És tão bela e eu não te posso dizer,
não te posso sequer tentar transmitir o meu desejo,
o meu mais profundo desejo,
de ter-te nua,
na cama dum desses motéis de beira da estrada
e possuir-te,
de te afundar no meu sémen,
de ouvir os teus gritos de súplica e por fim,
pagar e dizer-te:
Eh pá! És tal e qual a namorada duma amiga minha!
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Mitra!
Com um dente inchado,
vomitas para o lado.
Vives com a tua tia-avó,
Aquela que te chula sem dó.
Vais ter um triste fim,
Vais casar com o Serafim!
Roubas tudo a toda a gente,
És uma verdadeira demente.
Vives no bairro da saúde,
E contas os trocos amiúde.
Arrotas postas de pescada,
Sempre foste mal amada.
Evitas ser apalpada,
Tens sempre a cona inchada.
Trabalhas na fábrica de gelados,
Tens-nos sempre bem mamados.
Toda a gente anda contente,
Quando a tua mão sente.
Porca badalhoca,
Coça o cu e arrota.
És o verdadeiro modelo,
De quem quer ter medo.
É assim a história,
Desta vã gloria.
Esta ninguém conhece,
E que toda a gente esquece.
Teve um triste fim,
Esta bela mulher do Bonfim!
Morreu com ele entalado,
E com um sorrido acabado!
vomitas para o lado.
Vives com a tua tia-avó,
Aquela que te chula sem dó.
Vais ter um triste fim,
Vais casar com o Serafim!
Roubas tudo a toda a gente,
És uma verdadeira demente.
Vives no bairro da saúde,
E contas os trocos amiúde.
Arrotas postas de pescada,
Sempre foste mal amada.
Evitas ser apalpada,
Tens sempre a cona inchada.
Trabalhas na fábrica de gelados,
Tens-nos sempre bem mamados.
Toda a gente anda contente,
Quando a tua mão sente.
Porca badalhoca,
Coça o cu e arrota.
És o verdadeiro modelo,
De quem quer ter medo.
É assim a história,
Desta vã gloria.
Esta ninguém conhece,
E que toda a gente esquece.
Teve um triste fim,
Esta bela mulher do Bonfim!
Morreu com ele entalado,
E com um sorrido acabado!
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Foo Fighters: My Hero
(Uma das minhas favoritas, de TODAS!)
Too alarming now to talk about
Take your pictures down and shake it out
Truth or consequence, say it aloud
Use that evidence, race it around
There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
Hes ordinary
Dont the best of them bleed it out
While the rest of them peter out
Truth or consequence, say it aloud
Use that evidence, race it around
There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
Hes ordinary
Kudos my hero leaving all the best
You know my hero, the one thats on
There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
Hes ordinary
Too alarming now to talk about
Take your pictures down and shake it out
Truth or consequence, say it aloud
Use that evidence, race it around
There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
Hes ordinary
Dont the best of them bleed it out
While the rest of them peter out
Truth or consequence, say it aloud
Use that evidence, race it around
There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
Hes ordinary
Kudos my hero leaving all the best
You know my hero, the one thats on
There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
Hes ordinary
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Alforrecas com espirros no forno!
Ingredientes:
- Duas alforrecas médias
- Um dente de peixe vivo
- Vómito do pequeno almoço de macaco das cavernas de Batu
- Duas colheres de raspas de algo que não sei o nome
- 1 kg de sal desnatado
- ½ grama de ar
- ½ dúzia bigodes de gato pardo
- 32 espirros
- Bué azeite!
- Umas caganitas de alho
- Um mau livro de cozinha
- Pimenta e coisas que fazem mal q.b.
Preparação:
Primeiro unta-se uma forma de bolos com o vómito do pequeno almoço de macaco das cavernas de Batu. Há que ter muita atenção com o vómito, pois não pode coalhar.
Depois mete-se uma frigideira no fogão e deixa-se lá estar sem o lume estar ligado, fica só lá, assim, parada, sem fazer nada, nada...
O resto mistura-se quase tudo numa vasilha de plástico encarnado. Começa-se pelo ar e as caganitas de alho, misturam-se muito bem até obter uma massa espalmada e sem cor. Em seguida e duma só vez, mete-se ao monte as raspas de algo que não sei o nome, mais o livro, misturando de uma forma activa e sem nexo. Deixa-se o preparo enervar-se cerca de duas horitas.
Em seguida, nas alforrecas, fazem-se pequena incisões com uma faca de pontas rombas, por forma a que emitam um som agudo que mal de ouve.
Usando um tabuleiro de aço ferrugento, faz-se uma cama com sal. Faz-se depois um pequeno orifício, no meio do sal, com o dedo grande do pé direito, colocando-se depois, espalhadas de uma forma irracional as alforrecas. Atenção: Não colocar nada no pequeno orifício!
Vaza-se o preparo da vasilha encarnada, em forma de molho alegre, sobre as alforrecas.
Chegou o momento de usar a pimenta. Coloque na palma da mão, uma boa quantidade de pimenta e inspire a pimenta pelo nariz com muita força. O resultado dessa atrocidade será para espalhar sobre as alforrecas, na forma de 32 vezes.
Por fim, rega-se com bué azeite!
Vai ao forno durante o tempo que conseguir aguentar o cheiro em casa.
Entretanto num almofariz esborrache os bigodes de gato pardo com o dente de peixe vivo, entornando para dentro da mistela, duma forma heterogenia, coisas que fazem mal q.b.
Depois de tudo estar feito, serve-se quase morno. Acompanhe duma forma quase despercebida, com o acompanhamento esborrachado no almofariz. Use doçura de leveza nesta tarefa.
O apetite é voraz, não lhe dê atenção, dê-lhe comer!
Boa digestão.
PS: A forma com o vómito, não serve rigorosamente para nada!
- Duas alforrecas médias
- Um dente de peixe vivo
- Vómito do pequeno almoço de macaco das cavernas de Batu
- Duas colheres de raspas de algo que não sei o nome
- 1 kg de sal desnatado
- ½ grama de ar
- ½ dúzia bigodes de gato pardo
- 32 espirros
- Bué azeite!
- Umas caganitas de alho
- Um mau livro de cozinha
- Pimenta e coisas que fazem mal q.b.
Preparação:
Primeiro unta-se uma forma de bolos com o vómito do pequeno almoço de macaco das cavernas de Batu. Há que ter muita atenção com o vómito, pois não pode coalhar.
Depois mete-se uma frigideira no fogão e deixa-se lá estar sem o lume estar ligado, fica só lá, assim, parada, sem fazer nada, nada...
O resto mistura-se quase tudo numa vasilha de plástico encarnado. Começa-se pelo ar e as caganitas de alho, misturam-se muito bem até obter uma massa espalmada e sem cor. Em seguida e duma só vez, mete-se ao monte as raspas de algo que não sei o nome, mais o livro, misturando de uma forma activa e sem nexo. Deixa-se o preparo enervar-se cerca de duas horitas.
Em seguida, nas alforrecas, fazem-se pequena incisões com uma faca de pontas rombas, por forma a que emitam um som agudo que mal de ouve.
Usando um tabuleiro de aço ferrugento, faz-se uma cama com sal. Faz-se depois um pequeno orifício, no meio do sal, com o dedo grande do pé direito, colocando-se depois, espalhadas de uma forma irracional as alforrecas. Atenção: Não colocar nada no pequeno orifício!
Vaza-se o preparo da vasilha encarnada, em forma de molho alegre, sobre as alforrecas.
Chegou o momento de usar a pimenta. Coloque na palma da mão, uma boa quantidade de pimenta e inspire a pimenta pelo nariz com muita força. O resultado dessa atrocidade será para espalhar sobre as alforrecas, na forma de 32 vezes.
Por fim, rega-se com bué azeite!
Vai ao forno durante o tempo que conseguir aguentar o cheiro em casa.
Entretanto num almofariz esborrache os bigodes de gato pardo com o dente de peixe vivo, entornando para dentro da mistela, duma forma heterogenia, coisas que fazem mal q.b.
Depois de tudo estar feito, serve-se quase morno. Acompanhe duma forma quase despercebida, com o acompanhamento esborrachado no almofariz. Use doçura de leveza nesta tarefa.
O apetite é voraz, não lhe dê atenção, dê-lhe comer!
Boa digestão.
PS: A forma com o vómito, não serve rigorosamente para nada!
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
A fada madrinha
Outro dia estava eu a ver se conseguia chegar com o meu pénis à torneira do lavatório e apareceu a fada madrinha:
- Que fazeis?
- Lavo o meu pénis
- No lavatório?
- Sim!
- E o bidé? Para que serve?
- Para lavar o cu!
- E mais qualquer coisa...
- Eu só lá lavo o cu!
- Mas podes lá lavar o pénis!
- Não gosto...
- Porquê?
- Porque me sinto pequeno...
- Mas tu és pequeno!
- Mas assim sinto-me ainda mais!
- Bem, então vejamos... tens dois desejos!
- Sim? Verdade??!!
- Sim. Podes pedi-los agora!
- Boa! Aqui vão: Quero ser grande! E quero ter um pénis ainda maior!
- Zás!
E assim morreu esmagado pelo seu próprio pénis.
Moral da história: Não é o tamanho que conta.
- Que fazeis?
- Lavo o meu pénis
- No lavatório?
- Sim!
- E o bidé? Para que serve?
- Para lavar o cu!
- E mais qualquer coisa...
- Eu só lá lavo o cu!
- Mas podes lá lavar o pénis!
- Não gosto...
- Porquê?
- Porque me sinto pequeno...
- Mas tu és pequeno!
- Mas assim sinto-me ainda mais!
- Bem, então vejamos... tens dois desejos!
- Sim? Verdade??!!
- Sim. Podes pedi-los agora!
- Boa! Aqui vão: Quero ser grande! E quero ter um pénis ainda maior!
- Zás!
E assim morreu esmagado pelo seu próprio pénis.
Moral da história: Não é o tamanho que conta.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Quiz 3!
De quem é esta letra?
Então é isso, a permanência - orgulho estraçalhado pelo amor
E aquilo que uma vez foi inocência, virado e deitado de lado
Uma nuvem suspensa sobre mim marca cada momento
No fundo da memória, aquilo que uma vez foi amor
Oh, como acabei por perceber, como eu queria tempo
Colocado em perspectiva, tão difícil de encontrar, eu tentei
Só por um instante, pensei ter encontrado meu caminho
O destino desdobrado - foi o que vi escorrer do meu alcance
Pontos de luz em excesso, além de todo o alcance
Exigências solitárias por tudo que eu gostaria de guardar
Vamos dar um passeio fora daqui, ver o que encontramos
Colecção sem nenhum valor de esperanças e desejos passados
Nunca imaginei as distâncias que teria que percorrer
Todos os cantos mais escuros de um sentido que desconhecia
Só por um instante, ouvi alguém chamar
Olhei para além do dia, que jazia em minha mão
Não há absolutamente nada por lá...
Agora que percebi como tudo dá errado
Tenho de achar alguma terapia, este tratamento é muito prolongado
No fundo do coração do lugar onde a simpatia reinava
Tenho de encontrar meu destino, antes que seja tarde demais...
Prémio a anunciar em recentes edições!
Boa sorte!
E já temos vencedor!
De seu nome Isabel! Parabéns!
O prémio ser-lhe-á enviado por correio.
Obrigado pela vossa participação! (quase nula, mas é normal).
Fica aqui o original, que por acaso é um poema lindo!
Twenty Four Hours (1980)
So this is permanence, love's shattered pride.
What once was innocence, turned on its side.
A cloud hangs over me, marks every move,
Deep in the memory, of what once was love.
Oh how I realised how I wanted time,
Put into perspective, tried so hard to find,
Just for one moment, thought I'd found my way.
Destiny unfolded, I watched it slip away.
Excessive flashpoints, beyond all reach,
Solitary demands for all I'd like to keep.
Let's take a ride out, see what we can find,
A valueless collection of hopes and past desires.
I never realised the lengths I'd have to go,
All the darkest corners of a sense I didn't know.
Just for one moment, I heard somebody call,
Looked beyond the day in hand, there's nothing there at all.
Now that I've realised how it's all gone wrong,
Gotta find some therapy, this treatment takes too long.
Deep in the heart of where sympathy held sway,
Gotta find my destiny, before it gets too late.
-------------------------------------------------------------------------------
Fiz aqui um pequeno jogo de palavras, não sei se o Ian pensou nisso, ou se é pura coincidência, mas aqui fica:
So this is permanence, of what once was love.
Oh how I realised, I watched it slip away.
