terça-feira, 25 de outubro de 2005

Sopa de merda

Gripou, gritou, fugiu pelo rio, chegou à masmorra de quatro braços, todas vendidas a peso na feira da ladra. O Vento de Norte, gelado cheio de polvos amarelos, belos, tanto de noite como de dia, todos os dias, com o seu amigo comia carnes frias, com a minhas tias e as minhas primas. Entra lá para dentro e vem conhecer o meu grito de morte. – Dizia eu com um dente na mão. Nada o supera! É tão profundo que só um cão de 20 quilos o consegue sentir. Já no outro dia disse que não ia ver o castelo assombrado do Pavão Grande, mas depois de 34 anos, lá me conseguiram convencer. É mesmo bonito!

Entre raios e coriscos, a chilreada de pássaros exóticos confundia-se com a do Manuel Ventura, que em nada fazia pensar que fosse embora depois do almoço. Tanto tão e bom pão, nem levou dois dias a ficar com bolor. Dizia eu – Manel, Manel, se não vais cagar, vais mijar! – e foi-se.

A música dizia: A tua face brilha ao luar / O teu cabelo sedoso / Eu cheio de vontade da cagar / Sou mesmo seboso. Era com esta letra que todos os dias durante dois anos e meio e mais quatro dias, que Francisco Valha Prata, iniciava o seu espectáculo. Logo a seguir do primeiro refrão já não se via o chão do palco. A cheiro a tomate podre superava qualquer tipo de expectativa, mesmo que se tratasse de uma vaca cheia de pregos na barriga. Fran, como era conhecido no meio, nada podia fazer, pois o excesso de cultivo teria de ser aplicado em qualquer lugar. Mas nada importava, leu numa revista da especialidade que o tomate fazia bem à tez, assim, Cisco, como era conhecido nas pontas, com vanglória e cheio de altivez, dizia de papo cheio: Vocês são o meu público favorito...

A mestria de mentir fica-lhe bem, mas não é por ser alto, mas sim por estar sempre a ouvir música presa a um varapau. Mexeu duas vezes com a colher, infecta, o café gostoso, sorveu duas vezes e arrotou. Com a unha do dedo mindinho esquerdo, retirou com todos os cuidados uma porção de cera do ouvido direito, tarefa complicada, pois não tinha mão direita e colocou na beira do prato. Depois, de um só gesto, fez um cigarro e inseriu a dita porção na ponta do cigarro. A luz era linda, a cera a arder iluminava toda a casa de jantar, a cor era magnifica, intensa, brilhante, forte. Em dois segundos todo o cabelo de capachinho do pobre coitado queimou até não haver mais.

Comia agora um marquise de chocolate...

domingo, 23 de outubro de 2005

Serve o presente para esclarecer algumas almas mais curiosas.

O sentido não interessa, pois o que fazemos “aqui” é por mais evidente que será a manutenção da nossa espécie. No que diz respeito à forma como se transpõem as barreiras para que tal aconteça, haverá tantas formas como pessoas no mundo.
Todos têm formas diferentes de pensar, no entanto, certos indivíduos identificam-se mais com um linha de pensamento, ao até mesmo gostos, ideias, conhecimentos partilhados, vivências semelhantes, etc... Nestes casos há sempre um ponto de contacto. É claro que a felicidade imediata ou a médio e longo prazo é também posta em consideração.
E nos outros? Aqueles que diferem nas ideias, têm também formas diferentes de estar na vida, nem sequer partilham gostos ou ideias semelhantes, as vivências são em tudo diferentes, o que as move estarem juntas? O amor? O gostar de estar? A paixão? A empatia? A simpatia? A beleza? Ou será o simples facto que nada pode ser controlado quando isso acontece? Julgo que será esta a resposta. Nada pode ser controlado quando queremos estar com outra pessoa, por mais irracional que seja. Essa irracionalidade terá ao longo dos tempos duas faces da mesma moeda, ou se torna em amargura por não se conseguir fazer ou estar, em tudo o que se desejaria, devido às falhas existentes entre os dois indivíduos, ou uma ligação cada vez mais forte, a conjugação, posso mesmo dizer uma fusão de gostos, formas de estar, formas de ser, até que o tempo os separe, de uma forma ou de outra.

Há um conjunto de coisas que queria partilhar convosco:
- O egoísmo vai acabar com a nossa raça! E a forma para o combater passa, como será obvio dizer, pela nossa capacidade de partilhar, pois somos suficientemente inteligentes para o saber ou fazer.
- A entrega é cada vez mais rara, pois pode sempre acontecer algo que não conseguimos controlar.
- O controlo é aparente, já o querer não. Tudo tem a ver com o medo.
- O amor está sempre presente, mas dá-se cada vez mais pouca importância ao significado da palavra.
- O ódio é palavra e sentimento forte, muito forte (eu próprio não a sei utilizar), haverá problema em dizê-la, ou senti-la? Julgo que não. Quando sentimos devemos dize-la. Basta depois a coragem para voltar a olhar a outra pessoa e pedir-lhe que nos perdoe.
- Cada vez mais se sente com os sentidos e cada vez menos com o sentimento.
- Eu sei que a paz é algo que existe e tenho-a tentado transmitir de uma só forma, sentido-a.
- Cada vez mais o tempo é um factor que nos torna relutantes para procedermos de uma certa forma. Por exemplo, vou pensar o que deva fazer para gerir melhor o meu tempo. Isso é tempo mal gasto. Giram-no conforme acharem que deva ser gerido na hora. Ou outro exemplo, as coisas logo se resolvem com o tempo. Se é tempo que querem, já o têm. Só que o segundo anterior já passou e o que vão fazer com o seguinte? Vão esperar que chegue? O tempo não é controlável. E que tal deixar que o tempo faça parte da nossa vida? Não tentem controlá-lo. A primeira vez que me dei conta que o tempo que passa já não volta atrás, fiquei aterrorizado. Era miúdo, olhava o relógio e queria que os segundos andassem para trás, ou que parassem, nem que fosse por dois dias. Desde então é um tema que me fascina. A única coisa que o pobre coitado faz é seguir em frente como se não houvesse amanhã. Se algum dia o controlarmos, acho que vamos começar a achar mais piada à Rosa dos Mota. É de todos os temas o tema que a certeza nunca existirá, pois o que se pensou há dois minutos foi passado e sabemos muito bem que o passado às vezes não está certo. Por outro lado as horas são sempre certas.
- O que é certo ou é errado? É certo que estou com fome, é errado comer uma pessoa para saciar essa fome. De facto o certo e o errado andam de mãos dadas com o senso comum, com a cultura e com as diferentes formas de pensar. O que para mim está certo, para ti pode estar errado, isso é certo! Ou errado? Pode estar errado para ambos, certo? A velha máxima serve-nos e abusamos dela com promiscuidade: Penso logo errado.
- O que são as ideias? Pequena expulsões eléctricas nos nossos cérebros? Algo que faço quando estou na casa de banho? Para que servem? Para nos guiar. Se há coisa mais incoerente é uma ideia. Por isso mesmo é que me farto de as dizer, dá-me um gozo picante. No entanto todas a que temos, e por mais ridículo que seja pensar assim, já alguém as pensou, só que não sabemos disso e gostamos de pensar que somos mesmo cultos, inteligentes, sabichões, etc. Uma boa ideia vale por mil palavras (que ideia idiota!).



Em forma de desabafo...

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

A estranha sensação de que podia ter morrido

Ontem saía de casa à hora do costume, fui até ao meu carro, abri o carro, abri a porta de trás , tirei o casaco, pendurei-o e fechei a porta. Entrei no carro, antes de o ter ligado lembrei-me que me tinha esquecido de algo em casa. Sai do carro, fechei a porta à chave e atravessei a rua. Quando vou abrir a porta do prédio, um enorme camião TIR engoliu o meu carro, não ficando nada! Pensei: E se ainda estivesse no carro a aquecê-lo como sempre faço?
Moral da história: Ainda bem que não tenho a carta de condução.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Sim, é verdade.

Pst, ó Tu ai, ‘tás-me a ouvir?

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Moda

Comprei um casaco, gosto muito dele. Fica-me mesmo bem, foi a primeira vez que consegui encontrar um assim tão giro.
Tem um pequeno problema, tem uma manga maior que a outra, BOLAS! Bem, se calhar vou mandar arranjar, ou se calhar tiro as mangas. É isso vou tirar as mangas! Assim está melhor. Vai dar um jeitão, como o Verão está aí a rebentar! Depois quando chegar o Inverno, mando pôr outra vez as mangas, vamos ver se desta vez vêm como deve ser...

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Formiga, formiguinha!

Myrmecia pyriformis, uma das mais mortíferas formigas, se não a mais mortífera de todas, sabem que tamanho tem? É tão pequena que com um simples descuido é esmigalhada por um ser humano e não é necessário ser muito grande...

E esta hein????

Branqueamento de capitais.

Seta de borracha, acerta torta no alvo de betão, tão, tão, que até dá vómitos.
Eu cá para mim a Terra anda à volta de Vénus, o carteiro é amigo do alheio, a minha amiga é professora de liceu, o meu cão é igual ao do crocodilo, já o canário estava no armário, a tenda estava para venda e o grito foi dado pelo pipo.
Um dia destes vamos ter uma grande festa na tua careca, mas o teu irmão que não é um cão, tem todo o dia para ser um rufia.
Tenho que arranjar uma forma de conseguir ver o que se passa com a tua querida marmita de aço inox, outro dia andava na rua, via-a passar, mas não te quis dizer nada para não acordar o vendedor de gelados que mora por cima, não fosse ele estar ali à coca e apanhava uma susto de morte.
Isso era preciso que todo nós nos encontrássemos atentos a movimentações supra citadas pela pessoa mais ignóbil que há memória, o teu padeiro.

Na capa da revista vinha um cão tão grande só se conseguia ver as patas, já lá dentro trazia um póster de uma cadela muito pequena, de nome Mercedes Gualadupe.
Ambos os três tinham um casaco de pelo de urso morto, sabe-se lá como! Não podia ser mais bonito, era vê-los a descarregar litros e litros de vinho, rose e comer gambas de Porto Fino, (treta) daquelas fritas em óleo de cavalo cansado. Mas que maravilha para os meus olhos, era um regalo, para quem passava. Todos diziam - Mas que belo par ali vai! – e depois de um só trago, vertiam o copo sem que nada fosse com eles. Ali ficavam horas e horas, sem fio, dentro do rio, cheios de frio. Quando o calor rebentava, é que era uma porcaria. Era um cheiro que não se podia estar fora dali. Vinham todos, todos juntos cheios de genica e corriam na direcção oposta, para que nunca encontrassem o nascer do dia, LINDO!!!

Perto do rio estava uma flor, grande, enorme, linda de morrer. Quem passava pensava em colhê-la, mas não o fazia, tinha medo de se picar nos espinhos. Um dia um burro, novo, um mamão, passou por aquelas bandas, e lá estava ela, linda flor grande amarela e branca, mais cheirosa e airosa do que sempre. O burro que de parvo não tinha nada, nem pensou duas vezes, deu-lhe uma dentada e comeu-a.
Conclusão: Se queres ter um burro, dá-lhe palha!

Ia funda a gruta, muda, sem que ninguém conseguisse, rir-se, ou até vir-se. Estupefacta criatura, delgada por natureza, transpira esperteza e, como do nada, anda sempre com ela tesa! No meio daquilo tudo ouviu-se um grito, profundo, do fim do mundo, era o Anacléto! Finalmente! Encontrá-mo-lo!

És a seta que trespassa a minha Vénus, que me chegou pelo correio (mail). Num grito de festa, que me tornou rufia e gosta de comer gelados a toda a hora! Torno-me num grande cão, que com cara de urso, vislumbra nascer do dia. E depois? O burro, típico...
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
(O riso maléfico de quem quer e tudo pode!)

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Que mais me irá acontecer?

A hipocrisia, a indiferença, o: não é meu não quero saber, a mentira, o ódio, a leveza com que se trata um problema grave, o não comunicar, o encontrar formas irracionais de resolver disputas parvas, o que não foi dito e devia ter sido dito, o que foi dito mas não devia ter sido, o olhar por olhar, o não estender a mão quando se precisa, o egoísmo, o bater, o flagelar, o subverter as palavras inocentes, sim porque as há! O ser dono de tudo, para depois não ser dono de nada, o poder, qual poder? Quando se morre perde-se tudo, para quê ganhar a todo o custo? A falta de senso comum, a inveja, o desdém sem sentido, a falta imensurável de respeito, a falta tremenda de compreensão, a falta de amor, de paixão e tudo em troca de quê? Por uma caganita de terra? De: o meu é maior que o teu? De: sou muito melhor que tu? Do: não vales nada e eu é que sou bom?

