sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Coisas do ca...

Tenho de conseguir ver o código de barras nas calças, aproveito e vejo que tipo de cuecas que ela usa. Isso é primordial.
Cheguei-me perto e disse-lhe que tinha de ver o código, que se encontravam na parte de trás. Ele estranhou, mas mostrou. Claro está que não tinha cuecas. Fiquei muito perturbado, sabendo que só havia uma fina camada de tecido entre o mundo exterior e o céu. Mas tentei disfarçar. Disse-lhe duma forma carinhosa que estava tudo em ordem e ela sorriu. Fiquei com a sensação que não ia conseguir que ela me escolhesse, no entanto mantive a esperança.
Mais tarde no bar da porta 18, encontrei-a. Meti conversa com ela. Ela disse-me olá, mas baixou logo os olhos. Sentei-me no outro lado do balcão e tentei ignora-la. Não consegui evitar. Passados alguns minutos olhei-a e esperei. Claro está que ao sentir-se observada, olhou na minha direcção e eu disfarcei com um olhar sobre o horizonte. Ela sorriu e baixou de novo o olhar. Pensei que seria muito ousado aproximar-me. Assim sendo enviei um guardanapo a pedir licença. Em vez de o dar ao bar man, não, atirei. Foi cair junto da velha mais feia das redondezas e planetas de todas as galáxias. Pedi desculpa e sai a correr. A magoa forte no meu peito corroía-me e nem olhei para trás. A velha ficou tão triste que morreu na hora e a moça... a moça nunca mais a vi. Só passados anos é que percebi que devia ter confiado no bar man.

Moral: Muda de profissão.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Carlos

Carlos, esse nome tirano. Tudo de pode dizer sobre este nome. A história fala sobre este nome como sendo o mais tirano, o mais profano e o que é sinonimo do mal. Senão vejamos:

António Carlos Oliveira Salazar
Adolf Karl Hitler
Karl Marx
Josef Karl Satalin
Estaline Carlos
Aníbal Carlos Cavaco Silva
Carlos Gengis Khan
Pol Pot de Carlos
Carlos Castro
Bin Karlin Laden
Carlos Filipe Fidel Castro
Jorge Carlos W. Bush
Carlos Filipe Fidel Castro
Carlos Cruz
Carlos Jorge Bush
João Carlos Paulo II
Karlus Vlad III the Impaler
Henry Kamen Karl
Karl Heinrich Himmler
Pedro Carlos Alonso Lopez
Charles Henry Lee Lucas
Tomás Carlos de Torquemada

estes e muitos outros em que o nome concomitante Carlos foi abafado por ser maléfico.


Um dia falarei sobre o nome: Jorge.

Aviso à circulação

Estou fora de circulação. É só o que tenho a dizer... Nada mais!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Era uma vez...

Era uma vez um homem…

- Ah, vá lá, consegues ser mais original que isso!
- Já te disse que não te quero aqui!
- Mas...
- Nem mas, nem mais meio mas! Não te quero aqui! Já disse!
- Mas...
- Mas outra vez?
- Estou triste e vou-me embora.
- Fiquei agora cheio de pena de ti... Oh, coitadinho!
- Adeus!
- Baza!

Era uma vez um homem que vivia a sua vida duma forma silenciosa. Tinha poucos amigos...

- Vá lá, deixa lá...
- Ainda ai estás?!
- Não quero que fiques chateado comigo, só quero que tudo corra bem, nada mais.
- Vais, ou não vais?
- Agora que perguntas, digo-te: não vou!
- Então está bem.
Era uma vez um homem que me chateava tanto a cabeça...
- Pronto, eu vou.
- Tens medo que eu possa dizer de ti, é isso?
- Não! Eu não tenho medo de nada!
- Muito bem.

Era uma vez um homem que me chateava tanto a cabeça e tive...

- Pára! Não digas mais. Eu vou... triste e pesaroso, mas vou.
- Sim, vai e vê se não voltas. Ficaria por demais feliz.
- Eu, logo eu, que tanto fiz por ti. Não entendo.
- Claro...

Era uma vez um homem que me chateava tanto a cabeça, mas tanto que tive de seguir com a minha modesta vida, e honesta e sem ter de recorrer a estratagemas mirabolantes, sem ter de recorrer a mentiras sagazes, queria ser eu pela primeira vez. Assim fiz...

- Não estou a perceber onde queres chegar...
- Eu não acredito! TU ainda aqui??!! Podes ir embora, por favor?
- Oh! Não queria incomodar a tua genialidade. Desculpa, sim, desculpa-me, peço-te desculpa, não foi por mal, sim?
- Pára! Chateias-me!
- Eu vou, sim, eu vou e... bem, vou-me e pronto.
- Finalmente! Já era sem tempo!

Assim fiz. Pus-me no caminho da minha consciência, enveredei por caminhos mais simples e menos tortuosos, ou seja, passei a comer mais peixe e a por menos sal na comida. Tem sido...

- Mas o que uma coisa tem a ver com a outra?
- TU?
- Desculpa... sim, eu tinha prometido, mas sabes que eu não suporto ver-te a arruinar um texto desta forma... Fico pensativo e julgo que está a falar de outras pessoas que conheci.

E mais uma vez…era uma vez um homem, que já nem sei se era mesmo mas que era chato. Entrei nos meus pensamentos estapafurdiamente incógnitos e de repente vi…

-Ah! Desculpa interromper, mas tu não viste…foste visto!
-OUTRA VEZ? Parece-me que é hoje que vou ter de desencantar de mim um sentimento de revolta quiçá atroz para com a tua pessoa.
-Bah! Sim…já sei… vou embora! Tenho pena em ver-te a afundar num estado de tortura literária.

Vi que poderia ser uma pessoa diferente, sorrir mais, fazer exercício físico e de vez em quando ir ao parque ver as pombas defecarem nas estátuas imóveis até ficarem de cor esverdeadamente branca.

-Psstt! Mas isso é uma cor nova?
-Eu não volto a falar de modos modestos contigo.
-Logo eu que sou tão teu amigo, ouve-me por favor!
-Amigo? Tu?
-Claro!
-A sério, não entres por esses caminhos sem saída. Já falamos sobre isto à umas linhas atrás, recordas-te?
-Esquece o passado!
-Mas ESTÁS PARVO?
-Mas…
-BAZA, SOME-TE, ESFUMA-TE!
-Como queiras…mas…
-Ssshhhhiuu!
-Mas…
-Cala-te!