Excessive flashpoints and past desires.
I never realised, there's nothing there at all.
Now that I've realized, before it gets too late.
Estranha coincidência, não acham?
Então é isso, a permanência - orgulho estraçalhado pelo amor
E aquilo que uma vez foi inocência, virado e deitado de lado
Uma nuvem suspensa sobre mim marca cada momento
No fundo da memória, aquilo que uma vez foi amor
Oh, como acabei por perceber, como eu queria tempo
Colocado em perspectiva, tão difícil de encontrar, eu tentei
Só por um instante, pensei ter encontrado meu caminho
O destino desdobrado - foi o que vi escorrer do meu alcance
Pontos de luz em excesso, além de todo o alcance
Exigências solitárias por tudo que eu gostaria de guardar
Vamos dar um passeio fora daqui, ver o que encontramos
Colecção sem nenhum valor de esperanças e desejos passados
Nunca imaginei as distâncias que teria que percorrer
Todos os cantos mais escuros de um sentido que desconhecia
Só por um instante, ouvi alguém chamar
Olhei para além do dia, que jazia em minha mão
Não há absolutamente nada por lá...
Agora que percebi como tudo dá errado
Tenho de achar alguma terapia, este tratamento é muito prolongado
No fundo do coração do lugar onde a simpatia reinava
Tenho de encontrar meu destino, antes que seja tarde demais...
Prémio a anunciar em recentes edições!
Boa sorte!
E já temos vencedor!
De seu nome Isabel! Parabéns!
O prémio ser-lhe-á enviado por correio.
Obrigado pela vossa participação! (quase nula, mas é normal).
Fica aqui o original, que por acaso é um poema lindo!
Twenty Four Hours (1980)
So this is permanence, love's shattered pride.
What once was innocence, turned on its side.
A cloud hangs over me, marks every move,
Deep in the memory, of what once was love.
Oh how I realised how I wanted time,
Put into perspective, tried so hard to find,
Just for one moment, thought I'd found my way.
Destiny unfolded, I watched it slip away.
Excessive flashpoints, beyond all reach,
Solitary demands for all I'd like to keep.
Let's take a ride out, see what we can find,
A valueless collection of hopes and past desires.
I never realised the lengths I'd have to go,
All the darkest corners of a sense I didn't know.
Just for one moment, I heard somebody call,
Looked beyond the day in hand, there's nothing there at all.
Now that I've realised how it's all gone wrong,
Gotta find some therapy, this treatment takes too long.
Deep in the heart of where sympathy held sway,
Gotta find my destiny, before it gets too late.
-------------------------------------------------------------------------------
Fiz aqui um pequeno jogo de palavras, não sei se o Ian pensou nisso, ou se é pura coincidência, mas aqui fica:
So this is permanence, of what once was love.
Oh how I realised, I watched it slip away.
Excessive flashpoints and past desires.
I never realised, there's nothing there at all.
Now that I've realized, before it gets too late.
Estranha coincidência, não acham?
quinta-feira, 10 de julho de 2008
A hipótese
E se tivessem só uma hipótese na vossa vida de voltar atrás?
Outro dia ia a caminho das compras e quando lá cheguei tinha-me esquecido da carteira. Pensei: vou usar agora mesmo a hipótese de voltar para trás na vida, numa determinada situação.
E usei. Fiquei todo contente e fiz as compras todas que podia e que não podia. Foi uma sensação por demais magnânima.
Quando voltava para casa, todo contente, atendi o telemóvel, era a minha mulher. Estava todo contente a explicar o que se tinha passado e no meio da grande excitação, não vi uma criança que passava na passadeira. Atropelei-a!
Agora que estou preso penso:
E se eu tivesse nascido dois minutos depois?
E pensei também se seria melhor continuar a dar-me com o Luís. Ele tem um ar um bocado estranho e já me tocou na pila duas vezes....
Estas e outras hipóteses fazem do nosso dia-a-dia uma mão cheia de decisões que de uma forma ou de outra podem influenciar os demais que nos rodeiam. A cada momento que passa, em fracções de segundo, podemos acabar com a vida de alguém, ou até mesmo começar novas vidas.
O que nos levará a pensar que nos podemos arrepender do que quer que seja?
É o facto de termos consciência.
Um cão não vai achar que devia ter tomado outra decisão, porque resolveu fazer uma valente cagada em casa, quando podia ter esperado mais uns minutos ou até mesmo ter chamado à atenção do dono, que estava muito aflito e já não podia mais.
Ora assim sendo, nós, os humanos, mais uma vez os eternos estúpidos, julgamos que podemos alterar o que quer que seja. E mais uma vez chegamos à conclusão que não há hipótese de o fazer. Se fosse possível, seria um caos, parecido com o que vivemos, mas desorganizado. Vejamos exemplos:
O Manuel foi ter com a Filipa, a sua actual namorada, mas antes encontrou a sua ex-namorada, de seu nome Maria, que lhe deu um beijo na boca, mas a Filipa apanhou-os a beijarem-se, isto porque a Filipa resolveu fazer-lhe uma surpresa. Ora bem, há aqui duas coisas. Imaginem que a Filipa ainda tinha a sua hipótese da vida e a ia utilizar, fazendo com que a Maria e ele não se cruzassem. Por seu lado, o Manuel, que também tinha a sua hipótese de vida, usava-a para que a sua amante, de seu nome Carla, o visse beijar a Maria, estando a Filipa, presente e fazendo esta última uma cena de ciúmes.
Vamos analisar pessoa por pessoa, primeiro sem alteração dos factos e depois com a alteração.
1- Manuel:
1.1 - Sem hipótese: O Manuel vai ter com a Filipa, mas a Maria, apanhou-o no meio do caminho, declarou-se de novo a ele, não lhe resistindo, acabando por beija-la.
A Filipa viu e deu um valente soco na Maria, fazendo com que a rapariga não fosse seleccionada para top model do ano.
1.2 – Com hipótese: O Manuel fez com que a Carla, sua amante e que andava a extorquir-lhe dinheiro, o visse a beijar a Maria e a Filipa fizesse uma cena de ciúmes. Este acontecimento fez com que tudo ficasse bem para o lado dele, no que dizia respeito a ele e à Carla, mas tudo mal com as outras duas, coisa que ele poderia resolver, não fosse a Maria ser top model e a Filipa lutadora de Tai condo.
2- Filipa:
2.1 – Sem hipótese: Ela apanhou o Manuel com a sua ex-namorada e deu-lhe um valente soco. Ela foi acusada de agressão à Maria, a qual foi parar ao hospital. Inevitavelmente acabou tudo com o Manuel.
2.1 – Com hipótese: A Filipa fez com que o Táxi onde viajava a Maria se atrasasse dois minutos, evitando que os dois se cruzassem. Assim, a Carla, tinha o caminho livre para puder continuar a extorquir o dinheiro que ela bem entendesse, bem como fez com que a Maria, fosse seleccionada top model do ano. Para a Filipa foi também vantajoso, pois pôde pedir o Manuel em casamento e ele aceitar, fazendo assim com que a Carla passasse a ser amante do Manuel a tempo inteiro.
3- A Carla
3.1 – A Carla, a que extorquia dinheiro ao Manuel, já tinha utilizado a sua hipótese, quando fez uma plástica ao nariz, a qual correu muito mal.
4 – A Maria, é um elemento que o qual eu não quero determinar o seu trajecto de vida, perante este caso, pois teria de envolver mais de 5000 pessoas no texto. Incluindo ao taxista...
Ora bem, podemos fazer aqui um pequeno resumo da matéria dada.
Tendo em conta a frase: “Um bater de asas na China, pode provocar um tremor de terra nos EUA”. Verificamos que, qualquer facto que seja alterado, poderá ter repercussões tão elevadas, que podem ser catastróficas.
Imaginem que na candura das suas 10 primaveras, virgem e feia que nem um Charroco, a suposta futura mãe do Hitler tinha morrido num acidente macabro, envolvendo uma bigorna e um machado medieval, não tendo sobrado nada da pobre coitada... conseguem imaginar o mundo sem o Hitler? Pois é... Seria tudo completamente diferente e talvez, já não existisse humanidade.
Por isso meus amiguinhos, tenham cuidado e tomem bem atenção: “Mais vale uma pomba na mão que duas a voar.”
Ou seja - parem, escutem e vejam.
É um conselho do Ministério da Boa Disposição.
Sejam felizes de vez em quando, ou então quando o cão deixar.
Outro dia ia a caminho das compras e quando lá cheguei tinha-me esquecido da carteira. Pensei: vou usar agora mesmo a hipótese de voltar para trás na vida, numa determinada situação.
E usei. Fiquei todo contente e fiz as compras todas que podia e que não podia. Foi uma sensação por demais magnânima.
Quando voltava para casa, todo contente, atendi o telemóvel, era a minha mulher. Estava todo contente a explicar o que se tinha passado e no meio da grande excitação, não vi uma criança que passava na passadeira. Atropelei-a!
Agora que estou preso penso:
E se eu tivesse nascido dois minutos depois?
E pensei também se seria melhor continuar a dar-me com o Luís. Ele tem um ar um bocado estranho e já me tocou na pila duas vezes....
Estas e outras hipóteses fazem do nosso dia-a-dia uma mão cheia de decisões que de uma forma ou de outra podem influenciar os demais que nos rodeiam. A cada momento que passa, em fracções de segundo, podemos acabar com a vida de alguém, ou até mesmo começar novas vidas.
O que nos levará a pensar que nos podemos arrepender do que quer que seja?
É o facto de termos consciência.
Um cão não vai achar que devia ter tomado outra decisão, porque resolveu fazer uma valente cagada em casa, quando podia ter esperado mais uns minutos ou até mesmo ter chamado à atenção do dono, que estava muito aflito e já não podia mais.
Ora assim sendo, nós, os humanos, mais uma vez os eternos estúpidos, julgamos que podemos alterar o que quer que seja. E mais uma vez chegamos à conclusão que não há hipótese de o fazer. Se fosse possível, seria um caos, parecido com o que vivemos, mas desorganizado. Vejamos exemplos:
O Manuel foi ter com a Filipa, a sua actual namorada, mas antes encontrou a sua ex-namorada, de seu nome Maria, que lhe deu um beijo na boca, mas a Filipa apanhou-os a beijarem-se, isto porque a Filipa resolveu fazer-lhe uma surpresa. Ora bem, há aqui duas coisas. Imaginem que a Filipa ainda tinha a sua hipótese da vida e a ia utilizar, fazendo com que a Maria e ele não se cruzassem. Por seu lado, o Manuel, que também tinha a sua hipótese de vida, usava-a para que a sua amante, de seu nome Carla, o visse beijar a Maria, estando a Filipa, presente e fazendo esta última uma cena de ciúmes.
Vamos analisar pessoa por pessoa, primeiro sem alteração dos factos e depois com a alteração.
1- Manuel:
1.1 - Sem hipótese: O Manuel vai ter com a Filipa, mas a Maria, apanhou-o no meio do caminho, declarou-se de novo a ele, não lhe resistindo, acabando por beija-la.
A Filipa viu e deu um valente soco na Maria, fazendo com que a rapariga não fosse seleccionada para top model do ano.
1.2 – Com hipótese: O Manuel fez com que a Carla, sua amante e que andava a extorquir-lhe dinheiro, o visse a beijar a Maria e a Filipa fizesse uma cena de ciúmes. Este acontecimento fez com que tudo ficasse bem para o lado dele, no que dizia respeito a ele e à Carla, mas tudo mal com as outras duas, coisa que ele poderia resolver, não fosse a Maria ser top model e a Filipa lutadora de Tai condo.
2- Filipa:
2.1 – Sem hipótese: Ela apanhou o Manuel com a sua ex-namorada e deu-lhe um valente soco. Ela foi acusada de agressão à Maria, a qual foi parar ao hospital. Inevitavelmente acabou tudo com o Manuel.
2.1 – Com hipótese: A Filipa fez com que o Táxi onde viajava a Maria se atrasasse dois minutos, evitando que os dois se cruzassem. Assim, a Carla, tinha o caminho livre para puder continuar a extorquir o dinheiro que ela bem entendesse, bem como fez com que a Maria, fosse seleccionada top model do ano. Para a Filipa foi também vantajoso, pois pôde pedir o Manuel em casamento e ele aceitar, fazendo assim com que a Carla passasse a ser amante do Manuel a tempo inteiro.
3- A Carla
3.1 – A Carla, a que extorquia dinheiro ao Manuel, já tinha utilizado a sua hipótese, quando fez uma plástica ao nariz, a qual correu muito mal.
