era o Fulgêncio! Meu grande companheiro de pesca! Não consegui abafar:
- Fulgêncio! Estás bom!?
- Desculpe… - Com ar de admirado.
Fê-lo tão bem que quase acreditei que não era, mas no final do ar de espanto, senti um pequeno sorriso. Estava safo! Era ele mesmo, o meu querido primo. Disse logo para entrar no carro e irmos tomar um copo, ou um café, visto que estava de serviço. Primeiro disse que não podia, mas depois chamou um colega qualquer, duma patente inferior e dizendo que precisava de me levar à esquadra. E lá fomos nós. Estava tão contente! Ele ainda meio encavacado, esboçava um pequeno sorriso, mas nada de muito largo. Achei aquela reacção meio estranha, mas como estava fardado e porque estava no meu carro, achei que estava contido por causa da situação. Rápido percebi que não seria por essa razão. Mandou-me encostar e olhou-me nos olhos. Apercebi-me que algo não estava bem e como uma epifania, lembrei-me do que me esquecera. Como pode ser? Tudo tem de ter uma razão de ser. Mas o facto de o ter encontrado daquela forma, não fora um acaso, não fora por obra do destino, fora sim porque ele me perseguia. Como me pude esquecer? Talvez por parecer tão absurdo, tinha feito a máxima força para me esquecer. Quando me vi na situação e vi os olhos dele, não deixei de pensar na minha mulher, em todos os dias bons que tive na minha vida, num resumo de condenado à morte, tive um arrepio. Ele continuava ali, a olhar para mim, parado e com a mão na pistola. Lágrimas surdas começaram a escorrer-me pela face. Ao final de algum tempo naquele impasse, soltou uma palavra da sua boca:
- Pelos vistos esqueceste-te do que tínhamos combinado.
Eu não consegui responder, só as lágrimas falavam, o desespero espalhado na minha cara dizia tudo. Voltou de novo ao tema:
- Esqueceste-te, não foi? Pois… mas eu não. Que Deus te dê paz à tal alma.
Dizendo isto, puxou da arma, engatilho-a e quando se preparava para disparar, consegui dizer:
- Primo…
Tarde demais, pois disparou sem pestanejar e saiu do carro.


Caso se lembrem do que eu me tinha esquecido, digam-me, que eu depois de levar com o balázio, esqueci-me.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quem quer fresquinhas?

Saltei de uma pedra para outra e estava lá um sapo. O sapo olhou para mim e perguntou se eu estava calçado e eu respondi com ar de melro que sim, pois bastava olhar para os meus pés e verificar. Ele ficou ofendido. Retorquiu duas ou três palavras, saltando de novo para outra pedra, onde eu ia por o próximo pé.
Moral: Quando não se tem a certeza, evita-se.

Andava eu perdido na floresta tropical, num qualquer país da América Latina, ou era Central? Sul? Do Norte não era de certeza, pois se assim fosse não podia dar dois passos sem ser detectado. Bem, estava perdido e os meus pés, calçados, metiam água por todo o lado. Pensei no que a minha tia-avó me tinha dito, relativo a esta tema dos pés que metem água, mas como não tinha disponibilidade na altura para a escutar, não a ouvi com atenção. Agora pago caro o facto de os ter molhados, ensopados, húmidos por demais. Tenho quase a certeza que teria alguma coisa a ver com mudar o calçado para estas coisas do andar perdido na floresta.
Moral: Em terra de pessoas, quem tem olho é rei.

Um dia de tarde, depois do almoço, estava eu a pensar o que podia fazer para compensar um amigo meu que me tinha ajudado numa tarefa complicada, quando me deparei com uma situação ridícula. Se o tiver de ajudar terei de ser melhor que ele. A vida é de facto matreira, pois quantas vezes é que podemos pensar em algo que nos leva a compensar, se não podemos? Mais vale não receber a ajuda, que ter estes pesos na consciência, se bem que eu não pedi, foi algo que surgiu. E agora, como vou fazer? Já sei, vou tentar.
Moral: Mais vale um arrumador, que um amigo.


