terça-feira, 3 de julho de 2007

Hoje

Para hoje, para além de previsão de chuva, que é normal no Inverno... temos:

17:00 - 17:15 - Y? (???????????????????????????????????)
17:30 - 18:15 - Bunnyranch

18:35 - 19:25 - The Gift

19:45 - 20:45 - Klaxons

21:05 - 22:05 - Magic Numbers

22:25 - 23:40 - Bloc Party

00:00 - 01:30 - Arcade Fire


Sem descriminações

sábado, 30 de junho de 2007

Sintra, anos 80.

(Para aqueles que se queixam, imprimam e leiam)


Resolvi embarcar numa pequena aventura com uns amigos “gadelhudos”, não do “Heavy” mas do “Gótico”. Digo aventura, pois para alguém que morou mais de 15 anos na Margem Sul, é uma aventura ir de transportes de Almada a Sintra. Objectivo: Parque de Campismo do Convento dos Capuchos no seio da Serra de Sintra.
Devia ser Novembro, o tempo estava muito inconstante, como é normal para essa altura do ano. Fiz a mala em casa e peguei na tenda, que tinha usado uma vez e mal a sabia montar.
Fiz-me ao caminho. Juntei-me ao grupo em Cacilhas, para a grande travessia. Lembro-me muito bem, parecia que ia com um grupo de bimbos que fazem pela primeira vez a travessia do Tejo. Mas o pior foi quando chegámos a Lisboa. Era tudo deles. Acho que se esqueceram que em Almada também há passadeiras e semáforos. Fomos a pé desde o Cais do Sodré até o Rossio. Uma atrocidade. Chegámos à estação de comboios e parecia que ninguém sabia o que era aquilo… Achei tão estranho estar a tomar conta de tanta gente crescida, mesmo não sendo, que resolvi observar o que faziam. Foi muito engraçado, chegando mesmo a ser cómico. Eu até pensei que estavam já drogados, e estavam, mas não daquela forma. Eu ria por dentro. Pensava se não estariam a ser “bobos da corte”. Era quase ridículo. O mais interessante é que as duas raparigas do grupo, as que não tinham namorados, estavam comigo. Mas soube bem. Este tipo de atitude é normal em mim quando tenho que ser racional, mas quando não é necessário, é complicado. No entanto, achei que haveria tempo para dar largas à minha imaginação quando lá chegasse. Como já conhecia bem a linha de Sintra, pois vivi na zona uns outros tantos 15 anos que dão para saber muito bem quais os melhores atalhos, assim, confiavam em mim para saber qual o transporte a apanhar. Senti-me bem a comandar as tropas, só não achava piada quando começavam com asneirada ao pé de pessoas mais velhas. Eu achava que dava mau nome a Almada, ou há Margem Sul. Pensava eu que as pessoas nos reconheceriam, como reconhecem nómadas de uma tribo. Pois… mas o que acontecia é que não havia distinções. Seguimos todos na gaiola. Gaiola é o nome que se dava à carruagem, que ficava num local qualquer no comboio, sendo o mais habitual no fim, ou no princípio do comboio. Os vidros eram reforçados por arames, quadriculados e tudo tinha um aspecto de área de combate. Era também onde o maquinista ficava, bem como o único sítio onde se podia fumar, sendo também um bom sítio para transportar todas nas nossas malas e tendas. Meio caminho andado e já iam no vigésimo charro, o que tornava tudo muito nublado. Lembrei-me de uma coisa. E comida? Eu levava enlatados, e eles? Pois… como será óbvio… nada! Ainda pensei se iriam comer da minha, ou se estavam à espera que as “mulheres” do grupo teriam essa incumbência. Pelos vistos a fórmula era comprar quando não tivessem. Pareceu-me justo. Sabendo que lá em cima não haveria nada. Ainda pensei se estavam a pensar arranjar um café onde houvesse Bolicaos, mas depois convenci-me que era mesmo uma questão de burrice, ou de falta de planeamento. Até havia um que já tinha sido dos Escuteiros, mas já tinha sido há muitos anos (4) e já não se lembrava. Eu sabia bem o que tinha.
Chegámos à Vila de Sintra. Qual a primeira coisa que tentamos fazer? Chegar pelo caminho mais curto aos Capuchos. Ora para quem conheça um pouco da Serra, sabe que dali até ao Capuchos não há como… a não ser que tenhamos algo que fure a terra, ou que possamos passar por dentro de propriedades, etc, etc… Dei a minha dica e foi bem aceite. Volta do Duche, Palácio da Vila de Sintra e começar a subir. Ainda houve quem achasse uma estupidez… foi o escuteiro. No entanto consegui demover a maior parte do pessoal. Subir e subir e subir. Caminhar pela estrada e subir. Eram já quase 3 da tarde e num dia de Inverno, era normal que a luz começasse a fraquejar, havendo algum pânico por parte das hostes femininas. Mas uma palavra tranquilizante do chefe de fila: O escuteiro. – Seria sempre bem vinda:
- Se nos perdermos vai ser baril, assim podemos vos comer e ninguém irá ouvir! – Dando um gargalhada solitária.
- Que piada gira… - responderam com desprezo.
E com este tipo de picardia lá íamos. Não sei bem ao certo quantos quilómetros são, nem quantas horas passámos na estrada, sei que já era quase de noite quando lá chegámos. O que valia era umas luzes que existiam dentro do parque… Como é óbvio, não havia qualquer tipo de condições para a prática do campismo no parque, se é que se podia chamar parque aquele lugar. Juntámo-nos a uns amigos que já lá estavam, há mais dias. Essa reunião foi muito estranha, um misto de alegria, repulsa e pedido de ajuda. Eram 3. A única luz que tinham provinha de uma lanterna. Eu não quis acreditar. Tinha que montar a tenda no escuro profundo. Estava cansado.
Lá para as 2 da manhã acabei de montar a tenda. Nessa noite dormi sozinho. No outro dia e como seria óbvio, não havia comida para todo, muito menos bebida. Claro que começou a chover. Serra de Sintra = a chuva. Porque era mais perto, descemos pela encosta Norte até à próxima localidade. Andámos um par de horas. É lindo caminhar pela Serra. Dá uma tranquilidade muito grande. A maior parte do tempo íamos todos calados, só se ouvia os paços, a chuva, que era miúda, e o vento. Quando estávamos a chegar, passámos por um palácio, semi-abandonado. Lindo! Cheio de mistério. A natureza há muito que se tinha apoderado dos jardins e outras partes da propriedade. A casa, neste caso, palácio, parecia que nos convidava a entrar. Estávamos todos em frente ao portão principal, não nos conseguimos decidir. Até que… o escuteiro… disse:
- Pá, temos que ir comprar mantimentos, caga nisso!
Claro que as raparigas que estavam do lado dele, pois toda aquele cenário arrepiava. Eu fiquei para trás, ainda fui olhando para a casa quando caminhava. Parecia mesmo que algo me convidava a entrar. Resisti.
Chegámos à povoação. Fizemos as compras certas: Latas de salsicha, batatas fritas, ketchup e muita cerveja. Este último item, trazia um pequeno problema. Quem o transportava? Prontamente alguém aconselhou que fosse o… escuteiro. Já se ia fazendo tarde e iniciámos longa caminhada de volta.
Mais uma vez o palácio, desta vez não parámos. Estava alguém ao portão. Nem nos atrevemos a olhar. Eu sim… enquanto caminhava observei. Que figura estranha. Alto, muito magro, de olhos carregados, que mal se viam, pois tinha um chapéu em bico enterrado na cabeça, de braços pendidos, pareciam enormes. As vestes eram velhas, mesmo muito velhas. Com um ar muito sério, de quem não sorri há vários séculos. Após um cruzar de olhos, voltou costas e saiu do portão. Eu como sempre era o último, não tive coragem de voltar a olhar. Sei se alguém me tocasse no ombro naquela altura, o coração iria parar. Só passados vários minutos é que olhei para trás. Já nem se via o palácio e não estava ninguém atrás de nós.
Mais à frente e porque estava tudo entediado, resolvemos fazer uma espécie de corrida. Rapazes contra raparigas. Tudo começou porque alguém disse, e é escusado dizer quem, que se os rapazes não estivessem ali, as raparigas não conseguiriam chegar ao acampamento, sozinhas. Claro que se gerou logo ali uma pequena guerra. Deixámos que elas partissem e saímos passados 10 minutos. E lá fomos.
Andámos e andámos e nada delas. Claro que achei que elas iam conseguir, até que… Começámos a ouvir gritos de socorro. Apressámos o passo e quando estávamos bem perto delas, vimos que estavam no gozo. Estavam no meio do mato, chamavam por nós, diziam que estavam perdidas e depois riam-se. Deixámos que continuassem até ficarem mesmo em pânico. Passado uma hora, os gritos já começavam a ser de desespero. Resolvemos ir ao encontro delas. Dividimo-nos em 3 grupos e fomos assusta-las. Claro que não conseguimos nada, pois o barulho das garrafas de litro de cerveja ouvia-se a quilómetros. Mas elas estavam mesmo perdidas. O pior é que também nos fizeram perder. Estávamos no meio do mato, os caminhos multiplicavam-se. Eu, sempre cá atrás, estava muito descontraído. Sabia mais ou menos que estávamos a caminhar na direcção errada, pois estávamos a caminhar muito para poente. Mas deixei andar. Mais uma hora de caminho e resolvi intervir.
- Pessoal, estamos perdidos. - Disse eu com os braços no ar.
- Não me digas... – Respondeu o Rui com um ar irónico.
- Sim, eu sei que pensavam que estavam perdidos há mais tempo. Mas eu tenho vindo a observar e estamos a caminhar muito para poente.
- Bem! Temos aqui alguém que está orientado! – Disse o escuteiro, irónico. Começaram todos a rir.
- Como é? Querem a minha ajuda ou não?
- E achas que consegues nos ajudar e não vais fazer pior?
- Se me deixarem ajudar, vão ver que estamos no acampamento em menos de uma hora.
- Isso é que é confiança. Ok, faz-te à vida.
Subi a um ponto bem alto e levei o meu amigo Rui comigo. Disse-lhe que tentasse encontrar alcatrão, ou um carro. Era muito difícil, estávamos mesmo no meio do mato, a única coisa que nos envolvia era mesmo só o verde do mato. De repente, avistei um carro numa estrada.
- JÁ ENCONTREI! VAMOS! – Gritei eu para o pessoal.
Fizemo-nos ao caminho. Em 15 minutos estávamos numa estrada. Só tinha que saber qual a direcção em que estávamos. Esperámos mais 10 minutos e lá apareceu um carro. Estávamos com sorte, pois era fim-de-semana e havia mais carros a passear do que era costume. Tentamos parar o carro, aos saltos e aos gritos no meio da estrada, mas não sei porquê o carro não parou. Achei estranho. Depois pensei um pouco e percebi logo. Éramos cerca de 8 pessoas, todas molhadas, de veste negras, alguns de cabelos compridos, com muito mau aspecto… eu também não pararia.
- Filho da puta! – gritámos todos.
E o carro parou de repente. Pensei que nos poderiam querer fazer mal, pelas palavras proferidas, mas como éramos muitos fiquei logo mais tranquilo. Alguns de nós correram para o carro. Ficaram um pouco à conversa. Depois o carro foi e eles voltaram para junto de nós.
- É por este lado. Temos que ir por aqui. – disseram os meus amigos.
Fiquei mesmo contente. O mais engraçado foi o que levou o condutor a parar. Pensou que queríamos fogo para acender um cigarro… Estranho!
Não sei o que se passou desde que eu disse que queria ajudar, mas uma coisa era certa, estava tudo a correr bem. Iniciámos a caminhada pela estrada fora, não devíamos estar muito longe. Não passava carro nenhum. Do nada apareceu uma carrinha de caixa aberta, do tipo pick-up. Pararam ao nosso lado e perguntaram
- Querem boleia?
Não queríamos acreditar.
- Não somo muitos?
- Vocês é que sabem… se couberem!
- Claro que sim!
E saltámos todos lá para trás. Foi lindo! Mais uma vez havia alguma coisa que me perseguia, como uma luz. Pensei na pessoa do portão e arrepiei. Dei um sorriso e agradeci.
Deixaram-nos mesmo perto do acampamento, agradecemos e eles seguiram caminho. Penso que nos acharam um pouco loucos, chegando mesmo a sentir pena de nós. A chuva ora abrandava ora voltava a cair. Estávamos todos com fome e tínhamos que acender uma pequena fogueira para aquecer as latas de salsichas. Eu precisava para aquecer as latas de comida enlatada, mas com a chuva, era impossível. Como nada resultava, foi mesmo frio. Soube tão bem! Mesmo muito bem. Claro que sempre acompanhado por muita cerveja. A noite já tinha chegado e o silêncio só era quebrado pelo estalar de uma ou outra árvore, pelas nossas vozes, que cada vez estavam mais caladas pelo cansaço e pelo vento, acompanhado de alguma chuva. O sono e o cansaço deram cabo de alguns de nós. Assim, fui-me deitar. Alguns foram para o convento dos Capuchos. Essa era a ideia original do acampamento, visitar o convento à noite. Eu não fui nisso.
Estava um pouco molhado, pois tinha passado a maior parte do dia a levar com chuva e com a humidade e frio que se fazia sentir, não estava a ser nada fácil aquecer. De repente oiço o fecho da minha tenda abrir e vozes de raparigas.
- Podemos?
- Hum… sim.
- Se não queres vamos embora.
- Não, entrem, entrem.
Pois é. A tenda onde estavam 3 das raparigas, ficou ocupada por uma rapariga e um rapaz, logo as outras foram despejadas. E para onde iriam elas? Para a minha tenda. Bem, eu fiz imediatamente uma série de filmes, mas a verdadeira razão era que estavam cheias de frio e acharam que ali iam aquecer. Eu estava no meio, uma do um lado e a outra do outro, agarradas a mim e tremiam mais que varas verdes. Eu passei a noite a tentar aquece-las. Tanto agarrava uma como outra, mas foi muito complicado. O pior foi quando comecei a sentir o corpo de uma delas e a tentação de ter algo com ela. Mas de imediato me passou a ideia. Como aliás faço com quase tudo o que diz respeito a estas coisas. Não sei explicar.
Eu não sou grande especialista em montar tendas e como estava o tempo, teria que ter cuidados extra, como por exemplo fazer canais de escoamento para a chuva, para não ficar debaixo da tenda. Pois… não os fiz( )e comecei a sentir água nas minhas costas. O que vale é que elas já não tremiam e dormiam tranquilamente. Não sei se foi pelo cansaço, se por outra coisa qualquer, adormeci.
Acordei e só já estava uma das raparigas na tenda. A tentação foi tanta. Ainda por cima era a que tinha achado mais gira. Agarrei-me um pouco a ela. Adormeci de novo. Quando acordei, já não estava lá. Foi meio estranho quando sai da tenda. Foi como se nada se tivesse passado. Não liguei.
Sentia-me sujo e queria tomar um banho. Perguntei onde o podia fazer e chamaram-me louco. Isso já eu sabia. Havia uns balneários ali perto, mas como é óbvio, com água fria. Mesmo assim tomei. Já passaram muito anos após esta aventura, mas ainda me lembro deste banho, como se fosse hoje. Os gritos ouviram-se na Vila, de certeza! A água estava tão fria, que depois de tomar o banho fiquei cheio de calor. Soube mesmo bem.
Fome de novo. Já não chovia e deu para acender uma fogueira. Juntámo-nos em volta dela a contar as coisas da noite anterior. Não falámos da minha noite com as raparigas. Principalmente falaram das coisas que viram e ouviram no Convento à noite. De arrepiar. Agora que se passaram muitos anos, sei bem que estavam a exagerar e as pessoas que viram, eram os guardas do Convento, bem como a droga a falar, mas tinham muita imaginação.
Chegara a hora de desmontar tudo. Eu e mais uns quantos íamos embora. A cerveja mais uma vez tinha acabado.
Já com tudo arrumado, saímos. As duas raparigas foram comigo, mais o Rui e outro. Os outros ficaram lá.
A descer era muito melhor. Chegámos num instante à estação de comboio da Sintra.
Muito poucas palavras foram ditas. Era um misto de cumplicidade, cansaço e timidez.
Apanhámos o comboio, ficámos de novo na carruagem gaiola. Dei um último olhar para a Serra e pareceu-me ter visto a pessoa do portão. Olhei nos olhos dele e sabes o que ele fez?
Sorriu.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Solstício de Verão.

