São duas da tarde, estou entediado no quarto triangular. Pensei em tomar uma decisão que iria fazer o meu dia muito mais interessante, mas não a consigo entender. Fui ver se tinha mensagens, não tinha. Isso despoletou uma tremenda dor de cabeça que me fez entender qual a decisão a tomar. Vou ter com a minha amiga Amália. Adoro estar com ela dentro do meu quarto. Sabia que o tráfego de prédios a esta hora era monstruoso e depois do novo sistema de ultra elevação ter-se avariado a semana passada, tudo estaria ainda pior.
Dei uma espreitadela no trânsito. Havia um acidente na prédio-estrada P4. Colisão de um prédio, com semi-casas de 35 andares, contra uma minúscula casa térrea. Seriam cerca de duas horas de caminho. Mas não iria conseguir estar ali em casa por muito mais tempo. Programei sono forçado para duas horas, comuniquei o meu destino e logo de imediato caí no sono.
O sistema de ultra elevação é do mais evoluído de todos, está implementado em duas dúzias de capitais de distrito em todo o país. Neste caso, e porque a cidade é a mais antiga do país, o sistema foi alterado, tendo sofrido graves convulsões de instalação, como por exemplo o facto de não se conseguir estar por mais de três horas dentro do buracadeiro de pilares, visto que o ar na parte inferior da cidade é mortal. Já há muito que só vivem ser vivos nas plataformas superiores. A plataforma quinze é a mais cara. As maqualteradas, são as únicas coisas que vivem no piso ao nível do “solo”. São alimentadas por dejectos vindos das plataformas superiores.
O sistema que tinha custado quatro mil milhões de toneladas de milho roxo, estava agora parado e não havia grande esperança de o voltar a colocar em bom funcionamento. Este sistema permitia que uma casa, dentro de um edifício, fosse separada em várias divisões podendo assim haver maior circulação nos corredores mais estreitos. Assim, com essa separação, todo o tráfego fazia-se bem melhor. Casas, prédios, semi-prédios, etc., poderiam circular de uma forma dividida por todos os itinerários alternativos. Nos primórdios já tinha havido um grande avanço com a separação da casa do edifício, havendo assim uma mobilidade muito maior e também a construção de edifícios maiores e mais altos.
Cheguei à hora programada. A manga deslizou e acostou na porta da Amália. Ainda demorou alguns segundos a abrir a porta, mas por fim deu o ar da sua graça lá do alto do seu metro a trinta. Disse olá e acenou com a mão. Deslizei pela passadeira da manga até à porta. A manga dela era bem mais agradável que a minha. Tinha projecções de explosões lindas! Uma das minhas favoritas era da explosão da torre Eiffel, em 2084, por um grupo de atrasados mentais que julgavam que o monumento fazia parte duma das antenas de comunicação do planeta KU75W da constelação Adrega. A explosão é linda! É hoje o símbolo da nova nação para a construção dum novo país no subsolo. Anolanda. Nunca lá fui, mas a Amália tinha lá muitos amigos cheios de cicatrizes na nuca. Era sinal que bebiam muito sumo de alperce, muito apreciado naquela terra. Os concentrados de alperce, em conjunção com os vapores libertados pelo subsolo, são inebriantes e funcionam como uma droga alcalina.
Mal entrei na casa senti o cheiro típico de refogado de morsa. O cheiro é nauseabundo, mas pouco intenso. As morsas, desde a sua quase extinção, passaram a ser cultivadas em cativeiro e é uma das dietas mais utilizadas pelas pessoas que se movem pouco, ou seja, as pessoas que têm pernas com quinze centímetros. São oriundas da zona centro/sul do ex-continente Europa. Eu adorava morsa na brasa e ela sabia.
Desde que foi implementado o serviço de quero-ir-e-não-preciso-dizer-se-posso-so-tenho-de-dizer-que-vou, que todos nós sabíamos quem lá vinha, como vinha e quando, podendo recusar também a visita, fazendo com que o requisitante ficasse com vontade de evacuar muito. Um serviço quase gratuito. Por apenas duas beterrabas e meia por mês, tinha-se este serviço.
Hiper desloquei-me até ao local de lavagens. Hoje não sei porque, estava com menos radiação que o costume, mas mesmo assim pedi a lavagem Zing. Logo de seguida em hiper deslocação, fiz-me chegar à sala das calorias e ingeri o que podia e mais gostava.
O tipo de alimentação utilizado nestes centros sociais era todo à base de comida falsa. Toda a comida era processada com a finalidade de não provocar qualquer tipo de risco para a saúde das pessoas com quem se estava. Este tipo de sistema fez com que nada nem ninguém pudesse comer sozinho, mesmo pessoas que nunca tenham trocado fluidos.
A alta radiação fazia com que todo o tipo de conversa na rua, fosse feita só dentro de pequenos círculos que flutuavam por toda a cidade. Abrir a boca no exterior, ou a caminho seja de onde fosse, seria um desastre territorial imenso. Assim, os vários níveis de lavagem eram determinantes para o bom funcionamento das regras de sobrevivência. Desde a Alça, passado pelo Zing e a mais potente, a Frust, tornavam todo o corpo mais saudável e com menos probabilidades de apodrecer.
Passados quarenta e três minutos, tempo calculado para a minha refeição, efectuei algo que já tinha saudades. Vomitei, coloquei tudo no misturador de moléculas e fiz o meu gato. Comi-o com o sorriso nos lábios. Ainda levei uma penalização, por não ter informado que iria tomar aquele tipo de atitude e assim demorei mais tempo do que se tinha calculado. Odeio ser penalizado! Desta vez custou-me uma pêra podre, muito apreciada na casa dos Almeida.
Após ter engolido o resto do meu gato-alimentar, masturbei-me, penetrei na Amália, arrotei e por fim bebi água azul. Estava satisfeito. Falei mais uns quatro minutos e um quarto com a minha querida Amália e voltei para o meu bairro. Tinham reparado o sistema de elevação, mas azarento como sou, como tinha trazido a casa, não pude utilizar o sistema. Ainda para mais neste momento não é necessário despender qualquer tipo pagamento. Estas borlas eram atribuídas porque os sistemas tinham sido implementados há pouco tempo, não havendo assim responsabilidade de qualquer tipo de acidente. Mais uma hora e três minutos e estava de novo em casa.
Mal cheguei a casa dormi mais dez horas e fui para o trabalho.
No dia seguinte reparei que podia muito bem ir a pé, pois ainda tinha uns créditos extra que consegui na lotaria do segundo dia do mês trinta e quatro. Fiz-me ao caminho, a longa caminhada de sete minutos seria extenuante e estonteante. Procurei ir o mais rápido possível, para que a fraqueza não me atacasse e ficasse a meio caminho. Passados quatro minutos encontrei-me com a minha amiga Amália. Fiquei estupefacto, pois como poderia ser possível estarmos ali os dois a caminhar a pé? A Amália não caminhava há pelo menos dois séculos e eu ia pelo mesmo caminho. Só poderia ter um significado este encontro: sexo. Fizemos durante treze dias. No final estávamos com muita fome, pois não tínhamos comido nada, nem nos tínhamos lavado. Os nossos corpos estavam a atingir a o cheiro morsa e a putrefacção era esquivamente a três anos a conviver com gentes do norte.
“Quem quer que vivesse debaixo de uma certa influência paranóica teria de fazer todo os dias umas valentes bolas de ranho e distribuir por todo a província montado em camelos alados, armado de varapaus até ao olhos” Nota tirada do manual do bom homem do norte quente. Este tipo de sujeitos eram os habitantes do norte do pais, dai a comparação estes e os habitantes de cada região. Já os habitantes do sul eram mais estranhos e usavam coisas na cabeça para se tornarem mais influentes nas padarias de pão cru. Altamente complexos, por serem todos amigos do inimigo, era muito complicado ter qualquer tipo de conversa permanente, durante mais de quinze minutos. Ex: Eu sou o primeiro a ter que inventar algo para não estar a pensar o que podem fazer por mim. Que achas disto amigo (inimigo)?
Por este exemplo podem ver como é complexa a forma de agir destas gentes. Só uma das cidades do sul detinha condições para a realização de desporto, de qualquer forma possível e imaginária.
Após o grande deserto de sexo passado com a minha amiga Amália, passei mais três minutos a pé e fui trabalhar.
O meu trabalho era muito parecido com o que todos faziam na bimetropole. Este grande centro de pessoas que nada faziam e tudo queriam ter, desenvolviam trabalhos altamente avançados, tão avançados que nem os próprios sabiam o que faziam. No entanto era de tal forma avançado que o trabalho aparecia feito. E porquê? Fácil! Há sempre meia dúzia de indivíduos, que normalmente são atarracados, que desenvolvem trabalhos altamente qualificados e que produzem tudo. Os outros, nem sequer mandavam em nada, não tinham chefes, eram pura e simplesmente parasitas. Eu fazia parte das pessoas parasitas. Era muito bom.
Naquele dia e por uma razão verdadeiramente simpática, tinha quatro garrafas de Grinfos. Bebida muito utilizada para a cura das borbulhas nos pés, era também um grande inibidor de pulgas nos sovacos. Sentei-me, mexi nos papeis e fui-me embora. Estava cansado. Passados três dias e meio viria para mexer em mais meia dúzia de papéis. Levei as garrafitas e fui-me embora.
No dia seguinte entrei de férias. Estava tudo combinado, iria de férias para morrer. Já tinha lá estado uns três ou quatro mês, não me recordo bem. O problema destas férias é o facto de nunca se saber ao certo quanto tempo se vai lá ficar. Era muito divertido! Durante o tempo que lá estamos podemos fazer coisas incríveis. Não vou dizer pois tenho vergonha.
A minha vizinha era muito amiga da outra, que morava no prédio ao lado e passava os dias a deslocar-se pela manga. Eu que estava sempre atento, uma das vezes consegui uma boleia na manga dela e conheci a amiga. Ambas bateram-me como era de esperar. Convidei ambas para um mês de morte. Só a mais alta acedeu ao meu pedido. A outra quis lá ficar mais tempo, mas eu não podia, pois tinha usado todos os meus caramelos de verdemã, que eram necessários para passar mais dias em morte. Desta vez ia ser de arromba, tinha juntado cerca de dezassete caramelos, estava cheio de sorte e muito feliz, ainda para mais ia com duas amigas que não gostam de sexo encaracolado.
Em tempo de paz todo o povo da Ingrícia, província alagada pelos grandes degelos do aquecimento provocado pelas lareiras iónicas, passavam muito tempo em suspensão e em largos campos de férias. O ar era rarefeito e pouco se podia fazer, já a temperatura era tão inferior a zero, que nem se conseguia contar. As pessoas passavam longas horas deitadas umas com as outras e rebolavam muito, faziam muitas cócegas nas palmas das mãos com penas de abutre verde. Era muito divertido.
Em duas ou três ocasiões do ano, os grandes senhores das terras inférteis, juntavam-se todos em casa do grande Director Supremo e falavam, congeminavam, palravam, emborcavam e suspiravam muito também. Nestas reuniões, para além do que já foi dito, também eram decididos quais os caminhos da nação. Sendo estes senhores os responsáveis máximos do poder mais alto das coisas que não interessam, podiam tomar qualquer de decisão que teria de passar por toda a burocracia possível e imaginária, demorando mais tempo que cada um deles pudesse viver. Assim, as decisões eram tomadas à mesma, mas as realmente importantes, eram tomadas de repente e pela senhora que faz arquivo. Esta informação era ultra secreta. Só duas pessoas sabiam; a mãe, que já tinha padecido e a avó, que não sabia se estava viva, ou não. Altas decisões eram tomadas do alto daquele edifício, no último andar, enquanto arquivava coisas sem nexo.
Voltei de férias e não sabia como pegar no trabalho, por isso não fui ver os novos horários e fiz os antigos. Fui logo colocado em sítios que ninguém queria ficar. Aí sim, trabalhei como nunca. Foi muito divertido. Passei a achar que era uma pessoa. Os outros olhavam-me com desdém e não falavam comigo eu achava isso muito giro e fiz um pequeno jogo. A cada vez que alguém me olhasse de forma diferente, dava-lhes um bombom. Assim podia ficar mais tranquilo comigo e achar que era uma pessoa válida.
Dois dias daquilo e apaixonei-me pela mulher do arquivo. Seria a última coisa que me podia ter acontecido. Esta pessoa era muito pouco importante na empresa e de nada me iria servir estar assim desta forma pela cachopa. Era linda, bela. Estava verdadeiramente embeiçado. Mudei de casa, que nos dias que corriam demorava uma tarde e passei a morar mais longe da casa da Amália. Ela ainda reclamou durante uns tempos, mas depois dei-lhe um urso pular e ficou mais satisfeita.
Estava a viver o amor da minha vida e tinha o emprego mais estúpido do planeta. Era neste momento muito feliz.
Passados três anos, falámos em filhos, mas ela não entendeu e foi ter com o meu pai para perguntar se tinha sido bom pai. Falámos de novo e só aí entendi que o problema era mais grave. Tinha casado com a responsável do país. Fiz então as malas e mudei-me para o palácio das pessoas. Aí fui ainda mais feliz, pois podia ter todo o tipo de coisas que para nada me serviam, mas que me faziam ser parvo. A minha querida mulher, sempre bela e sem tempo para mim, arquivava sozinha e dava uma larachas. Falava muito sozinha.
As gerações mais recentes queriam ser mais intervenientes e empenhadas em destruir o que se tinha feito até então e voltar a construir de novo. Este dogma Anárquico fora introduzido por um grande pensador de todos os tempo esquecidos e onde se podia pisar o chão virgem, que na altura estudava uma forma de errar sempre sem ser apanhado. Todos os jovens estavam encantados com estes ensinamentos. Seguiam à risca o que este anormal tinha pensado. Era muito complicado conviver com eles, pois qualquer coisa que fosse dita, gritavam sempre em resposta: Apre!
Isto é extremamente desconcertante. Algo foi feito para combater este flagelo. A mesma palavra passou a fazer parte de um conjunto de palavras mudas. Ou seja, quando proferidas não faziam qualquer tipo de sentido. Assim, o velho Apre, deu lugar a: .... . Foi muito bom e viveram todos muito felizes.
Às portas da morte finalmente consegui falar com o meu padre de crisma. Foi muito interessante saber que ele não gostava das mesmas comidas que eu. Morri a saber a carne de porco no forno macrobiótico. Muito bom, em especial nos dias pequenos.
Foi muito divertido.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Soltas 23
Corto a tua memória com uma faca, mas depois não me venhas com a história que não me conheces.
3+3=6+3=9?
À noite nada pode falhar, senão não tinha tomado banho. Não achas Catarina?
Já nos vimos no outro dia. A nódoa continua na mesma.
A estrela que brilha sem se ver, o riso que se ouve sem se ouvir, e tu?
Roxinól da Cova da Piedade, nem consigo cantar ao luar, para que eu não te possa penetrar. (muito má!)
Tenho que convencer alguém a mergulhar no Oceano profundo.
Cego de barulho, cheiro-te de dia, mas sinto-te como uma tarte de amora.
A seta que acerta na testa, durante a minha sesta. Para a próxima fodo-te a tromba!
Olha e desolha o olho que enrola, durante a noite toda, sou capaz de amar.
Amanhã a terra vai cheirar a fogo. Hoje cheira a mar.
Mais que uma nave, uma árvore, uma passagem para algo que não compreendes. Então para quê falar nisso?
Mustang sem gasolina!
A água está muito parada, quieta, linda, espelho que reflecte a alma que quem passa, mas tu não estás lá!
Se estás ai, vem cá, vá lá, não te acanhes!
Porque tenho a mania que tudo quero, nada consigo ter.
GRETA!!!
A luz que se vê ao fundo do tunel é roxa, odeio mesmo essa cor!
Vem de fora, vem sozinho, mas trás uma vida, pena que não sabe cantar. Com essa voz de cana rachada seria uma bela MERDA!!!
Quem os entende, tem de ser como eles!
Grita-se guerra a tudo o que não interessa.
Na mesa dois litros de bagaço, mas não tenho boca para encher.
Mesa de chá.
O medo de te ter é comparável a algo que nem Deus iria compreender.
Mexe devagar no ar, assim não se sente o meu cheiro.
What a fuck is money doing here?!
A gaveta do meu amário está vazia, preciso de algo para a encher.
Vomitei.
Quanto mais te vejo mais te quero matar!
Sandes mistas de sangue e suor.
Finura...
3+3=6+3=9?
À noite nada pode falhar, senão não tinha tomado banho. Não achas Catarina?
Já nos vimos no outro dia. A nódoa continua na mesma.
A estrela que brilha sem se ver, o riso que se ouve sem se ouvir, e tu?
Roxinól da Cova da Piedade, nem consigo cantar ao luar, para que eu não te possa penetrar. (muito má!)
Tenho que convencer alguém a mergulhar no Oceano profundo.
Cego de barulho, cheiro-te de dia, mas sinto-te como uma tarte de amora.
