Viajava pela cozinha e enchi-me de coragem para apanhar a aranha, que voava pela parede. Vesti o casaco de ir aos morangos e fiz-me à vida. Sai, deixei a pobre coitada seguir a sua vida. "A minha vida?", não a dela! Vai ser um dia muito agitado. Tinha de ir vender a minha caçarola favorita e não sabia quanto ia pedir por ela. Tinha uma noção, mas não quis entender. Podia ser um pouco cara. Falei com o meu amigo de longa data e perguntei-lhe se queria ir à casa de penhoras. Disse prontamente que não podia e só queria estar agarrado ao comando a ver tv tola. De qualquer forma, consegui-lhe dar a volta. Falei-lhe duma certa pessoa, duma certa forma, consegui-o convencer. Era tarde, na manhã. O transito era tão pouco que se conseguia ouvir o som dos canos de esgoto nas casas anexas, à estrada que vinha de sul. Perguntei-lhe se queria café, mas disse logo que queria era despachar-se, para voltar a casa. Fui directo ao assunto. A casa de penhora estava fechada para férias e matei a aranha.
Conclusão: Se na vida acreditas, compra um cão.
quarta-feira, 25 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
Pequena estrela
Sai. Caminhava pela vila, estava deserta, não se via vivalma. Ao fundo o latir dum cão e a água a passar no riacho. A passos brandos, mas seguros, segui rumo ao campo. Estava uma noite estrelada, com a lua como companheira, iluminava a estrada de terra. Era nítida toda a planície, salpicada de sobreiros e montes. A luz azulada pintava as copas das árvores, embebendo tudo numa atmosfera melancólica e romântica. Pensava nela, nas palavras que tínhamos trocado, o que tínhamos dito. Sorri. De repente, ouvi uma voz. Não tinha direcção, parecia vir de todo o lado, muito baixo dizia:
- Onde vais?
Eu não sabia de onde vinha. Olhei em todas as direcções e nada vi. Só sombras perdidas nos campos, sombras negras, mas nada assustadoras, negras de desejo de as encontrar. De repente:
- Diz-me, onde vais?
Resisti e, perguntei:
- Onde estás? – Muito baixo também, quase sussurrava.
- Aqui...
- Não te vejo... – Olhei para dentro da mata.
- Aqui... não me vês?
- Não... – Olhava a toda a volta.
- Mas tu não me estás a olhar...
- Não...?
- Não. Estou aqui, olha, aqui!
- Mas a tua voz vem de todos os lados, não consigo perceber de onde vem... – Dizia eu com uma voz de alguma tristeza, misturada de alguma ansiedade.
- Não estás a olhar para onde eu estou. Eu vejo-te. Vejo-te muito bem. Estás ai, parado, com o teu olhar, belo, com as tuas feições, que eu tanto adoro. Olha para mim! Estou aqui....
- Mas... eu não sei onde estás. Diz-me, onde estás? – Dizia eu, um pouco em desespero.
- Já disse. Mas tu não me vês. Sente-me. Sente-me. Sente-me.
- Espera. Vou sentir-te.
Cerrei os olhos e procurei pela voz. O silêncio da noite envolveu-me, apoderou-se de mim e senti-me flutuar. Alguns segundos bastaram para sentir de onde a voz vinha e de quem era. Inclinei a cabeça para cima, ainda de olhos fechados. Abri os olhos, a princípio a medo e depois, completamente abertos. E vi. Vi quem tinha a voz. Estava no céu. A luz era diferente de todas as outras, era uma estrela diferente. Cintilava de forma mais errante e bela. Duma luz que cativa e maravilha. Sorri. De repente:
- Olá! Vês, afinal sabes onde estava. Eu sabia que me ias encontrar. – As palavras dela sopravam na minha face. A doçura era eterna.
- Como és bela.
- Não, eu sou feia, esta luz esconde quem sou e como sou.
- Não, és bela, eu consigo ver-te.
- Consegues? Não pode ser....
- Sim, vejo os teus olhos, o contorno do rosto, os teus lábios, os teus longos e belos cabelos de seda.
- Não pode ser! Eu não posso ser vista. Como são os meus olhos? Tu não me estás a ver, imaginas...
- Os teus olhos sorriem para mim, brilham, mais que a luz que te envolve. As tuas covas na face quando ris...
- Mas... como pode ser? Estás mesmo a ver-me... Sou horrível! Não olhes! Peço-te, não olhes!
- Tanto que não vou parar, como já estou perto de ti.
- Como conseguiste aqui chegar?
- Foste tu que desces-te.
O ar de espanto da pequena estrela, fez-me sorrir.
- Eu desci... eu... – Não sabia mais que dizer. Estava espantada.
- É verdade. Estás aqui, ao pé de mim. Tenho a sensação de... – Parei e olhei. Dizia olhando os seus olhos.
- Sim, eu sei. Tu sabes quem eu sou.
- Sei.
- Mesmo que nunca me tenhas visto.
- Mas eu já te vi. – Sorri.
- Eu sei. – Sorriu.
Ali ficámos, de mãos dadas, os dois, sem noção de tempo, sem noção do que nos envolvia, mas ao mesmo tempo sabia que algo estava à nossa volta, tudo, sentimos tudo, os nossos corpos, interligados, envolvidos com o campo, com o ar, a mata, as árvores, a terra, a lua, tudo, o universo e contudo, ali estávamos, sós e num só. De repente...:
- Adoro-te tanto! - Em coro dissemos e num voou celestial, imiscuirmo-nos nas estrelas, lado a lado, numa só. Ao fundo, um pequeno clarão e para sempre desaparecemos. Para sempre e para todo o sempre, juntos, lado a lado.
- Onde vais?
Eu não sabia de onde vinha. Olhei em todas as direcções e nada vi. Só sombras perdidas nos campos, sombras negras, mas nada assustadoras, negras de desejo de as encontrar. De repente:
- Diz-me, onde vais?
Resisti e, perguntei:
- Onde estás? – Muito baixo também, quase sussurrava.
- Aqui...
- Não te vejo... – Olhei para dentro da mata.
- Aqui... não me vês?
- Não... – Olhava a toda a volta.
- Mas tu não me estás a olhar...
- Não...?
- Não. Estou aqui, olha, aqui!
- Mas a tua voz vem de todos os lados, não consigo perceber de onde vem... – Dizia eu com uma voz de alguma tristeza, misturada de alguma ansiedade.
- Não estás a olhar para onde eu estou. Eu vejo-te. Vejo-te muito bem. Estás ai, parado, com o teu olhar, belo, com as tuas feições, que eu tanto adoro. Olha para mim! Estou aqui....
- Mas... eu não sei onde estás. Diz-me, onde estás? – Dizia eu, um pouco em desespero.
- Já disse. Mas tu não me vês. Sente-me. Sente-me. Sente-me.
- Espera. Vou sentir-te.
Cerrei os olhos e procurei pela voz. O silêncio da noite envolveu-me, apoderou-se de mim e senti-me flutuar. Alguns segundos bastaram para sentir de onde a voz vinha e de quem era. Inclinei a cabeça para cima, ainda de olhos fechados. Abri os olhos, a princípio a medo e depois, completamente abertos. E vi. Vi quem tinha a voz. Estava no céu. A luz era diferente de todas as outras, era uma estrela diferente. Cintilava de forma mais errante e bela. Duma luz que cativa e maravilha. Sorri. De repente:
- Olá! Vês, afinal sabes onde estava. Eu sabia que me ias encontrar. – As palavras dela sopravam na minha face. A doçura era eterna.