Meus queridos amigos, tenho algo para vos transmitir: Estou apaixonado!
E por isso:
Não sei como, mas estou. Eu disse que tão cedo não podia acontecer, mas por entre esta confusão, aconteceu. É fantástico! Já não me lembrava do cheiro, do sabor, do nó na barriga, da ansiedade de estar por estar, de sentir a falta, a saudade, de dizer: Nada interessa! Só a paixão, o amor! O mais interessante, é que não recusei, entrou-me pelas ventas e não mais saiu. Sei que estou tão bem que não quero pensar em mais nada. Todos os problemas que possam existir, deixaram de ter sentido, só uma coisa é importante, a que horas vou estar com ela...? Impressionante!!!


Não quero com isto dizer que estejam todos assim, não só porque dói que se farta, bem como era uma tremenda chatice. Mas pelo menos tentem estar um pouco mais concentrados noutras coisas que não nos assuntos em epígrafe.

Façam-me um grande favor sejam felizes! 'tá?!?

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Porra, que sabe mesmo bem!

Por entre a folhagem a luz de um olhar
de fogo,
fogo lento de brasa aquecida
pelo beijo húmido,
lento, gentil toque de lábios, profundamente fundidos,
pelo calor,
pela sede
de outro e mais outro, cada um mais forte, mais intenso,
sem qualquer tipo de pudor despedaçam-se com fúria um no outro e,
depois,
tocado pela leve brisa, descansam,
tocando-se ao de leve, mais leve que a própria brisa,
mais suave que o toque de uma pena que cai na mão,
toque esse tão forte, tão avassalador, maior que o de uma vaga de mar alto, revolta, gigantesca,
que precipita ambos os corpos para um abismo de emoções sentidas e ressentidas como nunca antes,
sendo mesmo temidas e, no entanto, tudo o resto não importa, só o olhar,
olhos nos olhos e o toque outra vez, nariz no nariz,
o arrepio, o suspiro, mão na mão, corpo com corpo,
o cheiro, ai o cheiro!
Amor...

Para ti,
MEL!

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Autodromo do Estoril


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Ora ai está como se deve fazer, só é pena que tenha sido com uma marca de não me diz muito...

Casa cheia!
Dia em cheio e cheio no Autodromo! Parabéns à organização.

Era bom é que pudesse dizer o mesmo nas provas do Nacional de Velocidade.

Já agora fica aqui um conselho para o próximo fim do semana: 7 a 9 de Outubro Estoril Historic Festival no Autodromo do Estoril. Apareçam!
Estoril Historic Festival com novidades!

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Em destaque

Não percam: Steve Albini!

À pois é!

À por aí um montão de indivíduos que se mostram preocupados com a possibilidade de um meteorito embater na terra, mas não os vejo preocupados com a possibilidade desse mesmo meteorito embater na lua. Tipo: - À e tal, isso não é meu, quero lá saber!

Estamos muito preocupados com a possibilidade da China se tornar um pais livre e com isso a invasão dos mercados ocidentais com materiais a preços mais baixos, mas já reparam que se isso acontecer os preços dos materiais chineses ficaram ao mesmo preço dos ocidentais? Ou julgam que os chineses não gostam de dinheiro? Tipo: É pá, eles têm um cultura mais avançada que a nossa e não gostam dessas coisas!

É impressão minha ou toda a gente continua a acreditar no que os políticos dizem? Tipo: Este gajo parece-me honesto!

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Boa tarde!

Outro dia pensei – coisa rara -, será que alguém já reparou na real importância que temos no universo? O que nos rodeia é que faz o que nós somos e não o inverso! Aconselho a cada humano que se dêem ao trabalho de parar umas horas e olhar para o céu, mesmo se já o tenham feito, que o façam com mais frequência, de dia ou de noite. Ou então, evocando a experiência de um amigo meu, se tiverem oportunidade, mergulhem no mar alto, mas sem nada e olhem para o fundo. Dar-vos-á uma pequena noção que não somos assim tão importantes como isso, somos mais um ser, algo que faz parte de um grande conjunto que nos envolve, que não conhecemos e que não conseguimos controlar, muito menos prever. O mundo onde vivemos tem ainda muito para dar e não havemos que estar cá para ver, serão outros seres. Este medo atros de que isto tudo vai acabar, esse medo não deveria existir, pois para nós humanidade, o fim será mais que certo. Agora o resto... continua o seu caminho.
Não quero com isto dizer e sabendo que isso é certo, não devemos abandonar todas as nossas iniciativas, devemos sim é canalizai-las para outros interesses, pois o fim é certo, já a criação não o é.

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Vá lá...

Já fui, já vim, queria ir outra vez, mas não me deixam, será que posso?
Vou fugir! Mas isso já deixam. Agora se pedir dizem logo que não posso, isto não é justo.
Nas mangas da camisa tenho um buraco. Vou dizer que necessito ir para casa, não posso andar assim vestido, não é?

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Aí vou eu!

Armona, aí vou eu!! Quase não dormi...

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Vais de mota, ou vais de carro?

Vistas bem as coisas, nada daquilo fazia muito sentido. Eu estava todo molhado e não estava a chover.
(Quem sofre de estupidez devia pagar imposto)

Graça? Anda ver o que o nosso filho fez.
(Qual filho?)

A manta está na cave. Se não sabes onde botas as coisas a culpa não é minha.
(Botas? Mas é a manta ou é as botas?)

Anda, anda lá! Não perguntes, anda só.
(Seria muito imprudente ir sem perguntar primeiro, em especial com aquele tipo)

Vou ver o que posso fazer por si, Sr. Mamede. Uma coisa é certa, à noite não dá
(E de dia?).

Transpiro que nem um cavalo, mas não cheiro mal. Já o mesmo não se pode dizer dos meus peidos.
(A sociedade protector dos animais devia processar este tipo).

Mete uma cena na cabeça, o chapéu!
(Agora mesmo chego a uma conclusão. A cabeça só serve para uma coisa).

Ainda vinha eu no início da rua e já te ouvia a cacarejar. Bolas!
(Não é normal ter-se uma galinha como companheira)

Vendo assim de chofre, nada podemos fazer. Terei que chamar os bombeiros. Mas desde já lhe digo, vai ser muito moroso.
(Imaginem se fosse uma pedra entravaquadrilhada, lá se tinha que a desentravaquadrilhar)

Amo-te! Amor... os teu olhos, a tua boca, o teu cabelo, a tua mama.
(É amor mesmo!)

Venha comigo, eu ensino-lhe o caminho, vai ver que é perto.
(Passado duas horas)

Uma treta! És uma treta!! Não te posso fazer nada é?
(Em especial apertar as bordas da cona)

Mentes com todos os dentes que tens, com é possível.
(Era uma mentira pequena, a ver pela quantidade de dentes).

Vista grossa? Estás a fazer–me vista grossa? Estás mesmo a fazer-me vista grossa? Não acredito... Logo tu!
(Como será uma vista fina?)

A arma está carregada, um passo e é a tua morte, não abuses da sorte!
(Ora ai está um tema que gostaria de abordar no meu próximo programa, a infidelidade)

Mamã mamã? Que horas são?
(Adivinha?)

Filipe, não venhas tarde.
(Claro que não).

Canto a canção porque gosto. Já a outra não posso dizer o mesmo.
(Mais valia não teres cantado nada! Que merda da voz!)

E vistas bem as coisas, nada disto é para ser levado muito a sério, faz mal aos joelhos.
(e à vista grossa, de quem não tem voz, para que possas vir mais cedo, adivinhando as horas em que a arma será descarregada, ficando assim o tipo só com um dente, sim esse que não aguenta nada e que ensinou mal o caminho a velhinha. Já as pessoas amadas, que conduzem desentravaquadrilhadores, que têm mulher tipo galinha, teimosas, de cabeça de andorinha, com problemas de gases, que deixam pessoas como o Sr. Mamede pendurados, que nos enganam a torto-e-a-direito, que têm frio, não sabem a quantas andam e que por fim são estúpidas que nem uma porta, essas pessoas são-nos muito queridas, mas não as compreendemos).


Não faço qualquer tipo de comentário.... NADA!!!

terça-feira, 9 de agosto de 2005

2 segundos

Muita coisa pode acontecer em 2 segundos, mas por outro lado não é assim tanto tempo...

Ia passear pela cidade, quando um peixe me pergunta – Sabe nadar? – Mas que raio??
2 segundos antes da passagem do maremoto.

A rua é estreita, acanhada, esguia e não consegui ver o sinal.
2 segundos antes de ser assaltado numa rua sem saída.

Sentei-me, fiquei deslumbrado, como podia ser! Porque razão ninguém se senta aqui?!
2 segundos antes de lhe cair um piano em cima.

Estou cheio de sede. Uma fonte? Óptimo! Isto é demais, olha para este jovem aqui no chão a espumar da boca, é a droga...
2 segundos antes de beber água contaminada.

Pensei eu: Vou de carro, ou a pé? Não sei... Será que vai chover? Que se lixe, vou a pé!
2 segundo antes de ter perdido o último comboio de volta no meio do deserto Australiano.

Que calor! Vou à água.
2 segundos antes de lhe dar uma paragem de estômago.

Táxi! Táxi!
2 segundos antes de não ver o autocarro.

Mas porque raio é que a manga do casaco está tão comprida?
2 segundos antes de ter reparado que não tinha a mão direita, tinha sido roubado!

Adoro comer sopa de espinafres, é mesmo bom. Que sorte, hoje há! Se faz favor! – e estico o braço.
2 segundos antes de ter morrer com um tiro revolver, pois fiquei com o braço no meio das mamas de uma Senhora extremamente boa que vinha a passar como o marido, o qual era um pouco ciumento e não gostou (eu sei é rebuscado, mas valeu a intenção).


Há muitos outros exemplos como gerir os seus 2 segundos, pensem nisto e durmam descansados.

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Que estranho

Já repararam que não há fogos ao fim de semana...

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Manual de boas práticas II

Na farmácia:

  • Primeiríssima coisa a ser feita; encontrar uma farmácia.
  • Peça licença à porta para descasar os sapatos, se lhe for negado, diga que tem uma bomba.
  • Se houver fila, não tire senha. Espere que as senhas acabem e depois queixe-se.
  • A qualquer pergunta que lhe façam, responda sempre: Dois quilos. Ex: - O que vai ser? - responda prontamente - Dois quilos.
  • Se estiver alguém a trás de si para ser atendido, diga-lhe que é só uma instante, depois tire a lista das compras do supermercado e faça um ar arrebatador.
  • Fale muito baixo quando estiver a pedir os medicamentos, se a pessoa não o conseguir ouvir, disfarce.
  • Encontre a balança, suba e fique inerte em cima dela. Se alguém da farmácia lhe disser: “Vamos fechar.” Disfarce e diga que ficou sem pilha no relógio.
  • Altere o nome do medicamento na receita de “Ananase” para “Ananase de laranja” e veja a reacção do farmacêutico.
  • Peça preservativos para usar nas orelhas, se não tiverem, peço o livro de reclamações e leia as reclamações em voz alta.
  • Quando pedir preservativos, enrole, faça como se estivesse envergonhado. Se a pessoa que o está a atender perceber, disfarce, diga que é para o seu cão.
  • Minta, diga que está grávida.
  • Entre na farmácia a tossir compulsivamente e peça pastilhas de nicotina, mas sem açúcar.
  • Faça-se de drogado e peça pastilhas para o mau hálito.
  • Diga que o bife estava muito rijo e peça para falar com o gerente. Se o funcionário lhe disser que o aquele estabelecimento não é um restaurante, diga: “Isso é o que todos dizem!”
  • Diga que lhe dói a alma e aguarde pacientemente por uma solução.
  • Queixe-se da vida, se o funcionário lhe der algo, diga que já experimentou e não resultou.
  • Peça para falar com o Médico, confesse-se e dê-lhe uma galinha.
  • Se está farto de esperar, atire larachas para ao ar e no final de cada uma peide-se. Se mesmo assim não resultou, peça carinhosamente que saiam todos, exibindo um revolver em punho.
  • Quando pagar, finja que está surdo. Se continuarem a insistir, pegue nos medicamentos, volte-se para trás e diga: Este Sr. paga.
  • Ao sair fale sozinho e por fim pragueje com os medicamentos. Se ninguém olhar, finja que não viu nada.
  • Antes de sair diga que lhe roubaram os sapatos que tinha deixado à porta. Para esta prática, terá que estar descalço, ou então o efeito não é o desejado.
  • Na rua, comente em alto e bom som: “Estão a dar rebuçados aqui!” Se ninguém ouviu, passe ao segundo plano; sair de fininho.

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Chuva

A chuva de Janeiro que bate na chão, forte, como a morte, gelada,
como o metal da foice que trago na mão inchada, fechada,
cheia de calos doridos, como o coração, da terra amada, lavrada,
de dias e dias a fio, com muito pão e alguma água, decantada,
essa chuva, que trás a nossa benção, muito molhada, muito abençoada,
que nos trás a vida, que a torna numa canção, chorada, cantada,
a várias vozes, ou com um só vozeirão, a canta animada, nada desafinada,
cheia de vida, que enche o coração, da rapaziada, de uma só lufada,
que nos converte em crianças, de biberão, ó terra amada, ó desgraçada!