4 – A Maria, é um elemento que o qual eu não quero determinar o seu trajecto de vida, perante este caso, pois teria de envolver mais de 5000 pessoas no texto. Incluindo ao taxista...
Ora bem, podemos fazer aqui um pequeno resumo da matéria dada.
Tendo em conta a frase: “Um bater de asas na China, pode provocar um tremor de terra nos EUA”. Verificamos que, qualquer facto que seja alterado, poderá ter repercussões tão elevadas, que podem ser catastróficas.
Imaginem que na candura das suas 10 primaveras, virgem e feia que nem um Charroco, a suposta futura mãe do Hitler tinha morrido num acidente macabro, envolvendo uma bigorna e um machado medieval, não tendo sobrado nada da pobre coitada... conseguem imaginar o mundo sem o Hitler? Pois é... Seria tudo completamente diferente e talvez, já não existisse humanidade.
Por isso meus amiguinhos, tenham cuidado e tomem bem atenção: “Mais vale uma pomba na mão que duas a voar.”
Ou seja - parem, escutem e vejam.
É um conselho do Ministério da Boa Disposição.
Sejam felizes de vez em quando, ou então quando o cão deixar.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Doce Maria
Na caverna funda
Envolta na bruma
O teu manto repousa
Macio como uma raposa
Negro como a noite
Faz-me sofrer de tresnoite
Oiço o teu grito
Sempre aflito
Profundo e carregado de dor
Brutal e avassalador
Sobe as escadas
Penetra como espadas
Ecoa no palácio vazio
Ressoa no casario
À noite apareces
A tua tês escureces
Trazes a cruz
Velas e pus
Espalhas terror
Anseias por amor
Matas como amas
Assim cheia de ganas
És uma doce tentação
Trazes sangue na mão
E no final da matança
Expões a tua façanha
Bem no frio de noitinha
Vens sozinha
Escorrem pela tua face
Lágrimas de embace
O teu amor jaze morto
Ao teu lado está outro
Recolhes à tua campa
Vens manca
Uma seta trespassa a perna
Entras na caverna
Outra o coração
Mais uma na mão
Dormes o sono lento
Trazes o alimento
Vais dormir
Vais partir
Até lá
Mulher má!
Envolta na bruma
O teu manto repousa
Macio como uma raposa
Negro como a noite
Faz-me sofrer de tresnoite
Oiço o teu grito
Sempre aflito
Profundo e carregado de dor
Brutal e avassalador
Sobe as escadas
Penetra como espadas
Ecoa no palácio vazio
Ressoa no casario
À noite apareces
A tua tês escureces
Trazes a cruz
Velas e pus
Espalhas terror
Anseias por amor
Matas como amas
Assim cheia de ganas
És uma doce tentação
Trazes sangue na mão
E no final da matança
Expões a tua façanha
Bem no frio de noitinha
Vens sozinha
Escorrem pela tua face
Lágrimas de embace
O teu amor jaze morto
Ao teu lado está outro
Recolhes à tua campa
Vens manca
Uma seta trespassa a perna
Entras na caverna
Outra o coração
Mais uma na mão
Dormes o sono lento
Trazes o alimento
Vais dormir
Vais partir
Até lá
Mulher má!
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Resultados
Resultados dos dois Quizs:
1- ETERNO ANALFABRUTO
O cancioneiro é Tony Carreira.
O titulo original da música é: ETERNO VAGABUNDO!
Eterno Vagabundo
Tony Carreira
Já pensei em parar de correr e acalmar mas não deu
Está em mim querer o mundo, sou um eterno vagabundo
Assim sou eu
REFRÃO:
Sou, sou como sou
Nada mudou, nem vai mudar
Sou, sou como sou
Onde não estou eu quero estar
As paixões para mim quase nunca têm fim nem adeus
No amor sou assim, nunca se cansam de mim
Assim sou eu
REFRÃO
Já pensei ter mulher, ter um lar a condizer, mas não deu
Porque o meu coração é vagabundo até mais não
Assim sou eu
REFRÃO
2- Quando as letras são realmente boas, mesmo traduzidas!
A letra original é dos Bauhaus e a música é tem por título: Crowds
Crowds - Bauhaus
What do you want of me
What do you long from me
A slim Pixie, thin and forlorn
A count, white and drawn
What do you make of me
What can you take from me
Pallid landscapes off my frown
Let me rip you up and down
For you I came to forsake
Lay wide despise and hate
I sing of you in my demented songs
For you and your stimulations
Take what you can of me
Rip what you can off me
And this I'll say to you
And hope that it gets through
You worthless bitch
You fickle shit
You will spit on me
You will make me spit
And when the Judas howl arise
And like the Jesus Jews you epitomize
I'll still be here as strong as you
And I'll walk away in spite of you
And I'll walk away
Away
Walk away
-------------------------------------------------------------------------------------
Não há vencedores.
1- ETERNO ANALFABRUTO
O cancioneiro é Tony Carreira.
O titulo original da música é: ETERNO VAGABUNDO!
Eterno Vagabundo
Tony Carreira
Já pensei em parar de correr e acalmar mas não deu
Está em mim querer o mundo, sou um eterno vagabundo
Assim sou eu
REFRÃO:
Sou, sou como sou
Nada mudou, nem vai mudar
Sou, sou como sou
Onde não estou eu quero estar
As paixões para mim quase nunca têm fim nem adeus
No amor sou assim, nunca se cansam de mim
Assim sou eu
REFRÃO
Já pensei ter mulher, ter um lar a condizer, mas não deu
Porque o meu coração é vagabundo até mais não
Assim sou eu
REFRÃO
2- Quando as letras são realmente boas, mesmo traduzidas!
A letra original é dos Bauhaus e a música é tem por título: Crowds
Crowds - Bauhaus
What do you want of me
What do you long from me
A slim Pixie, thin and forlorn
A count, white and drawn
What do you make of me
What can you take from me
Pallid landscapes off my frown
Let me rip you up and down
For you I came to forsake
Lay wide despise and hate
I sing of you in my demented songs
For you and your stimulations
Take what you can of me
Rip what you can off me
And this I'll say to you
And hope that it gets through
You worthless bitch
You fickle shit
You will spit on me
You will make me spit
And when the Judas howl arise
And like the Jesus Jews you epitomize
I'll still be here as strong as you
And I'll walk away in spite of you
And I'll walk away
Away
Walk away
-------------------------------------------------------------------------------------
Não há vencedores.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Quando as letras são realmente boas, mesmo traduzidas!
Quiz 2!
De quem é esta letra?
"O que queres de mim?
O que esperas de mim?
Um esbelto Pixie, magro e desolado
Uma contagem, branca e desenhando
O que fazes de mim?
O que podes tirar de mim?
Pálidas paisagens do meu franzir de sobrancelhas
Deixa-me rasgar-te de cima a baixo
Por ti eu vim para esquecer
Colocar amplamente desprezo e ódio
Eu canto sobre ti nas minhas músicas doidas
Para ti e para as tuas simulações
Tira o que puderes de mim
Rasgue o que puderes fora de mim
E eu vou dizer isso para ti
E espero que isso se complete
Sua vadia imprestável
Sua inconstante merda
Vais cuspir em mim
E vais-me fazer cuspir
E quando o uivar de Judas surgir
E como os judeus de Jesus vais resumir
Eu continuarei aqui tão forte quanto você
E irei embora a despeito de você
E irei embora
Embora
Irei embora"
Boa sorte!
De quem é esta letra?
"O que queres de mim?
O que esperas de mim?
Um esbelto Pixie, magro e desolado
Uma contagem, branca e desenhando
O que fazes de mim?
O que podes tirar de mim?
Pálidas paisagens do meu franzir de sobrancelhas
Deixa-me rasgar-te de cima a baixo
Por ti eu vim para esquecer
Colocar amplamente desprezo e ódio
Eu canto sobre ti nas minhas músicas doidas
Para ti e para as tuas simulações
Tira o que puderes de mim
Rasgue o que puderes fora de mim
E eu vou dizer isso para ti
E espero que isso se complete
Sua vadia imprestável
Sua inconstante merda
Vais cuspir em mim
E vais-me fazer cuspir
E quando o uivar de Judas surgir
E como os judeus de Jesus vais resumir
Eu continuarei aqui tão forte quanto você
E irei embora a despeito de você
E irei embora
Embora
Irei embora"
Boa sorte!
ETERNO ANALFABRUTO
Quiz 1!
Finalmente chega a este bolg uma lufada de ar fresco vindo dos paises onde não se pode andar de manga curta.
Descobre o cancioneiro.
Esta letra está alterada e a original pretence a um dos cantores mais conhecidos da nossa praça.
De quem é a letra original?
"Já pensei em pensar de correr e cagar mas não deu
Está em mim querer o chuto, sou um eterno analfabruto
Assim sou eu
REFRÃO:
Sou, sou, sou, sou, gago eu sou
Nada mudou, nem vai mudar
Sou, sou, sou , sou gago eu sou
Onde não vou, eu quero estar
Os cagalhões para mim quase nunca têm fim nem adeus
No cagar sou assim, nunca se cansam de mim
Assim sou eu
REFRÃO
Já pensei ter mulher, ter um lar e dizer: esse sofá é meu!
Porque o meu coração é analfabruto até mais não
Assim sou eu
REFRÃO"
Todos os que acertarem, serão premiados com um presente surpresa.
Boa sorte!
Participem!
Finalmente chega a este bolg uma lufada de ar fresco vindo dos paises onde não se pode andar de manga curta.
Descobre o cancioneiro.
Esta letra está alterada e a original pretence a um dos cantores mais conhecidos da nossa praça.
De quem é a letra original?
"Já pensei em pensar de correr e cagar mas não deu
Está em mim querer o chuto, sou um eterno analfabruto
Assim sou eu
REFRÃO:
Sou, sou, sou, sou, gago eu sou
Nada mudou, nem vai mudar
Sou, sou, sou , sou gago eu sou
Onde não vou, eu quero estar
Os cagalhões para mim quase nunca têm fim nem adeus
No cagar sou assim, nunca se cansam de mim
Assim sou eu
REFRÃO
Já pensei ter mulher, ter um lar e dizer: esse sofá é meu!
Porque o meu coração é analfabruto até mais não
Assim sou eu
REFRÃO"
Todos os que acertarem, serão premiados com um presente surpresa.
Boa sorte!
Participem!
terça-feira, 22 de abril de 2008
Espasmos 12
A incrível grelha era de ferro, fundido pelo sol abrasador das três para as três, e tinha duas cavilhas que podiam ser cortadas, mas por razões que nos escapam, ficaram assim durante anos, acumulando ferrugem em grandes quantidades, tal como a erva, que também crescia rapidamente por entre os tijolos de areia, frágeis, e moles como se fossem areia movediça. O Cristo que fazia tricot, era um Cristo grande como a merda, tinha um grande sinal na ponta do nariz, mais parecia uma verruga nojenta que um sinal mal acabado, mas no entanto não era, era uma pitada de merda que tinha caído do céu.
Mete uma coisa na cabeça, se eu quero abrir a lata de atum, nem que a tenha de abrir com os dentes da tua tia-avó. Ela vai ter de abrir, nem que seja hoje, ou amanhã pela fresquinha, vai ter de ser e o que tem de ser tem muita força! Assim força de leão de dentes estragados pelo tempo frio e seco, que nos torna maduros e sem ponta por onde se lhe pegue. São estas folhas que escrevo durante um ataque de velhos ex-combatentes ex-soviéticos de barbas esbranquiçadas, que metem tudo dentro de sacos azuis, que fogem cegos, cheios de malícia e com muito perícia escondem-se dentro de carros cheios de prostitutas do sul da Zimbabué. É uma verdadeira corrida aos preços fortes como o aço, que penetra devagar nas coisas suaves e moles e nos faz transpirar com o calor cheio de gosma e infelicidade por serem todos do mesmo grupo de sangue.
Era uma casa que nem o meu próprio pai gostava de estar, e por mais que houvesse tempo para estar junto com quer que fosse, havia sempre algo que não nos conseguia manter juntos. Estar juntos e próximo era praticamente impossível, era como dois ímanes que se repulsam, de pólos opostos, neste caso, vários. O jantar na mesma mesa era impossível, teria de haver pelo menos dois a três metros de distância entra cada elemento da família. O mais caricato é que eram muito unidos, não conseguiam fazer nada uns sem os outros. Tem famílias que passam dias sem se ver, mas estes não, mantinham-se sempre em grupo. Ir ao cinema era quase impossível, pois ou teriam de ver um filme que tivesse a sala quase vazia, ou então comprar bilhetes para uma sessão normal, teriam de comprar quase dois meses antes. Só havia uma forma de andar de carro. Tiveram de comprar um autocarro suficientemente grande para que todos os elementos da família se pudessem manter com a tal distância. Só havia uma forma de todos estarem próximos. Andando nus. E assim todos quando podiam ficavam nus, mesmo que isso implicasse valentes gripes e faltas de respeito. O desejo de se manterem unidos era muito e assim superior aos problemas de estarem doentes ou incestuosos.
