Queria dizer bem mais à cerca deste Paredes de Coura, mas não há muito mais a dizer: foi muito bom.
No entanto, e porque este ano há um “no entanto”, não foi tão bom como em outras edições, pelo menos para o meu gosto de bandas. Quando penso no line up do ano passado, há nitidamente uma grande diferença nas tendências musicais. A ver vamos como será o 2008. Um coisa é certa, estou cá.
Agora, MUDEM DE CREVEJA!!! A Heineken é uma MERDA!!!
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
terça-feira, 7 de agosto de 2007
11 da manhã, o sol estala na minha cara.
Uma noite mais calma que o normal. Dois bêbados, uma prostituta com ar pedante, um doente do miolo que me vem atazanando a vida quase toda, e vários cromos, dos difíceis, mas nada de especial.
A Zénia disse que aparecia mas não quis dar nas vistas. Depois da tarde no jardim deitados na relva, era normal. Não perdi a esperança, mas por outro lado achei que não seria possível. Já aconteceu com outras, mas com a Zénia… não.
Uma pessoa muito inteligente, demasiado, julgo eu. Mal de muita gente, pensa muito e quando tem que agir fica indecisa, por achar que pensa muito. Conversas que só em sonhos podia ter com alguém tão belo e fechado. De uma beleza fora do comum. (Como aliás são todas as mulheres nas minhas histórias. Tenho que parar com isso, senão torna-se cliché) Ruiva, como poucas, olhos cinzentos com alguns salpicos verdes nas extremidades, de uma profundidade assustadora, cinco minutos de olhos nos olhos e ficas sem alma. Muito rosada, com algumas sardas. Não usa e acho que nunca usou, qualquer tipo de maquilhagem, mas parece. A pele é de uma seda luminosa, os ombros de uma sensualidade violenta, os cabelos de um laranja forte, vivo e brilhante, a contra luz parece ser o sol. De um tom de pele puro, como que nunca tivesse sido tocada. As feições de uma Deusa do Olimpo, que tranquilamente nos fita e nos desfaz. Nem alta nem baixa, veste roupa fresca, o calor já vai fazendo as suas desgraças, o que deixa ver algumas partes do seu corpo, as suficientes para me dar apertos no coração. Uma dela é a transposição da cintura para as ancas, altamente inebriante. Só apetece meter a mão e sentir. O toque deve-se evitar ao máximo, sempre ouvi dizer.
Nos dias que correm qualquer tipo de toque é considerado uma evasão da privacidade e o primeiro sente-se como se sente o seu peito nu encostado no meu. Por um breve milionésimo de segundo tocámo-nos, nas mãos. Foi como um choque eléctrico. Senti-me ligado a ela para o resto da vida, foi de tal forma que a conversa parou, ficámos a olhar o azul do céu e com medo dos pombos. O que nos uniu foram os pombos.
Sofremos de “pombofubia”. Não gostamos que se aproximem, mas adorávamos ter mil daquelas aves em casa. É mais umas das incongruências da vida moderna.
A saliva estava já há muito seca, mas não conseguimos parar de evocar temas antigos. Um em particular excitante, a Grécia antiga. Devorámos teorias, livros, temas, discussões acesas, maravilhosas concordâncias, de arrepiar. Este é o mais apaixonante, dos mil e um temas que falámos. Desde o primeiro dia que achei ser uma relação tão especial. Achei que podia contar com ela para tudo, mas sei que quando precisar vai-me custar tudo. Ela diz que não, mas sei que não vai ser assim. Se for como ela diz, será ainda mais especial, mas sei que será como eu penso.
Trabalhei o resto da noite, a vã esperança não abandonou o meu coração, mas podia tirar todas as esperanças do meu corpo. Ela não viria. Saíram os últimos anormais, mais cumprimentos, o doente do miolo que me olha de lado. - Hoje não. - Disse eu. Deixei-o ir. Despedi-me de todos, pedi ao patrão se podia fechar a porta por mim. Ele assustou-se um pouco comigo e comentou que andava ali pombinha. Já nos conhecemos há tantos anos… Mas notou que estava diferente, no meio da melancolia, notava um sorriso. Perguntou-me logo se podia continuar a contar comigo. Eu disse num tom um pouco seco: Espero que sim.
Vagueei pelas ruas da cidade, mais ou menos deserta, só os turistas que são mais que os pombos, e por isso há que evitar, se faziam passear pelas ruas. 11 da manhã o sol estala na minha cara, meto a chave à porta e ela toca-me no ombro.
A Zénia disse que aparecia mas não quis dar nas vistas. Depois da tarde no jardim deitados na relva, era normal. Não perdi a esperança, mas por outro lado achei que não seria possível. Já aconteceu com outras, mas com a Zénia… não.
Uma pessoa muito inteligente, demasiado, julgo eu. Mal de muita gente, pensa muito e quando tem que agir fica indecisa, por achar que pensa muito. Conversas que só em sonhos podia ter com alguém tão belo e fechado. De uma beleza fora do comum. (Como aliás são todas as mulheres nas minhas histórias. Tenho que parar com isso, senão torna-se cliché) Ruiva, como poucas, olhos cinzentos com alguns salpicos verdes nas extremidades, de uma profundidade assustadora, cinco minutos de olhos nos olhos e ficas sem alma. Muito rosada, com algumas sardas. Não usa e acho que nunca usou, qualquer tipo de maquilhagem, mas parece. A pele é de uma seda luminosa, os ombros de uma sensualidade violenta, os cabelos de um laranja forte, vivo e brilhante, a contra luz parece ser o sol. De um tom de pele puro, como que nunca tivesse sido tocada. As feições de uma Deusa do Olimpo, que tranquilamente nos fita e nos desfaz. Nem alta nem baixa, veste roupa fresca, o calor já vai fazendo as suas desgraças, o que deixa ver algumas partes do seu corpo, as suficientes para me dar apertos no coração. Uma dela é a transposição da cintura para as ancas, altamente inebriante. Só apetece meter a mão e sentir. O toque deve-se evitar ao máximo, sempre ouvi dizer.
Nos dias que correm qualquer tipo de toque é considerado uma evasão da privacidade e o primeiro sente-se como se sente o seu peito nu encostado no meu. Por um breve milionésimo de segundo tocámo-nos, nas mãos. Foi como um choque eléctrico. Senti-me ligado a ela para o resto da vida, foi de tal forma que a conversa parou, ficámos a olhar o azul do céu e com medo dos pombos. O que nos uniu foram os pombos.
Sofremos de “pombofubia”. Não gostamos que se aproximem, mas adorávamos ter mil daquelas aves em casa. É mais umas das incongruências da vida moderna.
A saliva estava já há muito seca, mas não conseguimos parar de evocar temas antigos. Um em particular excitante, a Grécia antiga. Devorámos teorias, livros, temas, discussões acesas, maravilhosas concordâncias, de arrepiar. Este é o mais apaixonante, dos mil e um temas que falámos. Desde o primeiro dia que achei ser uma relação tão especial. Achei que podia contar com ela para tudo, mas sei que quando precisar vai-me custar tudo. Ela diz que não, mas sei que não vai ser assim. Se for como ela diz, será ainda mais especial, mas sei que será como eu penso.
Trabalhei o resto da noite, a vã esperança não abandonou o meu coração, mas podia tirar todas as esperanças do meu corpo. Ela não viria. Saíram os últimos anormais, mais cumprimentos, o doente do miolo que me olha de lado. - Hoje não. - Disse eu. Deixei-o ir. Despedi-me de todos, pedi ao patrão se podia fechar a porta por mim. Ele assustou-se um pouco comigo e comentou que andava ali pombinha. Já nos conhecemos há tantos anos… Mas notou que estava diferente, no meio da melancolia, notava um sorriso. Perguntou-me logo se podia continuar a contar comigo. Eu disse num tom um pouco seco: Espero que sim.
Vagueei pelas ruas da cidade, mais ou menos deserta, só os turistas que são mais que os pombos, e por isso há que evitar, se faziam passear pelas ruas. 11 da manhã o sol estala na minha cara, meto a chave à porta e ela toca-me no ombro.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Ante (visões) II
Parede de Coura
Dia 12
Concertos de boas vindas.
Palco Depois das Horas
DJ FRA/Nitsa Club/Primavera Sound
Simian Mobile Disco
Devotchka
Sizo
Dia 13
BabyShambles
Mando Diao
Sparta
Blasted Mechanism
New Young Pony Club
M.I.A.
Jazz na erva:
ZAPPA_Low Budget research Kitchen
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Slimmy
The Blows
Palco Fora de Horas
Guns n'Bombs
Crystal Castels
Dia 14
Dinosaur Jr.
New York Dolls
Mão Morta
Architecture In Helsinki
Gogol Bordello
Spoon
~
Jazz na erva:
Paulo Barros 4tet
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Mundo Cão
6 P M
Palco Fora das Horas:
DJ Jean Nipon (dj ai)
Foreign Islands
Dia 15
Sonic Youth
Cansei de Ser Sexy
The Sunshine Underground
Electrelane
Peter, Bjorn & John
Linda Martini
Jazz na erva:
Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Born a Lion
The Right Ons
Palco Fora das Horas:
Boys Noise
U-Clic
Este ano vou ficar mesmo em Parede de Coura, e vós?
Dia 12
Concertos de boas vindas.
Palco Depois das Horas
DJ FRA/Nitsa Club/Primavera Sound
Simian Mobile Disco
Devotchka
Sizo
Dia 13
BabyShambles
Mando Diao
Sparta
Blasted Mechanism
New Young Pony Club
M.I.A.
Jazz na erva:
ZAPPA_Low Budget research Kitchen
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Slimmy
The Blows
Palco Fora de Horas
Guns n'Bombs
Crystal Castels
Dia 14
Dinosaur Jr.
New York Dolls
Mão Morta
Architecture In Helsinki
Gogol Bordello
Spoon
~
Jazz na erva:
Paulo Barros 4tet
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Mundo Cão
6 P M
Palco Fora das Horas:
DJ Jean Nipon (dj ai)
Foreign Islands
Dia 15
Sonic Youth
Cansei de Ser Sexy
The Sunshine Underground
Electrelane
Peter, Bjorn & John
Linda Martini
Jazz na erva:
Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa
Palco (presunto) Ibero Sounds:
Born a Lion
The Right Ons
Palco Fora das Horas:
Boys Noise
U-Clic
Este ano vou ficar mesmo em Parede de Coura, e vós?
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Artic (Fucking) Monkeys!!!
Para não habituar, faço o relato com dois dias de atraso.
Artic Monkeys no Coliseu dos Recreios:
Primeira parte, X-Fife. Pá, não há muito a dizer. Só uma coisa, preferia que tivesse sido The Vicious Five, mas por razões obscuras não foram.
Artic Monkeys: Tarola tipo kalashnikov, guitarras tipo cavaquinho e voz cana charrada, ou rachada. LINDO!!! Os putos são mesmo muito bons. Quase toda a gente foi unânime em afirmar que as músicas são todas muito parecidas, se calhar menos eu e outro. Mal comparando, e os Ramones?
Achei-os muito profissionais, ou tímidos, das duas três.
Acho sempre que estão no início, tendo sempre muito mais para dar e neste momento já são muito bons.
ADOREI!
“Who deep to is to deep”
Força putos!
Um foto (que a merda da máquina resolveu avariar, mais uma vez. Pobre é assim. Mas já está boa. ;) ):

Obrigado pela vossa companhia.
Sou um pouco suspeito, mas o Coliseu é excelente! Que maravilha!
PS: O som estava nice. Para variar…
PS1: Quanto à Radar... sem comentários. Nada, um música, um comentário, NADA! Cuidado, podem ser despedidos! CUIDADO! :S
Artic Monkeys no Coliseu dos Recreios:
Primeira parte, X-Fife. Pá, não há muito a dizer. Só uma coisa, preferia que tivesse sido The Vicious Five, mas por razões obscuras não foram.
Artic Monkeys: Tarola tipo kalashnikov, guitarras tipo cavaquinho e voz cana charrada, ou rachada. LINDO!!! Os putos são mesmo muito bons. Quase toda a gente foi unânime em afirmar que as músicas são todas muito parecidas, se calhar menos eu e outro. Mal comparando, e os Ramones?
Achei-os muito profissionais, ou tímidos, das duas três.
Acho sempre que estão no início, tendo sempre muito mais para dar e neste momento já são muito bons.
ADOREI!
“Who deep to is to deep”
Força putos!
Um foto (que a merda da máquina resolveu avariar, mais uma vez. Pobre é assim. Mas já está boa. ;) ):

Obrigado pela vossa companhia.
Sou um pouco suspeito, mas o Coliseu é excelente! Que maravilha!
PS: O som estava nice. Para variar…
PS1: Quanto à Radar... sem comentários. Nada, um música, um comentário, NADA! Cuidado, podem ser despedidos! CUIDADO! :S
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Mudhoney II
“É muito difícil explicar algo que seja muito bom, já o contrário é bem mais fácil.”
Dito por algum idiota.
Para já quero dizer um coisa: LINDO!!!
Depois, não se faz. Quem foi o anormal que comprou o Paradise Garage??? Por certo que alguém verdadeiramente anormal, estúpido, desprezível e anormal outra vez. Quem o fez cancelou todos os espectáculos que estavam para lá marcados, inclusive o de ontem e outros tantos como Nitzareb, que era para se realizar dia 28 deste mês e assim não sei onde irá ser.
De qualquer forma o concerto de ontem foi no Culto Bar (Culto Club, ou Cenas…), para mal de alguns e para a surpresa de outros, como eu que pensei que fosse correr bem pior.
Achei piada um conjunto de coisas que por aquelas bandas aconteceram. Em especial um filho da puta dum empregado do bar que por mais que uma vez foi arrogante, indelicado, cabrão e filho da puta outra vez. Quando lhe pedi para guardar um capacete respondeu:
- Pá, abrimos isto hoje porque o Paradise foi vendido! Não temos que guardar nada!
Depois:
- Não há cerveja.
Ao que eu fiz um ar de espanto e ele:
- Pá, o que é que queres?! Não há!
E voltou costas sem que eu tivesse tempo para pedir água. Quando o fez ainda comentou algo com o amigo e começaram a rir-se. Ora este tipo de atitudes é de louvar. E uma coisa é certa, não ponho lá mais os pés e claro que vou comentar com o resto das pessoas que conheço estes factos. Devem ter aquela merda sempre cheia e não precisam de nós, pessoal do rock. Já o resto do pessoal que lá vai… nem comento.
A sala é ideal para concertos das bandas da laia daqueles tipos, mas para bandas como os Mudhoney, fica um pouco à justa. Claro que dá um concerto muito mais intimista, ou até com muito mais contacto, que foi o caso.
Pronto, agora que já disse todas as alarvidades, vamos ao que interessa.
d3o
Foi muito bom!!! Uma enxurrada de rock&roll cru, puro e nu! Uma grande performance de palco. Vê-se que gostam de Mudhoney.
No final do concerto perguntei o vocalista se não havia forma de se voltarem a juntar (o original), riu-se e disse que seria muito complicado.
Algumas fotos.