Seriam essas novas atitudes que me fariam recuar e ponderar o que fiz anteriormente. A busca pela nova pessoa que queria ser, e sabia que por fim iria encontrar-me. Um calafrio percorreu-me a espinha…sim! Era eu! Tanto que me quis encontrar. Mas porque estarei eu metido dentro de uma escorregadia e perfumada caneca vitrificada que me espeta os olhos de tanto ardor? Ah…descobri que…

-Eu não disse? Eu avisei!
-Vais morrer!
-Morte natural ou provocada? É que estou cheio de medo!
-Desaparece de vez! Olha que não respondo por mim! E dizes-te meu amigo..pois sim!
-Tem calma, sim? Só vim buscar os meus chinelos de quarto.
-Leva tudo e desaparece!
-Já estou a ir…mas…estou mortinho para ver onde te vais meter com os teus…
-Com os meus quê? DIZ! FALA!
-AH! É melhor não. Não quero estragar a surpresa.
-Cobarde!
-É, É! Chama-lhe nomes!
-DESAPARECE JÁ!

Descobri que podia ser feliz e a redoma que me envolvia, protegia-me de intempéries, picos, espinhos, lavagantes e da crescente vaga de crimes inidóneos. Sabia e soube sempre que a minha vida teria de ser mantida fora desta vitrina que me isola, mas não queria estar exposto...

- Oh! Que fofo... Tenho quase pena de ti... Coitadinho.
- Bem, bem! Tu queres ver que te vou aos fagotes?!
- Não te enerves, que faz rugas!
- Estás a gozar?
- Não, estou a ri-me de algo que li ontem em casa dum amigo.
- Já tens os chinelos? Podes agora ir?
- Já. Vou-me deitar. Vens?
- Que pergunta! Claro que não!
- Anda lá...
- Cala-te, já disse! E vai-te!

Não queria ficar exposto a tentações externas, a mal feitores maliciosos, que prevaricam a minha mente vazia de engarrafamento, não conspurcada pelo assaz assombro de estar sempre a dizer mentiras, ou, muito simplesmente, só porque não tenho dinheiro. Assim, tal como noutros dias em que me tornei forte, livre de preconceito e libertei-me.
Para além de ter saído do frasco, vitrina da vida, livrei-me da minha irritante consciência e zarpei a todo o gás pela auto-estrada da vida a sós. Tentei embevecer-me e concentrar-me no que tinha dito à momentos. Talvez numa tentativa errática de querer deambular por esse caminhos obscuros, tenebrosos, tortuosos, complexos e ansiosos por novas descobertas.
Sai. Cá fora está bem mais frio. Devia ter trazido um agasalho. Palmilho tudo com cuidado extremoso. Tudo me é muito desconhecido, tudo me é estranho, nem sei bem por onde começar. Tendo um objectivo em mente: tomar uma bebida forte, sem ser preciso pedir.
Tal como estava, fui. Pedi as chaves de casa a um estranho. Com relutância cedeu-mas. Ainda lhe perguntei as horas, mas achou que eu estava a abusar e bateu-me com força no rabo. Gostei.


- OK! Já chega! Estás a ir por caminhos que eu conheço. Estás a querer dizer algo que não tenhas coragem de dizer cara a cara?
- Se voltas a aparecer aqui, eu faço-te em picado! Te garanto!
- Eu até gosto de empadão...
- Tu...!
- Estou a ir, estou a ir... Ai, não se pode brincar, que susceptível!
- É agora que te vou matar! Anda cá! Ah! Agora foges! Ai se te apanho desfaço-te!

Entrei numa sala escura que tinha uma luz ao fundo, portanto era uma sala semi iluminada…ou não? Ai que dilema da vida! Penso nisso depois. Algo me incomodava a parte traseira e não sei bem explicar o que era. Fiquei farto daquela sala, era semi escura e não gostei do papel de parede. Desci. Apeteceu-me de repente ir andar naqueles autocarros de turistas com capota descoberta (não sei explicar lá muito bem o nome técnico). Subi. Consegui ver o horizonte. Era belo e bastante extenso visto a partir dos intervalos dos prédios. Aahhh…que perspectiva! Parou. Desci. Continuei a caminhar e deparei-me em frente de uma lavandaria. Decidi livrar-me da minha sombra. Faz-me mais gordo dependendo da posição do sol. Deixei-a a porta da lavandaria para uma lavagem a seco ou manual, conforme as senhoras desejarem porque a sombra não é esquisita. Pode ser que depois volte a querer usá-la.

-AAAHHHH! Palmas…não…a sério…palmas. Finalmente admites!
-Admito o quê?
-Que te sentes sujo!
-Olha, estás bem?
-Perfeito!
-Não parece.
-Mas admites ou não?
-Admito o quê?
-O que disse antes.
-Oh!
-Quem cala, consente!
-Mas eu não disse nada.
-Exacto!
-Vai-te embora…por favor. Deixas-me exausto!
-Por isso é que dizes a verdade. Acho que sendo assim fico!
-Não ias dormir, deitar a cabeça na almofada, ir para a terra dos sonhos e tal?
-E perder este maravilhoso espectáculo? Não me parece.
-Só sossegas quando me vires em ponto de rebuçado não é?
-Depende…
-De quê?
-Explodes é?
-Não…
-Então?
-Dou-te um murro e ficas com os dentes colados…que tal?
-Ah bom! Não precisas dizer mais nada.
-Então vais embora suponho!
-Vou…mas volto já para buscar a lâmina da barba.

Na praça contígua, encontrei uma estátua. Era duma mulher nua. Fiquei excitado, mas depois de ver a parte de trás da estátua perdi a excitação. Pensei de novo na casa onde tinha estado e subi de novo para o autocarro (Ah! Lembrei-me no nome: Hop On Hop Off. Eu sabia que ia acabar por me lembrar.) e saí na última paragem, pois já não me lembrava onde tinha subido, quando sai da casa do estranho. Entretanto como tinha travado conhecimento com uma estrangeira no autocarro, cedi-lhe as chaves da casa e disse-lhe que a casa ficava na cidade. Ao que ela ficou muito agradada. Sei que iria dar com a casa por certo, pois numa cidade como estas, onde vivem cerca de 3 milhões de pessoas e há duas a três casas por pessoa, seria de facto uma tarefa fácil. Senti-me aliviado e feliz.
A fome apoderou-se de mim e conhecia um restaurante muito bom na zona. Dirigi-me para lá. Era perto da casa do desconhecido. Engraçado, agora tinha reparado que já sabia onde era a casa e vi as chaves da casa do dito desconhecido, no chão. Fiquei triste, pois sentia-me sem rumo e sem sentido. A estrangeira tinha recusado a minha, nossa, hospitalidade. Mas de qualquer forma, peguei nas chaves e dei a um mendigo, que prontamente mas devolveu a dizer que não aceitava. Eu não sabia o que fazer com a porcaria das chaves...


