sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Não sei que nome hei-de dar a esta posta...


Bom dia e que a vós o sol vos cubra por completo, não deixando nada por cobrir, mesmo quando se tapem.
 
Chega perto de mim, de tal forma que a tua beira se junte à minha.
 
Caçoila que vais quente, não te esquines, nem te ponhas ao frio, que nem o testo, nem o pano te acodem, quando a tampa da santita te cair em cima!
 
Quarto de espera e sala de banho, não é natural! O que é natural é cada um dizer de acordo com a sua região! Restaurador oral boto!
 
Negra ficou a pisadura, que o meu cão me fez, que preto como uma nódoa negra!
 
Deixei de fumar este cigarro e a sua prisca no cinzeiro deitei, onde outras tristes beatas se ladeavam.
 
 
Estas e outras frases sonantes num dicionário perto da sua beira.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Vamos contar (eu, tu, ele, nós, vós e eles)

1
"...disparo uma frase solta por entra a folhagem densa do teu olhar, que me deixa penetrável ao teu desprezo, sem haver uma pinga do quer que seja palpável, mesmo o que é vigoroso, que nos envolve duma forma lenta, num calor suave, em vulcões de surpresa, profunda e natural."
- Agora já me pode servir o gelado??!! Possas!


2
Arrebitei o nariz e vi a vaca. Olhei-a nos olhos, suspirei e retive o pensamento.
- Só espero que essa bosta não me toque profundamente...


2.1, ou 3
Andei, caminhei, palmilhei, cheguei mesmo a correr e nada, nem ninguém, mesmo as pessoas que não vi, se comparam à beleza deste individuo.
- Vais sair da frente, o queres que te empurre?!


3
Alma, sangue, suor, vibração do ser, melancolia que viver, ser surpreendido pela vontade de não mais estar, de mais nada querer, a não ser o crer.
- Quanto custa mesmo a hóstia?
- A hóstia não se paga.
- Muito bem. Deve então estar à espera que eu use “as famosas” palavras: - São 3 quilos -  certo? Não, não vou, vou mesmo é comprar noutro lado e que vendam. Acho mal que o façam, assim... de borla. Ele não ia ficar contente! Mas obrigado na mesma.


4
- Não.
- Sim.
- Não.
- Sim.
- Não.
- Sim.
- Não.
- Sim.
- Não.
- Sim.
- Não.
- Sim.
- Não.
- Sim.
Ficaram para sempre confusos quem tinha começado, mesmo quando pararam para almoçar.


5
Vede, vede o que faço com esta faquinha de capar grilos, vede! Estais a ver? Não? Então vede, vede bem, para que a imagem nunca mais lhe abandone a retina.
Quem não souber, pode até achar que estas palavras são engraçadas e de certo modo originais? Mas não são, em muito são plágio dumas outras tantas, que em dias de tempestade, como hoje, me assolam a memória e impelem-me a que as use, a meu belo prazer, sem ter respeito por quem as pensou, numa forma ultrajante, as uso, e abuso, e as torno impuras, sem ter medo, qualquer tipo de pudor, para que sirvam o meu desejo de achar que são minha!

- Agora, se achas que a água é boa para beber, então força. Mas olha que essa cor esverdeada não deve ser natural...


7 (e o 6 pá?!)
7 é um numero que para nós, os fracos, nada diz. 7 é um numero mítico, que para muitos é usado duma forma banal, sem ter em mente que foi o 7 que fez muitas das coisas que acontecem hoje em dia e que damos por garantidas. Mas não devemos nunca, mas mesmo nunca usa-lo para esfregar os tachos, pois o seu uso indevido não aflora bons presságios.

- Pensariam que ia portanto meter aqui uma frase parva, que em nada, mas em tudo tem sentido com o que escrevi no ponto 7. Mas não! Enganam-se! O número 7 está reservado para alguém que é meu amigo e me pediu para o guardar. Nem que viesse o papa, ou até mesmo Deus, não o dava! Vá lá, emprestava, mas era por uns minutos, mas tinhas de ficar a ver, que não confio! Só para verem tal não é a profunda amizade que tenho por este meu querido e amado amigo. Não é todos os dias que temos amigos com barbas grandes e narizes grandes, bonitos, ora!


6 (?)
Fico desde já à espera que o cavalo que está na linha 4, faça o favor de sair e ocupar o seu lugar. Obrigado.

O melro que está em cima do poste número 2, terá de ocupar o seu lugar e não o seu, mas o seu. Obrigado.

- Vi-te.
- Viste?
- Sim.
- E?
- E estavas.
- Eu sei.
- Mas olha, terás de esperar que eu diga como estavas, está bem?
- Sim, eu sei.
- Já posso?
- O quê?
- Dizer...
- Podes? Sim, acho que sim. Mas não sei o quê...
- Dizer como estavas.
- Podes. Mas rápido, que estou aflito.
- Para quê? Mas também é rápido, não demora.
- Muito bem. Obrigado então.
- Ora... onde estávamos?
- Era assim que estava?
- Como?
- Mau! Afinal, vai demorar...
- Não, não, estava só a conferir aqui os trocos que tenho.
- E então?
- 3€ e 50centimos.
- Vou indo, está bem?
- Mas ainda não disse...
- Se calhar não me viste e estás agora só aí para tentar falar comigo, porque eu trago aqui comigo o teu antigo cão. És muito espertinho, mas daqui não levas nada!
- Se o quisesse já o tinha chamado.
- Isso é que era bom! AHAHAHAH! Mandei-o capar! TOMAAA!

 
8
Não vale a pena continuar, também para a quantidade de pessoas que irão ler estes barrascos (como em tempo um critico disse). E depois, já me doem os nervos!
- Traga um café.
 
 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Grovembeck


Grovembeck, um amigo, um poeta, daqueles de trazer por casa, alguém que não tem nada na manga, mas podia...

O melhor que há em cada um de nós, ele conseguia trazer, no entanto duma forma neurótica, quase desapercebida. Ontem, pela meia-noite encontrei-o descalço na cozinha do velho palacete, estando, lá fora, na rua, uns doentios dez graus célticos negativos. O frio enrijecia qualquer membro, ou tronco, do maior ser vivo, de sangue quente, à face da terra. Descalço o apanhei e lhe perguntei qual a sua forma de entender todos os problemas que o assolam. Não se fez rogado. Numa dialética muito branda e curta, explicou que dentro de nós há alguma coisa que nos move e nos traz de volta, mesmo quando partimos para partes esconsas, imiscuídas em brumas sombrias, que nem luz, nem nada, mesmo a mais clara, as penetra. Mas eu julguei que todos aqueles argumentos fossem deturpados pela vil sagacidade, que sempre o acompanhara. Enquanto caminhávamos para a copa, notei que algo estava errado, visto que o dreno que trazia, no braço direito, jorrava litros de líquidos, que em nada eram semelhantes a vinho do Porto. Olhei-o nos olhos, agarrei algo contundente, serrei os dentes e pensei que ia ser o meu fim. Mas não, ele olhou-me com todo aquele sentido resplandecente de quem tem piedade e abriu uma garrafa de Clicquot. Já na copa e por entre duas ou três palavras de encantar, decantou o nectar, sem pestanejar. Suaves gotas do líquido gotejavam, sôfregas de ar, como que morressem, numa anáfora de horror, senti cada gota que saía, enclausuradas no vidro fosco, opaco, escuro, preservado pelo tempo, oculto pelo deleite, como que fizessem parte de mim. De ar precisava e de ar iria morrer, nas goelas de quem o quisesse beber. Não, era demasiado óbvio, tal personagem, tal poeta, não detinha os poderes dum tal personagem de ficção romântica, tanto mais que desdentado tinha ficado e a espondilose já há muito o tinha arruinado. Sentou-se após a meticulosa tarefa, que desempenhou com mestria. Num movimento subtil, mas ao mesmo tempo declarado, só igualado ao de quem defere uma estocada, retirou do pequeno bolso da jaqueta, um minúsculo sino, fazendo-o soar. Duas aias de vestidos brancos e longos, não demoraram a irromper. Deslizaram; e, petrificaram-se junto a si. Balbuciaram duas ou três palavras em dialetos desconhecidos. Todo o cenário me fazia transportar para um festim medieval, de colher de pau e garfos de madeira, em que dentes afiados delongavam tenras carnes, apodrecidas pelo tempo. Estendeu o vinho decantado a uma das aias e a outra, um prato que jazia na mesa, coberto por comida brilhante. Vindas de ambos os lados, as aias deslizantes, colocaram ambos os objectos na minha frente. Olhou-me e disse:

- Comamos.

Pensei se devia, mas a fome e o resplandecente do prato, mais o brilho dos archotes no vidro cristalino, transformavam o nectar divino no líquido mais apetecido dos últimos séculos. Primeiro, ergui o copo e lá do alto, olhando Grovembeck, esse meu bom velho amigo, saudei-o. Fez o mesmo e disse, sem se levantar, que estava demasiado velho para se erguer, mas mesmo assim saudou, efusivo. Olhei o copo. Não conseguindo deixar de pensar no que iria beber, só mesmo que tinha laivos de sangue de boi, mas com a luminosidade dum diamante em bruto. Os meus lábios foram tocados por séculos de amadurecimento, por anos a fio de moléculas que mesmo estáveis, o festim fazem, estando no entanto, aparentemente inertes. Correm desenfreadamente, a cada 10, ou 5 anos, num tumulto digno duma revolução. Humedecem cada greta, cada espaço seco, cada ínfimo lugar microscópico dos meus lábios. De seguida, não conseguindo reter mais a vontade, abri a boca, ao que o néctar deslizou por entre as pequenas montanhas da minha língua, num frenesim assustador, tocou em todas as papilas gustativas e todas elas enrubesceram. O meu coração por momentos parou. Um arrepio estrondoso preencheu as minhas costas, membros e até mesmo todos os meus poros capilares. Cerrei os olhos e disse:

- Amigo, agora posso morrer.

Govembeck, de olhos fechados, fazia o mesmo, ou pelo menos assim o parecia, mas o inevitável tempo assim o ditou. O meu caro e adorado amigo, finara-se, apagara-se, deixara de existir, passara para uma nova etapa, morrera.

As aias, que estavam ainda connosco, numa prontidão irascível, saíram, sem sequer dizer nada, nem expressar qualquer tipo de suspiro, choro, decoro, sentimento algum... nada. Fiquei em silêncio, durante o que pareciam anos, a olha-lo, a admira-lo, sem qualquer tipo de pudor, senti-o dentro de mim. O seu corpo inerte, vingava na minha alma, duma forma quase pornográfica invade o meu ser. Quando não sentia os meus membros, por tanto estarem estáticos, fazia pequenos movimentos, para que aos poucos conseguisse levantar o meu corpo, que quanto mais tempo passava, mas pesado ficava. Assomei-me junto a ele em passos vagarosos, sem ter a ousadia de tirar os meus olhos dos dele, que continuavam cerrados mas pareciam plenamente abertos. Senti o frio da noite na ponta dos meus dedos. Ao chegar junto a ele, toquei-lhe por fim na mão e senti o calor gelado do amor, do fogo da paixão, os anos a fio me levaram até ele; e, sem pensar duas vezes, beijei-lhe a face. Os meus dedos neste momento gelados pelo querer, sentem os seus cabelos, o seu pescoço e deslizam pela sua pele, sentindo-a, penetrando a densa roupagem que o cobre. Mais uma vez os meus pensamentos divagaram para todos os momentos que já passara-mos, sem deixar fugir um único segundo. Meio século de conhecimento, não são suficientes para explicar o que sentia, para tentar saborear o que tanto ficara por dizer, por explicar. O silêncio, que era interrompido pelas rajadas de vento que faziam vibrar as janelas e portadas da imensa copa, parecendo quase um salão de festas, devido à sua grutesca imensidão. Numa magistral sinfonia de terror e paz, tais espaços, acompanhavam as minhas memórias. Numa vontade infinita, num orgasmo mórbido, tentei chegar à sua morte. Arrastei a cadeira ainda mais para junto dele, abeirando-me tão perto, que sentia o gelo do seu corpo. Aconcheguei-me na cadeira, peguei na sua mão, bebi do seu vinho e fechei os olhos procurando por algo que desconhecia. As velas extinguiam-se, a luz ténue invadia o espaço, o cheiro a comida que esfriava, séculos de álcool evaporado, mais os cheiros das madeiras velhas e novas, os incensos que pela casa se iam consumindo, invadiam as minhas narinas. Todo aquele quadro parecia culminar numa paz sem fim. Ouvia os sons já muito ao longe e senti medo, o frio medo de nunca mais voltar. Senti saudades de estar vivo e abri os olhos. Tudo estava na mesma, ele jazia, a luz cada vez mais ténue e o vento lá fora cada vez mais forte. A lareira, ao fundo, coberta de cinzas, já só leves cores rubras detinha. O frio, essa sensação de dor e doença, vinha em lufadas de ar carregado de morte. Enchi o peito de ar gelado pelo tempo e tomei a decisão de o levar comigo. Como o ia transportar sozinho? Chamei a plenos pulmões pelas aias e a única coisa que consegui ouvir foi:

- Ó rapaz! Queres-me matar do coração?!

