quinta-feira, 27 de maio de 2010

Noites

Mais um cigarro, um chuto no vidro e a conversa continua. Fala-se de tudo e nada se sabe, só o prazer de ver e cantar, num embalar de dias.
- O que fará um pardal dentro duma gaiola? Não sei, mas... Será tudo o mesmo? – Perguntava Almeires.
Porque a conversa é sempre a mesma. Mesma... conversa… era a mesma. Um dedo no ar e um litro de sangria, fazia a alegria das crianças. O vinho era duma cor amarelada, vindo dum pais estrangeiro que não sei prenunciar o nome, mas começava por M. A conversa agora mantinha o mesmo teor de há duas horas e nada se sabia mais do que já se tinha falado no início, mas tudo se iria compor, pois o Alves estava mesmo a chegar e aí tudo iria fazer mais sentido, mais que não seja porque tínhamos de mandar vir mais uma cadeira e um outro jarro de zurrapa. Esperei de braços cruzados, mas não muito por causa das mamas. Levantei-me, estiquei os olhos e fui verter águas. Quando voltei, o Alves ocupara o meu lugar. Armei tal confusão que vieram dois jarros. Sentei-me no canto da mesa e esperei alegremente pela 55ª cadeira. Tiveram de ir comprar uma… achei aquilo tão amoroso que fiquei com a cadeira pelo preço que foi comprada há 15 anos atrás. Sentei-me então e ouvi, ouvi e ouvi o que o palhaço do Alves tinha para dizer. Depois e muito educadamente, falei e disse tudo o que tinha para dizer. Ouviram-me como nunca e depois de tudo ser dito, virei-me para o chefe de sala e pedi a conta. Mal estava a pedir a conta, já o Alvino tinha pago tudo. Espetei-lhe um valente beijo na boca. Ele queria mais, mas o Alfronges ficou com ciúmes e retirou-se para fumar mais um cigarro, na varanda que dava para o átrio da escola. Daí, viam-se todas aquelas luzes que iluminavam a cidade, que repousava depois de um dia de azáfama, onde os fumos dos tubos de escape, tinham dado vez aos carros eléctricos que passeavam nas ruas com os respectivos homens que os conduziam e limpavam os dejectos deixados pela multidão de pessoas, que cruzavam as ruas num delírio embriagado de vertigem de tudo querer e nada puderem conseguir, numa correria sem sentido, onde o caminho é palmilhado sem saber bem para onde se quer ir, tendo como um único objectivo, chegar. Nisto, o Albertino dirige-se para a rua. Foi atacado por todos. Queria sair sem pagar. Mas como o Alvino já tivera pago tudo e assim, sem pestanejar, gritei que podia sair, mas não podia levar a minha carteira, pois continha duas notas de apreço da minha chefe e isso não podia ser. Tiramos-lhe os braços e depois deixámo-lo na rua, junto com os cães do Aldino. Os cigarros estavam a acabar e o vinho zurrapa estava no fim. Depois disso, só mesmo barbas de milho e vodka para temperar. Não ia ser bonito e saímos todos em bloco, sem se quer termos combinado. Os movimentos em massa são quase sempre feitos duma forma uníssona, sem preparação, sem se quer haver uma contagem, sem ser preciso olhar, sem pestanejar. O terrível disso é que o movimento é feito em passo acelerado e nunca duma forma ordeira. Tudo que estava na frente, foi e alguns dos artefactos que se encontravam especialmente guardados nas paredes, chão e tecto, foram alguns deles, não todos, alguns, arrastados para vários metros da porta de entrada. Ficámos para ali a rir e a balbuciar postas de pescada e outras coisas que agora não me lembro como se pronunciam. Fizemos as nossas juras e cada um foi para seu lado. Mais um jantar em que não comi nada…

terça-feira, 25 de maio de 2010

Espasmos 45

Mistura o teu olhar com a noite, e faz-te passar por uma bruma, que nunca desaparece. Faz-te dia, dentro da noite que vem sobranceira. Sobre o teu corpo, o manto azul, com a luz do luar de Setembro, que te cobre não só aquecendo-te, fazendo-te transpirar, como também de deixar ficar sem ar… Mas por favor, trás pão para o pequeno-almoço, TÁ?!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Bifes de lambesuga, com alhos descalços, em marinada de ovos de rosas.

Tempo de preparação: Um dia e três semanas
Custo: Duas coroas finlandesas (raras)
Inspiração: dois charros de black bombain
Outros pressupostos: Gargarejos de agua das malvas todos os dias antes de deitar fora as fezes do gato.