- Ainda as tens?
- Desculpa?
- Se ainda tens as chaves?
- Oh meu grande anormal! Isto é uma história e é tudo inventado. Não consegues entender isso?
- És cruel...
- Bem, vejamos. Estás a ver esta faca?
- Não estou a entender...
- Não? Parece-me bem que sim.
- Não estou, a sério que não estou. Estás a deixar-me preocupado.
- Ah! Agora estás preocupado! Sim, sim, entendo. Pois meu caro amigo, eu avisei e agora não há ponto de retorno.
- Mas... e a nossa amizade? E nós? Não! Não faças isso... Eu vou-me embora, sim, eu vou. Pára! Arghhhh.
- Hum... que giro, estou a sentir uma faca a espetar-me na barriga.
- Arghhhh... claro… Arghhhh... é normal, eu sou só a tua consciência, logo eu sou o teu corpo... Arghhhh...
- Hã? Não estou a entender... és o quê? A minha consciência? Ahahah! E queres que eu acredite nisso? Isso é truque meu amigo. Bolas, que está a doer um pouco... Que estranho…
- Pára! Tu vais morrer assim... Arghhhh...
- Eu? Espera, deixa ver uma coisa. Acho que tens razão... esta é a minha barriga, esta é a minha mão e nela uma faca que penetra vagarosamente dentro do meu corpo. Oops! Isto não é nada bom...
- Eu nunca pensei... Arghhhh... que fosses tão estúpido! Bolas! Ainda bem que vou-te abandonar. Que és tão parvo! Bem… Arghhhh... tenho de ir. Adeus.
- Mas... mas... e... eu... Arghhhhhhhhhhhhh.


Texto conjunto
Autores:
J - PERFEITAMENTE IMPERFEITAS
Forass - Formiga Assassina

terça-feira, 9 de junho de 2009

Who is who

- Ergue-te e anda! - Disse o Senhor de roupas flácidas.
- E eu? - Pergunto ao mesmo Senhor.
E ele do alto do seu metro e oitenta e oito centímetros, diz com voz calma de quem está com a moca:
- Vais ter a tua hora.
Ainda hoje estou à espera. Será que demora muito?

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- O Sr. desculpe, tem horas que me diga?
- Tenho sim.
- Não se importa de me dizer então as horas?
- Depende.
- Desculpe?
- Sim, depende.
- Do quê?
- Da sua posição.
- Como assim?
- Da sua posição na terra.
- É temporária.
- Então são 7 horas.
- Muito obrigado.

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Um dia ia a passar pela rua da minha prima e vi a igreja lá do bairro. Nunca tinha lá entrado e porque eu adoro igrejas, entrei. Pelo som, não estava ninguém lá dentro. Quer dizer, estava, mas já não estava cá, neste vida, imunda, a terrena. Então, como por milagre, apareceu-me um Sr.. Achei aquilo um pouco estranho, pois o Sr. estava vestido de vermelho. Ainda lhe perguntei o que estava ali a fazer, mas ele não me deu tempo de dizer o que quer que fosse e levou-me para dentro. As portas fecharam-se e até hoje não compreendo o que me aconteceu, mas sei que passei a ter muito mais sucesso com as mulheres.

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Antes de deitar fiz as minhas habituais preces. Rezei a Santos, Santas e a Deus. Não pedi nada, só tentei que me ouvissem. No outro dia percebi que me tinham ouvido. Quando sai de casa, tinham-me rebocado o carro. Pensei: “Sim, obrigados a todos, por não poluir mais este planeta que tanto trabalho vos deu a criar e manter!”

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- Senhor?
- Sim?
- Diga-me uma coisa.
- Diz meu filho.
- Quem vos haveis feito?
- O Pai todo poderoso.
- Sim. E diga-me mais.
- Sim meu filho, perguntai o que quiserdes.
- Sim. Quem é aquele Sr. que vai lá a casa todos os dias e que não é o meu pai?
- É o homem do leite.
- Como sabeis?
- Er... Pois meu filho, há coisas nem eu sei explicar...
- Obrigado...

- Senhor? Ainda aí estais?
- Sim meu filho, estou. Queres perguntar mais alguma coisa?
- Sim, queria.
- Diz então meu filho. Sou todo ouvidos.
- Diga-me por favor uma coisa. Porque há igrejas que se desmoronam? Será que foi porque houve um acto profano lá dentro? Poderá ser a ira de Deus? Ou será que os tolos dos arquitectos e engenheiros não são religiosos e fazem as coisas mal?
- Er...
- Não responda, eu sei que vai dizer: “Pois meu filho, há coisas nem eu sei explicar...” Já percebi, já percebi... coitadinhos deles...

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- Boa noite Sr. condutor.
- Voa noiteee... está bonzinho? Bons olhos o vejam... – Diz bastante alcoolizado.
- O Sr. bebeu?!
- Sim, Xôr Guarda... bebi. Bebi o sangue de Cristo e estou muito bem, sinto-me purificado.
- O Sr. está é alcoolizado!
- Bolas Maria! É preciso ter azar, apanhamos um policia ateu...