- Como és bela.
- Não, eu sou feia, esta luz esconde quem sou e como sou.
- Não, és bela, eu consigo ver-te.
- Consegues? Não pode ser....
- Sim, vejo os teus olhos, o contorno do rosto, os teus lábios, os teus longos e belos cabelos de seda.
- Não pode ser! Eu não posso ser vista. Como são os meus olhos? Tu não me estás a ver, imaginas...
- Os teus olhos sorriem para mim, brilham, mais que a luz que te envolve. As tuas covas na face quando ris...
- Mas... como pode ser? Estás mesmo a ver-me... Sou horrível! Não olhes! Peço-te, não olhes!
- Tanto que não vou parar, como já estou perto de ti.
- Como conseguiste aqui chegar?
- Foste tu que desces-te.
O ar de espanto da pequena estrela, fez-me sorrir.
- Eu desci... eu... – Não sabia mais que dizer. Estava espantada.
- É verdade. Estás aqui, ao pé de mim. Tenho a sensação de... – Parei e olhei. Dizia olhando os seus olhos.
- Sim, eu sei. Tu sabes quem eu sou.
- Sei.
- Mesmo que nunca me tenhas visto.
- Mas eu já te vi. – Sorri.
- Eu sei. – Sorriu.
Ali ficámos, de mãos dadas, os dois, sem noção de tempo, sem noção do que nos envolvia, mas ao mesmo tempo sabia que algo estava à nossa volta, tudo, sentimos tudo, os nossos corpos, interligados, envolvidos com o campo, com o ar, a mata, as árvores, a terra, a lua, tudo, o universo e contudo, ali estávamos, sós e num só. De repente...:
- Adoro-te tanto! - Em coro dissemos e num voou celestial, imiscuirmo-nos nas estrelas, lado a lado, numa só. Ao fundo, um pequeno clarão e para sempre desaparecemos. Para sempre e para todo o sempre, juntos, lado a lado.
É a bidinha...
Grito duas vezes por um eco que voa na minha consciência de galinha torta pelo vento forte que vem de sul e norte, depende do cheiro que trás na ponta da espada carregada de sangue e amor de ver o que ninguém vê, ou sente, mesmo que seja rente à minha pele morta pelo sol forte do Verão escaldante e arrepiante, de fazer transpirar e suar as paredes da minha alma deserta de amor, mas cheia de pedras gastas pelo andar descalço na areia do tua calma de viver e sofrer pelo amar de braços abertos ao ar, seja agora ou depois, sempre que seja visto por outros ou pelos mesmo, segue sozinho o pássaro alado, mal cheiroso por tanto voar, lá no alto vê e respira, duma só lufada, todo o silêncio que há naquela colina, sombria, triste e fria. Assim é a vida.
terça-feira, 10 de março de 2009
Famous last words. (Parvas...)
Acho que já tinha falado disto, mas aqui ficam mais umas:
O gato é o melhor amigo do dono. Por isso mesmo é que eu o embebedo. O pior é que ele não se lembra de nada no outro dia, mas eu lembro...
Quem tem medo de um escaravelho? Brinca com o quê? Com merda? Pois, devia ter sabido disso mais cedo...
Eu sou o maior e o mais rápido corredor dos 100 metros crocodilo!
A namorada dele é mansa! Lá por ter 2 metros...
A ponte não me assusta! O que me assusta é o facto de o pára-quedas não estar a funcionar...
Mergulho até aos 25 metros e o tubarão também...
Tenho sempre a mania de que consigo virar o volante do meu carro quando vou a 300...
Não tenho medo! Tenho é vontade de cagar.
Vejo a águia. E sei que é vesga!
Eu sou gajo para passar aquela passadeira! Acho que não estou em Roma...
Levanto este peso de 1500kgs só com uma mão! Pelo menos a mão ficou lá...
Sou o menos possível, no que se trata ao mais impossível! Por isso subo esta ravina sem ter atenção com a toca do urso...
Faço tudo o mais rápido possível e mais rápido que todos! Ainda bem que tropecei no primeiro degrau a descer o Cristo Rei...
O gato é o melhor amigo do dono. Por isso mesmo é que eu o embebedo. O pior é que ele não se lembra de nada no outro dia, mas eu lembro...
Quem tem medo de um escaravelho? Brinca com o quê? Com merda? Pois, devia ter sabido disso mais cedo...
Eu sou o maior e o mais rápido corredor dos 100 metros crocodilo!
A namorada dele é mansa! Lá por ter 2 metros...
A ponte não me assusta! O que me assusta é o facto de o pára-quedas não estar a funcionar...
Mergulho até aos 25 metros e o tubarão também...
Tenho sempre a mania de que consigo virar o volante do meu carro quando vou a 300...
Não tenho medo! Tenho é vontade de cagar.
Vejo a águia. E sei que é vesga!
Eu sou gajo para passar aquela passadeira! Acho que não estou em Roma...
Levanto este peso de 1500kgs só com uma mão! Pelo menos a mão ficou lá...
Sou o menos possível, no que se trata ao mais impossível! Por isso subo esta ravina sem ter atenção com a toca do urso...
Faço tudo o mais rápido possível e mais rápido que todos! Ainda bem que tropecei no primeiro degrau a descer o Cristo Rei...
The sun (e não é o jornal)
O sol que invade a minha consciência e trespassa a tristeza que se apodera de mim. Sol forte que trás alegria à minha vida, despida de carinho e amor, que inunda e abunda em rios de raios fortes, que magoam, tanto como acariciam, que penetram na minha carapaça, de pele mole, que faz vibrar o meu peito em bruscas mudanças de temperatura, ora frio ou gélido, o meu peito se enche de ti, alegria de viver, de vida nova, de tentação de mais ter, saber que nada virá e tudo acabará, bem... Quando?
segunda-feira, 9 de março de 2009
Musicas minhas
The Smiths
There's A Light That Never Goes Out
Take me out tonight
Where there's music and there's people
And they're young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one
Anymore
Take me out tonight
Because I want to see people and I Want to see life
Driving in your car
Oh, please don't drop me home
Because it's not my home, it's their Home,
and I'm welcome no more
And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure - the privilege is mine
Take me out tonight
Take me anywhere, I don't care I don't care, I don't care
And in the darkened underpass I thought Oh God, my chance has come at last
(But then a strange fear gripped me and I Just couldn't ask)
Take me out tonight
Oh, take me anywhere,
I don't care I don't care, I don't care
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one, da ...Oh,
I haven't got one
And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure - the privilege is mine
Oh, There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There's A Light That Never Goes Out
Take me out tonight
Where there's music and there's people
And they're young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one
Anymore
Take me out tonight
Because I want to see people and I Want to see life
Driving in your car
Oh, please don't drop me home
Because it's not my home, it's their Home,
and I'm welcome no more
And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure - the privilege is mine
Take me out tonight
Take me anywhere, I don't care I don't care, I don't care
And in the darkened underpass I thought Oh God, my chance has come at last
(But then a strange fear gripped me and I Just couldn't ask)
Take me out tonight
Oh, take me anywhere,
I don't care I don't care, I don't care
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one, da ...Oh,
I haven't got one
And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure - the privilege is mine
Oh, There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
There Is A Light And It Never Goes Out
sábado, 7 de março de 2009
Saudade
do ant. soedade, soidade, suidade < Lat. solitate, com influência de saudar
s. f.,
lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir;
pesar pela ausência de alguém que nos é querido;
nostalgia;
s. f.,
lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir;
pesar pela ausência de alguém que nos é querido;
nostalgia;
quinta-feira, 5 de março de 2009
Silence 4 - Borrow
You're never with me
you're never near me
What time is it?