O canto do pito

Misto e cor
No meu assador
Cor e amor
Passa uma por favor
O cheiro bonito
O assador pequenito
Carvão vermelhito
Assa o pito
Oh que fome malvada
Que a minha barriga mandava
Era o que eu achava
Mas não era nada
Ouvia gritos
Vinham dos pitos
Estavam aflitos
Precisam de salpicos
Quando feitos estavam
Os convivas olhavam
Nem pelo pastor esperavam
De barriga cheia ficaram
A refeição chegou ao seu final
Estávamos todos juntos no Seixal
Dia de Verão excepcional
Até cheirava mal.



Poema de Primavera (a salada)

Chora Maria, por não puderes sentir o vento na face, por não puderes comer mais alface. Mas uma cenoura comerás, triste e chorona salada, que nela a cebola trás.
Oh tenra couve roxa, que dos planaltos do Oeste vieste, todos choramos por ser pouca.
Doce e suave tempero, este azeite virgem, nunca antes usado, que mal se sabe a sua origem.
Fel vinagre de vinho, pois que não é do Minho, é sim ácido e mais forte que um limão, não não.
Todos juntos numa tigela, em cores muito bonitas, fazendo dela a mais bela.
Comei, comei, que amanhã não há, comei, comei, que eu vou à casa de banho.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tom Sawyer...

Como se pode provar por A + B, o Tom Sawyer é homossexual. Não é preciso muito para provar seja o que for. Vejam com muita atenção os pormenores subtis que estão implícitos. O genérico diz tudo, a letra, a forma como brinca com o amigo, tudo.

“G
Vês passar o barco (o nabo)
E-
rumando p’ró o sul (o rabo)
G
Brincando na proa (a boca)
E-
gostavas de estar (levar)

Voa lá no alto
por cima de ti (acho que não é preciso grandes explicações…)
um grande falcão (é preciso mais?)
és o rei és feliz (a forma como ele diz amo-te ao namorado)

C
E quando tu (cu?)
D
vês o Mississípi (a pila do outro)
C D
tu saltas pela ponte (saltas-lhe para cima)
F D
e voas com a mente (orgasmo)

Nuvens de tormentas (festas com amigos)
Estão sobre ti (todos juntos)
Corre agora corre (leva, leva)
e te esconderás (no rabo)
entre aquelas plantas (as pilas)
ou te molharás (é preciso mais justificação?)

E sonharás (levarás)
que és um pirata (paneleiro)
tu... sobre uma fragata (uma pila)
tu... sempre à frente de um bom grupo (mais uma bela referência a este sex-simbol homossexual)
de raparigas e rapazes (os homossexuais não são só homens, certo?)

Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer (é verdade)
junto ao rio a passear, Tom Sawyer (a levar, sim)
mil amigos deixarás, aqui e além (uiui! É preciso mais?)
descobrir o mundo, viver aventuras (bis)” (SIGA POR AÍ FOR! GANDA BADALHOCO!)”

Nem vale a pena eu analisar o genérico convosco… é e mais nada!


Bem e agora que já descarreguei os meus traumas de homofobia, posso continuar?

Muito obrigado.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Catarina e o Marco