Um passarinho

Um passarinho, pequeno, tão indefeso, assolou-se ao beiral da minha janela. Vinha aos pulos, aos saltinhos, cantava, chilreava, parecia tão contente e alegre, que mesmo o fresco da manhã, parecia não o incomodar. Olhava para dentro do quarto. Eu, que dormitava, olhei a janela. Vi-o e ele viu-me. Senti o seu chamar. Levantei-me, dirigi-me, pé ante pé, para não o assustar. Como que por magia, ouvi a sua voz, doce e melódica. Dizia:
- Sabes meu amigo, estou muito contente hoje! - com um tom de voz que não conseguia abafar a sua felicidade. Eu respondi, um pouco atordoado:
- Olá meu querido amigo, passarinho... Vejo que sim, que estas muito contente. E diz-me, a que se deve tamanha felicidade?
- Hoje é o dia mais importante da minha vida! - disse ainda mais feliz!
- Então porquê? - perguntei curioso.
- Nasceram os meus filhos! Todos! São os primeiros de toda a minha vida! Estou tão feliz meu amigo! - disse-o ainda mais feliz!
- Oh... Mas que boa noticia! Isso é fabuloso! - partilhando a sua radiante felicidade, fazendo os meus olhos brilhar.
- É verdade, estou mais feliz, mais do que alguma vez tive! É tão bom! E sabes meu amigo, sabes porque estou aqui?
- Não... - respondi pensativo.
- Porque é graças a ti, ao teu amor, ao amor que sentes e recebes da tua mulher e dos teus filhos, que me deram ânimo e força para conseguir tudo o que tenho hoje. - disse-o com uma pequena lágrima no olho.
Eu fiquei sem saber o que dizer, não estava a acreditar, parecia um sonho e ao mesmo tempo, algo muito real. Mas como podia ser? A Maria e o Manuel ainda não estavam comigo, como podia ser. Nisto, voltei-me para trás e olhei o meu leito. Lá estava, a minha amada, deitada, em paz, em sossego, doce e bela. Sorri. Olhei para a janela e o passarinho fez-me sinal para continuar e ir ao quarto.
Via-se o quarto, ao fundo. Olhei de novo para a janela e ele dizia:
- Vai, vai ver.
Com passos pequenos mas firmes, dirigi-me para o outro quarto. Quando entrei, não evitei as lágrimas correrem pela minha face. Duas camas, uma ao lado da outra estavam alinhadas e em cada uma delas, uma criança. Numa o meu querido Manuel, que acarinho como meu filho e na outra, um rapaz, o nosso filho. Não queria acreditar, tudo parecia um sonho, mas não podia ser, tudo era real, tão real! Voltei ao quarto, olhei a minha amada, cheguei-me perto dela, olhei e por breves momentos senti tudo, senti que sabia o que era o amor, sentia todo o amor de todos os quantos a amam e o quanto os amo, em uníssono! Uma força tremenda invadiu o meu peito. Sorri, fiz uma carícia na minha Maria, ela devolveu um sorriso. Fui ao quarto, fiz uma carícia a cada um deles e voltei para junto da janela. O passarinho já tinha ido. Ainda olhei em volta, mas em vão. Apoderou-se em mim um tal estado de paz, que voltei à cama e dormi. Sorri, beijei a minha amada e disse: Até já!
Passado algumas horas acordei, olhei para o meu lado, lá estava, a cama vazia, levantei-me assustado e o outro quarto vazio. Voltei ao meu com uma tristeza inconsolável. Olhei a janela e no beiral, estava um passarinho. Não se mexia, estava ali, parado. Olhava a rua. Voltou-se na minha direcção, olhou-me, arrancou uma pena, deixou-a no beiral e voou. Abri a janela, peguei na pena, encostei-a ao meu peito e disse: Sim, vamos sim!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O vento

Vento, sol e mar,
não há igual este amar,
sem assas voamos,
sem enganos carinhos trocamos,
amamos,
os dois, depois e agora,
um minuto numa hora,
tudo se sente,
no futuro e no presente,
sentimento puro,
já é escuro e o dia finda,
sem que se sinta,
fica a doçura,
sem amargura, nua,
despida de perversão,
com muita emoção,
que exalta o coração
e ao toque da mão,
há a palavra muda,
que nunca muda,
e ecoa, sempre boa,
amo-te,
sem pranto,
mas sim com um sorriso
nos lábios.

Ultimos remorsos antes do esquecimento

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Quero agradecer a:

À Ana Isabel Augusto por ter deixado participar nesta experiência única. Os mais sinceros parabéns pelo trabalho excelente que fez. Agora sei o quão complicado é fazer o que faz...
Aos actores, num todo, que participaram na peça, pela forma carinhosa como me acolheram e que me deram força e me ajudaram. Parabéns também pela sua performance. Excelente!
Aos elementos que fizeram parte duma forma ou de outra na peça: musica, imagem e som.
Às pessoas amigas e familiares que foram ver a peça.
A uma pessoa muito especial que por origem do destino, não pode ver a peça, mas que esteve sempre presente.

A todas estas pessoas, o meu MUITO OBRIGADO!!!

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Quanto aos outros.... pois... não vou comentar. Para eles, duas frases da peça: “Não ousaria.” e “Não vou ser eu a dizer o contrário...”

Muitos beijos e abraços!

Que venha a próxima!

sábado, 6 de junho de 2009

Mais um... Sim, UM QUESTIONÁRIO!

Como eu adoro questionários! AHAHA AHAHA AHAHA AHAHA AHAHA!!!! (já chega)

Sente-se uma pessoa idiota? Aqui vão um conjunto de questões que irão avaliar a sua dose de idiotice.

Q 1:
Quanto andam de Táxi, qual a primeira frase, ou palavra que dizem?
1- Fazem referência à hora do dia ou da noite mas ao contrário?
2- Mentem?
3- Seguram-se com força ao puxador da porta e dizem: siga aquela barata?
4- Abrem a berguilha e perguntão ao vosso sexo para onde quer ir?
5- Não dizem nada?

Q 2:
Numa situação aflitiva (tipo: “paniquei”) o que fazem?
1- Adormecem?
2- Fogem e dizem aos gritos: “cuidado com as carteiras de plástico!”?
3- Deitam-se no chão e dizem a todos que passam: Wellcome ?
4- Vão a passo e ainda param para pedir um cigarro?
5- Não dizem nada de jeito?

Q 3:
Sempre que saem de casa o que fazem?
1- Entram de novo porque estão nus e esqueceram-se do fogão ligado?
2- Saltam 4 vezes e cantam o hino da alegria em Ré?
3- Colocam-se em posição de corrida de fundo e após alguns segundos saem em passo de marcha salpicando com cuspo o caminho que percorrem?
4- Saem normalmente mas sem qualquer tipo de orientação?
5- Não saem sem primeiro não dizer nada?

Q 4:
Se forem abordados por alguém na rua o que respondem, a qualquer que seja a abordagem?
1- Ignoram o facto, olham para ar, apontando e dizendo: “Olhe, uma gaivota morta.”?
2- Olham nos olhos da outra pessoa e rodam a cabeça como faz um cão?
3- Começam a falar da ultima situação de viveram no sub mundo da erva?
4- Respondem, mas em Húngaro?
5- Não dizem nada que seja credível?

Q 5:
Quando passeiam com o(a) vosso(a) amado(a), como o fazem?
1- Dão as mãos por trás das costas, mas de tal forma entrelaçado e complicado de andar nessa forma, que têm de ir ao hospital para resolver o problema de pulsos?
2- De cabeça junta, mas sem que o corpo de toque?
3- A agarrar nos cabelos um do outro e quando dirigem a palavra um outro na presença de estranhos, insultam-se como se não houvesse amanhã?
4- Com a total e absoluta normalidade, de mão dada, etc, etc... mas quando passam por alguém, dirigem-se um ou outro em Finlandês do bairro?
5- Não dizem nada, mesmo nada, simplesmente nada, pois estão com a boca cheia?