Ingredientes:
Várias cabeças de alho verdes descalços
4 kg de cebolinhas muito pequenas, tipo Pais da Maravilhas
Um punhado de cravinho em flor
Um cheirinho de noz-moscada da Gronelândia
15 Onças de bifes de búfalo morto pelo Wyatt Earp
3 pares de meias tipo lambesuga compradas na Feira de Carnide
Uma dúzia de rosas em ovo
250 grs de manteiga de vaca cansada em grão
100 dl de leite seco
Duas garrafas de vinho branco, tipo estrelinhas (são garrafas de litro)
Sal e pimenta: a abusar!


Preparação:
Junte o máximo de tachos que tiver em casa e disponha-os todos no chão da cozinha. Depois e com muita perseverança, salte para cima deles em queda facial. Sem medo! Escolha os que lhe fizerem mais marcas no corpo.

Entretanto unte uma forma de pudim com margarina da mais barata.

Escolha a maior frigideira que tiver em casa e dobre ao meio, para fazer uma pizza calzone.

Descasque como puder os olhos. Muita atenção nesta tarefa, terá de estar descalço! Se assim não acontecer, todo o prato perde o seu sabor. Depois de bem descascados, retire as partes verdes dos alhos. Se ficar só com um punhadito de alhos, não tem mal, pois o que interessa de facto é estar descalço.
Em seguida e com extrema paciência corte em 7 cada cebolinha. Quando assim estiver feito, reze. Já chega. Ponha tudo, os alhos e as cebolas numa frigideira obtusa e regue com muito azeite fudido. Deixe estalar e reserve em lume quase sem dar por isso. Forme uma bola de ranho e envolva no preparo. Quando tudo estiver homogéneo, apague o lume e espalhe na bancada da cozinha. Faça um rolo e muito delicadamente recite poemas do Dom Teso. Quando tiver um rolo tipo pila de elefante, deixe e não lhe mexa mais.

Num gesto de ilusionista, solte os bifes de búfalo, dos chumbos das munições de carabina dos tiros certeiros do famoso e muito alto, Wyatt Earp. Após essa tarefa, mal trate os bifes até ficarem chateados, mansos e moles. Se estiver cansado(a), descanse e volte para o ano. Senão, fique, mas descanse por amor de Deus! Após esta tarefa, finja que se vai embora e volte-se em seguida, num movimento belo e tipo amigos de Shaolin, dando uma estocada com a faca mais afiada que tiver, no monte de bifes. Só assim eles sabem quem manda. O búfalo é um animal muito teimoso… deixe descansar, por amor de Deus!

Em seguida retire todo o tipo de impurezas das meias de lambesuga, coloque numa vasilha de alumínio, daquele que dizem que faz mal e deite o vinho, envolvendo, até que este fique exactamente na mesma. Deite depois o rolo em forma de pila de elefante, mas com cuidado para não crescer muito. Misture tudo com veemência e sem apelo nem agravo, sem um pingo de decência e muito importante, com bruteza. Quando as meias estiveram ensopadas no preparo, não faça nada, diga só a quem quer que seja que não são para lavar.

Num dos tachos que lhe provocou dores infinitas, o maior por sinal, coloque-o ao lume e deite a manteiga em grão. Não canse muito a manteiga, pois já está. Deixe derreter até ter uma cor cinzenta. Muita atenção, não preta, cinzenta. Deite leite seco em poucas porções e vá deitando a marinada com as meias ao mesmo tempo (se não tiver mãos para tudo, peça ajuda, mas por amor de Deus, não se canse! Não somos esquisitos com isso). Vá deitando. Sim… mais! Isso! Mais! MAIS! SIM!!! MAIS!!! AHHH! Pronto, está bom. Deixe levantar fervura. Veja como estão os bifes falando com eles. Se responderem, não se assuste, é normal. Necessitam mais uma vez de saber quem manda e precisam mais uma vez de ser esfaqueados. Proceda com a mesma, caso a acção assim o determinar. Caso contrário, e depois de deixar levantar a fervura e estar tudo em ebulição no tacho, coloque os bifes. Um por um, com muita força, mas ao mesmo tempo com muita doçura. Ponha então e com ar triunfante, o punhado de cravinho e a noz-moscada, sem nunca hesitar, dum só golpe, assim, zás! Isso! Vê como se sente melhor. Pois….

O sal e pimenta, são colocados da forma como quiser e que as pessoas que vão pensar em comer este prato fabuloso, gostem.

Parta em dois os ovos de rosa. Sim, não é preciso fazer mais nada. Serão para enfeitar os cortinados da cozinha depois da merda que fizeram…

Sirva muito quente, para não darem pela falta dos alhos e em doses muito pequenas, mas muitas.