A seta que acerta na testa, durante a minha sesta. Para a próxima fodo-te a tromba!
Olha e desolha o olho que enrola, durante a noite toda, sou capaz de amar.
Amanhã a terra vai cheirar a fogo. Hoje cheira a mar.
Mais que uma nave, uma árvore, uma passagem para algo que não compreendes. Então para quê falar nisso?
Mustang sem gasolina!
A água está muito parada, quieta, linda, espelho que reflecte a alma que quem passa, mas tu não estás lá!
Se estás ai, vem cá, vá lá, não te acanhes!
Porque tenho a mania que tudo quero, nada consigo ter.
GRETA!!!
A luz que se vê ao fundo do tunel é roxa, odeio mesmo essa cor!
Vem de fora, vem sozinho, mas trás uma vida, pena que não sabe cantar. Com essa voz de cana rachada seria uma bela MERDA!!!
Quem os entende, tem de ser como eles!
Grita-se guerra a tudo o que não interessa.
Na mesa dois litros de bagaço, mas não tenho boca para encher.
Mesa de chá.
O medo de te ter é comparável a algo que nem Deus iria compreender.
Mexe devagar no ar, assim não se sente o meu cheiro.
What a fuck is money doing here?!
A gaveta do meu amário está vazia, preciso de algo para a encher.
Vomitei.
Quanto mais te vejo mais te quero matar!
Sandes mistas de sangue e suor.
Finura...
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Sr. Barros
A vingança do careca.
Eram cerca das dezassete e trinta quando o carteiro trouxe a alegre notícia ao Sr. Barros. Tinha sido escolhido para uma experiência da agência. Ligou de imediato ao avô, que morava na localidade mais próxima e que não sabia que o seu neto era um vigarista de primeira.
- Avô?!
- Sim meu netinho querido…
- Vou viajar!
- Ai sim? E eu com isso…
Mal desligou a chamada fez duas malas bem pequenas, pois não gosta de andar com muita bagagem e pôs-se a caminho. Foi de autocarro, depois de metro e por fim, a pé. Foram uns longos cinquenta e cinco minutos. Como não estava habituado a viagens desta envergadura, levou o lençol de banho para se assoar entre cada paragem.
Não era uma pessoa alta, mas também não muito gorda, talvez por ser assim baixo e pouco magro, não se considerava uma pessoa gira, mas sim uma pessoa encravada. Fazia-se sempre acompanhar por um cesta de verga muito pequena, a qual guardava no bolso do casaco, onde trazia todos os documentos da família que conhecia. Os que não conhecia, guardava numa caixa de sapatos, algures num cacifo de estação de comboio, num terminal longínquo, a norte do país. Este pormenor será demais importante para o desfecho da história.
Ao chegar à agência deparou-se com um grande enigma: será que tinha deixado bem fechado o armário das bolachas? Não hesitou. Não foi confirmar, pois lembrara-se que tinha comido tudo no dia anterior, sabendo que este tipo de experiências poderá durar sempre o seu tempo.
Assim, o Sr. Barros, despiu-se de preconceitos e vestiu a bata de médico obstetra. Conas eram a sua grande paixão e como nunca tinha tido um filho, conseguia assim matar uma dúzia de coelhos com uma só cajadada.
Foram longos, os 17 anos que lá viveu.
Quando voltou a casa, tudo lhe parecia fora do sítio e trouxe consigo mais dois tiques da longa lista de tiques que já detinha. Por outro lado deixou de dizer: amanda.
Era compulsiva a forma como proferia tal palavra. Atroz!
Algo de positivo teria de advir de tal experiência.
Tal como se tinha esquecido do armário das bolachas, também se tinha esquecido da janela da sala aberta, deixando entrar os milhares de pombos e outros seres cósmicos que passaram a habitar na sala. O que lhe valeu foi que a sala era pequena e estava com a porta que lhe dava acesso, fechada à chave. Após três semanas de limpezas e pinturas, conseguiu de novo voltar a conviver com o doce sabor da liberdade.
Os longos anos que passara na agência, deram-lhe uma perspectiva nova da vida, pois agora era marreco. Para além disso, poupara bastante, pois todo o dinheiro que recebia era de imediato colocado numa conta bancária na Suíça, à qual só ele teria acesso. Mais tarde veio a descobrir que não se conhecia e nem ele tinha acesso à conta. Entretanto e porque se conhecia na altura, conseguiu tirar todo o dinheiro para depois se perder de novo na sua alma incompreendida.
Ligou à avó. Como seria de esperar, atendeu uma voz de doce mulher:
- AVÔ?!
- Não, daqui é a viúva do avô. – Disse com voz doce e num sotaque brasileiro cheio de tesão.
- AVÓ?!
- É meu querido, voltei!
- AVÓ! Que saudades…
E desligou o telefone. Nunca suportara o facto da sua avó ser mais nova que ele e ainda por cima, boa como o milho!
Ficou muito, mas mesmo muito, muito mesmo, por demais triste. O avô tinha partido sem deixar um sinal, uma carta, um bilhete, um fax, um email, algo que pudesse dizer: adeus meu querido neto. O número de conta é este e podes levantar tudo.
Isso deixou-o de rastos. Como a marreca era já muito acentuada, parecia ainda mais baixo e de rastos. Era uma pessoa mesmo muito pequena.
Tentou de tudo para reaver um livro que emprestara ao avô, mas a brasuca nunca o deixou entrar lá em casa. Convidou-a a passar uma tarde na casa dele e o máximo que conseguiu foi uma tarde de sexo estonteante. Quanto ao dinheiro, nicles!
Resolveu puxar dos galões e fez a maior viagem da sua vida, pois enganou-se rumo ao norte, em busca da famosa estação de comboios e do bonito cacifo. De uma raiva alaranjada, fez mais quatro quilómetros do que devia. Nunca mais iria se perder daquela forma parva e gigante.
Procurou pelo cacifo, mas já nem a estação existia. Sentiu um vazio penetrante. Todos os documentos dos familiares que não conhecia, tinham desaparecido. Comentou isso com o agente da autoridade que o apanhou a roubar uma bola de Berlim, com recheio. Prontamente o Sr. agente informou-o que a estação tinha sido movida para Espanha e era agora um parque de diversões parvas e sem sentido. Adivinhou logo o que se iria passar. O humor dos espanhóis era mau, ou de alguma forma diferente e por isso, menos bom, mesmo intragável!
Pediu ao Sr. Agente que lhe escrevesse a morada nas costas e fugiu. Volvidos dois dias e meio, chegou perto do cacifo. Abriu-o e dois ratos alados sorriram, perguntando-lhe:
- Diz a palavra: chave.
- Chave.
- Ai tens...
- Obrigado.
Pegou nos documentos de todos os familiares que não conhecia e ficou na mesma. Tudo tinha perdido o sentido. Mais uma vez tinha-se perdido e não sabia quem era.
- Há coisas que nunca mudam… - pensou ele embrutecido pelo gelo que comia, o qual jazia no fundo do copo de sumo de anona.
De qualquer forma voltou a casa, sempre com o sentido dos documentos que agora lhe saltavam na mão e que quase o queimavam.
No conforto do lar e, comendo porco pequeno, lá se encontrou.
No meio dos documentos dos familiares que nunca conhecera, estavam os documentos da legítima esponja, esposa, mulher e companheira durante duas semanas, de seu avô. A sua legítima avó e que ainda tinha direito a tudo, pois nunca se tinha divorciado do amantíssimo esponjo, esposo, marido e companheiro. Depressa volveu à localidade mais próxima e procurou pela sua querida e pequena avó.
Encontrou um jarro cheio de cinzas. Todas as esperanças tinham ido por água abaixo. Só havia uma hipótese, exercer o seu charme de forma inimitável sobre a mulher do seu avô, a brasuca boazona que comia tudo o que se mexia e gastava o dinheiro do velhote a seu belo prazer. Até uma vez comprou um quilo de batatas, a cabra!
Convidou-a para um jantar romântico no elevador do prédio do lado, pois tinha a sua música favorita. Correu bem o jantar e o sexo que fizeram, já o facto de terem sido presos, não foi tão agradável
Repetiram tudo várias vezes até se casarem. No dia seguinte ao casamento ela conseguiu fazer com que ele assinasse um documento que lhe dava todos os poderes sobre dos todos os bens de todas as famílias, conhecidas e desconhecidas.
Matou-me no dia seguinte. Não foi no mesmo dia, porque não conseguiu o horário dos comboios da linha do sul.
Moralidade da história: Se comeres gelo, lava todos dos dias os dentes, porque senão dói.
Eram cerca das dezassete e trinta quando o carteiro trouxe a alegre notícia ao Sr. Barros. Tinha sido escolhido para uma experiência da agência. Ligou de imediato ao avô, que morava na localidade mais próxima e que não sabia que o seu neto era um vigarista de primeira.
- Avô?!
- Sim meu netinho querido…
- Vou viajar!
- Ai sim? E eu com isso…
Mal desligou a chamada fez duas malas bem pequenas, pois não gosta de andar com muita bagagem e pôs-se a caminho. Foi de autocarro, depois de metro e por fim, a pé. Foram uns longos cinquenta e cinco minutos. Como não estava habituado a viagens desta envergadura, levou o lençol de banho para se assoar entre cada paragem.
Não era uma pessoa alta, mas também não muito gorda, talvez por ser assim baixo e pouco magro, não se considerava uma pessoa gira, mas sim uma pessoa encravada. Fazia-se sempre acompanhar por um cesta de verga muito pequena, a qual guardava no bolso do casaco, onde trazia todos os documentos da família que conhecia. Os que não conhecia, guardava numa caixa de sapatos, algures num cacifo de estação de comboio, num terminal longínquo, a norte do país. Este pormenor será demais importante para o desfecho da história.
Ao chegar à agência deparou-se com um grande enigma: será que tinha deixado bem fechado o armário das bolachas? Não hesitou. Não foi confirmar, pois lembrara-se que tinha comido tudo no dia anterior, sabendo que este tipo de experiências poderá durar sempre o seu tempo.
Assim, o Sr. Barros, despiu-se de preconceitos e vestiu a bata de médico obstetra. Conas eram a sua grande paixão e como nunca tinha tido um filho, conseguia assim matar uma dúzia de coelhos com uma só cajadada.
Foram longos, os 17 anos que lá viveu.
Quando voltou a casa, tudo lhe parecia fora do sítio e trouxe consigo mais dois tiques da longa lista de tiques que já detinha. Por outro lado deixou de dizer: amanda.
Era compulsiva a forma como proferia tal palavra. Atroz!
Algo de positivo teria de advir de tal experiência.
Tal como se tinha esquecido do armário das bolachas, também se tinha esquecido da janela da sala aberta, deixando entrar os milhares de pombos e outros seres cósmicos que passaram a habitar na sala. O que lhe valeu foi que a sala era pequena e estava com a porta que lhe dava acesso, fechada à chave. Após três semanas de limpezas e pinturas, conseguiu de novo voltar a conviver com o doce sabor da liberdade.
Os longos anos que passara na agência, deram-lhe uma perspectiva nova da vida, pois agora era marreco. Para além disso, poupara bastante, pois todo o dinheiro que recebia era de imediato colocado numa conta bancária na Suíça, à qual só ele teria acesso. Mais tarde veio a descobrir que não se conhecia e nem ele tinha acesso à conta. Entretanto e porque se conhecia na altura, conseguiu tirar todo o dinheiro para depois se perder de novo na sua alma incompreendida.
Ligou à avó. Como seria de esperar, atendeu uma voz de doce mulher:
- AVÔ?!
- Não, daqui é a viúva do avô. – Disse com voz doce e num sotaque brasileiro cheio de tesão.
- AVÓ?!
- É meu querido, voltei!
- AVÓ! Que saudades…
E desligou o telefone. Nunca suportara o facto da sua avó ser mais nova que ele e ainda por cima, boa como o milho!
Ficou muito, mas mesmo muito, muito mesmo, por demais triste. O avô tinha partido sem deixar um sinal, uma carta, um bilhete, um fax, um email, algo que pudesse dizer: adeus meu querido neto. O número de conta é este e podes levantar tudo.
Isso deixou-o de rastos. Como a marreca era já muito acentuada, parecia ainda mais baixo e de rastos. Era uma pessoa mesmo muito pequena.
Tentou de tudo para reaver um livro que emprestara ao avô, mas a brasuca nunca o deixou entrar lá em casa. Convidou-a a passar uma tarde na casa dele e o máximo que conseguiu foi uma tarde de sexo estonteante. Quanto ao dinheiro, nicles!
Resolveu puxar dos galões e fez a maior viagem da sua vida, pois enganou-se rumo ao norte, em busca da famosa estação de comboios e do bonito cacifo. De uma raiva alaranjada, fez mais quatro quilómetros do que devia. Nunca mais iria se perder daquela forma parva e gigante.
Procurou pelo cacifo, mas já nem a estação existia. Sentiu um vazio penetrante. Todos os documentos dos familiares que não conhecia, tinham desaparecido. Comentou isso com o agente da autoridade que o apanhou a roubar uma bola de Berlim, com recheio. Prontamente o Sr. agente informou-o que a estação tinha sido movida para Espanha e era agora um parque de diversões parvas e sem sentido. Adivinhou logo o que se iria passar. O humor dos espanhóis era mau, ou de alguma forma diferente e por isso, menos bom, mesmo intragável!
Pediu ao Sr. Agente que lhe escrevesse a morada nas costas e fugiu. Volvidos dois dias e meio, chegou perto do cacifo. Abriu-o e dois ratos alados sorriram, perguntando-lhe:
- Diz a palavra: chave.
- Chave.
- Ai tens...
- Obrigado.
Pegou nos documentos de todos os familiares que não conhecia e ficou na mesma. Tudo tinha perdido o sentido. Mais uma vez tinha-se perdido e não sabia quem era.
- Há coisas que nunca mudam… - pensou ele embrutecido pelo gelo que comia, o qual jazia no fundo do copo de sumo de anona.
De qualquer forma voltou a casa, sempre com o sentido dos documentos que agora lhe saltavam na mão e que quase o queimavam.
No conforto do lar e, comendo porco pequeno, lá se encontrou.
No meio dos documentos dos familiares que nunca conhecera, estavam os documentos da legítima esponja, esposa, mulher e companheira durante duas semanas, de seu avô. A sua legítima avó e que ainda tinha direito a tudo, pois nunca se tinha divorciado do amantíssimo esponjo, esposo, marido e companheiro. Depressa volveu à localidade mais próxima e procurou pela sua querida e pequena avó.
Encontrou um jarro cheio de cinzas. Todas as esperanças tinham ido por água abaixo. Só havia uma hipótese, exercer o seu charme de forma inimitável sobre a mulher do seu avô, a brasuca boazona que comia tudo o que se mexia e gastava o dinheiro do velhote a seu belo prazer. Até uma vez comprou um quilo de batatas, a cabra!
Convidou-a para um jantar romântico no elevador do prédio do lado, pois tinha a sua música favorita. Correu bem o jantar e o sexo que fizeram, já o facto de terem sido presos, não foi tão agradável
Repetiram tudo várias vezes até se casarem. No dia seguinte ao casamento ela conseguiu fazer com que ele assinasse um documento que lhe dava todos os poderes sobre dos todos os bens de todas as famílias, conhecidas e desconhecidas.
Matou-me no dia seguinte. Não foi no mesmo dia, porque não conseguiu o horário dos comboios da linha do sul.
Moralidade da história: Se comeres gelo, lava todos dos dias os dentes, porque senão dói.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Solstício de Inverno
Hoje é o fim do íncio! :) O dia mais curto do dia, dá lugar ao dia seguinte, em que são maiores!!!
YES!!! :)
Bem vindo sejas Inverno... Seu filho da pu...!
YES!!! :)
Bem vindo sejas Inverno... Seu filho da pu...!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Atchim!
Vem um carro de baixo e outro de cima, qual deles trás quem estás à espera? É o verde, pois o outro não tem rodas.
Se fico mais um segundo, acho que me mijo todo. No entanto tenho medo de ir andando. Acho que vou ficar.
Xiii! Mais uma vez lá deixei o meu cão no tacho! Já é o segundo. Para a próxima vai de carrinho. Olha lá o bicho!
Mete uma coisa na cabeça, eu não sou o quem pensas que eu sou. Sou quem julgas que eu sou. Mas, és tu quem sabe quem é o teu amigo? Eu sei, que tu sabes que ele sabe, mas não vou estar a julgar ninguém por coisas desse género.
Vai e volta, o calhau naquela rua. Entra e sai, o carro na garagem. Porque razão o sol não é quadrado?
Eu vou dizer uma coisa. Uma coisa.
Gloria a nossa que vos parta ao meio! Se os pastos estiverem secos, as vacas vão ter problemas em cagar como deve ser. Coitadas.
Espirro estas palavras sem sentido, mas se virem, todas têm o seu significado, mesmo as que estão mal escritas.
É bom saber isso…
Se fico mais um segundo, acho que me mijo todo. No entanto tenho medo de ir andando. Acho que vou ficar.