O resultado é fácil. Somam os pontos das respostas e depois enviam para aqui: www.dgs.pt


Terão resposta nos próximos 2 anos e meio, com sorte...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Manual - Drogaria

Procedimentos interessantes e muito úteis quando visitar uma drogaria e quiçá sair ileso.

- Usando o próprio nome, entre no espaço e pergunte se vendem Black Bombain. Se notar que não sabem o que é, faça de conta que ia comprar um prego de ½ polegada. Se não tiver, vá-se embora a resmungar que o empregado(a) era simpático.
- Fazendo-se passar por outra pessoa qualquer, entre e saia, repetindo esta acção até lhe perguntarem se está tudo bem. Se for abordado dessa forma, diga que sim, mas não queria incomodar. Se não for abordado, repita a acção, mas desta vez profira cânticos Celtas.
- Fique à porta e pegando em qualquer objecto profira estas palavras: Oh Evaristo! Ön itt van ez?
- Faça-se passar pela sua mãe, entre, aproxime-se de qualquer cliente, faça o gesto com a mão fingindo uma arma de fogo, encoste nas costas dessa pessoa e diga com voz de trovão: Tem uma camisola muito bonita!
- Fazendo de conta que é vossa excelência, entre a correr. Chegue perto do balcão, toque no balcão e diga: O seu nome um, dois, três salva todos!
- Não entre.
- Vestido duma forma palhaça, entre, espere junto do balcão. Quando alguém chegar ao pé de si, fale antes da pessoa e diga que o conhece, só não se lembra é de onde. Depois peça meio litro e electricidade em pó e comece-se a rir como se lhe tivessem contado uma anedota. Vai ver uma reacção muito desagradável por parte da pessoa que o está a servir. Não ligue e depois diga que estava a brincar. De seguida peça um pouco de chocolate em pó e ai atire-se para o chão a rir. Se não for posto na rua, repita a acção até que o façam.
- Antes de entrar no estabelecimento, verifique se é uma drogaria, só depois é que pode entrar. Faça-o sempre sozinho, para evitar ser perseguido pela injúria.
- Procure uma drogaria num bairro pobre e depois não entre. Diga que vai chamar a polícia, em voz alta. Depois chame drogados às pessoas que estão dentro do local, de seu nome: drogaria.
- Com uns sapatos de número inferior ao que calça, entre e peça os seguintes itens:
* Um litro de tachas em plástico
* Uma dúzia de parafusos de ¼ de polegada tipo rebuçado
* 13 metros de corrente de papel do tipo 12 gramas
* Uns quantos puxadores de roupeiro sejam lá quais forem
* Uma sanita
* Um reposteiro barato
* 2 metros e meio de fio condutor de água castanha (importante ser castanha)
* Um martelo para pregos rombos
* Um chuveiro.
Caso não lhe forneçam estes itens, peça o livro de reclamações. Se fornecerem, ou pelo menos esboçarem tentativa em lhe satisfazerem os pedidos, vá á rua e certifique-se onde está.


Boas compras e faça um seguro de vida.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Submundo da erva

Estas e outras teorias avanças em largos anfiteatros situados em grandes escarpas voltadas para o mar do interior do pais profundo, onde a miséria supera a vida mundana da civilização agitada pelo constante emergir de ideias puras, sinceras, usadas em discursos cheios de garbosidade, semelhante a textos eruditos, ou fanáticos, que nada dizem e tudo querem dizer, mesmo que tapem os poros inchados pelo suor que escorre pela nuca.

São estas as palavras que ouvimos frequentemente. São estas as palavras que ouvimos frequentemente. Repito. São estas as palavras que ouvimos frequentemente. Mas não quero com isto dizer que sejam faladas, podem muito bem ser cantadas, ou ditas em silêncio, ou mesmo em estrangeiro.

Salta à vista. Não se pode esconder, há pessoas que justificam a sua maneira de estar, com elevados pensamentos profundos. Estas são as pessoas que eu falo. São estas as pessoas que fazem o que se pode ser dito como: pessoas.
Em tudo são pessoas, mas em nada seres intelectuais afirmados, tendo uma falta de sentido de oportunidade cinematográfico constante. Estão sempre onde não é preciso, discursando de tudo e para todos, não havendo limite para a sua globalidade. São dotados de um espírito miraculoso, fazendo de tudo para parecerem ser acérrimos defensores das suas ideias.

Se bem que tudo se poderia dizer do que se fala num plenário boçal. Não vou reforçar a ideia de estar incluído em vários exercícios de estilo em tudo ultrapassáveis pela incessante vontade de estar presente em todos os sítios, não sabendo que o está. Há uma necessidade ultra superlativa de nos excedermos em vários dias, noites e mesmo tardes, sem nunca estar cansados. Esta necessidade é bivalente. Tanto pode ser vulgar, como pode ser subjugada.
Por exemplo: “num rico dia de sol, numa Primavera marcada pelo desabrochar da vida, marcada pela criação, pelo vento e sementes lançadas ao vento, numa cantiga embalada pelo suave sol que resplende por entre as nuvens, farrapos de branco, que vestem e despem o céu.”
São estes os literários que nos aguçam as entranhas e dão vida à morte e morte à vida.





Leiam com atenção e descubram a palavra escondida. É um bom desafio. Não é uma ideia horrível, mas bem pensada.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

As história loucas do Sr... Hum... não me lembro

Acordei de manhã com a impressão que me tinha esquecido de algo ontem à noite.