Mete uma coisa na cabeça, se eu quero abrir a lata de atum, nem que a tenha de abrir com os dentes da tua tia-avó. Ela vai ter de abrir, nem que seja hoje, ou amanhã pela fresquinha, vai ter de ser e o que tem de ser tem muita força! Assim força de leão de dentes estragados pelo tempo frio e seco, que nos torna maduros e sem ponta por onde se lhe pegue. São estas folhas que escrevo durante um ataque de velhos ex-combatentes ex-soviéticos de barbas esbranquiçadas, que metem tudo dentro de sacos azuis, que fogem cegos, cheios de malícia e com muito perícia escondem-se dentro de carros cheios de prostitutas do sul da Zimbabué. É uma verdadeira corrida aos preços fortes como o aço, que penetra devagar nas coisas suaves e moles e nos faz transpirar com o calor cheio de gosma e infelicidade por serem todos do mesmo grupo de sangue.
Era uma casa que nem o meu próprio pai gostava de estar, e por mais que houvesse tempo para estar junto com quer que fosse, havia sempre algo que não nos conseguia manter juntos. Estar juntos e próximo era praticamente impossível, era como dois ímanes que se repulsam, de pólos opostos, neste caso, vários. O jantar na mesma mesa era impossível, teria de haver pelo menos dois a três metros de distância entra cada elemento da família. O mais caricato é que eram muito unidos, não conseguiam fazer nada uns sem os outros. Tem famílias que passam dias sem se ver, mas estes não, mantinham-se sempre em grupo. Ir ao cinema era quase impossível, pois ou teriam de ver um filme que tivesse a sala quase vazia, ou então comprar bilhetes para uma sessão normal, teriam de comprar quase dois meses antes. Só havia uma forma de andar de carro. Tiveram de comprar um autocarro suficientemente grande para que todos os elementos da família se pudessem manter com a tal distância. Só havia uma forma de todos estarem próximos. Andando nus. E assim todos quando podiam ficavam nus, mesmo que isso implicasse valentes gripes e faltas de respeito. O desejo de se manterem unidos era muito e assim superior aos problemas de estarem doentes ou incestuosos.
quinta-feira, 13 de março de 2008
De mim, para ti.
O som dos teus lábios nos meus olhos, enche de alegria a alma, ferida, profundo, que se enche de esperança de voltar a sorrir. Sem mentir e sempre cheias de verdade, as conversas, que transbordam fúteis e maduras.
Não se sabe o que o dia trará, saber-se-á que virá devagar. Se trouxer ventos frios e desagradáveis, que nos abalam e mexem com os alicerces, com as fundações, dos edifícios mais altos, que por serem altos, necessitam de estabilidade e não de ventania descontrolada, que os abane à toa e lhes provoquem receio.
Alegre fúria de viver e ser vivido com felicidade, sem amargura, consumindo cada segundo como se fosse o último, mas sem dor e com profunda vontade de ter tudo de uma forma tranquila, como se não tivesse que ser, mas sim, que fizesse parte de ambos, como que naturalmente tudo flúi, havendo uma ligação intemporal, estrondosa, doce, meiga e feliz.
Ai amarga vontade de partir, de sair! Ai doce vontade de estar e ficar!
Como é bom sorrir para o sol dos teus olhos e sentir que tudo vai bem, mesmo quando infundados medos de complicações naturais, rondam como abutres a calma das almas.
Gozar pequenos momentos, todos juntos, em sopros de vida vivida de uma forma intensa e quente, mas ao mesmo tempo sem soluços, nem engasgos, como que fossem sempre acompanhadas pelo doce mel que envolve os momentos e os torna suaves.
Não se sabe o que o dia trará, saber-se-á que virá devagar. Se trouxer ventos frios e desagradáveis, que nos abalam e mexem com os alicerces, com as fundações, dos edifícios mais altos, que por serem altos, necessitam de estabilidade e não de ventania descontrolada, que os abane à toa e lhes provoquem receio.
Alegre fúria de viver e ser vivido com felicidade, sem amargura, consumindo cada segundo como se fosse o último, mas sem dor e com profunda vontade de ter tudo de uma forma tranquila, como se não tivesse que ser, mas sim, que fizesse parte de ambos, como que naturalmente tudo flúi, havendo uma ligação intemporal, estrondosa, doce, meiga e feliz.
Ai amarga vontade de partir, de sair! Ai doce vontade de estar e ficar!
Como é bom sorrir para o sol dos teus olhos e sentir que tudo vai bem, mesmo quando infundados medos de complicações naturais, rondam como abutres a calma das almas.
Gozar pequenos momentos, todos juntos, em sopros de vida vivida de uma forma intensa e quente, mas ao mesmo tempo sem soluços, nem engasgos, como que fossem sempre acompanhadas pelo doce mel que envolve os momentos e os torna suaves.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Uma história muito triste.
Era uma vez uma Dona que tinha uma filha que era muito jovem, mesmo para a idade dela. Andavam sempre juntas, mesmo que isso fosse desagradável para ambas.
Um dia quando tudo indicava que iam ser muito felizes e para sempre, apareceu a Fada Madrinha e disse:
- Pede dois desejos puta!
- Hã?
- Foda-se! És surda?! Não tenho o dia todo pá!
- Que indelicada! Que atrevida!
- Olha lá oh minha grande vaca, pensas que estou aqui porque quero? Achas que eu gosto de estar a aturar pessoas que não têm onde cair mortas e que se agarram à merda de desejos que lhes são pedidos, em vez de serem desejados, ou feitos por vós?
- Que estúpida que a Fada é! – disse para a filha muito jovem.
- Pá! Tenho dias, mas sim, hoje apanhaste-me num dia muito mau e por isso vê se te despachas, OK?!
- Se assim for eu não peço nada! Bruta!
- Ouve lá, mas pensas que estás a falar com quem? Hã?! Eu sou a Fada Madrinha e estou-te a dar uma ordem! Pede a merda dos desejos e JÁ!
- Não vou pedir... já disse que não. Só os peço quando a Fada se dirigir a mim como Fada, não como está a fazer.
- Chavala, anda! Pede! JÁ! A minha paciência tem limites, não abuses!
- Ai que Fada tão mazinha!
- Minha filha, é a vida... agora desembucha!
- Já disse que não vou pedir!
- Vá anda lá...
- Não!
- Tens mesmo de pedir e depois tens de assinar aqui o papel da deslocação, ok?
- Como? Não entendi....
- É como te digo, pede, assina e eu bazo!
- Que modos tão grosseiros para uma Fada.
- São os meus modos, azar!
- Vá-se embora! Não queremos nada consigo! Xô!
- A mim ninguém me enxota! Tu vê lá com quem te metes mulher! Eu tenho poderes muito fortes.
- E eu com isso... não se esqueça que eu tenho dois desejos e eu tenho mais poder que a Fada. Eu posso manda-la para o quinto dos infernos com um só desejo.
- Não eras capaz... e tens dois desejos, por isso se pedires esse desejo primeiro, não puderás pedir o segundo! AHAHAHA!
- Minha querida Fada Madrinha, afinal quero pedir os desejos.
- Finalmente! Já não era sem tempo... Muito bem, venham lá eles.
- Ora cá vão eles: 1º - Quero 150 mil milhões de euros aqui e agora.
- Eu sabia... que fútil... ok. Aqui tens! Zapp! – Num gesto displicente com a varinha, apareceu o dinheiro.
- BEM! QUE LINDO! Pensei que estava a brincar... nunca acreditei que fosse mesmo uma Fada....
- É incrível como és tão burra e estúpida! Claro que sou, se disse que era é por sou, não é?! Oh burra!
- Outra vez essa conversa?! Ainda tenho outro desejo?
- Sim... claro! Porra! És mesmo estúpida.... e surda!
- Muito bem.... 2º - Quero que vás para o quinto dos infernos!
- AHAHAH! Minha amiga, onde pensas que estás??? AHAHAHAHAH!!!
E no meio das gargalhadas maléficas da Fada Madrinha, os gritos lancinantes da mãe e da filha muito jovem...
Moral da história: Desejes o que desejares, nunca o faças com a barriga vazia.
Um dia quando tudo indicava que iam ser muito felizes e para sempre, apareceu a Fada Madrinha e disse:
- Pede dois desejos puta!
- Hã?
- Foda-se! És surda?! Não tenho o dia todo pá!
- Que indelicada! Que atrevida!
- Olha lá oh minha grande vaca, pensas que estou aqui porque quero? Achas que eu gosto de estar a aturar pessoas que não têm onde cair mortas e que se agarram à merda de desejos que lhes são pedidos, em vez de serem desejados, ou feitos por vós?
- Que estúpida que a Fada é! – disse para a filha muito jovem.
- Pá! Tenho dias, mas sim, hoje apanhaste-me num dia muito mau e por isso vê se te despachas, OK?!
- Se assim for eu não peço nada! Bruta!
- Ouve lá, mas pensas que estás a falar com quem? Hã?! Eu sou a Fada Madrinha e estou-te a dar uma ordem! Pede a merda dos desejos e JÁ!
- Não vou pedir... já disse que não. Só os peço quando a Fada se dirigir a mim como Fada, não como está a fazer.
- Chavala, anda! Pede! JÁ! A minha paciência tem limites, não abuses!
- Ai que Fada tão mazinha!
- Minha filha, é a vida... agora desembucha!
- Já disse que não vou pedir!
- Vá anda lá...
- Não!
- Tens mesmo de pedir e depois tens de assinar aqui o papel da deslocação, ok?
- Como? Não entendi....
- É como te digo, pede, assina e eu bazo!
- Que modos tão grosseiros para uma Fada.
- São os meus modos, azar!
- Vá-se embora! Não queremos nada consigo! Xô!
- A mim ninguém me enxota! Tu vê lá com quem te metes mulher! Eu tenho poderes muito fortes.
- E eu com isso... não se esqueça que eu tenho dois desejos e eu tenho mais poder que a Fada. Eu posso manda-la para o quinto dos infernos com um só desejo.
- Não eras capaz... e tens dois desejos, por isso se pedires esse desejo primeiro, não puderás pedir o segundo! AHAHAHA!
- Minha querida Fada Madrinha, afinal quero pedir os desejos.
- Finalmente! Já não era sem tempo... Muito bem, venham lá eles.
- Ora cá vão eles: 1º - Quero 150 mil milhões de euros aqui e agora.
- Eu sabia... que fútil... ok. Aqui tens! Zapp! – Num gesto displicente com a varinha, apareceu o dinheiro.
- BEM! QUE LINDO! Pensei que estava a brincar... nunca acreditei que fosse mesmo uma Fada....
- É incrível como és tão burra e estúpida! Claro que sou, se disse que era é por sou, não é?! Oh burra!
- Outra vez essa conversa?! Ainda tenho outro desejo?
- Sim... claro! Porra! És mesmo estúpida.... e surda!
- Muito bem.... 2º - Quero que vás para o quinto dos infernos!
- AHAHAH! Minha amiga, onde pensas que estás??? AHAHAHAHAH!!!
E no meio das gargalhadas maléficas da Fada Madrinha, os gritos lancinantes da mãe e da filha muito jovem...
Moral da história: Desejes o que desejares, nunca o faças com a barriga vazia.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Espasmos 45
Fingi que não podia ser o que tu pensas, sendo o que tu pensas o que podia ser, ou não ser. Se fosse seria, no entanto e assim mais uma vez, deixo aqui escrito neste pedaço de papel parvo, algo que poderás julgar como um desabafo, mas não é. É bem mais que isso, é o expoente máximo de todo o meu ser, ou não ser, pois quem pensa assim calcula-se que seja um perfeito anormal.
Como eu sempre digo, vejamos:
Eu e tu, numa piscina sem fundo. A tua irmã e eu no meio do seu quarto, escuro.
Vêem? É por demais uma questão de ser ou não ser. Nada nem ninguém sabe muito bem o como se deve proceder para dizer mal, ou de uma forma errada proferir O mal, ou até mesmo desdenhar. Mais de resto, são todos anormais, que julgam saber o que cá fazem, mas no fundo da piscina sem fundo, não sabem, nem julgam que ser, é mesmo O ser.