Mudhoney
Mudhoney
Mal entraram em palco, pensei: “Este gajos são os Mudhoney! E eu vou vê-lo ao vivo! Foda-se!”
Não é meu hábito estar lá na frente, mas desta vez porquê não sei, estava bem lá na frente. Foram necessários 3 minutos para começar a dar uso às minhas Dr Martens, que sensação incrível, que loucura, que confusão organizada, o som, os encontrões estavam todos em consonância. Eu sempre achei que aquilo era estúpido e só o tinha feito um vez em The Young Gods no SBSR e adorei também, mas ontem, a cada música queria mais e mais, e mais, até que fiquei sem petróleo e com a boca tão seca que não conseguia engolir.
Gritei, puxei, ouvi, curti, olhei, arrepie-me, pedi mais e eles sempre a tocarem, com canções que eu bem conheço, que também já as cantei no carro, em casa, na rua e agora ali, junto a eles. Foi um concerto lindo! Adorei!
O humor do Mark, a boa disposição do Guy, o ar cool do Steve e o ar robusto do Dan, fazem esta banda ser o que é. Eu sempre gostei deles, mas neste momento fiquei a gostar ainda mais.
Algumas fotos:



















Os despojos de guerra.

Tocaram até às duas da manhã, ainda consegui apanhar o barco.
Tenho a sensação que esta foi a primeira e a última vez que cá vieram. Para mim será a única, tal como já aconteceu com outras bandas que cá vieram várias vezes.
Não me lembro o alinhamento das músicas, conhecia todas. Mas no segundo encore tocaram muitas músicas novas, o que é muito bom saber, pois têm coisas novas.
LINDO! Estou rouco, dói-me uma articulação da perna direita, o joelho esquerdo, o gémeo da perna esquerda e outras coisas mais, mas estou bem satisfeito.
Ainda bem que a Radar não disse nada, isto é música pouco intelectual…
Dito por algum idiota.
Para já quero dizer um coisa: LINDO!!!
Depois, não se faz. Quem foi o anormal que comprou o Paradise Garage??? Por certo que alguém verdadeiramente anormal, estúpido, desprezível e anormal outra vez. Quem o fez cancelou todos os espectáculos que estavam para lá marcados, inclusive o de ontem e outros tantos como Nitzareb, que era para se realizar dia 28 deste mês e assim não sei onde irá ser.
De qualquer forma o concerto de ontem foi no Culto Bar (Culto Club, ou Cenas…), para mal de alguns e para a surpresa de outros, como eu que pensei que fosse correr bem pior.
Achei piada um conjunto de coisas que por aquelas bandas aconteceram. Em especial um filho da puta dum empregado do bar que por mais que uma vez foi arrogante, indelicado, cabrão e filho da puta outra vez. Quando lhe pedi para guardar um capacete respondeu:
- Pá, abrimos isto hoje porque o Paradise foi vendido! Não temos que guardar nada!
Depois:
- Não há cerveja.
Ao que eu fiz um ar de espanto e ele:
- Pá, o que é que queres?! Não há!
E voltou costas sem que eu tivesse tempo para pedir água. Quando o fez ainda comentou algo com o amigo e começaram a rir-se. Ora este tipo de atitudes é de louvar. E uma coisa é certa, não ponho lá mais os pés e claro que vou comentar com o resto das pessoas que conheço estes factos. Devem ter aquela merda sempre cheia e não precisam de nós, pessoal do rock. Já o resto do pessoal que lá vai… nem comento.
A sala é ideal para concertos das bandas da laia daqueles tipos, mas para bandas como os Mudhoney, fica um pouco à justa. Claro que dá um concerto muito mais intimista, ou até com muito mais contacto, que foi o caso.
Pronto, agora que já disse todas as alarvidades, vamos ao que interessa.
d3o
Foi muito bom!!! Uma enxurrada de rock&roll cru, puro e nu! Uma grande performance de palco. Vê-se que gostam de Mudhoney.
No final do concerto perguntei o vocalista se não havia forma de se voltarem a juntar (o original), riu-se e disse que seria muito complicado.
Algumas fotos.











Mudhoney
Mudhoney
Mal entraram em palco, pensei: “Este gajos são os Mudhoney! E eu vou vê-lo ao vivo! Foda-se!”
Não é meu hábito estar lá na frente, mas desta vez porquê não sei, estava bem lá na frente. Foram necessários 3 minutos para começar a dar uso às minhas Dr Martens, que sensação incrível, que loucura, que confusão organizada, o som, os encontrões estavam todos em consonância. Eu sempre achei que aquilo era estúpido e só o tinha feito um vez em The Young Gods no SBSR e adorei também, mas ontem, a cada música queria mais e mais, e mais, até que fiquei sem petróleo e com a boca tão seca que não conseguia engolir.
Gritei, puxei, ouvi, curti, olhei, arrepie-me, pedi mais e eles sempre a tocarem, com canções que eu bem conheço, que também já as cantei no carro, em casa, na rua e agora ali, junto a eles. Foi um concerto lindo! Adorei!
O humor do Mark, a boa disposição do Guy, o ar cool do Steve e o ar robusto do Dan, fazem esta banda ser o que é. Eu sempre gostei deles, mas neste momento fiquei a gostar ainda mais.
Algumas fotos:



















Os despojos de guerra.