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

sexta-feira, 29 de julho de 2005

A Prima

A família
Os ossos doem-me, o frio, a humidade, essa maldita, mas bem vivida velhice, que me atormenta há anos. Mas graças a Deus tenho alguém com quem posso compartilhar estes dias de hoje, porque houve dias em que nada tinha, ninguém, só o vazio das paredes, o som do vento, que fustigava as janelas do piso de cima. E de todas, a do quarto do André e da pequena, que há muito estava partida, era a que mais me fazia arrepiar.
- Tenho que ir buscar mais lenha. - comentei.
O fogo brando, quase sumido, que quase não aquece, na lareira monstruosa e as sombras na parede, a fazerem lembrar mantos negros, como abutres, que esvoaçam pela sala, na noite.
Levantei-me, ao lado da lareira um cesto de verga, envelhecido pelo fumo e pelo calor, estava meio de lanha. Retirei dois troncos grossos e coloquei-os na lareira. Peguei no livro que lia, já há duas semanas. Aquela passagem em particular fez-me lembrar a minha infância. Os dias em que corria pela casa fora com a minha prima, na altura má como as cobras, matreira, dela nada se podia prever, mas o amor que sentia por ela, superava qualquer coisa. Um dia de Inverno, como este, andávamos a correr pela sala numa gritaria pegada. A minha prima tinha-me tirado do meu quarto um pequeno cavalinho de pau, que o meu tio tinha feito com a sua navalha, sempre impecavelmente afiada e com todo o carinho. E lá andava ela com o cavalinho na mão a troçar de mim e quando passava por esta lareira, fingia que atirava o cavalinho. Eu, em pânico, gritava e chorava. A maldade era tanta que nem um leve, suave, materno, doce, tão doce, “parem com isso!”, da minha querida mãe, a fazia parar. Eu nunca consegui compreender porquê. O que a levou a atirar o cavalinho para a lareira. Tenho cá as minhas suspeitas, mas é muito difícil de compreender. Com tamanha gritaria e choradeira, foi inevitável que o meu bem dito papá ia ouvir. Austero, severo, com voz de trovão, as mãos do tamanho de panelas de sopa, os olhos azuis, mais azuis que o céu e o bigode grisalho de pontas reviradas para baixo. Era muito alto, tão alto que não se lhe conseguia ver a alma, mas doce, tão amigo e afável e tão cruelmente justo, mesmo muito justo! Ao chegar à sala, soltou um, “gostava de saber o que me perturbou o sono!”. Eu não consegui soltar uma palavra que fosse, tudo se gelou dentro de mim. O cavalinho deixou imediatamente de existir, a única coisa que me ocorreu foi o destino da minha pobre prima, mas nem uma palavra, nada. Não conseguia salva-la. Quando me lembrava do que ela tinha feito, o ódio percorria o meu coração.
- O que se passou, Júlia? - Perguntou à minha mãe.
- Nada Senhor, nada se passou. – Respondeu a minha querida mãe, com a calma duma Santa.
Não achei justo. Mas era melhor assim, que aplicar a justiça do meu papá sobre a minha pobre prima. Ela, que era sempre muito irrequieta, quando o meu papá estava por perto, tornava-se na moça mais sossegada, mais angélica e doce que alguma vez havia existido. Eu, que padecia da mesma justiça do meu pai, suportei mal todo aquele clima obscuro de traição. Ele, que estava ainda de maus modos, sentou-se no seu grande cadeirão e pôs-se a olhar.
- Júlia, o seu filho está com um olhar muito rancoroso, algo se passou! Seria melhor contar-me o que se passou...- Disse o meu pai com ar severo.
- Senhor nada se passou! – Insistia a minha mãe.
Eu, eu nada podia fazer. O meu papá era contra a covardia que assolava a maioria das crianças e sabendo disso, insurgi-me.
- Prima, gostava que visses brincar comigo para o meu quarto... - Não me apercebi do que tinha dito. O meu pai quando estava na sala não queria que ninguém a abandonasse enquanto ele lá estivesse. Fiquei muito nervoso. A enorme e volumosa cabeça, voltou-se na minha direcção e de um só sopro, trovejou.
- O menino sabe que não pode fazer isso, não sabe? – O meu pai em tom de desafio.
Mais uma vez o meu corpo gelava, era como que todo o meu sangue quente nas minhas veias me abandonasse e no seu lugar corriam torrentes de gelo.
- Sim senhor... - Respondi com o coração na mão à espera da facada fatal.
A minha adorada prima, que de feia sempre teve muito pouco, olhou para mim e da sua boca linda, saiu a língua vermelha como uma cereja. O ódio foi superior à presença do meu pai. Nada me podia travar naquele instante. Saltei de um só impulso para cima dela e bati-lhe tanto com as mãos fechadas que nem as mãos vigorosas do meu papá conseguiram arrancar-me. Estava louco de raiva! A muito custo conseguiu separar-nos. A mãe, que sempre a vira com a calma de uma leve brisa, salta do enorme sofá deixando cair a sua primorosa renda e tenta também separar-nos. Eu fiquei nas mãos do meu pai. Ainda esperneava de raiva. Pela cara da minha prima escorria um fino fio de sangue que lhe vinha cabeça. A minha querida mãe, em pânico, olhou-me nos olhos e perfurou-me! O meu pai afastou-me dali de imediato, levou-me para o quarto e trancou-me a sete chaves. Fiquei quatro semanas a pão e água, de janela fechada, tapadas por fora. O caseiro, o Sr. Antunes, enquanto pregava as tábuas na janela, escorriam-lhe lágrimas grossas pela face seca pelo pó do campo, enquanto eu ficava ali encarcerado. Tinha uma vela que tinha de racionar, pois era a única para me fazer companhia. Todos os meus pensamentos estavam voltados num só sentido, a vingança! As quatro semanas transformaram-se em anos num colégio interno. Cresci rancoroso, fechado, triste, com pensamentos pecaminosos, sem vida interior. Nunca mais vi a minha amada mãe nem ela, a prima linda não me saía da cabeça... Quando soube da morte da minha mãezinha, abateu-se sobre mim uma tristeza e uma dor tão grandes que a única esperança tornou-se óbvia, tinha que me vingar.

A cidade
Com 19 anos, acabei todos os estudos, era agora médico. Não tinha um único amigo. A igreja ia-me dando algum apoio, mas até aquele dia nada nem ninguém sabia o que me trouxera àquele colégio. A única coisa que sabiam no colégio, era da existência de uma família que nada dizia, nem uma visita, nem uma carta, só um mensageiro com a morte da minha mãe e as mensalidades. Saí para a cidade com os meus 20 anos. O Padre Zacarias aconselhou-me um cirurgião muito famoso. Fiz-me ao caminho. Tinha crédito para um dia, não mais. Ao chegar à grande cidade pressenti algo nefasto, nada iria ser como até aí, iria ser bem pior. A agitação, o barulho, os olhares, os risos, as falas, os trajes, o cheiro, tudo era novo e distinto, nada igual ao que alguma vez tinha sentido. Mas, para além disso, senti um frio de medo a percorrer-me as costas. Bem que o Padre me havia avisado. Tal como o Padre me ensinara, perguntei a uma velhota que vendia fruta como fazer para chegar à morada do famoso cirurgião. Não sei quanto tempo andei a pé, mas perguntei indicações a sete velhotas que vendiam alimentos na rua. No final, bati à porta exausto. Ninguém... Esperei quatro dias. Ao final dos mesmos quatro dias, apareceu uma senhora de meia idade que, com muita ternura, me perguntou se eu estava perdido. Expliquei-lhe a razão pela qual estava ali e prontamente se ocupou de mim. Convidou-me a entrar, esperar pelo médico que tinha saído para fora por uns dias. Estava a morrer de fome. Só trazia uma mala e a roupa que tinha comigo e umas coroas para dormir, que guardei para comer algo. Em quatro dias tinha comido quatro maçãs. Estava mesmo com fome. O médico chegou passados alguns minutos. De olhos pequenos, muito elegante, muito aprumado, de chapéu alto e bengala, de cara muito lavada, sem uma única ruga, como se a pele fosse de cetim. Prontamente a senhora justificou a minha presença. O médico ficou muito impressionado, tão novo e já médico?! Expliquei em poucas palavras o meu passado e o médico compreendeu. Esticou a sua mão, muito macia e fria.
- Dr. Ernesto de Vasques, às suas ordens.
Eu nem sabia o que dizer, estendi a minha mão e apresentei-me,
- Afonso Biscaia, um seu criado.
Foi a primeira vez em 15 anos que disse o meu nome a um estranho. De certa forma não me soou bem, nem a mim, nem ao Dr.
- Afonso Biscaia? De onde? - Perguntou de sobrolho levantado.
- De Vandins de Cima, Sr. Dr. - disse eu a medo.
- Não acredito! - E dizendo isto o Dr. dá um passo a trás, com o olhar raiado de espanto.
- Tens a certeza? - Perguntou ainda incrédulo.
- Sim Sr. Dr., tenho.
Eu não compreendia o que se passava. Ele, pega no meu braço com toda a força e atira comigo para fora de casa, com a mala que trazia e aconselha-me a sair da cidade o mais rápido possível. Algo se tinha passado e tinha a ver com a minha família, algo de muito grave. Não podia ser mero acaso, o Dr. Ernesto não podia conhecer a minha família, seria um verdadeiro acaso. Peguei na mala. Estava desesperado. Não sabia para onde ir. Já era noite. Pernoitei num vão de escada ali perto. Pela manhã, resolvi procurar algo para fazer. Se ia ficar na cidade, teria de arranjar sustento. Durante dois dias procurei trabalho, ninguém me queria. Era demasiado franzino para fazer trabalhos pesados e eram os únicos que encontrava. Por fim, consegui um emprego numa fábrica de peles. Trabalhava-se do nascer ao pôr do sol, sete dias por semana e dormia-se dentro da fábrica, juntamente com mais centenas de operários. Durante anos a fio trabalhei naquela fábrica. Via muito poucas vezes a luz do dia. Mais uma vez, o isolamento era profundo, os pensamentos cada vez mais densos. Nada nem ninguém sabia quem eu era. De três em três meses tinha folga. Um dia, numa dessas folgas, saí e nunca mais voltei. Dentro da fábrica tinha-me informado como teria que fazer para chegar à estação de comboios. Assim fiz, com o pouco dinheiro que me pagavam, juntei o suficiente para sair daquele inferno e meti-me no comboio, rumo a casa.