É às 19:06!

Hoje é o dia maior do ano!!!

Aproveitem bem!



Amanhã vou estar menos feliz...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Radio Quatro

Radio 4

Radio 4 - Save Your City

Radio 4 - Party Crashers

Radio 4 - State of Alert

Radio 4 - Dance to the Underground

Radio 4 - Enemies Like This

terça-feira, 29 de maio de 2007

Fui às compras

Nomeansno - All Roads Lead to Ausfahrt
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket


“Mondo Nihilissimo 2000
Nothing means anything, everything's permitted
Nothing is forbidden, so anything goes

Let's take turns molesting the children
I'm so bored with my life
Yes, we'll take turns molesting the children
And then I'll go home to my wife

I was born to be an attorney
I was born to peddle cars
I'll make hell while the sun shines
Then I'll end up behind bars

Nothing means anything, everything's permitted
Nothing is forbidden, so anything goes

Let's go home and bury the children
In the cellar with my wife
They were all insured for millions
Now we'll do just what we like

I was born to live on credit
You know my Visa's solid gold
MasterCard is my religion
I've got a mortgage on my soul

Nothing means anything, everything's permitted
Nothing is forbidden, so anything goes

I'll buy that for a dollar!

Let's go to Guam and fuck the baby
I saw a tour on the internet
They say that Hell awaits all sinners
But they haven't got us yet

Something's wrong in the heartland
There's an evil that creeps across this land
But they say God accepts all sinners
So why should we give a damn?

I was born of love eternal
But now I do the devil's work
If there's a God up there in Heaven
He must be one big fucking jerk”

Continua a ser a minha banda favorita!


Editors
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Queria ter o original.

Estou muito ansioso pelo novo álbum.

Interpol
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Não conhecia. Adorei!

Electric Six
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Também queria ter o orginal e este veio com prémio, trás um DVD com os vídeos.




quinta-feira, 24 de maio de 2007

Mais uma noite em branco

Mais uma noite em branco, não com insónia, mas sim com vontade de conseguir entender.