Eu ainda envolto naquele ambiente mórbido e pacífico, dei o salto da minha vida e estatelei-me no chão, incrédulo. Govembeck não estava morto, só tinha tirado uns minutos para descansar. Repus a minha compostura e afastei-me o mais que pude dele. Eu tinha velado pela sua morte, tinha tentado estar ao lado dele, para onde ele tinha ido, tinha chorado interiormente pela sua falta e numa mistura de alegria, raiva e espanto, sorri. Ele arrastou a sua grande cadeira, ergueu o seu longo corpo, olhou em volta procurando as aias e soltou um:

- Meu caro, está frio, vou deitar. - Eu não sabia mais o que dizer e concordei.

Dei-lhe as boas noites e sentei-me de novo na cadeira que me tinha sido encomendada. Ali fiquei. Ele, arrastando-se, abriu a porta vagarosamente e antes de a fechar sobre si, fitou-me e disse:

- Quando eu morrer, quero estar sozinho. – E saiu.

As aias prontamente entraram no salão e despiram todas as suas roupas. Em grupos de duas, esponjaram-se em cima da mesa, em volúpia, os seus corpos se tocaram, num festim de orgia. Sim, eu sei que era isto que gostavam que eu dissesse que se tinha passado, logo após a saída do meu bom velho amigo, mas não, nada de passou, a não ser o facto de eu ter saído, ter subido para os meus aposentos e sem sequer retirar a roupa que trazia, afagando-me, deitei-me, sem conseguir abafar um suspiro de alívio e de impotência.

Acordei cheio de frio e ao mesmo tempo suado. Estranho, sem vontade de acordar, sem vontade de sequer olhar, de abrir os olhos, sem vontade de nada, de ali ficar e de ali me apagar. Voltei-me para o outro lado e continuei a dormir, pelo menos tentei. Lá fora o vento não se sentia e o sol gritava por entre as frinchas das portadas. Os longos cortinados de três camadas, não eram suficientes para suster a claridade, que se fazia acompanhar pelo canto de mil aves. Como podia ser? Estávamos no Inverno! Bateram à porta e sem sequer esperar pela minha resposta, saltaram para dentro do meu quarto. Era um exército de anões que a única coisa que traziam a cobrir os seus corpos, era uma fralda de pano, amarrada por um alfinete de dama dourado, posto de lado. Fechei os olhos, aguardei uns segundos e voltei a abrir. De facto era um sonho mau, pois o quarto continuava escuro e o frio voltara a fazer-se sentir. Senti uma sede infindável e procurei, por entre a escuridão, na mesa-de-cabeceira, pelo copo de água. Uma mão estendeu o copo. Achei estranho, mas aceitei. Depois, ao racionalizar a situação, dei um salto, deixam logo de imediato cair o copo na roupa da cama. Procurei quem estaria no quarto, mas não enxergava nada, só um vulto que se movia bruscamente. O pânico gelou-me a cara, fez o meu corpo tremer, o medo de não saber quem seria, misturava-se com a derradeira sensação de ser alguma coisa sem vida, que deambulava pela escuridão, que atormenta o ser, vingando-se, apoderando-se de nós, uma alma penada; e, este pensamento suplantou a racionalidade. Corri para as portadas, para que a luz trouxesse vida aquela forma de vida. Abri e nada encontrei, só mesmo o meu caro amigo a um canto, que ria em silêncio. Suspirei ainda em sobressalto. Perguntei-lhe o que estava ali a fazer, o qual respondeu que estava muito preocupado comigo, pois três meses a dormir, seria demais.

- Três meses? – Respondi.
- Sim meu caro, estiveste a dormir três meses. Ou pelo menos assim parecia, visto que morto não estavas e a tua respiração profunda, adivinhava um profundo sono.
- Mas como pode ser? Que dia é hoje? De facto a luz é diferente e já se sente um pouco de calor.
- É normal meu caro, estamos na Primavera…
- Como? Não pode ser… isso é ilógico.
- Não sei, o que é facto, é que durante esse tempo todo, a única coisa que se passou dentro deste quarto foi uma festa de anões, que eu organizei, para dar algum alento ao teu quase eterno sono. Pensei que podias estar doente e chamei o médico da aldeia.
- E estou? Aliás, estava?
- Não, não estás, mas também não estás completamente bem, pois o teu coração não bate…
- Não? Mas… espera. Não o sinto – disse eu, colocando a mão no peito.
- Vês? Pois, foi o que eu disse ao médico, que não podia ser, mas de facto é isso que se passa contigo. Entraste num sono profundo, que fez com que o teu coração não bata, mas todo o teu corpo continua vivo, ou pelo menos assim parece.
- Mas meu amigo, isso é digno…
- Não digas, que nos podem ouvir.
- Como sabias o que ia dizer?
- Porque sei…
- Mas eu que te julgava morto, no mesmo estado que eu, neste momento sou eu que estou assim e tu, tu como estás?
- Estou bem.
- Só isso?
- Sim… tenho passado os dias a ler e a fazer planos para o Inverno.
- Porquê o Inverno?
- Porque não conheço outra estação do ano.
- Mas… estamos na Primavera e estás aqui.
- É raro, mas é verdade.
- Estás-me a deixar confuso.
- Há quantos anos nos conhecemos? Cinquenta, certo?
- Sim, mais ou menos. Mas onde queres chegar?
- Durante esse tempo todo, quantas vezes estivemos juntos?
- Cerca de cinquenta…
- Nem mais. – Dizendo isso, aproximou-se da luz. – Queres ver o que esta luz me faz?
- Dá luz… não?
- Não só, faz isto! – Estendeu o braço nu e deixou que a luz percorre-se a sua pele. Não aconteceu nada de surpreendente, só mesmo uma pequena fumaça que emanava dele.
- Vampiros? Estás a brincar, certo?

Dando uma gargalhada, disse:

- Sim, estou a brincar, é só um efeito especial que aprendi com o meu amigo dos filmes. – Dando de novo uma sagaz gargalhada.
- Continuo sem saber o que se passou… Três meses? Não pode Alfino! Não pode!

Abriu muito os olhos e disse:

- Não me trates por esse nome aqui, as paredes têm ouvidos. Façamos o seguinte, levanta-te, tira as teias de aranha do teu corpo e vem ter comigo lá a baixo à copa, deves estar faminto.
- Sim, concordo. Já lá irei ter.

Dizendo isto, saiu.

Estaria ainda a dormir? Seria um sonho. Levantei-me e dirigi-me para a casa-de-banho que ficava numa divisão contigua. Quando me abeirei do espelho, não me reconhecia, pois a barba era tão longa e densa, que cobria quase toda a minha face. Não tinha forma de me certificar se seria ou não, um sonho. Tudo parecia muito real e tudo me parecia ainda mais irreal. Na minha cabeça replicavam duas palavras: Três meses. Incrédulo, tomei banho, retirei a barba densa, cortei algumas pontas do cabelo que pareciam estar apodrecidas pelo tempo, vesti-me e saí. Tudo estava exactamente igual aquando do outro dia. Como podia ser? Tinham passado, pelo que me tinha dito o meu caro amigo, noventa dias, os quais em puro sono. A única coisa que tinha mudado, era de facto o calor, que por esta altura recheava a casa, bem como o silvado dos pássaros e a luz, a imensa luz que resplandecia por toda a casa. Desci a gigante escadaria, de mão cravada no corrimão de pedra; e, em paços débeis cheguei ao patamar. Cheguei a pensar que ia desfalecer, pois as poucas forças que me restavam, quase não eram suficientes para me arrastar até à copa. Ainda me assolou um pensamento débil: porque razão precisaria ele duma casa tão grande…? Por fim, cheguei. Na mesa, de novo o vinho, os copos, a comida do outro dia, tudo tal e qual nos mesmos sítios, da mesma forma. Ele, com um sorriso irónico, estava sentado no mesmo sítio e para mim, reservado o mesmo lugar. As aias, nos mesmos sítios. Para além da lareira apagada, a única coisa que diferia era a luz, pois estando as longas portadas abertas de par em par, toda a luz preenchia na totalidade a infindável divisão. Tão ridiculamente forte e intensa, que quase me cegava. A fome fazia rugir todo o meu corpo e os meus olhos não abandonavam a comida, de tão brilhante que estava. Pedi água, estava morto de sede. Prontamente me encheram o copo. Ao lado, estava o vinho, o místico e mítico vinho, exactamente como o tinha deixado, supostamente, há três meses atrás. Bebi a água, pousei o copo vazio, peguei no copo de vinho, estupidamente brilhante, olhei Govembeck e disse:

- Comamos.

Quando acordei estava muito frio e as portadas, fechadas, batiam enraivecidas, assoladas pelo vento ciclónico de norte…

domingo, 5 de agosto de 2012

Cheguei e disse

Apontei a minha alma na direcção daquela lanterna, imergindo a mesma, quase de imediato, grandes lufadas de calor e desprezo. A sua luz branca e opaca, igual a inimitável vontade de estar bem, equiparada a todo o vasto vocabulário que nos impele a ser quem somos, não prejudicando a nossa inerte vontade por vitaminas, apagava-se por vezes sem razão aparente, tirando o individuo que a segurava, esquivando-se a pormenores, utilizava o interruptor a seu belo prazer. Ao presenciar tal vil visão, bebi tudo dum só gole e a vastidão do universo, no ponto de vista em que me encontro, não sendo dos mais perfeitos, levou-me a requisitar lenços de papel com emblemas de clubes de críquete. Quando os obtive, pensei que podia valorizar mais a expressão idiomática: Pélo-me pelo pêlo de gato, mas não sou muito fã. Frases deste tipo que em acordos bacocos, nos impelem a reorganizar aleatoriamente e sem regras lógicas, frases que se escapam no tempo e no espaço. A estupidez da aldeia global. Abro aqui o suspeito parênteses: “”…é a aldeia global" - explicam num júbilo imbecil, prontos a desfilar o rosário de maravilhas dos novos tempos, sem discernirem que aldeia sempre foi o sinónimo de isolamento e conformismo, de mesquinhez, aborrecimento e mexerico… “ in: Mão Morta - Aldeia Global. A gargalhada foi geral, tão geral que todos os que tinham desde muito cedo enveredado por carreiras políticas chorudas, ao contrário da minha, que mantinha a minha posição de sociopata afortunado, mas sem cheta. Mandei vir então dois bolos bem recheados de creme de ovo, ou similar, pois a inusitada textura, não adivinhava bom agouro. Qual não foi o meu espanto, quando por um infortúnio generalizado, todos os bolos locupletados por tal substância demoníaca como saborosa, tinham sido postos fora da circulação, pois os males adjacentes ao consumo de tais refinados e naturais produtos, poderão causar males irreversíveis, tanto para o consumidor, como para quem observa a deglutição. Controlei-me e pedi um saco de batatas, dos mais comuns, onde a salinidade é de tal forma concentrada, que os globos oculares, podem sofrer alterações a nível da cor e do cheiro. Não pensei e a exequenda ideia foi desde logo posta em prática. O substrato da contenda era por demais óbvio, mas o seu teor nunca fora explanado na íntegra, logo e por somatório das partes envolvidas, trouxe da base aérea número 2, por ser a mais próxima duma casa de Verão que conhecia em tempos, mas muito mal apetrechada de vontades sóbrias, uma peça de fogo suficientemente grande que coubesse na traseira duma carrinha de caixa aberta. O mecanismo entra em funcionamento e não mais o sentido da vida o pode parar. Por conseguinte, o restaurante após desértico, desprovido de qualquer tipo de ser vivo, arruinou-se após uma carga determinada de explosivos a sucumbirem à ruína, aos escombros. Nas notícias do dia seguinte: “Conduta de gás destrói restaurante de famosa cadeia de restaurantes.” Não me dei por contente, nem as cáries não me abandonaram. Vivi mais dois dias e mesmo assim, foi pouco. Gritei por ti, mas não sabia porquê. Ouvi o que não queria, mas fiquei com todos os meus amigos. Olá!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Era uma vez... não não! Foi assim... não!