What time?
Whose time is this?
Give yourself a chance to breathe
I'll give you the room you need
You're never here
You're never near here
What day is this?
What day?
Whose day is this?
Put me in your supermarket list
I'm here, I'm real, it's true, I do exist
Today you may feel a little sleepy
Maybe the morning is too soon
I guess I'll have to borrow
One of your sunny afternoons
But afternoons they never come
There's nothing left for me to borrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
You're wasting me
You're breaking, you're wasting me
Can this be love?
Is this?
Whose love is this?What is wrong with you?
I don't know
No place in you for me
And me, I need you so
And if you want to be by yourself
No one disturbing, that's alright
I guess I'll have to borrow
A little of yourself tonight
But tonight it never comes
There's nothing left for me to borrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
It may seem a little hollow
But I'll try again tomorrow
There's nothing left for me to borrow
I guess I'll try again tomorrow
you're never near me
What time is it?
What time?
Whose time is this?
Give yourself a chance to breathe
I'll give you the room you need
You're never here
You're never near here
What day is this?
What day?
Whose day is this?
Put me in your supermarket list
I'm here, I'm real, it's true, I do exist
Today you may feel a little sleepy
Maybe the morning is too soon
I guess I'll have to borrow
One of your sunny afternoons
But afternoons they never come
There's nothing left for me to borrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
You're wasting me
You're breaking, you're wasting me
Can this be love?
Is this?
Whose love is this?What is wrong with you?
I don't know
No place in you for me
And me, I need you so
And if you want to be by yourself
No one disturbing, that's alright
I guess I'll have to borrow
A little of yourself tonight
But tonight it never comes
There's nothing left for me to borrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
It may seem a little hollow
But I'll try again tomorrow
There's nothing left for me to borrow
I guess I'll try again tomorrow
quarta-feira, 4 de março de 2009
Manual:
Como fazer compras num hipermercado e o que fazer e não fazer.
- Se for descalço, peça ajuda a um dos seguranças que guarde os seus pés. Não se vai querer magoar.
- Leve sempre um saco de plástico atado à coxa. Assim se por um acaso não conseguir ir à casa de banho quando está a escolher a fruta, pode sempre fazer ali.
- Sempre que for a um hiper, pergunte a um funcionário(a), se sabe onde é a entrada, mas só depois de estar lá dentro. Em seguida siga-o(a) para onde quer ele(a) vá durante dois minutos. Caso se sinta incomodado, dê duas voltas e diga: A vida é para os ricos.
- Entre no corredor das bebidas e diga em voz alta: Eu sou um pássaro. Nada deverá acontecer, caso aconteça, grite ainda mais alto: Não sei quem sou, sei que ele sabe. – E aponte para alguém que vá a passar. Resulta sempre!
- Na secção de detergentes, finja que está a roubar, mas se alguém vir, finja que está a beber. No fim diga: Se não gosta, não coma! – Mesmo que seja a fingir.
- Corra pelo corredor central.
- Salpique a pessoa que está ao seu lado, quando comprar peixe. Se não gostar, diga-lhe: Desculpe, pensei que era o meu marido/mulher.
- Nos frescos, deite-se no chão e coloque a tabuleta de “Piso escorregadio”. Se alguém tentar levanta-lo(a), diga: Estou em paz com o mundo.... – Deve ser complicado dizer, mas tente.
- Na secção das bebidas alcoólicas, diga: Eu odeio o vinho! – E compre 10 garrafas de vinho. Não seja forreta e compre, vai ver que é bom.
- Se é mulher e trás mala, deixe-a no carrinho, afaste-se e ponha-se à coca. Sempre que alguém passar perto do carrinho, grite: Tenho um prego no pé! - aguarde que alguém vá ter consigo. Se não resultar, insista, mesmo que isso seja parvo.
- Quando for para a caixa, diga à pessoa que está à sua frente, que a pessoa que está à frente dela, não tem dinheiro. Se for alguém da família, ou conhecido dessa pessoas, olhe para o ar e assobie. Nunca mais diga um palavra, mesmo que essa pessoa lhe pergunte o quer que seja.
- Ao cumprimentar a pessoa da caixa, diga-lhe que tem um amigo(a) muito parecido e depois comece a trata-lo(a) por Joaquina. Se a pessoa se sentir incomodada, deixe estar, isso passa-lhe.
- Quando tirar o método de pagamento, pergunte se pode ir a casa buscar o cão, mas leve as compras consigo. Se a pessoa da caixa chamar a segurança, diga que estava a brincar. Procure durante vários minutos pelo método de pagamento e por fim, com o método na mão, diga: O dinheiro não traz felicidade, mas faz-me ser uma pessoa muito mais integra. Se um dia houver alguém que lhe peça dinheiro por uma razão qualquer que não conseguir justificar, é porque não tem, é porque é pobre e está a pedir-lhe ajuda. O dinheiro é mau, é sujo, não presta, não tem alma, serve só para comprar as pessoas. A alma é pura, o ser é genuíno, as pessoas são integras e o dinheiro é malvado. Diga não ao dinheiro. – Se a pessoa na caixa tiver de novo intenção em chamar o segurança, diga de novo que estava a brincar, sorrindo com ar de ovelha. Depois de pagar grite: Estou livre!
- Leve o carrinho para dentro da sua viatura, se não couber, culpe a empresa que fez a sua viatura. Caso consiga, é porque tem uma viatura muito grande, mas culpe à mesma a empresa que fez a sua viatura.
- Saia. À saída, se estiver alguém à sua frente, diga de novo: Estou livre! - mas mais baixinho. A pessoa que estará à sua frente, não vai compreender a sua euforia e vai pensar que está a mal trata-lo. Não é bom.
Boas compras e feliz mingua.
- Se for descalço, peça ajuda a um dos seguranças que guarde os seus pés. Não se vai querer magoar.
- Leve sempre um saco de plástico atado à coxa. Assim se por um acaso não conseguir ir à casa de banho quando está a escolher a fruta, pode sempre fazer ali.
- Sempre que for a um hiper, pergunte a um funcionário(a), se sabe onde é a entrada, mas só depois de estar lá dentro. Em seguida siga-o(a) para onde quer ele(a) vá durante dois minutos. Caso se sinta incomodado, dê duas voltas e diga: A vida é para os ricos.
- Entre no corredor das bebidas e diga em voz alta: Eu sou um pássaro. Nada deverá acontecer, caso aconteça, grite ainda mais alto: Não sei quem sou, sei que ele sabe. – E aponte para alguém que vá a passar. Resulta sempre!
- Na secção de detergentes, finja que está a roubar, mas se alguém vir, finja que está a beber. No fim diga: Se não gosta, não coma! – Mesmo que seja a fingir.
- Corra pelo corredor central.