Tocaram até às duas da manhã, ainda consegui apanhar o barco.
Tenho a sensação que esta foi a primeira e a última vez que cá vieram. Para mim será a única, tal como já aconteceu com outras bandas que cá vieram várias vezes.
Não me lembro o alinhamento das músicas, conhecia todas. Mas no segundo encore tocaram muitas músicas novas, o que é muito bom saber, pois têm coisas novas.
LINDO! Estou rouco, dói-me uma articulação da perna direita, o joelho esquerdo, o gémeo da perna esquerda e outras coisas mais, mas estou bem satisfeito.
Ainda bem que a Radar não disse nada, isto é música pouco intelectual…
quarta-feira, 11 de julho de 2007
MUDHONEY!!!
Hoje é um dia muito especial para mim! É mais uma noite, mas tudo bem.
Vou ver uma das minhas bandas que mais gosto. É daquelas coisas, nunca pensei em vê-los.
Era para ser no Paradise Garage, mas por alguma razão que me escapa, irá ser no Culto Bar, ou Culto Club, ou Culto Cenas!
Fica aqui uma "pequena" homenagem.
Nem ponho o nome das músicas...
A essencia do som!
Agora só faltam ver ao vivo:
NoMeansNo - Que já era para ter cá vindo, se não houvesse algum anormal que tenha recusado cá trazê-los!!!
Butthole Surfers - Que ninguém conhece ou não sabem o que é... normal por estas lados do planeta...
Merda mais aos HYPE! Ou lá o que lhes chamam...
Até logo caro amigo!
Vou ver uma das minhas bandas que mais gosto. É daquelas coisas, nunca pensei em vê-los.
Era para ser no Paradise Garage, mas por alguma razão que me escapa, irá ser no Culto Bar, ou Culto Club, ou Culto Cenas!
Fica aqui uma "pequena" homenagem.
Nem ponho o nome das músicas...
A essencia do som!
Agora só faltam ver ao vivo:
NoMeansNo - Que já era para ter cá vindo, se não houvesse algum anormal que tenha recusado cá trazê-los!!!
Butthole Surfers - Que ninguém conhece ou não sabem o que é... normal por estas lados do planeta...
Merda mais aos HYPE! Ou lá o que lhes chamam...
Até logo caro amigo!
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Resumo
Mais curto e com menos bandas, mas igualmente bom.
Para o ano estou lá!
Vamos ver se muda para:
Sagres Rock! ;)
Para o ano estou lá!
Vamos ver se muda para:
Sagres Rock! ;)
Ontem (que para mim é ainda hoje)
Anselmo Ralph - Não vi. MESMO!
Micro Audio Waves - O que dizer? Foi bom. Estás muito magra rapariga... :P Claro que os bicos dos seios é algo que te fica bem, mas desvia as atenções.
X-Wife - Ao nível de outras actuações deles. Bom!
The Gossip - APAIXONEI-ME! MESMO! Até deitei uma lágrima... MUITO BOM!!!
TV On The Radio - MUITO BOM!!!
Scissor Sisters - Actuaram?
Interpol - FODA-SE!!! SÃO MUITO BONS!!! Que concerto! LINDO! FANTASTICO! MARAVILHOSO! Estou lá em Novembro. ;)
Underworld - Não vi. Acho que ia achar mau. Depois do que tinha ouvido e visto.
Micro Audio Waves - O que dizer? Foi bom. Estás muito magra rapariga... :P Claro que os bicos dos seios é algo que te fica bem, mas desvia as atenções.
X-Wife - Ao nível de outras actuações deles. Bom!
The Gossip - APAIXONEI-ME! MESMO! Até deitei uma lágrima... MUITO BOM!!!
TV On The Radio - MUITO BOM!!!
Scissor Sisters - Actuaram?
Interpol - FODA-SE!!! SÃO MUITO BONS!!! Que concerto! LINDO! FANTASTICO! MARAVILHOSO! Estou lá em Novembro. ;)
Underworld - Não vi. Acho que ia achar mau. Depois do que tinha ouvido e visto.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
E hoje temos para banquete:
17h00 - 17h20 Anselmo Ralph
17h35 - 17h55 Micro Audio Waves
18h10 - 18h50 X-Wife
19h05 - 19h50 The Gossip
20h10 - 21h00 TV On The Radio
21h20 - 22h35 Scissor Sisters
23h05 - 00h25 Interpol
00h45 - 02h00 Underworld
Já sei quando vou jantar... :)))
17h35 - 17h55 Micro Audio Waves
18h10 - 18h50 X-Wife
19h05 - 19h50 The Gossip
20h10 - 21h00 TV On The Radio
21h20 - 22h35 Scissor Sisters
23h05 - 00h25 Interpol
00h45 - 02h00 Underworld
Já sei quando vou jantar... :)))
Quem se lembra de ontem?
Mundo Cão - Gostei muito. Acho só que o vocalista devia mexer-se mais. Fazer um pouco de performance de palco.
Linda Martini - Os Sonic Youth portugueses. Muito bom!
18h45 - 19h45 Clap Your Hands Say Yeah - É daquelas merdas... a voz... mais de resto foi engraçadito.
The Rapture - Tiveram um furo...
Maximo Park - Que pica!!!
The Jesus & Mary Chain - Foi bom. Achei que podiam ter puxado mais pela distorção. Devem estar cansados do barulho...
LCD Soundsystem - Sem espinhas! LINDO!!! FABULOSO!!!
Linda Martini - Os Sonic Youth portugueses. Muito bom!
18h45 - 19h45 Clap Your Hands Say Yeah - É daquelas merdas... a voz... mais de resto foi engraçadito.
The Rapture - Tiveram um furo...
Maximo Park - Que pica!!!
The Jesus & Mary Chain - Foi bom. Achei que podiam ter puxado mais pela distorção. Devem estar cansados do barulho...
LCD Soundsystem - Sem espinhas! LINDO!!! FABULOSO!!!
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Hoje
17h00 - 17h30 Mundo Cão
17h45 - 18h25 Linda Martini
18h45 - 19h45 Clap Your Hands Say Yeah
20h05 - 21h05 The Rapture
21h25 - 22h25 Maximo Park
22h45 - 00h00 The Jesus & Mary Chain
00h20 - 01h35 LCD Soundsystem
Já carreguei as pilhas!
17h45 - 18h25 Linda Martini
18h45 - 19h45 Clap Your Hands Say Yeah
20h05 - 21h05 The Rapture
21h25 - 22h25 Maximo Park
22h45 - 00h00 The Jesus & Mary Chain
00h20 - 01h35 LCD Soundsystem
Já carreguei as pilhas!
Ontem
Ontem:
Y? - Não vi…
Bunnyranch - MUITO BOM!!! Uma grande surpresa para mim.
The Gift - Não comento… :P Mas digo que as bifanas estavam boas.
Klaxons - Nem sim nem não…
Magic Numbers - Em que século estamos?
Bloc Party - O do Coliseu foi bem mais forte. Devem estar cansados dos Festivais…
Arcade Fire – Giro, apesar de todos saberem os meus gostos.
No que diz respeito ao Festival, pelo primeiro dia, achei que têm a lição muito bem estudada.
Y? - Não vi…
Bunnyranch - MUITO BOM!!! Uma grande surpresa para mim.
The Gift - Não comento… :P Mas digo que as bifanas estavam boas.
Klaxons - Nem sim nem não…
Magic Numbers - Em que século estamos?
Bloc Party - O do Coliseu foi bem mais forte. Devem estar cansados dos Festivais…
Arcade Fire – Giro, apesar de todos saberem os meus gostos.
No que diz respeito ao Festival, pelo primeiro dia, achei que têm a lição muito bem estudada.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Hoje
Para hoje, para além de previsão de chuva, que é normal no Inverno... temos:
17:00 - 17:15 - Y? (???????????????????????????????????)
17:30 - 18:15 - Bunnyranch
18:35 - 19:25 - The Gift
19:45 - 20:45 - Klaxons
21:05 - 22:05 - Magic Numbers
22:25 - 23:40 - Bloc Party
00:00 - 01:30 - Arcade Fire
Sem descriminações
17:00 - 17:15 - Y? (???????????????????????????????????)
17:30 - 18:15 - Bunnyranch
18:35 - 19:25 - The Gift
19:45 - 20:45 - Klaxons
21:05 - 22:05 - Magic Numbers
22:25 - 23:40 - Bloc Party
00:00 - 01:30 - Arcade Fire
Sem descriminações
sábado, 30 de junho de 2007
Sintra, anos 80.
(Para aqueles que se queixam, imprimam e leiam)
Resolvi embarcar numa pequena aventura com uns amigos “gadelhudos”, não do “Heavy” mas do “Gótico”. Digo aventura, pois para alguém que morou mais de 15 anos na Margem Sul, é uma aventura ir de transportes de Almada a Sintra. Objectivo: Parque de Campismo do Convento dos Capuchos no seio da Serra de Sintra.
Devia ser Novembro, o tempo estava muito inconstante, como é normal para essa altura do ano. Fiz a mala em casa e peguei na tenda, que tinha usado uma vez e mal a sabia montar.
Fiz-me ao caminho. Juntei-me ao grupo em Cacilhas, para a grande travessia. Lembro-me muito bem, parecia que ia com um grupo de bimbos que fazem pela primeira vez a travessia do Tejo. Mas o pior foi quando chegámos a Lisboa. Era tudo deles. Acho que se esqueceram que em Almada também há passadeiras e semáforos. Fomos a pé desde o Cais do Sodré até o Rossio. Uma atrocidade. Chegámos à estação de comboios e parecia que ninguém sabia o que era aquilo… Achei tão estranho estar a tomar conta de tanta gente crescida, mesmo não sendo, que resolvi observar o que faziam. Foi muito engraçado, chegando mesmo a ser cómico. Eu até pensei que estavam já drogados, e estavam, mas não daquela forma. Eu ria por dentro. Pensava se não estariam a ser “bobos da corte”. Era quase ridículo. O mais interessante é que as duas raparigas do grupo, as que não tinham namorados, estavam comigo. Mas soube bem. Este tipo de atitude é normal em mim quando tenho que ser racional, mas quando não é necessário, é complicado. No entanto, achei que haveria tempo para dar largas à minha imaginação quando lá chegasse. Como já conhecia bem a linha de Sintra, pois vivi na zona uns outros tantos 15 anos que dão para saber muito bem quais os melhores atalhos, assim, confiavam em mim para saber qual o transporte a apanhar. Senti-me bem a comandar as tropas, só não achava piada quando começavam com asneirada ao pé de pessoas mais velhas. Eu achava que dava mau nome a Almada, ou há Margem Sul. Pensava eu que as pessoas nos reconheceriam, como reconhecem nómadas de uma tribo. Pois… mas o que acontecia é que não havia distinções. Seguimos todos na gaiola. Gaiola é o nome que se dava à carruagem, que ficava num local qualquer no comboio, sendo o mais habitual no fim, ou no princípio do comboio. Os vidros eram reforçados por arames, quadriculados e tudo tinha um aspecto de área de combate. Era também onde o maquinista ficava, bem como o único sítio onde se podia fumar, sendo também um bom sítio para transportar todas nas nossas malas e tendas. Meio caminho andado e já iam no vigésimo charro, o que tornava tudo muito nublado. Lembrei-me de uma coisa. E comida? Eu levava enlatados, e eles? Pois… como será óbvio… nada! Ainda pensei se iriam comer da minha, ou se estavam à espera que as “mulheres” do grupo teriam essa incumbência. Pelos vistos a fórmula era comprar quando não tivessem. Pareceu-me justo. Sabendo que lá em cima não haveria nada. Ainda pensei se estavam a pensar arranjar um café onde houvesse Bolicaos, mas depois convenci-me que era mesmo uma questão de burrice, ou de falta de planeamento. Até havia um que já tinha sido dos Escuteiros, mas já tinha sido há muitos anos (4) e já não se lembrava. Eu sabia bem o que tinha.
Chegámos à Vila de Sintra. Qual a primeira coisa que tentamos fazer? Chegar pelo caminho mais curto aos Capuchos. Ora para quem conheça um pouco da Serra, sabe que dali até ao Capuchos não há como… a não ser que tenhamos algo que fure a terra, ou que possamos passar por dentro de propriedades, etc, etc… Dei a minha dica e foi bem aceite. Volta do Duche, Palácio da Vila de Sintra e começar a subir. Ainda houve quem achasse uma estupidez… foi o escuteiro. No entanto consegui demover a maior parte do pessoal. Subir e subir e subir. Caminhar pela estrada e subir. Eram já quase 3 da tarde e num dia de Inverno, era normal que a luz começasse a fraquejar, havendo algum pânico por parte das hostes femininas. Mas uma palavra tranquilizante do chefe de fila: O escuteiro. – Seria sempre bem vinda:
- Se nos perdermos vai ser baril, assim podemos vos comer e ninguém irá ouvir! – Dando um gargalhada solitária.
- Que piada gira… - responderam com desprezo.
E com este tipo de picardia lá íamos. Não sei bem ao certo quantos quilómetros são, nem quantas horas passámos na estrada, sei que já era quase de noite quando lá chegámos. O que valia era umas luzes que existiam dentro do parque… Como é óbvio, não havia qualquer tipo de condições para a prática do campismo no parque, se é que se podia chamar parque aquele lugar. Juntámo-nos a uns amigos que já lá estavam, há mais dias. Essa reunião foi muito estranha, um misto de alegria, repulsa e pedido de ajuda. Eram 3. A única luz que tinham provinha de uma lanterna. Eu não quis acreditar. Tinha que montar a tenda no escuro profundo. Estava cansado.
Lá para as 2 da manhã acabei de montar a tenda. Nessa noite dormi sozinho. No outro dia e como seria óbvio, não havia comida para todo, muito menos bebida. Claro que começou a chover. Serra de Sintra = a chuva. Porque era mais perto, descemos pela encosta Norte até à próxima localidade. Andámos um par de horas. É lindo caminhar pela Serra. Dá uma tranquilidade muito grande. A maior parte do tempo íamos todos calados, só se ouvia os paços, a chuva, que era miúda, e o vento. Quando estávamos a chegar, passámos por um palácio, semi-abandonado. Lindo! Cheio de mistério. A natureza há muito que se tinha apoderado dos jardins e outras partes da propriedade. A casa, neste caso, palácio, parecia que nos convidava a entrar. Estávamos todos em frente ao portão principal, não nos conseguimos decidir. Até que… o escuteiro… disse:
- Pá, temos que ir comprar mantimentos, caga nisso!
Claro que as raparigas que estavam do lado dele, pois toda aquele cenário arrepiava. Eu fiquei para trás, ainda fui olhando para a casa quando caminhava. Parecia mesmo que algo me convidava a entrar. Resisti.
Chegámos à povoação. Fizemos as compras certas: Latas de salsicha, batatas fritas, ketchup e muita cerveja. Este último item, trazia um pequeno problema. Quem o transportava? Prontamente alguém aconselhou que fosse o… escuteiro. Já se ia fazendo tarde e iniciámos longa caminhada de volta.
Mais uma vez o palácio, desta vez não parámos. Estava alguém ao portão. Nem nos atrevemos a olhar. Eu sim… enquanto caminhava observei. Que figura estranha. Alto, muito magro, de olhos carregados, que mal se viam, pois tinha um chapéu em bico enterrado na cabeça, de braços pendidos, pareciam enormes. As vestes eram velhas, mesmo muito velhas. Com um ar muito sério, de quem não sorri há vários séculos. Após um cruzar de olhos, voltou costas e saiu do portão. Eu como sempre era o último, não tive coragem de voltar a olhar. Sei se alguém me tocasse no ombro naquela altura, o coração iria parar. Só passados vários minutos é que olhei para trás. Já nem se via o palácio e não estava ninguém atrás de nós.
Mais à frente e porque estava tudo entediado, resolvemos fazer uma espécie de corrida. Rapazes contra raparigas. Tudo começou porque alguém disse, e é escusado dizer quem, que se os rapazes não estivessem ali, as raparigas não conseguiriam chegar ao acampamento, sozinhas. Claro que se gerou logo ali uma pequena guerra. Deixámos que elas partissem e saímos passados 10 minutos. E lá fomos.
Andámos e andámos e nada delas. Claro que achei que elas iam conseguir, até que… Começámos a ouvir gritos de socorro. Apressámos o passo e quando estávamos bem perto delas, vimos que estavam no gozo. Estavam no meio do mato, chamavam por nós, diziam que estavam perdidas e depois riam-se. Deixámos que continuassem até ficarem mesmo em pânico. Passado uma hora, os gritos já começavam a ser de desespero. Resolvemos ir ao encontro delas. Dividimo-nos em 3 grupos e fomos assusta-las. Claro que não conseguimos nada, pois o barulho das garrafas de litro de cerveja ouvia-se a quilómetros. Mas elas estavam mesmo perdidas. O pior é que também nos fizeram perder. Estávamos no meio do mato, os caminhos multiplicavam-se. Eu, sempre cá atrás, estava muito descontraído. Sabia mais ou menos que estávamos a caminhar na direcção errada, pois estávamos a caminhar muito para poente. Mas deixei andar. Mais uma hora de caminho e resolvi intervir.
- Pessoal, estamos perdidos. - Disse eu com os braços no ar.
- Não me digas... – Respondeu o Rui com um ar irónico.
- Sim, eu sei que pensavam que estavam perdidos há mais tempo. Mas eu tenho vindo a observar e estamos a caminhar muito para poente.
- Bem! Temos aqui alguém que está orientado! – Disse o escuteiro, irónico. Começaram todos a rir.
- Como é? Querem a minha ajuda ou não?
- E achas que consegues nos ajudar e não vais fazer pior?
- Se me deixarem ajudar, vão ver que estamos no acampamento em menos de uma hora.
- Isso é que é confiança. Ok, faz-te à vida.
Subi a um ponto bem alto e levei o meu amigo Rui comigo. Disse-lhe que tentasse encontrar alcatrão, ou um carro. Era muito difícil, estávamos mesmo no meio do mato, a única coisa que nos envolvia era mesmo só o verde do mato. De repente, avistei um carro numa estrada.
- JÁ ENCONTREI! VAMOS! – Gritei eu para o pessoal.
Fizemo-nos ao caminho. Em 15 minutos estávamos numa estrada. Só tinha que saber qual a direcção em que estávamos. Esperámos mais 10 minutos e lá apareceu um carro. Estávamos com sorte, pois era fim-de-semana e havia mais carros a passear do que era costume. Tentamos parar o carro, aos saltos e aos gritos no meio da estrada, mas não sei porquê o carro não parou. Achei estranho. Depois pensei um pouco e percebi logo. Éramos cerca de 8 pessoas, todas molhadas, de veste negras, alguns de cabelos compridos, com muito mau aspecto… eu também não pararia.
- Filho da puta! – gritámos todos.
E o carro parou de repente. Pensei que nos poderiam querer fazer mal, pelas palavras proferidas, mas como éramos muitos fiquei logo mais tranquilo. Alguns de nós correram para o carro. Ficaram um pouco à conversa. Depois o carro foi e eles voltaram para junto de nós.
- É por este lado. Temos que ir por aqui. – disseram os meus amigos.
Fiquei mesmo contente. O mais engraçado foi o que levou o condutor a parar. Pensou que queríamos fogo para acender um cigarro… Estranho!
Não sei o que se passou desde que eu disse que queria ajudar, mas uma coisa era certa, estava tudo a correr bem. Iniciámos a caminhada pela estrada fora, não devíamos estar muito longe. Não passava carro nenhum. Do nada apareceu uma carrinha de caixa aberta, do tipo pick-up. Pararam ao nosso lado e perguntaram
- Querem boleia?
Não queríamos acreditar.
- Não somo muitos?
- Vocês é que sabem… se couberem!
- Claro que sim!
E saltámos todos lá para trás. Foi lindo! Mais uma vez havia alguma coisa que me perseguia, como uma luz. Pensei na pessoa do portão e arrepiei. Dei um sorriso e agradeci.
Deixaram-nos mesmo perto do acampamento, agradecemos e eles seguiram caminho. Penso que nos acharam um pouco loucos, chegando mesmo a sentir pena de nós. A chuva ora abrandava ora voltava a cair. Estávamos todos com fome e tínhamos que acender uma pequena fogueira para aquecer as latas de salsichas. Eu precisava para aquecer as latas de comida enlatada, mas com a chuva, era impossível. Como nada resultava, foi mesmo frio. Soube tão bem! Mesmo muito bem. Claro que sempre acompanhado por muita cerveja. A noite já tinha chegado e o silêncio só era quebrado pelo estalar de uma ou outra árvore, pelas nossas vozes, que cada vez estavam mais caladas pelo cansaço e pelo vento, acompanhado de alguma chuva. O sono e o cansaço deram cabo de alguns de nós. Assim, fui-me deitar. Alguns foram para o convento dos Capuchos. Essa era a ideia original do acampamento, visitar o convento à noite. Eu não fui nisso.