I

Começo esta história, como podia começar outras tantas que vejo por aí:
Era uma vez…
Não! Recusei-me a acreditar que era tudo uma vez! Há, por certo, um monte de outras formas de começar histórias. Depois de muito ler, de muito saber, tinha um conjunto de formas muito interessantes de o fazer, no entanto nenhuma delas me despoletou a vontade exacerbada de copiar, ou até mesmo de me inspirar em formas tão estranhas como:
E…
Mas continuo sem saber como começar. Pensei, depois, no famoso cliché “Eram 10 da manhã...”. De seguida, o ainda maior cliché “Ouviu-se um grande grito no escuro da noite…”. Ou então, o habitual “Assim começa…”. Nada me convencia, nada me inspirava.
Outras hipóteses surgiam, mas tudo o que me ocorria já tinha sido dito, pensado, feito, copiado, engendrado, meticulosamente arquitectado, explanado… daí que pensei que não estaria cá a fazer nada e então esta história começa como muitas outras:

Deixei um bilhete em cima da mesa da sala, que dizia:
“Meus amigos, caros companheiros de longos anos, amigas, camaradas, parceiros de longas lutas, conhecidos, desconhecidos, polícia, bombeiros, juiz, advogado, chupistas, avarentos, sanguessugas, coveiro, familiares e pessoas em geral.

Hoje acordei e pensei que poderia superar o facto de não ter argumentos para começar uma história, mas de facto não tenho. Não me ocorre nada, não tenho força de vontade para continuar, não tenho quem me inspire. De tudo vivi, de tudo um pouco fiz e quase tudo está relatado, escrito, falado, repisado, voltado a ser falado de formas mais loucas que se podia imaginar. Não tenho mais nada para dizer, não sobra mais nada senão um enorme silêncio, uma abafada vontade de tentar, que não vinga, uma terrível sensação de tudo ter feito e nada poder mais fazer. Todos os quantos que me ajudaram e tiveram papéis muito importantes na minha vida privada, pessoal, profissional, mesmo os críticos, que me deram vontade de mais fazer, por mais nefasta que fosse a crítica, quero dar os meus mais sinceros, profundos e alargados agradecimentos.


Vou por fim à minha vida!

Adeus”.

Depois de ter feito este manuscrito, cheio de rancor e tristeza, usando parte da tinta que a tia Beatriz me tinha oferecido e, que estava reservada para O tal texto, pousei-o na mesa da sala de jantar. Desloquei-me, vagarosamente, para a cozinha, com a garrafa de conhaque atrás, onde me esperava um conjunto completo de facas de cozinha. Por certo que não iria falhar pois tinha passado os últimos dias a afiar uma delas, sem propósito nenhum, só mesmo com o intuito de passar o tempo, ou então não…
Fala-se muito destas ocasiões, mas nada se sabe. A coragem, o egoísmo, o que nos leva a tomar uma decisão tão radical, a cobardia, ou simplesmente o cansaço? São ideias vagas, que são analisadas por pessoas que não têm mais nada que fazer. Tudo isto é um perfeito acaso, nada mais que isso. Acções sem grande sentido, que culminam num frenesim histérico de sentidos acumulados, que não conseguimos controlar e, que nos leva a executar uma acção, sem pensar em nada, só pela pura descarga de adrenalina. Não conseguimos controlar, é como um vício que nos enche todos os sentidos o qual tem de finalizar de alguma forma fora do comum, que nos faça sentir tudo, que seja real e mortífero, para depois em paz, possamos sentir o doce e suave fim. Nem a dor se sente…
Estes pensamentos são de quem está pronto, de quem nada teme senão a vontade de não conseguir. Peguei com muito cuidado na faca, para não a deixar cair. Como não podia deixar de ser, quando ia a executar o perpetrado, algo sucedeu. Sim, meus caros leitores! Eis senão quando, uma rola embate com toda a violência na vidraça da gigante janela da cozinha, caindo de seguida inanimada. Não! Isto não! É demasiado mau. Vou agora pensar em acções divinas e outras coisas que tais, efectuar paralelismos irracionais, vontades cósmicas e absurdos vindos de todos os cantos do universo. Não! Recuso-me a acreditar que este acontecimento tivesse tido alguma coisa a ver com a minha perpetração. Foi um acaso da vida, um espontâneo do destino, uma cabala montada por alguém que me estaria a ver naquele momento. As minhas buscas pelo racional levem-me a esquecer o que de facto importa mas, não queria parecer teimoso e investiguei o sucedido. Aproximei-me com algum cuidado da janela, pois tinha uma enorme rachadela e a qualquer momento poderia desabar por cima de mim, matando-me. É estúpido, sim, mas é verdade…
Lá estava a rola, no beiral da janela, da parte de fora, sem movimento. De tudo o que conseguia ver lá para fora, nada fazia pensar que alguém o tivesse feito, pois a imensa mata ao fundo, o baloiço enferrujado, que teimava não cair, amarrado ao enorme carvalho, um pouco mais para a direita, ao fundo o armazém de apetrechos de jardinagem, por trás os estábulos e o barracão, que apodrecia de dia para dia e uma enorme ventania, vinda sabe-se lá donde. Após esta última observação, conclui que a rola não resistiu aos enormes ventos de Maio e se tinha estatelado violentamente contra a imaculada vidraça, pensando poder-se refugiar no aconchego da casa. Sosseguei a minha veia racional e investigatória. Por outro lado nada daquilo me convencia profundamente e como senão bastasse, uma pobre e inocente rola, que jazia inerte, à mercê das intempéries. Primeiro, e para que nada de grave acontecesse com o vidro, fui à cave buscar os enormes barrotes que serviram em tempos para entaipar a casa, após o grande frio de 63, obrigando toda a família a migrar para climas mais moderados. Após ter gasto alguns minutos, certificando-me que o vidro estaria mais seguro, mesmo assim não tinha grande confiança no que tinha feito, resolvi no entanto ir à rua buscar a pobre rola. Sai e, de facto, o vento era duma força incrível. Largos pedaços de ramos soltos esvoaçavam por cima da minha cabeça e desabavam com toda a força a meus pés. Tinha a certeza que se algum dos ditos me acertasse, ficaria ali, sem vida. Sim, de novo, é estúpido, sim… Após alguma luta, consegui chegar perto do parapeito da janela e pegar na indefesa ave. Peguei-lhe com cuidado, senti o seu coração muito fraco, sorri pensando que ainda estaria viva e assim não teria sido em vão a minha aventura naquele temporal. Mal volto costas, a vidraça desmorona no chão, atrás de mim, como um baralho de cartas e com o som de mil trovões. De novo o racional fez-me pensar que devia ter-me assegurado duma forma mais peremptória que o enorme vidro estaria seguro. Por entre os vidros no chão, vi um envelope, o qual não conseguia tirar, sem que me cortasse e assim esvaíra-me em sangue, ali, na rua. Nem vale a pena falar, certo? Pisei com todos os cuidados os vidros e fechei as portadas, evitando assim que mais alguma coisa entrasse na casa, sem que tivesse sido previamente convidado. Ainda com a rola na mão e sentindo o calor da minha mão, senti que se mexia. Entrei em casa, fechei a porta e corri para a casa de banho, a fim de proceder aos curativos necessários, de forma a colocar a frágil ave de novo sã, pronta a desbravar os céus. Mexia-se agora com mais veemência, mas notei que poderia ter uma asa magoada, ou até mesmo partida. Já na casa de banho, peguei com todos os cuidado na asa que me parecia magoada e de facto quando mexia nela, o pobre bicho esperneava de dor. Não tendo qualquer tipo de noção de como proceder, pensei como se tratasse um humano. Dei-lhe algo para as dores, mas numa dose muito pequena e depois amarrei-lhe uma espécie de tala à asa, fui à cozinha buscar a cesta forrada a palha, onde normalmente se transportava os ovos, fui para a sala e deixei-a lá dentro. Para meu espanto, ali ficou, sem grandes movimentos. Fiquei horas a olhar para ela, imaginando o que estaria a pensar. Depois pensei que seria melhor providenciar alguma coisa para comer. Peguei no cesto e encaminhámo-nos para a biblioteca. Procurei por aves e em seguida, a sua alimentação. Onde poderia ter tais coisas? Dei um salto e corri para a sala de novo. Dentro da garrafeira tinha algumas sementes de girassol, que por norma uso para acompanhar algumas bebidas espirituosas, ou até uma cerveja. Dei-lhe uns quantos e a princípio não lhe tocou, mas por fim, talvez porque a fome fora mais forte, comeu bastante. Ali estava, prostrada, só mexendo por vezes a cabeça, em movimentos muito suaves. Eu não conseguia tirar os olhos da criatura, mirava-a como se tratasse duma obra de arte e a cada movimento, o meu coração saltava, com medo que lhe pudesse estar alguma estar a incomodar. Para a tranquilizar, fui para o piano e aí toquei uma suave balada. Não sei como, nem porquê, aninhou-se e adormeceu. Fiz um flash-back e por mais que fosse racional, nada fazia sentido. Olhei o papel que estava em cima da mesa de sala de jantar e, numa tentativa de encontrar um desfecho racional, concordante, efectivo de tudo aquilo, li de novo o manuscrito, que há horas houvera redigido. Quando o terminei, fiquei ainda pior, pois achei que o que estava ali escrito, não podia ter sido escrito pela minha mão. Senti como uma medonha que algo inexplicável poderia estar por detrás de tudo aquilo. Sentei-me na mesa da sala e daí, mirei o enorme quadro pendurado por cima da lareira, em baixo, junto à mesma, a rola lá estava, serena. O quadro parecia querer falar comigo, como que se o meu tetravô tivesse voltado dos mortos e dizia muito baixo: “Começa… começa com…”. Mal ouvia o que dizia. Estava tão cansado que aquelas palavras levaram-me a sucumbir na mesa, com o cansaço. Sonhei com nada, rigorosamente com nada.
Acordei, levantei-me e tive uma epifania: “É assim mesmo que eu vou começar o meu texto!”

“Acordei, levantei-me e morri.”

Dei um salto de contentamento, um pulo de euforia, um grito de alegria. Estava mais vivo que nunca e tudo fazia sentido agora. Lembrei-me vagamente do dia anterior e no meio de tanto entusiasmo, lembrei-me da rola. Já andava a fazer das suas, a malandreca. Estava agora no chão, onde arrastava a asa e comia do chão os restos das sementes do dia anterior.
Estão a pensar o mesmo que eu, não estão? Vou acabar por morrer duma forma tão estúpida, que nem vale a pena ler mais nada, é isso, não é? Não sei. Na verdade não sei, pois estou tão contente, que tudo poderia acontecer. Mas primeiro, vamos ao pequeno-almoço e depois logo penso nisso. Vamos rola?