BOM APETITE!!!


Nota (de roda): Aceitamos sugestões todos os dias, mas não aceitamos os filhos dos outros.

Sempre a primeira.

Dedos,
Os teus dedos na minha pele,
Como mel,
Que sobem
E descem, crescem,
Os calores, os amores
De muito querer, de muito crer,
Sempre a
Subir,
Sempre a sentir,
A claridade dos teus ombros
Nus, crus
Sinto a roupa que descai, cai, sai, vai
Parte para outras paragens,
Miragens
De tanto calor estar, a suar, sem
Parar
Sempre a
Subir,
Sempre a sentir,
Num voar alto, e de um solto!
Toco-te…
Tudo pára, tudo paira,
Tocas-me…
Tudo corre,
Tudo escorre,
A queda dos corpos no chão, em montão…
Os lábios
Que se tocam, que se percorrem,
Procuram,
Duma lufada de tentação, ouve-se o coração,
O desejo, o cortejo,
De mais querer, de mais crer,
O amor,
O amar, o calor,
Penetra
Coração no meu amor,
Sente como tudo está quente,
Presente,
Sempre, num nunca mais querer parar,
O amar,
De nós,
Num só,
Nunca sós.
Grito o teu nome e fundo-me em ti!

Frases para colocar nos pacotes de manteiga, duma qualquer marca ®:

Um dia vou passar férias ao Tibet, basta que a minha avó veja a escultura que fiz para ela: O dedo de Deus a matar uma barata!

Um dia vou projectar um aparelho que consiga perceber o canto dos pássaros. Ai sim, vamos perceber muita da merda que andamos a fazer. Ou não…

Um dia vou almejar subir ao topo do monte mais baixo de todo o pais, para de lá gritar aos quatro cantos do mundo, dizendo a frase que mais trabalho me dê a criar: “Matança de porca em arrabalde da cidade mais virtuosa, edificada no século em que nada se passou.”

Um dia vou calar-me para sempre e viver nu com a tua irmã, mesmo que seja boa.

Um dia vou maltratar um conjunto de cabras, para que juntos possamos sentirmo-nos em uníssono com o que se passa por essas matas a fora. O entulho espalha-se por quilómetros…

Um dia vou rezar uma reza antiga, para que não digam que sou ímpio. Mas tão antiga, tão antiga, mesmo antiga, na altura em que nem se quer tinha sido inventado Deus.

Um dia vou comer fora. Mas mesmo fora, assim do género comida fora. Marada, por exemplo: Bifes de lambesuga, com alhos descalços, em marinada de ovos de rosas. (vide receita mais à frente, no capitulo XI)

Um dia vais-me ouvir e não é ouvir só por ouvir, é ouvir o que tenho a dizer à cerca da tua postura ultrajante, de marinheiro de águas moles. Aí vais saber o que é o bom Português! Oh infame homem das cavernas da serra da Malcata!

Um dia… bem, um dia… sim… vamos sim. Que me dizes?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Dia 2

A ida a casa das minhas tias, fez-me lembrar os tempos em que ainda na minha meninice, fazia casas para suínos, varandas para galinhas e beliches para coelhos. Certo dia, estava eu muito ocupado a fazer um banco para o cavalo do Dom Fuas Roupinho (o inventor o ABS), quando de repente surgiu, sabe-se lá donde, o nosso amigo Arturi. Vinha de muletas. Percebi logo, pois naquela altura eu era um alegre e entusiasta leitor de coisa alguma, tinha sido atropelado. Perguntei:

- Tu és… tu… és o Arturi!
- Sim… é verdade, sou eu.
- Sabias que eu nunca gostei de ti!
- Ai sim?