As palavras saltam todas numa poça de sangue grelhado.
Como eu sempre digo, vejamos:
Eu e tu, numa piscina sem fundo. A tua irmã e eu no meio do seu quarto, escuro.
Vêem? É por demais uma questão de ser ou não ser. Nada nem ninguém sabe muito bem o como se deve proceder para dizer mal, ou de uma forma errada proferir O mal, ou até mesmo desdenhar. Mais de resto, são todos anormais, que julgam saber o que cá fazem, mas no fundo da piscina sem fundo, não sabem, nem julgam que ser, é mesmo O ser.
As palavras saltam todas numa poça de sangue grelhado.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Dores de dentes
Missiva aberta a cada passagem de nível que o outro faz ver não entende porque pode ir fazer sorrir o passeio de dor amarela, de vertigem agreste e enrugada.
É de facto um processo definitivo introspectivo que é endogénico, é magnifico, no entanto extra passado dos cornos com a variável elevação dos grifos invertidos pelo frio gelado que vem dos cantos dos olhos do búfalo amigo, o povo está no mar a lutar pela vida dos que andam a coçar o rabo do macaco que anda sempre em pé de salsaparrilha que cura os bons dias para si e para o meu cunhado de fresco na madeira crua, dura.
Salvo raros dias em delírio equilibrado pelo vento forte da rua de cima que vinha de todos os lados de Almeida, a aldeia mais íngreme, do país mais chato como a putaça da tia deles os outros, os mesmos que vêm aos pares que cantam juntos unidos pelo umbigo frouxo, laço, largo, imenso e que nada consegue reter, nem o suor que vem do peito de pato assado no forno da minha alma castanha de Espanha e Portugal que não está nada mal esse grande anormal, o Pai Natal.
Vamos ser honestos; o meu grande amigo Filipe Mendes é magro. Se fosse menos, seria uma boa pessoa, assim não mete o dedo onde não é chamado, nem que seja o dedo mais fininho do mundo! O sacana!
A verdade é verdadeira; ao nascer do dia todos nós sabemos que é de dia.
Siga a vida e vá abrir a porta à morte. Ela é muito elegante mas não lava bem os dentes. É uma porquinha.
Ai! Ai!
The end...
É de facto um processo definitivo introspectivo que é endogénico, é magnifico, no entanto extra passado dos cornos com a variável elevação dos grifos invertidos pelo frio gelado que vem dos cantos dos olhos do búfalo amigo, o povo está no mar a lutar pela vida dos que andam a coçar o rabo do macaco que anda sempre em pé de salsaparrilha que cura os bons dias para si e para o meu cunhado de fresco na madeira crua, dura.
Salvo raros dias em delírio equilibrado pelo vento forte da rua de cima que vinha de todos os lados de Almeida, a aldeia mais íngreme, do país mais chato como a putaça da tia deles os outros, os mesmos que vêm aos pares que cantam juntos unidos pelo umbigo frouxo, laço, largo, imenso e que nada consegue reter, nem o suor que vem do peito de pato assado no forno da minha alma castanha de Espanha e Portugal que não está nada mal esse grande anormal, o Pai Natal.
Vamos ser honestos; o meu grande amigo Filipe Mendes é magro. Se fosse menos, seria uma boa pessoa, assim não mete o dedo onde não é chamado, nem que seja o dedo mais fininho do mundo! O sacana!
A verdade é verdadeira; ao nascer do dia todos nós sabemos que é de dia.
Siga a vida e vá abrir a porta à morte. Ela é muito elegante mas não lava bem os dentes. É uma porquinha.
Ai! Ai!
The end...
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
A história da vida dele
São duas da tarde, estou entediado no quarto triangular. Pensei em tomar uma decisão que iria fazer o meu dia muito mais interessante, mas não a consigo entender. Fui ver se tinha mensagens, não tinha. Isso despoletou uma tremenda dor de cabeça que me fez entender qual a decisão a tomar. Vou ter com a minha amiga Amália. Adoro estar com ela dentro do meu quarto. Sabia que o tráfego de prédios a esta hora era monstruoso e depois do novo sistema de ultra elevação ter-se avariado a semana passada, tudo estaria ainda pior.
Dei uma espreitadela no trânsito. Havia um acidente na prédio-estrada P4. Colisão de um prédio, com semi-casas de 35 andares, contra uma minúscula casa térrea. Seriam cerca de duas horas de caminho. Mas não iria conseguir estar ali em casa por muito mais tempo. Programei sono forçado para duas horas, comuniquei o meu destino e logo de imediato caí no sono.
O sistema de ultra elevação é do mais evoluído de todos, está implementado em duas dúzias de capitais de distrito em todo o país. Neste caso, e porque a cidade é a mais antiga do país, o sistema foi alterado, tendo sofrido graves convulsões de instalação, como por exemplo o facto de não se conseguir estar por mais de três horas dentro do buracadeiro de pilares, visto que o ar na parte inferior da cidade é mortal. Já há muito que só vivem ser vivos nas plataformas superiores. A plataforma quinze é a mais cara. As maqualteradas, são as únicas coisas que vivem no piso ao nível do “solo”. São alimentadas por dejectos vindos das plataformas superiores.
O sistema que tinha custado quatro mil milhões de toneladas de milho roxo, estava agora parado e não havia grande esperança de o voltar a colocar em bom funcionamento. Este sistema permitia que uma casa, dentro de um edifício, fosse separada em várias divisões podendo assim haver maior circulação nos corredores mais estreitos. Assim, com essa separação, todo o tráfego fazia-se bem melhor. Casas, prédios, semi-prédios, etc., poderiam circular de uma forma dividida por todos os itinerários alternativos. Nos primórdios já tinha havido um grande avanço com a separação da casa do edifício, havendo assim uma mobilidade muito maior e também a construção de edifícios maiores e mais altos.
Cheguei à hora programada. A manga deslizou e acostou na porta da Amália. Ainda demorou alguns segundos a abrir a porta, mas por fim deu o ar da sua graça lá do alto do seu metro a trinta. Disse olá e acenou com a mão. Deslizei pela passadeira da manga até à porta. A manga dela era bem mais agradável que a minha. Tinha projecções de explosões lindas! Uma das minhas favoritas era da explosão da torre Eiffel, em 2084, por um grupo de atrasados mentais que julgavam que o monumento fazia parte duma das antenas de comunicação do planeta KU75W da constelação Adrega. A explosão é linda! É hoje o símbolo da nova nação para a construção dum novo país no subsolo. Anolanda. Nunca lá fui, mas a Amália tinha lá muitos amigos cheios de cicatrizes na nuca. Era sinal que bebiam muito sumo de alperce, muito apreciado naquela terra. Os concentrados de alperce, em conjunção com os vapores libertados pelo subsolo, são inebriantes e funcionam como uma droga alcalina.
Mal entrei na casa senti o cheiro típico de refogado de morsa. O cheiro é nauseabundo, mas pouco intenso. As morsas, desde a sua quase extinção, passaram a ser cultivadas em cativeiro e é uma das dietas mais utilizadas pelas pessoas que se movem pouco, ou seja, as pessoas que têm pernas com quinze centímetros. São oriundas da zona centro/sul do ex-continente Europa. Eu adorava morsa na brasa e ela sabia.
Desde que foi implementado o serviço de quero-ir-e-não-preciso-dizer-se-posso-so-tenho-de-dizer-que-vou, que todos nós sabíamos quem lá vinha, como vinha e quando, podendo recusar também a visita, fazendo com que o requisitante ficasse com vontade de evacuar muito. Um serviço quase gratuito. Por apenas duas beterrabas e meia por mês, tinha-se este serviço.
Hiper desloquei-me até ao local de lavagens. Hoje não sei porque, estava com menos radiação que o costume, mas mesmo assim pedi a lavagem Zing. Logo de seguida em hiper deslocação, fiz-me chegar à sala das calorias e ingeri o que podia e mais gostava.
O tipo de alimentação utilizado nestes centros sociais era todo à base de comida falsa. Toda a comida era processada com a finalidade de não provocar qualquer tipo de risco para a saúde das pessoas com quem se estava. Este tipo de sistema fez com que nada nem ninguém pudesse comer sozinho, mesmo pessoas que nunca tenham trocado fluidos.
A alta radiação fazia com que todo o tipo de conversa na rua, fosse feita só dentro de pequenos círculos que flutuavam por toda a cidade. Abrir a boca no exterior, ou a caminho seja de onde fosse, seria um desastre territorial imenso. Assim, os vários níveis de lavagem eram determinantes para o bom funcionamento das regras de sobrevivência. Desde a Alça, passado pelo Zing e a mais potente, a Frust, tornavam todo o corpo mais saudável e com menos probabilidades de apodrecer.
Passados quarenta e três minutos, tempo calculado para a minha refeição, efectuei algo que já tinha saudades. Vomitei, coloquei tudo no misturador de moléculas e fiz o meu gato. Comi-o com o sorriso nos lábios. Ainda levei uma penalização, por não ter informado que iria tomar aquele tipo de atitude e assim demorei mais tempo do que se tinha calculado. Odeio ser penalizado! Desta vez custou-me uma pêra podre, muito apreciada na casa dos Almeida.
Após ter engolido o resto do meu gato-alimentar, masturbei-me, penetrei na Amália, arrotei e por fim bebi água azul. Estava satisfeito. Falei mais uns quatro minutos e um quarto com a minha querida Amália e voltei para o meu bairro. Tinham reparado o sistema de elevação, mas azarento como sou, como tinha trazido a casa, não pude utilizar o sistema. Ainda para mais neste momento não é necessário despender qualquer tipo pagamento. Estas borlas eram atribuídas porque os sistemas tinham sido implementados há pouco tempo, não havendo assim responsabilidade de qualquer tipo de acidente. Mais uma hora e três minutos e estava de novo em casa.
Mal cheguei a casa dormi mais dez horas e fui para o trabalho.
No dia seguinte reparei que podia muito bem ir a pé, pois ainda tinha uns créditos extra que consegui na lotaria do segundo dia do mês trinta e quatro. Fiz-me ao caminho, a longa caminhada de sete minutos seria extenuante e estonteante. Procurei ir o mais rápido possível, para que a fraqueza não me atacasse e ficasse a meio caminho. Passados quatro minutos encontrei-me com a minha amiga Amália. Fiquei estupefacto, pois como poderia ser possível estarmos ali os dois a caminhar a pé? A Amália não caminhava há pelo menos dois séculos e eu ia pelo mesmo caminho. Só poderia ter um significado este encontro: sexo. Fizemos durante treze dias. No final estávamos com muita fome, pois não tínhamos comido nada, nem nos tínhamos lavado. Os nossos corpos estavam a atingir a o cheiro morsa e a putrefacção era esquivamente a três anos a conviver com gentes do norte.
“Quem quer que vivesse debaixo de uma certa influência paranóica teria de fazer todo os dias umas valentes bolas de ranho e distribuir por todo a província montado em camelos alados, armado de varapaus até ao olhos” Nota tirada do manual do bom homem do norte quente. Este tipo de sujeitos eram os habitantes do norte do pais, dai a comparação estes e os habitantes de cada região. Já os habitantes do sul eram mais estranhos e usavam coisas na cabeça para se tornarem mais influentes nas padarias de pão cru. Altamente complexos, por serem todos amigos do inimigo, era muito complicado ter qualquer tipo de conversa permanente, durante mais de quinze minutos. Ex: Eu sou o primeiro a ter que inventar algo para não estar a pensar o que podem fazer por mim. Que achas disto amigo (inimigo)?
Por este exemplo podem ver como é complexa a forma de agir destas gentes. Só uma das cidades do sul detinha condições para a realização de desporto, de qualquer forma possível e imaginária.
Após o grande deserto de sexo passado com a minha amiga Amália, passei mais três minutos a pé e fui trabalhar.
O meu trabalho era muito parecido com o que todos faziam na bimetropole. Este grande centro de pessoas que nada faziam e tudo queriam ter, desenvolviam trabalhos altamente avançados, tão avançados que nem os próprios sabiam o que faziam. No entanto era de tal forma avançado que o trabalho aparecia feito. E porquê? Fácil! Há sempre meia dúzia de indivíduos, que normalmente são atarracados, que desenvolvem trabalhos altamente qualificados e que produzem tudo. Os outros, nem sequer mandavam em nada, não tinham chefes, eram pura e simplesmente parasitas. Eu fazia parte das pessoas parasitas. Era muito bom.