Ontem, depois de ter chegado a casa e ter despejado meio litro de água gelada nos pés, por incharem a olhos vistos, dei por mim a pensar: “Não sei bem porque será... mas julgo que o cão tem algo a ver com esse facto.”
Talvez eu tivesse sido deliberadamente inconsciente ao ponto de julgar que um cão de 60kgs poderia ser bom como pisa papeis, ou até mesmo como tapete de entrada, mas de facto o que se passa, é que não pode, não deve, não será nunca e nunca poderá ser, um desses itens.
Será por demais óbvio referir que tem sido complicado entrar em casa, sem que o porreiro e fiel Albertino (o meu cão, amigo do meu vizinho e não meu), me dê umas estonteantes dentadas cada vez que penetro vagarosamente na minha propriedade, comprada com muito amor, carinho, suor e vários hectares de papel de parede, com bandeiras de todo o mundo.
O Sr. Alber, como lhe chamo com o maior dos carinhos, trata-se dum caniche disforme, que por engano, no dia das primeiras vacinas, as mesmas, não obstante o facto de terem sido trocadas, fosse injectado com cortisona enriquecida.
Foi um descalabro. Desde esse dia que o pobre Sr. Aber se queixa da falta de sexo, quer por ser tão obeso, como também e por outro facto qualquer que não consigo descortinar. Foram tentadas todo o tipo de mesinhas e outras coisas tais, como medicamentos, operações ao ventre e enchimento das fossas nasais. Tudo, foi tentado absolutamente tudo, mas nada o pôde salvar duma vida afável, tenebrosa, inchada, pouco vibrante, flamejante e errática. Passa os dias deitado no tapete da entrada e rosna a qualquer mosca maior que um percevejo. Tendo em conta a sua condição, estando portanto nesta situação, eu, o honroso proprietário da estática casa, todos os dias, quando nela penetro, sem excepção, piso-lhe o focinho. Não será por demais referir que este facto é um dado adquirido, o pobre Sr. Aber, no meio de tanta energia acumulada, despeja dum só golpe, toda a fúria e morde-me ambos os pés, antes que eu possa dizer: “São Viriato era Santo e chato.”
Daí os meus pés incharem desmesuradamente, até ao ponto de ficarem mesmo inchados. Digamos que numa escala de 0 a 10, ficavam inchados. Em virtude de tais acontecimentos e porque a frequência dos acontecimentos serem tão obstipantes, torna o acto de defecar ultra mega hiper complicado, mesmo atingindo valores inatingíveis, sendo esta acção há muito tempo notada, mesmo há muito tempo, não exageremos, há mesmo muitos anos, talvez, antes da criação.
Um passo é equivalente um passo de jibóia, imaginando esta, com longas pernas vibrantes, grossas e telhudas. Não se moviam, sendo os pés dois blocos de cimento armado, não armado, de arma, mas sim de armado, concreto. - É sempre espinhoso descingir estes pequenos nós de gramática corrente, ou vulgo: corriqueiro. – Se bem que após dois ou três segundos tudo voltava ao normal, podendo assim fazer a minha vida normal sem constrangimentos ou restrições.
Por volta das 23 horas, chega a minha mulher, alegre prostituta, que ganha a vida da melhor forma que pode, sendo detentora de uns viçosos 134 centímetros. Vinha sempre escavacada e também com problemas nos pés, mas neste caso não por causa do Sr. Abertino, vulgo, como já anteriormente tinha referido, Sr. Aber. Lembra-se sempre do diabólico canídeo e penetra em casa pelas portas dos fundos, algo a que nunca me habituara, por ser demasiado mandrião. A esposa, mal entra em casa, tal como eu, tenta dar passos equivalentes... etc, etc... mas sempre os blocos de cimento... etc, etc... só com uma ligeira alteração, não vai defecar mas sim urinar, dando gritos que se ouvem em profundidade e não em altura. As dores são lancinantes, mesmo dolorosas, provocando uma cadeia de acontecimentos não registados, por serem tão sonoros. Pobre esposa, tem sempre o mesmo ritual: litros e litros de pomada anti-fungo, mais outros tantos anti-o-quer-que-fosse e por fim, mais um líquido com bastante álcool para botar pela goela a baixo, com a finalidade de esquecer que existe.
Dorme. A meio da noite, salta em cima de mim para ver se esta tudo em condições. Eu não me importo, sempre fui muito amigo dela e compreendo-a muito bem, mesmo quando me pegou uma doença mortal. Não morri por um triz, aliás, hoje em dia nem sei bem se já não morri, mas sei que o meu pénis nunca mais foi o mesmo, sendo agora bem mais grosso e ultrajante.

Nessa noite, como que por obra de Deus, algo aconteceu. A esposa não me saltou em cima. Estranhei e dormi. No outro dia quando me levantei para fazer rigorosamente nada, vi que A esposa estava desfalecida, quase moribunda, retesada, ou seja, morta. Não consegui conter um desabafo, logo seguido dum bafo da boca, que mal se podia inalar, no entanto tudo fiz para não sorrir, pois A esposa estava de boca aberta com o pénis do Sr. Aber na boca.

Os médicos dizem que morreu de morte natural. Eu não achei e pus o Sr. Aber em tribunal. Perdi por falta de provas. O facto é que o pobre Sr. Aber a partir desse dia emagreceu a olhos vistos. A esposa faleceu-me no leito do amor e eu... bem, eu, sou agora um vendedor de sanitários muito reconhecido. “O meu maravilhoso pénis!” É o slogan. Tenho vendido muitas sanitas da mais alta qualidade e gabarito. As gentes não sabem o quão alguma vez poderiam pensar em usufruir, mas sempre com uma ideia em mente: Se há cão, é sanita!

Como dizia eu no início: Acordei de manhã com a impressão que me tinha esquecido de algo ontem à noite.
E esqueci, esqueci-me do que ia a dizer...

Boa sorte e boa vida! Já dizia a Maria!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

E agora...

E agora… Perguntas e respostas à moda da Maria.

Pergunta: Olá Maria! O meu nome é Aldino (nome fictício, que por acaso é um nome bem bonito). Dia de fazer contas à vida. Tenho 67 anos e sou um dos mais velhos da minha Paróquia. A minha mulher, que tem menos 10 anos que eu, deixou-me ontem. O que devo fazer?

Resposta: Meu caro Sr. Aldino (bem bonito por sinal), está na hora de seguir o chamamento da sua vida espiritual. Dar o passo em frente, Deus precisa de pessoas como o Sr. Aldino. Deixe a vida terrena, o sexo à bruta, os prazeres da carne e dedique o resto da vida à Causa. A sua mulher está ainda em idade de ser muito feliz e o Sr. nada pode fazer senão olhar para ela e abençoa-la no seu caminho de vida terrena, de vida lasciva. Enquanto o Sr. Aldino será muito mais feliz sem a sua companheira, pois estará junto ao Todo Poderoso e assim poderá dedicar a sua vida a quem precisa mesmo de si, do seu amor, do seu carinho e compreensão. Não pense duas vezes, vá já hoje falar com o seu Padre e conte-lhe os seus intentos. Boa sorte e boa vida.