Estava um pouco molhado, pois tinha passado a maior parte do dia a levar com chuva e com a humidade e frio que se fazia sentir, não estava a ser nada fácil aquecer. De repente oiço o fecho da minha tenda abrir e vozes de raparigas.
- Podemos?
- Hum… sim.
- Se não queres vamos embora.
- Não, entrem, entrem.
Pois é. A tenda onde estavam 3 das raparigas, ficou ocupada por uma rapariga e um rapaz, logo as outras foram despejadas. E para onde iriam elas? Para a minha tenda. Bem, eu fiz imediatamente uma série de filmes, mas a verdadeira razão era que estavam cheias de frio e acharam que ali iam aquecer. Eu estava no meio, uma do um lado e a outra do outro, agarradas a mim e tremiam mais que varas verdes. Eu passei a noite a tentar aquece-las. Tanto agarrava uma como outra, mas foi muito complicado. O pior foi quando comecei a sentir o corpo de uma delas e a tentação de ter algo com ela. Mas de imediato me passou a ideia. Como aliás faço com quase tudo o que diz respeito a estas coisas. Não sei explicar.
Eu não sou grande especialista em montar tendas e como estava o tempo, teria que ter cuidados extra, como por exemplo fazer canais de escoamento para a chuva, para não ficar debaixo da tenda. Pois… não os fiz( )e comecei a sentir água nas minhas costas. O que vale é que elas já não tremiam e dormiam tranquilamente. Não sei se foi pelo cansaço, se por outra coisa qualquer, adormeci.
Acordei e só já estava uma das raparigas na tenda. A tentação foi tanta. Ainda por cima era a que tinha achado mais gira. Agarrei-me um pouco a ela. Adormeci de novo. Quando acordei, já não estava lá. Foi meio estranho quando sai da tenda. Foi como se nada se tivesse passado. Não liguei.
Sentia-me sujo e queria tomar um banho. Perguntei onde o podia fazer e chamaram-me louco. Isso já eu sabia. Havia uns balneários ali perto, mas como é óbvio, com água fria. Mesmo assim tomei. Já passaram muito anos após esta aventura, mas ainda me lembro deste banho, como se fosse hoje. Os gritos ouviram-se na Vila, de certeza! A água estava tão fria, que depois de tomar o banho fiquei cheio de calor. Soube mesmo bem.
Fome de novo. Já não chovia e deu para acender uma fogueira. Juntámo-nos em volta dela a contar as coisas da noite anterior. Não falámos da minha noite com as raparigas. Principalmente falaram das coisas que viram e ouviram no Convento à noite. De arrepiar. Agora que se passaram muitos anos, sei bem que estavam a exagerar e as pessoas que viram, eram os guardas do Convento, bem como a droga a falar, mas tinham muita imaginação.
Chegara a hora de desmontar tudo. Eu e mais uns quantos íamos embora. A cerveja mais uma vez tinha acabado.
Já com tudo arrumado, saímos. As duas raparigas foram comigo, mais o Rui e outro. Os outros ficaram lá.
A descer era muito melhor. Chegámos num instante à estação de comboio da Sintra.
Muito poucas palavras foram ditas. Era um misto de cumplicidade, cansaço e timidez.
Apanhámos o comboio, ficámos de novo na carruagem gaiola. Dei um último olhar para a Serra e pareceu-me ter visto a pessoa do portão. Olhei nos olhos dele e sabes o que ele fez?
Sorriu.
Resolvi embarcar numa pequena aventura com uns amigos “gadelhudos”, não do “Heavy” mas do “Gótico”. Digo aventura, pois para alguém que morou mais de 15 anos na Margem Sul, é uma aventura ir de transportes de Almada a Sintra. Objectivo: Parque de Campismo do Convento dos Capuchos no seio da Serra de Sintra.
Devia ser Novembro, o tempo estava muito inconstante, como é normal para essa altura do ano. Fiz a mala em casa e peguei na tenda, que tinha usado uma vez e mal a sabia montar.
Fiz-me ao caminho. Juntei-me ao grupo em Cacilhas, para a grande travessia. Lembro-me muito bem, parecia que ia com um grupo de bimbos que fazem pela primeira vez a travessia do Tejo. Mas o pior foi quando chegámos a Lisboa. Era tudo deles. Acho que se esqueceram que em Almada também há passadeiras e semáforos. Fomos a pé desde o Cais do Sodré até o Rossio. Uma atrocidade. Chegámos à estação de comboios e parecia que ninguém sabia o que era aquilo… Achei tão estranho estar a tomar conta de tanta gente crescida, mesmo não sendo, que resolvi observar o que faziam. Foi muito engraçado, chegando mesmo a ser cómico. Eu até pensei que estavam já drogados, e estavam, mas não daquela forma. Eu ria por dentro. Pensava se não estariam a ser “bobos da corte”. Era quase ridículo. O mais interessante é que as duas raparigas do grupo, as que não tinham namorados, estavam comigo. Mas soube bem. Este tipo de atitude é normal em mim quando tenho que ser racional, mas quando não é necessário, é complicado. No entanto, achei que haveria tempo para dar largas à minha imaginação quando lá chegasse. Como já conhecia bem a linha de Sintra, pois vivi na zona uns outros tantos 15 anos que dão para saber muito bem quais os melhores atalhos, assim, confiavam em mim para saber qual o transporte a apanhar. Senti-me bem a comandar as tropas, só não achava piada quando começavam com asneirada ao pé de pessoas mais velhas. Eu achava que dava mau nome a Almada, ou há Margem Sul. Pensava eu que as pessoas nos reconheceriam, como reconhecem nómadas de uma tribo. Pois… mas o que acontecia é que não havia distinções. Seguimos todos na gaiola. Gaiola é o nome que se dava à carruagem, que ficava num local qualquer no comboio, sendo o mais habitual no fim, ou no princípio do comboio. Os vidros eram reforçados por arames, quadriculados e tudo tinha um aspecto de área de combate. Era também onde o maquinista ficava, bem como o único sítio onde se podia fumar, sendo também um bom sítio para transportar todas nas nossas malas e tendas. Meio caminho andado e já iam no vigésimo charro, o que tornava tudo muito nublado. Lembrei-me de uma coisa. E comida? Eu levava enlatados, e eles? Pois… como será óbvio… nada! Ainda pensei se iriam comer da minha, ou se estavam à espera que as “mulheres” do grupo teriam essa incumbência. Pelos vistos a fórmula era comprar quando não tivessem. Pareceu-me justo. Sabendo que lá em cima não haveria nada. Ainda pensei se estavam a pensar arranjar um café onde houvesse Bolicaos, mas depois convenci-me que era mesmo uma questão de burrice, ou de falta de planeamento. Até havia um que já tinha sido dos Escuteiros, mas já tinha sido há muitos anos (4) e já não se lembrava. Eu sabia bem o que tinha.
Chegámos à Vila de Sintra. Qual a primeira coisa que tentamos fazer? Chegar pelo caminho mais curto aos Capuchos. Ora para quem conheça um pouco da Serra, sabe que dali até ao Capuchos não há como… a não ser que tenhamos algo que fure a terra, ou que possamos passar por dentro de propriedades, etc, etc… Dei a minha dica e foi bem aceite. Volta do Duche, Palácio da Vila de Sintra e começar a subir. Ainda houve quem achasse uma estupidez… foi o escuteiro. No entanto consegui demover a maior parte do pessoal. Subir e subir e subir. Caminhar pela estrada e subir. Eram já quase 3 da tarde e num dia de Inverno, era normal que a luz começasse a fraquejar, havendo algum pânico por parte das hostes femininas. Mas uma palavra tranquilizante do chefe de fila: O escuteiro. – Seria sempre bem vinda:
- Se nos perdermos vai ser baril, assim podemos vos comer e ninguém irá ouvir! – Dando um gargalhada solitária.
- Que piada gira… - responderam com desprezo.
E com este tipo de picardia lá íamos. Não sei bem ao certo quantos quilómetros são, nem quantas horas passámos na estrada, sei que já era quase de noite quando lá chegámos. O que valia era umas luzes que existiam dentro do parque… Como é óbvio, não havia qualquer tipo de condições para a prática do campismo no parque, se é que se podia chamar parque aquele lugar. Juntámo-nos a uns amigos que já lá estavam, há mais dias. Essa reunião foi muito estranha, um misto de alegria, repulsa e pedido de ajuda. Eram 3. A única luz que tinham provinha de uma lanterna. Eu não quis acreditar. Tinha que montar a tenda no escuro profundo. Estava cansado.
Lá para as 2 da manhã acabei de montar a tenda. Nessa noite dormi sozinho. No outro dia e como seria óbvio, não havia comida para todo, muito menos bebida. Claro que começou a chover. Serra de Sintra = a chuva. Porque era mais perto, descemos pela encosta Norte até à próxima localidade. Andámos um par de horas. É lindo caminhar pela Serra. Dá uma tranquilidade muito grande. A maior parte do tempo íamos todos calados, só se ouvia os paços, a chuva, que era miúda, e o vento. Quando estávamos a chegar, passámos por um palácio, semi-abandonado. Lindo! Cheio de mistério. A natureza há muito que se tinha apoderado dos jardins e outras partes da propriedade. A casa, neste caso, palácio, parecia que nos convidava a entrar. Estávamos todos em frente ao portão principal, não nos conseguimos decidir. Até que… o escuteiro… disse:
- Pá, temos que ir comprar mantimentos, caga nisso!
Claro que as raparigas que estavam do lado dele, pois toda aquele cenário arrepiava. Eu fiquei para trás, ainda fui olhando para a casa quando caminhava. Parecia mesmo que algo me convidava a entrar. Resisti.
Chegámos à povoação. Fizemos as compras certas: Latas de salsicha, batatas fritas, ketchup e muita cerveja. Este último item, trazia um pequeno problema. Quem o transportava? Prontamente alguém aconselhou que fosse o… escuteiro. Já se ia fazendo tarde e iniciámos longa caminhada de volta.
Mais uma vez o palácio, desta vez não parámos. Estava alguém ao portão. Nem nos atrevemos a olhar. Eu sim… enquanto caminhava observei. Que figura estranha. Alto, muito magro, de olhos carregados, que mal se viam, pois tinha um chapéu em bico enterrado na cabeça, de braços pendidos, pareciam enormes. As vestes eram velhas, mesmo muito velhas. Com um ar muito sério, de quem não sorri há vários séculos. Após um cruzar de olhos, voltou costas e saiu do portão. Eu como sempre era o último, não tive coragem de voltar a olhar. Sei se alguém me tocasse no ombro naquela altura, o coração iria parar. Só passados vários minutos é que olhei para trás. Já nem se via o palácio e não estava ninguém atrás de nós.
Mais à frente e porque estava tudo entediado, resolvemos fazer uma espécie de corrida. Rapazes contra raparigas. Tudo começou porque alguém disse, e é escusado dizer quem, que se os rapazes não estivessem ali, as raparigas não conseguiriam chegar ao acampamento, sozinhas. Claro que se gerou logo ali uma pequena guerra. Deixámos que elas partissem e saímos passados 10 minutos. E lá fomos.
Andámos e andámos e nada delas. Claro que achei que elas iam conseguir, até que… Começámos a ouvir gritos de socorro. Apressámos o passo e quando estávamos bem perto delas, vimos que estavam no gozo. Estavam no meio do mato, chamavam por nós, diziam que estavam perdidas e depois riam-se. Deixámos que continuassem até ficarem mesmo em pânico. Passado uma hora, os gritos já começavam a ser de desespero. Resolvemos ir ao encontro delas. Dividimo-nos em 3 grupos e fomos assusta-las. Claro que não conseguimos nada, pois o barulho das garrafas de litro de cerveja ouvia-se a quilómetros. Mas elas estavam mesmo perdidas. O pior é que também nos fizeram perder. Estávamos no meio do mato, os caminhos multiplicavam-se. Eu, sempre cá atrás, estava muito descontraído. Sabia mais ou menos que estávamos a caminhar na direcção errada, pois estávamos a caminhar muito para poente. Mas deixei andar. Mais uma hora de caminho e resolvi intervir.
- Pessoal, estamos perdidos. - Disse eu com os braços no ar.
- Não me digas... – Respondeu o Rui com um ar irónico.
- Sim, eu sei que pensavam que estavam perdidos há mais tempo. Mas eu tenho vindo a observar e estamos a caminhar muito para poente.
- Bem! Temos aqui alguém que está orientado! – Disse o escuteiro, irónico. Começaram todos a rir.
- Como é? Querem a minha ajuda ou não?
- E achas que consegues nos ajudar e não vais fazer pior?
- Se me deixarem ajudar, vão ver que estamos no acampamento em menos de uma hora.
- Isso é que é confiança. Ok, faz-te à vida.
Subi a um ponto bem alto e levei o meu amigo Rui comigo. Disse-lhe que tentasse encontrar alcatrão, ou um carro. Era muito difícil, estávamos mesmo no meio do mato, a única coisa que nos envolvia era mesmo só o verde do mato. De repente, avistei um carro numa estrada.
- JÁ ENCONTREI! VAMOS! – Gritei eu para o pessoal.
Fizemo-nos ao caminho. Em 15 minutos estávamos numa estrada. Só tinha que saber qual a direcção em que estávamos. Esperámos mais 10 minutos e lá apareceu um carro. Estávamos com sorte, pois era fim-de-semana e havia mais carros a passear do que era costume. Tentamos parar o carro, aos saltos e aos gritos no meio da estrada, mas não sei porquê o carro não parou. Achei estranho. Depois pensei um pouco e percebi logo. Éramos cerca de 8 pessoas, todas molhadas, de veste negras, alguns de cabelos compridos, com muito mau aspecto… eu também não pararia.
- Filho da puta! – gritámos todos.
E o carro parou de repente. Pensei que nos poderiam querer fazer mal, pelas palavras proferidas, mas como éramos muitos fiquei logo mais tranquilo. Alguns de nós correram para o carro. Ficaram um pouco à conversa. Depois o carro foi e eles voltaram para junto de nós.
- É por este lado. Temos que ir por aqui. – disseram os meus amigos.
Fiquei mesmo contente. O mais engraçado foi o que levou o condutor a parar. Pensou que queríamos fogo para acender um cigarro… Estranho!
Não sei o que se passou desde que eu disse que queria ajudar, mas uma coisa era certa, estava tudo a correr bem. Iniciámos a caminhada pela estrada fora, não devíamos estar muito longe. Não passava carro nenhum. Do nada apareceu uma carrinha de caixa aberta, do tipo pick-up. Pararam ao nosso lado e perguntaram
- Querem boleia?
Não queríamos acreditar.
- Não somo muitos?
- Vocês é que sabem… se couberem!
- Claro que sim!
E saltámos todos lá para trás. Foi lindo! Mais uma vez havia alguma coisa que me perseguia, como uma luz. Pensei na pessoa do portão e arrepiei. Dei um sorriso e agradeci.
Deixaram-nos mesmo perto do acampamento, agradecemos e eles seguiram caminho. Penso que nos acharam um pouco loucos, chegando mesmo a sentir pena de nós. A chuva ora abrandava ora voltava a cair. Estávamos todos com fome e tínhamos que acender uma pequena fogueira para aquecer as latas de salsichas. Eu precisava para aquecer as latas de comida enlatada, mas com a chuva, era impossível. Como nada resultava, foi mesmo frio. Soube tão bem! Mesmo muito bem. Claro que sempre acompanhado por muita cerveja. A noite já tinha chegado e o silêncio só era quebrado pelo estalar de uma ou outra árvore, pelas nossas vozes, que cada vez estavam mais caladas pelo cansaço e pelo vento, acompanhado de alguma chuva. O sono e o cansaço deram cabo de alguns de nós. Assim, fui-me deitar. Alguns foram para o convento dos Capuchos. Essa era a ideia original do acampamento, visitar o convento à noite. Eu não fui nisso.
Estava um pouco molhado, pois tinha passado a maior parte do dia a levar com chuva e com a humidade e frio que se fazia sentir, não estava a ser nada fácil aquecer. De repente oiço o fecho da minha tenda abrir e vozes de raparigas.
- Podemos?
- Hum… sim.
- Se não queres vamos embora.
- Não, entrem, entrem.
Pois é. A tenda onde estavam 3 das raparigas, ficou ocupada por uma rapariga e um rapaz, logo as outras foram despejadas. E para onde iriam elas? Para a minha tenda. Bem, eu fiz imediatamente uma série de filmes, mas a verdadeira razão era que estavam cheias de frio e acharam que ali iam aquecer. Eu estava no meio, uma do um lado e a outra do outro, agarradas a mim e tremiam mais que varas verdes. Eu passei a noite a tentar aquece-las. Tanto agarrava uma como outra, mas foi muito complicado. O pior foi quando comecei a sentir o corpo de uma delas e a tentação de ter algo com ela. Mas de imediato me passou a ideia. Como aliás faço com quase tudo o que diz respeito a estas coisas. Não sei explicar.
Eu não sou grande especialista em montar tendas e como estava o tempo, teria que ter cuidados extra, como por exemplo fazer canais de escoamento para a chuva, para não ficar debaixo da tenda. Pois… não os fiz( )e comecei a sentir água nas minhas costas. O que vale é que elas já não tremiam e dormiam tranquilamente. Não sei se foi pelo cansaço, se por outra coisa qualquer, adormeci.
Acordei e só já estava uma das raparigas na tenda. A tentação foi tanta. Ainda por cima era a que tinha achado mais gira. Agarrei-me um pouco a ela. Adormeci de novo. Quando acordei, já não estava lá. Foi meio estranho quando sai da tenda. Foi como se nada se tivesse passado. Não liguei.
Sentia-me sujo e queria tomar um banho. Perguntei onde o podia fazer e chamaram-me louco. Isso já eu sabia. Havia uns balneários ali perto, mas como é óbvio, com água fria. Mesmo assim tomei. Já passaram muito anos após esta aventura, mas ainda me lembro deste banho, como se fosse hoje. Os gritos ouviram-se na Vila, de certeza! A água estava tão fria, que depois de tomar o banho fiquei cheio de calor. Soube mesmo bem.
Fome de novo. Já não chovia e deu para acender uma fogueira. Juntámo-nos em volta dela a contar as coisas da noite anterior. Não falámos da minha noite com as raparigas. Principalmente falaram das coisas que viram e ouviram no Convento à noite. De arrepiar. Agora que se passaram muitos anos, sei bem que estavam a exagerar e as pessoas que viram, eram os guardas do Convento, bem como a droga a falar, mas tinham muita imaginação.
Chegara a hora de desmontar tudo. Eu e mais uns quantos íamos embora. A cerveja mais uma vez tinha acabado.
Já com tudo arrumado, saímos. As duas raparigas foram comigo, mais o Rui e outro. Os outros ficaram lá.
A descer era muito melhor. Chegámos num instante à estação de comboio da Sintra.
Muito poucas palavras foram ditas. Era um misto de cumplicidade, cansaço e timidez.
Apanhámos o comboio, ficámos de novo na carruagem gaiola. Dei um último olhar para a Serra e pareceu-me ter visto a pessoa do portão. Olhei nos olhos dele e sabes o que ele fez?
Sorriu.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Solstício de Verão.
É às 19:06!
Hoje é o dia maior do ano!!!
Aproveitem bem!
Amanhã vou estar menos feliz...
Hoje é o dia maior do ano!!!
Aproveitem bem!
Amanhã vou estar menos feliz...
segunda-feira, 4 de junho de 2007
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Radio Quatro
Radio 4
Radio 4 - Save Your City
Radio 4 - Party Crashers
Radio 4 - State of Alert
Radio 4 - Dance to the Underground
Radio 4 - Enemies Like This
Radio 4 - Save Your City
Radio 4 - Party Crashers
Radio 4 - State of Alert
Radio 4 - Dance to the Underground
Radio 4 - Enemies Like This
terça-feira, 29 de maio de 2007
Fui às compras
Nomeansno - All Roads Lead to Ausfahrt