Não foram necessários grandes planos, ou perder muito tempo para perceber onde iria eu seguir a minha vontade. A lua indicava tudo, estava meia cheia, como eu gosto. Segui pela estrada que circunda o mar, até onde achei que seria o sítio onde estaria mais bem escondido. Deixei todo o tipo de coisa poluente no parque e apeei-me. Ainda tive a tentação de trazer a máquina dos instantâneos, mas achei que naquela noite não iria necessitar de tal apetrecho, a minha memória seria o suficiente, bem como não tencionava contar a ninguém. A ninguém… não é bem verdade.
Desci a escadas que dão directamente à praia, estavam gastas pelo frenesim constante do sobe e desce de crianças, loucas por mar e outras por gelados. O mar estava tão calmo que se conseguia ver nitidamente o reflexo da lua no oceano, extenso, negro e frio. A brisa penetrante, que fere na cara, era gélida, gélida demais para a época, mas com um sabor tão refrescante, de uma humidade aconchegante, que nos apetece enrolar ainda mais nas roupas quentes e senti-la penetrar pelos poros da roupa. Estes primeiros instantes foram acompanhados pela estranha sensação que me iria ser revelado algo que não estaria preparado. Assustei-me. Parei, cheguei mesmo a dar um passo atrás. Que arrepio grande! Tinha tanto de gostoso, como de assustador. Olhei em volta, não se via ninguém. A noite que há muito tinha caído, senão fosse a lua, estaria escura, negra, como um manto negro muito opaco sobre qualquer foco de luz. As estrelas pouco brilhavam, a luz da lua não o deixava. O seu brilho cintilante e difuso dos pontos claros no céu, pareciam tremer de frio, eram ténues, enfraquecidos pelo brilho do astro cinzento. Com este pensamento, continuei a descer as escadas, sorri. Cheguei por fim à praia. A areia ainda húmida e rija da última maré fazia com que os pés não penetrassem muito no âmago da areia, ajudando na caminhada e possibilitando deixar as minhas pegadas bem visíveis. Mais à frente, a areia deu lugar a rocha, dura e cortante. Não conseguia ver muito bem o que estava a pisar, nem onde. Avancei com todos os cuidados, um pé em falso podia dar direito a uma queda e num local daqueles, sem ninguém por perto, estava a ser inspiradoramente assustador. Por vezes parava e inspirava fundo, tão fundo que quase não tinha mais para inspirar, como que se conseguisse inspirar todo o ar que havia disponível. Depois, parava, deixava-o dentro de mim, ouvia o coração a bater, deixava-o mais um pouco, o coração quase rebentava, em seguida, muito devagar deixava-o sair, todo até não haver mais. Cada vez que fazia isto, ficava tão tonto que gargalhava. Sentava-me e dava mais um sorriso. Sentia-me num misto de profundidade e alegria, de envolvência com o que me rodeava, uma necessidade de abraçar alguém e de estar deitado sozinho no meu quarto. Mais uma vez levantei-me e continuei. No reflexo da lua no mar, vi o contorno do local onde ia ficar. Era bem perto da água, mas com a distância suficiente para me sentir em paz com o mar e com a terra. Mais uns metros à deriva nos calhaus soltos e rocha firme e lá estava. Antes de me sentar, voltei a olhar em volta, só o astro cinzento me fitava. Senti a solidão bem como o afecto. Sentei-me. Iria ficar muito tempo ali sentado, por isso escolhi a melhor posição possível. Estava confortável. Olhei pela última vez a luz, o mar, o horizonte, tudo que conseguia ver, fechando logo de imediato os olhos. Queria só ouvir. A água batia nas rochas, acariciando-as, ouvia-se ao fundo um bater mais forte de ondas, mas muito calmo, como que se a onda caísse a um ritmo lento, muito vagaroso, não querendo ferir as rochas, ou as próprias gotas de água que formam o mar. A paz era de tal forma, que algo teria de ser feito para a quebrar. Procurei uma pedra com a mão, continuava de olhos fechados, encontrei, era mais ou menos grande. Atirei, mas não houve som da queda na água. Não abri os olhos, voltei a procurar mais uma e atirei de novo. Nada. Não abri os olhos. Tentei visualizar o que se podia estar a passar, cheirei, tentei ver pela humidade na cara se estava tudo bem, parecia-me tudo normal. Não estava a conseguir resistir muito mais com os olhos fechados. Voltei a encontrar mais uma pedra e atirei. Desta vez ouvi cair na água, mas parecia que alguém tinha dito um: ai! Era cada vez mais estranho. Estaria a ouvir bem? Não podia estar ali ninguém. Será que o som da pedra a cair teria feito o som de uma pessoa? Não resisti. Abri. A luz que vinha do fundo o mar era de tal forma forte que iluminava toda a minha face. Estava estarrecido com a cor. Viam-se movimentos lá bem no fundo, não conseguia distinguir o que seria. Eram tão harmoniosos como repentinos, de cores lindas, vivas. Os azuis, os vermelhos, os cinzentos e cores que não sabia que existiam, estavam cada vez mais próximo da tona. Não sabia se seria bom ou mau, mas não arredei pé. Neste caso, rabo. Formavam um círculo, com uma luz menos brilhante no meio, como que se a luz em volta estivesse a iluminar o centro. Subia em turbilhão. A cada metro que subia, os meus olhos abriam-se cada vez mais. O espanto e o querer ver tudo fazia com que se abrissem como nunca. Subiam, subiam e subiam. Ouvia-se o som de um pequeno remoinho átono de água, que se adensava quanto mais subiam. A luz era muito intensa, tive mesmo que voltar a fechar um pouco os olhos. Por fim, surgiram, ali, bem perto de mim, as luzes mantinham-se dentro de água, rodavam em turbilhão, por algumas sombras, vi que se tratavam de lulas luminosas, bem como outros seres marinhos que produzem luz. Com toda aquela agitação na água, era libertado o fósforo que lhe está contido, fazendo-a brilhar, aumentando a luz que envolvia todo aquele borbulhar. O mais fabuloso encontrava-se no centro. A princípio pensei ser prudente sair e fugir, mas por outro lado, não podia, pois estava colado à rocha, de espanto. No meio daquele turbilhão, estava uma Musa, uma Sereia, de feições indescritíveis, de uma beleza sublime, com um olhar penetrante. Cabelo negro, negro, negro, negro, mil vezes negro, de rosto branco, suave, de contornos suaves, sem um único traço recto, olhos pretos e de um branco na parte branca do olho que ofuscava. Sobrancelhas negras de uma finura incrível, sublinhavam a linda testa. Toda a pele era de um branco ofuscante, brilhante, suave, que podia ser adorado. Os lábios… o vermelho dos lábios, não havia descrição possível para o vermelho, só comparado ao formato, de tão bem desenhados que eram. Não se conseguia desviar o olhar, eram tão sensuais! Não sabia para onde mais olhar. Os cabelos longos, negros, escorriam-lhe pelo peito, cobriam parte dos seios, que eram de uma beleza avassaladora, que transtorna. Evito ao máximo o contacto visual com os mesmos, pois são de uma sexualidade tão forte que me impele a morrer para os observar. Os mamilos, que espreitam por entre os longos cabelos, sendo eles da mesma cor dos lábios, não os consigo descrever, só sentir. São belos. A cintura delgada, com uma transição maravilhosa e poderosa para as ancas, como todas as demais sereias, as quais terão a mesmo beleza, imponência e luz que esta, só pode! Linda, toda, desde o umbigo até à ponta dos dedos dos pés, que neste caso é composta por uma cauda de peixe, que é coberto por um longo manto de escamas cor-de-pérola. A transição de pele para escama é feita de uma forma tão ténue que não se consegue perceber onde começam ou acabam ambas. Perdia horas a contempla-la, nunca pensando que o que estava na minha presença era um mito, algo que não existe, podendo mesmo ser até uma alucinação, uma doce alucinação. Envolvido nestes pensamentos, oiço uma voz, parecendo que vinha do fundo do mar, mas ao mesmo tempo do peito dela:
- Fiz-te algum mal? – disse ela com uma voz muito doce e firme.
Olhei em volta, olhei-a nos olhos, olhei os seus lábios e de novo a voz:
- Sim tu… fiz-te algum mal? – de novo ela.
Tremi, não conseguia falar, nem sequer pensar, não sabia como o dizer, nem sabia se havia palavras.
- O que foi? Não respondes? – disse ela um pouco mais impaciente.
Eu tinha que responder.
- Eu? Porquê? – respondi a medo.
- Porque me estavas a atirar com pedras.
- Eu? Como é isso possível?
- Não atiraste 3 pedras para o mar?
- Humm… atirei? Quando?
- À pouco…
- É? Não me lembro. Desculpa.
- Não acredito que não te lembres.
- Pois… também não acredito.
- Estás bem? Pareces vago.
- Eu? Estou bem… - respondi com um sorriso de drogado.
- Acho que já percebi. Mas mesmo assim quero que saibas que não vim aqui para te agradar, mas sim para te dizer que és mau, que não és a pessoa bela que julgas que és, que a tua alma está conspurcada de desejos maléficos, que os teus olhos são de uma brilho falso, tens desejo de me possuir só pelo facto de que sou bela e não te importa o que eu sou na realidade.
Toda a sua expressão se transforma, as cores que a envolvem tornam-se de um vermelho vulcão, a sua voz quando diz tais palavras é tenebrosa, os cabelos esvoaçam, todo o seu corpo aumenta de volume, é assustador. Fiquei com a sensação que ela me ia transformar em pó.
- Mas… - disse eu tentando não passar a pó.
- Mas?... Ainda tentas desculpar-te? É mentira?
- Pois… de facto até é. Posso-te fazer uma pergunta?
- Não acredito! - di-lo dando um pequeno guincho, de mimada.
A água à sua volta ferve, estava irada, milhões de animais marinhos, muito feios, saltam. A água está cada vez mais vermelha e quente. Desta vez pensei que seria melhor fugir, mas mais uma vez não me conseguia levantar, estava estarrecido, como nos sonhos, quando queremos fugir e não conseguimos.
- Mas… sereia bela, linda, assim mesmo, assim como estás, neste momento, estás mais bela do que nunca, estás como sempre imaginei um sereia, que se mostra violenta, mas calma ao mesmo tempo, é como um sonho.
- Quem és tu? – tudo pára com a pergunta dela. Fica tudo parado no tempo, a pairar.
- Eu sou eu. A pessoa que quer encontrar o entendimento profundo, o entendimento único, o que une as pessoas para sempre, que nos faz ser um só, o que nos torna tolos e não deixa sorridentes sem saber que estamos.
- Quem?
- Eu.
- Não és o crápula que apareceu aqui ontem, que me fez promessas de eternidade e eu dei-lhe os números do Euromilhões?
- Hum… não.
- Não?!
- Não.
- A sério?
- Diz-me uma coisa, há quanto tempo não vais ao oftalmologista?
- Eu? Como assim…
- Vês bem?
- Claro que sim! Sou uma sereia, as sereias não têm defeitos.
- Não? Que pena… agora que me estava a apaixonar por ti.
Que conversa da treta, pensei eu, eu e todos os seres marinhos, pois começaram a bater em retirada. Por fim ficou uma lula meio tola, julgo que fosse a sua eterna companheira, que dava um luz fraquinha, mas dava perfeitamente para ver as suas feições e o seu brilho. A lua dava um jeito de a iluminar mais um pouco. Saiu de dentro de água e colocou-se ao meu lado. Tê-la ali ao meu lado foi demais, o meu coração ouvia-se fora do meu corpo. Não conseguia tirar os olhos dos seus.
- Achas mesmo que não vejo bem? – a sua voz estremecia na minha garganta.
- Não… sei… - não conseguia dizer mais nada, a voz soluçava-me.
- Sabes sim. Deixa-te disso. Vá deixa-te de parvoíces. Eu sou como tu.
- Não… sei…
- Tu que és tu, que te intitulas por Eu, eu sou como tu.
- Não… sei…
- Pára com isso! Pára! Acorda! Estou a ficar preocupada com o que me disseste.
- Pois… eu também ficava. Acho que alguém na tua condição, terá muitas complicações para resolver o problema.
- Achas?
- Claro. Imagina o seguinte: Sr. Doutor esta minha amiga tem um pequeno problema, vê mal. Isto para não falar que é uma sereia.
- Pondo assim as coisas… acho que será complicado mesmo.
- Mas há uma hipótese.
- Há?
- Sim claro que sim e tu sabes bem qual é.
- Não! Isso não! Quero viver e morrer no mar.
- E como fazes para ver melhor?
- Não sei nem quero saber, nem quero ouvir mais nada. – Amuou.
- Isso é mesmo de uma sereia, mimada como todas.
- Conheces mais alguma? Parece que sim, parece que sabes muito de sereias…
- És a única, mas quem vê uma vê todas.
- Não acredito! Para além de convencido, és machista!
- Estou a tentar arranjar uma forma de dar a volta ao assunto e tu insultas-me?
- Machista, convencido! E pelos visto és mesmo, pois tocou-te.
A última lula foi-se embora. Achei que seria a altura de parar com aquela conversa absurda. Ela era uma sereia, eu, um humano, simples, que queria encontrar sossego e pelos vistos tinha encontrado uma sereia com o feitio da minha ex-namorada. Achei tudo aquilo demasiado irreal, nada normal. A minha vontade era acordar, sempre julguei que estava num sonho, mas para meu espanto não estava, o que vivia naqueles momentos era real, estava mesmo a acontecer. Pensei que a melhor forma de acabar com aquilo tudo seria atirar-me para o mar, afundar-me até às profundezas. Pensei e assim fiz.
- ONDE VAIS!!?? NÃO!!! – Gritou ela.
Atirei-me e ela não me seguiu. Quando estava a caminho do fundo pensei que seria melhor parar com esta história do romantismo, de julgar que ela me iria salvar. Parei, dei meia volta e voltei para cima. Pensei que não iria conseguir chegar ao topo. Estava já bem fundo, mas com todo o meu esforço e vontade de viver, cheguei por fim ao topo. Respirei fundo, estava exausto. Ela chorava, rios de água salgada saíam-lhe dos olhos, não parava, torrentes e mais torrentes de água, parecia que não mais iria parar. Como era possível? Como teria ela tanta água dentro? O choro era incrivelmente profundo e a água era cristalina como nunca antes tinha visto. Dai a marés e o avançar do mar sobre os continentes. Eis a razão! Pensei eu, logo abafando este pensamento pelo cair de uma pedra na minha cabeça.
- Não sei bem porque choras, mas sei que me vou embora. – disse eu chateado e com voz de mimado.
- Quem está ai? És tu? Voltas-te?
- Que conversa é essa? Estás a dar comigo em louco, mais do que já sou.
- És tu! Sim és tu! E estás vivo…! Sim!
- Olha, sabes que mais, vou-me embora. Tu és louca!
- Não vás, por favor, não vás… suplico-te.
- És completamente louca! Não sei o que se passou contigo na tua vida, mas estás mesmo muito mal dessa tua cabeça.
- Não vás, não me deixes…
- Ai vou, vou! Louca! Adeus.
- Não vás… por favor…
A sua voz que ecoava por todo o oceano, tornou-se muito humana, demasiado, como que se estivesse ali outra pessoa, que não a sereia que tenho visto a sair do mar, parecia mais a voz doce de uma mulher, entristecida por um desgosto, murcha, suplicante. Parei. Não era capaz de a deixar ali. Aproximei-me. Não podia acreditar, já não estava lá a sereia, mas sim uma mulher, completa, com tudo, que chorava nas rochas, de cabeça nas mãos, chorava e chorava, não parava. A principio não quis acreditar que se pudesse tratar da transformação, mas quando ela levantou a cabeça, olhando-me nos olhos e pediu ajuda, estendendo a mão. Foi como que se o mundo inteiro tivesse caído aos meus pés. Era ela e tinha-se transformado em mulher, ainda mais bela do que quando era sereia. Peguei-lhe na mão, sentei-me junto dela e abracei-a.
- Obrigado. – disse ela com um voz entaramelada pelo choro.
- Porquê? Tu nem gostas de mim…
- Amo-te, desde sempre te amei.
Fiquei sem palavras, não podia ser verdade, quem era aquela pessoa, quem era aquela alma, quem era?
- Mas… - dizia incrédulo.
- Não digas nada, abraça-me, estou com frio.
- Sim.
Ali ficámos durante horas, até o sol raiar. Estava nua, seria um problema leva-la dali, nada fiz, levantei-me, peguei-a nos meus braços e levei-a até à minha coisa poluente.
Não será preciso explicar que consegui encontrar o entendimento profundo, o entendimento único, o que une as pessoas para sempre, que nos faz ser um só, o que nos torna tolos e nos deixa sorridentes sem saber que estamos.
Mas de qualquer forma faço um pequeno resumo:
O amor é eterno, já o mesmo não se pode dizer dos gelados.