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Pergunta: Olá Maria! O meu nome é Justino (ao contrário de muitos, este é o meu nome verdadeiro, não tenho medo de assumir nada), tenho 35 anos e dou muitos flatos quando estou a fazer amor com a minha companheira. O que devo fazer?

Resposta: Caro Sr. Joaquim (há que assumir os nossos erros), deve não contar esse facto a muita gente e operar a sua mulher. Há operações que resolvem esse problema, mas depois terá uma dificuldade, que é, a sua esposa deixa de puder cheirar o quer que seja. No entanto, pode também e porque este espaço é para todos nós os que precisamos de ajuda, deverá contactar o seu Médico, ou Farmacêutico e perguntar como deve proceder para que os flatos não sejam mal cheirosos. Claro está que também pode deixar de comer. Como vê, há muitas hipóteses. Boa sorte e boa vida.

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Pergunta: Olá Maria! Não vou dizer o meu nome, pois é muito ridículo, mas pode-me chamar por Y. Sou um homem de 44 anos, alto, demasiado alto, que por ser tão alto, não tenho companheira. O que devo fazer?

Respota: Caro Sr. Y, não tem problema dar o seu nome, mas suspeito que seja Ygor. Acertei? Fico feliz por isso. De qualquer forma, ser alto não é um problema, pois há homens muito mais altos que o Sr. Y, que não precisam de companheira. Há quanto tempo não usa as suas mãos para se satisfazer? Há hoje em dia luvas especiais que simulam o calor do interior duma vagina e com variados níveis de calor, como de lubrificação. Estas luvas têm servido bastante homens que, ou por serem muito feios, ou por ter algum tipo de deformação genética: pénis gigantes, pénis minúsculos, pénis demasiado largos, etc, etc... A ciência está muito evoluída e serve os seus intentos. Pode também cortar partes do seu fémur, mas é mais doloroso e moroso. Imagino também que não será a beleza em pessoa, assim sendo, seria uma desperdício de tempo. Boa sorte e boa vida.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Frases feitas

Ora bem. Frases feitas, essas enigmáticas palavras, que tudo dizem e nada de compreende. Vamos tentar saber o verdadeiro sentido disto tudo:

Alguns exemplos:

- Água sem água não limpa nem lava.
Água, liquido incolor, que mata a sede e lava tudo. Vejamos; se não há água, não há limpeza, logo isto é para os porcos deste mundo.

- Neve na lama, chuva na cama.
Neve na lama? Mas de neva, não há água em estado liquido, logo, não há lama, mas se houver, é portanto um contraceno, de qualquer forma, há água na cama, logo o colchão de água rompeu-se! É normal, o tipo escorregou na neve com lama e cai em cima da cama onde tinha o colchão de água e dai; água na cama. Podemos concluir que se trata do seguinte: Infidelidade.

- Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.
As comadres? E os compadres? É uma frase feita sexista. Nem vou tentar explicar o sentido desta frase...

- Do trabalho e da experiência aprendeu o Homem a ciência.
Ou seja, com o trabalho e com a experiência, podes fazer compostos químicos. Está certo!

- Filho és pais serás, conforme fizeres assim acharás.
Será que vou ser pai? Senão for, não vou achar nada? Mais uma frase feita sexista. Não vou comentar... É mau demais!

- Luar de Janeiro não tem parceiro.
É verdade! É por essas e por outras que ficam sempre solteiros para sempre. É sem dúvida uma frase feita a pensar nos solteiros, padres e freiras. É bem feito!

- Chuva de Agosto apressa o mosto.
A chuva de Agosto estraga é sempre o Festival de Paredes de Coura! Isso sim!!! Quais apressa o mosto!!

- Devemos viver o Presente, estudando o Passado e preparando o Futuro.
É uma verdade muito verdadeira, pois se assim não fosse era uma grande confusão: Viver o Futuro, estudando o Presente, preparando o Passado...
Era estúpido!

- Não há Sábado sem sol, nem Domingo sem missa, nem Segunda sem preguiça.
Este é o pior delas todas! E os desgraçados que trabalham os dias todos??? Já para não falar nos tolos que não vão à missa!
Há lá pior frase que esta? Não há! É a pior!


Algumas ideias para frases feitas:

- Mingua de verde, ou entra ou sai da parede.

- Se vais correr, para pelo menos para ver.

- Onde há um burro, há sempre uma casa.

- Cinto de cabedal, botas de plástico.

E por ai fora...

O grito

Vento fresco de norte,
que trás sorte e amor,
enche de calor o nosso amor,
faz os nossos corações,
cantar canções
de querer e amar,
sem parar,
de sorrir, de sentir,
o que nos vai na alma,
com a calma
de mil beijos, graceijos,
juntos de novo, vamos ficar
e amar,
junto ao mar,
ou ao rio,
sem frio,
nos montes, onde há fontes
de esperança,
onde podemos fazer a nossa dança,
sempre
e para todo o sempre,
presente, amor ardente,
crente na nossa força gigante,
amante,
de olhos nos olhos,
de mãos nas mãos,
conquistamos
mares e vales,
aldeias e cidades,
com a força de mil touros,
e a garra de mais mil leões,
e a pleno pulmões,
com as nossas determinações,
dizemos em coro, sem choro,
com um sorriso, preciso,
gritamos: NÓS AMAMO-NOS!!!

Para que todos oiçam!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Amor no Douro

Brisa que nos toca na face
Suave e amena nortada
Que nos envolve e alasse
Eu e a minha amada

Toques de amor são dados
Beijos de paixão são trocados
Segredos de sonho são falados
Toques suaves são amados

Doces olhares e meigos
Envolvem-nos num manto
Torna-nos leigos
Com tanto encanto

Suspiro quando te abraço
Sustenho a respiração
Aperto-te em enlaço
E sinto o teu coração!

Sentidos em exaltação
À nossa roda rodopiam
O embalo duma canção
As nossas bocas cantam.

Luz brilhante e forte
Mais forte é o amor
Vem de sul, vem de norte
A nossa troca de candor

Numa escalada de emoção
Prepara-se a palavra amada
Nos dois um só coração
À palavra: Amo-te! A desejada.

A espera

O que sinto? Pressinto?
Bate por bater? Ou por de amor sofrer?
È forte, é possante
Sem norte e amante.
Desejo o toque,
só por um segundo
Sou eu o forte
E tenho todo o tempo do mundo.
Olho-te,
Procuro-te,
O suave desejo dum beijo,
Enche o meu peito,
Que fica satisfeito
Por amar, por um abraçar.
Amor? O que se sente?
Os olhos duas estrelas,
Fervilha o sangue e não mente,
Corre forte na veias para enche-las.
De amor e com calor.
Vou ficar, até o mundo acabar.
Depois?
Nos teus braços vou ficar.