- Salpique a pessoa que está ao seu lado, quando comprar peixe. Se não gostar, diga-lhe: Desculpe, pensei que era o meu marido/mulher.
- Nos frescos, deite-se no chão e coloque a tabuleta de “Piso escorregadio”. Se alguém tentar levanta-lo(a), diga: Estou em paz com o mundo.... – Deve ser complicado dizer, mas tente.
- Na secção das bebidas alcoólicas, diga: Eu odeio o vinho! – E compre 10 garrafas de vinho. Não seja forreta e compre, vai ver que é bom.
- Se é mulher e trás mala, deixe-a no carrinho, afaste-se e ponha-se à coca. Sempre que alguém passar perto do carrinho, grite: Tenho um prego no pé! - aguarde que alguém vá ter consigo. Se não resultar, insista, mesmo que isso seja parvo.
- Quando for para a caixa, diga à pessoa que está à sua frente, que a pessoa que está à frente dela, não tem dinheiro. Se for alguém da família, ou conhecido dessa pessoas, olhe para o ar e assobie. Nunca mais diga um palavra, mesmo que essa pessoa lhe pergunte o quer que seja.
- Ao cumprimentar a pessoa da caixa, diga-lhe que tem um amigo(a) muito parecido e depois comece a trata-lo(a) por Joaquina. Se a pessoa se sentir incomodada, deixe estar, isso passa-lhe.
- Quando tirar o método de pagamento, pergunte se pode ir a casa buscar o cão, mas leve as compras consigo. Se a pessoa da caixa chamar a segurança, diga que estava a brincar. Procure durante vários minutos pelo método de pagamento e por fim, com o método na mão, diga: O dinheiro não traz felicidade, mas faz-me ser uma pessoa muito mais integra. Se um dia houver alguém que lhe peça dinheiro por uma razão qualquer que não conseguir justificar, é porque não tem, é porque é pobre e está a pedir-lhe ajuda. O dinheiro é mau, é sujo, não presta, não tem alma, serve só para comprar as pessoas. A alma é pura, o ser é genuíno, as pessoas são integras e o dinheiro é malvado. Diga não ao dinheiro. – Se a pessoa na caixa tiver de novo intenção em chamar o segurança, diga de novo que estava a brincar, sorrindo com ar de ovelha. Depois de pagar grite: Estou livre!
- Leve o carrinho para dentro da sua viatura, se não couber, culpe a empresa que fez a sua viatura. Caso consiga, é porque tem uma viatura muito grande, mas culpe à mesma a empresa que fez a sua viatura.
- Saia. À saída, se estiver alguém à sua frente, diga de novo: Estou livre! - mas mais baixinho. A pessoa que estará à sua frente, não vai compreender a sua euforia e vai pensar que está a mal trata-lo. Não é bom.
Boas compras e feliz mingua.
Sol
Vejo os teus olhos, vejo-os à distância, numa distância encurtada pelo pensamento, pelo desejo de te ter e me teres, num misto de estar e não conseguir estar, sempre em constante sensação de proximidade, sem estar. Vaguei pelas recordações, numa viagem metabólica, que altera o meu corpo, o qual viaja pelos teus cabelos, pelas minhas memórias, sentindo-me um pássaro, com assas grandes, que abraça tudo, numa forma suave e gigante, como quem quer amar e ser amado, sem limites, sendo o céu o meu espaço, onde tu estás, à minha espera, e sorris. E eu sorrio. Sinto o teu amor, como uma auréola, que envolve e me puxa, sempre, para junto de ti. A luz é forte, quase me cega, mas os teus olhos, estão presentes, olham-me, duma forma como eu nunca vi, como eu nunca senti, é por demais belo, é assustador e atrai. Voo em círculos, quero mas não consigo me aproximar, quanto mais tento, mais a tua luz brilha. Todo o medo do universo, eu perco e a ti me chego, de olhos fechados, procuro, toco os teus lábios, não sei onde estão, toco, como quem toca com a suavidade duma rosa branca, por instinto, por sentir o teu calor. Numa explosão, sinto as minhas asas envolverem-te, transformam-se em braços, a luz é ainda mais forte, mais intensa. De lábios juntos, de corpos unidos, fundidos, toda a luz fica num esplendor de mil sois! É lindo, é belo. É...
Assim se forma um sol...
Assim se forma um sol...
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Viva ao que eu chamo de: grito do fundo do poço
Certezas:
*No movimento das teorias, a estática dos teoremas.
*A dúvida do pensamento, a certeza da pergunta.
*A auto-estrada das estrelas, o atalho dos mares.
*A luta das forças, contra as forças da luta.
*Matéria negra, branca é a luz.
Dúvidas:
!Se há líquidos e gasosos, porque não inspirar cerveja?
!Em que data foi criado o calendário?
!Qual a forma da roda, antes de existir?
!A matéria é feita de algo que existe, ou se ensina?
!Haverá forma de quantificar a quantidade de quantidade?
!Qual a razão da espuma no liquido para lavar as sanitas?
Incertezas:
>Duvido que um Sr. na Irlanda consiga dançar depois de beber Licor Beirão.
>Não sei se alguém sabe de que cor é a cor...
>Mesmo que de certa forma eu possa vir a ser um individuo, será que poderei ser mais alto por isso?.
>Uma sardinha no mar, pode percorrer uma grande distância, mas na grelha tenho as minhas dúvidas...
>Estou incerto quanto ao futuro, mas também é normal, estou morto.
>Uma carruagem de passageiros do comboio da linha do Tua, vai a uma velocidade X. Está uma senhora à janela. Será que trás soutien?
Conclusão: Há mais dúvidas que tudo o resto.
*No movimento das teorias, a estática dos teoremas.
*A dúvida do pensamento, a certeza da pergunta.
*A auto-estrada das estrelas, o atalho dos mares.
*A luta das forças, contra as forças da luta.
*Matéria negra, branca é a luz.
Dúvidas:
!Se há líquidos e gasosos, porque não inspirar cerveja?
!Em que data foi criado o calendário?
!Qual a forma da roda, antes de existir?
!A matéria é feita de algo que existe, ou se ensina?
!Haverá forma de quantificar a quantidade de quantidade?
!Qual a razão da espuma no liquido para lavar as sanitas?
Incertezas:
>Duvido que um Sr. na Irlanda consiga dançar depois de beber Licor Beirão.
>Não sei se alguém sabe de que cor é a cor...
>Mesmo que de certa forma eu possa vir a ser um individuo, será que poderei ser mais alto por isso?.
>Uma sardinha no mar, pode percorrer uma grande distância, mas na grelha tenho as minhas dúvidas...
>Estou incerto quanto ao futuro, mas também é normal, estou morto.
>Uma carruagem de passageiros do comboio da linha do Tua, vai a uma velocidade X. Está uma senhora à janela. Será que trás soutien?
Conclusão: Há mais dúvidas que tudo o resto.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A simplicidade do complicado
Simples é algo que se entende sem se ver, é algo que se sente sem serem necessárias palavras.
São os momentos que fazem a vida, sempre. São esses momentos que guardamos em sítios na nossa memória para sempre. Mesmo que queiramos deitar fora, esquecer, eles estão lá, para mais tarde, quando tivermos coragem, na nossa solidão, os recordar e pensar o que podíamos ter feito de diferente. Só que nada seria diferente, pois será sempre como é, mesmo que queiramos alterar, só pelo simples facto de sabermos como podia ter sido.