Xiii! Mais uma vez lá deixei o meu cão no tacho! Já é o segundo. Para a próxima vai de carrinho. Olha lá o bicho!
Mete uma coisa na cabeça, eu não sou o quem pensas que eu sou. Sou quem julgas que eu sou. Mas, és tu quem sabe quem é o teu amigo? Eu sei, que tu sabes que ele sabe, mas não vou estar a julgar ninguém por coisas desse género.
Vai e volta, o calhau naquela rua. Entra e sai, o carro na garagem. Porque razão o sol não é quadrado?
Eu vou dizer uma coisa. Uma coisa.
Gloria a nossa que vos parta ao meio! Se os pastos estiverem secos, as vacas vão ter problemas em cagar como deve ser. Coitadas.
Espirro estas palavras sem sentido, mas se virem, todas têm o seu significado, mesmo as que estão mal escritas.
É bom saber isso…
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Um dia em Lisboa
Primeira paragem.
Num dia, algures perdido num destes anos resolvi caminhar, deambular pela cidade, tirar umas fotos a Lisboa, passear, ouvir música, ler, esquecer que existia e quiçá passar um bom bocado.
9:30 da manhã, saí de casa, sem carro, apanhei o autocarro, rumo à Capital. Como não havia autocarro directo para o centro (Baixa), saí em Alcântara para a caminhada do Calvário até à Praça do Comércio. Passeio muito pouco típico, com aliás gosto de fazer. É bom saber que há coisas que não conhecemos e que estão ainda por descobrir. Vi prédios, casas, ruas largas, ruas estreitas e muito poucas pessoas. Não era de todo o meu intuito ver caras, figuras, senti-las, tinha mais a necessidade de sentir os sítios. Dois rolos de 32, um bloco e um livro seriam suficientes. Ângulos, formas de olhar, ver o que quase ninguém vê e pode não ser através da lente de uma câmara fotográfica, pode ser só com a alma, ou com o estado de espirito, o olhar que vê e diz mil palavras, não podendo ser ouvidas. Ao longo do passeio reparei que havia vários objectos que após serem recolhidos, podem ser analisados para futuras experiências da NASA. Há edifícios que falam connosco, pedem que os ajudem, outros que nos mandam dar uma curva e nos desprezam. A cada diapositivo projectado na minha retina, uma cantiga de cores suspirava ao meu ouvido, transmitia dor, ou alegria, tristeza ou gozo. Continuava a caminhava, sabia que só pararia quando chegasse. Passei Santos, caminhei quase sempre junto à 24 de Julho, via o Cais do Sodré e não queria lá chegar, mas não parava. Não sei porquê, mas todo o Cais do Sodré naquele dia parecia-me medonho, um local onde não queria estar, ou que ninguém devia estar. Quando lá cheguei, quase corri e só me apetecia gritar a todos quantos ali passavam para dali saírem, para fugirem, para escapulirem. Foi rápido, no entanto fiquei com saudades, mas não olhei para trás rumo aos passos do Concelho. Praça sem vida, sem cor, sem alma, sem nada. Todas as fotos que tirei a esta Praça saem sempre sem cor, menos sendo a preto e branco. Fazem lembrar as fotos tiradas na praia aos miúdos ao meio-dia. Eu explico; há som, há cor, mas depois de reveladas, nada...
Sorri mal cheguei à Praça do Comércio, como que se o ar do mar me tivesse entrado pela ventas e enchido os pulmões de Percebes, mesmo não havendo grande vento, mas o sol reflectido na pedra branca dava-lhe essa qualidade.
Segunda paragem.
Não escrevi nada, nem uma linha de jeito. Os sons, as cores, a excitação de andar, não deixavam sair palavras, só coisas parvas, rimas parvas, palavras parvas, tolas mesmo. Uma foto e zarpei. Estava na dúvida, no entanto a Rua Augusta é a minha eleita. Aí sim, caras, rostos e olhares. Não consegui definir o que via, só os via e não sentia nada. A cada passo mais me fazia confusão o não sentir as pessoas, como que se não estivessem lá, aliás, estão lá, mas não estão a sentir o que lhes aparece, ou o que miram, como se aquele local fosse um local qualquer. Desde logo abandonei as caras e passei de novo aos edifícios, em especial o topo. O que se passa no topo dos edifícios? Estão lá as coisas mais lindas, mais incríveis, mais fantásticas, e também as mais sem interesse que existe. É um misto de tudo e de nada. Desde a estátua, às cuecas de velha. Mas é claro que do nada pode-se transformar em tudo, o que interessa é o pormenor. Tolo, olho o topo dos edifícios, é como um vírus, que se propaga de uma forma demasiado rápida. As pessoas passam e olham também e como será óbvio referir, elas nada vêm, pois procuram desgraça alheia e eu, coisas bonitas. A fome apodera-se do meu estômago.
Terceira paragem.
Após um bom repasto e bem regado, nada melhor que subir a uma das 7 colinas. O sol convidava. Subi e subi, cheguei a um dos meus locais de eleição. Procurei um dos bancos de jardim, abri a mochila, tirei a música, liguei-a, sentei-me, mas sentei-me mesmo, tirei também o livro abri na página em que ia, li ao todo 10 linhas, deite-me no banco e adormeci. Há muitos, muitos anos que não dormia assim, senti que o meu corpo tivesse deixado a terra e passou a estar noutra dimensão, senti-me muito leve e tranquilo. Como quase todas as pessoas que sejam conscientes, haveria sempre o receio de perder tudo o que tinha e ser assaltado, pensei nisso quando acordei, mas de imediato passou-me, pois o sol dava-me na cara, enchendo-me de energia (mais ainda) para continuar. Levantei-me, assumi de novo a posição de sentado, li umas quantas páginas, mirei à minha volta, estava quase vazio o jardim. São horas das fotos da tarde. Água, sol, arvores, casas, edifícios, o rio. Ai o rio! Pensei que era aqui que queria viver e morrer. Há muito locais por esse mundo fora, mas este é de uma beleza incrível, não sendo nada de especial, torna tudo muito mais fabuloso. Ouvia os acordos de uma música que me faz sorrir e sorri. Verti uma pequena lágrima, doce e alegre. Sorri de novo. Senti-me em paz, respirei fundo, senti uma lufada de ar fresco, fechei os olhos, ouvi, senti e... a música acabou. Guardei o livro que jazia no meu colo, tirei a máquina e tudo me parecia lindo para fotografar. Deitei-me de novo no banco, a imagem era linda, uma, a água no bebedouro, outra, a vista, mais uma. Tudo, tudo era belo. Após uma última vista sobre aquela Lisboa, rumei a outras paragens. Tinha ainda muito que caminhar. Desci de novo á baixa, subi de novo, desta feita, à Graça.
Quarta paragem
Pedi uma bebida, e fiquei por ali, parado, sem pensar em nada, como que se estivesse hipnotizado. O pôr-do-sol era a razão. Dei-lhe um sorriso, disse-lhe até amanhã e ele foi-se. Arrepie-me, vesti a camisola, mas logo percebi que não era só frio, era a noite que lá vinha e eu ainda tinha outros sítios onde ir. Bebi outra bebida, tirei o bloco e escrevi. “Hoje é dia de esquecer...” Arranquei a página, amarrotei-a, pedi a conta e deixei a folha em cima da mesa. Era hora de descer pela encosta. Ainda pensei que podia ir ao Castelo mas a Avenida da Liberdade chamava-me e a noite vinha a passos largos. Quando cheguei ao Martim Moniz estava louco por comer um dos petiscos mais saborosos e mais simples da baixa. Um lombinho e uma imperial preta. Quanto mais pensava mais a saliva se acumulava. Pedi, esperei e ouvi as vozes à minha volta. As conversas são deliciosas naquele local. Servido o lombinho, provei cada dentada como sendo a última, como sendo a comida mais saborosa do universo, bem como a cerveja, tudo estava no lugar certo há hora certa. Comi e bebi, fiquei e esperei, respirei e ouvi. Sorria de vez em quando. Como são deliciosas, ignorantes e lascivas as conversas naquela local. É tão engraçado quando um homem diz qualquer coisa lasciva e depois olha em volta à procura de aprovação, ou desaprovação. Somos quase impelidos a concordar com o que o cavalheiro diz e abanamos a cabeça. Paguei e saí. A Avenida está ali a dois passos. Tinha que seguir. Senti o seu chamamento, era estranho. Parei na praça central dos Restauradores, coloquei a máquina a jeito, tirei algumas fotos à Avenida e a tudo o que nela sobe e desce, até ficar sem rolo. Senti uma enorme curiosidade em ver as fotos. Coloquei o rolo de emergência, ando sempre com um pequeno rolo de 12 para emergências. Fui descendo a rua. O Rossio iluminado é algo a não perder. A Rua do Oiro era outro dos locais que queria encontrar. O elevador de Santa Justa, outro. Estava feito, consegui as fotos que queria, estava na hora de saída nocturna. Subi a Rua do Carmo, o Chiado já tinha alguma agitação, parei no Camões e esperei. Esperei que chegasse alguém. Alguém… uma pessoa qualquer. Alguém!! Esperei mais um pouco, e outro tanto, mais um minuto, ninguém. Uma tristeza sepulcral abateu-se sobre mim. O sorriso de tarde deu lugar à raiva, à profunda tristeza, o querer desaparecer, fugir e não mais voltar. Saltei do banco e voei para dentro do Bairro Alto. Era o mote. Estava criado o estado de espirito para entrar. Corri um ou dois bares que normalmente costumo ir. Não é que sejam muito especiais, como aliás é apanágio do Bairro Alto, em que nada é especial, mas há muita gente que assim pensa, ou julga que sim. Uma coisa é certa, mais uma vez estava lá. Pedi quase sempre a mesma bebida e finalizei no Arroz Doce como de costume. Fiquei preocupado pois mais uma vez estava sozinho e não sóbrio. Parei um pouco com o Arroz Doce à minha frente e ouvi, escrevi e ri. Tenho esse texto algures, um dia quem sabe o revelo.
Encontrei um paralelismo inquietante entre o local do lombinho e as ruas do Bairro Alto. Fiquei contente e triste ao mesmo tempo.
Quinta paragem
Havia um último local, um derradeiro, o último. É um local onde me sinto bem, porque a música de vez em quando me agrada, no entanto foi o local onde já me senti pior na minha vida. Por isso é um local do amor e ódio, coisas que me atraem e mexem comigo. Depois de uma rápida descida e já “embalado”, bati à porta – Tudo bem Rui? – Cumprimentei à entrada. Estava relativamente vazio. Senti desde logo uma estranha sensação de inquietude, visto que tinha passado o dia todo a interiorizar. Dito e feito, a sensação de estar a ser olhado por todos, de estar a ser criticado por todos, fez-me sentir revoltado, angustiado. Acabei a minha bebida avidamente, disse até logo ao Rui e saí à pressa. Procurei o ar da noite, algo que tornasse a minha noite mais agradável. Procurei o rio, o consolo do rio. Hum! Tão bom... Sorri de novo. Já era tarde.
Sexta paragem
Esperei o autocarro, o frio e o sono começaram a apoderar-se de mim, resisti até à última réstia de energia. Finalmente chegou.
Entrei, paguei, sentei-me, pedi por tudo para chegar rápido a casa. À medida que passava por locais que tinha visto de manhã, comentava para mim: “Já passei por ali e a pé...”. Cheguei ao destino, muito, mas muito cansado. Saí e procurei chegar a casa o mais rápido possível. Os metros até casa pareceram horas, dias, semanas, quase em esforço. Abri a porta da rua, entrei, fechei a porta, atirei tudo para o chão, tirei a roupa toda, voei para a cama e descansei.
Final
Um último pensamento invadiu a minha cabeça, antes de dormir: “Tenho a boca colada de não falar, mas tenho a mente cansada de sentir. Até manhã” Sorri e dormi.
Num dia, algures perdido num destes anos resolvi caminhar, deambular pela cidade, tirar umas fotos a Lisboa, passear, ouvir música, ler, esquecer que existia e quiçá passar um bom bocado.
9:30 da manhã, saí de casa, sem carro, apanhei o autocarro, rumo à Capital. Como não havia autocarro directo para o centro (Baixa), saí em Alcântara para a caminhada do Calvário até à Praça do Comércio. Passeio muito pouco típico, com aliás gosto de fazer. É bom saber que há coisas que não conhecemos e que estão ainda por descobrir. Vi prédios, casas, ruas largas, ruas estreitas e muito poucas pessoas. Não era de todo o meu intuito ver caras, figuras, senti-las, tinha mais a necessidade de sentir os sítios. Dois rolos de 32, um bloco e um livro seriam suficientes. Ângulos, formas de olhar, ver o que quase ninguém vê e pode não ser através da lente de uma câmara fotográfica, pode ser só com a alma, ou com o estado de espirito, o olhar que vê e diz mil palavras, não podendo ser ouvidas. Ao longo do passeio reparei que havia vários objectos que após serem recolhidos, podem ser analisados para futuras experiências da NASA. Há edifícios que falam connosco, pedem que os ajudem, outros que nos mandam dar uma curva e nos desprezam. A cada diapositivo projectado na minha retina, uma cantiga de cores suspirava ao meu ouvido, transmitia dor, ou alegria, tristeza ou gozo. Continuava a caminhava, sabia que só pararia quando chegasse. Passei Santos, caminhei quase sempre junto à 24 de Julho, via o Cais do Sodré e não queria lá chegar, mas não parava. Não sei porquê, mas todo o Cais do Sodré naquele dia parecia-me medonho, um local onde não queria estar, ou que ninguém devia estar. Quando lá cheguei, quase corri e só me apetecia gritar a todos quantos ali passavam para dali saírem, para fugirem, para escapulirem. Foi rápido, no entanto fiquei com saudades, mas não olhei para trás rumo aos passos do Concelho. Praça sem vida, sem cor, sem alma, sem nada. Todas as fotos que tirei a esta Praça saem sempre sem cor, menos sendo a preto e branco. Fazem lembrar as fotos tiradas na praia aos miúdos ao meio-dia. Eu explico; há som, há cor, mas depois de reveladas, nada...
Sorri mal cheguei à Praça do Comércio, como que se o ar do mar me tivesse entrado pela ventas e enchido os pulmões de Percebes, mesmo não havendo grande vento, mas o sol reflectido na pedra branca dava-lhe essa qualidade.
Segunda paragem.
Não escrevi nada, nem uma linha de jeito. Os sons, as cores, a excitação de andar, não deixavam sair palavras, só coisas parvas, rimas parvas, palavras parvas, tolas mesmo. Uma foto e zarpei. Estava na dúvida, no entanto a Rua Augusta é a minha eleita. Aí sim, caras, rostos e olhares. Não consegui definir o que via, só os via e não sentia nada. A cada passo mais me fazia confusão o não sentir as pessoas, como que se não estivessem lá, aliás, estão lá, mas não estão a sentir o que lhes aparece, ou o que miram, como se aquele local fosse um local qualquer. Desde logo abandonei as caras e passei de novo aos edifícios, em especial o topo. O que se passa no topo dos edifícios? Estão lá as coisas mais lindas, mais incríveis, mais fantásticas, e também as mais sem interesse que existe. É um misto de tudo e de nada. Desde a estátua, às cuecas de velha. Mas é claro que do nada pode-se transformar em tudo, o que interessa é o pormenor. Tolo, olho o topo dos edifícios, é como um vírus, que se propaga de uma forma demasiado rápida. As pessoas passam e olham também e como será óbvio referir, elas nada vêm, pois procuram desgraça alheia e eu, coisas bonitas. A fome apodera-se do meu estômago.
Terceira paragem.
Após um bom repasto e bem regado, nada melhor que subir a uma das 7 colinas. O sol convidava. Subi e subi, cheguei a um dos meus locais de eleição. Procurei um dos bancos de jardim, abri a mochila, tirei a música, liguei-a, sentei-me, mas sentei-me mesmo, tirei também o livro abri na página em que ia, li ao todo 10 linhas, deite-me no banco e adormeci. Há muitos, muitos anos que não dormia assim, senti que o meu corpo tivesse deixado a terra e passou a estar noutra dimensão, senti-me muito leve e tranquilo. Como quase todas as pessoas que sejam conscientes, haveria sempre o receio de perder tudo o que tinha e ser assaltado, pensei nisso quando acordei, mas de imediato passou-me, pois o sol dava-me na cara, enchendo-me de energia (mais ainda) para continuar. Levantei-me, assumi de novo a posição de sentado, li umas quantas páginas, mirei à minha volta, estava quase vazio o jardim. São horas das fotos da tarde. Água, sol, arvores, casas, edifícios, o rio. Ai o rio! Pensei que era aqui que queria viver e morrer. Há muito locais por esse mundo fora, mas este é de uma beleza incrível, não sendo nada de especial, torna tudo muito mais fabuloso. Ouvia os acordos de uma música que me faz sorrir e sorri. Verti uma pequena lágrima, doce e alegre. Sorri de novo. Senti-me em paz, respirei fundo, senti uma lufada de ar fresco, fechei os olhos, ouvi, senti e... a música acabou. Guardei o livro que jazia no meu colo, tirei a máquina e tudo me parecia lindo para fotografar. Deitei-me de novo no banco, a imagem era linda, uma, a água no bebedouro, outra, a vista, mais uma. Tudo, tudo era belo. Após uma última vista sobre aquela Lisboa, rumei a outras paragens. Tinha ainda muito que caminhar. Desci de novo á baixa, subi de novo, desta feita, à Graça.