E como surgira, desapareci eu.
Viajei por montes e vales, numa cápsula feita dum material que não conhecia, que genericamente irei chamar a partir de agora de: merda! Quando dei por mim, estava em casa. Achei tudo aquilo muito estranho, mas não reparei. Aquela casa não era a minha, mas sim a casa da minha sogra. Achei mais uma vez estranho, mas optei discretamente por não reparar mais uma vez. Eu naquela altura não era casado, seria só e única e exclusivamente no dia seguinte.
Todos gostavam de me chamar, o Alpendre da Colher. Mas passados dois dias caiu em desuso.
Era sem duvida uma predestinação, eu de certa forma não queria entrar na casa da minha sogra, sem ter cortado as unhas, ou sem se quer ter morrido. Alguém ou alguma coisa fez com que este sonho se realizasse. Continuei surpreendido, mas não reparei. Assim como fora, fui ver a minha amada ao sótão, que estava a dormir, acção que vinha fazendo desde que tinha perdido o seu caracol. Ainda hoje foi ao papelão, trouxe quantidade suficiente para três mil caracóis. Mesmo com aquele insuportável cheiro a cartão, não o fazia trazer de volta. Contentava-se simplesmente com as suas fotografias. Um ida a Benidorm, com o falecido seu pai, um caracol genuíno do Algarve!
No dia seguinte, depois de ir para casa curar a embriagues, que tinha contraído numa despedida de solteiro, não a minha, porque eu não as faço. Acordei bastante mais cedo com o ladrar da minha irmã e o mugir da minha prima-irmã. Vesti-as, vesti-me e sai para o dia mais chato de toda a minha vida: O casamento da minha mulher. Logo por azar, vou ser eu o marido e pai das sete belas crianças que vamos ter…
Ainda não consegui perceber a ligação entre mim e os meus filhos. De tantos anos que os tenho, só consegui estar com eles, no total um ano. Mais de resto, ou se dorme, ou está-se no trabalho, ou na escola, ou com os avós, ou com os amigos, eu sei lá! Mas que raio é que eu estou cá a fazer? Vou voar…
Só me apetece ir para um sítio onde não conheçam a minha sogra!
O que eu gostava mesmo era de estar num porto mar, dum qualquer pais da América Latina, onde o cheiro da madeira retorcida, se confunde com o das uvas pobres pela acção do desespero, misturado com o cheiro de urina de gato albardado. Acho que partia logo no primeiro navio, barco, canoa que estivesse a sair naquele momento e ia sem rumo por esse mundo fora.
No dia seguinte fiz rumo ao trabalho.
Já estava casado e à espera de quatro filhos. A minha querida e bela mulher, tinha feito um tratamento de inseminação artificial e esperava quatro alegres pestes. Dizia com grande garbo: “Assim é mais rápido!”.
A minha vida corria às mil maravilhas, tal como estava tudo planeado, ou seja: MAL! Apesar disso tinha um sorriso nos lábios e uns óculos novos. Tendo em conta todas estas contrariedades, não esmoreci.
Despedi-me, divorcie-me, paguei tudo o que devia, matei a minha sogra e internei toda a minha família, mais a minha mulher, num hospício, daqueles baratos, onde não há casas de banho.
Após tudo isso, fugi e ainda fujo. Já lá vão dois dias e já estou em Atenas! É obra! Com o carro do meu vizinho, que habilmente roubei. Nunca um mini com 38 anos andou tão depressa; 150 km/h, numa das descidas dos Pirenéus! Que loucura! Têm sido difíceis a passagem das fronteiras, mas os meus dotes de camaleão, com os meus 16 passaportes falsos, mais os 543 bigodes e o estojo de disfarces que comprei na loja dos Chineses em Marraquexe, tudo ia correndo às mil maravilhas.
Já há duas semanas que fujo. Acho que chega…
E acho que me enganei no navio. O nome não me é estranho: “SAGRES”.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Maltratei a minha alma e deu nisto

Num estado de espírito encravado no mar profundo de gotas de água, cheias de sal e medo, cravo os meus medos, numa enseada escondida de todos, onde só os bons estão, onde só os que nos escutam sentem o que nos vai na alma, no nosso intimo. Por ser tão fundo, é escuro, mas claro e evidente como a claridade do sol do meio-dia, seja aqui, ou no Nepal, desde que não pareça mal.

É com este estado de espírito repleto de manobras esquivas, por não querer ser o que todos acham que podem saber, que mergulho, bem fundo e oiço as vozes da profundidade, em gritos histéricos, abafados pela surdina da profundidade, mas tão alto como o pássaro que voa lá no cimo. Calo-me e espero. Espero que venham e, me comam, que acabem de vez com isto tudo, que tratem de tratar do que já está tratado, mas demora, que sigam os seus caminhos sem nunca olhar para trás, só em frente e para sempre!

Neste estado de espírito que vos digo: esta merda é muito boa! Mas engorda…

Quem se preocupa com isso?



Já dizia uma pessoa que conhecia: “Se não queres estar de cabeça erguida, segue os passos de quem sabe.”



Olho-te duma só vez, sem ter a certeza que o olhar chega, sem saber se o olhar basta. Tudo parece ser tão pouco, as palavras, os gestos, os olhares, o toque, o que sentimos, o que não sentimos, tudo é … sem quantidade. Tudo não tem quantidade, quando comparado ao que é de facto. Não há quantidade, não há palavra, não há gesto, não há saber, não há nada, NADA, que consiga definir o nosso sentir. Por mais voltas que queiramos dar, nada irá superar, o nosso amar!