Se aconteceu, é sempre porque não podia ter sido de outra forma.
Vivemos a vida num misto de desejo, de liberdade e de prisão, pois a consciência manda em quase tudo o que fazemos e quando isso não acontece, somos quase felizes, ou totalmente felizes.
Não há que forçar algo que não pode ser, há que continuar e ver para crer.
Se um dia for pior que o outro, haverá outro que será melhor que o primeiro, seja em que situação for.
Viver é difícil, mas saber viver é tão fácil. Ouvir o nosso coração e saber que bate porque tem de bater, até que morramos, pois nada somos, e tudo desejamos. Querer, não é poder, mas tem uma força tremenda.
Ouvir, sentir, cheirar e saborear, tudo o que nos envolve, duma forma lúcida e embriagada. Com controlo? Sim, pois a vida assim nos ensinou.
Amar não é sofrer, mas sim sentir amando e amar porque se sente.
Choro porque amo e sorriu porque amo.
Desde sempre disse e já há quem mais o pensou: os extremos tocam-se. Mas digo mais, quando isso acontece, é porque estamos bem, pois a vida é feita disso e é o que nos impele a continuar.
Não acredito em algo que não nos dê “pica”, pois nada é garantido e por isso sofro, pois seria bem mais fácil ir pelo caminho mais fácil, mas e se isso for chato? Chato é mau? Não é, mas é um tremendo aborrecimento.
Cada vez mais tudo será igual e ao mesmo tempo, diferente, até ao ponto de haver um constante conflito chato.
Quanto mais tempo passa, mais a paciência se esgota, ou se quer mais? Mais do que se nunca teve? A paz é um momento, a guerra também, e o meio é equilibrado. Mas o meio não existe, pois é chato, daí que nos leve a pensar que mais vale um equilíbrio sentido, que um ponderado.
A racionalidade é boa? Sim, é óptima! Não nos deixa sentir e deixa-nos continuar sem nos magoar. Mas quando bate a porta, é terrível, pois não sabemos lidar com ela. No entanto sabemos lidar com sentimentos de hipocrisia e cinismos, pois são fruto do racional, de algo que não nos faz sofrer. Tudo tem base no sofrimento, na dor, pois não a suportamos e fugimos dela. Quem não tem dor é insensível ou racional? Ou pura e simplesmente sabe lidar com isso...? Não é necessário sofrer para saber. Aprendemos com os erros e temos decisões com base na nossa experiência, mas uma criança sabe quando quer e não quer fazer algo, mesmo que isso implique magoar-se. Na pureza da decisão, não há tabus, nem senso comum, há a natureza humana, que sempre nos faz optar por algo que o nosso eu diz. Para quê esconder e ter medo, se vamos todos morrer. O que é hoje, amanhã não será, já o que foi ontem, nada podemos alterar.
Viver e deixar viver, morrer e viver.
É simples.
A minha mãe diz: A vida é bela, o Homem é que dá cabo dela.
Tento todos os dias não o fazer, não destruir a vida bela. Mas é complicado.
Bom dia e até já, para todos, um bom raiar do dia, sempre na esperança de chegar ao pôr-do-sol e dizer sentido: Amo-te.
São os momentos que fazem a vida, sempre. São esses momentos que guardamos em sítios na nossa memória para sempre. Mesmo que queiramos deitar fora, esquecer, eles estão lá, para mais tarde, quando tivermos coragem, na nossa solidão, os recordar e pensar o que podíamos ter feito de diferente. Só que nada seria diferente, pois será sempre como é, mesmo que queiramos alterar, só pelo simples facto de sabermos como podia ter sido.
Se aconteceu, é sempre porque não podia ter sido de outra forma.
Vivemos a vida num misto de desejo, de liberdade e de prisão, pois a consciência manda em quase tudo o que fazemos e quando isso não acontece, somos quase felizes, ou totalmente felizes.
Não há que forçar algo que não pode ser, há que continuar e ver para crer.
Se um dia for pior que o outro, haverá outro que será melhor que o primeiro, seja em que situação for.
Viver é difícil, mas saber viver é tão fácil. Ouvir o nosso coração e saber que bate porque tem de bater, até que morramos, pois nada somos, e tudo desejamos. Querer, não é poder, mas tem uma força tremenda.
Ouvir, sentir, cheirar e saborear, tudo o que nos envolve, duma forma lúcida e embriagada. Com controlo? Sim, pois a vida assim nos ensinou.
Amar não é sofrer, mas sim sentir amando e amar porque se sente.
Choro porque amo e sorriu porque amo.
Desde sempre disse e já há quem mais o pensou: os extremos tocam-se. Mas digo mais, quando isso acontece, é porque estamos bem, pois a vida é feita disso e é o que nos impele a continuar.
Não acredito em algo que não nos dê “pica”, pois nada é garantido e por isso sofro, pois seria bem mais fácil ir pelo caminho mais fácil, mas e se isso for chato? Chato é mau? Não é, mas é um tremendo aborrecimento.
Cada vez mais tudo será igual e ao mesmo tempo, diferente, até ao ponto de haver um constante conflito chato.
Quanto mais tempo passa, mais a paciência se esgota, ou se quer mais? Mais do que se nunca teve? A paz é um momento, a guerra também, e o meio é equilibrado. Mas o meio não existe, pois é chato, daí que nos leve a pensar que mais vale um equilíbrio sentido, que um ponderado.
A racionalidade é boa? Sim, é óptima! Não nos deixa sentir e deixa-nos continuar sem nos magoar. Mas quando bate a porta, é terrível, pois não sabemos lidar com ela. No entanto sabemos lidar com sentimentos de hipocrisia e cinismos, pois são fruto do racional, de algo que não nos faz sofrer. Tudo tem base no sofrimento, na dor, pois não a suportamos e fugimos dela. Quem não tem dor é insensível ou racional? Ou pura e simplesmente sabe lidar com isso...? Não é necessário sofrer para saber. Aprendemos com os erros e temos decisões com base na nossa experiência, mas uma criança sabe quando quer e não quer fazer algo, mesmo que isso implique magoar-se. Na pureza da decisão, não há tabus, nem senso comum, há a natureza humana, que sempre nos faz optar por algo que o nosso eu diz. Para quê esconder e ter medo, se vamos todos morrer. O que é hoje, amanhã não será, já o que foi ontem, nada podemos alterar.
Viver e deixar viver, morrer e viver.
É simples.
A minha mãe diz: A vida é bela, o Homem é que dá cabo dela.
Tento todos os dias não o fazer, não destruir a vida bela. Mas é complicado.