Catarina acordou de manhã e não sentia onde tocava. Pensou que podia estar morta, ou que a cama tivesse desaparecido. Gritou pela mãe que, ao entrar no quarto, tombou para o lado, ao ver o estado em que estava a sua filha. Catarina ainda indagou a enorme mãe, na tentativa frustrada de saber o que se passaria, visto que da perspectiva de onde estava, não conseguia. Olhava para baixo, em busca do seu corpo, mas não conseguia ver, pois a luz que irradiava era de tal forma forte, que lhe cegava as vistas, só mesmo a silhueta dos pés, que lhe pareciam maiores, mas ao mesmo tempo mais magros e ao contrário. Chamou desta feita a sua pequena e graciosa irmã, que quando entrou no quarto e viu tamanha façanha, tombou para o lado, em cima da mãe. Ainda tentou perguntar-lhe o que se passava, mas não obteve qualquer tipo de resposta, se não um profundo silêncio vindo da boca da sua querida irmã, de cabelo bem loiro e com uma combinação muito interessante, em especial quando vista em contra luz, estando a pequena da lado, mas isso fica para outro capitulo. Catarina estava em pânico, até confessou para si, que a palavra em Francês se adequava mais, que a de origem Portuguesa, ou seja e sem adiantar mais anda, estava a “panicar”. Chamou agora pela avó, que quando entrou no quarto perguntou o que se passava. Catarina respondeu que estava em pânico, ou tal como foi sugerido à atrasado, utilizando a palavra correcta, de origem estrangeira, uma espécie de galicismo, estava a “panicar” e que também não sabia o que se passava. Só sabia que não se conseguia mover muito bem e que a luz que vinha do seu corpo era tão intensa que não conseguia visionar quase nada daquilo que outrora fora o seu belo corpo de moça prendada. A avó, senhora para os seus 85 anos, com uma combinação muito interessante quando vista num quarto escuro, sem luz nenhuma, disse que já vinha, pois estava muito aflita e tinha de ir buscar os óculos, ou seja, tinha de ir fazer o que ninguém podia fazer por ela. Catarina ficou estarrecida, sem pinga de sangue, pois continuava a não saber o que se passava e a luz era cada vez mais intensa e agora deixara de ver os pés e em vez disso, um língua bífida saia por entre os lençóis, que no meio da luz branca cegante fazia um contraste mais apurado e nítido. Era de facto uma língua bífida, longa e única, sem boca, só a língua, que serpenteava por entre o ar, imergindo do branco puro, da luz clara como que se tratasse do início do mundo. A avó voltará, mas com a correria e o stress de saber o que se passava, tropeçou e tombou para junto das outras duas, que jaziam no chão, frio e duro, sujo, castanho, da cor que sempre tivera, castanho taco, mesmo que a pobre Catarina já tivesse pedido vezes sem conta ao pai para colocar outra cor, pois aquela fazia-lhe lembra o taco que tinha na casa de verão e que lhe dava as maiores, piores, recordações. Mas isso é para outro capítulo. Desesperada, em pânico, “panicada” portanto, assustada, vibrante, de olhos arregalados, sem saber o que fazer, com medo, cheia de terror, gelada, de olhos arregalados de novo, petrificada e bonita. Não sabia o que podia fazer mais e levantou-se. Tombou sem demora para cima do monte de corpo tombados junto ao seu leito e ali ficou até que o pai chegou e ao ver a sua filha com aquela combinação, tombou para cima do monte cada vez maior de corpos desmaiados. A mãe que estava no fim da tumba, zurziu duras palavras em Finlandês e depois com todas as forças do mundo, libertou um severo bufo, que inundou por completo o quarto da pobre pequena. Como por um acto de magia, todos acordaram com intenção de fazer ovos mexidos sem manteiga. Catarina, que desde o dia em que se nascera, tinha sempre a sensação de que já tinha vivido, olhou com desdém para a cama e puxou do seu muco visceral com toda a sua força. Vinha das partes mais recônditas do seu corpo e criou dentro da sua pequena grande boca, uma das maiores e mais invejáveis bolas de escarro que de seguida despejou na cama que outrora a tinha aprisionado, sem dar conta que de facto o que tinha acontecido era que o estúpido do namorado estava debaixo dos cobertores e com uma lanterna. Tentava fazer-lhe o maior cunilíngus da história moderna. Claro está que são sobejamente reconhecidos os atributos do pequenino Marco e por isso os desmaios colectivos, visto que não é normal ver-se uma luz forte na ponta duma gaita de 30cms, estando a mesma quase muito perto de se enterrar profundamente tanto no colchão tenro, como no corpo luminoso da cândida Catarina. Marco, que desta feita jazia num sono profundo de barriga para cima, levou com o enorme escarro sem pestanejar e como se não bastasse, visto que estava calor, dormia desnudado e destapado. Catarina que ainda mal estava refeita do lhe tinha acontecido, tombou no chão junto com o resto das pessoas que se encontravam no quarto e agora já eram mais, não querendo enumerá-las, visto que não são pessoas que conheçam, caindo todos ao mesmo tempo que a enorme bola de ranho húmido. Desde já posso referir que a tumba se elevava ao nível do tecto, sendo já bastante complexo para as últimas pessoas que desmaiaram chegar ao topo. Marco, mantinha-se firme e hirto, e continuava sem pestanejar, tento já os orbitas secas, deu um grito de leão e dum só golpe de rins, saltou da cama e pôs-se em cima da cómoda, mirando o estado da coisa. A tumba… a pilha, o conjunto de pessoas que se amontoavam. A outra coisa é caso de reflexão num outro capítulo. Pensou o que poderia fazer. Pensou, pensou e chegou a uma conclusão efémera, de tal forma que durou meio segundo. Pensou de novo e sem ter a ideia, deu um bufo terrível, um peido vigoroso, um traque altivo, um gás intestinal mirabolante, sentido em vários países da América Latina e África Austral. O próprio não se conteve e caiu do alto da cómoda em cima da cama, de barriga para baixo, espetando o fenomenal sexo no colchão de molas e espuma de silicone anti-qualquer coisa, desmaiando de seguida, aliás, não sei se já não estaria a desmaiado antes de bater no mole colchão. O que é certo é que toda a gente acordou do desmaio. Como tudo já estava a ficar bastante parvo, decidiram atirar o mole pai pela janela e brincar com o vigoroso Marco. A avó, foi para a casa de banho e não voltou.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Teste de acesso ao ensino atrapalhado.