È a primeira vez que aqui ponho... Neste meu mundo que me acompanha e só eu o conheço.

Enfrentamos com coragem o mar revolto, que com árduo esforço, queima-nos os braços, com a força de mil homens, saltamos as vagas, sem parar, sem cansar. O mar, em abraços de força bruta, cerca-nos, envolve-nos, alcança-nos, sempre e mais uma vez. A água saldada, gelada, fria, pela madrugada, penetra nos ossos, no âmago, mantendo sempre o coração quente, sente, pelo calor dum amar, profundo, sem parar, com rumo, segue-se o brilho do olhar, esse amar, esse nosso amar. Perdemo-nos para sempre, nesse mar sem nunca parar. Seguimos em frente… sem fim e… com o nosso rumo!



Rimas populares:
Albertina, Albertina, já que vais à cozinha, com essa cara linda, trás mas é o pão!
Oh sol que no horizonte vais baixo, arranja-me lá um cigarro…
Estava em casa a pensar em ti, vi e li, só não comi.
Pelos prados do Outono amarelo, vejo-te, estás com a Maria e o Tó!
Numa manhã de Primavera, subo as escadas da felicidade, quando estou aflito, borro-me.
Venham, venham ver, um boi que sabe ler e uma vaca que sabe ladrar.
Escuto com atenção o que o pássaro me diz, diz que somos lindos, diz que somos parvos…
Na cidade deserta, uma alma perdida pede na esquina, será a minha prima?
Alvejo um grande coração vermelho, com a certeza de acertar, preparo a flecha e como um croissant.


Sempre quis começar uma história com: Mesmo…
Agora que o posso fazer, perdi a história e encontrei a estória. Não sei o que fazer… Tenho de encontrar uma língua que não tenho duas, ou mais versões da mesma merda! Bolas, estou farto disto!


Era um dia bonito, em que todos sorriam e eram felizes. Os que iam a caminho do trabalho, sorriam com toda alegria, os que ficavam em casa, riam-se por os outros irem trabalhar e os que não estavam a fazer uma coisa nem outra, estavam contentes, mas realmente o que interessava, era a felicidade das pessoas e as palavras que proferiam. Palavras de ordem: “Estamos felizes! Estão felizes!” – Ecoavam nas paredes dos prédios sem cor e nas avenidas cheias de alcatrão. Os pássaros cantavam e comiam das mãos de quem passava, passando largas quantidades de doenças graves e tudo era bom e feliz. Um sentimento de positivismo exteriorizado pelas acções e reacções.
No seio desta grande festa, um menino, pequenino, de barba branca e cabelo escuro, dizia: Do que é que se riem?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Canções de amor

Não há nada como uma bela canção de amor!

Pavement Saw Big Black (No album Pigpile, que dopois surgiu mais tarde no album Songs about fucking!, um verdadeiro algum de músicas de amor!)

She went through me like a pavement saw
And I feel stupid 'cause I was so stupid about it
She went through me like a pavement saw
And I feel... stupid 'cause I was so stupid about it
She smokes so self-contently
Makes me sick
But she's so pretty that I can't resist
She likes to suffer, she's has nothing to do
Can't hate the chick 'cause she's got no sense
She went through me like a pavement saw
And I feel stupid 'cause I was so stupid about it
She went through me like a pavement saw
And I feel stupid 'cause I was so stupid about it



terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Paz à sua alma...

haloscan Fechou...

E agora? Como é que xe bota comentários nesta cena?

Frases que tornaram pessoas famosas e ainda mais carrancudas.

Escalo a tua consciência trepando os caracóis da tua sensualidade.
Anónimo (Português)
Anônimo (Brasileiro)


A inspiração é um volante para a sua sabedoria?
Uma pergunta num Jornal local.


Caço pardais de manhã e inspiro-me em tudo o que oiço, inclusivamente nas pessoas que não falam.
Um escritor muito famoso.


A tua inveja roça-me os tomates!
Dona duma peixaria no Bulhão


Eu vejo tudo através do espectro da minha imaginação e depois carrego no botão!
Operário fabril.


Penso o que penso, por pensar que nada pensaria se pensasse de forma mais obtusa.
Um individuo. (Em Português)
Um cára. (Em Brasileiro)


Saber demais torna-nos mais inertes e menos afoitos a conseguir duma forma racional o que se pretende. Terão de usurpar o tempo, concluindo sempre duma forma eficaz o labor rigoroso em que se empenham.
Empreiteiro


Adeus e até ao meu regresso.