Bom dia e até já, para todos, um bom raiar do dia, sempre na esperança de chegar ao pôr-do-sol e dizer sentido: Amo-te.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
A concha

Ao cair da tarde conheci uma concha, era normal, tinha cores normais, vistosas mas muito normais. Como que do nada encontrei-a, estava na praia, ali, junto à água. Peguei nela, limpei a areia, olhei-a e ela olhou para mim, tímida. Sabia que o lugar dela era ali, naquela praia, mas de qualquer forma tomei-a comigo. Não tive coragem de a tirar da praia e depois do por do sol, ali fiquei, nada disse, só a olhava. Não sabia o que dizer. Já sem luz do sol, olhei o céu estrelado e vi a lua. Brilhava como nunca, iluminava toda a praia, não havia mais nada, só eu a praia, o mar, a areia, as estrelas, a lua e a pequena concha. Com a luz da lua, outras cores foram surgindo da normal concha, tornando-se numa concha maior, com luz e vida próprias. Vislumbrei algo que me deixou boquiaberto. A face duma donzela, que me olhava. Olhos doces e escuros como a noite, meigos e ternos como a sua brisa que me tocava na minha face, querendo acariciar-me. A sua face era como a própria concha, normal, mas tão bela, mais bela entra as mais belas. Os meus olhos brilharam quando um sorriso da sua boca, imaculada, surgiu. Quase chorei e vindo das entranhas da pequena concha, uma pequena, mas gigante mão, tocou a minha face e amparou uma gota de lágrima, deixada cair pela felicidade do momento. Sorriu de novo. Eu sorri de volta. A concha agigantava-se em forma de mulher, bela e normal, mas de uma sensualidade sem igual, tal como a concha que peguei. Longos cabelos castanhos escuros, tapavam-lhe parte da face, de contornos suaves, duma tez clara, celestial, pele como seda, perfeitamente normal, nariz pequeno que só apetecia tocar, as maçãs do rosto em perfeita harmonia com os contornos nos maxilares e queixo, incrivelmente belo. A luz da lua não podia iluminar tanto aquele corpo, a luz que brotava era dum branco e azul que aquecia o coração, que enchia o espaço onde estávamos e formava uma barreira, nada nem ninguém conseguia lá chegar, mesmo que houvesse quem quer que fosse ali por perto. Senti um puxão, puxava-me para junto dela, mas não sentia a sua mão, só o magnetismo do seu corpo, que me puxava para junta dela. Estava já na plena forma duma mulher e eu ali estava, sem entender como podia ser, como duma normal concha, pode brotar tal normal mulher, do mais belo do universo. Estava agora à minha frente de joelhos e eu em frente a ela, de joelhos também. Tinha-me arrastado alguns centímetros na areia e cada vez mais próximo estava, mais ela me olhava e puxava. Estava tão próximo que ouvia o seu coração bater, como se estivesse dentro de água, num som grave e suave, que vibrava o meu corpo e batia em simultâneo com o meu, num embalo de fazer crescer ondas no mar. Continuava fixo na sua face, o seu corpo estava coberto por algas marinhas, dum verde profundo e brilhante como que se o sol ainda lhe brilhasse. Não pude evitar de ver as sua formas, belas e de tão normais que eram, faziam tudo parecer ainda mais belo. Estava muito próximo dela, quase lhe conseguia ver a alma, linda, bela, fabulosa, incrivelmente bela e normal. Aproximou a sua boca da minha e disse:
- Para me teres, terás de morrer. – Numa voz profunda, meiga, doce, melódica e envolvente.
Olhei nos olhos e disse:
- Mata-me com o teu amor.
Estas palavras ecoaram pelas falésias da praia, pelo céu, pelo mar, pela ar, por debaixo da areia, e ressoavam de novo na sua face nos seus lábios e seios. Estendeu os braços e apertou-me junto do seu peito. Senti o meu corpo a fraquejar, senti os meus membros a perderem força, num desespero de querer viver e não conseguir, se respirar sem puder. Definhava ali, o meu corpo deixava de existir. Senti um pavor tremendo, não sabia se queria e resisti. Tarde demais... Estava já dentro do que se pudesse chamar corpo, no dela. Ela, ainda mais se agigantava a brilhava, na praia deserta. Despedia-me do meu pobre corpo, que para nada servia, jazia, ali, morto, sem vida. Eu? Estava onde sempre quis estar, no seu seio, dentro dela, vivo, mais vivo que nunca. Olhei o mundo pela ultima vez e zarpei rumo ao mar. A concha caiu no chão, sem vida, normal, com cores vistosas e normais, para o nascer do sol, mais lindo de sempre, numa explosão de viva e cor. Rumamos ao único sítio onde nunca devíamos ter saído, o mar, o vasto e longo mar. As nossas almas por lá navegam ainda hoje. Por vezes venho à praia e vejo a concha, que ainda por lá anda, na esperança de colher mais uma alegre alma.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
A praia

A tua face, que a lua ilumina,
Celebra a alegria em mim,
A tua cheirosa pele de menina
E tua doçura sem fim.
Silêncio quebrado pelo mar,
Que revolto endiabrado e poderoso!
Acalma o espírito exaltado pelo amar,
E liberta sem amarras, o teu olhar gracioso.
Toque suave de mão aberta,
Na tua face de pele sedosa,
Que todo o carinho liberta,
Soltando a tua expressão graciosa.
Olhos, nos olhos brilhantes,
Em que a alma forte se toca,
Com o desejo de dois amantes,
O beijo doce e meigo se troca.
As lágrimas surdas que correm pela alma,
Os desejos mudos das nossas bocas gritam,
Os lábios húmidos que se fundem com a calma,
E a palavra quente e forte que rompe o silêncio quando duas almas se amam.
- Amo-te! – essa é a palavra que fica esquecida no tempo, que parou, que ficou esquecido, que é sentida, mas não correspondida.
Acordo do sonho e sorriu.
Foi bom demais e verdadeiro,
Foi sentido e perfeito.
Até já.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Já faltou mais
Ondas em vagas,
que fazem chagas,
enchem a praia deserta,
coberta de rocha,
posta e deposta,
por anos de tanto o mar bater,
sem se ver,
em fúria,
sem injuria,
inunda, a areia imunda,
por depósito de restos humanos,
profanos, sem alma,
com a palma da mão inchada
de tanto conspurcar,
mesmo sujar,
sem dó, sem pensar,
sem amar, sem parar.
Oh saudade!
Oh felicidade!
Por dias bonitos,
cheios de calor
e gritos,
com candor das crianças,
felizes e com esperanças,
de brincar,
de correr e saltar,
de viver e pular.
Ai o cheiro! Ai o desejo!
De respirar, sentir o ar,
o sol e o mar,
a praia não mais deserta,
mas coberta,
por humanos, profanos,
que enchem-na de corpos imundos,
cheios de cheiros estranhos,
em rebanhos, amassam a areias
outrora sem gloria
e agora
porca.
Já faltou mais.
que fazem chagas,
enchem a praia deserta,
coberta de rocha,
posta e deposta,
por anos de tanto o mar bater,
sem se ver,
em fúria,
sem injuria,
inunda, a areia imunda,
por depósito de restos humanos,
profanos, sem alma,
com a palma da mão inchada
de tanto conspurcar,
mesmo sujar,
sem dó, sem pensar,
sem amar, sem parar.
Oh saudade!
Oh felicidade!
Por dias bonitos,
cheios de calor
e gritos,
com candor das crianças,
felizes e com esperanças,
de brincar,
de correr e saltar,
de viver e pular.
Ai o cheiro! Ai o desejo!
De respirar, sentir o ar,
o sol e o mar,
a praia não mais deserta,
mas coberta,
por humanos, profanos,
que enchem-na de corpos imundos,
cheios de cheiros estranhos,
em rebanhos, amassam a areias
outrora sem gloria
e agora
porca.
Já faltou mais.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Sem nome
- O que podemos fazer Grace?