Passados 7 anos, ela voltou ao mar. Nada pude fazer, aliás, sempre julguei que não seria possível, mas pelo menos ia curada. Os óculos ficam-lhe tão bem.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Barcelona e a droga

É uma teoria como qualquer outra:

Barcelona é uma terra de muita droga!

Gaudí: drogado!
Picasso: drogado!
Miró: drogado!

Pelo menos estes três indivíduos padecem, aliás, padeciam de uma forte dependência de droga. Cada um deles em estados diferentes, é certo.

Comecemos pelo grande inspirador da cidade.
Gaudí:
Alguém que desenha, vive, e pensa num edifício como a Sagrada Família, bem como a forma como está a ser construído, só pode ser, ou aliás, só podia ser, drogado. Basta ver o edifício por dentro e por fora, descer as torres, a entrada, as traseiras, tudo o que diz respeito ao edifício, para se ter esta conclusão. Os pormenores não têm conta, as inspirações são de arrepiar, esta beleza só pode vir de alguém que se droga. É lindo! Exagerado, mas lindo.
Os outros edifícios espalhados pela cidade são também de uma beleza drogada.
La Pedrera é de uma beleza e inspiração arrepiante. Só de pensar nos quilos, ou litros de droga, que o Sr. consumiu. Quando entrei no último andar do edifício, visitei todos os cantos, só me apeteceu uma coisa. Amarrar-me um local qualquer daquela casa e ficar a viver lá para sempre. LINDO! Que maravilha! Ainda bem que há droga e drogados que consigam aplicar o que sentem após o consumo.
Parabéns Sr. Gaudí.

Picasso:
A droga que este indivíduo consumia é de uma teor em tudo diferente ao do anterior herói Barcelonês. Começou bem, provavelmente no início da sua monstruosa carreira, não consumia drogas de todo, ou se consumia seria só uns absintos, ou anis. Com o passar dos anos começou a viver a experiência dos nus, até bem jeitosos, só que um belo dia, se calhar introduzido por um dos seu amigos de trivialidade, tomou a sua grande primeira dose de droga e desta feita, pura! Pegou num dos seus nus, meteu o olho da jovem na nuca e a perna esquerda a sair-lhe no umbigo, mas nas costas. Assim surgiu a sua grande arte pictórica. De uma beleza nunca discutível, mas com uma influência mais que marcante de todo o tipo de drogas que baralham o cérebro.

Miro:
O mais drogado de todos! Tal como o Picasso, começou até muito bem, com coisas muito giras e normais, que lhe deram muita experiência. Tal como se consegue ver no evoluir da sua grande obra, há como um agrupar de ideias para chegar a um grande final. Isso é tudo muito bonito, mas mais uma vez, não se sabe muito bem, mas seria muito provável ser amigo do Picasso, deixando-se levar pelos amigos drogados Barceloneses, metendo-se a ferro e fogo na droga! Coisas como telas cheias de cores que só o artista compreende, esculturas de inspiração lasciva, outras de uma beleza incrível que não provocam qualquer tipo de dúvida, que são de imediato apelidadas de belas e indiscutíveis obras de arte, só podem ser produzidas sobre o efeito de drogas pesadas, bem como altamente inspiradoras. Por exemplo, quem no seu perfeito juízo pinta uma tela atirando baldes de tinta para cima dela e depois deixa-as encostadas a uma parede não as tapando? Claro que quando estava nas pinturas das paredes do seu ateliê, sujou as telas todas com pingos que vinham dos rolos. Uma desgraça. Mas julgam que se importou? Nada disso. “Está lindo!” – Disse no dia seguinte, felicitando de imediato o experiente pintor de paredes Dimitri, Kosovar por sinal. Mas um dos seus grandes trabalhos é de uma beleza brilhante. Exemplo: Três telas, uma à esquerda, outra em frente, outra à direita. E o que temos nestas telas? Vejam bem o poder da droga. Para uma série de pintores este seria o seu maior pesadelo, mas para Miró? Não! De uma só inspiração ele desenha três traços, um em cada tela! LINDO! Mas não se fica por aqui, antes de o fazer, pintou as telas de branco. Digam lá, é droga, ou não é?

Tudo o que vi por aquelas bandas é de uma beleza extrema, mesmo muito bem conseguido, mas… continua a haver uma cidade que fica sempre no meu coração, e muito mais do que Barcelona.

Quem nunca lá esteve, que vá. Quem já lá esteve, volte.

Gostei muito de Barcelona.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Teste da Primária

1- Completa as frases com provérbios parvos.


Em cima e por baixo. __________________________
_______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________
________________________________.

R: Em cima e por baixo. Estava um melro amarelo. Trazia no bico uma pessoa, era muito pequena, mesmo assim não se importou, come-a. Foi preso por isso. Lavou-se todos os dias, em cima e por baixo, mas nunca consegui tirar as unhas do pequeno humano que lhe ficaram cravadas na garganta.


De lado e por de trás.
Sei que não te as vou dar.
__ _____ _.
______________________________ _, __-te.

R: De lado e por de trás.
Sei que não te as vou dar.
De culhão cheio como te apraz.
De mão na nalga vou amar.


És a mulher mais bonita cá do bairro. ______________. Casada com a besta do talhante.
_____________ ____ ___ _______ anervante.

R: És a mulher mais bonita cá do bairro. Quero ter-te no meu regaço. Casada com a besta do talhante.
Mata-o, comeu-o, corta-o, Ama Maria que saia enervante.


Mas.
_________________ _________________________.
Mais.
_ _ _ _ _ ______________?

R: Mas.
São três letras que podem matar.
Mais.
M a i s são quantas letras?


Todas as vezes que me masturbo, penso na minha vaca de estimação.
____ _________ _______ siga _______ ______ ______ táxi.

R: Todas as vezes que me masturbo, penso na minha vaca de estimação.
Cheio de feridas grito siga. Vem sempre tarde a puta e vem de táxi.


R: Adoro o meu dedo verde, _______ ________ ___, meto–te dentro dele.
Vingadora analfabeta, ___________, com o chinelo no pé.

R: Adoro o meu dedo verde, maravilhoso carinhoso grande, meto–te dentro dele.
Vingadora analfabeta, brasileira, com o chinelo no pé.

Vai para longe, vai de uma só vez, incha _______________________________
_____________________________________________________ _!
Sai.

R: Vai para longe, vai de uma só vez, mas antes incha o meu caralho grande mete-o bem fundo nesse cu lindo, já!
Sai.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Sopa de ouvido

Ingredientes:
Uma pata de rabanete
Vários + ou - litros de algo líquido
Raspas de electrões velhos de uma televisão nova
Uma pitada de uma coisa qualquer
Um alho maduro
Qb

Preparo:
Mantêm-se os vários litros de uma coisa qualquer líquida num lugar seco, até ficar com uma forma parva. Parte-se a pata de rabanete em 14 partes diferentes e juntam-se as duas postas da pitada de uma coisa qualquer, com muita violência.
Atira-se para trás das costas do Zé Pã, durante a praia mar, cheios de muita incerteza. Ferve em discussão helénica, durante vários séculos.
Enquanto os ingredientes fervem, dias e dias, corte durante horas e minutos, o alho maduro, em pedaços muito pequenos, do tamanho de pó. Com a peneira de calhaus da calçada, filtre o pó e submeta-o a um treino intensivo de dois segundos de tempo calculados pelos árbitros do FCP. Assim que os alhos estiverem alegres, salpique-os na grelha, juntamente com o que quer que seja e depois deite para o lume da lareira.
Quando o preparo estiver pronto, não faça nada. No entanto tem que aplicar as raspas de electrões velhos de uma televisão nova. Assim sendo, é aconselhado que seja paga até ao fim do mês, em detrimento de muitos programas bons que não se vêm.
Deixe envelhecer o preparo, junte o qb e os electrões mais o alho maduro, sirva na copa.
Deve-se comer frio que nem um Y.

Bom apetite, com H.

deboleia

Excelente!!!

  • deboleia.com


  • Já adicionei aos meus favoritos.

    Thankx Fred Miguel! LOL!

    segunda-feira, 2 de abril de 2007

    A ciência da mente, sobre a ciência do esmagamento

    “Mede bem as palavras que respiras. São de uma itemagaijieced (invencibilidade) estrangeira e de uma cor embranquecida pelo cair da noite, que nem queiras saber.”

    Estas são as palavras sábias de quem quer ser um grande pescador. Ao mesmo tempo mentirosos, o que será redundante. De qualquer forma, no calor do auscultador da pega do tacho, que estava já há vários dias a arrefecer, quis utiliza-lo e por um pondo final no mal-entendido.
    Assim, pegando numa pedra muito redonda, numa folha de papel e num lápis, calcularam os cálculos, calculados em tempos.
    Não era muito grande o que queriam fazer desaparecer, seria do tamanho de uma coisa pequena.
    Com as mãos sujas de lama pó sólido, pegaram na mente, na pedra e tentaram minimizar o sucedido.
    Após dois ou três séculos de árduas batalhas, lutas, guerras e ventos de sul, conseguiram.
    O que estava dentro do mar, passou para dentro da terra e vice-versa, sendo a terra o mar e o mar o ar.

    Se querem mesmo saber…

    Vou ter que sair. Já volto.

    Até hoje.

    sexta-feira, 30 de março de 2007

    Teoremas

    A mentira é algo que não conseguimos comer. Mas com duas pedras de gelo até se bebe.

    O orgulho é algo que se sente na pele. Mas quando praticado a dois é melhor ser servido morno.

    A paixão é algo que não se vende embalado. Mas com frio tudo é possível.

    A energia é algo que consegue vencer o peido. Mas com luvas não dói.

    A opinião é algo que vem sempre com batata a murro. Mas também se pode chupar com um pouco de treta.

    O susto é algo que não se parte em metades. Mas com uma boa dose de intentona tudo sabe muito pior.

    A dor é algo que tem dez lados, todos eles castanhos. Mas quando enervado passa a ser uma bola parabólica.

    Conclusão:
    Pode-se cozinhar às escondidas, não se deixa é os capotes no meio da sala.

    Que confusão no corrimão

    Precisamente ser o meu ar de ver que ia querer farto gordo medo tem gritar de encher os pulmões verdes gasta de uma só vez.

    Não há maneira de conseguir escrever algo que tenha sentido. Já há dez dias que isto me acontece. Fico fora de mim. A droga acabou à dois dias e andava a aspirinas maradas.

    Lá estás tu a desviar a conversa

    Mete a tua língua na minha boca. Olha, mas tem cuidado com o meu hálito a vidro fosco.

    quinta-feira, 29 de março de 2007

    Eh lá mesmo

    Entre veste a gruta funda que desbunda
    a masmorra
    e a açorda, que a morda
    cheia de sal ou mal,
    sem ser o que seria,
    sem ser a água fria, na pia
    branca e grande em chanfre,
    ou côncava.
    É tua
    mas vem nua na rua.
    Entre veste sem ser vista a pista,
    ou a revista
    de pessoas belas, feias,
    cheias de veias azuis, ou vermelhas,
    as fedelhas,
    que têm sempre algo
    para dizer,
    ou fazer,
    sem ser,
    sendo sem veneno.

    quarta-feira, 28 de março de 2007

    Eh lá não...