Naquele dia e por uma razão verdadeiramente simpática, tinha quatro garrafas de Grinfos. Bebida muito utilizada para a cura das borbulhas nos pés, era também um grande inibidor de pulgas nos sovacos. Sentei-me, mexi nos papeis e fui-me embora. Estava cansado. Passados três dias e meio viria para mexer em mais meia dúzia de papéis. Levei as garrafitas e fui-me embora.
No dia seguinte entrei de férias. Estava tudo combinado, iria de férias para morrer. Já tinha lá estado uns três ou quatro mês, não me recordo bem. O problema destas férias é o facto de nunca se saber ao certo quanto tempo se vai lá ficar. Era muito divertido! Durante o tempo que lá estamos podemos fazer coisas incríveis. Não vou dizer pois tenho vergonha.
A minha vizinha era muito amiga da outra, que morava no prédio ao lado e passava os dias a deslocar-se pela manga. Eu que estava sempre atento, uma das vezes consegui uma boleia na manga dela e conheci a amiga. Ambas bateram-me como era de esperar. Convidei ambas para um mês de morte. Só a mais alta acedeu ao meu pedido. A outra quis lá ficar mais tempo, mas eu não podia, pois tinha usado todos os meus caramelos de verdemã, que eram necessários para passar mais dias em morte. Desta vez ia ser de arromba, tinha juntado cerca de dezassete caramelos, estava cheio de sorte e muito feliz, ainda para mais ia com duas amigas que não gostam de sexo encaracolado.
Em tempo de paz todo o povo da Ingrícia, província alagada pelos grandes degelos do aquecimento provocado pelas lareiras iónicas, passavam muito tempo em suspensão e em largos campos de férias. O ar era rarefeito e pouco se podia fazer, já a temperatura era tão inferior a zero, que nem se conseguia contar. As pessoas passavam longas horas deitadas umas com as outras e rebolavam muito, faziam muitas cócegas nas palmas das mãos com penas de abutre verde. Era muito divertido.
Em duas ou três ocasiões do ano, os grandes senhores das terras inférteis, juntavam-se todos em casa do grande Director Supremo e falavam, congeminavam, palravam, emborcavam e suspiravam muito também. Nestas reuniões, para além do que já foi dito, também eram decididos quais os caminhos da nação. Sendo estes senhores os responsáveis máximos do poder mais alto das coisas que não interessam, podiam tomar qualquer de decisão que teria de passar por toda a burocracia possível e imaginária, demorando mais tempo que cada um deles pudesse viver. Assim, as decisões eram tomadas à mesma, mas as realmente importantes, eram tomadas de repente e pela senhora que faz arquivo. Esta informação era ultra secreta. Só duas pessoas sabiam; a mãe, que já tinha padecido e a avó, que não sabia se estava viva, ou não. Altas decisões eram tomadas do alto daquele edifício, no último andar, enquanto arquivava coisas sem nexo.
Voltei de férias e não sabia como pegar no trabalho, por isso não fui ver os novos horários e fiz os antigos. Fui logo colocado em sítios que ninguém queria ficar. Aí sim, trabalhei como nunca. Foi muito divertido. Passei a achar que era uma pessoa. Os outros olhavam-me com desdém e não falavam comigo eu achava isso muito giro e fiz um pequeno jogo. A cada vez que alguém me olhasse de forma diferente, dava-lhes um bombom. Assim podia ficar mais tranquilo comigo e achar que era uma pessoa válida.
Dois dias daquilo e apaixonei-me pela mulher do arquivo. Seria a última coisa que me podia ter acontecido. Esta pessoa era muito pouco importante na empresa e de nada me iria servir estar assim desta forma pela cachopa. Era linda, bela. Estava verdadeiramente embeiçado. Mudei de casa, que nos dias que corriam demorava uma tarde e passei a morar mais longe da casa da Amália. Ela ainda reclamou durante uns tempos, mas depois dei-lhe um urso pular e ficou mais satisfeita.
Estava a viver o amor da minha vida e tinha o emprego mais estúpido do planeta. Era neste momento muito feliz.
Passados três anos, falámos em filhos, mas ela não entendeu e foi ter com o meu pai para perguntar se tinha sido bom pai. Falámos de novo e só aí entendi que o problema era mais grave. Tinha casado com a responsável do país. Fiz então as malas e mudei-me para o palácio das pessoas. Aí fui ainda mais feliz, pois podia ter todo o tipo de coisas que para nada me serviam, mas que me faziam ser parvo. A minha querida mulher, sempre bela e sem tempo para mim, arquivava sozinha e dava uma larachas. Falava muito sozinha.
As gerações mais recentes queriam ser mais intervenientes e empenhadas em destruir o que se tinha feito até então e voltar a construir de novo. Este dogma Anárquico fora introduzido por um grande pensador de todos os tempo esquecidos e onde se podia pisar o chão virgem, que na altura estudava uma forma de errar sempre sem ser apanhado. Todos os jovens estavam encantados com estes ensinamentos. Seguiam à risca o que este anormal tinha pensado. Era muito complicado conviver com eles, pois qualquer coisa que fosse dita, gritavam sempre em resposta: Apre!
Isto é extremamente desconcertante. Algo foi feito para combater este flagelo. A mesma palavra passou a fazer parte de um conjunto de palavras mudas. Ou seja, quando proferidas não faziam qualquer tipo de sentido. Assim, o velho Apre, deu lugar a: .... . Foi muito bom e viveram todos muito felizes.
Às portas da morte finalmente consegui falar com o meu padre de crisma. Foi muito interessante saber que ele não gostava das mesmas comidas que eu. Morri a saber a carne de porco no forno macrobiótico. Muito bom, em especial nos dias pequenos.
Foi muito divertido.
Dei uma espreitadela no trânsito. Havia um acidente na prédio-estrada P4. Colisão de um prédio, com semi-casas de 35 andares, contra uma minúscula casa térrea. Seriam cerca de duas horas de caminho. Mas não iria conseguir estar ali em casa por muito mais tempo. Programei sono forçado para duas horas, comuniquei o meu destino e logo de imediato caí no sono.
O sistema de ultra elevação é do mais evoluído de todos, está implementado em duas dúzias de capitais de distrito em todo o país. Neste caso, e porque a cidade é a mais antiga do país, o sistema foi alterado, tendo sofrido graves convulsões de instalação, como por exemplo o facto de não se conseguir estar por mais de três horas dentro do buracadeiro de pilares, visto que o ar na parte inferior da cidade é mortal. Já há muito que só vivem ser vivos nas plataformas superiores. A plataforma quinze é a mais cara. As maqualteradas, são as únicas coisas que vivem no piso ao nível do “solo”. São alimentadas por dejectos vindos das plataformas superiores.
O sistema que tinha custado quatro mil milhões de toneladas de milho roxo, estava agora parado e não havia grande esperança de o voltar a colocar em bom funcionamento. Este sistema permitia que uma casa, dentro de um edifício, fosse separada em várias divisões podendo assim haver maior circulação nos corredores mais estreitos. Assim, com essa separação, todo o tráfego fazia-se bem melhor. Casas, prédios, semi-prédios, etc., poderiam circular de uma forma dividida por todos os itinerários alternativos. Nos primórdios já tinha havido um grande avanço com a separação da casa do edifício, havendo assim uma mobilidade muito maior e também a construção de edifícios maiores e mais altos.
Cheguei à hora programada. A manga deslizou e acostou na porta da Amália. Ainda demorou alguns segundos a abrir a porta, mas por fim deu o ar da sua graça lá do alto do seu metro a trinta. Disse olá e acenou com a mão. Deslizei pela passadeira da manga até à porta. A manga dela era bem mais agradável que a minha. Tinha projecções de explosões lindas! Uma das minhas favoritas era da explosão da torre Eiffel, em 2084, por um grupo de atrasados mentais que julgavam que o monumento fazia parte duma das antenas de comunicação do planeta KU75W da constelação Adrega. A explosão é linda! É hoje o símbolo da nova nação para a construção dum novo país no subsolo. Anolanda. Nunca lá fui, mas a Amália tinha lá muitos amigos cheios de cicatrizes na nuca. Era sinal que bebiam muito sumo de alperce, muito apreciado naquela terra. Os concentrados de alperce, em conjunção com os vapores libertados pelo subsolo, são inebriantes e funcionam como uma droga alcalina.
Mal entrei na casa senti o cheiro típico de refogado de morsa. O cheiro é nauseabundo, mas pouco intenso. As morsas, desde a sua quase extinção, passaram a ser cultivadas em cativeiro e é uma das dietas mais utilizadas pelas pessoas que se movem pouco, ou seja, as pessoas que têm pernas com quinze centímetros. São oriundas da zona centro/sul do ex-continente Europa. Eu adorava morsa na brasa e ela sabia.
Desde que foi implementado o serviço de quero-ir-e-não-preciso-dizer-se-posso-so-tenho-de-dizer-que-vou, que todos nós sabíamos quem lá vinha, como vinha e quando, podendo recusar também a visita, fazendo com que o requisitante ficasse com vontade de evacuar muito. Um serviço quase gratuito. Por apenas duas beterrabas e meia por mês, tinha-se este serviço.
Hiper desloquei-me até ao local de lavagens. Hoje não sei porque, estava com menos radiação que o costume, mas mesmo assim pedi a lavagem Zing. Logo de seguida em hiper deslocação, fiz-me chegar à sala das calorias e ingeri o que podia e mais gostava.
O tipo de alimentação utilizado nestes centros sociais era todo à base de comida falsa. Toda a comida era processada com a finalidade de não provocar qualquer tipo de risco para a saúde das pessoas com quem se estava. Este tipo de sistema fez com que nada nem ninguém pudesse comer sozinho, mesmo pessoas que nunca tenham trocado fluidos.
A alta radiação fazia com que todo o tipo de conversa na rua, fosse feita só dentro de pequenos círculos que flutuavam por toda a cidade. Abrir a boca no exterior, ou a caminho seja de onde fosse, seria um desastre territorial imenso. Assim, os vários níveis de lavagem eram determinantes para o bom funcionamento das regras de sobrevivência. Desde a Alça, passado pelo Zing e a mais potente, a Frust, tornavam todo o corpo mais saudável e com menos probabilidades de apodrecer.
Passados quarenta e três minutos, tempo calculado para a minha refeição, efectuei algo que já tinha saudades. Vomitei, coloquei tudo no misturador de moléculas e fiz o meu gato. Comi-o com o sorriso nos lábios. Ainda levei uma penalização, por não ter informado que iria tomar aquele tipo de atitude e assim demorei mais tempo do que se tinha calculado. Odeio ser penalizado! Desta vez custou-me uma pêra podre, muito apreciada na casa dos Almeida.
Após ter engolido o resto do meu gato-alimentar, masturbei-me, penetrei na Amália, arrotei e por fim bebi água azul. Estava satisfeito. Falei mais uns quatro minutos e um quarto com a minha querida Amália e voltei para o meu bairro. Tinham reparado o sistema de elevação, mas azarento como sou, como tinha trazido a casa, não pude utilizar o sistema. Ainda para mais neste momento não é necessário despender qualquer tipo pagamento. Estas borlas eram atribuídas porque os sistemas tinham sido implementados há pouco tempo, não havendo assim responsabilidade de qualquer tipo de acidente. Mais uma hora e três minutos e estava de novo em casa.
Mal cheguei a casa dormi mais dez horas e fui para o trabalho.
No dia seguinte reparei que podia muito bem ir a pé, pois ainda tinha uns créditos extra que consegui na lotaria do segundo dia do mês trinta e quatro. Fiz-me ao caminho, a longa caminhada de sete minutos seria extenuante e estonteante. Procurei ir o mais rápido possível, para que a fraqueza não me atacasse e ficasse a meio caminho. Passados quatro minutos encontrei-me com a minha amiga Amália. Fiquei estupefacto, pois como poderia ser possível estarmos ali os dois a caminhar a pé? A Amália não caminhava há pelo menos dois séculos e eu ia pelo mesmo caminho. Só poderia ter um significado este encontro: sexo. Fizemos durante treze dias. No final estávamos com muita fome, pois não tínhamos comido nada, nem nos tínhamos lavado. Os nossos corpos estavam a atingir a o cheiro morsa e a putrefacção era esquivamente a três anos a conviver com gentes do norte.