- Talvez o Andrew possa nos ajudar.
- Não me parece. Ele tem sempre muita coisa para fazer. Dizes isso porque não falas com ele já há muito tempo. Qual foi a ultima vez que falaste com ele?
- Há cerca de dois meses.
- Isso é muito tempo para o Adrew. Ele agora lida com assuntos bem mais vantajoso.
- Ai sim?
- Sim... De tal forma que já não faz serviços de pequena monta.
- Mas ele mesmo assim é excelente para aquilo que queremos.
- Eu sei, mas não o fará para nós...
- Mas e se te disser que tenho uma quantia bastante avultada de dinheiro para esta tarefa?
- De que quantia estás a falar?
- Só a direi se conseguir falar com o Andrew.
- Pois mas isso é impossível.
- Então não podemos contar com ele... Mas olha que é uma quantia bastante simpática.
- Anda, diz-me quanto.
- Nada feito.
- Não vamos chegar a um consenso.
- Desta forma não, mas se tu ou eu cedermos algo, talvez consigamos chegar a algum lado.
- Não me parece, pois somos muito parecidos e ambos sabemos que não vamos ceder.
- Não te tinha como pouco inteligente.
- Como assim? Estás-me a chamar estúpido?
- Sabes bem que não te considero estúpido, mas acho que neste momento não estás a entender o que te estou a dizer, ou a fazer entender.
- Bem. Eu já entendi que estás a tentar jogar comigo de alguma forma.
- Chama-lhe o que quiseres.
- Olhas-me com esse ar e eu não estou a gostar.
- Estou a tentar perceber o que se passa contigo.
- Não faças isso que eu não gosto.
- Eu sei, mas é mais forte que eu.
- Pára Grace!
- Tudo bem Matt.
- Vou falar com o Andrew.
- Talvez o Andrew possa nos ajudar.
- Não me parece. Ele tem sempre muita coisa para fazer. Dizes isso porque não falas com ele já há muito tempo. Qual foi a ultima vez que falaste com ele?
- Há cerca de dois meses.
- Isso é muito tempo para o Adrew. Ele agora lida com assuntos bem mais vantajoso.
- Ai sim?
- Sim... De tal forma que já não faz serviços de pequena monta.
- Mas ele mesmo assim é excelente para aquilo que queremos.
- Eu sei, mas não o fará para nós...
- Mas e se te disser que tenho uma quantia bastante avultada de dinheiro para esta tarefa?
- De que quantia estás a falar?
- Só a direi se conseguir falar com o Andrew.
- Pois mas isso é impossível.
- Então não podemos contar com ele... Mas olha que é uma quantia bastante simpática.
- Anda, diz-me quanto.
- Nada feito.
- Não vamos chegar a um consenso.
- Desta forma não, mas se tu ou eu cedermos algo, talvez consigamos chegar a algum lado.
- Não me parece, pois somos muito parecidos e ambos sabemos que não vamos ceder.
- Não te tinha como pouco inteligente.
- Como assim? Estás-me a chamar estúpido?
- Sabes bem que não te considero estúpido, mas acho que neste momento não estás a entender o que te estou a dizer, ou a fazer entender.
- Bem. Eu já entendi que estás a tentar jogar comigo de alguma forma.
- Chama-lhe o que quiseres.
- Olhas-me com esse ar e eu não estou a gostar.
- Estou a tentar perceber o que se passa contigo.
- Não faças isso que eu não gosto.
- Eu sei, mas é mais forte que eu.
- Pára Grace!
- Tudo bem Matt.
- Vou falar com o Andrew.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
A responder do estrangeiro:
Na inevitabilidade de algo acontecer, acontece quase sempre como menos esperamos e mais prevemos.
Não digo a palavra, pois não a sinto e dai ficará o meu eterno: até logo...
Estou por ai...
Te sakam...
BD.
Não digo a palavra, pois não a sinto e dai ficará o meu eterno: até logo...
Estou por ai...
Te sakam...
BD.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Ainda é Natal?
As palavras saltam-me da boca, flúem num misto de paz e exaltação, sinto o sangue quente a percorrer as minhas veias, tudo o que toco fica em brasa, incandescente. A própria saliva parece estar em ebulição, a ponta dos dedos derretem metal. O coração faz vibrar o edifício, quando falo, a voz sai grossa e ressoa por todas as paredes, produzindo sons em baixas frequências, que fazem também vibrar os vidros. Tento afastar os meus pensamentos de ideias perturbadoras, mas tudo o que penso é chamas, calor, calor imenso. Estou numa tensão descontrolada. A ideia de derreter tudo assola-me a alma! Tudo! Derreto tudo! Rios de material incandescente rodeiam-me, quanto mais derreto, mais quero derreter. Ai! Sinto tanto calor!
Eu bem me queria parecer, estou dentro deste forno há horas e nunca mais estou feito. Mas que raio está a demorar tanto tempo?
(O peru da consoada)
Eu bem me queria parecer, estou dentro deste forno há horas e nunca mais estou feito. Mas que raio está a demorar tanto tempo?
(O peru da consoada)
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
A fuga
Mexia-me com dificuldade, o frio mantinha-me preso, nada que eu fazia parecia alterar o meu estado. Tinha de me mexer, de reagir, senão morria ali colado aquela árvore. Já tinha andado milhares de quilómetros e não avistava nada, só floresta e alguns animais. Pensei que vinha preparado para tudo, mas tudo não existe. Dou por mim a pensar em morrer, isto só mostra que sou fraco. O que me fará viver? A esperança de alcançar a felicidade? A esperança de alcançar o que tanto lutei para conseguir? Fujo? Do quê? Mas nada disso me dá vontade de continuar, só de desistir, de me abandonar por aqui e deixar-me morrer à fome e ao frio. Mas depois penso que morrer assim é muito doloroso, não posso morrer assim, sou demasiado fraco. Pensando nisso, resolvo seguir e não morrer. O dilema persiste, mas envolto nos pensamentos deixo-me ir e nesse preciso dia foi o dia em que fiz mais quilómetros.
Como sempre ao final do dia fazia sempre o meu acampamento. O medo de animais furtivos era sempre uma constante, mas até aquele dia nada tinha acontecido. Sorte? Talvez, pois não fui minimamente preparado para o que quer que fosse.
Trazia na mochila de viagem uma tenda, um saco cama para temperaturas baixas, várias latas de comida, um canivete Suíço, uma bússola, um mapa mais ou menos detalhado, um bloco de notas, alguma roupa, mas pouca e no meu corpo, várias camadas de roupa, que ia despindo consoante ia andando e voltava a vesti-las quando o frio chegava.
Montei a tenda, comi dentro dela para não deitar cheiros para a floresta, enterrei os restos de comida, organizei as coisas para dormir, escrevi alguns apontamentos no meu bloco e deitei-me. Era sempre muito complicado adormecer, mas o cansaço era muito e cedia sempre a ele. Os barulhos da noite são tenebrosos, mas após 7 dias a dormir na floresta, tudo parecia mais normal, menos assustador.