    No quintal da minha avó havia uma sarjeta, tapei-a.
    No prédio da minha irmãzinha, havia uma rameira, comi-a.
    No tribunal estava um cão, enxotei-o.
    No mar vai um barco à vela, mandei-o capturar.
    Em cima do piano está um copo com cenas, quem o viu, ainda bem.
    No topo das escadas havia um certo rato roedor, chamei-o.
    No meu guarda-fatos tenho dez vestidos, não visto um único.
    No restolho da taberna ouvia-se um melro, era lindo, mas não me conhecia.
    No meio do pasto havia uma vaca malhada, verde e cor de laranja.
    Em cima do piano está uma jarra com medo, quem a entornou, morreu.

    terça-feira, 27 de março de 2007

    Eh lá!

    Sangue no meu prato
    Sangue no teu chão
    Sangue no fardo
    Sangue na mão

    Espeta a faca na perna
    Espeta o garfo no pé
    Espeta a palhinha na abóbora
    Espeta o palito no dente

    Comida fresca
    Comida estragada

    Muco no dente
    Sarro na unha
    Pintelho no pente
    Pestana do pulha

    Ferida com pus
    Ferida com capuz
    Ferida com moscas
    Ferida com ostras

    Comida fresca
    Comida estragada

    segunda-feira, 26 de março de 2007

    Sintoma de Grifen

    É com toda a raiva possível e inimaginável, que te digo que te odeio, que te desprezo, que quero que morras, que desapareças, que deixes de existir, que te cales para sempre. Metes-me nojo, enches-me de ódio, de agonia, de tristeza, de angústia. És o ser mais odiável de todos, o som da tua voz, o teu olhar mortiço, o sorriso patético, a forma como andas, a forma como falas, como comes.
    O pior é a forma como falas das outras pessoas. És desprezível, agoniante.
    Como é possível existires? Como é possível haver alguém como tu?! Como é possível eu te conhecer, como é possível saber que partilhamos o mesmo universo.
    Mesmo se não existisses eu sabia que te odeio. Prefiro morrer a respirar o mesmo ar que tu respiras, prefiro cortar os pés a ter que pisar o mesmo planeta que tu pisas.
    Eu não só te odeio, como te odeio, não vales nada, não és ninguém. Hipócrita, és uma pessoa nojenta, grosseira, malcriada, peçonhenta, se morreres serei o primeiro a saltar na tua campa.

    Amo-te, porque te adoro muito, venero-te, porque és uma pessoa que adoro.
    És a única criatura realmente bela no universo. És a única pessoa, és de facto a pessoa, a única, a melhor, a mais que tudo, a que não tem defeitos, que eu tenho o máximo carinho, amor, paixão.
    Seres quem és é para mim tudo, é para mim algo que eu queria ter e tenho. Porque és e estás, e serás e viverás assim, aqui perto de mim, onde eu possa ter-te, ver-te, pegar-te, tocar-te. És uma pessoa linda de morrer, toda a tua figura interior e exterior, não tem igual em nenhum outro lugar, mesmo que seja inventado ou ideal, és a pessoa perfeita.
    Os teus olhos e a tua boca são como acontecimentos celestiais, como que não existissem, mas existem e estão aqui, ao esticar de um dedo. Quando sinto o teu toque sinto-me a ficar mais bonito, tornas tudo em belo, em invejavelmente agradável.

    Tanto dá como deu, és algo que não me aquece nem arrefece, seres ou não seres, estares ou não, existires ou não, é igual para mim. És-me completamente indiferente, se não tivesses nascido, para mim seria igual, mas como já nasceste, continuas a não ser nada. É como não te visse, apesar de estares aqui, ou ali. Às vezes julgo que estás, mas como sei que estás, sei logo que não estás. Não há nada que te torne interessante, que te torne importante, que te torne alguém, nada mesmo.

    Quando te amava, sentia que nada podia acabar com esse laço, nada. O dia em que isso aconteceu, passei a odiar-te. Passados alguns dias, deixaste de existir.

    quarta-feira, 21 de março de 2007

    Q de Maravilha

    Queens Of The Stone Age

    Queens Of The Stone Age - go with the flow

    Queens of the stone age - Little sister

    Queens Of The Stone Age - Lost Art of Keeping A Secret

    Queens Of The Stone Age - No one knows

    Queens Of The Stone Age - First It Giveth

    Queens Of The Stone Age - Monsters In The Parasol

    Queens of the Stone Age- In My Head

    Queens Of The Stone Age - Avon (Feat. Dave Grohl)

    Queens Of The Stone Age - Burn The Witch

    Quem quiser que a apanhe

    (imprime e lê)

    Se achas que podes ser um pássaro, voa, mas não pernoites em casa de pessoas estranhas, não peças para ver o seu interior. Não julgues que podes voar sem ter que te cansar. Se és verdadeiramente forte, faz com que não te veja, faz com que eu não exista. Não podes voltar a ser o que querias, só podes vir a ser o que nada foste, mesmo que se tenham dito ou feito coisas que nos tenham unido para sempre, que nos tenham tornado um só, uma única coisa, um só ser.
    Se queres mesmo voar, faz-te à vida, vais ver que não é assim tão difícil, vais ver que não te custa nada. Não insultes a tua própria existência, admite que queres o que não queres, que vais ter o que sempre não quiseste, pois o que querias, não vai ser o que já foi.
    A alma de todos esconde o verdadeiro Eu. Neste caso, nada se consegue provar, só mesmo o facto de não se saber o que se passou, mesmo que se tenha sentido, mesmo que se tenha vivido, na pele.
    “Gosto de provar, de experimentar, de saber ao que sabe, de entender porque gostei, mesmo que depois não coma o resto, por achar que me vai fazer mal, ou pura e simplesmente porque não gostei.”
    Toda a história do que se sabe quando se tocam duas pessoas parece-me muito verosímil. Só porque se sente e sabe ao que sabe.
    Não deixa de ser um monte de balelas quando as coisas não correm bem.
    Mas por outro lado quando correm bem, não se pensa em coisas ruins, em coisas nefastas, que fazem mal, que transformam um belo ser, num ser mesmo muito feio, ou como é politicamente correcto dizer: Menos belo.
    É tão bom quando se está junto, perto, a saborear os momentos, ou até mesmo o momento, o que nos passa pela cabeça.
    O que nos faz viver são só os instintos de nascença, são só os que não conhecemos e mesmo esses temos medo que deixem de funcionar, pois o momento é tão bom que corremos esse perigo de o não conseguir gozar até ao fim.
    Pára, o tempo pára.
    Sei que nada existe, sei que nada pode ser, sei que o que foi, é, ou foi, mas porquê as frases na minha cabeça?
    Apagar é algo que não sei fazer. Quando li o que escrevi, ri, e achei triste, mas ao mesmo tempo divertido e muito bonito, sem muito sentido mas lindo.
    Sabes, eu vou continuar.

    A mão na perna
    O olho do olho
    Lábios quentes tocam-se, retocam-se
    Misturam-se, cobrem-se de desejo, ardente, quente e cheio de sede.

    A mão no cabelo
    A face na face
    A corpo que sente com a passagem do outro corpo
    Fundem-se em fuga, em tentativa de ser um só.

    A mão nas costas
    O peito nos peitos
    As tuas coxas sentam nas minhas, húmidas sensações de arrepio
    A palavra surda, que é dita sem cuidado, que é sentida em furor.

    A mão na boca
    As mãos nas mãos
    O silêncio nocturno que invade os sentidos, e os torna surdos
    Mas ao mesmo tempo gritam: Pára!

    Doce mel.

    segunda-feira, 19 de março de 2007

    Miséria, fui enrabado.

    No primeiro dia que lá fui pensei que não podia ficar muito mais tempo, sabendo os riscos que corria, mas a curiosidade, misturada com a forma como me olhavam, fez-me ser desejado. Sei que não sou, mas também não sei como não serei, por isso vou ter que falar com alguém.
    Pareceu-me uma pessoa com que se pudesse ter uma conversa decente, pela forma como segurava no copo, pela forma como se vestia, mas o que pesou mais foi a forma como olhava. Aproximei-me, não sabia muito bem o que fazer, como iniciaria a conversa. A maior experiência da outra pessoa resolveu o problema. Mal me aproximei, perguntou se era a primeira vez que ali ia, ao que respondi que sim. Perguntou se eu não bebia nada. De facto desde que tinha entrado que não me apetecia beber nada, o estado de nervosismo era tal, que nem dei conta desse pormenor. Pensei em pedir uma cerveja, mas depois pedi um Cuba Livre. Quando voltei com a bebida já estava mais tranquilo. Sentei-me e comecei a conversar, de coisas banais, mas na minha cabeça estava sempre a mesma pergunta, sempre, em repetição, já estava a dar em louco. Era pior quando estava calado, só me dava vontade de interromper a conversa e perguntar: dói?
    Saímos, e fomos para outro bar, mais acima, com menos confusão, o que torna a coisa mais íntima, deve ser um truque. Eu percebi que aquilo podia ir para outros caminhos, mas não me preocupei, a conversa estava aceitável e até então não tinha havido qualquer tipo de assédio, julguei até se não estaria interessado. A maldita pergunta voltava de quando em vez. Ganhei forças e perguntei. Após um minuto de algum silêncio: dói? A princípio não compreendeu qual era a questão. Depois de um breve e incomodativo silêncio, bem como uma troca de olhares, percebeu. Deu um pequeno sorriso e respondeu que não sabia. Gelei! Tinha feito asneira. Eu achei estranho o facto de não haver ninguém a acompanhar, mas… Não dei parte fraca, aprofundei a conversa. Perguntei se quando há o acto se há gemidos de dor, ou algo do género, ao que respondeu que não sabia, teria que ver como era para saber e sorria. Ai fiquei um pouco chateado, mas não demonstrei muito. Deu uma grande gargalhada. Fiquei sem saber o que fazer, não gostei. Perguntei a que se devia tal excitação. Parou, olhou-me nos olhos e desabafou. Confessava que era também a primeira vez que o iria fazer, se é que algum dia o faria. Senti que seria este o dia, tanto esta pessoa como eu tínhamos o que se chama, curiosidade animal. Estava já um pouco ansioso, sugeri que fossemos a um lugar mais íntimo. Não querendo ir para minha casa, fomos para a de uma amiga que estava fora, a qual tenho a chaves de casa, para tratar dos gatos e do periquito. Não demorou muito tempo. Estávamos despidos em 2 minutos. O mais estranho estaria para acontecer. Não nos tocávamos, não havia carinhos, ou aconchegos, só a ansiedade de querer experimentar a dor. Busquei o boião, ainda estava selado. Depois houve a grande questão, quem irá primeiro sentir? Fizemos à sorte, com um dado do Monopólio. Quem tivesse o número mais alto seria o primeiro a sentir. Calhou-me a mim. De repente perdi toda a coragem, mas como sou uma pessoa de palavra, aguentei. Agora era a vez dele. Não estava bem, o seu sexo não estava pronto. Desconfiei que não gostasse. Pediu-me carícias. Disse prontamente que não. Se até aquele ponto não o tinha feito, não seria agora que o iria fazer. Olhou-me com desconfiança, e lá começou-se a auto acariciar, até ter o seu sexo todo em forma. Colocou o gel e de imediato começou. Claro que doeu. Apertei tudo com o máximo da força e arranquei-lhe o sexo. Foi um bocado chato, mas soube bem, foi assim como que se estivesse a evacuar.
    No hospital lá lhe conseguiram colocar o sexo de novo. Tentou-me processar, mas não conseguiu, pois eu também apresentei queixa.
    Senti-me miserável. Tinha sido enrabado. Contra factos não havia argumentos. Mas que mania que temos de ser racionais.
    Eu não gosto de merda e não é por isso que vou provar.
    Que miséria…