“Quem quer que vivesse debaixo de uma certa influência paranóica teria de fazer todo os dias umas valentes bolas de ranho e distribuir por todo a província montado em camelos alados, armado de varapaus até ao olhos” Nota tirada do manual do bom homem do norte quente. Este tipo de sujeitos eram os habitantes do norte do pais, dai a comparação estes e os habitantes de cada região. Já os habitantes do sul eram mais estranhos e usavam coisas na cabeça para se tornarem mais influentes nas padarias de pão cru. Altamente complexos, por serem todos amigos do inimigo, era muito complicado ter qualquer tipo de conversa permanente, durante mais de quinze minutos. Ex: Eu sou o primeiro a ter que inventar algo para não estar a pensar o que podem fazer por mim. Que achas disto amigo (inimigo)?
Por este exemplo podem ver como é complexa a forma de agir destas gentes. Só uma das cidades do sul detinha condições para a realização de desporto, de qualquer forma possível e imaginária.
Após o grande deserto de sexo passado com a minha amiga Amália, passei mais três minutos a pé e fui trabalhar.
O meu trabalho era muito parecido com o que todos faziam na bimetropole. Este grande centro de pessoas que nada faziam e tudo queriam ter, desenvolviam trabalhos altamente avançados, tão avançados que nem os próprios sabiam o que faziam. No entanto era de tal forma avançado que o trabalho aparecia feito. E porquê? Fácil! Há sempre meia dúzia de indivíduos, que normalmente são atarracados, que desenvolvem trabalhos altamente qualificados e que produzem tudo. Os outros, nem sequer mandavam em nada, não tinham chefes, eram pura e simplesmente parasitas. Eu fazia parte das pessoas parasitas. Era muito bom.
Naquele dia e por uma razão verdadeiramente simpática, tinha quatro garrafas de Grinfos. Bebida muito utilizada para a cura das borbulhas nos pés, era também um grande inibidor de pulgas nos sovacos. Sentei-me, mexi nos papeis e fui-me embora. Estava cansado. Passados três dias e meio viria para mexer em mais meia dúzia de papéis. Levei as garrafitas e fui-me embora.
No dia seguinte entrei de férias. Estava tudo combinado, iria de férias para morrer. Já tinha lá estado uns três ou quatro mês, não me recordo bem. O problema destas férias é o facto de nunca se saber ao certo quanto tempo se vai lá ficar. Era muito divertido! Durante o tempo que lá estamos podemos fazer coisas incríveis. Não vou dizer pois tenho vergonha.
A minha vizinha era muito amiga da outra, que morava no prédio ao lado e passava os dias a deslocar-se pela manga. Eu que estava sempre atento, uma das vezes consegui uma boleia na manga dela e conheci a amiga. Ambas bateram-me como era de esperar. Convidei ambas para um mês de morte. Só a mais alta acedeu ao meu pedido. A outra quis lá ficar mais tempo, mas eu não podia, pois tinha usado todos os meus caramelos de verdemã, que eram necessários para passar mais dias em morte. Desta vez ia ser de arromba, tinha juntado cerca de dezassete caramelos, estava cheio de sorte e muito feliz, ainda para mais ia com duas amigas que não gostam de sexo encaracolado.
Em tempo de paz todo o povo da Ingrícia, província alagada pelos grandes degelos do aquecimento provocado pelas lareiras iónicas, passavam muito tempo em suspensão e em largos campos de férias. O ar era rarefeito e pouco se podia fazer, já a temperatura era tão inferior a zero, que nem se conseguia contar. As pessoas passavam longas horas deitadas umas com as outras e rebolavam muito, faziam muitas cócegas nas palmas das mãos com penas de abutre verde. Era muito divertido.
Em duas ou três ocasiões do ano, os grandes senhores das terras inférteis, juntavam-se todos em casa do grande Director Supremo e falavam, congeminavam, palravam, emborcavam e suspiravam muito também. Nestas reuniões, para além do que já foi dito, também eram decididos quais os caminhos da nação. Sendo estes senhores os responsáveis máximos do poder mais alto das coisas que não interessam, podiam tomar qualquer de decisão que teria de passar por toda a burocracia possível e imaginária, demorando mais tempo que cada um deles pudesse viver. Assim, as decisões eram tomadas à mesma, mas as realmente importantes, eram tomadas de repente e pela senhora que faz arquivo. Esta informação era ultra secreta. Só duas pessoas sabiam; a mãe, que já tinha padecido e a avó, que não sabia se estava viva, ou não. Altas decisões eram tomadas do alto daquele edifício, no último andar, enquanto arquivava coisas sem nexo.
Voltei de férias e não sabia como pegar no trabalho, por isso não fui ver os novos horários e fiz os antigos. Fui logo colocado em sítios que ninguém queria ficar. Aí sim, trabalhei como nunca. Foi muito divertido. Passei a achar que era uma pessoa. Os outros olhavam-me com desdém e não falavam comigo eu achava isso muito giro e fiz um pequeno jogo. A cada vez que alguém me olhasse de forma diferente, dava-lhes um bombom. Assim podia ficar mais tranquilo comigo e achar que era uma pessoa válida.
Dois dias daquilo e apaixonei-me pela mulher do arquivo. Seria a última coisa que me podia ter acontecido. Esta pessoa era muito pouco importante na empresa e de nada me iria servir estar assim desta forma pela cachopa. Era linda, bela. Estava verdadeiramente embeiçado. Mudei de casa, que nos dias que corriam demorava uma tarde e passei a morar mais longe da casa da Amália. Ela ainda reclamou durante uns tempos, mas depois dei-lhe um urso pular e ficou mais satisfeita.
Estava a viver o amor da minha vida e tinha o emprego mais estúpido do planeta. Era neste momento muito feliz.
Passados três anos, falámos em filhos, mas ela não entendeu e foi ter com o meu pai para perguntar se tinha sido bom pai. Falámos de novo e só aí entendi que o problema era mais grave. Tinha casado com a responsável do país. Fiz então as malas e mudei-me para o palácio das pessoas. Aí fui ainda mais feliz, pois podia ter todo o tipo de coisas que para nada me serviam, mas que me faziam ser parvo. A minha querida mulher, sempre bela e sem tempo para mim, arquivava sozinha e dava uma larachas. Falava muito sozinha.
As gerações mais recentes queriam ser mais intervenientes e empenhadas em destruir o que se tinha feito até então e voltar a construir de novo. Este dogma Anárquico fora introduzido por um grande pensador de todos os tempo esquecidos e onde se podia pisar o chão virgem, que na altura estudava uma forma de errar sempre sem ser apanhado. Todos os jovens estavam encantados com estes ensinamentos. Seguiam à risca o que este anormal tinha pensado. Era muito complicado conviver com eles, pois qualquer coisa que fosse dita, gritavam sempre em resposta: Apre!
Isto é extremamente desconcertante. Algo foi feito para combater este flagelo. A mesma palavra passou a fazer parte de um conjunto de palavras mudas. Ou seja, quando proferidas não faziam qualquer tipo de sentido. Assim, o velho Apre, deu lugar a: .... . Foi muito bom e viveram todos muito felizes.
Às portas da morte finalmente consegui falar com o meu padre de crisma. Foi muito interessante saber que ele não gostava das mesmas comidas que eu. Morri a saber a carne de porco no forno macrobiótico. Muito bom, em especial nos dias pequenos.
Foi muito divertido.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Soltas 23
Corto a tua memória com uma faca, mas depois não me venhas com a história que não me conheces.
3+3=6+3=9?
À noite nada pode falhar, senão não tinha tomado banho. Não achas Catarina?
Já nos vimos no outro dia. A nódoa continua na mesma.
A estrela que brilha sem se ver, o riso que se ouve sem se ouvir, e tu?
Roxinól da Cova da Piedade, nem consigo cantar ao luar, para que eu não te possa penetrar. (muito má!)
Tenho que convencer alguém a mergulhar no Oceano profundo.
Cego de barulho, cheiro-te de dia, mas sinto-te como uma tarte de amora.
A seta que acerta na testa, durante a minha sesta. Para a próxima fodo-te a tromba!
Olha e desolha o olho que enrola, durante a noite toda, sou capaz de amar.
Amanhã a terra vai cheirar a fogo. Hoje cheira a mar.
Mais que uma nave, uma árvore, uma passagem para algo que não compreendes. Então para quê falar nisso?
Mustang sem gasolina!
A água está muito parada, quieta, linda, espelho que reflecte a alma que quem passa, mas tu não estás lá!
Se estás ai, vem cá, vá lá, não te acanhes!
Porque tenho a mania que tudo quero, nada consigo ter.
GRETA!!!
A luz que se vê ao fundo do tunel é roxa, odeio mesmo essa cor!
Vem de fora, vem sozinho, mas trás uma vida, pena que não sabe cantar. Com essa voz de cana rachada seria uma bela MERDA!!!
Quem os entende, tem de ser como eles!
Grita-se guerra a tudo o que não interessa.
Na mesa dois litros de bagaço, mas não tenho boca para encher.
Mesa de chá.
O medo de te ter é comparável a algo que nem Deus iria compreender.
Mexe devagar no ar, assim não se sente o meu cheiro.
What a fuck is money doing here?!
A gaveta do meu amário está vazia, preciso de algo para a encher.
Vomitei.
Quanto mais te vejo mais te quero matar!
Sandes mistas de sangue e suor.
Finura...
3+3=6+3=9?
À noite nada pode falhar, senão não tinha tomado banho. Não achas Catarina?
Já nos vimos no outro dia. A nódoa continua na mesma.
A estrela que brilha sem se ver, o riso que se ouve sem se ouvir, e tu?
Roxinól da Cova da Piedade, nem consigo cantar ao luar, para que eu não te possa penetrar. (muito má!)
Tenho que convencer alguém a mergulhar no Oceano profundo.
Cego de barulho, cheiro-te de dia, mas sinto-te como uma tarte de amora.
A seta que acerta na testa, durante a minha sesta. Para a próxima fodo-te a tromba!
Olha e desolha o olho que enrola, durante a noite toda, sou capaz de amar.
Amanhã a terra vai cheirar a fogo. Hoje cheira a mar.
Mais que uma nave, uma árvore, uma passagem para algo que não compreendes. Então para quê falar nisso?
Mustang sem gasolina!
A água está muito parada, quieta, linda, espelho que reflecte a alma que quem passa, mas tu não estás lá!
Se estás ai, vem cá, vá lá, não te acanhes!
Porque tenho a mania que tudo quero, nada consigo ter.
GRETA!!!
A luz que se vê ao fundo do tunel é roxa, odeio mesmo essa cor!
Vem de fora, vem sozinho, mas trás uma vida, pena que não sabe cantar. Com essa voz de cana rachada seria uma bela MERDA!!!
Quem os entende, tem de ser como eles!
Grita-se guerra a tudo o que não interessa.
Na mesa dois litros de bagaço, mas não tenho boca para encher.
Mesa de chá.
O medo de te ter é comparável a algo que nem Deus iria compreender.
Mexe devagar no ar, assim não se sente o meu cheiro.
What a fuck is money doing here?!
A gaveta do meu amário está vazia, preciso de algo para a encher.
Vomitei.
Quanto mais te vejo mais te quero matar!
Sandes mistas de sangue e suor.
Finura...
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Sr. Barros
A vingança do careca.
Eram cerca das dezassete e trinta quando o carteiro trouxe a alegre notícia ao Sr. Barros. Tinha sido escolhido para uma experiência da agência. Ligou de imediato ao avô, que morava na localidade mais próxima e que não sabia que o seu neto era um vigarista de primeira.
- Avô?!
- Sim meu netinho querido…
- Vou viajar!
- Ai sim? E eu com isso…
Mal desligou a chamada fez duas malas bem pequenas, pois não gosta de andar com muita bagagem e pôs-se a caminho. Foi de autocarro, depois de metro e por fim, a pé. Foram uns longos cinquenta e cinco minutos. Como não estava habituado a viagens desta envergadura, levou o lençol de banho para se assoar entre cada paragem.
Não era uma pessoa alta, mas também não muito gorda, talvez por ser assim baixo e pouco magro, não se considerava uma pessoa gira, mas sim uma pessoa encravada. Fazia-se sempre acompanhar por um cesta de verga muito pequena, a qual guardava no bolso do casaco, onde trazia todos os documentos da família que conhecia. Os que não conhecia, guardava numa caixa de sapatos, algures num cacifo de estação de comboio, num terminal longínquo, a norte do país. Este pormenor será demais importante para o desfecho da história.
Ao chegar à agência deparou-se com um grande enigma: será que tinha deixado bem fechado o armário das bolachas? Não hesitou. Não foi confirmar, pois lembrara-se que tinha comido tudo no dia anterior, sabendo que este tipo de experiências poderá durar sempre o seu tempo.