A casa
Na viagem, pensava em várias coisas. A primeira, e a mais antiga, a vingança, a segunda, era saber o que se tinha passado para aquele Médico. Porquê aquela reacção? E, a terceira, era se o meu papá ainda estaria vivo. A viagem demorou cerca de seis dias. Estava realmente muito longe. Depois de um dia no comboio, dois dias de diligência, mais dois a pé e um pelo meio para descansar. Quanto mais me aproximava da região, maior era o aperto no coração, não sabia se estava a fazer bem. Por um lado, só pensava numa coisa, o reencontro com o passado e a saudade, por outro, o rancor, o ódio.
Estava agora com 29 anos, deformado, muito envelhecido, pálido. No entanto, quanto mais me aproximava, mais me sentia a rejuvenescer. Lembrava-me dos momentos que passei com todos, a mãezinha, o papá e até mesmo a prima, a pobre prima. Órfã. Era filha do irmão do meu pai, que morreu juntamente com a minha tia, num incêndio. As circunstâncias do incêndio sempre foram muito dúbias, mas não seria muito difícil adivinhar o que se tinha passado. Comecei a lembrar-me dos tempos da escola primária. A minha prima Helena (há quanto tempo não digo este nome...?), que andava na mesma classe que eu e que gostava muito de andar de baloiço ela e eu. Ali ficávamos horas. O intervalo, que era de apenas meia hora, transformava-se, para nós, em apenas dois minutos. Andávamos sempre juntos, até havia quem dizia que éramos namorados, mas isso não podia ser! Mas era de facto e por isso, por vezes, só para nos chatearem atiravam-nos um pedra ou outra, mas nunca nos acertavam. Helena ficava muito irritada com isso, corria atrás deles e batia-lhes com tudo o que tinha à mão. Por vezes era eu que tinha de acatar com a culpas, pois uma menina não tem comportamentos daqueles. O comportamento na escola, levou a chamar a mãezinha, que perguntou nesse dia à noite, longe dos ouvidos do papá, o que estava eu a fazer com a Helena. Eu, com um brilho nos olhos, respondia:
- A andar de baloiço com a Helena.
A mãezinha abraçava-me e pedia para ter mais cuidado, se o papá soubesse seria muito grave.
No meio destes pensamentos lamechas, vinham as ondas de ódio. Um simples episódio tinha transformado toda a minha vida, repleta de possível prosperidade, como podia ter sido tão bom. Pensava eu lavado em lágrimas. E o que teria acontecido a Helena? Matreira e cínica como era, pensei que devia ter feito as coisas de forma a ser perfilhada pelos meus pais. Ai que dor! Continuei o meu caminho, estava quase a chegar, já sentia o cheiro. Ao longe, por entre os cedros altos, avisto as chaminés do casarão, imponentes como sempre. Parei, achei aquilo absurdo. O que estava eu a fazer ali? Não tinha sentido. Passaram muitos anos, eu para esta gente estaria morto, mesmo se não estivesse, deveria estar. E também eu devia enterrar este meu passado horrendo e sair daqui. Com este pensamento voltei para trás. Mal iniciei a minha caminhada para trás, parei de novo. Olhei para o casarão, voltei-me na sua direcção. O ódio apoderou-se dos meus punhos, cerrei-os e fiz-me de novo ao caminho, tinha de me vingar! Estava tudo com muito bom aspecto, todo pintado de branco, de um branco angelical. O jardim estava impecável, cheio com as cores do arco íris, lindo. Apetecia morrer naquele lugar, seria uma bênção. Limpei as vestes sujas de pó, arranjei o cabelo, o pouco que tinha, limpei um pouco os sapatos cheios de lama e peguei na grande maçaneta da porta principal. Como tudo aquilo me parecia bem mais pequeno, quase normal. Enquanto esperava que alguém abrisse a porta, olhei mais uma vez o jardim e reapreciei a sua beleza. Acho que nunca tinha reparado, ou será que me tinha esquecido? Envolto nestes pensamentos, sinto a porta a abrir-se. Voltei-me e lá estava, como imaginei, o Sr. Antunes, o fiel caseiro, não me reconheceu.
- Não estamos a dar nada, nem sequer temos trabalho para si, vá-se embora! – Disse com ar altivo.
Fiquei calado. Olhei nos olhos dele. O Sr. Antunes teve um estremecimento e tombou um passo atrás.
- Menino Afonso...? - Ficou sem qualquer tipo de expressão, nada, ali ficou estarrecido, petrificado. - Não é possível! – eram as únicas palavras que dizia.
- Posso entrar Antunes? - Perguntei com um leve sorriso nos lábios, o primeiro dos últimos 22 anos.
- Não sei... - respondeu.
O que se teria passado? Primeiro o Médico, depois isto? O que se tinha passado? Fiquei transtornado.
- O menino não sabe? - Perguntou-me o Sr. Antunes.
- Não sei de nada Antunes, nada! Desde que cheguei à cidade que tudo se tornou muito estranho, sem explicação. Eu não mereço isto! Diga-me Antunes, o que foi? O que se passou? - Estava cada vez mais desesperado, confuso, sem rumo, tinha chegado ali com tanto esforço, com tanta dor acumulada, com todo o rancor do mundo, com o ódio que consumia o coração e alguém ali especado na porta da minha casa, a fazer-me perguntas, o que me transtorna ainda mais, o que me faz preocupar com esta gente? Gente que me abandonou, que me deixou, como a um reles cão de rua. Era demais!
- Antunes, de uma vez por todas diga-me o que se passou !
- O seu pai assassinou uma pessoa, por causa da menina Helena e neste momento está preso.
Não me espantei, tudo seria possível, vindo da prima. Já nada tinha importância.

A prima
- E porque razão não me deixa entrar Antunes? Isso não é razão. Empurrei-o e precipitei-me para dentro da casa.
O já velho Antunes nada pode fazer, estava já sem forças para me travar. A casa estava linda! Nova, como eu nunca a tinha visto. Mas como? Se o meu papá estava preso, quem tinha posses para sustentar a casa e tudo aquilo? O Sr. Antunes ordenou que saísse, mas eu não o ouvia, não queria saber, estava muito intrigado. Ouvi vozes que vinham da sala. Pareciam vozes de criança. Fui entrando. No sofá grande uma mulher, de costas, falava com duas crianças que a escutavam com muita atenção. Não deram pela minha entrada. Um arrepio percorreu-me as costas. Uma das crianças era a prima, a Helena. Não podia ser! Gritei de espanto: HELENA!!
Ao mesmo tempo entra o Sr. Antunes. As crianças assustam-se com o grito e gritaram ainda mais alto, a mulher também assustada levanta-se e volta-se.
- Helena?! És tu?! A mulher era a prima.
O Sr. Antunes agarra-me e tenta tirar-me dali. Sacudi-o com tamanha força que foi embater com a cabeça na mesa. Ficou inconsciente.
- Afonso? És tu? Estás vivo? O que estás aqui a fazer? Não sabes que não podes estar aqui? Crianças, corram lá para cima - Disse Helena.
Mas eu não as deixei passar e agarrei-as. A miúda era igual, igual à prima, impressionante.
- Então quem são estes, Helena? Os teus filhos, é? Que lindos! Vai ser uma pena... Helena viu os meus olhos e começou a implorar.
- Não, por favor, mais tristeza não! Não consigo suportar mais! - Dizia Helena, já com uma lágrimas nos olhos.
- Achas que iria fazer isso minha rica prima? - Dizia eu num tom irónico e malévolo. Enquanto isso, as crianças não paravam de gritar, mandei-as calar, depois, levei-as para a cave e deixei-as lá, fechadas à chave. Helena implorava e puxava-me, mas eu estava cego de raiva. Não conseguia ver mais nada, a vingança, o ódio, tudo, tudo! Os anos que tinha perdido, a felicidade, o afecto, tinha perdido tudo e tudo por culpa da prima, a maravilhosa prima. Estava mais bonita que nunca. Fui pacientemente para a sala. Ela tentava desesperadamente abrir a porta da cave. Ali fiquei na sala, até que ela com um machado na mão corre na minha direcção, para me tentar matar. Consegui evitá-la a muito custo, a loucura estava espelhada na cara dela, a todo o custo tinha de me matar. Corremos pela casa fora, parecia que tínhamos voltado à infância. Que giro! Por fim consegui tirar-lhe o machado da mão e pedi que se acalmasse. Necessitava de falar com ela. A princípio nada que eu dissesse fazia diferença, ela só queria soltar as crianças. Mas com o passar das horas, acalmou-se e sentou-se comigo na sala.
- Minha prima, minha linda e amada prima, como estás? Vejo que estás mais bonita que nunca.. Os dias correm-te bem? Estás com muito bom aspecto. Casaste? Filhos, muito bem! Gosto do que vejo... - Dizia-o com um misto de rancor, saudade e ironia.
Não havia qualquer tipo de dúvida, eu amava-a. Mas não conseguia dize-lo.
- Ouve Afonso, eu não sei o que se passou contigo, não sei mesmo, mas eu não sou culpada dos teus horrores.
Como seria possível ela ter a coragem de dizer aquilo. Eu não estava a acreditar.
- Desde o dia em que te bati, aqui neste sofá, que tudo para mim mudou. Não compreendes. - E não compreendia mesmo.
- Afonso, julgas que foste o único? E eu? Sabes o quanto sofri? Sabes o que me aconteceu depois desse dia? O teu querido papá mandou-me para um colégio de freiras, perdido no tempo e no espaço, só saí de lá aos 20 anos e foi porque fugi. Como se isso não bastasse, perseguiu-me até aos confins da terra, fez-me passar pelas piores situações da minha vida, só para lhe escapar. Ainda me vens com o discurso de coitadinho? Não te conhecia assim Afonso. Mas olha que pensava que ele também te tinha matado. Fiquei muito triste, mesmo muito. Tu eras a minha única esperança de alguma vez ser feliz na vida. Nada nem ninguém sabia de ti. Sabes quem foi o teu pai? Sabes do que ele é capaz? Ele mata com as próprias mãos, é um assassino! É um louco! Matou o meu marido! O meu marido era um cirurgião que conheci na cidade e numa discussão, acerca de doenças que podem ser combatidas com cirurgia, em que o teu querido papá acreditava que as doenças só podiam ser combatidas com mezinhas parvas e muita reza, matou de um só golpe no pescoço...
Aquelas palavras perfuravam o meu coração. Pareciam tão absurdas, era um cenário tão irreal. Tudo o que eu acreditava estava ali a ser ultrajado, transformado em barbaridades e dito pela única pessoa que alguma vez podia pensar em matar, torturar, fazer mal, e o que ouvia eu? Que o mau da fita era o meu pai. Achei aquilo muito descabido. Como pode ser isso verdade? Quem pagava a minha mensalidade no colégio? Quem me enviou a mensagem da morte da minha mãe? Para todas estas perguntas, a Helena respondeu:
- O Sr. Antunes...
Não podia ser, era demasiado incrível, não podia ser.
- E julgas que a tua mãe morreu de morte natural? Foi assassinada pelo teu papá que, aliás, não o era.
Era demais! Aquela havia sido a gota de água.
- Cala-te! - E dei-lhe um estalo, com toda a força.
- Isso é demais, estás a tentar que eu te poupe a vida e a dos teus filhos! Acorda! Já não tens 7 anos, eu também não, eu já não acredito em ti! Helena, tu és a pessoa mais má que eu conheço, mais reles, mais cínica, pior que conheço. Deixa a minha casa e já! Esta é a minha casa, põe-te na rua! Já!! Peguei-lhe no braço, mas ela não se moveu. Ela só olhava para mim e dizia que eu estava errado e pedia que lhe deixasse contar tudo. Eu, louco de desejo, de lhe dar um beijo, ali, junto a ela, mas ao mesmo tempo só lhe queria espetar uma faca, grande, muito grande no coração, para acabar com tudo aquilo. Nem pensei duas vezes, dei-lhe o beijo mais louco, apaixonado, cheio de amor e, no final, cravei-lhe o machado no peito.

Epílogo
Este dia de Inverno frio, em que no quarto do pequeno André e da pequena Helena a janela bate com o vento, enquanto eles descansam na cave. O Sr. Antunes, há muito que está ali inconsciente, junto à mesa. O meu querido paizinho, que jaz no cemitério de uma qualquer prisão e tu, minha querida, que estiveste a ouvir a história que se repete todos os dias, com a tua inconsolada paciência, que estás aqui ao meu lado a fazer-me companhia, há anos, no teu precioso silêncio. Linda, linda, prima!
(Fala para o cadáver sentado no cadeirão ao lado).

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Ida ao médico

A consulta estava marcada vai para mais de um mês. Sempre que ia ao ginecologista ficava em stress horas antes, chegava mesmo a sentir pequenas contracções involuntárias que quase a levavam ao orgasmo. Apesar de recorrer aos lavabos antes do exame, parecia-lhe sempre que quando abria as pernas o odor era intenso e a lubrificação exagerada. De resto, dobrava as cuequinhas meticulosamente por forma a que o médico não se apercebesse de que estavam molhadas. Quando o gajo lhe dizia para se chegar mais para baixo, quase que se vinha. Há que dizer que o homem não era feio. Mas podia ser. O que a excitava, o que a deixava em brasa, era o gajo ser ginecologista, não o conhecer de lado nenhum e estar ali de perna escancarada e grelo à mostra. O tipo não dizia nada mas percebia o que se passava. Por alguma razão ele já não punha o gel lubrificante no espectro. Ele calçava a luva de latex e abria-lhe a dita. Se a gaja falasse estava a gritar: anda chupa-me toda! Vá meu cabrão, põe a mão por mim a cima!
Está tudo bem. Dizia-lhe o gajo, num tom que lhe pareceu trocista. Ela agarrou-lhe a mão. Não está nada tudo bem! Sabe muito bem que não está tudo bem ou acha que ando sempre por aí a pingar como se fosse uma torneira? Desculpará, minha senhora, mas eu não sou canalizador... respondia o gajo com cara de parvo. Não era canalizador mas já tinha a chave de fendas montada que a bata branca já parecia uma tenda de campismo...
Mau, mau, foi quando a ajudante entrou e foi dar com os gajos a tratarem do sifão...

By Lasciva

terça-feira, 26 de julho de 2005

Diário de uma noite.