Quarta paragem
Pedi uma bebida, e fiquei por ali, parado, sem pensar em nada, como que se estivesse hipnotizado. O pôr-do-sol era a razão. Dei-lhe um sorriso, disse-lhe até amanhã e ele foi-se. Arrepie-me, vesti a camisola, mas logo percebi que não era só frio, era a noite que lá vinha e eu ainda tinha outros sítios onde ir. Bebi outra bebida, tirei o bloco e escrevi. “Hoje é dia de esquecer...” Arranquei a página, amarrotei-a, pedi a conta e deixei a folha em cima da mesa. Era hora de descer pela encosta. Ainda pensei que podia ir ao Castelo mas a Avenida da Liberdade chamava-me e a noite vinha a passos largos. Quando cheguei ao Martim Moniz estava louco por comer um dos petiscos mais saborosos e mais simples da baixa. Um lombinho e uma imperial preta. Quanto mais pensava mais a saliva se acumulava. Pedi, esperei e ouvi as vozes à minha volta. As conversas são deliciosas naquele local. Servido o lombinho, provei cada dentada como sendo a última, como sendo a comida mais saborosa do universo, bem como a cerveja, tudo estava no lugar certo há hora certa. Comi e bebi, fiquei e esperei, respirei e ouvi. Sorria de vez em quando. Como são deliciosas, ignorantes e lascivas as conversas naquela local. É tão engraçado quando um homem diz qualquer coisa lasciva e depois olha em volta à procura de aprovação, ou desaprovação. Somos quase impelidos a concordar com o que o cavalheiro diz e abanamos a cabeça. Paguei e saí. A Avenida está ali a dois passos. Tinha que seguir. Senti o seu chamamento, era estranho. Parei na praça central dos Restauradores, coloquei a máquina a jeito, tirei algumas fotos à Avenida e a tudo o que nela sobe e desce, até ficar sem rolo. Senti uma enorme curiosidade em ver as fotos. Coloquei o rolo de emergência, ando sempre com um pequeno rolo de 12 para emergências. Fui descendo a rua. O Rossio iluminado é algo a não perder. A Rua do Oiro era outro dos locais que queria encontrar. O elevador de Santa Justa, outro. Estava feito, consegui as fotos que queria, estava na hora de saída nocturna. Subi a Rua do Carmo, o Chiado já tinha alguma agitação, parei no Camões e esperei. Esperei que chegasse alguém. Alguém… uma pessoa qualquer. Alguém!! Esperei mais um pouco, e outro tanto, mais um minuto, ninguém. Uma tristeza sepulcral abateu-se sobre mim. O sorriso de tarde deu lugar à raiva, à profunda tristeza, o querer desaparecer, fugir e não mais voltar. Saltei do banco e voei para dentro do Bairro Alto. Era o mote. Estava criado o estado de espirito para entrar. Corri um ou dois bares que normalmente costumo ir. Não é que sejam muito especiais, como aliás é apanágio do Bairro Alto, em que nada é especial, mas há muita gente que assim pensa, ou julga que sim. Uma coisa é certa, mais uma vez estava lá. Pedi quase sempre a mesma bebida e finalizei no Arroz Doce como de costume. Fiquei preocupado pois mais uma vez estava sozinho e não sóbrio. Parei um pouco com o Arroz Doce à minha frente e ouvi, escrevi e ri. Tenho esse texto algures, um dia quem sabe o revelo.
Encontrei um paralelismo inquietante entre o local do lombinho e as ruas do Bairro Alto. Fiquei contente e triste ao mesmo tempo.
Quinta paragem
Havia um último local, um derradeiro, o último. É um local onde me sinto bem, porque a música de vez em quando me agrada, no entanto foi o local onde já me senti pior na minha vida. Por isso é um local do amor e ódio, coisas que me atraem e mexem comigo. Depois de uma rápida descida e já “embalado”, bati à porta – Tudo bem Rui? – Cumprimentei à entrada. Estava relativamente vazio. Senti desde logo uma estranha sensação de inquietude, visto que tinha passado o dia todo a interiorizar. Dito e feito, a sensação de estar a ser olhado por todos, de estar a ser criticado por todos, fez-me sentir revoltado, angustiado. Acabei a minha bebida avidamente, disse até logo ao Rui e saí à pressa. Procurei o ar da noite, algo que tornasse a minha noite mais agradável. Procurei o rio, o consolo do rio. Hum! Tão bom... Sorri de novo. Já era tarde.
Sexta paragem
Esperei o autocarro, o frio e o sono começaram a apoderar-se de mim, resisti até à última réstia de energia. Finalmente chegou.
Entrei, paguei, sentei-me, pedi por tudo para chegar rápido a casa. À medida que passava por locais que tinha visto de manhã, comentava para mim: “Já passei por ali e a pé...”. Cheguei ao destino, muito, mas muito cansado. Saí e procurei chegar a casa o mais rápido possível. Os metros até casa pareceram horas, dias, semanas, quase em esforço. Abri a porta da rua, entrei, fechei a porta, atirei tudo para o chão, tirei a roupa toda, voei para a cama e descansei.
Final
Um último pensamento invadiu a minha cabeça, antes de dormir: “Tenho a boca colada de não falar, mas tenho a mente cansada de sentir. Até manhã” Sorri e dormi.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
O que parece é
Suspende a tua respiração e calça a luva.
- Sabes, vou para a China!
- Hã?!
- Sim, foi isso que ouviste.
- Com quem?
- Sozinho!
- Não pode ser!
- Eu sei… mas chamam por mim.
- Quem?
- Eles…
- Ah! Já sei… Quem? Quem são eles?
- Eles…
- Explica-te melhor, isso não é conversa. Quem são eles?
- Eles… ora, são Eles!
- Estás portanto a gozar comigo, não estás?!
- Claro que não. Queria que fosses e primeira pessoa a sabê-lo.
- Ai sim? E quem te dá o direito de escolheres. E depois, quero saber já e agora, quem são eles!!!
- De facto não há muito a dizer. Eles são eles, os maus. E tu, porque te escolhi? Porque és a única pessoa que me ouve, ou com que eu consigo falar.
- Ouve bem o que te vou dizer:
- Sim…
- Tu não vais para lado nenhum.
- Não?
- Sim, não vais!
- E porque não vou?
- Deixa-me falar e acabar.
- Sim.
- Tu não vais para lado nenhum, pois se fosses já tinhas ido. Esse é o primeiro aspecto da questão, depois, na tua condição, não vais conseguir e por fim, volto a dizer que não podes, não tens o direito de falar comigo desse tipo de coisas.
- Não acreditas? Achas que estou louco? Sou um sonhador? Posso até ser , mas a força deles é superior a isso tudo!
- Estou a perder a paciência. Por certo não me ouves, ou não me entendeste. Queres que me vá embora? Que te deixe sozinho com as tua novas loucuras?
- Se o fizeres serás o primeiro a morrer!
- Como?! Como foi que disseste?
- Ouviste bem. Mato-te se fores embora!
- Calma! Tem muita calma. Não te exaltes. Sabes bem que eles estão sempre a vigiar-te. Ao mínimo sobressalto vais para onde não queres.
- Se for a culpa é tua, toda tua!
- Não digas isso, sabes que me magoas quando dizes isso.
- Sim, digo, vezes sem conta. É escusado dizer que a culpa é toda tua!
- Vá, não exageres. Tens a tua quota parte…
- Não, a culpa é toda tua!
- Não ínsitas!
(…)
Conversa entre duas moscas dentro de um copo voltado ao contrário, por um bruxo vesgo.
- Sabes, vou para a China!
- Hã?!
- Sim, foi isso que ouviste.
- Com quem?
- Sozinho!
- Não pode ser!
- Eu sei… mas chamam por mim.
- Quem?
- Eles…
- Ah! Já sei… Quem? Quem são eles?
- Eles…
- Explica-te melhor, isso não é conversa. Quem são eles?
- Eles… ora, são Eles!
- Estás portanto a gozar comigo, não estás?!
- Claro que não. Queria que fosses e primeira pessoa a sabê-lo.
- Ai sim? E quem te dá o direito de escolheres. E depois, quero saber já e agora, quem são eles!!!
- De facto não há muito a dizer. Eles são eles, os maus. E tu, porque te escolhi? Porque és a única pessoa que me ouve, ou com que eu consigo falar.
- Ouve bem o que te vou dizer:
- Sim…
- Tu não vais para lado nenhum.
- Não?
- Sim, não vais!
- E porque não vou?
- Deixa-me falar e acabar.
- Sim.
- Tu não vais para lado nenhum, pois se fosses já tinhas ido. Esse é o primeiro aspecto da questão, depois, na tua condição, não vais conseguir e por fim, volto a dizer que não podes, não tens o direito de falar comigo desse tipo de coisas.
- Não acreditas? Achas que estou louco? Sou um sonhador? Posso até ser , mas a força deles é superior a isso tudo!
- Estou a perder a paciência. Por certo não me ouves, ou não me entendeste. Queres que me vá embora? Que te deixe sozinho com as tua novas loucuras?
- Se o fizeres serás o primeiro a morrer!
- Como?! Como foi que disseste?
- Ouviste bem. Mato-te se fores embora!
- Calma! Tem muita calma. Não te exaltes. Sabes bem que eles estão sempre a vigiar-te. Ao mínimo sobressalto vais para onde não queres.
- Se for a culpa é tua, toda tua!
- Não digas isso, sabes que me magoas quando dizes isso.
- Sim, digo, vezes sem conta. É escusado dizer que a culpa é toda tua!
- Vá, não exageres. Tens a tua quota parte…
- Não, a culpa é toda tua!
- Não ínsitas!
(…)
Conversa entre duas moscas dentro de um copo voltado ao contrário, por um bruxo vesgo.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
terça-feira, 16 de outubro de 2007
RadioHead
Radiohead- Karma Police
Radiohead - No Surprises
Radiohead - High & Dry
Radiohead - There There
Radiohead - Just
Radiohead - Creep
RADIOHEAD-RABBIT IN YOUR HEADLIGHTS
Radiohead - No Surprises
Radiohead - High & Dry
Radiohead - There There
Radiohead - Just
Radiohead - Creep
RADIOHEAD-RABBIT IN YOUR HEADLIGHTS
Espasmos
Sesmarias santas que vêm juntas de percevejos amarados aos pés e juntos por indicação do padre que foge a bem fugir do álcool e da santa que se espanta de ser insana e malvada, julgada e maltratada entra pela porta entreaberta de uma só vez, ou de vez em quando, por espanto de ser a mesma e única pessoa que nada sabe e tudo quer ser, não se pode saber se não será mas terá pela manhã um galo na testa e um ventrículo na cama, bem como uma moeda na garganta.
Festas da Boa Nossa e Nova semi-despida da verdade que sai pela sala e entra verde na minha forma de sorrir pela noite, ou dentro, da manhã, imergindo de fora para dentro, com o ventre, rente, o crente transforma água em qualquer coisa que se coma, pois a fome é mais que muita, já a sede é para os ricos que podem beber de onde querem e saborear o mel que brota das arvores, despidas, de novo, de folhas, de cobertura, para que possam ser apreciadas na sua essência, castanha, que a verde é mais rara e vigorante.
Ai pobre aquele que pensa.
Ai pobre aquele que sente.
De uma só vez vi dois galos à bulha, de nada serviu, pois a galinha estava torta.
Meter o que se compra no que se julga ser o que se adquiriu, mas no fundo não se sabe o que se comprou, sabe-se sim que é algo que foi adquirido, não sendo o que se pensava ser, mas sendo o que julgava ter-se comprado. Assim, compra-se só o que se precisa.
Viste?
Sopa de manga com duas colheres de chá de nabos em pó e uma pitada de coisas que fazem rir. Eis a receita mais frívola que já se conheceu.
Siga pela estrada fora, entra na próxima localidade e ensopa o bibe de manteiga de cabra velha, como as portas abertas e fechadas pelo tempo que nos percorre as veias, que pensamos ser todo igual, mas não, é do outro, o mesmo que foi a correr pela rua fora e dizia a plenos pulmões:
ESTOU EVENENADO!
Festas da Boa Nossa e Nova semi-despida da verdade que sai pela sala e entra verde na minha forma de sorrir pela noite, ou dentro, da manhã, imergindo de fora para dentro, com o ventre, rente, o crente transforma água em qualquer coisa que se coma, pois a fome é mais que muita, já a sede é para os ricos que podem beber de onde querem e saborear o mel que brota das arvores, despidas, de novo, de folhas, de cobertura, para que possam ser apreciadas na sua essência, castanha, que a verde é mais rara e vigorante.
Ai pobre aquele que pensa.
Ai pobre aquele que sente.
De uma só vez vi dois galos à bulha, de nada serviu, pois a galinha estava torta.
Meter o que se compra no que se julga ser o que se adquiriu, mas no fundo não se sabe o que se comprou, sabe-se sim que é algo que foi adquirido, não sendo o que se pensava ser, mas sendo o que julgava ter-se comprado. Assim, compra-se só o que se precisa.
Viste?
Sopa de manga com duas colheres de chá de nabos em pó e uma pitada de coisas que fazem rir. Eis a receita mais frívola que já se conheceu.
Siga pela estrada fora, entra na próxima localidade e ensopa o bibe de manteiga de cabra velha, como as portas abertas e fechadas pelo tempo que nos percorre as veias, que pensamos ser todo igual, mas não, é do outro, o mesmo que foi a correr pela rua fora e dizia a plenos pulmões:
ESTOU EVENENADO!
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Não pode ser, não me pode ter acontecido
Emborco aos litros o veneno que cresce nas árvores do jardim, um a trás do outro, numa toada de suicídio, sem querer saber quem conta comigo, ou quem lucrar com isso, ou até que pode sofrer com isso, o meu egoísmo emerge-me por todos os poros. Ao olhar para as minhas mãos, penso porque as tenho, para quê? Sei bem que em tempos pensei neste tema e disse o que disse, pensei o que pensei, mas neste momento tudo está posto em causa, tudo deixou de fazer sentido, o que antes julgamos certo, neste momento é a maior incerteza do mundo. O Rubem bem me disse que não ia aguentar a pressão. Eu não quis ouvir mais uma vez, pura e simplesmente não o quis ouvir de novo. Sou o que sou pelas minhas mãos e mesmo sendo ele o que é para mim, em nada muda o que eu possa pensar, devia, mas não muda. Só pelo simples facto de me ter enganado uma vez, eu terei sempre esta atitude com ele. Já o perdoei, e sei bem porquê, mas mesmo assim, continuo a dizer que sim, tudo bem, mas faço o que me vai no coração. No entanto nada disso interessa, pois o veneno está a fazer efeito e enquanto escrevo estas linhas, o mais rápido que consigo, deixo de sentir partes do meu corpo e as dores de estômago acentuam-se, tornam-se lancinantes, horrorosas! Ai! Alguém me podia ter dito que esta merda custava assim tanto… Mas o que eu estou a fazer? Não pode ser! Eu tão culto, tão fora de tudo, como posso eu ter caído no pior dos assassinos de pessoas, a falta de imaginação, a falta de criatividade! Não pode ser, eu não posso ter caído nisto! Vou vomitar, pode ser que o veneno ainda não tenha feito efeito. Não consigo… os dedos estão bem fundo na garganta mas nada, não sai nada, porra! Sai veneno maldito! No meio disto tudo sinto toda a criatividade, espiritualidade a fluir pelas minhas entranhas, querem sair, vou aproveitar e vomita-las! Não, não são a ideias que têm que sair e sim veneno. Azeite e mel, ou azeite e leite? Porque nunca nos lembramos desta tretas quando precisamos. Vou beber tudo ao mesmo tempo, pode ser que resulte.
NADA!
Espera… ah! Agora sim! Aí vem o nosso amigo! Não para aqui não… chiça! Não para cima do papel…! Vomitei tudo, acho que ainda havia algo, mas não sei bem se quero que saia. Deixei de sentir os pés e parte das pernas, arrastei-me de novo, aqui para a mesa. E as ideias que me correm pelas veias e querem explodir! Vou deixar sair uma, mesmo que não seja das melhores:
Sabem qual é o maior ser humano do mundo? É um homem muito alto.
E com esta ideia, fenomenal deixei de sentir as pernas e os pés. Bem, acho que o raio do veneno continua a fazer das suas. Acho que bebi demais. Logo eu! Não acredito no suicídio, não acredito em bruxas, no Pai Natal, em Deus e nem sequer acredito que a minha vizinha consiga voltar a casar com 78 anos, como fui eu deixar-me levar por isto? Tenho que arranjar uma justificação, não posso morrer sem saber porquê.