II

Alguns dias passaram e não conseguia tirar o sorriso da minha face. A alegria de voltar a encontrar o meu verdadeiro eu, preenchia-me de todas as formas, mesmo aquelas que não eram válidas. Tinha ganho anos de vida! A ideia megalómana de ter uma vidraça tão grande na cozinha, desvanecera-se e em vez disso, depois de mandar chamar o meu vidraceiro de confiança, estava naquele momento a colocar uma janela própria dum palacete em que estava embebido. Resolvi tratar de quase tudo o que estava pendente na minha vida e quase tudo tinha a ver com a casa. A casa do jardim estava agora em construção, o jardim em si, estava num rebuliço duma verdadeira excitação de Primavera. O baloiço, esse pedaço de memórias, que na maior parte eram más, tinha sido retirado e a velha arvore, que trazia uma ferida profunda, estava neste momento em processo de cura, mas sabendo que as feridas curam-se, no entanto as cicatrizes ficam, que relembram os erros.
Tomei uma decisão, não ia deitar fora o manuscrito e estava já emoldurado. Ficou pendurado ao lado do outro grande ícone da minha vida, o meu tio Álvaro. Em quase todas as decisões da minha vida, tinha consultado as minhas referências e, tal como as decisões, nem sempre foram as mais acertadas. Mas o que tinha eu para me queixar? De nada! Tinha uma vida boa, cheia e repleta de coisas boas, que forravam o meu ego duma forma radiante e por ter tudo quase tão fácil, teriam acontecido os actos paralelos de há uns dias atrás? O meu racional continuava confuso, mas a excitação da alegria, toldava a minha razão. Se perguntam pela rola, a resposta é fácil. Depois de curar a asa, nunca mais abandonou a casa e voava graciosamente por todas as divisões. Mesmo estando janelas e portas abertas, só se assomava nelas, não tinha vontade de voltar à liberdade dos campos. A bem dizer tinha tudo em casa, para quê voltar a procurar o lado selvagem? Era livre em casa, tanto como na rua, mas preferia o aconchego da casa e quiçá daqui a uns dias não iria ter a companhia de outra rola. Depois de ler um pouco mais acerca desta espécie, conseguia já distinguir machos de fêmeas e estava perante uma fêmea. Não deixava de ser um tanto irónico, tal como tantas outras situações na minha vida.
A vida estava de volta à aquela velha casa e as férias de Verão estavam a chegar. Com isso toda a família que regressava às origens por uns dias, ou até mesmo meses, dependendo de quem viesse. Sentia uma urgência em estar com quem pudesse partilhar tudo de coração aberto, com alguém de confiança. Na aldeia todos me odeiam, tanto a mim como toda a minha família ou não odeiam, mas fingem que o fazem, por ser quem sou, ou filho de quem sou, onde vivo e como vivo. Todos, sem tirar um, mesmo os que estão a trabalhar comigo, na casa, nas terras, todos me olham com raiva. Mesmo quando tentava partilhar o pouco tempo, com os demais, companheiros de labuta, irmãos da mesma terra, que nos viu crescer, nem mesmo os meus mais chegados amigos de infância, mesmo todos me desprezavam. Estou a ser desonesto, e a proferir inverdades, pois havia um, que mesmo sendo meu/nosso empregado de sempre, meu companheiro de sempre e que já algum tempo não vinha à casa principal, pois gostava de ficar na casa que lhe oferecera, mais afastada da casa principal, onde vivia com a sua mais que tudo. O meu velho Mendes. Sempre soube que me amava, da mesma forma como quem ama um filho, mesmo depois de lhe ter feito de tudo, eu e alguns da casa, mesmo depois de partilhar o ódio da população, mas sabia que me amava. Mandei chamá-lo. Veio assim que pôde. Sempre impecável, sempre tão aprumado, mesmo agora que já não trabalha, no entanto recebe o mesmo até que morra. Foi um trato que fiz com ele e que já vinha de todos os outros que acompanhavam a família desde o primeiro que nos tinha servido. Não fazendo parte da família, provavelmente tinham mais segredos que todos nós juntos.
Ali estava ele, pronto, como sempre. Mandei-o entrar para o salão e sentar-se comigo junto à lareira. A conversa ia ser grave, pois tratava-se da sua substituição e na verdade não sabia como começar a conversa, tal como no início deste texto, senti o mesmo.
A total impotência de nada conseguir, de pensar em todos os clichés possíveis e imaginários, mas nenhum se adequava à situação. O Mendes, o valente Mendes, que sabia melhor do que eu as minhas fraquezas, prontamente nomeou o seu sobrinho para o substituir. Não consegui evitar uma lágrima e outra. O Mendes, homem ríspido, grave, alto, esguio, mesmo com a idade de avô, manteve sempre a sua pose, afagou-me, colocando a sua enorme mão na perna, e disse:
- Meu caro, há muito tempo que este dia estava para chegar e, depois do que passou, acho que tenho o dever de o ajudar. Este meu sobrinho, desde muito cedo que recebeu a educação para me substituir, pois foi educado connosco, aliás, como sabe e tem das melhores educações, logo está talhado para o servir da melhor forma. Não se atormente, eu sei bem qual é o meu lugar nesta casa, sempre o soube e o mesmo fará o seu novo empregado. Quando se deve apresentar?
- Não sei o que dizer caro Mendes…
- Vá, meu bravo, cabeça para cima, vamos! Não é isto que o vai deitar abaixo, pois não? Vamos, liberte a fúria dos Alves! Vamos meu… sempre menino.
Dizendo isto, desaba profundamente, num pranto como eu nunca tinha visto, nem mesmo por mulheres que vivam os lutos de forma tremenda. Chorava, soluçava, em pranto, em sobressalto, não se conseguindo controlar. Corri a fechar a porta do salão à chave e corri de novo para junto dele. Estava debruçado no longo sofá, junto à lareira e continuava a soluçar, sem parar. O enorme Mendes, neste momento parecia mais pequeno que a indefesa rola. Sentei-me junto a ele, peguei-lhe na cabeça pela testa e deitei-o no meu colo e afagando-lhe o cabelo, que agora reinava branco, vítima do tempo. Aconchegava-o, reconfortava-o, em silêncio, o qual era quebrado somente pelo soluço. Na verdade não entendia o que se passava, visto que ele não se iria afastar da casa, pois tinha ainda alguns deveres, como sempre tivera e iria ter. Não entendia. Deixei-o estar. Alguns minutos passaram, o soluço terminou. Levantou o pesado corpo que se tombava sobre as minhas pernas. Olhou-me nos olhos e sorriu. Depois, ergueu-se muito direito, como que se tratasse duma coluna dum templo Romano e, do alto do seu metro e oitenta e cinco, disse:
- Sempre o amei como um filho. Com sua licença-E retirou-se.
Passados dois dias o seu sobrinho estava às minhas ordens e o Mendes tinha viajado, deixando todas as tarefas ao cargo do sobrinho. Nesses dois dias não dormi nada. De novo a sensação de nada fazer sentido, a sensação de abandono e de mais querer saber, numa turbilhão que teria de ser explicado. Porquê? Será que o iria voltar a ver? O que isto queria dizer? Mais um cliché? Sou filho do mordomo? Essa não! Era demasiado estúpido! Mas como iria saber? Todas estas questões não me deixavam dormir e quando o seu sobrinho, de seu nome, Gustavo Mendes, chega a casa, tudo está de novo confuso. Por mais que perguntasse ao Gustavo onde o tio tinha ido, ele não respondia. Fiz de tudo e nada, não conseguia saber. Esta dúvida está a dar comigo em doido. Na casa onde antes vivera, ficara tudo como estava, não levou nada, nem a roupa. Partira com a sua amantíssima esposa, sem deixar rasto e não sabia se voltava. Passaram-se semanas e nada.

III

O Verão estava à porta e a casa estava linda, nunca esteve tão bela, tão fresca, tão viçosa, estava como nova, sendo tão velha. Os jardins, o barracão, a casa do jardim, a casa do lago, os alpendres, tudo, rigorosamente tudo, estava impecável. Estávamos prontos para receber todos, para mais um Verão no campo e o Gustavo estava à altura das funções que ocupava. No Domingo, logo pela manhã, como por costume faço e fui com ele ver a propriedade. Escolho como sempre o meu velho cavalo e ele foi montado a nova égua. Mal saímos disse-lhe que hoje ia escolher o sítio onde queria viver, ao que prontamente respondeu que o melhor sítio para viver, enquanto o seu tio fosse vivo, seria na casa principal, onde toda a serventia ficava quando estavam em casa. De facto era um sítio acanhado, mas com tudo o que tinham direito. Não quis insistir, pois disse-o com tal firmeza, determinação e assertividade, que não mais perguntei.
A minha busca pelo Mendes estava renegada para segundo plano.
Tinha a minha amada família de volta.
A alegria reinava na casa, todos os fantasmas do passado tinham ido passar férias e voltariam no Inverno. Os gritos das crianças, o cheiro da comida, as gargalhadas do Victor, a voz esganiçada da Avelina, o casal mais estapafúrdio que alguma vez conheci; garbosos e queridos amigos de longa data. O Filipe, o filho do casal, sempre com o seu ar de mandão, que nada manda e tudo faz pela sua esposa. O Borges, marido da minha bela filha mais nova, a Valéria, que estava sempre com ideias para tudo:
- Aqui ficava bem um quadro… ali uma mesa…E por aí fora.
A minha amada filha Margot e o seu tranquilo marido. Viviam em França. Estava cada vez mais igual à mãe. Que saudades da minha amada…
Tudo aquilo fazia-me esquecer o resto. Até os meus gémeos, Francisco e Álvaro, nomes já com muito peso na família, que tanto trabalho tive para os educar, mesmo esses faziam-me sorrir. Estava feliz mais uma vez. Por fim, as rolas… um casal de rolas completavam o quadro. Essa famosa rola…
De novo os clichés? Já não basta? A rola seria a minha falecida mulher? Não pode, isso não faz sentido nenhum! Então o que estaria aquela rola ali a fazer? E quem era o par? O Mendes? Não podia ser… Mas uma coisa é verdade, agora sim, podia começar o que no início tinha em mente fazer. O texto.
Todas as noites avançava a bom avançar, sem parar, completava página, atrás de página, numa história cheia de tudo, tudo mesmo! E como começara afinal?
- “Acordei, levantei-me e morri.”
Sim, era uma autobiografia, com tudo ao pormenor, como manda a lei. Iria ser o meu melhor livro. A tinta que a minha tia tinha posto de parte, estava a dar um jeito tremendo. Não sentia os dedos de tanto escrever, a alma fervilhava de lembranças, de recordações e ao passo que avançava, ou sorria ou chorava, pois nada na minha vida fora médio, tudo era de extremos, tudo estava sempre envolto em formas estranhas de viver, por vezes de sobreviver. Com aquele ritmo, iria por certo terminar o livro antes de todos irem de volta para casa. Os mais velhos iam a voltavam, pois valores mais altos se levantavam, responsabilidades, deveres, mas os mais pequenos, crianças, adolescentes, viviam na casa o Verão todo. Os serões eram em paz, juntos no salão, na sala, espalhados pela casa. Contavam-se histórias de tudo e as ânsias de crescer rápido eram vividas de todas as formas. As personalidades que se formam, os gostos, as vontades, tudo em formação, com uma força de viver avassaladora. Tal como eles, eu, tinha agora mais vontade de viver e uma noite, quando passava pelas minhas recordações, de copo de conhaque na mão, deparei-me com a carta, o manuscrito. Li tudo de novo, como já o fizera vezes sem conta e tive um estremecimentos, como que uma vontade divina, de por um ponto final a tudo. Agora era a altura ideal, estava feliz, contente, determinado que tudo iria conseguir fazer, de que tudo iria correr bem.Então? Esta é a hora certa!
Depois de fazer tudo o que tinha já discutido com os meus advogados, pedi ao Gustavo que tivesse os cavalos prontos para de manhã irmos dar a nossa volta. Como era habitual, assim fez. Eu depois de ter passado a noite toda em claro, de ter terminado o texto, livro neste momento, de me despedir de todos, enquanto dormiam, de me despedir da casa toda, de tudo e todos, parti com o Gustavo. Demos a volta toda e passámos em sítios onde não passava há anos, há mesmo muitos anos. A paz reinava dentro de mim, estava com um sorriso tão grande, o meu coração estava tão cheio, tão solto, o meu peito quase rebentava! Quando nos preparávamos para voltar, o Gustavo disse:
- Adeus Sr.! Não se preocupe, ficará tudo bem entregue, não se preocupe.
E foi. Olhei-o pela última vez, e fui também. Quando caminhava rumo ao fim, o casal de rolas, voou comigo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