Nada fora do normal, igual a muitas outras, com algumas diferenças, sem carro, sem cool driver, sem Gregório Gregório, só eu e mais eu.
Começo a noite no Irish, uma pint of Guiness e um Jameson pequeno. Cais do Sodré , pois é! Bebo e saio, logo ao lado bebo um café. Subo a Rua do Alecrim. Um, arrumador experiente faz sinal a um autocarro para estacionar num lugar onde só cabe um Smart. Já no Bairro Alto e, depois de estar devidamente acompanhado por uma preta, observo a fauna e a flora. Um tipa tenta entrar no bar, mas é placada pelo porteiro. Trazia na mão uma garrafa de litro e meio 7 Up “alterada” e como todos sabemos isso não é permitido por lei. A lei diz: “Em todo e qualquer caso, nunca um utente de um bar deverá entrar com uma garrafa de 7 Up alterado.” E assim a lei foi cumprida. Não obstante este facto, outro assume ainda menor relevo, pois a tipa não trazia nada vestido da cintura para baixo. O porteiro desse mesmo bar, encabela conversa com um “gajo da noite”. O dialogo é extremamente interessante; falam de um possível indivíduo e pelas descrições, acham que estão a falar do Manel, pelo menos é que consta. Mas quando compram os traços fisionómicos, nada bate certo. Ora nem mais! Após este episódio Freudiano, deparo-me com uma figura que me arrepia e logo tenho o chamado, “flash”; Bin Laden mora no Bairro Alto! Outro bar, mais uma preta, leio umas coisa, outra preta e saio. Na esquina do Frágil a habitual fauna, a flora é que vai mudando, umas vezes mais activa que outras. Deparo-me com verdadeiro paradoxo, na esquina em frente ao Frágil, está uma loja de ferragens. Isto seria normal se as lojas de ferragens não fossem um dos bastiões dos puros machos. Lindo! A tia Alice is on the house! Yees! Cumprimentei-a, como sempre faço, quando está. E sai um pontapé na cona! Venho para a rua. Aprecio os transeuntes, bebo outro pontapé, peço mais um. Venho para o meu canto. Ao meu lado rebenta uma bomba e pelo cheiro é das boas! Já não sentia este cheiro já a algum tempo, era mesmo intenso! Passam dois bófias e a bomba continua a deflagrar. Nada de mais, tanto que se pode fumar, mas o mais interessante foi quando os bófias efectivaram a sua passagem, ai as bocas começaram: Olha ai, refunde a cena! Olha a bófia! - Eu não aguentei, tive que desmanchar... ahaha! Passados 2 segundos, passam um grupo de ex-cons e nem ai nem ui, tudo normal. Não compreendi. Mais uns minutos tornei-me suspeito, resolvi evaporar. Passei pelo Museu Maçónico, WHAT?! O Museu Maçónico é no Bairro Alto!!? Ok... não sabia.
Uma questão primordial: Porque razão os cães da rua andam sempre com os mendigos, bêbados e janados?
Já me estou a passar; Onde está o sangue!!??
Hora Bossa Nova na rua, no Bairro Alto, muito bonito!...
Pernas, as pernas, são curtas, muito curtas! Anão!!
Começou a paranóia, ciao!
Noite Bauhaus.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Homem vagina e mulher pénis

Vinha hoje no autocarro e pensei: e se as pessoas trocassem de sexo? Ou seja, se os homens tivessem vagina e as mulheres pénis, mas tudo o resto mantinha-se. Estão a imaginar?
Passo seguinte, as questões...
- Quem tem os bebes? A mulher.
- Por onde saem os bebes? Pela pequena ranhura do pénis, que se dilata, tipo cabeça de serpente.
- Os óvulos, como são fecundados, quem tem o esperma e o óvulo? Fácil! A ejaculação do homem é dentro da sua vagina e ai fica. Aquando da penetração da mulher, o seu pénis no momento do orgasmos suga o esperma de dentro da vagina do homem, que em seguida entra para as trompas da mulher, onde se encontra o óvulos, podendo ai ser fecundado.
- E o prazer? Sim, esse tema muito importante! Os homens na sua vagina detém o clitóris, e as mulheres a glande do pénis, simples!
- Urinar? Basta trocar os sinais nas casas de banho!
- E o período da mulheres? Têm-no à mesma. O sangue sai pela ranhura do pénis.
- E o que faz o homem depois de um orgasmo? Lava, ou então sai. Já no caso das mulheres, aquando do acto sexual, a maior parte do esperma é absorvido pelo fluidos corporais da mulher, o resto sai.
- E as frases? Tipo: Toma querida! Será alterado para: Dá-me querida! Já as mulheres dirão: Fazia-te um minete agora mesmo e aqui! Ou então: Estou cheia de tesão, até se nota no vestido... oops!
- Os homossexuais? Os homens “brincam” com os “dildos”, entre outras coisas uns com os outros e as mulheres passam a ter sexo anal, simples não acham?
- E as habituais cenas, o meu pénis é maior que o teu, como é? Será : Olha p’a minha vagina! É mais vermelha que a tua! Olha p’o meu clitóris!!
- E o resto? Tudo normal, o homem mantém os testículos, a mulher os seios, as mulheres continuam femininas e os homens machões, or not...

quarta-feira, 20 de julho de 2005

11 de Outubro

António que nunca tinha provado o borrego, pede meia dose. O empregado meio zarolho, olha-o com ar de desdém e do alto do seu metro e quarenta riposta:
- O Sr. quer o quê?!...
- Meia dose de borrego, se faz favor. – Com um ar intimidado.
- Como queira.... – Cuspe no lápis e aponta o pedido no seu bloco infecto de pontas castanhas da gordura.
- Já agora e se não se importar, o meu amigo também queria pedir, pode ser? – Ainda mais subserviente.
- Calma pá!! Só tenho dois braços! – com maus modos - Ora portanto, uma de borrego e para o Sr o que vai ser...? – Acenando com a cabeça para mim.
- Eu queria uma omelete de camarão.
- Hãn? De quê?
- Camarão.
- Vou ver se temos. – com modos de taberneiro mal cheiroso.
- Com certeza. – volto-me para o António e pergunto – Ó António, diz-me lá uma coisa.
- Diz lá...
- Quando disseste que íamos comer, não me lembro de ter mencionado que íamos comer ao bufete do hospital? – com tom irónico.
- Porque dizes isso?
- Estamos num dos lugares mais finos e caros de Santa Margarida do Azorro e começo a achar que este tipo não gosta muito de água, muito menos de nos servir.
- Óh isso, não te preocupes. O Sr. Amaro é assim mas é boa pessoa.
- Acredito António, julgo é que ele não sabe disso.
- Não sejas assim tão incrédulo Martins. Tem mais fé nas pessoas.
- Gostava, mas às vezes julgo que não, em especial quando me deparo com situações como esta e sabendo disso tento a todo custo evita-las.
- Isso é que fazes mal. Se sabes de ante mão que as situações podem ser assim porque razão tentas encara-las e ao mesmo tempo evita-las?
- Mas meu amigo, este situação foi inesperada. Eu julgava estar num restaurante de 5 estralas e o que vejo? Um taberneiro que me ameaça batatada, cospe para lápis como que se do pénis se tratasse, acho que isto é sinónimo de um atendimento personalizado e de alto gabarito?
- Mas julguei...
- Cala-te! Eu estou muito arrependido de estar aqui contigo! Sempre julguei que fosses mais selectivo nas tuas opções e o que vejo eu? Hãn? Um qualquer restaurante vão de escada, perdido no meio de um aldeia Serrana, onde o frio transparece por entre as pedras da calçada branca, como que se quisesse apoderar dos teus malditos joanetes!
- Ilário? Ilário Martins? Allô? Chama Ilário Martins à terra... Allô?!?
- ... e como que por entre a bruma, serrada, o nevoeiro húmido, carregado de morte...
- Martins? Já chega! Estás a começar a assustar-me, basta! Volta!!
- Posso ser útil n’alguma coisa? – Pergunta o empregado imundo.
- Nada Sr. Amaro, muito obrigado. Muito gentil da sua parte.
- ... em nada se transforma quando se tenta alterar, em nada se converte quando se tenta alimentar, o luar carregado....
- MARTINS!!! BASTA!!! – e com estas duras palavras sacode-me, provocando um colapso no meu minúsculo cérebro, que chocalha dentro da minha enorme caixa craniana.
- ... Hãn?! O que foi?! Onde estou!? – de olhos alucinados e raiados de loucura, despertei. – António? És tu? O que se passou?
- Não sei Martins, não sei... mas fiquei apavorado, mesmo muito. – Com a sua mão magra e gelada, António passa-a pelo meu rosto. – Pronto já está tudo bem, pronto... como te sentes?
- Não sei, muito confuso, como que o meu corpo tivesse sido invadido por outro ser, sinto-me conspurcado, sem alma, vazio. Como que sentisse que este não é o meu cheiro, este não é o meu casaco.
- Bem estranho Martins, bem estranho... – comentado isto com comigo e olhando para o Sr. Amaro evidenciando loucura da minha parte.
E com estas palavras, saiu e dirigiu-se para a sala de encontro. Aí passa cerca de dez minutos, tempo suficiente para eu rever o golpe final. Como antecipara um final feliz, de um só gesto revi todos os passos do amigo António. Não me fiz rogado e passei ao ataque. Sabendo de ante mão o que me trazia aquele lugar, resolvi fazer o que tínhamos em mente. Fiz de conta que me sentia mal e fui até ao bar. Esperei pacientemente que o meu amigo António se livrasse do empregado sebento. Mais quinze ou vinte minutos e tudo aquilo iria terminar. António dava conversar ao empregado e ao chefe de mesa pedindo desculpa pelo sucedido. Consegui por entre a conversa perceber que tudo estava esclarecido. Nada tinha alterado o plano. Voltei para junto dele.
- Então, tudo mais calmo, amigo Martins? – Colocando a sua mão sobre o meu ombro, enquanto me sentava de novo junto à mesa.
- Tudo melhor agora... Olha lá, António. Tens a certeza que ele vem?
- Martins? A rosa está vermelha...
- Sim, mas eu estou a começar a ficar com suores frios.
- Martins, o que foi que te disse o meu padrinho? Se isso acontecer, é porque Ele está lá em cima a olhar por nós.
- Sei! Mas tenho receio que não cumpra a minha parte.
- Deixa estar, eu ajudo-te. – e com estas palavras tudo ficou claro na minha cabeça.
Todo o plano estava exactamente a correr à mil maravilhas! Era impressionante, quase um sonho, uma realidade abstracta, lindo, o paraíso estava a dois minutos de distância.
- Martins, o tipo acabou de chegar.
- Óptimo António! Óptimo! Está tudo a compor-se, estou calmo, já vi tudo. – disse-o com um olhar apaixonado.
- Isso, já vi que sim. É muito bonito não é?!
- É lindo António! É lindo!
- Estás pronto Martins?
- Sim estou...
- Sentes o saco de baixo da mesa?
- Estou com ele na mão e estou a sentir o detonador.
- AGORA!!!
E os dois bem alto gritámos: Ala!!
Mais de 40 mortos, entre eles um dirigente político interveniente nas negociações, cerca de 200 feridos, o meu amigo António ao meu lado desfeito e eu no céu observo, no entanto, penso que nada daquilo tem muito sentido... porque razão o sangue é todo da mesma cor...?

terça-feira, 19 de julho de 2005

A razão

A besta imensa que divide a minha razão é comparada só, única e exclusivamente, a um elefante cheio de vontade de copular, com uma cadela sem o cio.
Se acham isto bárbaro ou sem sentido, tentem falar com o meu dermatologista após uma consulta de rotina. É virtualmente impossível tentar compreender ou encontrar qualquer tipo de sentido, seja ele nefasto ou concreto, nas palavras do homem. Tudo quando julgavam conhecer e mesmo o que julgo não conhecer, é vos posto à vossa frente na forma verbal, para além disso há os indícios físicos de que algo vai rebentar dentro dele. Os olhos saem das orbitas, as veias jugulares transformam-se em grandes mangueiras, como as dos bombeiros, os dedos e unhas cravam-se nas almofadas do cadeirão, a saliva em forma de espuma escorre abundantemente nos cantos da boca e por entre esta estado de espirito saem palavras como: eczematosas, psoríase, disidrose, vesiculante, Streptococcus pyogenes grupo A, estreptococos ou até estafilococos, misturadas com palavrões para além do aceitável, a roçar o fantástico. Isto tudo porque fui à praia de Cruz Quebrada.
Por isso estão a ver como está a minha razão, basicamente está eczematosas, psoríase, com disidrose, vesiculante, com streptococcus pyogenes grupo A, cheia de estreptococos ou até estafilococos, mas por outro lado sei muito bem quando estou feliz.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

...

Se deus fosse uma pedra, seria surdo que nem uma porta.