Primeiro: será que vou morrer e porquê? Deixa-te disso! Não tens tempo… Então algo mais simples, Porque bebi eu o veneno? Hum. É fácil. É bastante fácil. Sempre que penso nela, coisas estranhas acontecem. Só que hoje pensei demais. Deixei entrar a única réstia de consciência que me restava, erro mais que grave, que me pode ter custado a vida.
Tenho que lhe ligar, mas tenho vergonha. Tenho vergonha de morrer? HUM! Interessante. Pois é, acho que de facto o que se passa é que todos nós temos vergonha de morrer, daí não querermos morrer, ou não gostarmos de morrer. Pois, mas eu tinha vergonha de ligar para o Rubem e pedir ajuda, logo, vergonha de morrer, ainda por cima, ele ia perguntar logo se eu tinha as janelas fechadas e se andava vestido pela casa. Nunca suportou ver-me nu. É normal, mas eu acho que fazia de propósito. A minha magreza irrita todos, em especial ele, que tinha horror a apaixonar-se por mim!
Perdi tudo, pois deixei de sentir o meu sexo e liguei-lhe. Para meu espanto, só perguntou pelos chinelos de quarto que tinha cá deixado quando cá esteve acamado por causa de uma unha encravada e em dois minutos estava perto de mim.
Deu-me uma valente tareia e disse-me que o que eu tinha bebido eram os potes que estavam pendurados nas árvores, que ele com tanto amor, calor e carinho, tinha enchido de chá de beladona. Estava só dormente e não ia morrer. Nesse momento queria mesmo morrer, a vergonha subia-me à cabeça, mas de um só golpe, caí redondo no chão. A droga estava profunda na minha cabeça. Ainda um último pensamento surgiu:
Quem pensa, pensado é, mas quem come, nem sempre pode ser comido.
Dormi 5 dias, até me dar uma fome terrível, inigualável.
NADA!
Espera… ah! Agora sim! Aí vem o nosso amigo! Não para aqui não… chiça! Não para cima do papel…! Vomitei tudo, acho que ainda havia algo, mas não sei bem se quero que saia. Deixei de sentir os pés e parte das pernas, arrastei-me de novo, aqui para a mesa. E as ideias que me correm pelas veias e querem explodir! Vou deixar sair uma, mesmo que não seja das melhores:
Sabem qual é o maior ser humano do mundo? É um homem muito alto.
E com esta ideia, fenomenal deixei de sentir as pernas e os pés. Bem, acho que o raio do veneno continua a fazer das suas. Acho que bebi demais. Logo eu! Não acredito no suicídio, não acredito em bruxas, no Pai Natal, em Deus e nem sequer acredito que a minha vizinha consiga voltar a casar com 78 anos, como fui eu deixar-me levar por isto? Tenho que arranjar uma justificação, não posso morrer sem saber porquê.
Primeiro: será que vou morrer e porquê? Deixa-te disso! Não tens tempo… Então algo mais simples, Porque bebi eu o veneno? Hum. É fácil. É bastante fácil. Sempre que penso nela, coisas estranhas acontecem. Só que hoje pensei demais. Deixei entrar a única réstia de consciência que me restava, erro mais que grave, que me pode ter custado a vida.
Tenho que lhe ligar, mas tenho vergonha. Tenho vergonha de morrer? HUM! Interessante. Pois é, acho que de facto o que se passa é que todos nós temos vergonha de morrer, daí não querermos morrer, ou não gostarmos de morrer. Pois, mas eu tinha vergonha de ligar para o Rubem e pedir ajuda, logo, vergonha de morrer, ainda por cima, ele ia perguntar logo se eu tinha as janelas fechadas e se andava vestido pela casa. Nunca suportou ver-me nu. É normal, mas eu acho que fazia de propósito. A minha magreza irrita todos, em especial ele, que tinha horror a apaixonar-se por mim!
Perdi tudo, pois deixei de sentir o meu sexo e liguei-lhe. Para meu espanto, só perguntou pelos chinelos de quarto que tinha cá deixado quando cá esteve acamado por causa de uma unha encravada e em dois minutos estava perto de mim.
Deu-me uma valente tareia e disse-me que o que eu tinha bebido eram os potes que estavam pendurados nas árvores, que ele com tanto amor, calor e carinho, tinha enchido de chá de beladona. Estava só dormente e não ia morrer. Nesse momento queria mesmo morrer, a vergonha subia-me à cabeça, mas de um só golpe, caí redondo no chão. A droga estava profunda na minha cabeça. Ainda um último pensamento surgiu:
Quem pensa, pensado é, mas quem come, nem sempre pode ser comido.
Dormi 5 dias, até me dar uma fome terrível, inigualável.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Na minha cave
Convidei-te para beber um copo
Fixa na minha mente só uma forma como te toco
Meto tudo, a faca e a mão
Sentes tudo, o frio e o chão
O calor do teu sangue fumega ao vento
Dilacero o teu corpo com a força de um jumento
De cima para baixo, movo o machado
Limpo tudo com o teu lenço lavado
Bem devagar sinto a carne a ser cortada
Quando entra lenta cada facada
Hum! Como é bom este cheiro
Hum! Envolto neste nevoeiro
De olhos bem abertos e rechonchudos
Sentes entrar os golpes bem profundos
Corto-te uma mama
Uma aqui outra na cama
É tanto o sangue e o pranto
Ficando o teu corpo ainda mais branco
Dás um último suspiro
Ficando morta, como eu prefiro.
Ainda faltam duas…
Fixa na minha mente só uma forma como te toco
Meto tudo, a faca e a mão
Sentes tudo, o frio e o chão
O calor do teu sangue fumega ao vento
Dilacero o teu corpo com a força de um jumento
De cima para baixo, movo o machado
Limpo tudo com o teu lenço lavado
Bem devagar sinto a carne a ser cortada
Quando entra lenta cada facada
Hum! Como é bom este cheiro
Hum! Envolto neste nevoeiro
De olhos bem abertos e rechonchudos
Sentes entrar os golpes bem profundos
Corto-te uma mama
Uma aqui outra na cama
É tanto o sangue e o pranto
Ficando o teu corpo ainda mais branco
Dás um último suspiro
Ficando morta, como eu prefiro.
Ainda faltam duas…
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Onde ficar perto do Porto
Casa das Cerejas
A uma hora do Porto, em Parede de Coura, LINDO!!!
Gente muito, mas muito simpática.
Apareçam, vai valer a pena.
A uma hora do Porto, em Parede de Coura, LINDO!!!
Gente muito, mas muito simpática.
Apareçam, vai valer a pena.
E este ano foi...
Queria dizer bem mais à cerca deste Paredes de Coura, mas não há muito mais a dizer: foi muito bom.
No entanto, e porque este ano há um “no entanto”, não foi tão bom como em outras edições, pelo menos para o meu gosto de bandas. Quando penso no line up do ano passado, há nitidamente uma grande diferença nas tendências musicais. A ver vamos como será o 2008. Um coisa é certa, estou cá.
Agora, MUDEM DE CREVEJA!!! A Heineken é uma MERDA!!!
No entanto, e porque este ano há um “no entanto”, não foi tão bom como em outras edições, pelo menos para o meu gosto de bandas. Quando penso no line up do ano passado, há nitidamente uma grande diferença nas tendências musicais. A ver vamos como será o 2008. Um coisa é certa, estou cá.
Agora, MUDEM DE CREVEJA!!! A Heineken é uma MERDA!!!
terça-feira, 7 de agosto de 2007
11 da manhã, o sol estala na minha cara.
Uma noite mais calma que o normal. Dois bêbados, uma prostituta com ar pedante, um doente do miolo que me vem atazanando a vida quase toda, e vários cromos, dos difíceis, mas nada de especial.
A Zénia disse que aparecia mas não quis dar nas vistas. Depois da tarde no jardim deitados na relva, era normal. Não perdi a esperança, mas por outro lado achei que não seria possível. Já aconteceu com outras, mas com a Zénia… não.
Uma pessoa muito inteligente, demasiado, julgo eu. Mal de muita gente, pensa muito e quando tem que agir fica indecisa, por achar que pensa muito. Conversas que só em sonhos podia ter com alguém tão belo e fechado. De uma beleza fora do comum. (Como aliás são todas as mulheres nas minhas histórias. Tenho que parar com isso, senão torna-se cliché) Ruiva, como poucas, olhos cinzentos com alguns salpicos verdes nas extremidades, de uma profundidade assustadora, cinco minutos de olhos nos olhos e ficas sem alma. Muito rosada, com algumas sardas. Não usa e acho que nunca usou, qualquer tipo de maquilhagem, mas parece. A pele é de uma seda luminosa, os ombros de uma sensualidade violenta, os cabelos de um laranja forte, vivo e brilhante, a contra luz parece ser o sol. De um tom de pele puro, como que nunca tivesse sido tocada. As feições de uma Deusa do Olimpo, que tranquilamente nos fita e nos desfaz. Nem alta nem baixa, veste roupa fresca, o calor já vai fazendo as suas desgraças, o que deixa ver algumas partes do seu corpo, as suficientes para me dar apertos no coração. Uma dela é a transposição da cintura para as ancas, altamente inebriante. Só apetece meter a mão e sentir. O toque deve-se evitar ao máximo, sempre ouvi dizer.
Nos dias que correm qualquer tipo de toque é considerado uma evasão da privacidade e o primeiro sente-se como se sente o seu peito nu encostado no meu. Por um breve milionésimo de segundo tocámo-nos, nas mãos. Foi como um choque eléctrico. Senti-me ligado a ela para o resto da vida, foi de tal forma que a conversa parou, ficámos a olhar o azul do céu e com medo dos pombos. O que nos uniu foram os pombos.
Sofremos de “pombofubia”. Não gostamos que se aproximem, mas adorávamos ter mil daquelas aves em casa. É mais umas das incongruências da vida moderna.
A saliva estava já há muito seca, mas não conseguimos parar de evocar temas antigos. Um em particular excitante, a Grécia antiga. Devorámos teorias, livros, temas, discussões acesas, maravilhosas concordâncias, de arrepiar. Este é o mais apaixonante, dos mil e um temas que falámos. Desde o primeiro dia que achei ser uma relação tão especial. Achei que podia contar com ela para tudo, mas sei que quando precisar vai-me custar tudo. Ela diz que não, mas sei que não vai ser assim. Se for como ela diz, será ainda mais especial, mas sei que será como eu penso.
Trabalhei o resto da noite, a vã esperança não abandonou o meu coração, mas podia tirar todas as esperanças do meu corpo. Ela não viria. Saíram os últimos anormais, mais cumprimentos, o doente do miolo que me olha de lado. - Hoje não. - Disse eu. Deixei-o ir. Despedi-me de todos, pedi ao patrão se podia fechar a porta por mim. Ele assustou-se um pouco comigo e comentou que andava ali pombinha. Já nos conhecemos há tantos anos… Mas notou que estava diferente, no meio da melancolia, notava um sorriso. Perguntou-me logo se podia continuar a contar comigo. Eu disse num tom um pouco seco: Espero que sim.
Vagueei pelas ruas da cidade, mais ou menos deserta, só os turistas que são mais que os pombos, e por isso há que evitar, se faziam passear pelas ruas. 11 da manhã o sol estala na minha cara, meto a chave à porta e ela toca-me no ombro.
A Zénia disse que aparecia mas não quis dar nas vistas. Depois da tarde no jardim deitados na relva, era normal. Não perdi a esperança, mas por outro lado achei que não seria possível. Já aconteceu com outras, mas com a Zénia… não.
Uma pessoa muito inteligente, demasiado, julgo eu. Mal de muita gente, pensa muito e quando tem que agir fica indecisa, por achar que pensa muito. Conversas que só em sonhos podia ter com alguém tão belo e fechado. De uma beleza fora do comum. (Como aliás são todas as mulheres nas minhas histórias. Tenho que parar com isso, senão torna-se cliché) Ruiva, como poucas, olhos cinzentos com alguns salpicos verdes nas extremidades, de uma profundidade assustadora, cinco minutos de olhos nos olhos e ficas sem alma. Muito rosada, com algumas sardas. Não usa e acho que nunca usou, qualquer tipo de maquilhagem, mas parece. A pele é de uma seda luminosa, os ombros de uma sensualidade violenta, os cabelos de um laranja forte, vivo e brilhante, a contra luz parece ser o sol. De um tom de pele puro, como que nunca tivesse sido tocada. As feições de uma Deusa do Olimpo, que tranquilamente nos fita e nos desfaz. Nem alta nem baixa, veste roupa fresca, o calor já vai fazendo as suas desgraças, o que deixa ver algumas partes do seu corpo, as suficientes para me dar apertos no coração. Uma dela é a transposição da cintura para as ancas, altamente inebriante. Só apetece meter a mão e sentir. O toque deve-se evitar ao máximo, sempre ouvi dizer.
Nos dias que correm qualquer tipo de toque é considerado uma evasão da privacidade e o primeiro sente-se como se sente o seu peito nu encostado no meu. Por um breve milionésimo de segundo tocámo-nos, nas mãos. Foi como um choque eléctrico. Senti-me ligado a ela para o resto da vida, foi de tal forma que a conversa parou, ficámos a olhar o azul do céu e com medo dos pombos. O que nos uniu foram os pombos.
Sofremos de “pombofubia”. Não gostamos que se aproximem, mas adorávamos ter mil daquelas aves em casa. É mais umas das incongruências da vida moderna.
A saliva estava já há muito seca, mas não conseguimos parar de evocar temas antigos. Um em particular excitante, a Grécia antiga. Devorámos teorias, livros, temas, discussões acesas, maravilhosas concordâncias, de arrepiar. Este é o mais apaixonante, dos mil e um temas que falámos. Desde o primeiro dia que achei ser uma relação tão especial. Achei que podia contar com ela para tudo, mas sei que quando precisar vai-me custar tudo. Ela diz que não, mas sei que não vai ser assim. Se for como ela diz, será ainda mais especial, mas sei que será como eu penso.
Trabalhei o resto da noite, a vã esperança não abandonou o meu coração, mas podia tirar todas as esperanças do meu corpo. Ela não viria. Saíram os últimos anormais, mais cumprimentos, o doente do miolo que me olha de lado. - Hoje não. - Disse eu. Deixei-o ir. Despedi-me de todos, pedi ao patrão se podia fechar a porta por mim. Ele assustou-se um pouco comigo e comentou que andava ali pombinha. Já nos conhecemos há tantos anos… Mas notou que estava diferente, no meio da melancolia, notava um sorriso. Perguntou-me logo se podia continuar a contar comigo. Eu disse num tom um pouco seco: Espero que sim.
Vagueei pelas ruas da cidade, mais ou menos deserta, só os turistas que são mais que os pombos, e por isso há que evitar, se faziam passear pelas ruas. 11 da manhã o sol estala na minha cara, meto a chave à porta e ela toca-me no ombro.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Ante (visões) II
Parede de Coura
Dia 12
Concertos de boas vindas.
Palco Depois das Horas
DJ FRA/Nitsa Club/Primavera Sound
Simian Mobile Disco
Devotchka
Sizo
Dia 13
BabyShambles
Mando Diao
Sparta
Blasted Mechanism
New Young Pony Club
M.I.A.
Jazz na erva:
ZAPPA_Low Budget research Kitchen
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Slimmy
The Blows
Palco Fora de Horas
Guns n'Bombs
Crystal Castels
Dia 14
Dinosaur Jr.
New York Dolls
Mão Morta
Architecture In Helsinki
Gogol Bordello
Spoon
~
Jazz na erva:
Paulo Barros 4tet
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Mundo Cão
6 P M
Palco Fora das Horas:
DJ Jean Nipon (dj ai)
Foreign Islands
Dia 15
Sonic Youth
Cansei de Ser Sexy
The Sunshine Underground
Electrelane
Peter, Bjorn & John
Linda Martini
Jazz na erva:
Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Born a Lion
The Right Ons
Palco Fora das Horas:
Boys Noise
U-Clic
Este ano vou ficar mesmo em Parede de Coura, e vós?
Dia 12
Concertos de boas vindas.
Palco Depois das Horas
DJ FRA/Nitsa Club/Primavera Sound
Simian Mobile Disco
Devotchka
Sizo
Dia 13
BabyShambles
Mando Diao
Sparta
Blasted Mechanism
New Young Pony Club
M.I.A.
Jazz na erva:
ZAPPA_Low Budget research Kitchen
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Slimmy
The Blows
Palco Fora de Horas
Guns n'Bombs
Crystal Castels
Dia 14
Dinosaur Jr.