Amor eterno

Do nada surgiu a força,
como um rio,
largo,
de ir longe,
muito longe,
até ao infinito, num minuto,
num segundo,
ao fim do mundo,
por um olhar, um amar
sublime,
avassalador,
cheio de
amor,
sem dor, ou com dor,
sofrido pela saudade
e tido pela ansiedade,
felicidade,
arrebatador,
cheio de calor,
mas suave,
como o toque da tua mão,
na minha face,
num enlace de séculos
de ternura,
que ainda dura,
para todo o sempre,
em frente,
assim irá ser,
dias, anos,
amor eterno,
sem tempo marcado, bem amado
e as palavras que ficam,
e repicam:
Sim, vamos sim!

quarta-feira, 25 de março de 2009

A aranha

Viajava pela cozinha e enchi-me de coragem para apanhar a aranha, que voava pela parede. Vesti o casaco de ir aos morangos e fiz-me à vida. Sai, deixei a pobre coitada seguir a sua vida. "A minha vida?", não a dela! Vai ser um dia muito agitado. Tinha de ir vender a minha caçarola favorita e não sabia quanto ia pedir por ela. Tinha uma noção, mas não quis entender. Podia ser um pouco cara. Falei com o meu amigo de longa data e perguntei-lhe se queria ir à casa de penhoras. Disse prontamente que não podia e só queria estar agarrado ao comando a ver tv tola. De qualquer forma, consegui-lhe dar a volta. Falei-lhe duma certa pessoa, duma certa forma, consegui-o convencer. Era tarde, na manhã. O transito era tão pouco que se conseguia ouvir o som dos canos de esgoto nas casas anexas, à estrada que vinha de sul. Perguntei-lhe se queria café, mas disse logo que queria era despachar-se, para voltar a casa. Fui directo ao assunto. A casa de penhora estava fechada para férias e matei a aranha.

Conclusão: Se na vida acreditas, compra um cão.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Pequena estrela

Sai. Caminhava pela vila, estava deserta, não se via vivalma. Ao fundo o latir dum cão e a água a passar no riacho. A passos brandos, mas seguros, segui rumo ao campo. Estava uma noite estrelada, com a lua como companheira, iluminava a estrada de terra. Era nítida toda a planície, salpicada de sobreiros e montes. A luz azulada pintava as copas das árvores, embebendo tudo numa atmosfera melancólica e romântica. Pensava nela, nas palavras que tínhamos trocado, o que tínhamos dito. Sorri. De repente, ouvi uma voz. Não tinha direcção, parecia vir de todo o lado, muito baixo dizia:
- Onde vais?
Eu não sabia de onde vinha. Olhei em todas as direcções e nada vi. Só sombras perdidas nos campos, sombras negras, mas nada assustadoras, negras de desejo de as encontrar. De repente:
- Diz-me, onde vais?
Resisti e, perguntei:
- Onde estás? – Muito baixo também, quase sussurrava.
- Aqui...
- Não te vejo... – Olhei para dentro da mata.
- Aqui... não me vês?
- Não... – Olhava a toda a volta.
- Mas tu não me estás a olhar...
- Não...?
- Não. Estou aqui, olha, aqui!
- Mas a tua voz vem de todos os lados, não consigo perceber de onde vem... – Dizia eu com uma voz de alguma tristeza, misturada de alguma ansiedade.
- Não estás a olhar para onde eu estou. Eu vejo-te. Vejo-te muito bem. Estás ai, parado, com o teu olhar, belo, com as tuas feições, que eu tanto adoro. Olha para mim! Estou aqui....
- Mas... eu não sei onde estás. Diz-me, onde estás? – Dizia eu, um pouco em desespero.
- Já disse. Mas tu não me vês. Sente-me. Sente-me. Sente-me.
- Espera. Vou sentir-te.
Cerrei os olhos e procurei pela voz. O silêncio da noite envolveu-me, apoderou-se de mim e senti-me flutuar. Alguns segundos bastaram para sentir de onde a voz vinha e de quem era. Inclinei a cabeça para cima, ainda de olhos fechados. Abri os olhos, a princípio a medo e depois, completamente abertos. E vi. Vi quem tinha a voz. Estava no céu. A luz era diferente de todas as outras, era uma estrela diferente. Cintilava de forma mais errante e bela. Duma luz que cativa e maravilha. Sorri. De repente:
- Olá! Vês, afinal sabes onde estava. Eu sabia que me ias encontrar. – As palavras dela sopravam na minha face. A doçura era eterna.
- Como és bela.
- Não, eu sou feia, esta luz esconde quem sou e como sou.
- Não, és bela, eu consigo ver-te.
- Consegues? Não pode ser....
- Sim, vejo os teus olhos, o contorno do rosto, os teus lábios, os teus longos e belos cabelos de seda.
- Não pode ser! Eu não posso ser vista. Como são os meus olhos? Tu não me estás a ver, imaginas...
- Os teus olhos sorriem para mim, brilham, mais que a luz que te envolve. As tuas covas na face quando ris...
- Mas... como pode ser? Estás mesmo a ver-me... Sou horrível! Não olhes! Peço-te, não olhes!
- Tanto que não vou parar, como já estou perto de ti.
- Como conseguiste aqui chegar?
- Foste tu que desces-te.
O ar de espanto da pequena estrela, fez-me sorrir.
- Eu desci... eu... – Não sabia mais que dizer. Estava espantada.
- É verdade. Estás aqui, ao pé de mim. Tenho a sensação de... – Parei e olhei. Dizia olhando os seus olhos.
- Sim, eu sei. Tu sabes quem eu sou.
- Sei.
- Mesmo que nunca me tenhas visto.
- Mas eu já te vi. – Sorri.
- Eu sei. – Sorriu.
Ali ficámos, de mãos dadas, os dois, sem noção de tempo, sem noção do que nos envolvia, mas ao mesmo tempo sabia que algo estava à nossa volta, tudo, sentimos tudo, os nossos corpos, interligados, envolvidos com o campo, com o ar, a mata, as árvores, a terra, a lua, tudo, o universo e contudo, ali estávamos, sós e num só. De repente...:
- Adoro-te tanto! - Em coro dissemos e num voou celestial, imiscuirmo-nos nas estrelas, lado a lado, numa só. Ao fundo, um pequeno clarão e para sempre desaparecemos. Para sempre e para todo o sempre, juntos, lado a lado.