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Manual de boas práticas

No cinema:
- Perguntar à pessoa que está a vender os bilhetes se tem trocos. Se responder que sim, pague com Multibanco, se responder que não, faça um sinal para o fundo da sala e vá-se embora.
- Quando estiver a comprar o bilhete pergunte se as cadeiras estão equipadas com algálias.
- Entre na sala dois minutos atrasados e gritem: “Porra! Deixei o telemóvel no frigorifico.”
- Quando lhe estiverem a indicar o lugar, iniciem um choro nervoso e digam que não querem aquele lugar, que preferem o lugar do morto.
- Depois de sentados e passados 30 segundos, finjam que estão a dormir.
- De 10 em 10 minutos levantem-se, no caso dos Srs. ajeitem o cabelo e no das as Sras. ajeitem o cabelo.
- Baixinho vão chamando a pessoa que está no outro lado da sala, com um pssst e aos poucos intensifiquem o psst.
- Caso optaram pela sala de cinema pipoca, encham a boca de muitas pipocas e depois prenunciem a palavra Afonso, mas com muita força.
- Se for um drama, entrem na sala com um rolo de papel higiénico e apontem, para a pessoa que vai a vossa frente.
- Se for um filme de acção, quando estiverem a entra da sala, benzam-se.
- Se for uma comédia, entrem na sala antes de começar o filme a rir às gargalhadas e quando alguém se rir durante o filme, mandem a calar, evocando surdez.
- Se for um outro filme qualquer, não vão ver.
- Se for um outro filme qualquer, mas queiram lhe dar um tema, façam o mesmo.
- Se for a primeira vez que vão ao cinema com aquela pessoa, digam que sofrem de claustrofobia, após o final do filme.
- A meio do filme ponham o braço no ar e esperem que alguém chegue junto de vós. Se isso acontecer, peçam um Vodka Martini, com duas pedras.
- Antes de desligarem o telemóvel, experimentem todas as melodias do vosso telemóvel. Se isso demorar mais que duas horas, peçam desculpa no fim.
- Quando as luzes se apagarem, gritem de pânico. E digam alto e bom som: Não fui eu!
- Caso tenham um chapéu alto, tragam-no e exibam-no com vaidade antes de se sentar. Olhem nos olhos da pessoa que está a trás de vós e digam-lhes com um sorriso nos lábios: Boa noite.
- Mesmo que tenham idade para ver o filme que vão ver, comentem isso com a pessoa que está a obliterar o bilhete, de uma forma tímida.
- Caso seja Verão, antes de entrar na sala vistam um sobretudo e façam um ar austero.
- Se depois disto, ninguém reclama, ou ainda está na sala, saia e diga em alto e bom som, olhando para o proteccionista: “Nem um homem, quanto mais...”
- Se alguém o expulsar, desculpe-se. Diga que tem gases. Quando estiver cá fora, pergunte as horas e compre o bilhete para a próxima sessão.
- Muita atenção: Por nada interrompa o visionamento da película se estiver muito “à rasca” para urinar. Faça nas no local onde está sentado, caso a sala estiver equipada com algálias; se não estiver, não sei o que deve fazer.

Bom filme!

Atenção

À quanto tempo não olham para a Lua? Já reparam que está diferente. Vejam bem.

quarta-feira, 13 de julho de 2005

Rap’parta!

A seiva que corre do pinheiro,
Dá sempre muito dinheiro
Como uma lagosta por inteiro
No meu carro a pilhas verdadeiro

A gruta era mesmo funda
Do tamanho de uma bunda
Mesmo muito profunda
E Tinha um ar muita chunga

Fui apanhar macacos para o Ruanda
Montado na grande chanca
A tua grande tranca
Vai estripar a minha baganha

Meteste a tua prima
No meio de uma ravina
Tenho o dedo numa tina
E ou outro na tua vagina

Já me disseram que era aldrabão
Mas não quis acreditar
Só tenho uma mão
Para me coçar

Assim de longe
Até pareces um monge
Mas mais de perto
Não passas de um feto

Desde pequeno que tenho a mania
De que a minha tia
Tem a panela fria
Mas era só azia

Vi a tua sogra
A comprar dois quilos de soda
Tinha ainda de sobra
Mas quis comprar mais

Estive na lareira do anormal
Estava lá um marsupial
A fazer tricô
Quanto eu brincava com o iô-iô

Já me disseram que era aldrabão
Mas não quis acreditar
Só tenho uma mão
Para me coçar

terça-feira, 12 de julho de 2005

À pois é!!

9 da manhã, ligo a televisão, como bom cidadão que sou, vejo as notícias nacionais e do mundo.
Fenómenos estranhos, alterações climatéricas, finanças, política; enquanto me preparo para mais uma dia de árdua labuta, vou ouvindo tudo com muita atenção. Eis que se não quando uma notícia, aparentemente inofensiva, chama-me à sala e se torna num verdadeiro sonho:

Ainda com a barba meia por desfazer, não penso duas vezes; hoje não vou trabalhar!
E por volta das 13:30...:


Amanhã, dia 3, será um novo dia, com ele os passarinhos voltaram e cantaram de alegria, uns por estarem mesmo felizes, outros porque nós achamos que sim.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Grito

No dia 25, saí, na noite difusa, corpos esvoaçantes de desejo, misturam-se na bruma do fumo do tabaco, que conspurca a pele, limpa, lavada, perfumada, suave. Algo me impele para o bar; serão as luzes, o olhar, o som, a sede. Tento não pensar muito nisso e dirijo-me autonomamente, sem dar contas a ninguém, nem se quer a mim. Olhos fixos na rapariga do bar e peço, sem tremer as mãos, sem soluçar, sem hesitações.
Um copo de água, por favor.
Contorcia-me ao som da música.
Sai, fui à casa de banho.
Quando voltei as pessoas estavam muito diferentes, só depois me apercebi que a música tinha mudado, bem como as luzes. Já a rapariga que me seguia para todo o lado, inclusive para a casa de banho, essa mantinha-se na mesma, como que se não fosse necessário dizer que eu estou ali, mas ela não teria que estar, mas estava e nada disso iria mudar a minha forma de pensar. De qualquer forma, mantinha a mesma postura desde à três horas. Calada, olhava-me, tocava-me no ombro e pedia algo, mas eu não compreendia, eu não a conseguia ouvir. Fiz um pequeno esforço, contudo ela ao ver que eu estaria interessado em saber o que ela teria para me dizer, ou pedir, correu e de um só salto, mergulhou na noite, caindo no chão, sem um único som. Saltou da varanda, sorte a do idoso que por ali passava.
Saí, fui à casa de banho.
No bar, pedi um copo de água.
A musica era cada vez mais intensa.
Com a alarido provocado pela garota, nada pude fazer, se não tentar encontrar alguém que a substituísse. Tarefa árdua, impossível, mesmo desesperante, até que por um milagre (coisa que não acredito), aparece um anjo. As vestes que trazia identificavam um sabor tórrido, seco e sem sal. Mas os olhos, tenros, e negros como a noite sem luar, transpareciam um súbito ar de desdém, que aos poucos se convertia em sufoco. Mais uma vez, nada pude fazer. Tal como a primeira, esta, ficou a meu lado, de uma forma diferente, mais colada, mais junta, por certo seria da idade. Em tudo diferente, mas em tudo igual, não só por ser um mulher, como eu sou o mesmo.
A música, aí esta música!
E vai mais uma copo de água...
A casa de banho, fica tão longe.
Sem querer deixar arrefecer muito a noite, passei ao ataque. Tentei por várias vezes prenunciar o meu nome, mas não sai nada, só grunhidos, sons sem sentido, ao que ela, respondia, “Prazer...”. Desde logo percebi que a comunicação estava condenada ao olhar. Dancei mais um pouco, já não sentia o chão, digo-vos que não é uma sensação fantástica, é mais na onda do surreal, do ‘se-bem! Tão juntos, tão fundidos, que pensei que tinha mudado de sexo. Julguei-me fora de mim, dentro dela, senti o meu sexo em mim. Assim que os meus lábios penetraram nos dela, tudo mudou, nada ficou, desde essa hora até ao dia seguinte e dentro dos próximos dois mil, trezentos, oitenta e 3 anos, não mais os vou largar, bem... posso fazer uma pausa de dois mil, trezentos, oitenta e 3 anos, menos duas semanas.
Bebi um shot de urina.
Dancei a casa de banho.
E, paguei a música.
Quando me dei conta das horas, soltei um grito lancinante!

Nax saca dex nhima mãri

Nax saca dex nhima mãri, iv mua nhaara, aer drange, merone, otã drange equ sox hsolo rmae dox nhomata dex rintenasga. Solvire ud-ala oa ijdriam closae sima imóxipra. Ifo mnteportane aitece. Canun sima ax iv, daiand johe nhote daesduas elad...

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Volta!

Procuro-te no fundo da escada, mas não te encontro, só um leve toque do teu perfume, que pelo cheiro, já deve ter vários dias. Desapareces-te, não te vejo à dias. Não consigo saber bem o que se passou. Estava tudo tão bem, andávamos tão felizes, tu na cozinha, eu na sofá, tu na casa da minha mãe e eu com os meus amigos, estávamos mesmo felizes, bolas pá! És mesmo mal agradecida! Fiz de tudo para te agradar! Comprei a máquina de lavar roupa nova, um lava-loiças maior, um esquentador de ligar automático, até comprei um caixote do lixo daqueles da reciclagem. Que queres mais?!?! Já não te batia à dois meses e tenho me controlado a beber, já só vinha duas vezes grosso para casa. Até comprei um saco de pugilismo para não te bater! Devias agradecer-me, pá! Até no outro dia fui contigo ao centro comercial e fui dar uma volta enquanto tu foste comprar trapos. É claro que mais que uma hora a fazer essas coisas, chega bem, mais vale isso que nada! Tens que ver as coisas por esse prisma. Já para não falar que uma semana antes de teres ido embora, encontrei a tua mãe na rua e até consegui falar-lhe e tudo! Ela é claro que depois de eu a cumprimentar ficou para lá a falar sozinha: “Você é um crápula! Estúpido! Veja bem o que está a fazer a minha filha, ela anda toda desgraçada...!” - Eu é claro que fiz ouvidos de mercador. E depois da morte do teu pai, nunca mais lhe disse nada, não a quero chatear. Por falar em fazer mal, como está a tua orelha? Melhor espero eu...
Só pode ter sido da lua, ou se calhar da gaja que estava na minha cama quando chegaste a casa. Mas podes voltar, eu já lavei os lençóis, a casa de banho e a cozinha. Eu sou mesmo bonito, não sou? Volta, por favor...

Hoje - 2

Quatro da manhã, às voltas na cama, vazia, fria, cheia de magoa, de dor, o arrepio torna-me ainda mais pequeno. Espreito a mesa de cabeceira, teimosamente as horas que fitam sem cessar, que ameaçam, que deturpam a verdadeira realidade... não passam de meros números. Mais uma vez desisto. A passos arrastados, transponho a minha preocupação para outra divisão. Por entre o breu da noite fria, tento desviar-me das parede, como elas de mim, sem sucesso aparente, servem de guia. Por fim, chego pesaroso à cozinha. De todas as divisões esta guarda algo que não pode mais ser esquecido, trazendo uma lufada de ar fresco à minha pobre alma, que dormente pensa em tudo e em nada. Neste momento só uma coisa interessa, copo de leite morno, para afogar esta maldita inquietude. Pacientemente encho o fervedor de leite e aguardo. Em quanto isso, sento-me e de orelhas entre as pernas e medito. Quase conseguia, quase chegava lá, mas o leite já transbordava e mais uma vez o sono transformou-se em euforia, a quietude em trovoada. Servi o leite e dirigi-me para a sala. Num acto de irreflectido, liguei o rádio. Procurei algo calmo, bucólico, que me aclamasse, tornando-se numa busca inglória. Muita música sem nexo, sem sentido, em línguas que não intendo. Desliguei o rádio. Na canto, perdida, a minha escrevaninha piscava-me o olho, tentei. Mal cheguei ao papel e à pena, lembrei-me de uma palavra: simpatia, mas não me surgia nada, mesmo nada, nem uma rima; mas com que diabo rima simpatia? Busquei por entre os meus apontamentos, rabiscos, temas de inspiração para os meus poemas sem sentido, de rimas estúpidas que ninguém compreende, da rima do mal com o anormal, do coração com o cagalhão, e nada! Nada conseguia rimar com simpatia, a única palavra que me surgia para esta rima, era, merda! E com este pensamento e após o terno efeito do leite, adormeci, ali mesmo.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Carne Podre

O mistério da carne podre, que definha e cresce por entre as pedras do caminho, tão escura, tão mal cheirosa, tão infecta, mas que nos atraia, a cheirar, a tocar, chegando mesmo a tornar-se uma obsessão de a ter nas mãos, junto ao corpo, de leva-la connosco, de a exibir, de mostrar que a conseguimos ter, sem que nos faça qualquer tipo de mal.
Mas após alguns dias, as doenças, as náuseas, os arrepios, os suores frios, o querer tirar e não conseguir, o lavar, raspar e não sair, o cheiro infecto que se nota a léguas, não mais nos larga. Pensamos que nunca mais nos irá abandonar, mas há uma solução! Sim há! Temos que nos convencer que a carne fresta é mais saudável, mais difícil de obter, é certo, mas mais fácil de sair. Não tem o mesmo aspecto apelativo da podre, a qual se consegue obter sem grande esforço. Mas compensa. É mais limpa e saudável. É bem mais difícil de obter, e as quantidades são sem dúvida insignificantes, quando comparadas com a da podre, mas dá mais gozo, mais gosto e não cheira tão mal.
Por isso eu digo a bem de verdade, não comam carne. Comam merda! Essa sim é a verdadeira ambição de qualquer um.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Adivinha

Se um maneta é uma pessoa só com uma mão, como se chama uma pessoa só com um cão?