New York Dolls
Mão Morta
Architecture In Helsinki
Gogol Bordello
Spoon
~
Jazz na erva:
Paulo Barros 4tet
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Mundo Cão
6 P M
Palco Fora das Horas:
DJ Jean Nipon (dj ai)
Foreign Islands
Dia 15
Sonic Youth
Cansei de Ser Sexy
The Sunshine Underground
Electrelane
Peter, Bjorn & John
Linda Martini
Jazz na erva:
Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Born a Lion
The Right Ons
Palco Fora das Horas:
Boys Noise
U-Clic
Este ano vou ficar mesmo em Parede de Coura, e vós?
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Artic (Fucking) Monkeys!!!
Para não habituar, faço o relato com dois dias de atraso.
Artic Monkeys no Coliseu dos Recreios:
Primeira parte, X-Fife. Pá, não há muito a dizer. Só uma coisa, preferia que tivesse sido The Vicious Five, mas por razões obscuras não foram.
Artic Monkeys: Tarola tipo kalashnikov, guitarras tipo cavaquinho e voz cana charrada, ou rachada. LINDO!!! Os putos são mesmo muito bons. Quase toda a gente foi unânime em afirmar que as músicas são todas muito parecidas, se calhar menos eu e outro. Mal comparando, e os Ramones?
Achei-os muito profissionais, ou tímidos, das duas três.
Acho sempre que estão no início, tendo sempre muito mais para dar e neste momento já são muito bons.
ADOREI!
“Who deep to is to deep”
Força putos!
Um foto (que a merda da máquina resolveu avariar, mais uma vez. Pobre é assim. Mas já está boa. ;) ):

Obrigado pela vossa companhia.
Sou um pouco suspeito, mas o Coliseu é excelente! Que maravilha!
PS: O som estava nice. Para variar…
PS1: Quanto à Radar... sem comentários. Nada, um música, um comentário, NADA! Cuidado, podem ser despedidos! CUIDADO! :S
Artic Monkeys no Coliseu dos Recreios:
Primeira parte, X-Fife. Pá, não há muito a dizer. Só uma coisa, preferia que tivesse sido The Vicious Five, mas por razões obscuras não foram.
Artic Monkeys: Tarola tipo kalashnikov, guitarras tipo cavaquinho e voz cana charrada, ou rachada. LINDO!!! Os putos são mesmo muito bons. Quase toda a gente foi unânime em afirmar que as músicas são todas muito parecidas, se calhar menos eu e outro. Mal comparando, e os Ramones?
Achei-os muito profissionais, ou tímidos, das duas três.
Acho sempre que estão no início, tendo sempre muito mais para dar e neste momento já são muito bons.
ADOREI!
“Who deep to is to deep”
Força putos!
Um foto (que a merda da máquina resolveu avariar, mais uma vez. Pobre é assim. Mas já está boa. ;) ):

Obrigado pela vossa companhia.
Sou um pouco suspeito, mas o Coliseu é excelente! Que maravilha!
PS: O som estava nice. Para variar…
PS1: Quanto à Radar... sem comentários. Nada, um música, um comentário, NADA! Cuidado, podem ser despedidos! CUIDADO! :S
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Mudhoney II
“É muito difícil explicar algo que seja muito bom, já o contrário é bem mais fácil.”
Dito por algum idiota.
Para já quero dizer um coisa: LINDO!!!
Depois, não se faz. Quem foi o anormal que comprou o Paradise Garage??? Por certo que alguém verdadeiramente anormal, estúpido, desprezível e anormal outra vez. Quem o fez cancelou todos os espectáculos que estavam para lá marcados, inclusive o de ontem e outros tantos como Nitzareb, que era para se realizar dia 28 deste mês e assim não sei onde irá ser.
De qualquer forma o concerto de ontem foi no Culto Bar (Culto Club, ou Cenas…), para mal de alguns e para a surpresa de outros, como eu que pensei que fosse correr bem pior.
Achei piada um conjunto de coisas que por aquelas bandas aconteceram. Em especial um filho da puta dum empregado do bar que por mais que uma vez foi arrogante, indelicado, cabrão e filho da puta outra vez. Quando lhe pedi para guardar um capacete respondeu:
- Pá, abrimos isto hoje porque o Paradise foi vendido! Não temos que guardar nada!
Depois:
- Não há cerveja.
Ao que eu fiz um ar de espanto e ele:
- Pá, o que é que queres?! Não há!
E voltou costas sem que eu tivesse tempo para pedir água. Quando o fez ainda comentou algo com o amigo e começaram a rir-se. Ora este tipo de atitudes é de louvar. E uma coisa é certa, não ponho lá mais os pés e claro que vou comentar com o resto das pessoas que conheço estes factos. Devem ter aquela merda sempre cheia e não precisam de nós, pessoal do rock. Já o resto do pessoal que lá vai… nem comento.
A sala é ideal para concertos das bandas da laia daqueles tipos, mas para bandas como os Mudhoney, fica um pouco à justa. Claro que dá um concerto muito mais intimista, ou até com muito mais contacto, que foi o caso.
Pronto, agora que já disse todas as alarvidades, vamos ao que interessa.
d3o
Foi muito bom!!! Uma enxurrada de rock&roll cru, puro e nu! Uma grande performance de palco. Vê-se que gostam de Mudhoney.
No final do concerto perguntei o vocalista se não havia forma de se voltarem a juntar (o original), riu-se e disse que seria muito complicado.
Algumas fotos.











Mudhoney
Mudhoney
Mal entraram em palco, pensei: “Este gajos são os Mudhoney! E eu vou vê-lo ao vivo! Foda-se!”
Não é meu hábito estar lá na frente, mas desta vez porquê não sei, estava bem lá na frente. Foram necessários 3 minutos para começar a dar uso às minhas Dr Martens, que sensação incrível, que loucura, que confusão organizada, o som, os encontrões estavam todos em consonância. Eu sempre achei que aquilo era estúpido e só o tinha feito um vez em The Young Gods no SBSR e adorei também, mas ontem, a cada música queria mais e mais, e mais, até que fiquei sem petróleo e com a boca tão seca que não conseguia engolir.
Gritei, puxei, ouvi, curti, olhei, arrepie-me, pedi mais e eles sempre a tocarem, com canções que eu bem conheço, que também já as cantei no carro, em casa, na rua e agora ali, junto a eles. Foi um concerto lindo! Adorei!
O humor do Mark, a boa disposição do Guy, o ar cool do Steve e o ar robusto do Dan, fazem esta banda ser o que é. Eu sempre gostei deles, mas neste momento fiquei a gostar ainda mais.
Algumas fotos:



















Os despojos de guerra.

Tocaram até às duas da manhã, ainda consegui apanhar o barco.
Tenho a sensação que esta foi a primeira e a última vez que cá vieram. Para mim será a única, tal como já aconteceu com outras bandas que cá vieram várias vezes.
Não me lembro o alinhamento das músicas, conhecia todas. Mas no segundo encore tocaram muitas músicas novas, o que é muito bom saber, pois têm coisas novas.
LINDO! Estou rouco, dói-me uma articulação da perna direita, o joelho esquerdo, o gémeo da perna esquerda e outras coisas mais, mas estou bem satisfeito.
Ainda bem que a Radar não disse nada, isto é música pouco intelectual…
Dito por algum idiota.
Para já quero dizer um coisa: LINDO!!!
Depois, não se faz. Quem foi o anormal que comprou o Paradise Garage??? Por certo que alguém verdadeiramente anormal, estúpido, desprezível e anormal outra vez. Quem o fez cancelou todos os espectáculos que estavam para lá marcados, inclusive o de ontem e outros tantos como Nitzareb, que era para se realizar dia 28 deste mês e assim não sei onde irá ser.
De qualquer forma o concerto de ontem foi no Culto Bar (Culto Club, ou Cenas…), para mal de alguns e para a surpresa de outros, como eu que pensei que fosse correr bem pior.
Achei piada um conjunto de coisas que por aquelas bandas aconteceram. Em especial um filho da puta dum empregado do bar que por mais que uma vez foi arrogante, indelicado, cabrão e filho da puta outra vez. Quando lhe pedi para guardar um capacete respondeu:
- Pá, abrimos isto hoje porque o Paradise foi vendido! Não temos que guardar nada!
Depois:
- Não há cerveja.
Ao que eu fiz um ar de espanto e ele:
- Pá, o que é que queres?! Não há!
E voltou costas sem que eu tivesse tempo para pedir água. Quando o fez ainda comentou algo com o amigo e começaram a rir-se. Ora este tipo de atitudes é de louvar. E uma coisa é certa, não ponho lá mais os pés e claro que vou comentar com o resto das pessoas que conheço estes factos. Devem ter aquela merda sempre cheia e não precisam de nós, pessoal do rock. Já o resto do pessoal que lá vai… nem comento.
A sala é ideal para concertos das bandas da laia daqueles tipos, mas para bandas como os Mudhoney, fica um pouco à justa. Claro que dá um concerto muito mais intimista, ou até com muito mais contacto, que foi o caso.
Pronto, agora que já disse todas as alarvidades, vamos ao que interessa.
d3o
Foi muito bom!!! Uma enxurrada de rock&roll cru, puro e nu! Uma grande performance de palco. Vê-se que gostam de Mudhoney.
No final do concerto perguntei o vocalista se não havia forma de se voltarem a juntar (o original), riu-se e disse que seria muito complicado.
Algumas fotos.











Mudhoney
Mudhoney
Mal entraram em palco, pensei: “Este gajos são os Mudhoney! E eu vou vê-lo ao vivo! Foda-se!”
Não é meu hábito estar lá na frente, mas desta vez porquê não sei, estava bem lá na frente. Foram necessários 3 minutos para começar a dar uso às minhas Dr Martens, que sensação incrível, que loucura, que confusão organizada, o som, os encontrões estavam todos em consonância. Eu sempre achei que aquilo era estúpido e só o tinha feito um vez em The Young Gods no SBSR e adorei também, mas ontem, a cada música queria mais e mais, e mais, até que fiquei sem petróleo e com a boca tão seca que não conseguia engolir.
Gritei, puxei, ouvi, curti, olhei, arrepie-me, pedi mais e eles sempre a tocarem, com canções que eu bem conheço, que também já as cantei no carro, em casa, na rua e agora ali, junto a eles. Foi um concerto lindo! Adorei!
O humor do Mark, a boa disposição do Guy, o ar cool do Steve e o ar robusto do Dan, fazem esta banda ser o que é. Eu sempre gostei deles, mas neste momento fiquei a gostar ainda mais.
Algumas fotos:



















Os despojos de guerra.

Tocaram até às duas da manhã, ainda consegui apanhar o barco.
Tenho a sensação que esta foi a primeira e a última vez que cá vieram. Para mim será a única, tal como já aconteceu com outras bandas que cá vieram várias vezes.
Não me lembro o alinhamento das músicas, conhecia todas. Mas no segundo encore tocaram muitas músicas novas, o que é muito bom saber, pois têm coisas novas.
LINDO! Estou rouco, dói-me uma articulação da perna direita, o joelho esquerdo, o gémeo da perna esquerda e outras coisas mais, mas estou bem satisfeito.
Ainda bem que a Radar não disse nada, isto é música pouco intelectual…
quarta-feira, 11 de julho de 2007
MUDHONEY!!!
Hoje é um dia muito especial para mim! É mais uma noite, mas tudo bem.
Vou ver uma das minhas bandas que mais gosto. É daquelas coisas, nunca pensei em vê-los.
Era para ser no Paradise Garage, mas por alguma razão que me escapa, irá ser no Culto Bar, ou Culto Club, ou Culto Cenas!
Fica aqui uma "pequena" homenagem.
Nem ponho o nome das músicas...
A essencia do som!
Agora só faltam ver ao vivo:
NoMeansNo - Que já era para ter cá vindo, se não houvesse algum anormal que tenha recusado cá trazê-los!!!
Butthole Surfers - Que ninguém conhece ou não sabem o que é... normal por estas lados do planeta...
Merda mais aos HYPE! Ou lá o que lhes chamam...
Até logo caro amigo!
Vou ver uma das minhas bandas que mais gosto. É daquelas coisas, nunca pensei em vê-los.
Era para ser no Paradise Garage, mas por alguma razão que me escapa, irá ser no Culto Bar, ou Culto Club, ou Culto Cenas!
Fica aqui uma "pequena" homenagem.
Nem ponho o nome das músicas...
A essencia do som!
Agora só faltam ver ao vivo:
NoMeansNo - Que já era para ter cá vindo, se não houvesse algum anormal que tenha recusado cá trazê-los!!!
Butthole Surfers - Que ninguém conhece ou não sabem o que é... normal por estas lados do planeta...
Merda mais aos HYPE! Ou lá o que lhes chamam...
Até logo caro amigo!
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Resumo
Mais curto e com menos bandas, mas igualmente bom.
Para o ano estou lá!
Vamos ver se muda para:
Sagres Rock! ;)
Para o ano estou lá!
Vamos ver se muda para:
Sagres Rock! ;)
Ontem (que para mim é ainda hoje)
Anselmo Ralph - Não vi. MESMO!
Micro Audio Waves - O que dizer? Foi bom. Estás muito magra rapariga... :P Claro que os bicos dos seios é algo que te fica bem, mas desvia as atenções.
X-Wife - Ao nível de outras actuações deles. Bom!
The Gossip - APAIXONEI-ME! MESMO! Até deitei uma lágrima... MUITO BOM!!!
TV On The Radio - MUITO BOM!!!
Scissor Sisters - Actuaram?
Interpol - FODA-SE!!! SÃO MUITO BONS!!! Que concerto! LINDO! FANTASTICO! MARAVILHOSO! Estou lá em Novembro. ;)
Underworld - Não vi. Acho que ia achar mau. Depois do que tinha ouvido e visto.
Micro Audio Waves - O que dizer? Foi bom. Estás muito magra rapariga... :P Claro que os bicos dos seios é algo que te fica bem, mas desvia as atenções.
X-Wife - Ao nível de outras actuações deles. Bom!
The Gossip - APAIXONEI-ME! MESMO! Até deitei uma lágrima... MUITO BOM!!!
TV On The Radio - MUITO BOM!!!
Scissor Sisters - Actuaram?
Interpol - FODA-SE!!! SÃO MUITO BONS!!! Que concerto! LINDO! FANTASTICO! MARAVILHOSO! Estou lá em Novembro. ;)
Underworld - Não vi. Acho que ia achar mau. Depois do que tinha ouvido e visto.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
E hoje temos para banquete:
17h00 - 17h20 Anselmo Ralph
17h35 - 17h55 Micro Audio Waves
18h10 - 18h50 X-Wife
19h05 - 19h50 The Gossip
20h10 - 21h00 TV On The Radio
21h20 - 22h35 Scissor Sisters
23h05 - 00h25 Interpol
00h45 - 02h00 Underworld
Já sei quando vou jantar... :)))
17h35 - 17h55 Micro Audio Waves
18h10 - 18h50 X-Wife
19h05 - 19h50 The Gossip
20h10 - 21h00 TV On The Radio
21h20 - 22h35 Scissor Sisters
23h05 - 00h25 Interpol
00h45 - 02h00 Underworld
Já sei quando vou jantar... :)))
Quem se lembra de ontem?
Mundo Cão - Gostei muito. Acho só que o vocalista devia mexer-se mais. Fazer um pouco de performance de palco.
Linda Martini - Os Sonic Youth portugueses. Muito bom!
18h45 - 19h45 Clap Your Hands Say Yeah - É daquelas merdas... a voz... mais de resto foi engraçadito.
The Rapture - Tiveram um furo...
Maximo Park - Que pica!!!
The Jesus & Mary Chain - Foi bom. Achei que podiam ter puxado mais pela distorção. Devem estar cansados do barulho...
LCD Soundsystem - Sem espinhas! LINDO!!! FABULOSO!!!
Linda Martini - Os Sonic Youth portugueses. Muito bom!
18h45 - 19h45 Clap Your Hands Say Yeah - É daquelas merdas... a voz... mais de resto foi engraçadito.
The Rapture - Tiveram um furo...
Maximo Park - Que pica!!!
The Jesus & Mary Chain - Foi bom. Achei que podiam ter puxado mais pela distorção. Devem estar cansados do barulho...
LCD Soundsystem - Sem espinhas! LINDO!!! FABULOSO!!!
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Hoje
17h00 - 17h30 Mundo Cão
17h45 - 18h25 Linda Martini
18h45 - 19h45 Clap Your Hands Say Yeah
20h05 - 21h05 The Rapture
21h25 - 22h25 Maximo Park
22h45 - 00h00 The Jesus & Mary Chain
00h20 - 01h35 LCD Soundsystem
Já carreguei as pilhas!
17h45 - 18h25 Linda Martini
18h45 - 19h45 Clap Your Hands Say Yeah
20h05 - 21h05 The Rapture
21h25 - 22h25 Maximo Park
22h45 - 00h00 The Jesus & Mary Chain
00h20 - 01h35 LCD Soundsystem
Já carreguei as pilhas!
Ontem
Ontem:
Y? - Não vi…
Bunnyranch - MUITO BOM!!! Uma grande surpresa para mim.