    sexta-feira, 16 de março de 2007

    De cernelha

    A Nicia estava velha e não se encontrava muito bem-disposta, achava-se dona de uma integridade fora do comum. Era teimosa e dura, cheia de boa vontade. Senti que ela me queria comer. Pensei que se assim fosse teria de ter preservativos rotos. Era a única mulher que queria ver prenha. Tinha mesmo o corpo de alguém que quando prenha seria bom sodomizar. A sua integridade chocava com a minha falta de senso, sendo mesmo factor decisivo para uma boa relação, não duradoira, mas sim de sexo parvo. Por um dia ou dois mantive a calma e controlei a falta que tinha. É algo que se faz quando se quer caçar alguém. Chegámos mesmo a ter conversas decentes. Aliás, achei que poderia ser assim para o resto da vida, mas quando chegava a casa, partia tudo com a fúria de estar a ser algo que não era.
    Este processo estava a tornar-se muito dispendioso.
    Sabia que ela estava na fase fértil, convidei-a para jantar no restaurante do meu tio, o qual era bastante do seu agrado, pois era bastante simétrico. Comemos e bebemos ainda mais. Falámos de tudo o quanto fosse trivial e íntegro, como por exemplo separar o lixo por cores. Ela estava lava de suor. Paguei, ela pagou e saímos. O próximo passo era fulcral. Mal a imaginei de quatro no chão da minha cozinha a lava-lo, ejaculei. Ela não notou. Perguntei onde ela queria ir, não me deu tempo de dizer mais nada:
    - Para a casa da minha tia.
    Fiquei de tal forma que nem consegui saber que rádio queria ouvir e isso era fundamental para ela. Julguei que não ia conseguir manter o cenário por muito mais tempo, mas contive-me. A casa de sua da tia era algo que não consegui suportar, mesmo que implicasse ficar sem ela na minha cozinha. O cheiro apoderava-se de mim, julguei que iria desmaiar, ou mesmo ficar com ataques de perca de senso, mas o papo dela e a imagem dela prenha, fizeram milagres.
    Todos os esforços serão recompensados.
    A escada muito antiga era feita toda ela de madeira que rangia mais como um asno com o cio. A porta de entrada era tão grande como branca, tão imponente como espartana. Tão bonita como sem gosto. Ai! O maldito cheiro que já se sente aqui fora… Pensei de novo em coisas boas e como ela deixaria o chão da cozinha limpo quando estiver assim, prenha e nua.
    Entrei.
    Duas horas foram as que consegui aguentar, não mais, bastou. Tanto o tapete como os sofás ficaram irreconhecíveis. O meu vómito é de uma tal acidez e cor que nada nem ninguém conseguia afasta-lo. A tia do alto do seu metro e noventa, quando anda de espartilho, implorou que ficasse mais tempo, pois o cão dela estava a precisar de se purgar e assim podia aproveitar o resto da bílis que ainda tinha. Sem nem mais uma palavra, ejaculei e saí. Mais uma vez ninguém notou que saí.
    Em casa, ela conseguia falar comigo, eu sentia que ela estava a comunicar, no entanto não conseguia entender se estava a falar pela boca ou pelos sovacos. Mandei-a calar e baixou os braços, ao que conclui que seria algum truque para me baralhar, para achar que a tia era uma pessoa séria e muito asseada. Séria não seria, bem como asseada. Bem, vendo bem… até que era, mas não sabia como encontrar algum tipo de paralelismo e desatei a assobiar a marcha nupcial. Descobri algo que nunca esquecerei. Esta marcha, e assobiada por mim, ou seja, muito mal tocada, fazia crescer pelos na nuca da minha querida Nicia, e assim, fazia com que os arrepiasse, e em simultâneo tornasse os bicos dos seios o mais túmidos possível, bem como vermelhos. Isso era notório quando estava de camisa, a qual estava já despida. Não parei. Cada vez mais alto, até que tocaram à campainha. Era a vizinha a reclamar o barulho. Convidei-a a entrar, mas não quis, aliás, desancou-me por estar a traí-la. Uma mão no meio das suas pernas durante vários segundos acalmou-a. Fechei a porta, mas sem antes cuspir para a mão e dar-lhe um aperto de mão.
    A Nicia era e é, bem à maneira.
    Adoro o seu corpo, como já referi. Achei que seria importante falar-lhe dos problemas do corpo quando dilatado. Não se fez de rogada e meteu o meu pénis muito duro na sua boca. Não percebi se estava a acompanhar o que lhe estava a dizer, ou pelo menos a fazer um esforço para me compreender. Ejaculei.
    Se o dia tivesse mais horas seria um disparate.
    Deite-me com ela, foi tão bom que não me lembro. Fizemos amor, fodemos, comia-a, comeu-me, penetrei-a, meti vários dedos e fui-lhe ao cu.
    Mas, e porque há sempre um mas, o que mais me chateou, o que mais me marcou, foi a bem falada e experimentada, cernelha. A posição não é nada de mais, é igual ao que se faz a um toiro, só que ali é ao contrário, o que dá um gozo tremendo e quem sugeriu foi ela. Fiquei espantado! A sério, juro por tudo o que há mais de sagrado e não falo de Deus. É a minha posição mais apetecível. A princípio fiquei apreensivo, não sabendo se ela estava a falar da mesma coisa, mas quando me pega e faz o movimento, já está! Vou dar uma de cernelha!
    Esta posição porque estrangula aquele nervo, faz com que se tenha a erecção da vida, da minha e da vossa, pois é tão grande que se fica com a dos outros. Bem como a ejaculação, que é de tal forma adiada que todos os músculos do corpo imploram que não aconteça e que perdure, que assim fique por horas, tal como acontece. Parece ser algo que não se tem todos os dias, mas quem experimenta, até o pode fazer sozinho, basta ter um urso de peluche. Mais e mais, dentro e fora, sempre sem parar.
    Os gritos e os gemidos emitidos por ela por vezes não se ouviam, estavam abafados pelos meus dedos na sua garganta, mas quando os retirava, ouviam-se a horas de distância.
    Só mais uma.
    Sem que eu pudesse dizer, água vai, pegou nos meus testículos e apertou quando ejaculei. Ai soube o que se passava. Ela queria lavar a minha cozinha e estar prenha.
    Morri.

    quarta-feira, 14 de março de 2007

    A minha estrelinha

    Vi a estrela que vou casar. Vi-a numa noite de pesar, ou de azar. Vi-a como se não estivesse a ver, como se estivesse cego de tanto ver. Cegou-me e fiquei calado, sem palavra, só a expressão, só a dor de estar a ver. Não senti qualquer tipo de outra sensação, só mesmo o facto de a ver. Sempre acreditei que podia ser algo que me provocaria dor, mas no entanto e porque não sabia o que podia vir do lado esquerdo da cama, tentei saber. Perguntei a uma pessoa que por ali passava. Mas ali ninguém passava. A estrela era a única coisa que por ali passava, ainda para mais num lugar onde não há oxigénio. Sei que pode ser absurdo, mas senti frio. Tapei-me com uma manta verde, cheia de flores lilases. Como eu odeio flores. A bendita estrela continuava a fitar-me, como quem enrola um novelo de lã e torna tudo muito apertado, sem conseguir, ou dar espaço para respirar. Mas era linda, mesmo sendo grande e amarela, não me metia medo, só confusão, pois quando lhe tocava, fazia chorar o meu dedo. Esta dor, que lhe chamo choro, não se consegue suportar, só se consegue sentir, por isso, decidi ignorar. “O sentir é algo que está fora do meu mapa astral” – dizia um velho amigo meu, que ressuscitou a semana passada. Amigo esse que me falou desta situação, quando foi repor os dentes que tinha perdido num combate com um hambúrguer. Não é para rir, é uma história muito triste, o maldito amigo tinha uma saúde de ferro, só que comia merda muitas vezes, não da que sai de dentro de nós, mas sim da que é encontrada dentro de outros seres e é transformada em comida. Bela alcunha, essa de comida. Assim, um dia, um dia, um dia, um dia (anda lá), de Verão, em que os dias são de dia e as noites também, como os outros, sendo esses os mesmos que os do ano passado, comia a sua comida de merda, onde não conhecia os donos. Há uma regra de oiro: não se come onde não se conhece, só onde sabe bem, não sendo o sexo anal um prato que se sirva frio. Sim, porque eu considero os preliminares um assunto demasiado sério. Não adiantando mais e não sendo chato, mesmo que tenha uma grande vontade de o ser, mesmo muito e sei que o seria se continuasse a fugir ao tema por cada coisa que me passa pela cabeça, vou directo ao assunto. O meu amigo, e velho, comeu uma merda daquelas com um osso de baleia lá dentro. Ora não estando à espera, partiu vários dentes. Vários? Sim, porque não acreditou que fosse verdade, continuou a comer e a morder, ainda com mais precisão, tenacidade e por fim força, como que não querendo dar parte fraca. Na realidade, o que ele queria mesmo era que o osso se transformasse em pó e assim pudesse ter a tão afamada erecção, daquelas que fica o pénis duro. Esse meu amigo era astrólogo, ou algo similar, pois não tinha lá muito juízo, mas sabia o que dizia. Por exemplo quando pedia um bife com batatas fritas num restaurante. Já no resto não sei bem, mas eu como amigo e velho, gostava muito dele, levando-o sempre muito a sério. Assim, quando ele me disse tal frase, a que disse dois meses atrás neste texto, senti o que ele sentiu e percebi. Algo de errado estava para acontecer, pois para compreender algo vindo dele seria um em três mil, não só mil, porque era óbvio. Mas… (e porque há sempre um mas, pelo menos para os mimados) a estrela fez-me pensar muito no meu velho amigo e amigo também. O que ela me fazia sentir não se podia dizer que não se sentisse. Fiz uma extrapolação, emendei vários textos que falavam cerca do assunto e voltei para casa, sem antes espreitar o céu. A minha querida lá continuava. Não sabia bem se lhe daria um nome, mas resolvi não dar, ao contrário do que o texto dizia quando o fiz pela primeira vez, sendo esta a primeira. Assim, fui jantar com o meu amigo, o velho. Não comemos merda. Um sopa pela palhinha para ele e uma pata de veado com suco de vespa para mim. Xi! A meio da refeição fui cagar. Ele não gostava nada que eu fizesse isto, pelo simples facto que não gostava de ficar sozinho, por causa da sua natureza ultra violenta com cinzeiros das outras mesas. O psicólogo dele descobriu o porquê deste seu problema, que com o passar dos anos se tornou altamente invulgar. O pai do pai dele, ou seja, portanto, o seu avô paterno da parte do pai, era um lavrador de longa data, quase desde que começou. A sua mãe sempre lhe tinha falado dos fogos postos para vender a madeira que está a apodrecer na mata e do valor rentável dos eucaliptos, ou seria o meu pai? Não sei, mas algo tinham em comum: filho de peixe sabe nadar. Ou seria os olhos? Hum… bem, como não é um tema que leve a história a lado nenhum, resolvi aprofundar, mas não agora. Assim, o seu avô, velho, preocupado com as queimadas e com os fogos, tinha sempre um pau de loureiro a arder dentro de casa, não na lareira, mas sim no meio da sala. O fumo era ensurdecedor. Dai até o facto de alguém fumar lá em casa, eram três tiros de bisnaga cheios de álcool da cerveja. Assim, o psicólogo dele descobriu por meio de coisas que não sei explicar, pois é muito tarde, que o meu velho amigo e também amigo tinha uma fobia tremenda com cinzeiros. Mesmo assim fui cagar. Quando voltei o restaurante tinha saído. Nada do que eu gostava estava lá, aliás, nada estava lá, só o meu amigo jarreta e com meia dúzia cinzeiros na boca. Este problema levou-me a questionar se o problema não seria com o tabaco, mas cedo percebi que não, era mesmo os cinzeiros, fossem eles de que forma fossem, mesmo os que não se parecem com cinzeiros. Não voltando a fugir muito mais ao tema, no jantar relembrei o tema dos nomes fracos a pessoas fortes como por exemplo a minha estrela. Ele quis desde logo tomar um café. Eu não. Tinha que dormir o meu sono de Primavera. Julguei que lhe tinha conseguido fazer ver porque queria tanto dar um nome lindo e brilhante à minha amada. Pensei bem, mas ele não quis saber. Farto de me ouvir, resolveu ir para casa de uma amiga. A amiga era muito gira, mas não era muito coerente, era dos Verdes e tinha um Renault 4. Isso seria o suficiente para não conseguir chegar a um consenso e partir para a contraposição politica. Mesmo assim fui. Bebi água, vinha em baldes de trinta litros. Podia-se tirar duas ou três colheres, não muito mais. A água tinha um cheiro estranho e por isso não bebi muito, pois quando olhei para os pés do pessoal que entrava para as piscinas fez-me náuseas. Vivi uma noite de pranto, estava nublado, a única coisa que me mantinha à tona era o dia seguinte que era passado a dormir e uma leve sensação de que estaria céu limpo. Estava farto das conversar triviais sobre buracos negros, queria algo mais, uma pura e limpa discussão sobre testículos, ou algo similar. Meti mais que uma vez o tema das pétalas verdes, mas não queriam saber, só queriam falar do papa estrelas. Quanto mais falavam mais me dava náuseas. Senti que estavam a fazer de propósito. Passei ao ataque. Gritei duas vezes o nome da estrela: XKU28Y! XKU28Y! – fiquei sem argumentos. Estavam determinados a fazer-me mal e a dizer coisas que não queria ouvir. Sai. Imaginei algo que lhes pudesse causar transtorno. Evoquei vários tipos de Deuses. Um deles chamou-me a atenção. Disse-me que eu deveria pagar a conta do gás. Ignorei-o e fiz-lhe um manguito. Mesmo assim consegui falar com ele e depois, com a minha estrela. Pedi-lhe um favor. Se ela não se importava de passar aqui na casa da amiga gira do meu velho e amigo amigo e dar-lhes uma “flashada”. Ela concedeu-me o desejo.
    Agora sou uma pessoa nova, não sinto nada, nem sequer dor, o que me apraz muito, tanto a mim como a todos os habitantes deste planeta.