Nome:
Idade:
Sexo:
Nome do pai:
Nome da tia:
Nome da mãe:
Nome de todos os Presidentes da Republica da Francesa (de todas as repúblicas):
Facebook:
Versão de BIOS:
Data de amanhã:


Teste número 145/78/323/1


Preencher os espaços em branco, com letra justa e de fácil compreensão. Não utilizar marcadores de tinta clara e trinchas. Rolos de parede, só os dos cantos.

Q - Quando um homem está parado, fora do carro, no meio das faixas de rodagem duma auto-estrada, estará nervoso, ou doente?
R: Está a ______ dum valente _________ nos tomates.

Q – Se há cabras no monte, é porque?
R: Porque há _______.

Q – Quem conduz o carro de bois quando o Sr. Albertino está doente?
R: _________ da _______ Mendes.

Q – Há sempre uma virgula a menos em qualquer texto de quem?
R: ________ Saramago

Q – Qual destes animais voa? Urso, orangotango, elefante, preguiça, tatu, homem? E porquê?
R: _______. Porque: Quando andam de _________ voam.

Q – Se um melro tem o bico amarelo, quais os outros que o têm preto?
R: ______ - ______

Q – Se os habitantes duma cidade são citadinos, como se chamam os habitantes dum casal?
R: __________

Q – “A penumbra invade…” Qual o autor destas palavras? Justifique.
R: www.___________.com. ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________, _______________________________________: __________________ (_____).

Q – Marque com um X a resposta certa para a seguinte pergunta:
Quem somos, de onde vimos, para onde vamos?
1 – Nada __
2 – Não sei __
3 – Sei __
4 – Vou pensar no teu caso __
5 – Sim __
6 – 64 __



Sábado.

Carta comercial

Ghüster – Comercio e indústria, S.A.

DRH – 14/07

Algunfeira fundeira, 23 de Outubro, de 2008

Ref.: Normas de utilização de zonas/áreas de lazer


Caros funcionários:

É nosso dever informar que foram recentemente inauguradas 3 (três) novas zonas/áreas de lazer, na fábrica sede. As direcções para as respectivas zonas/áreas estão devidamente assinaladas, bem como a sua localização. Serve a presente como indicação das devidas regras de utilização. (Ver anexos)




Atenciosamente,


Canhostro Mirmetão Alves Trugêncio.
Director dos Recursos Humanos

*******************************************************************
Anexo 1.a

Regras de funcionamento das zonas/áreas de lazer da fábrica sede, da empresa: Ghüster – Comercio e indústria