“Mondo Nihilissimo 2000
Nothing means anything, everything's permitted
Nothing is forbidden, so anything goes
Let's take turns molesting the children
I'm so bored with my life
Yes, we'll take turns molesting the children
And then I'll go home to my wife
I was born to be an attorney
I was born to peddle cars
I'll make hell while the sun shines
Then I'll end up behind bars
Nothing means anything, everything's permitted
Nothing is forbidden, so anything goes
Let's go home and bury the children
In the cellar with my wife
They were all insured for millions
Now we'll do just what we like
I was born to live on credit
You know my Visa's solid gold
MasterCard is my religion
I've got a mortgage on my soul
Nothing means anything, everything's permitted
Nothing is forbidden, so anything goes
I'll buy that for a dollar!
Let's go to Guam and fuck the baby
I saw a tour on the internet
They say that Hell awaits all sinners
But they haven't got us yet
Something's wrong in the heartland
There's an evil that creeps across this land
But they say God accepts all sinners
So why should we give a damn?
I was born of love eternal
But now I do the devil's work
If there's a God up there in Heaven
He must be one big fucking jerk”
Continua a ser a minha banda favorita!
Editors

Queria ter o original.
Estou muito ansioso pelo novo álbum.
Interpol

Não conhecia. Adorei!
Electric Six

Também queria ter o orginal e este veio com prémio, trás um DVD com os vídeos.

“Mondo Nihilissimo 2000
Nothing means anything, everything's permitted
Nothing is forbidden, so anything goes
Let's take turns molesting the children
I'm so bored with my life
Yes, we'll take turns molesting the children
And then I'll go home to my wife
I was born to be an attorney
I was born to peddle cars
I'll make hell while the sun shines
Then I'll end up behind bars
Nothing means anything, everything's permitted
Nothing is forbidden, so anything goes
Let's go home and bury the children
In the cellar with my wife
They were all insured for millions
Now we'll do just what we like
I was born to live on credit
You know my Visa's solid gold
MasterCard is my religion
I've got a mortgage on my soul
Nothing means anything, everything's permitted
Nothing is forbidden, so anything goes
I'll buy that for a dollar!
Let's go to Guam and fuck the baby
I saw a tour on the internet
They say that Hell awaits all sinners
But they haven't got us yet
Something's wrong in the heartland
There's an evil that creeps across this land
But they say God accepts all sinners
So why should we give a damn?
I was born of love eternal
But now I do the devil's work
If there's a God up there in Heaven
He must be one big fucking jerk”
Continua a ser a minha banda favorita!
Editors