    “Kissing the sun!” – The Young Gods.

    segunda-feira, 12 de março de 2007

    Será... ou será? Ou ainda, será! Será?

    Se te toco com força pensas que te vou querer,
    se te toco devagar julgas que vou saber,
    suspeito que serás,
    suspeito que não me amarás,
    creio em ti,
    creio em mim,
    o amor faz milagres,
    Deus acompanha se me amares,
    Tu és a minha rosa,
    Eu sou o teu Espinosa.

    ***********************************************

    Soldado solitário, perdido na noite, procura consolo num abrigo, numa trincheira, acolhedora, mesmo que seja húmida, mesmo molhada, necessita tanto, quer tanto repousar. Continua, continua, sem rumo, caminha sem destino, não encontra, procura desesperadamente, a sua mente confusa encontra situações tenebrosas passadas, os olhos cansados, fitam o infinito, o cansaço dá lugar à paranóia, à sensação de ter perdido tudo, abandona o corpo e continua. Tudo quando trás, ou teve, vai deixando ao Deus dará, nada interessa, despede-se da última peça de roupa, do último aconchego, corre, corre em fúria, em dor, serra os dentes e corre. Cansado, continua, não pára, sente o coração a despedaçar-se, a rebentar, esforça ainda mais, o sangue fervilha-lhe nas entranhas, esguicha pelos dedos, sai-lhe pelos olhos, chora e chora, mais sangue e mais! Um último grito e consegue chegar-lhe!
    Repousa em paz nos braços dela…

    Será?

    Mista a vista que avista
    os meus olhos
    profundos de serem
    fundos e imundos,
    por não serem puros
    suficiente para puderem, te,
    mirar, olhar, vislumbrar, amar, criar,
    sem que possam tirar
    bocado, amado, virado,
    fico estupefacto, com o acto.
    Choro…

    **************************************************

    Enervo-me de te cheirar
    Transpiro de te ver
    Grito de te amar
    Estremeço de te ler

    Entra, fica

    Suspiro de te tocar
    Evaporo-me de te temer
    Fujo de te cantar
    Morro de te querer

    Entra, fica

    sexta-feira, 9 de março de 2007

    Tempestade de mar

    Tempestade de mar, vermelho, encarnado, quente, nada suave, que tranquiliza a alma forte cheia de mágoa, de alegria escondida pelo entardecer frio, que aquece o meu coração, cheio de esperança, vã, ou não.

    Em celebração do Amor

    Semente que se sente quente de repente como a mente que vem rente e não mente.

    Atado o mato alto e matado como o prato chato e com o sapo mato o fato de facto.

    Cepa de verga erga a negra greta com a sineta violeta

    Um dia encontrei uma pessoa tão triste que quando lhe perguntei se era triste, sorriu.

    Faz de conta que sei do que estou a falar, mas depois calo-me, para ver se o eco diz asneiras. Assim terei muito mais prazer em corrigir um imbecil.

    Sinto que me estou a consumir, mas não sinto calor, será que paguei a conta do gás?

    Vem encher este pote com a tua sabedoria e vaza toda a tua barriga, cheia de gases. Hum! Que bom é o teu cheiro nojento!

    Xícara de chá má trás cá a pá e vem com o António Sá, mas vem sozinha, com a vizinha e a criancinha, maneirinha. Afinal não vem só… bolas!

    Sebe de verdes folhas, duras que nem cornos e verdes que nem as folhas. Já é segunda vez que me aleijo!

    Faço votos de castidade por 20 Euros.

    Enfio o meu dedo no teu ouvido, encho-me de ti e retiro. Constato que não está limpo, o dedo, é certo. Já o outro, estava, mas não o meti lá, por isso.

    Entra uma vez e logo vez. Não sabes de que cor é? É vermelho, é claro que é encarnado.

    quinta-feira, 8 de março de 2007

    quarta-feira, 7 de março de 2007

    Outro dia dizia-me um Sr:

    "Ainda ouves Punk??? Isso é para putos...!" - Ao que lhe respondi - "E tu o que ouves?" - e ele muito convencido - "Ben Arper!!!" - e eu - "pois... mas tu só és da minha idade... Tens algum problema?"