1 – As zonas/áreas de lazer, não podem ser utilizadas como meios alternativos a libertação de gases, vulgo: “flatulências”.
2 – Em cada zona estão devidamente assinaladas as subzonas, que passamos a identificar:
- Descanso Ionizado Útil (DIU)
- Conversa Sem Importância (CSI)
- Terapia da Fala Túmida (TFT)
- Gritos Altos (Ga)
- CrochÉ (CÉ)
- Libertação de Stress Diário (LSD)
- Jogos Recentes Elaborados (JRE)
- Refeição ®
- Exercício Latente Ficcional. (ELF)
Qualquer outra actividade não relacionada com lazer, será captada via câmaras de vigilância interna e serão devidamente informada à administração para posterior analise, sendo sujeitas a punições graves, como por exemplo o espancamento com um jornal. (Ver carta DRH – 01/01)
3 – Todo o equipamento presente nestas áreas, estão devidamente identificados, assinalados, marcados, alguns pregados, outros tantos aparafusados, soldados, etc… de qualquer forma, não são para ser furtados.
4 – Qualquer dano no equipamento deverá ser reportado ao seu superior hierárquico e se for o mesmo, deve ser reportado a si próprio, para posterior apresentação no relatório mensal. Os danos serão da responsabilidade dos autores e não devem nunca ser incriminados os parceiros.
5 - É perfeitamente proibido qualquer tipo de actividade que envolva contacto físico, ou não. São estas as actividades proibidas:
- Bullying
- Arremesso da “escarreta”
- Quarto escuro
- Jogar ao mata
- Cabra cega
- Corredor da morte
- 1,2,3 macaquinho do chinês
e qualquer outra que envolva brincadeiras com bonecas, ou brincar aos médicos.
6 - As práticas sexuais estão temporariamente excluídas das zonas/áreas de lazer. Quando for libertada a proibição, ser-lhes-á informada.
7 – Não é permitido estar mais de (2ax+b)²= de tempo, sendo o a média do tempo calculado. Esse é referente ao tempo indicado na carta: DRH – 45/02.
8 – Não é permitida a presença de menores de 16 anos.
9 – As zonas/áreas de lazer não são zonas/áreas de estacionamento de qualquer tipo de veículo, mesmo que sejam cadeiras de rodas.
10 – As zonas/áreas de lazer são para ser mantidas limpas, mas não serão permitidas danças de salão no chão, ou outras actividades que envolvam mais de 50% de contacto com o chão das zonas/áreas e os utilizadores das referidas zonas/áreas. Há recipientes para o lixo. Repito, há recipientes para o lixo e diferenciado.
11 – (Apagada)
12 – Não será aplicada.
13 – Injustificada.
14 – Toda a qualquer regra será aplicada tendo em conta o peso, altura e diâmetro de cada funcionário, passando a vigorar a partir do momento em que esta carta foi difundida.
15 - A empresa não se responsabiliza por actos devassos cometidos dentro das zonas/áreas de lazer.
16 – Há mais uma dúzia de regras a serem aplicadas.




Anexo 1.b

(Sem assunto)


*********************************************************************


Qualquer dúvida, e ou esclarecimento, deverá ser comunicada por carta, mensagem de correio electrónico, Serviço de Mensagem Curta dos vossos telemóveis, papelinho, ou outro meio de comunicação oral, verbal, ou escrita.




Obrigado.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

És um crápula!

E agora? O que somos? Como vai ser? Odeio todos os que acham que o saber absoluto é tido como saber absoluto. Só pode ser absoluto, nem se quer questionado, mas no entanto odeio quem assim pensa! Já não sei em que acreditar, o meu mundo desmoronou-se, toda a minha existência deixou de existir, não há sentido na minha vida, tudo o que sempre acreditei, deixou de existir. Como pode vir alguém questionar o saber profundo dos astros? Como pode isso ser? Estrelas e planetas novos? Ou será absinto a mais? Não pode ser questionado esse grande saber absoluto? Não vejo razão explicável para tremenda confusão na minha vida. Esse herege tem de morrer, não podemos dar ouvidos a todas as pessoas que do nada, mudar assim as regras do jogo sem mais, nem menos, não pode ser! Mesmo que tenham algum fundamento… Lá porque o Sr. tem problemas existenciais, não pode de todo influenciar o resto do mundo crente em coisas poderosas como os signos. E agora? Tudo o que sempre foi dito, pensado, estudado, o que vai acontecer? Afinal são todos mentirosos? Não sabem o que dizem? Vêem, vêem? Já há dúvidas e ainda não está nada confirmado pela comunidade Astróloga. É um bazófias que só quer dar nas vistas com teorias bacocas, sem sentido. Há formas melhores para dar nas vistas, ó tu! Pensa bem no que estás a fazer com essas mentiras, meu cientista de trazer por casa! Eu não me vou converter às tuas teorias assassinas! Inventa mas é um nome para essa treta e deixa aqui os velhos do Restelo em paz!

Sou deste signo e não mudo! PONTO!