Queria ter o original.
Estou muito ansioso pelo novo álbum.
Interpol

Não conhecia. Adorei!
Electric Six

Também queria ter o orginal e este veio com prémio, trás um DVD com os vídeos.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Mais uma noite em branco
Mais uma noite em branco, não com insónia, mas sim com vontade de conseguir entender.
Não foram necessários grandes planos, ou perder muito tempo para perceber onde iria eu seguir a minha vontade. A lua indicava tudo, estava meia cheia, como eu gosto. Segui pela estrada que circunda o mar, até onde achei que seria o sítio onde estaria mais bem escondido. Deixei todo o tipo de coisa poluente no parque e apeei-me. Ainda tive a tentação de trazer a máquina dos instantâneos, mas achei que naquela noite não iria necessitar de tal apetrecho, a minha memória seria o suficiente, bem como não tencionava contar a ninguém. A ninguém… não é bem verdade.
Desci a escadas que dão directamente à praia, estavam gastas pelo frenesim constante do sobe e desce de crianças, loucas por mar e outras por gelados. O mar estava tão calmo que se conseguia ver nitidamente o reflexo da lua no oceano, extenso, negro e frio. A brisa penetrante, que fere na cara, era gélida, gélida demais para a época, mas com um sabor tão refrescante, de uma humidade aconchegante, que nos apetece enrolar ainda mais nas roupas quentes e senti-la penetrar pelos poros da roupa. Estes primeiros instantes foram acompanhados pela estranha sensação que me iria ser revelado algo que não estaria preparado. Assustei-me. Parei, cheguei mesmo a dar um passo atrás. Que arrepio grande! Tinha tanto de gostoso, como de assustador. Olhei em volta, não se via ninguém. A noite que há muito tinha caído, senão fosse a lua, estaria escura, negra, como um manto negro muito opaco sobre qualquer foco de luz. As estrelas pouco brilhavam, a luz da lua não o deixava. O seu brilho cintilante e difuso dos pontos claros no céu, pareciam tremer de frio, eram ténues, enfraquecidos pelo brilho do astro cinzento. Com este pensamento, continuei a descer as escadas, sorri. Cheguei por fim à praia. A areia ainda húmida e rija da última maré fazia com que os pés não penetrassem muito no âmago da areia, ajudando na caminhada e possibilitando deixar as minhas pegadas bem visíveis. Mais à frente, a areia deu lugar a rocha, dura e cortante. Não conseguia ver muito bem o que estava a pisar, nem onde. Avancei com todos os cuidados, um pé em falso podia dar direito a uma queda e num local daqueles, sem ninguém por perto, estava a ser inspiradoramente assustador. Por vezes parava e inspirava fundo, tão fundo que quase não tinha mais para inspirar, como que se conseguisse inspirar todo o ar que havia disponível. Depois, parava, deixava-o dentro de mim, ouvia o coração a bater, deixava-o mais um pouco, o coração quase rebentava, em seguida, muito devagar deixava-o sair, todo até não haver mais. Cada vez que fazia isto, ficava tão tonto que gargalhava. Sentava-me e dava mais um sorriso. Sentia-me num misto de profundidade e alegria, de envolvência com o que me rodeava, uma necessidade de abraçar alguém e de estar deitado sozinho no meu quarto. Mais uma vez levantei-me e continuei. No reflexo da lua no mar, vi o contorno do local onde ia ficar. Era bem perto da água, mas com a distância suficiente para me sentir em paz com o mar e com a terra. Mais uns metros à deriva nos calhaus soltos e rocha firme e lá estava. Antes de me sentar, voltei a olhar em volta, só o astro cinzento me fitava. Senti a solidão bem como o afecto. Sentei-me. Iria ficar muito tempo ali sentado, por isso escolhi a melhor posição possível. Estava confortável. Olhei pela última vez a luz, o mar, o horizonte, tudo que conseguia ver, fechando logo de imediato os olhos. Queria só ouvir. A água batia nas rochas, acariciando-as, ouvia-se ao fundo um bater mais forte de ondas, mas muito calmo, como que se a onda caísse a um ritmo lento, muito vagaroso, não querendo ferir as rochas, ou as próprias gotas de água que formam o mar. A paz era de tal forma, que algo teria de ser feito para a quebrar. Procurei uma pedra com a mão, continuava de olhos fechados, encontrei, era mais ou menos grande. Atirei, mas não houve som da queda na água. Não abri os olhos, voltei a procurar mais uma e atirei de novo. Nada. Não abri os olhos. Tentei visualizar o que se podia estar a passar, cheirei, tentei ver pela humidade na cara se estava tudo bem, parecia-me tudo normal. Não estava a conseguir resistir muito mais com os olhos fechados. Voltei a encontrar mais uma pedra e atirei. Desta vez ouvi cair na água, mas parecia que alguém tinha dito um: ai! Era cada vez mais estranho. Estaria a ouvir bem? Não podia estar ali ninguém. Será que o som da pedra a cair teria feito o som de uma pessoa? Não resisti. Abri. A luz que vinha do fundo o mar era de tal forma forte que iluminava toda a minha face. Estava estarrecido com a cor. Viam-se movimentos lá bem no fundo, não conseguia distinguir o que seria. Eram tão harmoniosos como repentinos, de cores lindas, vivas. Os azuis, os vermelhos, os cinzentos e cores que não sabia que existiam, estavam cada vez mais próximo da tona. Não sabia se seria bom ou mau, mas não arredei pé. Neste caso, rabo. Formavam um círculo, com uma luz menos brilhante no meio, como que se a luz em volta estivesse a iluminar o centro. Subia em turbilhão. A cada metro que subia, os meus olhos abriam-se cada vez mais. O espanto e o querer ver tudo fazia com que se abrissem como nunca. Subiam, subiam e subiam. Ouvia-se o som de um pequeno remoinho átono de água, que se adensava quanto mais subiam. A luz era muito intensa, tive mesmo que voltar a fechar um pouco os olhos. Por fim, surgiram, ali, bem perto de mim, as luzes mantinham-se dentro de água, rodavam em turbilhão, por algumas sombras, vi que se tratavam de lulas luminosas, bem como outros seres marinhos que produzem luz. Com toda aquela agitação na água, era libertado o fósforo que lhe está contido, fazendo-a brilhar, aumentando a luz que envolvia todo aquele borbulhar. O mais fabuloso encontrava-se no centro. A princípio pensei ser prudente sair e fugir, mas por outro lado, não podia, pois estava colado à rocha, de espanto. No meio daquele turbilhão, estava uma Musa, uma Sereia, de feições indescritíveis, de uma beleza sublime, com um olhar penetrante. Cabelo negro, negro, negro, negro, mil vezes negro, de rosto branco, suave, de contornos suaves, sem um único traço recto, olhos pretos e de um branco na parte branca do olho que ofuscava. Sobrancelhas negras de uma finura incrível, sublinhavam a linda testa. Toda a pele era de um branco ofuscante, brilhante, suave, que podia ser adorado. Os lábios… o vermelho dos lábios, não havia descrição possível para o vermelho, só comparado ao formato, de tão bem desenhados que eram. Não se conseguia desviar o olhar, eram tão sensuais! Não sabia para onde mais olhar. Os cabelos longos, negros, escorriam-lhe pelo peito, cobriam parte dos seios, que eram de uma beleza avassaladora, que transtorna. Evito ao máximo o contacto visual com os mesmos, pois são de uma sexualidade tão forte que me impele a morrer para os observar. Os mamilos, que espreitam por entre os longos cabelos, sendo eles da mesma cor dos lábios, não os consigo descrever, só sentir. São belos. A cintura delgada, com uma transição maravilhosa e poderosa para as ancas, como todas as demais sereias, as quais terão a mesmo beleza, imponência e luz que esta, só pode! Linda, toda, desde o umbigo até à ponta dos dedos dos pés, que neste caso é composta por uma cauda de peixe, que é coberto por um longo manto de escamas cor-de-pérola. A transição de pele para escama é feita de uma forma tão ténue que não se consegue perceber onde começam ou acabam ambas. Perdia horas a contempla-la, nunca pensando que o que estava na minha presença era um mito, algo que não existe, podendo mesmo ser até uma alucinação, uma doce alucinação. Envolvido nestes pensamentos, oiço uma voz, parecendo que vinha do fundo do mar, mas ao mesmo tempo do peito dela:
- Fiz-te algum mal? – disse ela com uma voz muito doce e firme.
Olhei em volta, olhei-a nos olhos, olhei os seus lábios e de novo a voz:
- Sim tu… fiz-te algum mal? – de novo ela.
Tremi, não conseguia falar, nem sequer pensar, não sabia como o dizer, nem sabia se havia palavras.
- O que foi? Não respondes? – disse ela um pouco mais impaciente.
Eu tinha que responder.
- Eu? Porquê? – respondi a medo.
- Porque me estavas a atirar com pedras.
- Eu? Como é isso possível?
- Não atiraste 3 pedras para o mar?
- Humm… atirei? Quando?
- À pouco…
- É? Não me lembro. Desculpa.
- Não acredito que não te lembres.
- Pois… também não acredito.
- Estás bem? Pareces vago.
- Eu? Estou bem… - respondi com um sorriso de drogado.
- Acho que já percebi. Mas mesmo assim quero que saibas que não vim aqui para te agradar, mas sim para te dizer que és mau, que não és a pessoa bela que julgas que és, que a tua alma está conspurcada de desejos maléficos, que os teus olhos são de uma brilho falso, tens desejo de me possuir só pelo facto de que sou bela e não te importa o que eu sou na realidade.
Toda a sua expressão se transforma, as cores que a envolvem tornam-se de um vermelho vulcão, a sua voz quando diz tais palavras é tenebrosa, os cabelos esvoaçam, todo o seu corpo aumenta de volume, é assustador. Fiquei com a sensação que ela me ia transformar em pó.
- Mas… - disse eu tentando não passar a pó.
- Mas?... Ainda tentas desculpar-te? É mentira?
- Pois… de facto até é. Posso-te fazer uma pergunta?
- Não acredito! - di-lo dando um pequeno guincho, de mimada.
A água à sua volta ferve, estava irada, milhões de animais marinhos, muito feios, saltam. A água está cada vez mais vermelha e quente. Desta vez pensei que seria melhor fugir, mas mais uma vez não me conseguia levantar, estava estarrecido, como nos sonhos, quando queremos fugir e não conseguimos.
- Mas… sereia bela, linda, assim mesmo, assim como estás, neste momento, estás mais bela do que nunca, estás como sempre imaginei um sereia, que se mostra violenta, mas calma ao mesmo tempo, é como um sonho.
- Quem és tu? – tudo pára com a pergunta dela. Fica tudo parado no tempo, a pairar.
- Eu sou eu. A pessoa que quer encontrar o entendimento profundo, o entendimento único, o que une as pessoas para sempre, que nos faz ser um só, o que nos torna tolos e não deixa sorridentes sem saber que estamos.
- Quem?
- Eu.
- Não és o crápula que apareceu aqui ontem, que me fez promessas de eternidade e eu dei-lhe os números do Euromilhões?
- Hum… não.
- Não?!
- Não.
- A sério?
- Diz-me uma coisa, há quanto tempo não vais ao oftalmologista?
- Eu? Como assim…
- Vês bem?
- Claro que sim! Sou uma sereia, as sereias não têm defeitos.
- Não? Que pena… agora que me estava a apaixonar por ti.
Que conversa da treta, pensei eu, eu e todos os seres marinhos, pois começaram a bater em retirada. Por fim ficou uma lula meio tola, julgo que fosse a sua eterna companheira, que dava um luz fraquinha, mas dava perfeitamente para ver as suas feições e o seu brilho. A lua dava um jeito de a iluminar mais um pouco. Saiu de dentro de água e colocou-se ao meu lado. Tê-la ali ao meu lado foi demais, o meu coração ouvia-se fora do meu corpo. Não conseguia tirar os olhos dos seus.
- Achas mesmo que não vejo bem? – a sua voz estremecia na minha garganta.
- Não… sei… - não conseguia dizer mais nada, a voz soluçava-me.
- Sabes sim. Deixa-te disso. Vá deixa-te de parvoíces. Eu sou como tu.
- Não… sei…
- Tu que és tu, que te intitulas por Eu, eu sou como tu.
- Não… sei…
- Pára com isso! Pára! Acorda! Estou a ficar preocupada com o que me disseste.
- Pois… eu também ficava. Acho que alguém na tua condição, terá muitas complicações para resolver o problema.
- Achas?
- Claro. Imagina o seguinte: Sr. Doutor esta minha amiga tem um pequeno problema, vê mal. Isto para não falar que é uma sereia.
- Pondo assim as coisas… acho que será complicado mesmo.
- Mas há uma hipótese.
- Há?
- Sim claro que sim e tu sabes bem qual é.
- Não! Isso não! Quero viver e morrer no mar.
- E como fazes para ver melhor?
- Não sei nem quero saber, nem quero ouvir mais nada. – Amuou.
- Isso é mesmo de uma sereia, mimada como todas.
- Conheces mais alguma? Parece que sim, parece que sabes muito de sereias…
- És a única, mas quem vê uma vê todas.
- Não acredito! Para além de convencido, és machista!
- Estou a tentar arranjar uma forma de dar a volta ao assunto e tu insultas-me?
- Machista, convencido! E pelos visto és mesmo, pois tocou-te.
A última lula foi-se embora. Achei que seria a altura de parar com aquela conversa absurda. Ela era uma sereia, eu, um humano, simples, que queria encontrar sossego e pelos vistos tinha encontrado uma sereia com o feitio da minha ex-namorada. Achei tudo aquilo demasiado irreal, nada normal. A minha vontade era acordar, sempre julguei que estava num sonho, mas para meu espanto não estava, o que vivia naqueles momentos era real, estava mesmo a acontecer. Pensei que a melhor forma de acabar com aquilo tudo seria atirar-me para o mar, afundar-me até às profundezas. Pensei e assim fiz.
- ONDE VAIS!!?? NÃO!!! – Gritou ela.