edadic ad adaf A

Outro ao e este, encravado pêlo um tirando, duas das fazendo vai, e ali e aqui cidade pela vaguear a continua, essa, fada a.
Império tal conseguiu como formas às, injurias altas mais as sempre levantando e riqueza sua a invejar a continuam cidadãos outros os todos, entanto no mas, luxo e potência exagerada de mesmo alguns, potência alta de, carros grandes com cidade pela passear faz-se, hoje pessoa essa. Agonia sua a fim pôs e desejo o concede-lhe, insuspeitas mais das, sabia se nada ou, pouco, qual da, pessoa de espécie uma, fim por. Resultado de tipo qualquer tendo não mas, ponta garbosa sua a desperta pêlo feio muito o onde local o violência com raspar, equina sua a na e edifício dum busca na leva-a desespero o. Passava que velha duma, cheia mão de chapada uma mesmo só levando, nada assim mesmo mas, parcial nudez a experimentou, audazes mais técnicas para passando. Género do coisas e negra magia de, impostora de insultos ouviram-se a mesmo chegando, fada bela da aproximava se quer se ninguém nem, nada entanto no. Tropicais flores de ramo vistosos num maçã uma transformar ou, Smart num plástico de garrafa uma transformar como, fracos mais magia de truques dalguns troca em mesmo, suplicar a fada doce a leva desespero o. Peçonha com alguém de foge quem como, metros alguns afastar-se a mesmo chegando, repugno com olhavam ainda outros. Ninguém, nada mas. Visto era tudo de, espelhados ou, escuros vidros de carrinha duma procura à volta olhavam que outras por passando, pancada ameaçavam que pessoas até, rir tanto de rua na rebolavam se que pessoas desde. Encravado pêlo horrendo o, venenoso o, ardor o, sofrimento o tirassem lhe que, magia de favor dum troca em agora, mendigar de além para, problema dito o tirassem lhe que para faria tudo que, fada boa, sendo assim. Espectáculo horripilante um prometendo, costas as escarafunchasse lhe que queria ainda, bastasse não se como, mão na foleira tão varinha uma com e fada de vestida, trabalhar a estar para idade com já mulher uma estaria que o, comentavam ainda, indiferença com passavam que, pessoas as mas, costas nas tinha que encravado pêlo um tirassem lhe que mendigava, cidade pela passeava que fada uma.

terça-feira, 20 de março de 2012

Café da manhã

Passei a alta velocidade pela gare do Norte, a bicicleta não dava mais, aliás, tive mesmo de encostar no café Central para arrefecer os carretos. Depois, ainda com mais velocidade, atingindo mesmo o pico da velocidade aconselhada para um velocípede, passei que nem uma bala, pela porta de Nunes, mas não pela parte Poente. Tão rápido passei, que nem mesmo o meu casaco foi visto. Continuei pela rua de Alves e, a meio, antes da retrosaria Cisco, efectuei a manobra conhecida pela “Obra de Amar-te”, que na verdade não é mais do que um curva de 210 graus e entrei no prédio da Catarina, sem tocar no lancil, alto como a torre de Babel. Atirei o veículo não poluente para o vão da escada, o qual encaixou determinantemente no suporte previamente afixado aqui há 2 meses e Maio. A sacola com os livros de escárnio foi projectada duma forma subtil, ficando cravada na parede de tabique. Subi a toda a mecha. Os meus passos ouviam-se a quilómetros, tal não era a urgência da minha diligência. Ao ouvir os meus passos, Catarina, sempre pronta, já de porta aberta, deu-me a toalha da praxe e disse-me que depois do serviço teria de limpar, lavar, desinfectar, tudo com muito afinco. Corri, desalmado, rápido, que nem um foguete que vai descontrolado, de tal forma que bati na ombreira da esquina da parede contígua à sala e atravessei-a, esgueirando-me que nem uma cobra, não tocando na jarra do século passado, que ficou a baloiçar com a deslocação de ar. Saltei para a divisão em questão, já com as calças em baixo e pelo caminho, no salto, ainda no ar, as cuecas saltaram como que se fossem descartáveis ou como se já nem se quer estivessem vestidas, antes da operação de descartar as calças. O que aconteceu de seguida é uma conceito épico, que nem os Deuses podem explicar, ou se calhar personificar, pois nos instantes antes de tocar no local, já o que interessava estava meio de fora, via-se a bom ver, com tal pujança que nada fazia lembrar que daqui a uns segundos, tudo iria passar, sem deixar qualquer rasto, ou nódoa, só mesmo o serviço completo, um alívio dum rato que pare uma montanha! Cai, toquei, sentei e … o cagalhão finalmente caiu, redondo, na água imaculada, da sanita secular, soltando por fim o pingo, solto, que chapinha alegre na minha nádega. Não consegui, eu, abafar um gritinho de surpresa e um outro gemido profundo de prazer, o prazer do primeiro cocó da manhã.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Tácticas e poemas (nem tanto) de engantes falhados (assumido)

Oh pasarrinho malandro,
Que poisas suave no meu canto, faz-te à vida depressa,
Ou então mando-te um peidinho.

Vinde sério,
Vinde voando, vinde com o teu enorme bando, vinde cheio de vida;
Com a tua pena suave, que me enche de tédio.

Voa alto,
Sente a brisa, vinda de longe, quente, por vezes tórrida, que passa pelo corpo frágil,
Pequeno e frita no asfalto.

Simples o teu voar,
Que de passar junto ao meu olhar, quase o sinto, quando penso com afinco,
Ou então quando vou cagar.

Segura essa paixão,
De viajar, de sentir o ar, com os teus, juntos, num só, que bebes do rio;
Cuidado, olha o cagalhão!

Esteja sol,
Ou esteja chuva, protege a tua cria, que é pequena, que não pode ficar fria
e que ia tão bem com tintol…

Aqui jaze no chão,
O seu pequeno corpo, morto, de tanto voar, nada o fez parar,
A não ser este camião.

Triste a história de que acabei de contar,
Mas de facto não tinha mais nada para falar.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ir-se-ão vender um dia

Vi outro dia na explanada dum bar, um casal com bom ar. Ambos tinham coisas, muitas coisas. Pensei que seria normal, aquela ar intelectual, ou se seria do sol, esse ser celestial que nos deixa mole. Não era, era mesmo que eram parvos. Bebericavam umas bebidas maradas, daquelas que há nas arcadas, pareciam estar felizes, mas no entanto não passavam de petizes. Pobres e mal agradecidos, tanto que se fez por vós, e agora? Não estão sós? Não, não estão sós, nem infelizes, estão com os amigos, e querem lá saber disso. Parvos somos nós, que achamos que eles ouvem os avós. Sempre foi assim e assim será, aqui ou no Panamá. Mas isto tudo leva-me a pensar no que realmente interessa, o facto de escrever à pressa. Este mais querer, do que ser, esta mal amada forma de cuspir para o ar e depois apanhar. Por cima destes dois, os da esplanada, que ali estavam sem fazer nada, havia uma placa aca aca. Todos sabem o nome das placas grandes, não é verdade? Deixem-se de maldade e passem beber electricidade. Bem, voltando ao que interessa; dizia na placa: Vendem-se! Espantei-me, fiz um ar de espanto e como por encanto, pensei: nos dias que correm, por certo que os que esperam morrem e os que cá ficam, só complicam. Pensei que estava desadequado, tal palavra devia fazer parte num antiquário. Hoje em dia, o que é verdade, sem maldade, deverá estar escrito, ou eu me irrito: Ir-se-ão vender um dia!

Bom dia! Acho eu…

segunda-feira, 5 de março de 2012

Testes 132 (Português activo).doc

Vim de barco.
Pensei em ti, mas tu não estavas.
Quem sois vós? Sim, vós os 3.
Armei duas armadilhas e esperei 4 dias. Depois disso, fui para casa e esperei junto à lareira. Só aí é que percebi.
Silvas, Sousas, Mendes, são tudo nomes.
A serra do Caldeirão, tem várias espécies de árvores e nalguns casos chegam a ser espécies fortes.
Olhei o fundo do rio.
Ouvi os pardais na floresta e vi a tua irmã.
Meto duas laranjas no saco e pergunto ao mestre se o cheiro vem de baixo.

Questões:
- Nestas frases estão ocultas várias formas verbais que estão em desuso. Identifique-as e devolva o favor.
- Quantas pessoas estão identificadas nestas frases? São sempre as mesmas pessoas? Justifique com conhecimento.
- Usando os conhecimentos administrados nas aulas, faça uma explanação de casa frase por ordem inversa à que está exposta no parágrafo 3, do livro: A Serra e seus porquês.

Quem foi Edgar Vunder Baü?

Numa cidade maravilhosa do Norte do Continente, na zona mais a Oeste, a zona onde as ideias fluíam com muita energia e veemência, ideias essas vindas do Sul, mais perto de onde são cultivados os membros da aristocracia, havia uma casa. Não era uma casa qualquer, pois tratava-se da casa do vigário, ilustre membro da sociedade desta cidade que vos falo, mas mais na parte Leste. E perguntam vós: Porque falo desta casa? Como sabem um vigário fica sempre bem numa história quando se trata de uma história do Norte, bem como de alguém que ainda não encontrou na história e virá a ser apresentado mais tarde, como intimo do próprio. Tendo em conta estes factos, a casa era conhecida por ter na sua fachada uma vaca australiana, de grande porte, mas como estava pintada um quadro tão pequeno, não se conseguia ver assim tão bem que seria uma vaca, mas no entanto, para dar seguimento e continuidade da história, que já vai longa, este determinado facto era contudo importante referir, visto que se trata da casa, que tanto se falava na cidade, levando-nos a fazer a tal viagem no tempo.
Vigário Monsolvo, era uma pessoa muito destemida e muito pouco discreta. Falava de tudo com todos, mesmo de assuntos que não entendia, como por exemplo assuntos de ordem política, sem que o sentido fosse o mais acertado. Mas sabendo de muitas conversas e porque era vigário, sabia muito da vida dos habitantes, daquela zona da cidade e de outra que não me recordo agora. As missas eram um ponto de contacto com todos e assim, tinha acesso às conversas, discussões, olhares, flatulências, numa forma mágica e magnânime. Usando um palco normal para palestras, concertos de rock, miso ensemble e outras formas de comunicar que podem ou não ser consideradas avançadas, nesse palco, dizia eu, fazia a sua aparição num misto de espectáculo verdadeiro e burlesco, quase frívolo. Suspenso por cabos, descia das alturas ao som de violas sem som, visto que eram só usados intérpretes de linguagem gestual usada pelos habitantes da Argentina. Dito desta forma pode parecer desadequado, mas de facto era um espectáculo muito pobre a nível da carga emotiva passada para cada um de nós, no geral e para todos no particular, mas este molde de comunicação surtia o seu efeito, havendo uma ligação muito forte, que nunca irá esmorecer. Com isto tudo, leva-nos ao que realmente interessa, na qual podemos concordar, que este vigário Monsolvo, que era assim tão conhecido, deixou de respirar e o coração bater, num dia de Julho, logo pela manhã! Fora morto pelo bravo e radical Edgar Vunder Baü!