The Gift - Não comento… :P Mas digo que as bifanas estavam boas.
Klaxons - Nem sim nem não…
Magic Numbers - Em que século estamos?
Bloc Party - O do Coliseu foi bem mais forte. Devem estar cansados dos Festivais…
Arcade Fire – Giro, apesar de todos saberem os meus gostos.
No que diz respeito ao Festival, pelo primeiro dia, achei que têm a lição muito bem estudada.
Y? - Não vi…
Bunnyranch - MUITO BOM!!! Uma grande surpresa para mim.
The Gift - Não comento… :P Mas digo que as bifanas estavam boas.
Klaxons - Nem sim nem não…
Magic Numbers - Em que século estamos?
Bloc Party - O do Coliseu foi bem mais forte. Devem estar cansados dos Festivais…
Arcade Fire – Giro, apesar de todos saberem os meus gostos.
No que diz respeito ao Festival, pelo primeiro dia, achei que têm a lição muito bem estudada.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Hoje
Para hoje, para além de previsão de chuva, que é normal no Inverno... temos:
17:00 - 17:15 - Y? (???????????????????????????????????)
17:30 - 18:15 - Bunnyranch
18:35 - 19:25 - The Gift
19:45 - 20:45 - Klaxons
21:05 - 22:05 - Magic Numbers
22:25 - 23:40 - Bloc Party
00:00 - 01:30 - Arcade Fire
Sem descriminações
17:00 - 17:15 - Y? (???????????????????????????????????)
17:30 - 18:15 - Bunnyranch
18:35 - 19:25 - The Gift
19:45 - 20:45 - Klaxons
21:05 - 22:05 - Magic Numbers
22:25 - 23:40 - Bloc Party
00:00 - 01:30 - Arcade Fire
Sem descriminações
sábado, 30 de junho de 2007
Sintra, anos 80.
(Para aqueles que se queixam, imprimam e leiam)
Resolvi embarcar numa pequena aventura com uns amigos “gadelhudos”, não do “Heavy” mas do “Gótico”. Digo aventura, pois para alguém que morou mais de 15 anos na Margem Sul, é uma aventura ir de transportes de Almada a Sintra. Objectivo: Parque de Campismo do Convento dos Capuchos no seio da Serra de Sintra.
Devia ser Novembro, o tempo estava muito inconstante, como é normal para essa altura do ano. Fiz a mala em casa e peguei na tenda, que tinha usado uma vez e mal a sabia montar.
Fiz-me ao caminho. Juntei-me ao grupo em Cacilhas, para a grande travessia. Lembro-me muito bem, parecia que ia com um grupo de bimbos que fazem pela primeira vez a travessia do Tejo. Mas o pior foi quando chegámos a Lisboa. Era tudo deles. Acho que se esqueceram que em Almada também há passadeiras e semáforos. Fomos a pé desde o Cais do Sodré até o Rossio. Uma atrocidade. Chegámos à estação de comboios e parecia que ninguém sabia o que era aquilo… Achei tão estranho estar a tomar conta de tanta gente crescida, mesmo não sendo, que resolvi observar o que faziam. Foi muito engraçado, chegando mesmo a ser cómico. Eu até pensei que estavam já drogados, e estavam, mas não daquela forma. Eu ria por dentro. Pensava se não estariam a ser “bobos da corte”. Era quase ridículo. O mais interessante é que as duas raparigas do grupo, as que não tinham namorados, estavam comigo. Mas soube bem. Este tipo de atitude é normal em mim quando tenho que ser racional, mas quando não é necessário, é complicado. No entanto, achei que haveria tempo para dar largas à minha imaginação quando lá chegasse. Como já conhecia bem a linha de Sintra, pois vivi na zona uns outros tantos 15 anos que dão para saber muito bem quais os melhores atalhos, assim, confiavam em mim para saber qual o transporte a apanhar. Senti-me bem a comandar as tropas, só não achava piada quando começavam com asneirada ao pé de pessoas mais velhas. Eu achava que dava mau nome a Almada, ou há Margem Sul. Pensava eu que as pessoas nos reconheceriam, como reconhecem nómadas de uma tribo. Pois… mas o que acontecia é que não havia distinções. Seguimos todos na gaiola. Gaiola é o nome que se dava à carruagem, que ficava num local qualquer no comboio, sendo o mais habitual no fim, ou no princípio do comboio. Os vidros eram reforçados por arames, quadriculados e tudo tinha um aspecto de área de combate. Era também onde o maquinista ficava, bem como o único sítio onde se podia fumar, sendo também um bom sítio para transportar todas nas nossas malas e tendas. Meio caminho andado e já iam no vigésimo charro, o que tornava tudo muito nublado. Lembrei-me de uma coisa. E comida? Eu levava enlatados, e eles? Pois… como será óbvio… nada! Ainda pensei se iriam comer da minha, ou se estavam à espera que as “mulheres” do grupo teriam essa incumbência. Pelos vistos a fórmula era comprar quando não tivessem. Pareceu-me justo. Sabendo que lá em cima não haveria nada. Ainda pensei se estavam a pensar arranjar um café onde houvesse Bolicaos, mas depois convenci-me que era mesmo uma questão de burrice, ou de falta de planeamento. Até havia um que já tinha sido dos Escuteiros, mas já tinha sido há muitos anos (4) e já não se lembrava. Eu sabia bem o que tinha.
Chegámos à Vila de Sintra. Qual a primeira coisa que tentamos fazer? Chegar pelo caminho mais curto aos Capuchos. Ora para quem conheça um pouco da Serra, sabe que dali até ao Capuchos não há como… a não ser que tenhamos algo que fure a terra, ou que possamos passar por dentro de propriedades, etc, etc… Dei a minha dica e foi bem aceite. Volta do Duche, Palácio da Vila de Sintra e começar a subir. Ainda houve quem achasse uma estupidez… foi o escuteiro. No entanto consegui demover a maior parte do pessoal. Subir e subir e subir. Caminhar pela estrada e subir. Eram já quase 3 da tarde e num dia de Inverno, era normal que a luz começasse a fraquejar, havendo algum pânico por parte das hostes femininas. Mas uma palavra tranquilizante do chefe de fila: O escuteiro. – Seria sempre bem vinda:
- Se nos perdermos vai ser baril, assim podemos vos comer e ninguém irá ouvir! – Dando um gargalhada solitária.
- Que piada gira… - responderam com desprezo.
E com este tipo de picardia lá íamos. Não sei bem ao certo quantos quilómetros são, nem quantas horas passámos na estrada, sei que já era quase de noite quando lá chegámos. O que valia era umas luzes que existiam dentro do parque… Como é óbvio, não havia qualquer tipo de condições para a prática do campismo no parque, se é que se podia chamar parque aquele lugar. Juntámo-nos a uns amigos que já lá estavam, há mais dias. Essa reunião foi muito estranha, um misto de alegria, repulsa e pedido de ajuda. Eram 3. A única luz que tinham provinha de uma lanterna. Eu não quis acreditar. Tinha que montar a tenda no escuro profundo. Estava cansado.
Lá para as 2 da manhã acabei de montar a tenda. Nessa noite dormi sozinho. No outro dia e como seria óbvio, não havia comida para todo, muito menos bebida. Claro que começou a chover. Serra de Sintra = a chuva. Porque era mais perto, descemos pela encosta Norte até à próxima localidade. Andámos um par de horas. É lindo caminhar pela Serra. Dá uma tranquilidade muito grande. A maior parte do tempo íamos todos calados, só se ouvia os paços, a chuva, que era miúda, e o vento. Quando estávamos a chegar, passámos por um palácio, semi-abandonado. Lindo! Cheio de mistério. A natureza há muito que se tinha apoderado dos jardins e outras partes da propriedade. A casa, neste caso, palácio, parecia que nos convidava a entrar. Estávamos todos em frente ao portão principal, não nos conseguimos decidir. Até que… o escuteiro… disse:
- Pá, temos que ir comprar mantimentos, caga nisso!
Claro que as raparigas que estavam do lado dele, pois toda aquele cenário arrepiava. Eu fiquei para trás, ainda fui olhando para a casa quando caminhava. Parecia mesmo que algo me convidava a entrar. Resisti.
Chegámos à povoação. Fizemos as compras certas: Latas de salsicha, batatas fritas, ketchup e muita cerveja. Este último item, trazia um pequeno problema. Quem o transportava? Prontamente alguém aconselhou que fosse o… escuteiro. Já se ia fazendo tarde e iniciámos longa caminhada de volta.
Mais uma vez o palácio, desta vez não parámos. Estava alguém ao portão. Nem nos atrevemos a olhar. Eu sim… enquanto caminhava observei. Que figura estranha. Alto, muito magro, de olhos carregados, que mal se viam, pois tinha um chapéu em bico enterrado na cabeça, de braços pendidos, pareciam enormes. As vestes eram velhas, mesmo muito velhas. Com um ar muito sério, de quem não sorri há vários séculos. Após um cruzar de olhos, voltou costas e saiu do portão. Eu como sempre era o último, não tive coragem de voltar a olhar. Sei se alguém me tocasse no ombro naquela altura, o coração iria parar. Só passados vários minutos é que olhei para trás. Já nem se via o palácio e não estava ninguém atrás de nós.
Mais à frente e porque estava tudo entediado, resolvemos fazer uma espécie de corrida. Rapazes contra raparigas. Tudo começou porque alguém disse, e é escusado dizer quem, que se os rapazes não estivessem ali, as raparigas não conseguiriam chegar ao acampamento, sozinhas. Claro que se gerou logo ali uma pequena guerra. Deixámos que elas partissem e saímos passados 10 minutos. E lá fomos.
Andámos e andámos e nada delas. Claro que achei que elas iam conseguir, até que… Começámos a ouvir gritos de socorro. Apressámos o passo e quando estávamos bem perto delas, vimos que estavam no gozo. Estavam no meio do mato, chamavam por nós, diziam que estavam perdidas e depois riam-se. Deixámos que continuassem até ficarem mesmo em pânico. Passado uma hora, os gritos já começavam a ser de desespero. Resolvemos ir ao encontro delas. Dividimo-nos em 3 grupos e fomos assusta-las. Claro que não conseguimos nada, pois o barulho das garrafas de litro de cerveja ouvia-se a quilómetros. Mas elas estavam mesmo perdidas. O pior é que também nos fizeram perder. Estávamos no meio do mato, os caminhos multiplicavam-se. Eu, sempre cá atrás, estava muito descontraído. Sabia mais ou menos que estávamos a caminhar na direcção errada, pois estávamos a caminhar muito para poente. Mas deixei andar. Mais uma hora de caminho e resolvi intervir.
- Pessoal, estamos perdidos. - Disse eu com os braços no ar.
- Não me digas... – Respondeu o Rui com um ar irónico.
- Sim, eu sei que pensavam que estavam perdidos há mais tempo. Mas eu tenho vindo a observar e estamos a caminhar muito para poente.
- Bem! Temos aqui alguém que está orientado! – Disse o escuteiro, irónico. Começaram todos a rir.
- Como é? Querem a minha ajuda ou não?
- E achas que consegues nos ajudar e não vais fazer pior?
- Se me deixarem ajudar, vão ver que estamos no acampamento em menos de uma hora.
- Isso é que é confiança. Ok, faz-te à vida.
Subi a um ponto bem alto e levei o meu amigo Rui comigo. Disse-lhe que tentasse encontrar alcatrão, ou um carro. Era muito difícil, estávamos mesmo no meio do mato, a única coisa que nos envolvia era mesmo só o verde do mato. De repente, avistei um carro numa estrada.
- JÁ ENCONTREI! VAMOS! – Gritei eu para o pessoal.
Fizemo-nos ao caminho. Em 15 minutos estávamos numa estrada. Só tinha que saber qual a direcção em que estávamos. Esperámos mais 10 minutos e lá apareceu um carro. Estávamos com sorte, pois era fim-de-semana e havia mais carros a passear do que era costume. Tentamos parar o carro, aos saltos e aos gritos no meio da estrada, mas não sei porquê o carro não parou. Achei estranho. Depois pensei um pouco e percebi logo. Éramos cerca de 8 pessoas, todas molhadas, de veste negras, alguns de cabelos compridos, com muito mau aspecto… eu também não pararia.
- Filho da puta! – gritámos todos.
E o carro parou de repente. Pensei que nos poderiam querer fazer mal, pelas palavras proferidas, mas como éramos muitos fiquei logo mais tranquilo. Alguns de nós correram para o carro. Ficaram um pouco à conversa. Depois o carro foi e eles voltaram para junto de nós.
- É por este lado. Temos que ir por aqui. – disseram os meus amigos.
Fiquei mesmo contente. O mais engraçado foi o que levou o condutor a parar. Pensou que queríamos fogo para acender um cigarro… Estranho!
Não sei o que se passou desde que eu disse que queria ajudar, mas uma coisa era certa, estava tudo a correr bem. Iniciámos a caminhada pela estrada fora, não devíamos estar muito longe. Não passava carro nenhum. Do nada apareceu uma carrinha de caixa aberta, do tipo pick-up. Pararam ao nosso lado e perguntaram
- Querem boleia?
Não queríamos acreditar.
- Não somo muitos?
- Vocês é que sabem… se couberem!
- Claro que sim!
E saltámos todos lá para trás. Foi lindo! Mais uma vez havia alguma coisa que me perseguia, como uma luz. Pensei na pessoa do portão e arrepiei. Dei um sorriso e agradeci.
Deixaram-nos mesmo perto do acampamento, agradecemos e eles seguiram caminho. Penso que nos acharam um pouco loucos, chegando mesmo a sentir pena de nós. A chuva ora abrandava ora voltava a cair. Estávamos todos com fome e tínhamos que acender uma pequena fogueira para aquecer as latas de salsichas. Eu precisava para aquecer as latas de comida enlatada, mas com a chuva, era impossível. Como nada resultava, foi mesmo frio. Soube tão bem! Mesmo muito bem. Claro que sempre acompanhado por muita cerveja. A noite já tinha chegado e o silêncio só era quebrado pelo estalar de uma ou outra árvore, pelas nossas vozes, que cada vez estavam mais caladas pelo cansaço e pelo vento, acompanhado de alguma chuva. O sono e o cansaço deram cabo de alguns de nós. Assim, fui-me deitar. Alguns foram para o convento dos Capuchos. Essa era a ideia original do acampamento, visitar o convento à noite. Eu não fui nisso.
Estava um pouco molhado, pois tinha passado a maior parte do dia a levar com chuva e com a humidade e frio que se fazia sentir, não estava a ser nada fácil aquecer. De repente oiço o fecho da minha tenda abrir e vozes de raparigas.
- Podemos?
- Hum… sim.
- Se não queres vamos embora.
- Não, entrem, entrem.
Pois é. A tenda onde estavam 3 das raparigas, ficou ocupada por uma rapariga e um rapaz, logo as outras foram despejadas. E para onde iriam elas? Para a minha tenda. Bem, eu fiz imediatamente uma série de filmes, mas a verdadeira razão era que estavam cheias de frio e acharam que ali iam aquecer. Eu estava no meio, uma do um lado e a outra do outro, agarradas a mim e tremiam mais que varas verdes. Eu passei a noite a tentar aquece-las. Tanto agarrava uma como outra, mas foi muito complicado. O pior foi quando comecei a sentir o corpo de uma delas e a tentação de ter algo com ela. Mas de imediato me passou a ideia. Como aliás faço com quase tudo o que diz respeito a estas coisas. Não sei explicar.
Eu não sou grande especialista em montar tendas e como estava o tempo, teria que ter cuidados extra, como por exemplo fazer canais de escoamento para a chuva, para não ficar debaixo da tenda. Pois… não os fiz( )e comecei a sentir água nas minhas costas. O que vale é que elas já não tremiam e dormiam tranquilamente. Não sei se foi pelo cansaço, se por outra coisa qualquer, adormeci.
Acordei e só já estava uma das raparigas na tenda. A tentação foi tanta. Ainda por cima era a que tinha achado mais gira. Agarrei-me um pouco a ela. Adormeci de novo. Quando acordei, já não estava lá. Foi meio estranho quando sai da tenda. Foi como se nada se tivesse passado. Não liguei.
Sentia-me sujo e queria tomar um banho. Perguntei onde o podia fazer e chamaram-me louco. Isso já eu sabia. Havia uns balneários ali perto, mas como é óbvio, com água fria. Mesmo assim tomei. Já passaram muito anos após esta aventura, mas ainda me lembro deste banho, como se fosse hoje. Os gritos ouviram-se na Vila, de certeza! A água estava tão fria, que depois de tomar o banho fiquei cheio de calor. Soube mesmo bem.
Fome de novo. Já não chovia e deu para acender uma fogueira. Juntámo-nos em volta dela a contar as coisas da noite anterior. Não falámos da minha noite com as raparigas. Principalmente falaram das coisas que viram e ouviram no Convento à noite. De arrepiar. Agora que se passaram muitos anos, sei bem que estavam a exagerar e as pessoas que viram, eram os guardas do Convento, bem como a droga a falar, mas tinham muita imaginação.