Nota de rodapé: Há quem diga que comer cascas de limões verdes, faz bem à saúde, mas ponho aqui algumas reticências. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... (Acho que chega... ... ... ... ... ... ... ... ... ...) (É do tédio... ... ... ... ... ... ... ... ... ...) (Dá-me para isto. Mas podia ser bem pior. Quiçá.)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Tédio Manuel Esteves Retério Temporário Permanente

Nascido numa pequena aldeia no meio do nada, filho de Repetitivo Retério Temporário Permanente e Seca Infastiada Esteves, no ano longinquo de há muitos anos, quase esquecidos, sem ter muita noção de que ano.

O seu caracter é apagado, sem grande vontade para fazer o quer que seja, denota um certa falta de ânimo para fazer o quer que seja, sempre com muito para fazer, não fazendo nada. Desde pequeno que passeia horas sem fim, pelos campos abandonados, ou pelas estradas que não levam a lado nenhum. Com muita tedência para entediar quem quer que se apróxime dele. Tédio, que desde há muito não tem grande facilidade em fazer amigos, nem se quer muita vontade de os fazer, pois acha que é muito chato falar com quem quer que seja, mesmo que isso demore horas a fio. Fala dum assunto que nada tem de interessante, que nada contribui para a vontade de fazer alguma coisa. Muito parado e repetitivo, soma as horas, como quem coleciona selos sem imagem, como quem diz a mesma palavra vezes sem conta e sem dar por isso.

Conta-se que Tédio era muito apreciado pelas tristes almas que viviam numa aldeia próximo, que passavam dias, até meses, numa toada repetida, a voltar folhas em branco, contando-as. Pessoas infelizes, que tomadas pelo sentimento inerte, sentiam-se frustadas e assim entendiam, ou acarinhavam o Tédio Manuel, como seu filho.

Dotado duma estranha apetência para a solidão, consegue estar calado, triste e enfadado, sem nunca pestanejar. O seu caracter apagado, sempre muito enjoado, sente-se a definhar, sem puder controlar, mesmo que isso leve a solidão e a um sentimento de vazio.

Rapaz franzino, fraquinho, conseguia por mal, triste e só, um, ou outro amigo, mesmo sofrendo de hiper-actividade, com um simples discurso sobre nada, ou mesmo sobre assunto qualquer, desde que fosse sobre o mesmo assunto e falado repetidas vezes.

Em adulto, seguiu a carreira de técnico de contas e consegue estar triste e enfastiado em toda a sua actividade, repetindo a mesma conta, vezes e vezes sem conta, só com o intuito de repetir e assim, ser entediante.

O seu futuro, será um tédio, mas tédio é, Tédio será, sempre e sempre, sempre, sempre , ssempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre e sempre... e... sempre, sempre, sempre... e...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Hoje...

... comer as tuas entranhas, decepando membro por membro, numa calma celestial, com um sorriso nos lábios, eu te amo, por dentro e por fora, duma cadência mecânica, quase minimal, sem pensar nos preconceitos, seguindo pensamentos mórbidos de calar o Diabo, mas com a fúria de Deus e a raiva de mil tubarões.
Oh suave corte de fio de faca afiada, que te penetra docemente, sente, sente, o aço frio que te trespassa, crava-se nos teus ossos e encrava, ou parte, as fibras quebram, o sangue escorre, pinga nos lençóis, brancos, imaculados, dum branco das nuvens de Verão. Sim, morre, morre devagar, suavemente, como quem não tem pressa.
Pedes num ultimo suspiro: mata-me devagar.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Porra!!! É TÃO BOM!!!!!!!!

Hooker with a Penis - Tool




I, met a boy, wearing Vans, 501s, and a
Dope beastie-tee, nipple rings,
New tattoos that claim that he
Was OGT,
back in '92,
from the first EP.

And in between
Sips of Coke
He told me that
He thought
We were sellin' out,
Layin' down,
Suckin' up
To the man.

Well now I've got some
Advice for you, little buddy.
Before you point your finger
You should know that
I'm the man,

And if I'm the man,

Then you're the man, and
He's the man as well so you can
Point that fuckin' finger up your ass.

All you know about me is what I've sold you,
Dumb fuck.
I sold out long before you ever even heard my name.

I sold my soul to make a record,
Dip shit,
And then you bought one.

I've got some
Advice for you, little buddy.
Before you point your finger
You should know that
I'm the man,

If I'm the fuckin' man
Then you're the fuckin' man as well
So you can
Point that fuckin' finger up your ass.