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Hoje

Mas que raio andam estes palhaços a fazer? Cada dia que passa fico mais baralhado... não sei se os deva mandar para o caralho ou para a cona da mãe deles! Que palhaçada!! À e tal, não vamos mexer nos impostos e mais não sei o quê! A merda! Mas não há ninguém que os trave?! Que lhes faça medo? Acho que se uma deles fosse morto, como na Espanha se fazia, resolvia-se muita coisa! Passam sempre incólumes, como se nada fosse, até de riem! Isto tem que acabar! É que é muito difícil aguentar isto... não sei mesmo onde isto vai parar, aliás até sei; eles cada vez melhor e nós cada vez pior!

Mas porque raio inventam tanto?! Não é preciso inventar, basta copiar o que os outros fizeram bem, e no máximo fazer um pouco melhor, há que ser práticos! Nós não somos melhores que os outros países, somos iguais ou até mesmo piores, deixemo-nos de merdas! E outra coisa, se não gostam do nosso país e estão sempre a dizer mal dele, VÃO PARA OUTRO QUALQUER! E deixem-nos descansados, se não querem trabalhar, emigrem! Temos uma pais excelente! Com óptimas condições.

Outra coisa, ajudem o próximo, nem que seja uma vez, acho que não é pedir muito. Quando falo de ajuda, basta dar conta que está uma pessoa ao vosso lado e que de alguma forma poderão ajuda-la, nem que seja abrir uma porta, dar passagem no transito, partilhar um elevador, apanhar um papel da chão, sei lá tanta coisa. Quantas vezes já deram a vez na fila da pagar as compras no Supermercado?...

Ouvi esta semana no noticiário: “Temos que começar a pensar no nuclear como energia alternativa para o nosso pais...” Só agora é que se ouve falar nisto?!?! Devem estar a brincar comigo não? Olha a Espanha já lá tem energia nuclear desde os anos 70!
Já devíamos ter energia nuclear à muito tempo! E os recursos hídricos? Porque razão não são aproveitados?! PORQUÊ CARALHO! Faz-me tanta confusão! O que interessa é casas... CASAS E MAIS CASAS!

E o turismo estúpido, de província, para não estragar a fauna e a flora, ai ai... a MERDA! Sabem o que é proteger em Portugal? É deixar a mata crescer, VIRGEM, sem ser tratada, para depois se possa pegar fogo e construir á vontade! Uma mata deve ser partilhada por todos e deve ser explorada por todos, deve estar bem tratada e vigiada. Organizar passeios de jeep, ou a pé. Mas o que fazem os defensores do ambiente? Andam de Renault 4, que é dos carros mais poluentes do MUNDO!

Bom fim de semana. Vou para a Costa de Caparica... mais o seu belo plano Polis... A MERDA!

PS: Isto amanhã passa...

Tetas e mais testas e não são da treta!

Daily Nipple

quinta-feira, 30 de junho de 2005

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Chispas

Era uma vez uma pessoa que por ser a pessoa que era, chamava-se Vera, nasceu na Primavera, mas não ambicionou ver.
Mas por outras razões, que não quero mencionar, ficava virada para o mar quando o coração começava a incendiar.
Sei que foi vista com um turista, dentro do hospital, com o jornal e o avental, sei que não era da vista, pois isso seria muito normal.
Quando o viu era tremendo, mesmo horrendo, mesmo não o sendo, vinha sempre de uma certo canto do Rossio.
Fez vista grossa, à morsa que vinha grossa, de trombas, dentro de uma possa, a babar, e a arrotar, não queria acreditar, fui ver, já nem havia sombras!

Estes e outro textos, não podem ser encontrados em lado nenhum.

Santo António, Santo Antoninho

Mas um bocado e levas no cuzinho.

Foi na noite de Santo António
A primeira vez que te vi
Dois minutos no comboio
Foi mesmo ai que te comi

Vem comemorar este Santo
Ali naquela esquina
Tu mostras-me a vagina
E eu, o meu encanto

Vem comer sardinha assada
Na mesa do Santo Padre
Mas tapa essa cona assada
Para não fazer inveja á Santa Madre

Neste dia de euforia
Come-se muito carapau
Com muita alegria
Meti-te o pirilau

Agora que a festa acabou
É tempo de ir embora
Mas eu cá não vou
Porque te estou a comer agora

Agora que já te comi
Posso ir descansado
Eu, com menos um rim
E tu, com o rabo assado!

quarta-feira, 8 de junho de 2005

Já repararam?

Porque razão é que os intervenientes na última ceia de Jesus Cristo, estão todos no mesmo lado da mesa? Será que aquilo foi transmitido em directo?

terça-feira, 24 de maio de 2005

Tina

Olhei-te nos olhos
Vi que nada temias
Tinhas um par de ovos
E perguntei se engolias

Engolir não engolias
Mas outras coisas fazias

Fui apanhar meia dúzia de polvos
Para comer com fios de ovos

Tinhas um belo rabo
Que por sinal
Estava todo assado
Mas isso não fazia mal

Desde que não cheirasse mal
E não soubesse muito mal

Fui comer um iogurte opado
Para ser logo operado

O teu cheiro a vagina
Põe-me todo maluco
Cheira a sardinha
É do muco

Muco viscoso a saber a sardinha
É igual à da tua prima

Ouvi um cuco
Fui lá e dei-lhe um tiro.

Assim termina
Esta bela cantoria
Não é da minha autoria
Mas até gostava que fosse.

A caverna

- Apaga lá a lanterna.
- Para quê?
- Só para ver se fica mesmo escuro.
- Ok... (click)
- Onde foste? Onde estás? Não vejo nada! Liga a lanterna, rápido! LIGA!!! LIGA!!! LIGA!!! Não faças isso... não se vê nada. Estarei cego? Estás-me a ver? Estás ai? Isto é mesmo escuro. Estou-me a sentir mal, estou enjoado. Porque não ligas a luz? Não me ouves?! Onde estás? ONDE ESTÁS?! Eu não mereço isto. Estou-me a sentir mal, sem ar, será que morri? NÃO! Estou morto! Mas consigo me ouvir e sentir, logo não devo estar morto. Mas não vejo nada, NADA! Não posso me mexer, se não caio e morro. Aí sim, vou morrer. Porquê? Porque tenho eu estas ideias estúpidas, porquê?! Não estou a aguentar isto, é muito escuro, é muito mau, não se vê nada! Isto é um sonho, só pode ser. Acorda, VÁ! ACORDA! Não é um sonho.... estou a ficar sem ar, ar, quero ar! Que escuro, estou-me mesmo a sentir mal. Eu não quero isto! Eu não quero mais isto! Eu quero luz! Eu quero luz! LUZ!! Volta. Vá lá... eu não estou a aguentar... volta, por favor, volta! Nem que seja de outra lanterna qualquer, por favor... volta! Vou-me mexer... aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
- Men, tem calma, estou aqui. És mesmo maricas, da-se!
- A final não morri... caneco!

terça-feira, 10 de maio de 2005

Anah y los niños

Era uma vez uma rapariga de seu nome Anah, que gostava muito passear nas matas do pinhal de Foz Côa. Um belo dia de Primavera, saiu cedo da casa de sua tia Anastácia, com uma pequena cesta com farnel, com uma roupa muito primaveril e um xaile por causa dos ventos frios da serra. Era seu costume passear por aquelas bandas às Quartas-Feiras e como o costume é inimigo do hábito, assim o fez também desta vez.
O dia estava lindo, os pássaros ouviam-se aos milhares, alegres pela abundância proporcionada pelas chuvas que caíram em Abril. Maio estava lindo como sempre por aquelas paragens, um pouco ventoso, mas nada que não se conseguisse tolerar, mal se entrasse no conforto da mata de pinheiros esguios, que serviam de abrigo.
Anah caminhava alegre pela mata, com uma flor na mão, que tinha colhido à uns metros atrás. Parava aqui e acolá, para admirar as plantas, pequenos animais, cogumelos das mais variadas cores, bem como a paisagem que por vezes se vislumbrava por entre a folhagem de pequenos arbustos. Toda aquela paz e quietude inundavam-na de serenidade.
Mais tarde e após um longa caminhada, resolveu procurar uma rocha, com sombra, para que pudesse comer, pois já se fazia tarde e a fome era mais que muita, aquele ar dava-lhe muita fome. Assim fez. Sabia que tinha já passado a sua rocha favorita, mas como vinha tão distraída com tudo o que a envolvia, já não se recordava se teria sido à muito e se teria que andar muito para trás, fazendo com que tivesse que alterar o caminho que tinha planeado. Como sabia que mais à frente existia uma rocha parecida, mas com uma vista não tão boa, resolveu prosseguir, mesmo não sendo do seu agrado. Como estava tão bem disposta e com tanta fome, continuou.
Logo que chegou, prontamente limpou o local onde ia por a toalha com um ramo de arvore que estava caído no chão. Primeiro tirou a toalha, depois dois pequenos pratos, em seguida e por ordem que estavam arrumados na cesta, os doces, o sumo de pêra, as frutas, queijo, um pouco de presunto, por fim o pão e os talheres. Ainda tirou dos bolso da saia um pequeno lenço para colocar no colo. Com um apetite voraz iniciou a sua refeição. Anah era muito delicada, uma refeição destas podia demorar horas e como é seu apanágio, esta não foi excepção.
Passadas duas horas, começou a arrumar tudo com muito cuidado dentro da cesta. Quando terminou, abriu um pequeno compartimento na cesta, assim como um compartimento secreto. Lá de dentro tirou um pequeno tubo, um saquinho de plástico e um espelho. Retirou um pequena quantidade do pó que estava dentro do pequeno saquinho de plástico para cima do espelho. Tinha que ter muito cuidado, pois por aquelas partes o vento pode ser traiçoeiro e soprar com muita força. Assim para que o vento não ficasse com o pó, ela prontamente colocou o cubo no nariz e de uma só vez inspirava-o para dentro do nariz. Assim o fez em ambas nas narinas até que o saquinho ficasse vazio.
Após esta operação Anah, guardava as suas coisas num local seguro e renovada com novas energias e cheia de calor, um só folgo, subia a serra toda, nua, sem nunca tirar o pequeno instrumento que tinha sempre metido no seu anus e que gostava muito. Quando lá chegava a cima, chamava pelo seu amigo cavalo selvagem favorito e ficavam os dois a ter relações amorosas o resto da tarde. Era um mimo ver o cavalinho em cima da Anah a relinchar de prazer e ela como sempre gostava, dobrada debaixo dele, gemia que dava gosto. Quando o pobre do bicho já não tinha nada para dar, ela descia, alegre. Mas naquele dia ficou um pouco triste, pois como se tinha distraído com a caminhada da manhã, esqueceu-se de retirar o seu instrumento favorito do anus e agora estava sem pilha. Para não o perder, colocou na vagina, e lá ficou guardado, todo guardado.
Assim que chegou ao local onde estavam as suas coisas, prontamente se vestiu, pegou na cesta e fez-se ao caminho, muito apressada, mas muito alegre.
Passadas algumas horas, já o dia se estava a por, Anah chega a casa, já a tia Anastácia estava preocupada.
- Ai menina não venhas assim tão tarde, que eu já não consigo ver bem e posso-te aleijar.
- Ó tia, também não é assim tão tarde.
- Para mim já começa a ser filha.
Sem mais demoras, Anah vai dentro da casa, deixa a cesta da cozinha e trás o estojo das injecções. A tia senta-se na mesa do alpendre e prepara a injecção. Diz para a sobrinha.
- Então filha, passeaste muito? Estava tudo bem? Comeste bem?
- Sim, estava minha tia ...
- Vê lá tu que quando saíste é que me lembrei que deverias ter levado outras pilhas.
- Pois foi tia... quando vinha para baixo acabou-se as pilhas. Por falar nisso, já venho!
Enquanto Anah retirava o instrumento favorito, a tia acabava o preparo.
- Ó filha! Anda que isto está pronto.
- Já vou – dizia de dentro da casa.
- Sabes que estes limões são aqui dos nossos, são muito bons.
- Ai sim?! Boa, é que os da vizinha já me estavam a fazer um pouco de azia.
- Pois, por isso mesmo. Com estes até se consegue misturar muito melhor o cavalo.
- Pois é – já junto da tia e a ver como ela fazia – a tia faz isso como ninguém! – e dá-lhe um beijo na testa.
Senta-se em frente à tia prepara o garrote e prepara-se para receber a dose. A tia com a sua mestria, introduz a seringa na veia ávida! O processo é de uma meticulosidade incrível. Mal Anah retira o garrote, até parece que já lhe está a chegar imediatamente à cabeça. Diz a tia.
- Também não exageres!
- Ó tia mas já chegou... - e mal profere estas palavras, levanta-se a custo e desloca-se para o cadeirão que a espera, como quem a quer abraçar e não mais a quer largar.
A tia, solta uma lágrima de alegria e chama:
- ¡Niños, niños! ¡Vengan aquí! ¡Tu madre esta drogadita! ¡Y que bella está!

segunda-feira, 9 de maio de 2005

O teste

Q 1
Q 1.1 - Utilizando os conjuntos de duas palavras, efectue uma frase.
O cão
O mijo
O carro
O martelo
O vidro
O ar
O inventário
O olho
O cu
O quadro
O livro
O acento

R (exemplo) :
O cão, não só corre como anda.
O mijo corre pela calçada, há quem o pise.
O carro vinha de cima.
O martelo tem um cabo grosso.
O vidro está partido em dois sítios.
O ar é limpo, por vezes até demais.
O inventário foi feito em dois dias.
O olho é muito bonito.
O cu está limpo.
O quadro está torto.
O livro tem muitas páginas.
O acento é agudo.