Atirei-me e ela não me seguiu. Quando estava a caminho do fundo pensei que seria melhor parar com esta história do romantismo, de julgar que ela me iria salvar. Parei, dei meia volta e voltei para cima. Pensei que não iria conseguir chegar ao topo. Estava já bem fundo, mas com todo o meu esforço e vontade de viver, cheguei por fim ao topo. Respirei fundo, estava exausto. Ela chorava, rios de água salgada saíam-lhe dos olhos, não parava, torrentes e mais torrentes de água, parecia que não mais iria parar. Como era possível? Como teria ela tanta água dentro? O choro era incrivelmente profundo e a água era cristalina como nunca antes tinha visto. Dai a marés e o avançar do mar sobre os continentes. Eis a razão! Pensei eu, logo abafando este pensamento pelo cair de uma pedra na minha cabeça.
- Não sei bem porque choras, mas sei que me vou embora. – disse eu chateado e com voz de mimado.
- Quem está ai? És tu? Voltas-te?
- Que conversa é essa? Estás a dar comigo em louco, mais do que já sou.
- És tu! Sim és tu! E estás vivo…! Sim!
- Olha, sabes que mais, vou-me embora. Tu és louca!
- Não vás, por favor, não vás… suplico-te.
- És completamente louca! Não sei o que se passou contigo na tua vida, mas estás mesmo muito mal dessa tua cabeça.
- Não vás, não me deixes…
- Ai vou, vou! Louca! Adeus.
- Não vás… por favor…
A sua voz que ecoava por todo o oceano, tornou-se muito humana, demasiado, como que se estivesse ali outra pessoa, que não a sereia que tenho visto a sair do mar, parecia mais a voz doce de uma mulher, entristecida por um desgosto, murcha, suplicante. Parei. Não era capaz de a deixar ali. Aproximei-me. Não podia acreditar, já não estava lá a sereia, mas sim uma mulher, completa, com tudo, que chorava nas rochas, de cabeça nas mãos, chorava e chorava, não parava. A principio não quis acreditar que se pudesse tratar da transformação, mas quando ela levantou a cabeça, olhando-me nos olhos e pediu ajuda, estendendo a mão. Foi como que se o mundo inteiro tivesse caído aos meus pés. Era ela e tinha-se transformado em mulher, ainda mais bela do que quando era sereia. Peguei-lhe na mão, sentei-me junto dela e abracei-a.
- Obrigado. – disse ela com um voz entaramelada pelo choro.
- Porquê? Tu nem gostas de mim…
- Amo-te, desde sempre te amei.
Fiquei sem palavras, não podia ser verdade, quem era aquela pessoa, quem era aquela alma, quem era?
- Mas… - dizia incrédulo.
- Não digas nada, abraça-me, estou com frio.
- Sim.
Ali ficámos durante horas, até o sol raiar. Estava nua, seria um problema leva-la dali, nada fiz, levantei-me, peguei-a nos meus braços e levei-a até à minha coisa poluente.
Não será preciso explicar que consegui encontrar o entendimento profundo, o entendimento único, o que une as pessoas para sempre, que nos faz ser um só, o que nos torna tolos e nos deixa sorridentes sem saber que estamos.
Mas de qualquer forma faço um pequeno resumo:
O amor é eterno, já o mesmo não se pode dizer dos gelados.
Passados 7 anos, ela voltou ao mar. Nada pude fazer, aliás, sempre julguei que não seria possível, mas pelo menos ia curada. Os óculos ficam-lhe tão bem.
Não foram necessários grandes planos, ou perder muito tempo para perceber onde iria eu seguir a minha vontade. A lua indicava tudo, estava meia cheia, como eu gosto. Segui pela estrada que circunda o mar, até onde achei que seria o sítio onde estaria mais bem escondido. Deixei todo o tipo de coisa poluente no parque e apeei-me. Ainda tive a tentação de trazer a máquina dos instantâneos, mas achei que naquela noite não iria necessitar de tal apetrecho, a minha memória seria o suficiente, bem como não tencionava contar a ninguém. A ninguém… não é bem verdade.
Desci a escadas que dão directamente à praia, estavam gastas pelo frenesim constante do sobe e desce de crianças, loucas por mar e outras por gelados. O mar estava tão calmo que se conseguia ver nitidamente o reflexo da lua no oceano, extenso, negro e frio. A brisa penetrante, que fere na cara, era gélida, gélida demais para a época, mas com um sabor tão refrescante, de uma humidade aconchegante, que nos apetece enrolar ainda mais nas roupas quentes e senti-la penetrar pelos poros da roupa. Estes primeiros instantes foram acompanhados pela estranha sensação que me iria ser revelado algo que não estaria preparado. Assustei-me. Parei, cheguei mesmo a dar um passo atrás. Que arrepio grande! Tinha tanto de gostoso, como de assustador. Olhei em volta, não se via ninguém. A noite que há muito tinha caído, senão fosse a lua, estaria escura, negra, como um manto negro muito opaco sobre qualquer foco de luz. As estrelas pouco brilhavam, a luz da lua não o deixava. O seu brilho cintilante e difuso dos pontos claros no céu, pareciam tremer de frio, eram ténues, enfraquecidos pelo brilho do astro cinzento. Com este pensamento, continuei a descer as escadas, sorri. Cheguei por fim à praia. A areia ainda húmida e rija da última maré fazia com que os pés não penetrassem muito no âmago da areia, ajudando na caminhada e possibilitando deixar as minhas pegadas bem visíveis. Mais à frente, a areia deu lugar a rocha, dura e cortante. Não conseguia ver muito bem o que estava a pisar, nem onde. Avancei com todos os cuidados, um pé em falso podia dar direito a uma queda e num local daqueles, sem ninguém por perto, estava a ser inspiradoramente assustador. Por vezes parava e inspirava fundo, tão fundo que quase não tinha mais para inspirar, como que se conseguisse inspirar todo o ar que havia disponível. Depois, parava, deixava-o dentro de mim, ouvia o coração a bater, deixava-o mais um pouco, o coração quase rebentava, em seguida, muito devagar deixava-o sair, todo até não haver mais. Cada vez que fazia isto, ficava tão tonto que gargalhava. Sentava-me e dava mais um sorriso. Sentia-me num misto de profundidade e alegria, de envolvência com o que me rodeava, uma necessidade de abraçar alguém e de estar deitado sozinho no meu quarto. Mais uma vez levantei-me e continuei. No reflexo da lua no mar, vi o contorno do local onde ia ficar. Era bem perto da água, mas com a distância suficiente para me sentir em paz com o mar e com a terra. Mais uns metros à deriva nos calhaus soltos e rocha firme e lá estava. Antes de me sentar, voltei a olhar em volta, só o astro cinzento me fitava. Senti a solidão bem como o afecto. Sentei-me. Iria ficar muito tempo ali sentado, por isso escolhi a melhor posição possível. Estava confortável. Olhei pela última vez a luz, o mar, o horizonte, tudo que conseguia ver, fechando logo de imediato os olhos. Queria só ouvir. A água batia nas rochas, acariciando-as, ouvia-se ao fundo um bater mais forte de ondas, mas muito calmo, como que se a onda caísse a um ritmo lento, muito vagaroso, não querendo ferir as rochas, ou as próprias gotas de água que formam o mar. A paz era de tal forma, que algo teria de ser feito para a quebrar. Procurei uma pedra com a mão, continuava de olhos fechados, encontrei, era mais ou menos grande. Atirei, mas não houve som da queda na água. Não abri os olhos, voltei a procurar mais uma e atirei de novo. Nada. Não abri os olhos. Tentei visualizar o que se podia estar a passar, cheirei, tentei ver pela humidade na cara se estava tudo bem, parecia-me tudo normal. Não estava a conseguir resistir muito mais com os olhos fechados. Voltei a encontrar mais uma pedra e atirei. Desta vez ouvi cair na água, mas parecia que alguém tinha dito um: ai! Era cada vez mais estranho. Estaria a ouvir bem? Não podia estar ali ninguém. Será que o som da pedra a cair teria feito o som de uma pessoa? Não resisti. Abri. A luz que vinha do fundo o mar era de tal forma forte que iluminava toda a minha face. Estava estarrecido com a cor. Viam-se movimentos lá bem no fundo, não conseguia distinguir o que seria. Eram tão harmoniosos como repentinos, de cores lindas, vivas. Os azuis, os vermelhos, os cinzentos e cores que não sabia que existiam, estavam cada vez mais próximo da tona. Não sabia se seria bom ou mau, mas não arredei pé. Neste caso, rabo. Formavam um círculo, com uma luz menos brilhante no meio, como que se a luz em volta estivesse a iluminar o centro. Subia em turbilhão. A cada metro que subia, os meus olhos abriam-se cada vez mais. O espanto e o querer ver tudo fazia com que se abrissem como nunca. Subiam, subiam e subiam. Ouvia-se o som de um pequeno remoinho átono de água, que se adensava quanto mais subiam. A luz era muito intensa, tive mesmo que voltar a fechar um pouco os olhos. Por fim, surgiram, ali, bem perto de mim, as luzes mantinham-se dentro de água, rodavam em turbilhão, por algumas sombras, vi que se tratavam de lulas luminosas, bem como outros seres marinhos que produzem luz. Com toda aquela agitação na água, era libertado o fósforo que lhe está contido, fazendo-a brilhar, aumentando a luz que envolvia todo aquele borbulhar. O mais fabuloso encontrava-se no centro. A princípio pensei ser prudente sair e fugir, mas por outro lado, não podia, pois estava colado à rocha, de espanto. No meio daquele turbilhão, estava uma Musa, uma Sereia, de feições indescritíveis, de uma beleza sublime, com um olhar penetrante. Cabelo negro, negro, negro, negro, mil vezes negro, de rosto branco, suave, de contornos suaves, sem um único traço recto, olhos pretos e de um branco na parte branca do olho que ofuscava. Sobrancelhas negras de uma finura incrível, sublinhavam a linda testa. Toda a pele era de um branco ofuscante, brilhante, suave, que podia ser adorado. Os lábios… o vermelho dos lábios, não havia descrição possível para o vermelho, só comparado ao formato, de tão bem desenhados que eram. Não se conseguia desviar o olhar, eram tão sensuais! Não sabia para onde mais olhar. Os cabelos longos, negros, escorriam-lhe pelo peito, cobriam parte dos seios, que eram de uma beleza avassaladora, que transtorna. Evito ao máximo o contacto visual com os mesmos, pois são de uma sexualidade tão forte que me impele a morrer para os observar. Os mamilos, que espreitam por entre os longos cabelos, sendo eles da mesma cor dos lábios, não os consigo descrever, só sentir. São belos. A cintura delgada, com uma transição maravilhosa e poderosa para as ancas, como todas as demais sereias, as quais terão a mesmo beleza, imponência e luz que esta, só pode! Linda, toda, desde o umbigo até à ponta dos dedos dos pés, que neste caso é composta por uma cauda de peixe, que é coberto por um longo manto de escamas cor-de-pérola. A transição de pele para escama é feita de uma forma tão ténue que não se consegue perceber onde começam ou acabam ambas. Perdia horas a contempla-la, nunca pensando que o que estava na minha presença era um mito, algo que não existe, podendo mesmo ser até uma alucinação, uma doce alucinação. Envolvido nestes pensamentos, oiço uma voz, parecendo que vinha do fundo do mar, mas ao mesmo tempo do peito dela:
- Fiz-te algum mal? – disse ela com uma voz muito doce e firme.
Olhei em volta, olhei-a nos olhos, olhei os seus lábios e de novo a voz:
- Sim tu… fiz-te algum mal? – de novo ela.
Tremi, não conseguia falar, nem sequer pensar, não sabia como o dizer, nem sabia se havia palavras.
- O que foi? Não respondes? – disse ela um pouco mais impaciente.
Eu tinha que responder.
- Eu? Porquê? – respondi a medo.
- Porque me estavas a atirar com pedras.
- Eu? Como é isso possível?
- Não atiraste 3 pedras para o mar?
- Humm… atirei? Quando?
- À pouco…
- É? Não me lembro. Desculpa.
- Não acredito que não te lembres.
- Pois… também não acredito.
- Estás bem? Pareces vago.
- Eu? Estou bem… - respondi com um sorriso de drogado.
- Acho que já percebi. Mas mesmo assim quero que saibas que não vim aqui para te agradar, mas sim para te dizer que és mau, que não és a pessoa bela que julgas que és, que a tua alma está conspurcada de desejos maléficos, que os teus olhos são de uma brilho falso, tens desejo de me possuir só pelo facto de que sou bela e não te importa o que eu sou na realidade.
Toda a sua expressão se transforma, as cores que a envolvem tornam-se de um vermelho vulcão, a sua voz quando diz tais palavras é tenebrosa, os cabelos esvoaçam, todo o seu corpo aumenta de volume, é assustador. Fiquei com a sensação que ela me ia transformar em pó.
- Mas… - disse eu tentando não passar a pó.
- Mas?... Ainda tentas desculpar-te? É mentira?
- Pois… de facto até é. Posso-te fazer uma pergunta?
- Não acredito! - di-lo dando um pequeno guincho, de mimada.
A água à sua volta ferve, estava irada, milhões de animais marinhos, muito feios, saltam. A água está cada vez mais vermelha e quente. Desta vez pensei que seria melhor fugir, mas mais uma vez não me conseguia levantar, estava estarrecido, como nos sonhos, quando queremos fugir e não conseguimos.
- Mas… sereia bela, linda, assim mesmo, assim como estás, neste momento, estás mais bela do que nunca, estás como sempre imaginei um sereia, que se mostra violenta, mas calma ao mesmo tempo, é como um sonho.
- Quem és tu? – tudo pára com a pergunta dela. Fica tudo parado no tempo, a pairar.
- Eu sou eu. A pessoa que quer encontrar o entendimento profundo, o entendimento único, o que une as pessoas para sempre, que nos faz ser um só, o que nos torna tolos e não deixa sorridentes sem saber que estamos.
- Quem?
- Eu.
- Não és o crápula que apareceu aqui ontem, que me fez promessas de eternidade e eu dei-lhe os números do Euromilhões?
- Hum… não.
- Não?!
- Não.
- A sério?
- Diz-me uma coisa, há quanto tempo não vais ao oftalmologista?
- Eu? Como assim…
- Vês bem?
- Claro que sim! Sou uma sereia, as sereias não têm defeitos.
- Não? Que pena… agora que me estava a apaixonar por ti.
