quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Chuva

A chuva de Janeiro que bate na chão, forte, como a morte, gelada,
como o metal da foice que trago na mão inchada, fechada,
cheia de calos doridos, como o coração, da terra amada, lavrada,
de dias e dias a fio, com muito pão e alguma água, decantada,
essa chuva, que trás a nossa benção, muito molhada, muito abençoada,
que nos trás a vida, que a torna numa canção, chorada, cantada,
a várias vozes, ou com um só vozeirão, a canta animada, nada desafinada,
cheia de vida, que enche o coração, da rapaziada, de uma só lufada,
que nos converte em crianças, de biberão, ó terra amada, ó desgraçada!

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