Na edição de Outubro da revista: Mutus Assassinos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ia conseguir

O caminho era de difícil acesso e as cabras que passeavam no topo do monte, já há muito que por lá pastavam. Queria lhes chegar, mas não sabia se iria ter forças para palmilhar os quilómetros que me separavam delas. Por entre o canavial, avistava-se o pôr do sol e a neblina que subia a serra. O vento mudara e agora soprava na sua direcção, sabia que não tinha muito tempo até que sentissem o meu cheiro. Furei por entre a folhagem mais grossa, sem me preocupar, no entanto sem fazer muito barulho. Vi que uma das cabras estava bem mais perto que as outras. Fixei-me nela. Parei, descansei um pouco e pensei nos tempos em que era jovem e por aquelas paragens vagueava sem ter com que me preocupar com todos os problemas que neste momento me afectam. Como a vida era maravilhosa naquele tempo. Corria, sentia-me feliz, saltava, rebolava. Envolto nestes pensamentos, senti uma paz maravilhosa. De repente, vindo do nada, ouvi um barulho que vinha de trás, como que algo me perseguisse, pelo pisar no chão e o quebrar os galhos, parecia de grande porte. Deitei-me e procurei passar despercebido. De novo o ruído, mas desta feita muito mais próximo. Ao longe ouviam-se guinchos e outros sons que não conseguia distinguir. Tal como aparecera, desaparecera o barulho. Fiquei muito incomodado, mas no entanto determinado. Não podia ficar ali muito mais tempo, porque se deixasse passar o tempo, a luz do dia não me iria ajudar a encontrar o que eu tanto procurava e com o cair da noite as cabras escondem-se, sem deixar rasto. A cabra mais próxima estava agora a uns escassos metros. Sem fazer qualquer tipo de barulho, cheguei-me muito perto. Estava tranquila a comer a pastagem rasteira. Era a altura ideal! Dei um salto e saltei para cima dela, agarrei-a, deitei-a no chão e por fim, de olhos nos olhos… ia por fim conseguir!
Perguntei: Tens lume?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pensamentos auspiciosos

Sempre que pensar em nada, lembra-se que há sempre alguém a pensar em si.

Quantas pessoas são necessárias para levantar uma ideia que não existe?

Se o mundo é deste forma, como seria se fosse da forma que muitos pensaram que fosse?

Hoje vou ver a lua do alto do sol. Espero que ainda chegue a tempo.

O mar é vasto e a minha lista também.

Quem engana, mete-se em trabalhos. Quem trabalhos engana, não lhe acontece nada.

Vou subir ao alto daquela montanha e de lá vou gritar bem alto: 1.

Tenho a impressão que se não encontrar a razão de ser para o que se passa, bem como em tudo o que faço, que lá para o fim da tarde tenho de ir para casa.

Obras em casa, casa em obras.

Estado em mau via.

Quem muito come, tudo irá cagar, ou um dia prejudica-se.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Resumo

Lista de compras duma família que habita na cidade conservadora de Vladfrunstad:

– Um nabo
– Uma carrada de pregos do mar
- ½ Sapateira em nogueira
- 4 kg the chá de Prússia
- 3 Garrafas de sumo de marmelo
- 1 Coelho de pelo tipo albatroz, mas comprido
- 1 Galinha virada do avesso, quando está a por ovos à noite
- 1 Barril de mostrada chata
- Vários temperos para guisados tardios
- 1 Ramo de coisa alguma
- 121 Litros de azeite de beterraba
- 1 Vison
- 7 Pessoas para jantar

*************************************************************

“O Mendes, que já me andava a chatear há pelo menos duas semanas, resolveu então fazer um barracão na horta dele.”

Tendo em conta este mote, desenvolva o texto, com base na matéria dada nos últimos 3 anos.

************************************************************

Questionamos 20 pessoas com as seguintes perguntas:

1- Qual a sua maior qualidade quando está dentro dum jarro de sangria?

2- Se fosse uma cobra, como gostava que fosse chamado/a?

3- Quem foi o primeiro individuo a obter a graduação mais elevada na escala de Richter?

4- Quantos paus são necessários para fazer uma vitrina de produtos por acabar?

5- Quem foi Alves Mendes Borges e porquê.

6- Desenvolva um texto que faça referência a questões que não têm resposta.

7- Baseado na pergunta anterior, quantas perguntas tem o manual da vida, sabendo que um talher nunca deve ser servido pela esquerda?

8- Faça a seguinte conta: 2 + Eterno = ?

9- Agora faça esta conta: 1, 2, 3…

10- Utilizando alguns utensílios que colocámos à sua disposição em cima daquela mesa de vidro, faça um bolo sem usar a parte de dentro das tigelas.


Após obtermos a resposta das 20 pessoas, elaborámos um relatório, que definiu a personalidade duma classe social muito à parte: Os Avelinos.


*******************************************************

“Uma sombra de céu fechou o meu coração, encheu-o de turvas áureas, de melancólicas surpresas, em que o cheiro da madrugada, se envolveu na minha paixão, com os rasgos de lua, que azulavam o doirar da minha insaciada tristeza …”

Textos como este, são a representação pitagórica duma vida vivida cheia de altos e baixos, levando indivíduos altos e robustos, a chorarem compulsivamente, durante horas, depois de provar a sopa da minha avó. Ao mesmo tempo estão a ser acompanhados ao piano por um conhecido músico da nossa praça, o qual toca música Eslava, mas muito alto e por fim, mas não só, os ditos textos, do qual existe só este trecho, por ser a parte mais alegre, são declamados em tom de pregador duma religião pateta.
NOTA: Não é uma tortura, é só uma forma de ficar mais magro.


**********************************************************


E por fim, as famosas receitas de Verão:

Sapo à bordalesa, em vinha d’alhos verdes, na tigela de papel pardo.

Ingredientes:
– 1 Sapo (se tiver menos que 1 kg, não presta)
- 1 Litro Sangue de vespa alada
– 1 Punhado de anão, de arroz do fundo
- ½ kg de ovas de laranja
- 120g de bacon submetido a uma pressão de 2343Nm
- 50g de manteiga de melancia da beira da estrada
- 1 ou 2 garrafões de vinha branco do mais caro que encontrar na sua drogaria
- 5 Dentes de alho verde
- 2 Cebolas gigantes (se tiver menos que 1 kg, não presta)
- Sal fumado
- Pimenta assustada

Preparo:

Unte uma forma de alumínio, com a manteiga da outra receita e reserve.

Durante 5 minutos, meta todos os ingredientes, previamente limpos de nada, dentro da máquina de centrifugar ananases. Depois, passe largas horas a tentar separar tudo em porções ínfimas. Quando terminar esta tarefa e do que restar do vinho, coloque tudo dentro da bacia do lava loiças (se não tiver, compre uma) e com uma colher de pau, envolva o preparo. Há que ter muito atenção nesta tarefa, pois deve mesmo envolver, não bater. Misture tudo, até se deixar de ver o fundo da bacia do lava loiças. Depois, e com muito cuidado e delicadeza, volte a separar tudo, mas desta vez em porções originais. Enquanto recupera, faça um avião de papel e um filho. Se ainda não tentou, não é agora que o vai fazer, pois tem 20 pessoas à espera na sala e estão já com muita fome. Faça agora a tigela de papel pardo. Se já a tinha comprado feita, queime-a e volta a fazer, mas desta vez com a mão que menos usa e nunca deve usar a outra. Quando tiver terminado e se os convidados ainda não o mataram, coloque pela seguinte ordem os ingredientes:
- Cebola, Sal fumado, 1 ou 2 garrafões de vinho branco do mais caro que encontrar na sua drogaria, etc, etc…
Vai ao forno e serve-se morno.

Bom apetite.
Acompanhe com água, ou sumo de frutas raras, com um cheirinho de ervas do bosque perdido.

domingo, 4 de setembro de 2011

Estranhei, mas...