All you know about me is what I've sold you,
Dumb fuck.
I sold out long before you ever heard my name.

I sold my soul to make a record,
Dip shit,
And you bought one.

All you read and
Wear or see and
Hear on TV
Is a product
Begging for your
Fatass dirty
Dollar

Shut up and

Buy, buy, buy, my new record
Buy, buy, buy, send more money
Fuck you, buddy.
Fuck you, buddy.
Fuck you, buddy.
Fuck you, buddy.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sombras que abalam

Sombras que abalam o meu ser, ser gracioso, mal feitor, que transforma o bem, no infinito mal. Revitaliza a boa memória de tantos anos, apagada por segundos de sofrimento, só imagens de dor e sorrisos de amor. Aí profundo sentimento que inunda a psique duma forma saguaz de recordações vibrantes, sorridentes e ternas. Mas vou passar o rio, a pé ou a nado, rápido para ser agora, não amanhã, hoje.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O que há por detrás...

O que há por detrás do nosso pensamento relativo ao que se pode pensar e não se sabe?

Nada! Rigorosamente nada! Quem afirma que sabe, é um palhaço! Ou tem vergonha de não saber, ou acha que saber é bom para fazer novas amizades. Mas esses, não me enganam! Conheço-os à distância! São uns falsos e nada sabem e tudo acham que se podem saber. São uns falsos! Tipos como esses deveriam ser enterrar de pernas para o ar em covas aladas, cravadas de pregos ferrugentos, ou em cimento armado, parvo. Estes tipos revoltam-me, remexem com as minhas entranhas. Salta aos olhos, são impostores. E quando se põe a inventar? Do género: “O que estás a pensar não é realmente o que querias dizer e eu sei o que querias dizer, só que não consegues porque não está ai, não estás a apanhar, não sabes, mas eu sei.” Fico irado! Há individuo mais petulante, que o individuo que profere estas palavras?

Há.

Há aqueles indivíduos, seres humanos, Homens, gente, pessoas em geral que acham que andar descalço faz bem ao pé chato.
Essas pessoas são duma índole muito duvidosa. Mesmo muito. Cuidado gente deste mundo. Há pessoas assim, por ai. Cuidado! Depois não digam que eu não avisei.

Bom dia e descansem a alma sana.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

É tão certo como eu me chamar...

No tempo em que todos faziam fogueiras, tu eras a minha homosapiens favorita. Hoje és a minha razão de viver, a razão de ser o que eu queria que fosse, a ideia que eu tinha de quem pode ser, e viver, a ter todos os dias falta de estar. Desde os tempos das invenção da roda que nada foi igual. A roda veio trazer vida a tudo que nada vivia, que estava adormecido, passou a ser mais rápido chegar onde quer que fosse, nem que fosse só por ir. Queria tanto ser roda, mas daquelas das carroças, que são mais puras, pois são imperfeitas. Identifico-me muito com esse tipo de rodas. Não gosto de nada das rodas dos carros de hoje em dia, são demasiado redondas. Se bem que não posso ser e por isso vou-me dedicar à caça de insectos grandes. Depois, com o tempo e a experiência, abrir um restaurante, ser famoso e viver numa casa muito grande. São estes os meus planos. Sei que para o conseguir terei de ficar bem mais alto, mas pelo menos gosto de ter a certeza que sim.

Dá-me vontade de comer lasanha quando penso assim.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sobra uma sandes, alguém quer? É de quê? Nada...

“Quanto mais olho, menos vejo!” - Diz um cego, no alto daquelas escadas. Resultado, duas costelas partidas. Deviam ter vergonha os Srs. das tascas que vendem vinho a qualquer preço! Abaixo os Srs. das tascas que vendem vinho a qualquer preço, sem nunca pensar que por detrás do balcão pode estar uma barata esmigalhada no chão e um cego a beber vinho! Abaixo! Malditos!
A bem dizer não sei se era do vinho, mas uma coisa é certa, a ultima coisa que o cego disse antes de cair, foi: acho que deixei a bengala da tasca...


Uma fuga de informação fez com que todos os mais dotados de provérbios potentes, se escondessem por entre a folhagem rala, como a barba que traziam. Nas costas levavam as suas mochilas e no ombro um balde cheio de ranho de porco. Daí surgiu a canção:
Andorinha do monte
Que vais sem norte
Faz um charro grande em monte
Que bata bem forte!
Passados dois dias a fuga foi encontrada e tapada com azevinhos maduros. Ninguém sabe agora um provérbio tão potente como o que preferiu o Sr. Gracindo:
Quem trás um tijolo na mão, ou trás vento ou um limão!