    NOFX

    Nofx
    nofx-Leave It Alone

    Nofx - Hobofobic

    Franco Unamerican- NOFX

    NOFX - BOB

    terça-feira, 6 de março de 2007

    A viagem

    Faço viagens todos os dias, mas nada se compara ao que sempre quis fazer e consegui fazer.
    Não sabia com o que podia contar, não estava de qualquer forma realmente preocupado, pois o que conta é a forma como fui. Desta vez sem ter que pensar muito e seguindo um antigo desejo, pensei em ir de patins. Quis ser o mais tradicional possível e utilizar patins tradicionais e não os recentes patins em linha. Fazia mais sentido, não só porque acredito mais nas coisas tradicionais, como também o desafio foi muito maior, não só isso como é bem mais estranho e difícil.
    Fiz a mala para dois dias, tinha que evitar o excesso de peso. Consoante vou chegando aos locais onde pernoito, lavo e seco a roupa do dia, utilizando assim a outra muda de roupa para não ser sempre a mesma. Escolhi roupa resistente e com reforços nos locais mais utilizados.
    Tinha alguns sítios que queria passar, mas tinha sempre um segundo plano, pois não podia prever tudo, algo poderia correr muito mal, problemas físicos, técnicos ou até mesmo climatéricos. Assim, em todas as localidades mais importantes, identifiquei um hotel, estalagem, pousadas, pensão, ou aluguer de quartos, para qualquer emergência. O destino e estes planos eram de facto as únicas coisas que tinha planeado, tudo o resto seria aventura, sem nada planeado, pelo menos a viagem grande.
    Já a pequena, tinha meses de preparação. Todos me diziam que teria de ter um plano. Mas que sabiam eles do plano? Não era eles que iam nesta aventura! Bem que alguns queriam, mas não tiveram a coragem. No entanto eu tinha um plano, um objectivo, algo que me movia, queria arranjar uma forma barata de viajar e fugir.
    Já era tarde, fiz a mala, verifiquei tudo, voltei a verificar e deitei-me. A excitação da viagem tirava-me o sono. Para chamar o sono, comecei a rever o caminho, mal passei o primeiro quarteirão, adormeci.
    Acordei, não me conseguia levantar, algo estava terrivelmente errado. Não sentia as pernas, tentava movimenta-las mas não obedeciam, não as conseguia mover. O terror invadia os meus pensamentos, tudo o que tinha pensado, arquitectado, sonhado, estava a ir por água abaixo. Fiquei em pânico, gritei, mas nem isso conseguia fazer. O terror deu lugar ao desespero, perdia as forças, depois deixei de conseguir mover os braços, o tronco e por fim a cabeça, parecia que tudo em mim estava paralisado, adormecido, preso, aprisionado, congelado, petrificado. O terror e o desespero, fizeram com que lágrimas grossas escorressem pela face. Por fim a estucada final, não sentia frio, nem calor, nada. Pensei que a morte me tinha vindo visitar, e que não era assim tão mau, pois não estava a sofrer, pelo menos dor física, já a mente, essa sim, estava muito afectada e em dor. Não me resignei! Fiz um último esforço, bem grande e forte. Tentei pestanejar. Concentrei toda a minha força e mais alguma que viesse de fora, mesmo num esforço sobre-humano e consegui abrir o olho direito, só um pouco, o suficiente para ver luz. Bolas! Estou atrasado, já é de dia! Estava a sonhar…
    Levantei-me e dirigi-me rapidamente para o banho. No banho lembrei-me do pesadelo. O que a ansiedade me fizera, ou seria um mau agoiro? Tinha dormido cerca de 4 horas e isso não era muito bom, mas como tinha descansado bastante nas últimas 3 semanas, apesar da preparação física, não era assim tão mau e por outro lado mantinha-me mais atento, mais vivo. Vesti tudo com rigor de um cirurgião, voltei a verificar tudo, rezei um pouco e saí.
    O elevador estava fora de serviço, desci pelas escadas, tarefa árdua, mas naquele dia parecia tudo bem mais fácil e desci como nunca, rápido, exacto, mas sempre com o sentido que algo de errado estava para acontecer. Pensando assim, consegui chegar ao patamar do prédio num tempo recorde. Mantinha comigo um pequeno livro de apontamentos e um lápis, pois não confio em canetas, só para assinar documentos. Marcava todos os passos importantes, e este era um deles. Arrumei o bloco, o lápis, inspirei fundo, abri a porta da rua e a luz de mil holofotes incidiram sobre mim. Corri o mais de pude, ninguém me iria apanhar. As balas voavam à minha frente as sirenes soavam num tom quase hipnótico, a minha primeira meta é a esquina do prédio. Ai, duas centenas de patinadores estarão à minha espera e confundirão todos, mesmo eu ficarei confuso e não saberei se estarei a fugir ou a perseguir alguém. Todos de igual. A última bala, mesmo a última, resvala na parede e faz ricochete, atinge, em cheio, mesmo no alvo, mesmo no meio, com uma pontaria certeira, de um atirador experiente, o pneu de um carro das autoridades e falhando a minha perna. Dobro a esquina, toda a minha face estava iluminada de alegria, estavam lá todos e em posição. Nem foi necessário dar ordem, todos seguiram o seu caminho. E eu o meu. Nada nem ninguém sabia o caminho um do outro, pois todos tinham escolhido à sorte caminhos diferentes. O meu tinha sido o primeiro. Dali até ao meu ponto de fuga teria ainda muito que percorrer. Sempre pensei que seria apanhado, mas por outro lado achei sempre que não há forma de o fazer, pois estarei sempre muitas vezes à frente do que poderá acontecer. Visto de cima por helicóptero era uma imagem linda de se ver, a forma como todos os patinadores seguiam o seu caminho e como alguns eram interceptados pelas autoridades, não sabendo muito bem o que lhes podiam fazer, senão libertá-los, pois não havia uma descrição muito fidedigna do criminoso, que por grande acaso, poderia ser eu, não sendo assim das melhores.
    Segui os meus 4 líderes de fuga, que eram 5, mas um já tinha sido apanhado pelas autoridades, como previsto. Consegui chegar ao ponto de separação em menos tempo do que estava no plano, contando já com o possível atraso. Isso não era muito bom, pois ficaria à espera do autocarro que me levaria para fora da cidade. Os minutos seguintes serão cruciais para o resto da viajem e por isso mesmo vou contar uma pequena história:
    Tinha um pequeno Hamester. Era o meu ratinho favorito, o meu mais que tudo, visto que nada nem ninguém me ligava nenhuma. Era uma família muito grande, quase enorme, mais um menos um, seria mesmo igual. Uma vez passei dois dias em casa de um amigo, ninguém deu por isso, só deram conta porque eu fui desleixado e deixei passar a vez de deitar o lixo na rua. Mas não importa. O pequeno rato era…
    Chegou o autocarro. Agarrei-o com toda a força e zarpei. Já no horizonte da avenida vinha um carro das autoridades, por sorte não me vira. Não podia acontecer com tanta frequência. Tinha apenas 3 situações de desencontro, ou situações aflitivas até ao final da viagem e ainda ia no início, não era muito bom. Em campo aberto tudo seria diferente.
    Cruzei-me com mais 6 patinadores agarrados a autocarros e mais uns tantos na rua, e com as autoridades sem saber muito bem o que fazer. Estava decretado o caos. Tal como se previra, tudo quanto fosse patinador teria que ser detido. Mas… não contavam o que estaria para acontecer. A ganância dos agentes de informação, tinha surtido o efeito desejado. Depressa se soube da grande fuga, fazendo também com que todos os quanto gostam, adoram e são aficionados da patinagem, quer seja, tradicional, ou em linha, os trouxessem para as ruas. Se antes o caos era grande, neste momento eram milhares os que patinavam pelas ruas da cidade, fazendo com que tudo parasse. Não havia forma de os travar. Tudo se dizia, tudo de especulava, mas nada nem ninguém imaginava o que realmente estava em jogo. Apenas 3 pessoas sabiam.
    Estava já fora da cidade. E outros tantos como eu, também se deslocavam noutros sentidos. Era um dos pontos fulcrais. O dia já ia longo e continuava com um sorriso louco na cara, depois de ter apanhado tanta boleia de outros tantos camiões e veículos de grande porte, tinha que parar por um pouco.
    A quantidade de pessoas que acompanhava a louca viagem era imensa e já nem mesmo as autoridades sabiam como lidar com a situação. Planos de emergência, planos de captura, todo o tipo de planos e nada surtia efeito. Não é que fosse difícil encontrar patinadores, mas o difícil era apanha-los, ou mesmo interroga-los, pois nada diziam e por mais que parassem pessoas de patins, seria um em mil a hipótese de encontrar o fugitivo.
    Quando me apeava tirava tudo o que fosse equipamento de viagem, pois queria estar descansado. Assim, antes de entrar em qualquer lugar para comer ou para pernoitar, encontrando sempre um local escondido, retirava a roupa de viagem e ficava só com o que se pode considerar necessário para parecer um comum transeunte. Jantei e depois subi de imediato para o meu quarto, estava cansado e ainda tinha que fazer o jornal da viagem.
    Acordei bastante cedo, ainda o sol não raiava, mas pouco faltava. Preparei-me no mesmo local onde no dia anterior me tinha despido e retornei à viagem. Sabia exactamente para onde queria ir, antes de deitar tinha já traçado a minha rota. O sorriso teimava em não abandonar o meu rosto, pois até agora tinha tudo corrido como planeado, até mesmo o estar a ser seguido. Pensando sempre que todos os patinadores fazem o seu caminho sempre de patins, quem quer que fosse que me seguia não contava que eu me poderia deslocar de outra forma. Para jogar pelo seguro, deixei-me ser seguido mais um dia e depois faria a fuga.
    Não resisti e em vez de um, foram dois dias, o meu perseguidor mal podia com as pernas. É o que faz não ter preparação. Quando menos esperava, retirei os patins, abri a porta do carro que estava mais próximo e pus-me em fuga.
    Nem eu estava à espera de tal desilusão. Era demasiado imprevisto para ser óbvio. Tudo o que tinha batalhado até então, estava a ser posto de parte, o facto de fazer a viagem de patins era o objectivo primordial, mas no entanto havia outras coisas que me perturbavam a mente. O facto de meio mundo andar de patins, tirava o verdadeiro sentido à viagem. O verdadeiro sentido da fuga não era os patins, mas sim a forma como o fizera e isso tudo tinha sido subvertido. Tal como noutras ocasiões, em que nada nem ninguém esperava, eu fi-lo. Como será óbvio referir, andar de carro é bem mais fácil de ser interceptado, logo teria que me livrar de tal estúpido meio de transporte.
    Após cerca de 25 quilómetros, abandonei o carro numa ravina e segui a pé, até encontrar um burro abandonado. Depois, para despistar, encontrei no meio do campo um triciclo. Este foi por ventura o maior erro da minha viagem. Ninguém com a minha idade anda de triciclo… e assim fui identificado como sendo um fugitivo “dos patins”. Cedo me consegui libertar e voltar à estrada. Tinha comprado um bigode falso e uns óculos sem lentes. O disfarce não era dos melhores, todos me confundiam com o Dr. Maravilha. Esta fase da viagem foi das mais irrelevantes. Tudo o que fazia ou escolhia, dava sempre problema.
    Parei e pensei no assunto.
    Nada de grave, apenas dois dias. Entendi o recado, os patins eram a solução. Com grande nostalgia, calcei-os, as lágrimas frias, escorriam-me pela face. Quando me pus de pé, sorri por dentro e chorei por fora. Segui…
    Passados dois anos e meio, e vários pares de patins, o lugar onde queria chegar, estava fechado e nunca mais abriria. Envolto num triste sentimento de remorso, e dádiva de várias coisas a pessoas que não as apreciam, jurei: não vou deixar nunca mais uma prova da minha existência, em qualquer lado que passe, relativo à minha passagem por onde quer de seja.
    Assim fiz. Deixei o local e retirei as impressões digitais, bem como tomei a pílula que torna o ADN estéril. Rumei a casa dos meus tios, algures no sítio mais longe do planeta terra.

    É daí que escrevo estas palavras. Muito mais haveria para dizer, como por exemplo o detective que vasculhou o meu apartamento de origem e descobriu todas as minhas cartas para a mulher do Mário Soares. Uma vergonha.

    Acabei a viagem e estou feliz.

    PS: Não sei da minha carteira.

    segunda-feira, 5 de março de 2007

    Tretas

    Penso que penso no que penso.
    É algo que devo pensar mesmo que não pense no que devia pensar. Pensar é algo que faço sem pensar, penso sempre que estou a pensar sem me lembrar de estar a pensar de propósito. Se pensar com efectividade, será um pensar forçado, logo mais pensado, mas no entanto não se deve pensar que é superior ao anterior pensar. O pensar sem pensar que se está a pensar, é tido como não sendo um pensar pensado, mas sim irreflectido, logo menos valorizado, mas de facto é tão ou mais do que o pensar que se está a pensar, pois funciona sempre. Já o que é feito de propósito, é só feito quando se quer, não tendo em conta que já há um pensar, pensar esse nobre, pois trata-se do senso comum, que nos faz estar vivos.

    sexta-feira, 2 de março de 2007

    Alegra-te alma clara

    Fugi, abandonei todo e qualquer pretexto para ser feliz. A felicidade passou a ser um termo gasto, fora de tom, cheio de saudade, com muita mágoa, proferido sem sentido, nos dias tristes e longos que enfrento. Sendo o fim da alegria, transporto uma longa arca cheia de lembranças, que pretendo deixar no mar, numa falésia bem alta e gritar: Viva a tristeza!
    Entoo cânticos de fazer chorar tudo o que se diz feliz e alegre, mas sei que mais dia, menos dia, irão todos me dar o devido valor e cantar comigo, em alto e bom som, que chorar as tristezas é algo que faremos com prazer, mas sem alegria, será algo que faremos naturalmente com todas as tristezas do mundo e nos transtornará de tal forma, de tal maneira, que serão necessários vários milhares de anos para que se consiga identificar o que quer dizer a palavra alegria. Podemos mesmo ter que a esquecer e nunca mais a proferir, sendo uma blasfémia, não em termos religiosos, mas sim terrenos, concretos.
    Sei que será uma tarefa fácil, pois será a antítese do que tenho hoje, mas nada é fácil, mesmo o ser negativo é difícil de manter-se assim durante muito anos, até séculos. Terei técnicas, como o silêncio, ou até mesmo abdicar de conversar, sendo essa a essência do que se pretende. O diálogo, na sua forma mais pura, leva à alegria, logo deverá ser mantido única e exclusivamente para pedir algo que não consigamos por outros meios. A língua, sendo única entre povos, será outro pilar para a tristeza. Neste ponto terei que pedir ajuda a alguém, mas esse alguém terá que ser mais triste que eu. Será fácil executar, pois não necessitamos de muitas palavras para sobreviver. Este tema é no entanto antagónico, logo utópico, pois, e mais uma vez, contraditório, por ser fácil e difícil, só por isso, não pela antítese do tema em si, mas sim pela dificuldade em executa-lo.
    Em tudo há excepções, mesmo aqui, mas neste caso, não há, mas deveria, assim, irá haver. Ora, qual a melhor forma que conhecemos de nos tornarmos alegres? Exacto, o diálogo. Ora, em casos extremos e só nesses, sendo estes os que são utilizados para subverter as regras, sendo só neste sentido, para atingir a tristeza plena, que é tornar-me triste para o resto da minha existência, mesmo depois de padecer, só nesse caso extremo, poder-se-á utilizar o diálogo.
    Em caso algum se pode utilizar o riso, ou rir, nem mesmo sorrir, mesmo que sendo em situações nefastas, ou que provoquem riso, como o cair sem razão aparente. Assim, e repito, em caso algum!
    Mantendo uma coerência insana, terei as forças todas da alegria do meu lado, mas saberei afasta-las, mantendo os meus pensamentos de falta de dialogo, profundamente enraizados no meu eu, na minha alma, na minha mente, sendo acessível por outros, que a queiram contrapor, sendo esses os primeiros a serem infectados pela verdadeira tristeza, pela forma essencial de tristeza, aquela que nos faz querer ficar assim para o resto da vida, tristes. Não confundir com a vontade de querer morrer, pois essa é subvertida, sendo muitas vezes utilizada como forma de escape e até, em situações extremistas: a fuga! Assim, morte não consta na minha forma de pensar, pelo menos na minha, no entanto nutro a tristeza de a não poder executar, ou de a ter, bem como a de não poder controlar.
    Não quero com isto fazer com que haja milhares de indivíduos convertidos, pois isso seria alegre verificar que consegui fazer passar toda a minha tristeza para os demais, será sim mais triste achar que há pessoas que conseguem entender o que estou a falar e até mesmo identificar-se com o que penso, fazendo da vida delas a mesma que a minha. Isso neste ponto de vista, torna as coisas bem tristes e assim serei um triste, verdadeiramente triste e poderei ser triste com mais pessoas, não havendo forma de ser alegre, qualquer que seja a razão para o ser.
    Mesmo que…

    Bom grito!