Apanhei um avião qualquer, mesmo sem bilhete, ninguém se iria importar. Passei pelo controlo de entradas, utilizando o meu disfarce de Polícia Húngaro. Raramente falha. Para trás ficava a confusão do costume. Encurralei-me na casa de banho do avião, até que a hospedeira viesse bater na porta, para que todos possam ocuparem os seus lugares e assim é garantida a segurança de todos. São muito profissionais! Estranhamente desta vez o avião levantou voo sem que isso acontecesse. Senti tudo, o deslizar pela pista, o deslocar, o levantar voo e famoso barulho do trem de aterragem a recolher. Mais parece o desintegrar do avião, mas não, é só o trem de aterragem a recolher. Como já estava habituado a situações estranhas, tentei ignorar. Não ouvia mais nenhum ruído, senão os motores do aparelho, bem como os balanços habituais do voo comercial. Passados alguns minutos, não consigo precisar quantos, abri a porta e… O avião estava vazio. Não havia vivalma. Percorri todo o avião e nada, ninguém. Eu sei que é estranho, mas mais uma vez não dei grande importância, no entanto… um pensamento gritante saltou-me à memória: será que está alguém a pilotar o avião?
Fui até ao outro extremo e bati à porta, não obtendo qualquer tipo de resposta. Tentei abrir a porta e tive um abafado sobressalto! A porta estava aberta… abri muito devagar, encontrando o cockpit vazio. Dei uma cabeçada com toda a força na porta e doeu. Ou seja, não estava a dormir, nem muito menos a sonhar. Uma calma estranha encheu-me a alma. Que bom estar sozinho num avião só para mim. Respirei fundo e sentei-me no lugar do comandante. A vista era incrível. Voava sobre o mar e o céu parecia infinito. A tranquila calma não durou muito tempo, pois deixei de ouvir os motores, mas no entanto o avião continuava no ar e tudo continuava normal. Pânico? Para quê? Posso dizer que estranhei nesse momento o facto de estar acordado. Como poderia eu ter a certeza que tudo aquilo não seria um sonho? Se fosse um sonho, podia fazer aparecer alguém naquele momento. Pensei na mulher dos meus sonhos e… para meu espanto, não apareceu. Podia ser uma ratoeira do meu subconsciente. Relaxei e tentei dormir um pouco. A cadeira do piloto pareceu-me ser o local ideal. O único ruído que existia era o vento que percorria a fuselagem do avião. Adormeci em dois tempos.
Sonhei que andava de triciclo com o meu tetravô.
Quando acordei, estava tudo na mesma, só a única coisa que tinha mudado era a paisagem. Encontrava-me dentro de água e a velocidade era praticamente a mesma. Não havia dúvidas, estava a sonhar. Mas que raio é que eu vou fazer para acordar?! De facto não sei se o avião já levantou voo, ou se ainda estou em terra, dentro da casa de banho do avião, ou se me levaram para fora do avião e agora estou numa sala qualquer. Se calhar é isso, visto que não há barulho. Mas… e esta sensação de que estou debaixo de água? Deve ser alguma coisa que tenho por resolver, ou talvez um medo qualquer… Tenho de consultar o meu dicionário de sonhos. Tenho é de me deixar disso e tentar acordar! O avião continuava alegremente dentro de água, nada o fazia parar, nem os desgraçados dos peixes que eram literalmente esmagados de encontro à fuselagem do avião devido à velocidade. Por vezes ouvia-se um embate maior, que seria um ser marinho de maiores proporções. Lembrei-me: se o avião está dentro de água, o que o faria propulsionar? Os motores não podiam estar a funcionar, visto que dentro de água não iriam funcionar. Tentei ver até que ponto a minha mente podia ir. Espreitei pela janela do lado direito e de facto tenho uma mente muito fértil. Um conjunto infinito de seres marinhos minúsculos, puxavam literalmente o aparelho. Uns agarrados aos outros, puxavam-no numa velocidade impossível; pelo menos dentro de água. Na outra asa o mesmo cenário. Claro está que para adensar a coisa, os tais seres marinhos minúsculos, estavam a sorrir e cumprimentavam-me quando espreitava pela janela, Que mais podia acontecer, certo? Achei tão estúpido! Lembrei-me como podia acabar com aquela palhaçada de sonho. Se me matar, isto acaba já! Sem pensar duas vezes, peguei num extintor que se encontrava dentro do cockpit, mais concretamente do lado direito da porta, ficando perfeitamente ao alcance de qualquer um, de tal forma que até era ridículo. Bem, sem mais demoras, retirei o dito do suporte e com uma força atordoante, atirei-o na direcção da janela em frente, mais à esquerda. Será que é preciso dizer o que aconteceu? Claro que não… mas eu conto. O extintor não partiu janela alguma! A única coisa que fez foi ressaltar nos comandos do avião, de seguida batendo caprichosamente na minha testa, atirando-me de imediato para o chão. Teve ainda tempo para bater na parede lateral, partir um conjunto de indicadores, mais ou menos importantes e de novo, como que por magia, aterrou com toda a força no meu estômago, seguindo-se o típico bater na base do meu órgão reprodutor, sendo mais concreto, nos testículos. A dor foi de tal forma agoniante que me fez lembrar que se calhar não estava a sonhar. Mas por outro lado, podia estar a ser espancado e continuar a dormir. Achei estranho, mas ao mesmo tempo normal, visto que já por mais que uma vez que tinha sentido dores deste tipo. Uma pessoa como eu, do mundo dos agentes falsos, está mais que habituado a este tipo de situação. Senti uma frustração galopante, mas ao mesmo tempo deu-me fome… Abandonei a ideia de me tentar matar e fui comer, ou pelo menos tentar encontrar alguma coisa que me fizesse tirar aquela dor. Mal sai da sala de pilotagem (não me apetece usar a outra palavra, pois acho-a demasiado absurda), comecei a ouvir de novo o som dos motores. Senti um peso incrível nas pernas, mas que me puxava para baixo, mas ao mesmo tempo para os lados, não consegui aguentar força e quase esmaguei-as, parecendo que tinha perdido pelo menos quinze centímetros de altura. Olhei pelas janelas e vi que o avião subia, mas claro está que não duma forma normal. Ao mesmo tempo que subia, deslocava-se agora ao contrário. Ou seja, o nariz do avião, estava para baixo. Eu estou mesmo em apuros dentro deste sonho terrível. Um pesadelo diria mesmo! Cheguei a pensar isso. Encolhi os ombros e continuei a minha buscar por comida. Se alguma vez viajaram de avião, sabem que os armários e os carrinhos onde está a comida para dar aos passageiros, está presa com uma espécie de ferrolho, para que não saltem com as subidas e descidas do avião. Pois é… e o que se passava com este normalíssimo avião? Não tinha os ditos carrinhos e toda a comida estava literalmente a voar pelo compartimento, a que vou dar o nome de cozinha, ou copa, ou outra coisa qualquer desde que se perceba que é o local onde a comida está. O que ia eu fazer com cento e cinquenta doses de bifes de peru com molho ostras e puré? O que ia fazer a litros e litros de café, sumos e outros derivados líquidos que flutuavam, pairavam, estavam suspensos e quanto mais o avião voava, mais tudo se misturava? Era de tal forma caótico que perdi a fome. Mas ainda consegui alcançar uma tosta e uma raspa de patê de fígado de ganso. Bebi algo que ia a passar e fui de novo para a sala de pilotagem (não peçam, por favor! Obrigado). Era perturbador ver o avião a voar ao contrário. Pensei: Mais um orgasmo da minha mente. Estou mesmo mal!
Sentei-me agora no lugar do engenheiro de voo. Retirei um dos muitos manuais que se encontravam numa prateleira por cima dos meus olhos. Abri e procurei se existia algum capítulo com situações ridículas, ou até mesmo caricatas. Encontrei. No entanto só tinha um ponto, que dizia: Consulte o manual “Instruções de Voo Vol. II”, Pag. 345, 346 e 956.
Fiquei tão curioso, que procurei pelo dito manual. Quando olhei para a prateleira onde estavam os outros manuais, as letras nas lombadas tinha desaparecido. Mais estúpido que isto não pode haver, até dei uma gargalhada. Por certo que se encontrasse o dito manual, iria encaminhar-me para outro e por ai a fora. Sorri e coloquei o manual no seu sítio. Olhei de novo lá para fora e o avião continuava a voar ao contrário. Aproximei-me da janela e vi que não era o único a voar assim, mais três aviões, mas mais pequenos acompanhavam-me. Tentei ver se traziam alguém dentro. Vislumbrei um vulto no avião que estava mais perto. Procurei uns binóculos, ou algo parecido que pudesse ver melhor quem poderia estar aos comandos dos outros aviões. Encontrei uma espécie de monóculo. Quando consegui a focagem ideal, não consegui abafar um grito de espanto. Em todos eles a única pessoa que estava no cockpit (sim sim… ok…) era eu, ou seja, outros iguais a mim, que faziam exactamente a mesma coisa que eu. Tentávamos ver o que se passava nos outros aviões e que vulto seria aquele. Uma vez li um artigo, que falava de algo parecido com este fenómeno e tinha a ver com realidades paralelas, mas neste caso não compreendia porque os outros eram mais pequenos, ou o meu maior. Seria o meu ego? Caros leitores, nesse momento, estranhei, pois senti que não estava a sonhar. E porquê? Porque…. Arghhhhhhh…

Meus caros, depois de consultar vários peritos em arquitectura relacional e psicologia avançada para pessoas altamente espertas, resolvi que a história tinha de continuar.
Desta feita seguindo uma linha de pensamento muito avançada. Vou pegar nas últimas palavras do último parágrafo, para que haja alguma coerência, não parecendo que isto tudo é um caos desorganizado, onde as palavras vão aparecendo sem ordem alguma. Não meus caros! Enganem-se, tudo isto faz para parte duma avançadíssima linha de pensamento e tem uma ordem! Ora!

…Porque…. Arghhhhhhh…. Maldita espinha de anfíbio! Nunca mais lhe toco! A justificação para tal façanha estaria guardada nos confins da terra, ou então nos universos intrincados da ciência avançada. Avançada por uns e retraída por outros tantos. De qualquer forma o que se passava era muito real, já há muito tinha ultrapassado a sensação de sonho, ou se quer de estar a dormir, pois o cansaço agora era efectivo e começava-se a apoderar de mim por inteiro. Mesmo assim ainda tive força para libertar uma flatulência. Resisti e tentei ver o que se passava no mundo. Liguei todas as televisões do avião, ou pelo menos tentei. Como é que se ligam as televisões dum avião? Tive ainda outra ideia mais brilhante e procurei pelos telefones a bordo, para que pudesse ligar para a minha querida tia. Encontrei e… qual era o número? O único número que me lembrava de cor era o do meu contabilista. Marquei à mesma. Atendeu e insultou-me em Búlgaro. Fiquei mais tranquilo, pois sabia agora que era tudo real. Estranhei só o facto da voz estar um pouco afeminada, mas tudo era possível naquela casa de doidos. Tive um estremecimento. Há quantas horas é que o raio do avião estava no ar? E o combustível? Devia estar-se a acabar, por certo que sim! Fui ao cockpit (à muito que ultrapassei a vergonha), procurei algo que fizesse referência a combustível e vi algo que me deixou ainda mais perturbado. Ao entrar, olhei por um mero a caso lá para fora e quando tudo começa a fazer sentido, vejo o topo duma cabeça gigante e na continuação desse gigante corpo, um enorme braço que agarrava o avião, bem como os outros aviões estava nas mesmas condições. Naquele momento toda a minha existência foi posta em causa, ou quase… o que se passaria? Não era possível… eu, eu… estava no mundo de gigantes? Como eu poderia fazer parte duma história de crianças? De novo a minha existência estava em risco, bem como o meu sonho, o facto de estar acordado, os universos paralelos, as unhas dos pés, o macarrão com espinafres, os cães de pelo curto…? O que fazia sentido? Uns miúdos que brincavam na rua, nos campos verdejantes, com aviões, que os metiam dentro de água, fora de água, que lhes pegavam, que os levavam a voar ao contrário, ou eu, a minha história? Achei até que a minha versão dos acontecimentos tinha algum fundamento, parecia uma história com um bom suporte… bem, tirando o facto de estar sempre sozinho, até parece bem verosímil, não acham? Estou confuso! E logo agora que eu ia pedir um prego no prato…
No fim destas palavras ouve-se o grito da mãe: Avelino, anda já para casa almoçar!!!




Caso tenho alguma coisa a acrescentar, digam. Obrigado.

domingo, 1 de maio de 2011

As pedras

Ontem conheci um rapaz que viajava com duas pedras no bolso. Só percebi o que trazia no bolso, quando no meio da pergunta: para onde vais? Ele responde tirando as pedras do bolso e atira-as para cima da mesa do café, com um gesto assertivo e ao mesmo tempo mágico. As pedras formam um padrão que nem a mim, nem a qualquer outra pessoa poderiam identificar. Responde de imediato que iria viajar para Noroeste, apontando em seguida para uma montanha que se vislumbrava pela janela. Pensei tratar-se duma alma doente, que viajava para tudo esquecer. Perguntei desta feita se sabia porque o fazia. Abanou a cabeça com toda a firmeza que não. Mas a sua assertividade continuava-me a apaixonar. Como podia um rapaz de vinte e poucos anos, não saber o que procurava. Explicou-se de seguida sem eu nada perguntar, puxando dum bloco de notas e mostrou-me o padrão da sua viagem. Continuava a não fazer muito sentido. Demonstrava que o que o trazia a esta vida, era o simples facto de puder encontrar a mãe de todas as palavras. Denotei alguma loucura naquelas palavras, mas que ao mesmo tempo faziam sentido. Comentei com ele que a grande demanda dele, era igual a tantas outras e que de facto seria uma pessoa fútil, que nada quer alcançar e o que faz não tem sentido, senão na sua cabeça. Perguntou-me se eu trazia algum tipo de referência do sentido da minha vida comigo. Claro que lhe demonstrei que isso do sentido da vida é sempre um bom tema para um livro, um poema, ou até mesmo um filme, mas que de facto a razão leva-me a pensar que é um tema que não faz sentido, visto que o “Tal” sentido da vida, é a própria vida e os objectivos são a vida, não havendo o verdadeiro sentido da vida. Sorriu e olhou-me com loucura, dando depois um risinho nervoso, de quem vai explodir. Ainda de bloco na mão, olhando para mim, desenhou-me, duma forma quase real, como que me tirasse uma fotografia, sem nunca olhar para o bloco e com uma velocidade que me fez pensar se se trataria dum humano. A questão seria, teria eu coragem para lhe perguntar? Não perguntei e dei-lhe os meus parabéns por tamanha façanha. Ele agradeceu e começou-me a explicar que o sentido da vida são os movimentos erráticos do cosmos, que num caos organizado mantêm todos ocupados com a sua própria vida e o facto de trazer as pedras e o objectivo da sua viagem, são diferentes de todas as pessoas que vivem neste mundo. Nesse momento achei-o ainda mais fútil e que a conversa dele vem em qualquer manual. Continua a dizer que o facto de nos termos encontrado, não fez parte desse caos, sendo um movimento propositado e que nada influência a vida de ninguém, nem se quer a nossa, minha e dele. Tentei interromper, mas calou-me de imediato, utilizando um gesto que nunca tinha visto. Um movimento místico, altivo, profanador, enervante, humilde e assertivo. De novo o assertivo. Olhou-me nos olhos e perguntou: se não tens a certeza, porque me perguntas? Lógico seria dizer que se pergunto, é porque não tenho a certeza, mas o que ele quis dizer foi: sendo eu a pessoa que tu não acreditas, porque perguntas? Peguei nas pedras e sem pensar, atirei-as para a mesa e dizendo de seguida: Sudoeste.