Sopra o vento naquela colina, suave e metediço, não respeita folhas, nem vagens, só o pólen das laranjeiras em flor, que cai certo, no chão repleto de folha e vegetação velha, castanha, que contrasta com a verdejante cor do vómito do bêbado...

O cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão, o cão... o cão.

- O Sr. desculpe, mas sabe-me dizer que camelo é aquele?
- Sei...

Uma das mais raras aparições de gente já morta, foi num congresso. Compareceram em grande número. Os sacanas comeram tudo o que havia e os outros pobres coitados, ficaram só com as sobras. Não se faz! Hoje em dia, nada disto pode acontecer, pois saiu uma lei que proíbe este tipo de acontecimentos públicos. Estas festas são neste momento realizadas com segurança privada.
Ainda bem.

Chega de falar de coisas parvas. Vamos a assuntos sérios.

Sérios.
(nada...)
(nada? mas nada é algo...) (nada...)(nada é tudo, mas tudo mesmo, que se torna em nada!)
(vá lá, ou menos é nada)

Bom dia! Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

Onde estavas tu em 84?

Tiro neste momento A conclusão de tudo isto! Agora tudo faz sentido, quando penso que em 1984 eu via com entusiasmo efervescente, um pequeno programa que dava num dos canais públicos, o qual dava pelo nome de: A “iárvore” dos Patafurdios!
A música mais usada no programa, tinha a seguinte letra:
"Por incrivel que pareça...
Por incrivel que pareça...
Nao ha nada, nao ha nada...
que nao nos aconteça...
Oh sorte malvada...
que vida desgraçada...
Ai ai ai ai "

Assusta?

Não sei. Mais provável é não assustar, mas uma coisa é certa, pelo menos não matava tantas pessoas como agora....

Ficam aqui uns pequenos vídeos, que estão disponíveis no
  • Youtube
  • (consegui este patrocínio. Foi difícil, mas consegui!).






    Nota de tecto:
    Não é aconselhável o visionamento por pessoas nascidas depois de 1984.

    segunda-feira, 7 de setembro de 2009

    Bom, muito bom, excelente!

    The Horrors - "Who Can Say"



    I never meant for you to get hurt
    And how I try, oh how I try
    I could never give you just what you deserve
    Another man would surely learn

    I know these words may only serve to twist the knife
    but I'll strive to make them heard
    Maybe it's better now I've gone away
    Maybe it's not, oh who can say

    And though it's hard for me to say
    I know you're better off this way

    And when I told her I didn't love her anymore
    She cried
    And when I told her her kisses were not like before
    She cried
    And when I told her another girl had caught my eye
    She cried
    And then I kissed her with a kiss
    That could only mean goodbye

    And though it's hard for me to say
    Maybe you're better off this way
    And though it's hard for me to say
    I know you're better off this way

    Get away!
    (repeat)

    sexta-feira, 14 de agosto de 2009

    Coisas do ca...

    Tenho de conseguir ver o código de barras nas calças, aproveito e vejo que tipo de cuecas que ela usa. Isso é primordial.
    Cheguei-me perto e disse-lhe que tinha de ver o código, que se encontravam na parte de trás. Ele estranhou, mas mostrou. Claro está que não tinha cuecas. Fiquei muito perturbado, sabendo que só havia uma fina camada de tecido entre o mundo exterior e o céu. Mas tentei disfarçar. Disse-lhe duma forma carinhosa que estava tudo em ordem e ela sorriu. Fiquei com a sensação que não ia conseguir que ela me escolhesse, no entanto mantive a esperança.
    Mais tarde no bar da porta 18, encontrei-a. Meti conversa com ela. Ela disse-me olá, mas baixou logo os olhos. Sentei-me no outro lado do balcão e tentei ignora-la. Não consegui evitar. Passados alguns minutos olhei-a e esperei. Claro está que ao sentir-se observada, olhou na minha direcção e eu disfarcei com um olhar sobre o horizonte. Ela sorriu e baixou de novo o olhar. Pensei que seria muito ousado aproximar-me. Assim sendo enviei um guardanapo a pedir licença. Em vez de o dar ao bar man, não, atirei. Foi cair junto da velha mais feia das redondezas e planetas de todas as galáxias. Pedi desculpa e sai a correr. A magoa forte no meu peito corroía-me e nem olhei para trás. A velha ficou tão triste que morreu na hora e a moça... a moça nunca mais a vi. Só passados anos é que percebi que devia ter confiado no bar man.

    Moral: Muda de profissão.