Assim, o Sr. Barros, despiu-se de preconceitos e vestiu a bata de médico obstetra. Conas eram a sua grande paixão e como nunca tinha tido um filho, conseguia assim matar uma dúzia de coelhos com uma só cajadada.
Foram longos, os 17 anos que lá viveu.
Quando voltou a casa, tudo lhe parecia fora do sítio e trouxe consigo mais dois tiques da longa lista de tiques que já detinha. Por outro lado deixou de dizer: amanda.
Era compulsiva a forma como proferia tal palavra. Atroz!
Algo de positivo teria de advir de tal experiência.
Tal como se tinha esquecido do armário das bolachas, também se tinha esquecido da janela da sala aberta, deixando entrar os milhares de pombos e outros seres cósmicos que passaram a habitar na sala. O que lhe valeu foi que a sala era pequena e estava com a porta que lhe dava acesso, fechada à chave. Após três semanas de limpezas e pinturas, conseguiu de novo voltar a conviver com o doce sabor da liberdade.
Os longos anos que passara na agência, deram-lhe uma perspectiva nova da vida, pois agora era marreco. Para além disso, poupara bastante, pois todo o dinheiro que recebia era de imediato colocado numa conta bancária na Suíça, à qual só ele teria acesso. Mais tarde veio a descobrir que não se conhecia e nem ele tinha acesso à conta. Entretanto e porque se conhecia na altura, conseguiu tirar todo o dinheiro para depois se perder de novo na sua alma incompreendida.
Ligou à avó. Como seria de esperar, atendeu uma voz de doce mulher:
- AVÔ?!
- Não, daqui é a viúva do avô. – Disse com voz doce e num sotaque brasileiro cheio de tesão.
- AVÓ?!
- É meu querido, voltei!
- AVÓ! Que saudades…
E desligou o telefone. Nunca suportara o facto da sua avó ser mais nova que ele e ainda por cima, boa como o milho!
Ficou muito, mas mesmo muito, muito mesmo, por demais triste. O avô tinha partido sem deixar um sinal, uma carta, um bilhete, um fax, um email, algo que pudesse dizer: adeus meu querido neto. O número de conta é este e podes levantar tudo.
Isso deixou-o de rastos. Como a marreca era já muito acentuada, parecia ainda mais baixo e de rastos. Era uma pessoa mesmo muito pequena.
Tentou de tudo para reaver um livro que emprestara ao avô, mas a brasuca nunca o deixou entrar lá em casa. Convidou-a a passar uma tarde na casa dele e o máximo que conseguiu foi uma tarde de sexo estonteante. Quanto ao dinheiro, nicles!
Resolveu puxar dos galões e fez a maior viagem da sua vida, pois enganou-se rumo ao norte, em busca da famosa estação de comboios e do bonito cacifo. De uma raiva alaranjada, fez mais quatro quilómetros do que devia. Nunca mais iria se perder daquela forma parva e gigante.
Procurou pelo cacifo, mas já nem a estação existia. Sentiu um vazio penetrante. Todos os documentos dos familiares que não conhecia, tinham desaparecido. Comentou isso com o agente da autoridade que o apanhou a roubar uma bola de Berlim, com recheio. Prontamente o Sr. agente informou-o que a estação tinha sido movida para Espanha e era agora um parque de diversões parvas e sem sentido. Adivinhou logo o que se iria passar. O humor dos espanhóis era mau, ou de alguma forma diferente e por isso, menos bom, mesmo intragável!
Pediu ao Sr. Agente que lhe escrevesse a morada nas costas e fugiu. Volvidos dois dias e meio, chegou perto do cacifo. Abriu-o e dois ratos alados sorriram, perguntando-lhe:
- Diz a palavra: chave.
- Chave.
- Ai tens...
- Obrigado.
Pegou nos documentos de todos os familiares que não conhecia e ficou na mesma. Tudo tinha perdido o sentido. Mais uma vez tinha-se perdido e não sabia quem era.
- Há coisas que nunca mudam… - pensou ele embrutecido pelo gelo que comia, o qual jazia no fundo do copo de sumo de anona.
De qualquer forma voltou a casa, sempre com o sentido dos documentos que agora lhe saltavam na mão e que quase o queimavam.
No conforto do lar e, comendo porco pequeno, lá se encontrou.
No meio dos documentos dos familiares que nunca conhecera, estavam os documentos da legítima esponja, esposa, mulher e companheira durante duas semanas, de seu avô. A sua legítima avó e que ainda tinha direito a tudo, pois nunca se tinha divorciado do amantíssimo esponjo, esposo, marido e companheiro. Depressa volveu à localidade mais próxima e procurou pela sua querida e pequena avó.
Encontrou um jarro cheio de cinzas. Todas as esperanças tinham ido por água abaixo. Só havia uma hipótese, exercer o seu charme de forma inimitável sobre a mulher do seu avô, a brasuca boazona que comia tudo o que se mexia e gastava o dinheiro do velhote a seu belo prazer. Até uma vez comprou um quilo de batatas, a cabra!
Convidou-a para um jantar romântico no elevador do prédio do lado, pois tinha a sua música favorita. Correu bem o jantar e o sexo que fizeram, já o facto de terem sido presos, não foi tão agradável
Repetiram tudo várias vezes até se casarem. No dia seguinte ao casamento ela conseguiu fazer com que ele assinasse um documento que lhe dava todos os poderes sobre dos todos os bens de todas as famílias, conhecidas e desconhecidas.
Matou-me no dia seguinte. Não foi no mesmo dia, porque não conseguiu o horário dos comboios da linha do sul.
Moralidade da história: Se comeres gelo, lava todos dos dias os dentes, porque senão dói.
Eram cerca das dezassete e trinta quando o carteiro trouxe a alegre notícia ao Sr. Barros. Tinha sido escolhido para uma experiência da agência. Ligou de imediato ao avô, que morava na localidade mais próxima e que não sabia que o seu neto era um vigarista de primeira.
- Avô?!
- Sim meu netinho querido…
- Vou viajar!
- Ai sim? E eu com isso…
Mal desligou a chamada fez duas malas bem pequenas, pois não gosta de andar com muita bagagem e pôs-se a caminho. Foi de autocarro, depois de metro e por fim, a pé. Foram uns longos cinquenta e cinco minutos. Como não estava habituado a viagens desta envergadura, levou o lençol de banho para se assoar entre cada paragem.
Não era uma pessoa alta, mas também não muito gorda, talvez por ser assim baixo e pouco magro, não se considerava uma pessoa gira, mas sim uma pessoa encravada. Fazia-se sempre acompanhar por um cesta de verga muito pequena, a qual guardava no bolso do casaco, onde trazia todos os documentos da família que conhecia. Os que não conhecia, guardava numa caixa de sapatos, algures num cacifo de estação de comboio, num terminal longínquo, a norte do país. Este pormenor será demais importante para o desfecho da história.
Ao chegar à agência deparou-se com um grande enigma: será que tinha deixado bem fechado o armário das bolachas? Não hesitou. Não foi confirmar, pois lembrara-se que tinha comido tudo no dia anterior, sabendo que este tipo de experiências poderá durar sempre o seu tempo.
Assim, o Sr. Barros, despiu-se de preconceitos e vestiu a bata de médico obstetra. Conas eram a sua grande paixão e como nunca tinha tido um filho, conseguia assim matar uma dúzia de coelhos com uma só cajadada.
Foram longos, os 17 anos que lá viveu.
Quando voltou a casa, tudo lhe parecia fora do sítio e trouxe consigo mais dois tiques da longa lista de tiques que já detinha. Por outro lado deixou de dizer: amanda.
Era compulsiva a forma como proferia tal palavra. Atroz!
Algo de positivo teria de advir de tal experiência.
Tal como se tinha esquecido do armário das bolachas, também se tinha esquecido da janela da sala aberta, deixando entrar os milhares de pombos e outros seres cósmicos que passaram a habitar na sala. O que lhe valeu foi que a sala era pequena e estava com a porta que lhe dava acesso, fechada à chave. Após três semanas de limpezas e pinturas, conseguiu de novo voltar a conviver com o doce sabor da liberdade.
Os longos anos que passara na agência, deram-lhe uma perspectiva nova da vida, pois agora era marreco. Para além disso, poupara bastante, pois todo o dinheiro que recebia era de imediato colocado numa conta bancária na Suíça, à qual só ele teria acesso. Mais tarde veio a descobrir que não se conhecia e nem ele tinha acesso à conta. Entretanto e porque se conhecia na altura, conseguiu tirar todo o dinheiro para depois se perder de novo na sua alma incompreendida.
Ligou à avó. Como seria de esperar, atendeu uma voz de doce mulher:
- AVÔ?!
- Não, daqui é a viúva do avô. – Disse com voz doce e num sotaque brasileiro cheio de tesão.
- AVÓ?!
- É meu querido, voltei!
- AVÓ! Que saudades…
E desligou o telefone. Nunca suportara o facto da sua avó ser mais nova que ele e ainda por cima, boa como o milho!
Ficou muito, mas mesmo muito, muito mesmo, por demais triste. O avô tinha partido sem deixar um sinal, uma carta, um bilhete, um fax, um email, algo que pudesse dizer: adeus meu querido neto. O número de conta é este e podes levantar tudo.
Isso deixou-o de rastos. Como a marreca era já muito acentuada, parecia ainda mais baixo e de rastos. Era uma pessoa mesmo muito pequena.
Tentou de tudo para reaver um livro que emprestara ao avô, mas a brasuca nunca o deixou entrar lá em casa. Convidou-a a passar uma tarde na casa dele e o máximo que conseguiu foi uma tarde de sexo estonteante. Quanto ao dinheiro, nicles!
Resolveu puxar dos galões e fez a maior viagem da sua vida, pois enganou-se rumo ao norte, em busca da famosa estação de comboios e do bonito cacifo. De uma raiva alaranjada, fez mais quatro quilómetros do que devia. Nunca mais iria se perder daquela forma parva e gigante.
Procurou pelo cacifo, mas já nem a estação existia. Sentiu um vazio penetrante. Todos os documentos dos familiares que não conhecia, tinham desaparecido. Comentou isso com o agente da autoridade que o apanhou a roubar uma bola de Berlim, com recheio. Prontamente o Sr. agente informou-o que a estação tinha sido movida para Espanha e era agora um parque de diversões parvas e sem sentido. Adivinhou logo o que se iria passar. O humor dos espanhóis era mau, ou de alguma forma diferente e por isso, menos bom, mesmo intragável!
Pediu ao Sr. Agente que lhe escrevesse a morada nas costas e fugiu. Volvidos dois dias e meio, chegou perto do cacifo. Abriu-o e dois ratos alados sorriram, perguntando-lhe:
- Diz a palavra: chave.
- Chave.
- Ai tens...
- Obrigado.
Pegou nos documentos de todos os familiares que não conhecia e ficou na mesma. Tudo tinha perdido o sentido. Mais uma vez tinha-se perdido e não sabia quem era.
- Há coisas que nunca mudam… - pensou ele embrutecido pelo gelo que comia, o qual jazia no fundo do copo de sumo de anona.
De qualquer forma voltou a casa, sempre com o sentido dos documentos que agora lhe saltavam na mão e que quase o queimavam.
No conforto do lar e, comendo porco pequeno, lá se encontrou.
No meio dos documentos dos familiares que nunca conhecera, estavam os documentos da legítima esponja, esposa, mulher e companheira durante duas semanas, de seu avô. A sua legítima avó e que ainda tinha direito a tudo, pois nunca se tinha divorciado do amantíssimo esponjo, esposo, marido e companheiro. Depressa volveu à localidade mais próxima e procurou pela sua querida e pequena avó.
Encontrou um jarro cheio de cinzas. Todas as esperanças tinham ido por água abaixo. Só havia uma hipótese, exercer o seu charme de forma inimitável sobre a mulher do seu avô, a brasuca boazona que comia tudo o que se mexia e gastava o dinheiro do velhote a seu belo prazer. Até uma vez comprou um quilo de batatas, a cabra!
Convidou-a para um jantar romântico no elevador do prédio do lado, pois tinha a sua música favorita. Correu bem o jantar e o sexo que fizeram, já o facto de terem sido presos, não foi tão agradável
Repetiram tudo várias vezes até se casarem. No dia seguinte ao casamento ela conseguiu fazer com que ele assinasse um documento que lhe dava todos os poderes sobre dos todos os bens de todas as famílias, conhecidas e desconhecidas.
Matou-me no dia seguinte. Não foi no mesmo dia, porque não conseguiu o horário dos comboios da linha do sul.
Moralidade da história: Se comeres gelo, lava todos dos dias os dentes, porque senão dói.
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