Natura

Simples, simples o bater de asas dum pardal, que na complexidade do seu voar, ensina quem curtos passos dá. A sua simplicidade magoa o complexo sentido de quem vê e não entende. Tão simples, batem-se as asas, o movimento é contínuo, ergue-se no ar, como que de magia se falasse, como que uma entidade profundo, que não se vê, o percorresse, fazendo-o graciosamente passar, voar, deslocar. Quero, voo, preciso vou, tenho fome, ergo-me. Tão pequeno e tão grande no seu gesto, simples. O movimento mete raiva, por ser tão belo. E é tão belo porque não tem raiva. Simples, simples… diz-me bela criatura: porque razão deixaste um cagada na minha camisola?

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Igreja e o Messenger 2009.

Jiacomo diz: Bronswick Hellioddor Cummings Appleton?
Famoso capelão da casa Real da Pomerânea?
Bronswick diz: Jiacomo Pupilino Fancesco di Marinaldio Salazar?
Eu sou, sou com muito gosto e presenteio
Jiacomo diz: Também sou eu!
Belos tempos os nossos
Bronswick diz: Famoso Diácono?
Jiacomo diz: Na escola de Capelões
Amém
Bronswick diz: sim
Jiacomo diz: Diácona?
Isso sim
Bronswick diz: Recordo com memória fresca.
Está boa sim e recomenda-se.
Jiacomo diz: Bem visto caro amigo
Bem visto!
Bronswick diz: Tem tido alguns problemas com estas mudanças de tempo, mas está bem melhor que amanhã
Jiacomo diz: Parece-me bem!
É uma questão de humidades
Bronswick diz: Sim
Os dedos tortos não a deixam tocar-se como dantes e então tem sido um Valha-me Deus!
Coitadinha…
Mas mais de resto, mantém a figura costumeira que sempre a acompanhou
Jiacomo diz: Temos que ter paciência
Bronswick diz: Falo portanto do magnífico pilão que herdou de seu pai, o Padre de Malpaços
Que como todos sabemos era casto
Uma divindade nunca vem só, não é verdade?
Jiacomo diz: Sim... é de facto uma realidade insofismável...
A castidade de um padre nunca se pode medir pela quantidade de filhos que tem!
É falacioso e até maldoso!

Bronswick diz: É vero, é vero
Digo mais…
Quantos mais filhos, menos os devotos terão a capacidade da dita falácia
Jiacomo diz: Concordo
Mas também lhe digo meu bom amigo...
Quanto mas a batina arrebita
Mais se lhe arreganha a tripa
É o povo que o diz
e se o diz…
Bronswick diz: A maldade esconde-se por entre os folhos das cortinas das capelas belas, que ao vento oscilam como que embaladas por entes passados que no veneram e protegem - Amém
Jiacomo diz: É porque é verdade
Bronswick diz: O povo tem muita razão no que diz, em especial depois duma boa matança
Jiacomo diz: Mas disso sei pouco
Já que a minha batina sacerdotal está em arrebite constante
Bronswick diz: Belas as oferendas, que me dão. Por exemplo, as belas couves que a Dona Albertina tem e como a sempre conhecemos, é casta também e partilha o que de melhor tem, dando-se-mas de bom agrado e depois da magnifica matança que benzi há atrasado, que tem mas dado também as linguiças e que belas são!
Jiacomo diz: Já acolhi tanta devota nessa tenda divina...
Bronswick diz: Por norma não me faço rogado e deixo que essas preces divinas me entrem pela igreja adentro e dentro de confessionários castos, os seus deveres cumpram, concorda?
Jiacomo diz: Sim
Concordo…
Bronswick diz: No entanto, um bom, e devoto castro padre, nunca deve usar por debaixo da batina qualquer tipo de apetrechos que prendam o que Deus nos deu
E assim faço…
Tal como o meu prezado diácono, a tenda minha também se iça, qual badalo do sino da capela Sistina! - Amém
Atenção! Disse Sistina, não Cristina... essa... já não está entre nós, mas que cumpria, cumpria.
Oremos…
Jiacomo diz: Assim seja, meu bom frade Capristano, Assim seja!
Bronswick diz: Sempre pronta para abençoar o velho e túmido badalo
Jiacomo diz: Amém!
túmido?
Bronswick diz: E com esta me despeço, para mais tarde voltar, e quiçá penetrar na igreja
Jiacomo diz: Tipo túrgido e húmido numa só palavra?
Bronswick diz: Túmido sim
Sempre, tal qual se veio ao mundo
Jiacomo diz: Assim seja, meu bom frade!
Mas conte-me...
Tem ido ao convento das Bernardinas Saloias?
Bronswick diz: Ainda à atrasado lá fui
Quem perguntou muito por si, foi a Madre Cisalpina
Está boa
Pelo menos como sempre a conheci, casta como tudo!
Até aflige os Santos da capela de São Teotónio!
Jiacomo diz: Constou-me que há noviças roliças de úberes fartos e rijos
Confirma, meu bom frade?
Bronswick diz: Não confirmo, nem desminto, terá o meu bom e velho Diácono que se fazendo acompanhar de da minha pessoa, para que juntos possamos confirmar as roliças noviças
Que me tem a dizer? Amanhã pelas primeiras horas do dia, partiremos e por lá pernoitaremos.
Será um belo repasto e pasto, concorda? Traga os objectos castos, para que juntos possamos melhor apreciar o quão noviças são.
Jiacomo diz: Que ideia peregrina, meu bom e velho e casto amigo!
Bronswick diz: Saberia que iria concordar.
Bem, meu caro, tenho de preparar a missa do meio-dia
Tenho de me por nas putas! Ficai bem meu velho.
Jiacomo diz: Assim seja...
Eu tenho aqui duas pré-nubentes que se me querem confessar
Modernices…
Bronswick diz: Confessai em conjunto, é algo que em comunhão saberá melhor.
Bronswick diz: Mandarei o meu burro busca-lo por volta da alvorada de manhã.
Jiacomo diz: Esperarei
…seu burro
Pelas primeiras horas da alvorada
Bronswick diz: Sempre a considera-lo

Jiacomo diz: Desejo-lhe apenas
Uma boa continuação
Bronswick diz: Um bom e santo dia para si, Diácono amigo.
Jiacomo diz: Ide em paz, meu bom e velho e casto e douto e Santo amigo!
Bronswick diz: Em paz de com Deus nas costas daquela que ali vai... que belo par de almas tem!
Tenho de ir, tenho de ir! Chama por mim!
Jiacomo diz: Acredito na sua palavra!
Assim seja!
E que volumosas continuem
Bronswick diz: Fui-me com Deus
Jiacomo diz: Ide ide!


(Com a participação especial de anómimo amigo)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Harry Luciano James Alves (z) Potter Fonseca (ea).doc

Quem é o de facto o Harry Potter?


A escritora podia até ter sido acusada de plágio, ou de se ter baseado em factos reais, pois o que vão conhecer nestes dois minutos é a pura da realidade. Preparem-se para o pior, ou o melhor, visto que a história do pequeno Luciano Alves Fonseca, é de facto a realidade e dava vários livros.

Harry James Potter, de facto na vida real chama-se, Luciano Alves Fonseca, descende directamente da família Alvez, mas por ser tido um apelido perigoso para as classes mais abastadas no reino, em 1865 o nome Alvez, foi substituído por Alves e toda a família teve de mudar de nome e forma de andar. Esta família que se mudou para uma pequena aldeia no centro do pais (falamos de Portugal), de seu nome Aigra Nova, no seio da serra da Lousã. O jovem Luciano é tido desde muito cedo como um profeta, visto que adivinhava o futuro por meio de charadas complexas, que envolviam pedras cruas de xisto e construções de Lego. Não se sabe onde o pequeno encontrava as pedras de Lego, mas tendo em conta os amigos que tinha, por ventura teriam sido emprestadas, para no futuro serem devolvidas. O xisto era muito comum na casa onde vivia, junto ao rio Trancão. Lembrava sempre o avô, típico camponês que vivia naquela altura encurralado entre 4 paredes suburbanas, que tinha sempre a braguilha aberta, mas não duma forma simples, usando formas dissimuladas para o fazer, como por exemplo usando linguagem de árbitro de futebol de segunda. Com 5 anos formava castelos e inventava palavras, que mais pareciam jogos de faz-de-conta. Dizem vós: “…é normal, o meu filho faz o mesmo!” Não, não faz, pelo menos não na dimensão das que ele fazia, visto que conseguia demover pelo menos sempre cinco a seis indivíduos especializados da construção civil para construir o que ele carinhosamente chamava de: “O nosso castelo Humbertino”. Ainda está em construção. Será uma obra Gótica, mas vista de Norte para Sul, é um cubo com os cantos arredondados.
De facto a história é tão semelhante que aos 11 anos também recebeu uma carta dum director de circo, porque precisava de um rapaz pequeno para mexer nos aparatos do mágico. Hesitou no início, pois não sabia como o individuo tinha conseguido a morada dele, mas depois seguiu o seu instinto e sem dizer nada aos pais adoptivos, foi ao supermercado e comprou seis rolos de papel higiénico. Durante duas semanas preparou tudo e no dia combinado, fugiu. A vida no circo era dura, mas sabia que ia ter a resposta à marca de nascença que tinha no glúteo esquerdo. Sentia-se propriamente bem quando estava dentro das caixas e ouvia os Huuu e Ahhh de surpresa, depois dum bom truque. Quando cresceu e já não cabia nas caixas, o mágico prescindiu dele e passou a tratar dos elefantes. Foi aí que tudo fez sentido. Numa noite de lua, teve uma epifania e viu que o elefante com quem travava grandes diálogos a fazer o maior monte de esterco, de que há memória. No meio do esterco, uma luz chamava-o e foi ai que viu A luz. O elefante mirou-o e disse: “Sabes a marca que tens no glúteo? É a marca dum grande mágico!”. Fez um ar de espanto, pois o elefante falava. De facto assim era, o verdadeiro pai, oriundo por empréstimo do Zimbabué, não sendo de origem africana, tinha um semblante muito parecido com um gorila das mesmas partes de África. O pai era também ele um grande mágico, todos os que viviam com ele eram mágicos, era tudo mágico. Mas um dia foi assassinado por um crocodilo, ele e a mãe, que o ajudava em tudo, até na lida da casa. Família habituada a fazer tudo com as mãos, usando a mente, criaram o pequeno rebento, o herói da nossa história, até à idade de um ano, sendo depois raptado por dois elefantes de grande porte. Nunca mais foi visto, até que naquele dia, o elefante lhe contou tudo. Ficou a principio muito zangado, mas depois limpou o esterco. Tudo mudou para ele naquela dia. Mudou-se para uma dimensão diferente, ali junto à Trofa. Parecia tudo diferente e sabendo agora as suas origens, trabalhou desde esse dia em formas de conseguir alterar os alimentos em seres humanos voadores. A semelhança é atroz. Nada do que está nos livros da escritora é fantástico, é tudo real, só que traduzindo para um nível mais místico, visto que vende mais. Mas na realidade, o Harry, é o Luciano, que neste momento é conhecido como o Luciano da Trofa. Ninguém o vê, depois de entrar na casa do amigo Carlitos e durante dias ali ficam, juntos com outros tantos, fazendo as delicias de milhares de pessoas que também não são vistas, pois para entrar ali, é necessário passar pelo preenchimento duma série de impressos, que mais parecem ser dum filme que todos conhecemos.

Assim fica aqui desmistificada a verdadeira história do “Harry James Potter”, moço humilde descendente de famílias místicas e verdadeiras. E ainda não vos falei da família Fonseca… por isso podem imaginar o quão fantástico é o Luciano Alves(z) Fonseca(ea).