Q 1.1.1 - Agora a partir de cada frase, efectue um livro e explique porquê:

Q 1.1.2 - Agora a partir de cada livro, efectue um quadro:

Q 1.1.3 - Junto o resultado do livro e do quadro e faça uma palestra.

Q 1.2.1 - Filie-se num partido qualquer que dê direito a governo, mesmo que não seja maioria. Efectue uma lista de pessoas a abater e quais as que vai utilizar para subir rápido.

Q 1.2.2 - Saia do partido e filie-se na oposição. Justifique.

Q 1.2.3 - Candidate-se a presidente do partido e porquê.

Q 2
Q 2.1 - Após um mau governo, o que deve fazer?

Q 2.2 - Quantos anos deve passar até se candidatar a Presidente da República? E que passos deve dar? Porquê?

Q 3 - Onde deve ser edificada a sua estatua?

Q 4 - Caso não tenha roubado dinheiro, explique porquê.


Notas: O teste é de duas horas e trinta minutos e não é permitido qualquer tipo de honestidade. As consultas devem ser efectuadas de uma forma insuspeita e muito dissimulada.

Boa sorte!

quinta-feira, 28 de abril de 2005

Para o Carlitos

Fiz ontem uma varanda para a escada de estar, não consegui foi ver a entrada de chuva. Tive de novo que voltar à frente e encontrar-me com ninguém que goste de peixe espada, verde. Já prometi que mesmo sem luz, as varetas do chapéu, nunca se afastam depressa, em vez de ficarem a noite toda a olhar para mim.
Deixei de ver a cores, com os nervos que a minha mesa anda, deve estar sempre a piscar os dedos e nem consegue ver as rosas que estavam dentro da lata de sardinhas. Venha lá quem vir, terá um par de vez que fazer um pinto todos os anos anteriores, quando isso não acontecer, deixa-se a arejar umas horas, para tirar o sabor a amarelo, ou mesmo se o virmos, temos que ir embora, sem falar com os mesmos três caracóis quando eram mortos:
- Uma treta!
- Ontem fui ver o mar.
- A minha mãe gostou.
- A que horas?
- Vinha com duas pregas
- Entra, entra, que quero ver-te de fora.
E assim mais uma vez, tendo os tendões todos em seguida, sabia que nada podia entrar nem sair a toda hora da manga do tecto, todo, ou nenhum, cada vez que, mas com medo, tratando de ver a cara do peixe espada, verde.

quarta-feira, 27 de abril de 2005

Siga! Mais um...

Só depois da 6

...e parece que é cá dos meus!
Sejas bem vindo!

Ps: É, rata! Sejas bem vinda...

Tomei o pequeno almoço e sai

Tomei o pequeno almoço e sai, ainda estava escuro, as luzes da rua ainda estavam acesas. Subo a rua, dirijo-me para o Metro. Ao dobrar a esquina da leitaria, dou de caras com o meu vizinho bêbado, mais a sua prostituta favorita, que por amizade o trazia a casa nos piores dias. Cumprimentei-os como sempre faço, ao que a madame com o seu ar altivo, quase de gozo e como quase sempre responde:
– Não vai uma mamada? - ao que eu respondo,
– Estou atrasado, tenho de ir trabalhar. – Por vezes a troca de galhardetes fica por aí, mas desta vez, bem como outras que já aconteceram, ela queria conversa. A noite devia lhe ter corrido mal e o meu vizinho bêbado não teria muito dinheiro, assim respondeu:
– Anda lá, são dois minutos, faço-te um desconto!
– Não pode ser, tenho mesmo que ir – digo isto já a afastar-me deles, mas ela insistia.
– Anda lá querido, sabes bem que os faço como ninguém, tu próprio já mo disseste. – E dizia isto com um tom de voz um pouco alto. Eu com receio que o dialogo se tronasse dantesco, animalesco e com contornos ajavardados, resolvi correr para junto de ambos.
O meu vizinho, dormente, quase sem forças, e com um fio de baba no canto da boca, continuava pendurado no ombro desta mulher de 1 metro e 80, forte, aliás, gorda, com os peitos do tamanho de duas melancias, com um rabo espetado, rijo que nem cornos, com umas unhas que fariam a inveja de muitos talhantes, vestido sabes-se lá com o quê, e era com estes dois par de jarras que eu ia entrar de novo para o meu prédio, para a casa do meu vizinho, para que sua Excelência, Dona Prostituta, arregaçasse as mangas, tirasse a placa e se pusesse a chupar no meu sequioso abono de família, como nenhuma outra mulher alguma vez o tinha chupado, (acreditem que é realmente impressionante)! Sem pensar duas vezes, acedi à depravação. Puxei pelo braço dela e antes de irmos perguntei-lhe baixinho:
- Primeiro, vamos lá a saber quanto vale isso.
- Querido, para ti... deixa cá ver... 5contos!
- O quê?! Você deve estar louca! 5 contos?! E o desconto?!
- Querido, mas os 5 contos é já com desconto...
- Isso não pode ser! E quanto vale um queca?
- De quanto tempo?
- Sei lá... 10 minutos...
- Deixa ver... ora... para ti, faço-te 20 contos.
- 20 contos? Você passou-se! Então 5 contos a mamada e 20 contos a queca?
- E é se queres! – com tom de peixeira.
- Faça bem as contas. Repare; se por 10 minutos eu pago 20 contos isso dá 2 contos por minuto, certo?
- Sim.... – olhar para o ar com um ar pensativo e a contar com os dedos.
- Ora se a mamada é 5 contos, isso dá 2 contos e 500, por minuto, certo?
- Não estou a ver onde queres chegar...
- Não?!? Onde eu quero chegar é ao seguinte; uma mamada não é o mesmo da queca! Eu na queca posso lhe apalpar as mamas!
- Pois... e?
- E na mamda não! Está a ver onde eu quero chegar?
- Mais ou menos...
- Queca mamas, mamada não há mamas.... está a ver?
- Espera lá! O que estás-me querer a dizer é, se eu te deixar mexer das mamas enquanto te faço a mamada, já pode ser?
- Ora ai está!!
- Tu deves estar maluco! Tu deves bater mal mona! Não podes ter duas boas mercadorias ao mesmo tempo, chavalo!
- Ou é isso, ou vou-me já embora.
- Esquece!
- Está bem, então adeus, até amanhã.
- Olha o fedelho! Lá por ser todo menino da mamã e bem educado, deve pensar que leva tudo! É assim, e é assim mesmo!
- Muito bem, vou já andando. Ciao!
- Adeus... – com ar de desprezo.
E voltei a iniciar a minha marcha a caminho do Metro. Enquanto caminhava, ainda ouvia a prostituta a reclamar
– Olha-me só o fedelho! Mamada e mamas ao mesmo tempo, não queria mais nada! - continuava – É nisto o que dá quando se faz um bom serviço, querem sempre mais! Já viste isto? – dizia para o meu vizinho que já espumava pela boca.
Eu continuava a minha caminhada e pensava; mas que raio é que me deu na cabeça para perder 15 minutos da minha vida com esta mulher? Eu no fundo sabia porquê. É que a mamada que ela me tinha feito no ano passado tinha sido a melhor coisa que alguma vez alguém me tinham feito ao meu nabo. Nem a minha melhor namorada, não lhe tinha conseguido chegar aos calcanhares e isso era a única razão pela qual eu ainda a cumprimentava. É claro que uma voltinha nas melancias não faria mal menhum. Já em conversa com o meu vizinho, quando estava sóbrio, que era pelo menos uma vez por semana, quando ia visitar o filho, e lhe dei bolei na minha motorizada, me contou que se a mamada era boa, uma punheta daquelas mamas era ainda melhor e explicou porquê. Não vou contar, tenho vergonha...
Quando já ia bem lá em cima e já quase que não a conseguia ouvir, olhei para trás, para ver se ainda os consegui ver e se estaria tudo bem. Lá iam os dois, ele pendurado, já não era no ombro dela, já era na mala e ela continuava a esbracejar a praguejava, ainda se conseguiam ouvir algumas palavras:
– Deve pensar que é o maior!!
Quando cheguei ao topo da rua, voltei na papelaria à esquerda e desci para o Metro.
Já estava um pouco atrasado. Normalmente à hora a que costumava chegar à estação não havia ninguém, mas bastava ter-me atrasado 15 ou 20 minutos, para haver já um dezena de pessoas, que era o caso. Já tinha que esperar 1 minuto a mais para comprar o jornal e o Sr. Esteves me perguntar o que se tinha passado, fazendo-me perder mais 30 segundos que o normal, sendo já o atraso de um minuto e meio, mais o que iria perder quando fosse beber o café, pois já tinha uma fila de 1 pessoa à minha frente a pedir café e um pastel de nata, que por azar iria comer o que estava guardado para mim, pois como o Sr. Vitorino já sabia, se eu me atrasasse seria porque não iria trabalhar naquele dia e assim vendia o pastel, indo me atrasar ainda mais 2 minutos, fazendo com que não conseguisse apanhar o Metro de quando eu estou atrasado, resolvi então voltar para trás, ir a casa do meu vizinho e aceitar os 5 contos pela mamada e como a Dona Prostituta gostava muito de mim, ainda me deixou mexer durante a dita, nas suas belas mamas!

Um muito bom dia de trabalho, são os meus votos!

sexta-feira, 22 de abril de 2005

Vamos ter que falar.

Vamos ter que falar.
Da última vez que o tentamos fazer estavas toda despida, nua, sem roupa e sem pudor, quase que te via a alma.
Vamos ter que falar.
Se continuarmos a ignorar o que nos preocupa, não restará nada de nós, nada! Nem um dia ficará.
Vamos ter que falar.
Sei que não consegues, mas ou menos tenta, esforça-se, só uma vez. Eu ajudo.
Vamos ter que falar.
Ontem estive quase para te perguntar, mas quando te vi, foi como que se o mundo estivesse a acabar, a minha boca se tivesse congelado, o meu cérebro tivesse ficado vazio, oco.
Vamos ter que falar.
Vejo-te à tarde, na rua, sozinha, mas não consigo te chegar, não deixas, o teu olhar foge de mim.
Vamos ter que falar.
Mesmo quando não sabes que te vejo, eu sei que sabes que estou aí, junto de ti, ao teu lado, sempre ao teu lado.
Vamos ter que falar.
Quando me olhas, penso que quero fugir, mas tu não deixas, segues-me para onde eu for, mas no entanto, não deixas que eu te....
Vamos ter que falar.
PORRA CATARINA!! Não passa de hoje!!

quinta-feira, 21 de abril de 2005

Mais um...

Foi-me apresentado por um amigo, Vento de leste.

Fiquei tão inspirado que até fiz um:
Gota de orvalho
Cai no chão da floresta
Outra cai na minha testa
Ainda bem que não foi no caralho!

Sejas bem vindo!

quinta-feira, 31 de março de 2005

Acta número 1584

“Os passos que damos são dados com ambos os pés, caso só tenhas um, dá-los à mesma.”
Este foi um tema de abertura de conversa da última tertúlia de amigos, que todos os meses se juntam, dentro da casa de banho de um restaurante muito conhecido da nossa praça.
Das cabeças pensantes de todos os que frequentam (adoro escrever esta palavra em Brasileiro “freqüentam”, há lá coisa mais estúpida!?) este encontros, há uma, que todos identificam como sendo a mais pensante, que tem como tarefa mensal, a elaboração de um tema. O deste mês, o qual se encontra em epígrafe, é de todos o mais estúpido, e como tal foi escolhido para ser reflectido por outro grupo, que como nós, seguidores da nossa ideia, mas como menos capacidade intelectual, sendo por essa mesma razão praticamente impossível levar a bom porto qualquer tipo de conclusão. Visto isto, eu, como moderador, dei por encerrado este tema. Mas não deixando de exprimir o meu desagrado para com o pensante mor, pela a idiotice do tema.

14 de Maio de 1982.
Lisboa, Hospital Júlio de Matos.