Eu fugia, fugia de tudo e de todos. A minha vida tinha dado um enorme revés, nada corria bem, era perseguido por tudo e por todos, não tinha paz, nem sossego. A minha mulher tinha-se envolvido com o meu melhor amigo, a minha filha mais velha tinha fugido com um ex-criminoso que já tinha causado muito sofrimento na nossa cidade, a mais nova não saía de casa porque tinha medo de morrer. A minha vida estava um inferno. Até que um certo dia cometi a desgraça da minha vida. Mais uma vez não preparei nada. A fúria invadiu os meu corpo. Peguei na arma de fogo do meu irmão e saí. Com o meu espírito fraco, sabia que não ia ter qualquer tipo de hesitação em executar o que tinha em mente. Desci a rua, serrei os dentes. A fúria, misto de raiva e desmotivação de viver, apodera-se cada vez mais de mim, nem sequer tinha a arma escondida, pendia na minha mão, agarrava-a com toda a força e na outra mão um urso de peluche, segurava-o pelo pescoço. Entrei na casa. Como sempre tinha a porta aberta. Procurei o que queria abater e quando finalmente encontrei, estava a olhar para mim, com um ar muito ameaçador. Apontei a arma e disparei. Caiu logo morto. Fugi e ainda fujo, vou continuar a fugir a expressão não me sai da cabeça. O cão, antes de levar com o tiro, pediu desculpa com os olhos, mas eu não quis saber. Abati-o ali, a sangue frio, sem remorsos, sem qualquer pingo de sentimento, só queria que o cão deixasse de existir, que se calasse.
Não vou conseguir... Mas vou tentar chegar ao topo daquele monte e ver como é cair no fundo deste vale, pois morrer ao frio e à fome não é para mim, sou demasiado covarde.
Assim fiz. Subi e subi, até que cheguei. Lá no alto, avistava quase toda a mata, a vista era de tirar o ar, muito bonita mesmo. Pensei que seria um desperdício sujar aquele sítio, mas fraco como sou, tomei a decisão de me atirar. Tirei toda a roupa, estava muito frio. Enchi o peito de ar, olhei o horizonte e deixe-me cair. Quando estava a começar a cair, ouvi um cão ladrar. Se já estava gelado, mais gelado fiquei. Interrompi a queda e olhei para trás. O cão estava ali, a olhar para mim e pela expressão, já ali estava há alguns minutos. Sentado, mirava com desprezo. Senti-me ainda mais despido e gelado. Perguntei-lhe o que ele estava ali a fazer. A sua cabeça ainda tinha sangue, mas parecia de boa saúde. Eu fiquei estático, sem reacção. Levantou-se e dirigiu-se na minha direcção. Eu naquele momento pensei que me fosse matar e a minha covardia era de tal forma que já não me queria atirar, não queria que o cão me matasse, ali. Só queria fugir e continuar a fugir. Ele aproximava-se vagarosamente. Olhava para mim, com uma expressão de paz. Eu olhava a ravina e estava muito próximo de cair. Implorei que parasse, ajoelhei-me e pedi-lhe perdão. Chorava como uma criança, estava de joelhos em frente aquele cão, de joelhos, cheio de medo de morrer. O cão, deu mais um passo e quando estava muito perto de mim, parou. Olhou para mim e disse: Tens lume?
Como é irónica a vida depois da morte, não é?
Como sempre ao final do dia fazia sempre o meu acampamento. O medo de animais furtivos era sempre uma constante, mas até aquele dia nada tinha acontecido. Sorte? Talvez, pois não fui minimamente preparado para o que quer que fosse.
Trazia na mochila de viagem uma tenda, um saco cama para temperaturas baixas, várias latas de comida, um canivete Suíço, uma bússola, um mapa mais ou menos detalhado, um bloco de notas, alguma roupa, mas pouca e no meu corpo, várias camadas de roupa, que ia despindo consoante ia andando e voltava a vesti-las quando o frio chegava.
Montei a tenda, comi dentro dela para não deitar cheiros para a floresta, enterrei os restos de comida, organizei as coisas para dormir, escrevi alguns apontamentos no meu bloco e deitei-me. Era sempre muito complicado adormecer, mas o cansaço era muito e cedia sempre a ele. Os barulhos da noite são tenebrosos, mas após 7 dias a dormir na floresta, tudo parecia mais normal, menos assustador.
Eu fugia, fugia de tudo e de todos. A minha vida tinha dado um enorme revés, nada corria bem, era perseguido por tudo e por todos, não tinha paz, nem sossego. A minha mulher tinha-se envolvido com o meu melhor amigo, a minha filha mais velha tinha fugido com um ex-criminoso que já tinha causado muito sofrimento na nossa cidade, a mais nova não saía de casa porque tinha medo de morrer. A minha vida estava um inferno. Até que um certo dia cometi a desgraça da minha vida. Mais uma vez não preparei nada. A fúria invadiu os meu corpo. Peguei na arma de fogo do meu irmão e saí. Com o meu espírito fraco, sabia que não ia ter qualquer tipo de hesitação em executar o que tinha em mente. Desci a rua, serrei os dentes. A fúria, misto de raiva e desmotivação de viver, apodera-se cada vez mais de mim, nem sequer tinha a arma escondida, pendia na minha mão, agarrava-a com toda a força e na outra mão um urso de peluche, segurava-o pelo pescoço. Entrei na casa. Como sempre tinha a porta aberta. Procurei o que queria abater e quando finalmente encontrei, estava a olhar para mim, com um ar muito ameaçador. Apontei a arma e disparei. Caiu logo morto. Fugi e ainda fujo, vou continuar a fugir a expressão não me sai da cabeça. O cão, antes de levar com o tiro, pediu desculpa com os olhos, mas eu não quis saber. Abati-o ali, a sangue frio, sem remorsos, sem qualquer pingo de sentimento, só queria que o cão deixasse de existir, que se calasse.
Não vou conseguir... Mas vou tentar chegar ao topo daquele monte e ver como é cair no fundo deste vale, pois morrer ao frio e à fome não é para mim, sou demasiado covarde.
Assim fiz. Subi e subi, até que cheguei. Lá no alto, avistava quase toda a mata, a vista era de tirar o ar, muito bonita mesmo. Pensei que seria um desperdício sujar aquele sítio, mas fraco como sou, tomei a decisão de me atirar. Tirei toda a roupa, estava muito frio. Enchi o peito de ar, olhei o horizonte e deixe-me cair. Quando estava a começar a cair, ouvi um cão ladrar. Se já estava gelado, mais gelado fiquei. Interrompi a queda e olhei para trás. O cão estava ali, a olhar para mim e pela expressão, já ali estava há alguns minutos. Sentado, mirava com desprezo. Senti-me ainda mais despido e gelado. Perguntei-lhe o que ele estava ali a fazer. A sua cabeça ainda tinha sangue, mas parecia de boa saúde. Eu fiquei estático, sem reacção. Levantou-se e dirigiu-se na minha direcção. Eu naquele momento pensei que me fosse matar e a minha covardia era de tal forma que já não me queria atirar, não queria que o cão me matasse, ali. Só queria fugir e continuar a fugir. Ele aproximava-se vagarosamente. Olhava para mim, com uma expressão de paz. Eu olhava a ravina e estava muito próximo de cair. Implorei que parasse, ajoelhei-me e pedi-lhe perdão. Chorava como uma criança, estava de joelhos em frente aquele cão, de joelhos, cheio de medo de morrer. O cão, deu mais um passo e quando estava muito perto de mim, parou. Olhou para mim e disse: Tens lume?
Como é irónica a vida depois da morte, não é?
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