Que conversa da treta, pensei eu, eu e todos os seres marinhos, pois começaram a bater em retirada. Por fim ficou uma lula meio tola, julgo que fosse a sua eterna companheira, que dava um luz fraquinha, mas dava perfeitamente para ver as suas feições e o seu brilho. A lua dava um jeito de a iluminar mais um pouco. Saiu de dentro de água e colocou-se ao meu lado. Tê-la ali ao meu lado foi demais, o meu coração ouvia-se fora do meu corpo. Não conseguia tirar os olhos dos seus.
- Achas mesmo que não vejo bem? – a sua voz estremecia na minha garganta.
- Não… sei… - não conseguia dizer mais nada, a voz soluçava-me.
- Sabes sim. Deixa-te disso. Vá deixa-te de parvoíces. Eu sou como tu.
- Não… sei…
- Tu que és tu, que te intitulas por Eu, eu sou como tu.
- Não… sei…
- Pára com isso! Pára! Acorda! Estou a ficar preocupada com o que me disseste.
- Pois… eu também ficava. Acho que alguém na tua condição, terá muitas complicações para resolver o problema.
- Achas?
- Claro. Imagina o seguinte: Sr. Doutor esta minha amiga tem um pequeno problema, vê mal. Isto para não falar que é uma sereia.
- Pondo assim as coisas… acho que será complicado mesmo.
- Mas há uma hipótese.
- Há?
- Sim claro que sim e tu sabes bem qual é.
- Não! Isso não! Quero viver e morrer no mar.
- E como fazes para ver melhor?
- Não sei nem quero saber, nem quero ouvir mais nada. – Amuou.
- Isso é mesmo de uma sereia, mimada como todas.
- Conheces mais alguma? Parece que sim, parece que sabes muito de sereias…
- És a única, mas quem vê uma vê todas.
- Não acredito! Para além de convencido, és machista!
- Estou a tentar arranjar uma forma de dar a volta ao assunto e tu insultas-me?
- Machista, convencido! E pelos visto és mesmo, pois tocou-te.
A última lula foi-se embora. Achei que seria a altura de parar com aquela conversa absurda. Ela era uma sereia, eu, um humano, simples, que queria encontrar sossego e pelos vistos tinha encontrado uma sereia com o feitio da minha ex-namorada. Achei tudo aquilo demasiado irreal, nada normal. A minha vontade era acordar, sempre julguei que estava num sonho, mas para meu espanto não estava, o que vivia naqueles momentos era real, estava mesmo a acontecer. Pensei que a melhor forma de acabar com aquilo tudo seria atirar-me para o mar, afundar-me até às profundezas. Pensei e assim fiz.
- ONDE VAIS!!?? NÃO!!! – Gritou ela.
Atirei-me e ela não me seguiu. Quando estava a caminho do fundo pensei que seria melhor parar com esta história do romantismo, de julgar que ela me iria salvar. Parei, dei meia volta e voltei para cima. Pensei que não iria conseguir chegar ao topo. Estava já bem fundo, mas com todo o meu esforço e vontade de viver, cheguei por fim ao topo. Respirei fundo, estava exausto. Ela chorava, rios de água salgada saíam-lhe dos olhos, não parava, torrentes e mais torrentes de água, parecia que não mais iria parar. Como era possível? Como teria ela tanta água dentro? O choro era incrivelmente profundo e a água era cristalina como nunca antes tinha visto. Dai a marés e o avançar do mar sobre os continentes. Eis a razão! Pensei eu, logo abafando este pensamento pelo cair de uma pedra na minha cabeça.
- Não sei bem porque choras, mas sei que me vou embora. – disse eu chateado e com voz de mimado.
- Quem está ai? És tu? Voltas-te?
- Que conversa é essa? Estás a dar comigo em louco, mais do que já sou.
- És tu! Sim és tu! E estás vivo…! Sim!
- Olha, sabes que mais, vou-me embora. Tu és louca!
- Não vás, por favor, não vás… suplico-te.
- És completamente louca! Não sei o que se passou contigo na tua vida, mas estás mesmo muito mal dessa tua cabeça.
- Não vás, não me deixes…
- Ai vou, vou! Louca! Adeus.
- Não vás… por favor…
A sua voz que ecoava por todo o oceano, tornou-se muito humana, demasiado, como que se estivesse ali outra pessoa, que não a sereia que tenho visto a sair do mar, parecia mais a voz doce de uma mulher, entristecida por um desgosto, murcha, suplicante. Parei. Não era capaz de a deixar ali. Aproximei-me. Não podia acreditar, já não estava lá a sereia, mas sim uma mulher, completa, com tudo, que chorava nas rochas, de cabeça nas mãos, chorava e chorava, não parava. A principio não quis acreditar que se pudesse tratar da transformação, mas quando ela levantou a cabeça, olhando-me nos olhos e pediu ajuda, estendendo a mão. Foi como que se o mundo inteiro tivesse caído aos meus pés. Era ela e tinha-se transformado em mulher, ainda mais bela do que quando era sereia. Peguei-lhe na mão, sentei-me junto dela e abracei-a.
- Obrigado. – disse ela com um voz entaramelada pelo choro.
- Porquê? Tu nem gostas de mim…
- Amo-te, desde sempre te amei.
Fiquei sem palavras, não podia ser verdade, quem era aquela pessoa, quem era aquela alma, quem era?
- Mas… - dizia incrédulo.
- Não digas nada, abraça-me, estou com frio.
- Sim.
Ali ficámos durante horas, até o sol raiar. Estava nua, seria um problema leva-la dali, nada fiz, levantei-me, peguei-a nos meus braços e levei-a até à minha coisa poluente.
Não será preciso explicar que consegui encontrar o entendimento profundo, o entendimento único, o que une as pessoas para sempre, que nos faz ser um só, o que nos torna tolos e nos deixa sorridentes sem saber que estamos.
Mas de qualquer forma faço um pequeno resumo:
O amor é eterno, já o mesmo não se pode dizer dos gelados.
Passados 7 anos, ela voltou ao mar. Nada pude fazer, aliás, sempre julguei que não seria possível, mas pelo menos ia curada. Os óculos ficam-lhe tão bem.
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Barcelona e a droga
É uma teoria como qualquer outra:
Barcelona é uma terra de muita droga!
Gaudí: drogado!
Picasso: drogado!
Miró: drogado!
Pelo menos estes três indivíduos padecem, aliás, padeciam de uma forte dependência de droga. Cada um deles em estados diferentes, é certo.
Comecemos pelo grande inspirador da cidade.
Gaudí:
Alguém que desenha, vive, e pensa num edifício como a Sagrada Família, bem como a forma como está a ser construído, só pode ser, ou aliás, só podia ser, drogado. Basta ver o edifício por dentro e por fora, descer as torres, a entrada, as traseiras, tudo o que diz respeito ao edifício, para se ter esta conclusão. Os pormenores não têm conta, as inspirações são de arrepiar, esta beleza só pode vir de alguém que se droga. É lindo! Exagerado, mas lindo.
Os outros edifícios espalhados pela cidade são também de uma beleza drogada.
La Pedrera é de uma beleza e inspiração arrepiante. Só de pensar nos quilos, ou litros de droga, que o Sr. consumiu. Quando entrei no último andar do edifício, visitei todos os cantos, só me apeteceu uma coisa. Amarrar-me um local qualquer daquela casa e ficar a viver lá para sempre. LINDO! Que maravilha! Ainda bem que há droga e drogados que consigam aplicar o que sentem após o consumo.
Parabéns Sr. Gaudí.
Picasso:
A droga que este indivíduo consumia é de uma teor em tudo diferente ao do anterior herói Barcelonês. Começou bem, provavelmente no início da sua monstruosa carreira, não consumia drogas de todo, ou se consumia seria só uns absintos, ou anis. Com o passar dos anos começou a viver a experiência dos nus, até bem jeitosos, só que um belo dia, se calhar introduzido por um dos seu amigos de trivialidade, tomou a sua grande primeira dose de droga e desta feita, pura! Pegou num dos seus nus, meteu o olho da jovem na nuca e a perna esquerda a sair-lhe no umbigo, mas nas costas. Assim surgiu a sua grande arte pictórica. De uma beleza nunca discutível, mas com uma influência mais que marcante de todo o tipo de drogas que baralham o cérebro.
Miro:
O mais drogado de todos! Tal como o Picasso, começou até muito bem, com coisas muito giras e normais, que lhe deram muita experiência. Tal como se consegue ver no evoluir da sua grande obra, há como um agrupar de ideias para chegar a um grande final. Isso é tudo muito bonito, mas mais uma vez, não se sabe muito bem, mas seria muito provável ser amigo do Picasso, deixando-se levar pelos amigos drogados Barceloneses, metendo-se a ferro e fogo na droga! Coisas como telas cheias de cores que só o artista compreende, esculturas de inspiração lasciva, outras de uma beleza incrível que não provocam qualquer tipo de dúvida, que são de imediato apelidadas de belas e indiscutíveis obras de arte, só podem ser produzidas sobre o efeito de drogas pesadas, bem como altamente inspiradoras. Por exemplo, quem no seu perfeito juízo pinta uma tela atirando baldes de tinta para cima dela e depois deixa-as encostadas a uma parede não as tapando? Claro que quando estava nas pinturas das paredes do seu ateliê, sujou as telas todas com pingos que vinham dos rolos. Uma desgraça. Mas julgam que se importou? Nada disso. “Está lindo!” – Disse no dia seguinte, felicitando de imediato o experiente pintor de paredes Dimitri, Kosovar por sinal. Mas um dos seus grandes trabalhos é de uma beleza brilhante. Exemplo: Três telas, uma à esquerda, outra em frente, outra à direita. E o que temos nestas telas? Vejam bem o poder da droga. Para uma série de pintores este seria o seu maior pesadelo, mas para Miró? Não! De uma só inspiração ele desenha três traços, um em cada tela! LINDO! Mas não se fica por aqui, antes de o fazer, pintou as telas de branco. Digam lá, é droga, ou não é?
Tudo o que vi por aquelas bandas é de uma beleza extrema, mesmo muito bem conseguido, mas… continua a haver uma cidade que fica sempre no meu coração, e muito mais do que Barcelona.
Quem nunca lá esteve, que vá. Quem já lá esteve, volte.
Gostei muito de Barcelona.
Barcelona é uma terra de muita droga!
Gaudí: drogado!
Picasso: drogado!
Miró: drogado!
Pelo menos estes três indivíduos padecem, aliás, padeciam de uma forte dependência de droga. Cada um deles em estados diferentes, é certo.
Comecemos pelo grande inspirador da cidade.
Gaudí:
Alguém que desenha, vive, e pensa num edifício como a Sagrada Família, bem como a forma como está a ser construído, só pode ser, ou aliás, só podia ser, drogado. Basta ver o edifício por dentro e por fora, descer as torres, a entrada, as traseiras, tudo o que diz respeito ao edifício, para se ter esta conclusão. Os pormenores não têm conta, as inspirações são de arrepiar, esta beleza só pode vir de alguém que se droga. É lindo! Exagerado, mas lindo.
Os outros edifícios espalhados pela cidade são também de uma beleza drogada.
La Pedrera é de uma beleza e inspiração arrepiante. Só de pensar nos quilos, ou litros de droga, que o Sr. consumiu. Quando entrei no último andar do edifício, visitei todos os cantos, só me apeteceu uma coisa. Amarrar-me um local qualquer daquela casa e ficar a viver lá para sempre. LINDO! Que maravilha! Ainda bem que há droga e drogados que consigam aplicar o que sentem após o consumo.
Parabéns Sr. Gaudí.
Picasso:
A droga que este indivíduo consumia é de uma teor em tudo diferente ao do anterior herói Barcelonês. Começou bem, provavelmente no início da sua monstruosa carreira, não consumia drogas de todo, ou se consumia seria só uns absintos, ou anis. Com o passar dos anos começou a viver a experiência dos nus, até bem jeitosos, só que um belo dia, se calhar introduzido por um dos seu amigos de trivialidade, tomou a sua grande primeira dose de droga e desta feita, pura! Pegou num dos seus nus, meteu o olho da jovem na nuca e a perna esquerda a sair-lhe no umbigo, mas nas costas. Assim surgiu a sua grande arte pictórica. De uma beleza nunca discutível, mas com uma influência mais que marcante de todo o tipo de drogas que baralham o cérebro.
Miro:
O mais drogado de todos! Tal como o Picasso, começou até muito bem, com coisas muito giras e normais, que lhe deram muita experiência. Tal como se consegue ver no evoluir da sua grande obra, há como um agrupar de ideias para chegar a um grande final. Isso é tudo muito bonito, mas mais uma vez, não se sabe muito bem, mas seria muito provável ser amigo do Picasso, deixando-se levar pelos amigos drogados Barceloneses, metendo-se a ferro e fogo na droga! Coisas como telas cheias de cores que só o artista compreende, esculturas de inspiração lasciva, outras de uma beleza incrível que não provocam qualquer tipo de dúvida, que são de imediato apelidadas de belas e indiscutíveis obras de arte, só podem ser produzidas sobre o efeito de drogas pesadas, bem como altamente inspiradoras. Por exemplo, quem no seu perfeito juízo pinta uma tela atirando baldes de tinta para cima dela e depois deixa-as encostadas a uma parede não as tapando? Claro que quando estava nas pinturas das paredes do seu ateliê, sujou as telas todas com pingos que vinham dos rolos. Uma desgraça. Mas julgam que se importou? Nada disso. “Está lindo!” – Disse no dia seguinte, felicitando de imediato o experiente pintor de paredes Dimitri, Kosovar por sinal. Mas um dos seus grandes trabalhos é de uma beleza brilhante. Exemplo: Três telas, uma à esquerda, outra em frente, outra à direita. E o que temos nestas telas? Vejam bem o poder da droga. Para uma série de pintores este seria o seu maior pesadelo, mas para Miró? Não! De uma só inspiração ele desenha três traços, um em cada tela! LINDO! Mas não se fica por aqui, antes de o fazer, pintou as telas de branco. Digam lá, é droga, ou não é?
Tudo o que vi por aquelas bandas é de uma beleza extrema, mesmo muito bem conseguido, mas… continua a haver uma cidade que fica sempre no meu coração, e muito mais do que Barcelona.
Quem nunca lá esteve, que vá. Quem já lá esteve, volte.
Gostei muito de Barcelona.
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