Chegara a hora de desmontar tudo. Eu e mais uns quantos íamos embora. A cerveja mais uma vez tinha acabado.
Já com tudo arrumado, saímos. As duas raparigas foram comigo, mais o Rui e outro. Os outros ficaram lá.
A descer era muito melhor. Chegámos num instante à estação de comboio da Sintra.
Muito poucas palavras foram ditas. Era um misto de cumplicidade, cansaço e timidez.
Apanhámos o comboio, ficámos de novo na carruagem gaiola. Dei um último olhar para a Serra e pareceu-me ter visto a pessoa do portão. Olhei nos olhos dele e sabes o que ele fez?
Sorriu.
Resolvi embarcar numa pequena aventura com uns amigos “gadelhudos”, não do “Heavy” mas do “Gótico”. Digo aventura, pois para alguém que morou mais de 15 anos na Margem Sul, é uma aventura ir de transportes de Almada a Sintra. Objectivo: Parque de Campismo do Convento dos Capuchos no seio da Serra de Sintra.
Devia ser Novembro, o tempo estava muito inconstante, como é normal para essa altura do ano. Fiz a mala em casa e peguei na tenda, que tinha usado uma vez e mal a sabia montar.
Fiz-me ao caminho. Juntei-me ao grupo em Cacilhas, para a grande travessia. Lembro-me muito bem, parecia que ia com um grupo de bimbos que fazem pela primeira vez a travessia do Tejo. Mas o pior foi quando chegámos a Lisboa. Era tudo deles. Acho que se esqueceram que em Almada também há passadeiras e semáforos. Fomos a pé desde o Cais do Sodré até o Rossio. Uma atrocidade. Chegámos à estação de comboios e parecia que ninguém sabia o que era aquilo… Achei tão estranho estar a tomar conta de tanta gente crescida, mesmo não sendo, que resolvi observar o que faziam. Foi muito engraçado, chegando mesmo a ser cómico. Eu até pensei que estavam já drogados, e estavam, mas não daquela forma. Eu ria por dentro. Pensava se não estariam a ser “bobos da corte”. Era quase ridículo. O mais interessante é que as duas raparigas do grupo, as que não tinham namorados, estavam comigo. Mas soube bem. Este tipo de atitude é normal em mim quando tenho que ser racional, mas quando não é necessário, é complicado. No entanto, achei que haveria tempo para dar largas à minha imaginação quando lá chegasse. Como já conhecia bem a linha de Sintra, pois vivi na zona uns outros tantos 15 anos que dão para saber muito bem quais os melhores atalhos, assim, confiavam em mim para saber qual o transporte a apanhar. Senti-me bem a comandar as tropas, só não achava piada quando começavam com asneirada ao pé de pessoas mais velhas. Eu achava que dava mau nome a Almada, ou há Margem Sul. Pensava eu que as pessoas nos reconheceriam, como reconhecem nómadas de uma tribo. Pois… mas o que acontecia é que não havia distinções. Seguimos todos na gaiola. Gaiola é o nome que se dava à carruagem, que ficava num local qualquer no comboio, sendo o mais habitual no fim, ou no princípio do comboio. Os vidros eram reforçados por arames, quadriculados e tudo tinha um aspecto de área de combate. Era também onde o maquinista ficava, bem como o único sítio onde se podia fumar, sendo também um bom sítio para transportar todas nas nossas malas e tendas. Meio caminho andado e já iam no vigésimo charro, o que tornava tudo muito nublado. Lembrei-me de uma coisa. E comida? Eu levava enlatados, e eles? Pois… como será óbvio… nada! Ainda pensei se iriam comer da minha, ou se estavam à espera que as “mulheres” do grupo teriam essa incumbência. Pelos vistos a fórmula era comprar quando não tivessem. Pareceu-me justo. Sabendo que lá em cima não haveria nada. Ainda pensei se estavam a pensar arranjar um café onde houvesse Bolicaos, mas depois convenci-me que era mesmo uma questão de burrice, ou de falta de planeamento. Até havia um que já tinha sido dos Escuteiros, mas já tinha sido há muitos anos (4) e já não se lembrava. Eu sabia bem o que tinha.
Chegámos à Vila de Sintra. Qual a primeira coisa que tentamos fazer? Chegar pelo caminho mais curto aos Capuchos. Ora para quem conheça um pouco da Serra, sabe que dali até ao Capuchos não há como… a não ser que tenhamos algo que fure a terra, ou que possamos passar por dentro de propriedades, etc, etc… Dei a minha dica e foi bem aceite. Volta do Duche, Palácio da Vila de Sintra e começar a subir. Ainda houve quem achasse uma estupidez… foi o escuteiro. No entanto consegui demover a maior parte do pessoal. Subir e subir e subir. Caminhar pela estrada e subir. Eram já quase 3 da tarde e num dia de Inverno, era normal que a luz começasse a fraquejar, havendo algum pânico por parte das hostes femininas. Mas uma palavra tranquilizante do chefe de fila: O escuteiro. – Seria sempre bem vinda:
- Se nos perdermos vai ser baril, assim podemos vos comer e ninguém irá ouvir! – Dando um gargalhada solitária.
- Que piada gira… - responderam com desprezo.
E com este tipo de picardia lá íamos. Não sei bem ao certo quantos quilómetros são, nem quantas horas passámos na estrada, sei que já era quase de noite quando lá chegámos. O que valia era umas luzes que existiam dentro do parque… Como é óbvio, não havia qualquer tipo de condições para a prática do campismo no parque, se é que se podia chamar parque aquele lugar. Juntámo-nos a uns amigos que já lá estavam, há mais dias. Essa reunião foi muito estranha, um misto de alegria, repulsa e pedido de ajuda. Eram 3. A única luz que tinham provinha de uma lanterna. Eu não quis acreditar. Tinha que montar a tenda no escuro profundo. Estava cansado.
Lá para as 2 da manhã acabei de montar a tenda. Nessa noite dormi sozinho. No outro dia e como seria óbvio, não havia comida para todo, muito menos bebida. Claro que começou a chover. Serra de Sintra = a chuva. Porque era mais perto, descemos pela encosta Norte até à próxima localidade. Andámos um par de horas. É lindo caminhar pela Serra. Dá uma tranquilidade muito grande. A maior parte do tempo íamos todos calados, só se ouvia os paços, a chuva, que era miúda, e o vento. Quando estávamos a chegar, passámos por um palácio, semi-abandonado. Lindo! Cheio de mistério. A natureza há muito que se tinha apoderado dos jardins e outras partes da propriedade. A casa, neste caso, palácio, parecia que nos convidava a entrar. Estávamos todos em frente ao portão principal, não nos conseguimos decidir. Até que… o escuteiro… disse:
- Pá, temos que ir comprar mantimentos, caga nisso!
Claro que as raparigas que estavam do lado dele, pois toda aquele cenário arrepiava. Eu fiquei para trás, ainda fui olhando para a casa quando caminhava. Parecia mesmo que algo me convidava a entrar. Resisti.
Chegámos à povoação. Fizemos as compras certas: Latas de salsicha, batatas fritas, ketchup e muita cerveja. Este último item, trazia um pequeno problema. Quem o transportava? Prontamente alguém aconselhou que fosse o… escuteiro. Já se ia fazendo tarde e iniciámos longa caminhada de volta.
Mais uma vez o palácio, desta vez não parámos. Estava alguém ao portão. Nem nos atrevemos a olhar. Eu sim… enquanto caminhava observei. Que figura estranha. Alto, muito magro, de olhos carregados, que mal se viam, pois tinha um chapéu em bico enterrado na cabeça, de braços pendidos, pareciam enormes. As vestes eram velhas, mesmo muito velhas. Com um ar muito sério, de quem não sorri há vários séculos. Após um cruzar de olhos, voltou costas e saiu do portão. Eu como sempre era o último, não tive coragem de voltar a olhar. Sei se alguém me tocasse no ombro naquela altura, o coração iria parar. Só passados vários minutos é que olhei para trás. Já nem se via o palácio e não estava ninguém atrás de nós.
Mais à frente e porque estava tudo entediado, resolvemos fazer uma espécie de corrida. Rapazes contra raparigas. Tudo começou porque alguém disse, e é escusado dizer quem, que se os rapazes não estivessem ali, as raparigas não conseguiriam chegar ao acampamento, sozinhas. Claro que se gerou logo ali uma pequena guerra. Deixámos que elas partissem e saímos passados 10 minutos. E lá fomos.
Andámos e andámos e nada delas. Claro que achei que elas iam conseguir, até que… Começámos a ouvir gritos de socorro. Apressámos o passo e quando estávamos bem perto delas, vimos que estavam no gozo. Estavam no meio do mato, chamavam por nós, diziam que estavam perdidas e depois riam-se. Deixámos que continuassem até ficarem mesmo em pânico. Passado uma hora, os gritos já começavam a ser de desespero. Resolvemos ir ao encontro delas. Dividimo-nos em 3 grupos e fomos assusta-las. Claro que não conseguimos nada, pois o barulho das garrafas de litro de cerveja ouvia-se a quilómetros. Mas elas estavam mesmo perdidas. O pior é que também nos fizeram perder. Estávamos no meio do mato, os caminhos multiplicavam-se. Eu, sempre cá atrás, estava muito descontraído. Sabia mais ou menos que estávamos a caminhar na direcção errada, pois estávamos a caminhar muito para poente. Mas deixei andar. Mais uma hora de caminho e resolvi intervir.
- Pessoal, estamos perdidos. - Disse eu com os braços no ar.
- Não me digas... – Respondeu o Rui com um ar irónico.
- Sim, eu sei que pensavam que estavam perdidos há mais tempo. Mas eu tenho vindo a observar e estamos a caminhar muito para poente.
- Bem! Temos aqui alguém que está orientado! – Disse o escuteiro, irónico. Começaram todos a rir.
- Como é? Querem a minha ajuda ou não?
- E achas que consegues nos ajudar e não vais fazer pior?
- Se me deixarem ajudar, vão ver que estamos no acampamento em menos de uma hora.
- Isso é que é confiança. Ok, faz-te à vida.
Subi a um ponto bem alto e levei o meu amigo Rui comigo. Disse-lhe que tentasse encontrar alcatrão, ou um carro. Era muito difícil, estávamos mesmo no meio do mato, a única coisa que nos envolvia era mesmo só o verde do mato. De repente, avistei um carro numa estrada.
- JÁ ENCONTREI! VAMOS! – Gritei eu para o pessoal.
Fizemo-nos ao caminho. Em 15 minutos estávamos numa estrada. Só tinha que saber qual a direcção em que estávamos. Esperámos mais 10 minutos e lá apareceu um carro. Estávamos com sorte, pois era fim-de-semana e havia mais carros a passear do que era costume. Tentamos parar o carro, aos saltos e aos gritos no meio da estrada, mas não sei porquê o carro não parou. Achei estranho. Depois pensei um pouco e percebi logo. Éramos cerca de 8 pessoas, todas molhadas, de veste negras, alguns de cabelos compridos, com muito mau aspecto… eu também não pararia.
- Filho da puta! – gritámos todos.
E o carro parou de repente. Pensei que nos poderiam querer fazer mal, pelas palavras proferidas, mas como éramos muitos fiquei logo mais tranquilo. Alguns de nós correram para o carro. Ficaram um pouco à conversa. Depois o carro foi e eles voltaram para junto de nós.
- É por este lado. Temos que ir por aqui. – disseram os meus amigos.
Fiquei mesmo contente. O mais engraçado foi o que levou o condutor a parar. Pensou que queríamos fogo para acender um cigarro… Estranho!
Não sei o que se passou desde que eu disse que queria ajudar, mas uma coisa era certa, estava tudo a correr bem. Iniciámos a caminhada pela estrada fora, não devíamos estar muito longe. Não passava carro nenhum. Do nada apareceu uma carrinha de caixa aberta, do tipo pick-up. Pararam ao nosso lado e perguntaram
- Querem boleia?
Não queríamos acreditar.
- Não somo muitos?
- Vocês é que sabem… se couberem!
- Claro que sim!
E saltámos todos lá para trás. Foi lindo! Mais uma vez havia alguma coisa que me perseguia, como uma luz. Pensei na pessoa do portão e arrepiei. Dei um sorriso e agradeci.
Deixaram-nos mesmo perto do acampamento, agradecemos e eles seguiram caminho. Penso que nos acharam um pouco loucos, chegando mesmo a sentir pena de nós. A chuva ora abrandava ora voltava a cair. Estávamos todos com fome e tínhamos que acender uma pequena fogueira para aquecer as latas de salsichas. Eu precisava para aquecer as latas de comida enlatada, mas com a chuva, era impossível. Como nada resultava, foi mesmo frio. Soube tão bem! Mesmo muito bem. Claro que sempre acompanhado por muita cerveja. A noite já tinha chegado e o silêncio só era quebrado pelo estalar de uma ou outra árvore, pelas nossas vozes, que cada vez estavam mais caladas pelo cansaço e pelo vento, acompanhado de alguma chuva. O sono e o cansaço deram cabo de alguns de nós. Assim, fui-me deitar. Alguns foram para o convento dos Capuchos. Essa era a ideia original do acampamento, visitar o convento à noite. Eu não fui nisso.
Estava um pouco molhado, pois tinha passado a maior parte do dia a levar com chuva e com a humidade e frio que se fazia sentir, não estava a ser nada fácil aquecer. De repente oiço o fecho da minha tenda abrir e vozes de raparigas.
- Podemos?
- Hum… sim.
- Se não queres vamos embora.
- Não, entrem, entrem.
Pois é. A tenda onde estavam 3 das raparigas, ficou ocupada por uma rapariga e um rapaz, logo as outras foram despejadas. E para onde iriam elas? Para a minha tenda. Bem, eu fiz imediatamente uma série de filmes, mas a verdadeira razão era que estavam cheias de frio e acharam que ali iam aquecer. Eu estava no meio, uma do um lado e a outra do outro, agarradas a mim e tremiam mais que varas verdes. Eu passei a noite a tentar aquece-las. Tanto agarrava uma como outra, mas foi muito complicado. O pior foi quando comecei a sentir o corpo de uma delas e a tentação de ter algo com ela. Mas de imediato me passou a ideia. Como aliás faço com quase tudo o que diz respeito a estas coisas. Não sei explicar.
Eu não sou grande especialista em montar tendas e como estava o tempo, teria que ter cuidados extra, como por exemplo fazer canais de escoamento para a chuva, para não ficar debaixo da tenda. Pois… não os fiz( )e comecei a sentir água nas minhas costas. O que vale é que elas já não tremiam e dormiam tranquilamente. Não sei se foi pelo cansaço, se por outra coisa qualquer, adormeci.
Acordei e só já estava uma das raparigas na tenda. A tentação foi tanta. Ainda por cima era a que tinha achado mais gira. Agarrei-me um pouco a ela. Adormeci de novo. Quando acordei, já não estava lá. Foi meio estranho quando sai da tenda. Foi como se nada se tivesse passado. Não liguei.
Sentia-me sujo e queria tomar um banho. Perguntei onde o podia fazer e chamaram-me louco. Isso já eu sabia. Havia uns balneários ali perto, mas como é óbvio, com água fria. Mesmo assim tomei. Já passaram muito anos após esta aventura, mas ainda me lembro deste banho, como se fosse hoje. Os gritos ouviram-se na Vila, de certeza! A água estava tão fria, que depois de tomar o banho fiquei cheio de calor. Soube mesmo bem.
Fome de novo. Já não chovia e deu para acender uma fogueira. Juntámo-nos em volta dela a contar as coisas da noite anterior. Não falámos da minha noite com as raparigas. Principalmente falaram das coisas que viram e ouviram no Convento à noite. De arrepiar. Agora que se passaram muitos anos, sei bem que estavam a exagerar e as pessoas que viram, eram os guardas do Convento, bem como a droga a falar, mas tinham muita imaginação.
Chegara a hora de desmontar tudo. Eu e mais uns quantos íamos embora. A cerveja mais uma vez tinha acabado.
Já com tudo arrumado, saímos. As duas raparigas foram comigo, mais o Rui e outro. Os outros ficaram lá.
A descer era muito melhor. Chegámos num instante à estação de comboio da Sintra.
Muito poucas palavras foram ditas. Era um misto de cumplicidade, cansaço e timidez.
Apanhámos o comboio, ficámos de novo na carruagem gaiola. Dei um último olhar para a Serra e pareceu-me ter visto a pessoa do portão. Olhei nos olhos dele e sabes o que ele fez?
Sorriu.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Solstício de Verão.
É às 19:06!
Hoje é o dia maior do ano!!!
Aproveitem bem!
Amanhã vou estar menos feliz...
Hoje é o dia maior do ano!!!
Aproveitem bem!
Amanhã vou estar menos feliz...
segunda-feira, 4 de junho de 2007
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A formiga mais perigosa do mundo, Myrmecia pyriformis!